Poemas

Lista de Poemas

Explore os poemas da nossa coleção

Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Projecto I

O longo muro alentejano e branco
O desejo de limpo e de lisura
Aqui na casa térrea a arquitectura
Tem a clareza nua de um projecto

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Um Pálido Inverno

Um pálido inverno escorria nos quartos
Brancos de silêncio como a névoa
Um frio azul brilhava no vidro das janelas
As coisas povoavam os meus dias
Secretas g…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

I. Navegámos Para Oriente

Navegámos para Oriente —
A longa costa
Era de um verde espesso e sonolento

Um verde imóvel sob o nenhum vento
Até à branca praia cor de rosas
Toca…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Museu

Aqui — como convém aos mortais —
Tudo é divino
E a pintura embriaga mais
Que o próprio vinho

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Iii. Nus Se Banharam Em Grandes Praias Lisas

Nus se banharam em grandes praias lisas
Outros se perderam no repentino azul dos temporais
1982

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Grécia 72

De novo os Persas recuarão para os confins do seu império
Afundados em distância confundidos com o vento
De novo o dia será liso sobre a orla do mar
Nada encobrir…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Esteira E Cesto

No entrançar de cestos ou de esteira
Há um saber que vive e não desterra
Como se o tecedor a si próprio se tecesse
E não entrançasse unicamente esteira e cesto

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Lamentação de Adriano Sobre a Morte de Antinoos

Não escreverei mais o meu nome em letras gregas sobre a cera das tabuinhas
Porque estás morto
E contigo morreu o meu projecto de viver a condição divina

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

V. Faz da Tua Vida Em Frente À Luz

Faz da tua vida em frente à luz
Um lúcido terraço exacto e branco,
Docemente cortado
Pelo rio das noites.

Alheio o passo em tão perdida estrada
Vi…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Vii. Outros Dirão Senhor As Singraduras

Outros dirão senhor as singraduras
Eu vos direi a praia onde luzia
A primitiva manhã da criação

Eu vos direi a nudez recém-criada
A esquiva doçura a le…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Palavra

Heraclito de Epheso diz:

«O pior de todos os males seria
A morte da palavra»

Diz o provérbio do Malinké:

«Um homem pode enganar-se em sua p…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Enquanto Longe Divagas

I
Enquanto longe divagas
E através de um mar desconhecido esqueces a palavra
— Enquanto vais à deriva das correntes
E fugitivo perseguido por inomeadas forma…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Vi. Eu Vos Direi a Grande Praia Branca

Eu vos direi a grande praia branca
E os homens nus e negros que dançavam
Pra sustentar o céu com suas lanças
1982

1 182
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

X. Sombrios Deuses

Sombrios deuses
Senhores do medo antigo
O sopro como estátuas suspendendo
Na movediça luz das lamparinas
1982

1 373
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

I. Deslizado Silêncio Sob Alísios

Deslizado silêncio sob alísios
— As velas todas brandamente inchadas —
Brilho de escamas sobre os grandes mares
E a bombordo nas costas avistadas
Sob o clamo…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Vii. de Novo Em Delphos o Python Emerge

De novo em Delphos o Python emerge
Do sono sob os séculos contido
As águias afastaram o seu voo
Só as abelhas zumbem ainda no flanco da montanha seu vozear de bro…

1 173
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

O Opaco

Recuperei a minha memória da morte da lacuna da perca e do desastre
O opaco regressou de seu abismo antigo
A sombra de Ingrina não toca nem sequer as minhas mãos

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

V. (O Auriga)

A nudez dos pés que o escultor modelou com amor e minúcia
Mostra a pura nudez do teu estar na terra
A longa túnica em seu recto cair diz o austero
Aprumo de prumo…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

V. Ali Vimos a Veemência do Visível

Ali vimos a veemência do visível
O aparecer total exposto inteiro
E aquilo que nem sequer ousáramos sonhar
Era o verdadeiro
1977

1 145
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Paixão Nua

A paixão nua e cega dos estios
Atravessou a minha vida como rios

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Retrato de Mulher

Algo de cereal e de campestre
Algo de simples em sua claridade
Algo sorri em sua austeridade

1 791
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Será Possível

Será possível que nada se cumprisse?
Que o roseiral a brisa as folhas de hera
Fossem como palavras sem sentido
— Que nada sejam senão seu rosto ido
Sem regre…

1 074
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

O Templo de Athena Aphaia

O templo de Athena Aphaia é claro doirado e terrestre:
Espiga de trigo
Erguida para o céu nos píncaros de Egina
O templo de Athena Aphaia é claro doirado e terres…

1 190
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Ii. Escuta, Lídia, Como Os Dias Correm

Escuta, Lídia, como os dias correm
Fingidamente imóveis,
E à sombra de folhagens e palavras
Os deuses transparecem
Como para beber o sangue oculto
Que n…

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