Poemas

Lista de Poemas

Explore os poemas da nossa coleção

Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

As Fotografias

Era quase no inverno aquele dia
Tempo de grandes passeios
Confusamente agora recordados —
A estrada atravessava a serra pelo meio
Em rugosos muros de pedra e…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Ii. Era a Rota do Oiro

Era a rota do oiro
Porém nos grandes mares
Ou em praias baloiçadas por coqueiros
O espanto nos guiava —
Água escorria de todas as imagens
1982

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Caxias 68

Luz recortada nesta manhã fria
Muros e portões chave após chave
O meu amor por ti é fundo e grave
Confirmado nas grades deste dia
Fevereiro de 1968

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Tempo

Tempo
Tempo sem amor e sem demora
Que de mim me despe pelos caminhos fora

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Vii. Trevas

O que foi antigamente manhã limpa
Sereno amor das coisas e da vida
É hoje busca desesperada busca
De um corpo cuja face me é oculta.

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Labirinto

Sozinha caminhei no labirinto
Aproximei meu rosto do silêncio e da treva
Para buscar a luz dum dia limpo

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Portas da Vila

I

A casa está na tarde
Actual mas nos espelhos
Há o brilho febril de um tempo antigo
Que se debate emerge balbucia
II

Com um barulho de…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Electra

Os muros da casa dos Manon escorrem sangue
E as árvores do jardim escorrem lágrimas.

O lago busca em vão o reflexo antigo duma infância
Que se tornou homens…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Deus É No Dia

Deus é no dia uma palavra calma
Um sopro de amplidão e de lisura.

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Termoli

Quase lua cheia e baixa sobre o mar
Magnética e brilhante nos panos pretos da noite
Foi então que abordámos em margens de silêncio
E uma pequena cidade surgiu ant…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Eurydice

O teu rosto era mais antigo do que todos os navios
No gesto branco das tuas mãos de pedra
Ondas erguiam seu quebrar de pulso
Em ti eu celebrei minha união com a t…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Eras Bela

Eras bela como a pintura de Mantegna
Onde cada coisa mostra a nítida atenção
Do olhar soletrando a eternidade
Eras bela como a pintura de Mantegna
Decifrando…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Pranto Pelo Infante D. Pedro Das Sete Partidas

(poema escrito na noite de 17-12-1961, e interrompido pela notícia da entrada dos soldados indianos em Goa)

Nunca choraremos bastante nem com pranto
Assaz amargo…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Xi. Final

Assim termina a lenda
Daquele escultor:
Nem pedra nem planta
Nem jardim nem flor
Foram seu modelo.
Sevilha/Lisboa, 1959

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

V. o Amor

Não há para mim outro amor nem tardes limpas
A minha própria vida a desertei
Só existe o teu rosto geometria
Clara que sem descanso esculpirei.

E noite…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Luz E a Casa

Em redor da luz
Com sombras e brancos
A casa se procura

Minhas mãos quase tocam
O brando respirar
Da sua atenção pura

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

I. o Escultor E a Tarde

No meio da tarde
Um homem caminha:
Tudo em suas mãos
Se multiplica e brilha.
O tempo onde ele mora
É completo e denso
Semelhante ao fruto
Inte…

2 038
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Memória de Ti Calma E Antiga

Habita os meus caminhos solitários
Enquanto o acaso vão me oferece os vários
Rostos da hora inimiga

Nem terror nem lágrimas nem tempo
Me separarão de t…

1 432
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Marinheiro Real

Vem do mar azul o marinheiro
Vem tranquilo ritmado inteiro
Perfeito como um deus,
Alheio às ruas.

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

As Cigarras

Com o fogo do céu a calma cai
No muro branco as sombras são direitas
A luz persegue cada coisa até
Ao mais extremo limite do visível
Ouvem-se mais as cigarra…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Ii. o Destino

O destino eram
Os homens escuros
Que assim lhe disseram:
— Tu esculpirás Seu rosto
de morte e de agonia.

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Iii. Busca

Pelos campos fora
Caminhava sempre
Como se buscasse
Uma presença ausente.
«Onde estás tu morte?
Não te posso ver:
Neste dia de Maio
Com rosas …

2 277
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Iii. (Antinoos)

Noite diurna
Até à mais funda limpidez do instinto
Sob os teus cabelos em anel sombria vinha
Corpo terrestre e solene como o azul mais aceso da montanha
O qu…

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Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Profetas Falsos Vieram Em Teu Nome

Anjos errados disseram que tu eras
Um poema frustrado
Na angústia sem razão das Primaveras

Porém eu sei que tu és a verdade
E és o caminho transparente…

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