Citações neste tema
Sociedade e Mundo
Luis Fernando Verissimo
Estive no camarote da Brahma. Quem não era bonito era rico, quem não era rico era famoso, quem não era nem rico nem bonito nem famoso provavelmente era eu.
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Luis Fernando Verissimo
O único humanista autêntico é o canibal. Seu amor pela humanidade é o mesmo amor que temos por um bife, e é sincero. (Cf. Vegetariano)
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Luis Fernando Verissimo
O meu bairro era alto e o bonde começava a subir assim que saía do Centro. Como era lenta a subida do bonde para o meu bairro. Mas não me lembro de achar que perdia tempo. Aproveitava-se para pensar na vida, ou o que passava por pensar na vida, na adolescência. Nada como um bonde lento para meditar sobre o significado de todas as coisas. Sempre achei que se a linha do meu bairro fosse um pouco mais longa eu teria decifrado o Universo.
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Luis Fernando Verissimo
Nos anos 1970 os homens usavam os cabelos pelos ombros, lembra? De trás era difícil saber se era homem, mulher ou maestro. (Cf. Esquerda)
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Luis Fernando Verissimo
O Stephen Hawking voltou atrás na sua teoria sobre os buracos negros, aqueles furos no Universo em que a matéria desaparece. Nem eu nem você entendíamos a teoria, e agora somos obrigados a rever nossa ignorância: os buracos negros não eram nada daquilo que a gente não sabia que eram, são outra coisa que a gente nunca vai entender.
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Luis Fernando Verissimo
O poder em Brasília é apenas uma forma hierarquizada de solidão. Em Brasília, nenhuma multidão é uma multidão, são vários solitários juntos.
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Luis Fernando Verissimo
Uma vez, com meus catorze ou quinze anos, tive o seguinte pensamento: quando eu ficar bem velho (com quarenta anos, por aí), os americanos já terão descoberto a cura de todas as doenças e o segredo de uma vida sem fim, salvo bigorna na cabeça.
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Luis Fernando Verissimo
Onde estão as bundas do Carnaval, quando não é Carnaval? Não parece razoável pensar que elas migram, como os pássaros. (Cf. Quaresma)
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Luis Fernando Verissimo
A tolerância com os bicheiros que dominam as escolas de samba e fazem a festa é análoga à velha convicção brasileira de que um certo banditismo é necessário para que as instituições funcionem.
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Luis Fernando Verissimo
A tolerância com os bicheiros que dominam as escolas de samba e fazem a festa é análoga à velha convicção brasileira de que um certo banditismo é necessário para que as instituições funcionem.
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Luis Fernando Verissimo
Ao nascer, ninguém tem a cara de ninguém. Aliás, os dois ou três dias depois do nascimento são os únicos dias da vida em que a nossa cara é só nossa.
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Luis Fernando Verissimo
Engels disse que no fim a escolha seria sempre entre socialismo e barbárie. A barbárie nós sabemos como é, basta olhar em volta, resta redefinir o socialismo. (Cf. Capitalismo)
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Luis Fernando Verissimo
Vivemos a civilização do automóvel, mas atrás do volante de um carro o homem se comporta como se ainda estivesse nas cavernas. Antes da roda. Luta com seu semelhante pelo espaço na rua como se este fosse o último mamute. (Cf. Porta aberta)
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Luis Fernando Verissimo
Vivemos a civilização do automóvel, mas atrás do volante de um carro o homem se comporta como se ainda estivesse nas cavernas. Antes da roda. Luta com seu semelhante pelo espaço na rua como se este fosse o último mamute. (Cf. Porta aberta)
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Luis Fernando Verissimo
O mundo nunca mais foi o mesmo depois que o primeiro macaco descascou sua primeira banana. Era o despertar da técnica. A descoberta da banana foi a primeira aventura intelectual do pré-homem.
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Luis Fernando Verissimo
Cheguei a ter a convicção de que o declínio da civilização ocidental começara com o baixo elétrico, um preconceito que abandonei só para poder gostar dos Beatles. (Cf. Rock)
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Luis Fernando Verissimo
Ricardo III foi quem, vendo-se a pé e cercado por inimigos, gritou “Meu reino por um cavalo!”, sendo assim o precursor da barganha política numa hora de aperto.
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Luis Fernando Verissimo
O que eu sei foi a vida que me ensinou e, como eu não prestava atenção e faltava muito, aprendi pouco. Sei o essencial, que é amarrar sapatos, algumas tabuadas e como distinguir um bom Beaujolais pelo rótulo. E tenho um certo jeito — como comprova este exemplo — para usar frases entre travessões, o que me garante o sustento. No caso de alguma dúvida maior, recorro ao bom senso. Que sempre me responde da mesma maneira: “Olha na enciclopédia, pô”.
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Luis Fernando Verissimo
Anos atrás, cardíacos deviam desviar o olhar se um ovo fosse servido num prato vizinho: ver ovo fazia mal. E agora estão dizendo que foi tudo um engano, o ovo é inofensivo. A próxima notícia será que bacon limpa as artérias. (Cf. Sal)
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Luis Fernando Verissimo
Não sofri incômodos maiores da censura, fora as crônicas que não podiam sair e tinham que ser substituídas em minutos, e a vez em que avisaram ao jornal que “esse Luis Carlos Verissimo está se excedendo”. Fiquei tranquilo, em caso de prisão levariam o meu primo. (Cf. Censura)
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Luis Fernando Verissimo
Alguma coisa aconteceu na poética nacional quando, no “Dois pra lá, dois pra cá”, dele e do João Bosco, o Aldir Blanc falou naquela ponta de um torturante band-aid no calcanhar da moça que gostava de uísque com guaraná. O band-aid no calcanhar vale um compêndio de sociologia suburbana. (Cf. Bic)
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