Citações neste tema
Humor e Ironia
Karl Kraus
A maioria dos críticos escreve críticas que são dos autores sobre os quais escreve críticas. Isto ainda não seria o pior. Só que a maioria dos autores também escreve obras que são dos críticos que escrevem críticas sobre elas.
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Karl Kraus
Ainda não tentei, mas acho que para ler um romance eu precisaria primeiro encorajar-me e então fechar bem os olhos.
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Karl Kraus
Um professor de literatura afirmou que os meus aforismos são apenas a inversão mecânica de frases feitas. Isto é inteiramente correto. Só que ele não apreendeu o pensamento que impele a mecânica: o facto de que da inversão mecânica de frases feitas resulta mais do que da repetição mecânica. Este é o segredo da época atual, e é preciso tê-lo experimentado. Ao mesmo tempo, a frase feita ainda se distingue, para sua vantagem, de um professor de literatura, de quem não sai nada se eu o deixar no seu lugar e menos ainda se o inverter mecanicamente.
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Karl Kraus
A compreensão do meu trabalho é dificultada pelo conhecimento do meu material. As pessoas não compreendem que aquilo que aí está precisa de ser inventado primeiro, e que vale a pena inventá-lo. Assim como também não compreendem que um satírico para quem as pessoas existem como se ele as tivesse inventado precisa de mais força do que aquele que inventa as pessoas como se existissem.
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Karl Kraus
Quem agora exagera, pode facilmente tornar-se suspeito de dizer a verdade. Quem inventa, de estar informado.
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Karl Kraus
Posso precisar de objetos femininos no máximo nas minhas leituras públicas. Lá eles apoiam o efeito e remedeiam nos meus nervos aquilo que contra eles pecaram na literatura. Mãos devem ser usadas para aplaudir e não para escrever. Com as minhas, eu preferiria esbofetear a escrever caso não existisse o risco de que isso fosse considerado como aprovação e uma voz meiga sussurrasse trémula: “De novo!”.
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Karl Kraus
Para saber se o homem tem talento para o palco é preciso submetê-lo a um teste. A mulher está sempre em teste e é apta para o palco por natureza. Ela vive diante de espectadores. Ela sente que é o centro das atenções quando atravessa a rua, ainda que os figurantes saúdem a entrada de Napoleão. E ela relaciona todos os olhares com o centro.
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Karl Kraus
Tornei-me cauteloso. Quando certa vez expulsei um adorador, este quis denunciar-me por perturbação da liberdade religiosa.
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Karl Kraus
Sentado de noite à escrivaninha, num estágio avançado de deleite intelectual, eu sentiria a presença de uma mulher como sendo algo mais incómodo do que a intervenção de um germanista no quarto de dormir.
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Karl Kraus
Uma mulher deve parecer tão inteligente que a sua estupidez signifique uma surpresa agradável.
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Karl Kraus
Quando chamaram a atenção desse presente que ronca para o facto de alguém ter ficado dez anos sem dormir, virou-se para o outro lado e continuou a dormir.
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Karl Kraus
O pensamento regula o mundo como o bíter faz com o estômago arruinado: ele não tem nada contra o órgão.
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Karl Kraus
Uma completa confusão tomou conta da vida amorosa dos seres humanos. Encontramo-nos em formas mistas das quais até agora não se fazia a menor ideia. Dizem que há pouco uma sádica berlinense deixou escapar: “Escravo miserável, ordeno-te que me dês uma bofetada imediatamente!...”. O assessor em questão fugiu apavorado.
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Karl Kraus
Que posso fazer se M. realmente existe? Não o inventei, apesar disso? Se ele fosse um objeto, eu escolheria melhor. Caso reivindique ter sido ofendido pela sátira, ele a ofende.
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Karl Kraus
O satirista nunca pode sacrificar algo mais elevado a um chiste, pois o seu chiste é sempre superior àquilo que sacrifica. Reduzido à opinião, o seu chiste pode causar injustiça; o pensamento tem sempre razão. Ele já coloca as coisas e as pessoas de tal modo que a nenhuma ocorra uma injustiça.
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Karl Kraus
A sátira não escolhe nem conhece objetos. Ela surge do facto de fugir deles e eles imporem-se a ela.
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Karl Kraus
O palerma que não só não possui uma visão de mundo, mas também não a vê quando ela lhe é oferecida pela arte, precisa subtrair tanto de uma síntese satírica para a compreender até que sobre um nada, pois esse ele compreende, e pelo caminho do desmembramento, para ele transitável, chega aos motivos que o satírico deixou para trás e se identifica carinhosamente com o detalhe contra o qual, segundo a sua opinião, o satírico se dirigiu. O palerma também precisa sentir-se atingido por uma sátira que não lhe diz respeito ou acerta muito longe da sua esfera de interesses.
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