Poemas neste tema
Relações e Família
Renata Trocoli
Princesa dos cabelos negros
Princesa dos cabelos negros,
compridos e perfumados.
Venha at0 mim,
me abraTa e
me ama como se fosse teu nico amor,
teu nico anseio.
AbraTa-me com forTa
e me mostra o caminho do amor.
Caminho este de alegria e suavidade ...
Suavidade de tua pele branca,
doce, perfumada de jasmim.
Toca com tuas pequeninas m2os meu rosto,
me faz um carinho e
me beija com teus l5bios macios.
Deseja me amar para sempre
E este sempre durara
enquanto estiver a meu lado
O Linda Princesa
dos cabelos negros.
compridos e perfumados.
Venha at0 mim,
me abraTa e
me ama como se fosse teu nico amor,
teu nico anseio.
AbraTa-me com forTa
e me mostra o caminho do amor.
Caminho este de alegria e suavidade ...
Suavidade de tua pele branca,
doce, perfumada de jasmim.
Toca com tuas pequeninas m2os meu rosto,
me faz um carinho e
me beija com teus l5bios macios.
Deseja me amar para sempre
E este sempre durara
enquanto estiver a meu lado
O Linda Princesa
dos cabelos negros.
1 125
Renato Russo
La nuova gioventú
Tudo que sei
É que você quis partir
Eu quis partir sem você
Tirar você de mim
Demorei para esquecer
Demorei para encontrar
Um lugar onde você não me machucasse mais
E guardei um pouco
Porque o tempo é mercúrio-cromo
E tempo é tudo que somos
Talvez tivéssemos, teríamos tido, tivéramos filhos
Estava lhe ensinando a ler
On the Road
E coisas desiguais
Com você por perto
Eu gostava mais de mim
Veja bem, eu já não sei se estou bem só por dizer
Só por dizer é que finjo que sei
Não me olhe assim
Eu sou parte de você
Você não é parte de mim
Do meu passado você faz pouco caso
Mas, só para você saber
Me diverti um bocado
E com você por perto
Eu gostava mais de mim
É que você quis partir
Eu quis partir sem você
Tirar você de mim
Demorei para esquecer
Demorei para encontrar
Um lugar onde você não me machucasse mais
E guardei um pouco
Porque o tempo é mercúrio-cromo
E tempo é tudo que somos
Talvez tivéssemos, teríamos tido, tivéramos filhos
Estava lhe ensinando a ler
On the Road
E coisas desiguais
Com você por perto
Eu gostava mais de mim
Veja bem, eu já não sei se estou bem só por dizer
Só por dizer é que finjo que sei
Não me olhe assim
Eu sou parte de você
Você não é parte de mim
Do meu passado você faz pouco caso
Mas, só para você saber
Me diverti um bocado
E com você por perto
Eu gostava mais de mim
1 017
Renato Russo
La nuova gioventú
Tudo que sei
É que você quis partir
Eu quis partir sem você
Tirar você de mim
Demorei para esquecer
Demorei para encontrar
Um lugar onde você não me machucasse mais
E guardei um pouco
Porque o tempo é mercúrio-cromo
E tempo é tudo que somos
Talvez tivéssemos, teríamos tido, tivéramos filhos
Estava lhe ensinando a ler
On the Road
E coisas desiguais
Com você por perto
Eu gostava mais de mim
Veja bem, eu já não sei se estou bem só por dizer
Só por dizer é que finjo que sei
Não me olhe assim
Eu sou parte de você
Você não é parte de mim
Do meu passado você faz pouco caso
Mas, só para você saber
Me diverti um bocado
E com você por perto
Eu gostava mais de mim
É que você quis partir
Eu quis partir sem você
Tirar você de mim
Demorei para esquecer
Demorei para encontrar
Um lugar onde você não me machucasse mais
E guardei um pouco
Porque o tempo é mercúrio-cromo
E tempo é tudo que somos
Talvez tivéssemos, teríamos tido, tivéramos filhos
Estava lhe ensinando a ler
On the Road
E coisas desiguais
Com você por perto
Eu gostava mais de mim
Veja bem, eu já não sei se estou bem só por dizer
Só por dizer é que finjo que sei
Não me olhe assim
Eu sou parte de você
Você não é parte de mim
Do meu passado você faz pouco caso
Mas, só para você saber
Me diverti um bocado
E com você por perto
Eu gostava mais de mim
1 017
Romulo Gouvêa
Uma cena
Uma cena.
Não sei se tinha cenário
não me lembro de cenário.
Não sei se tinha música ao fundo
não me lembro de música alguma.
Não era um ato, era uma cena
sem tempo.
Uma cena que se imprimiu
na minha memória para sempre.
Como um retrato, uma pintura
um instante que parou no espaço.
Eu a olhava, ela me olhava.
A nossa imagem dentro do nosso olhar.
E os dois ângulos desta cena,
em retinas diferentes,
eu pude ter de repente
juntos num só lugar,
numa cena que se imprimiu
na minha memória para sempre,
a cena do nosso olhar.
Não sei se tinha cenário
não me lembro de cenário.
Não sei se tinha música ao fundo
não me lembro de música alguma.
Não era um ato, era uma cena
sem tempo.
Uma cena que se imprimiu
na minha memória para sempre.
Como um retrato, uma pintura
um instante que parou no espaço.
Eu a olhava, ela me olhava.
A nossa imagem dentro do nosso olhar.
E os dois ângulos desta cena,
em retinas diferentes,
eu pude ter de repente
juntos num só lugar,
numa cena que se imprimiu
na minha memória para sempre,
a cena do nosso olhar.
916
Roberto Pontes
O Cavaleiro e a Montanha
Mora em teu corpo
o corcel da glória
que só cavalga
às madrugadas frias,
mas rápido e luzente
espuma e transpira
sobre nosso amor.
E somos
o cavaleiro e a montada
que se confundem num abraço.
Mora em teu corpo
o corcel que me liberta
e só distende
nas madrugadas e auroras
músculos e trotes
para nosso baile.
E somos
sobre todas as cantatas
o próprio amor que percorremos juntos.
( In: jornal Correio das Artes. João Pessoa-PB, 05 dez. 1982 )
o corcel da glória
que só cavalga
às madrugadas frias,
mas rápido e luzente
espuma e transpira
sobre nosso amor.
E somos
o cavaleiro e a montada
que se confundem num abraço.
Mora em teu corpo
o corcel que me liberta
e só distende
nas madrugadas e auroras
músculos e trotes
para nosso baile.
E somos
sobre todas as cantatas
o próprio amor que percorremos juntos.
( In: jornal Correio das Artes. João Pessoa-PB, 05 dez. 1982 )
1 119
Roberto Pontes
Ode à Cama
Então pode-se ouvir certo ruído
O doce farfalhar feito e desfeito
O cálido fluir do ser que é
Fundado sobre o cê e o verbo ama
A lânguida canção. Lida do leito.
Cama em que os filhos fiz
E onde virá baixar a morte
Lugar de amor, viagem, transe.
Oh! entre madeira, verniz e pano
Vai selada nossa vida e nossa sorte.
O doce farfalhar feito e desfeito
O cálido fluir do ser que é
Fundado sobre o cê e o verbo ama
A lânguida canção. Lida do leito.
Cama em que os filhos fiz
E onde virá baixar a morte
Lugar de amor, viagem, transe.
Oh! entre madeira, verniz e pano
Vai selada nossa vida e nossa sorte.
1 176
Roberto Pontes
Ode à Cama
Então pode-se ouvir certo ruído
O doce farfalhar feito e desfeito
O cálido fluir do ser que é
Fundado sobre o cê e o verbo ama
A lânguida canção. Lida do leito.
Cama em que os filhos fiz
E onde virá baixar a morte
Lugar de amor, viagem, transe.
Oh! entre madeira, verniz e pano
Vai selada nossa vida e nossa sorte.
O doce farfalhar feito e desfeito
O cálido fluir do ser que é
Fundado sobre o cê e o verbo ama
A lânguida canção. Lida do leito.
Cama em que os filhos fiz
E onde virá baixar a morte
Lugar de amor, viagem, transe.
Oh! entre madeira, verniz e pano
Vai selada nossa vida e nossa sorte.
1 176
Roberto Pontes
Ode à Cama
Então pode-se ouvir certo ruído
O doce farfalhar feito e desfeito
O cálido fluir do ser que é
Fundado sobre o cê e o verbo ama
A lânguida canção. Lida do leito.
Cama em que os filhos fiz
E onde virá baixar a morte
Lugar de amor, viagem, transe.
Oh! entre madeira, verniz e pano
Vai selada nossa vida e nossa sorte.
O doce farfalhar feito e desfeito
O cálido fluir do ser que é
Fundado sobre o cê e o verbo ama
A lânguida canção. Lida do leito.
Cama em que os filhos fiz
E onde virá baixar a morte
Lugar de amor, viagem, transe.
Oh! entre madeira, verniz e pano
Vai selada nossa vida e nossa sorte.
1 176
Romulo Gouvêa
Abstração
Há determinados momentos
em que penso em você.
Passo o tempo, divago,
montando os teus pedaços.
Recorto lembranças,
brinco com peças
de fácil encaixe
que se misturam e se separam.
Logo que te resgato
perco o foco da visão.
Busco o teu cheiro
no canto das minhas unhas.
Uso teus beijos, apelos, mensagens
teus ditos, segredos, olhares.
Uso tua boca, teus olhos
num sorriso.
Em determinados momentos
há um pensamento em você.
O tempo passa, monto teu retrato
com este material abstrato.
em que penso em você.
Passo o tempo, divago,
montando os teus pedaços.
Recorto lembranças,
brinco com peças
de fácil encaixe
que se misturam e se separam.
Logo que te resgato
perco o foco da visão.
Busco o teu cheiro
no canto das minhas unhas.
Uso teus beijos, apelos, mensagens
teus ditos, segredos, olhares.
Uso tua boca, teus olhos
num sorriso.
Em determinados momentos
há um pensamento em você.
O tempo passa, monto teu retrato
com este material abstrato.
916
Renata Pallottini
O Cântaro
"Então, Jacó beijou Raquel e,
levantando a voz,
chorou."
Gênesis, 20: l l
O cântaro poreja a água amena
que do poço brotou, e adoça a areia
e que corre nos ombros, e que enleia
pelas espáduas seu frescor moreno.
O lácteo manto que uma brisa ondeia
desenha formas, cujo talho apenas
a tamareira imita, a flor receia,
o vento afaga e a solidão serena.
Vê-la é um momento, desejá-la um sopro,
ouvir-lhe a voz uma doçura eleita,
roçar-lhe a fronte uma revelação.
O amante, incertas mãos, trêmulo corpo,
beija-lhe os olhos, cuja flor desfeita
catorze anos de vida pagarão.
levantando a voz,
chorou."
Gênesis, 20: l l
O cântaro poreja a água amena
que do poço brotou, e adoça a areia
e que corre nos ombros, e que enleia
pelas espáduas seu frescor moreno.
O lácteo manto que uma brisa ondeia
desenha formas, cujo talho apenas
a tamareira imita, a flor receia,
o vento afaga e a solidão serena.
Vê-la é um momento, desejá-la um sopro,
ouvir-lhe a voz uma doçura eleita,
roçar-lhe a fronte uma revelação.
O amante, incertas mãos, trêmulo corpo,
beija-lhe os olhos, cuja flor desfeita
catorze anos de vida pagarão.
1 413
Roberto Pontes
Pequenina e Frágil
Para Beth.
Porque és tão pequenina e frágil
És bela e me dás o sonho
Da trêmula luz de uma vela.
Te amo entre os lençóis na cama
As palavras do dicionário
O vento que assusta os coqueiros
E a esmeralda líquida do oceano.
E de manhã, quando na palha canta a primavera
É como se teu corpo modulasse para mim
E invadisse meu coração com as águas da felicidade.
Porque és tão pequenina e frágil
És bela e me dás o sonho
Da trêmula luz de uma vela.
Te amo entre os lençóis na cama
As palavras do dicionário
O vento que assusta os coqueiros
E a esmeralda líquida do oceano.
E de manhã, quando na palha canta a primavera
É como se teu corpo modulasse para mim
E invadisse meu coração com as águas da felicidade.
1 033
Roberto Pontes
Se a Esmo a Apatia Te Acudir
Se a esmo a apatia te acudir
e a casa ficar triste e desbotada
será preciso lembrar a aflição
de quem te pensa e sempre silencia.
E quando a minha ausência sufocar
teu ser, sem lenitivo,
urge saber que assim eu te maltrato
e sofro longe esta dor comum.
Quando a solidão fingir que te domina
e a vida parecer um desespero
bom é que penses apenas no tesouro
contido ali no coração que ama.
Mas se nada suplantar a minha falta,
estejas certa que não sou teu deus,
certeza tenhas que não sou o sol,
porque navego os mesmos sentimentos.
e a casa ficar triste e desbotada
será preciso lembrar a aflição
de quem te pensa e sempre silencia.
E quando a minha ausência sufocar
teu ser, sem lenitivo,
urge saber que assim eu te maltrato
e sofro longe esta dor comum.
Quando a solidão fingir que te domina
e a vida parecer um desespero
bom é que penses apenas no tesouro
contido ali no coração que ama.
Mas se nada suplantar a minha falta,
estejas certa que não sou teu deus,
certeza tenhas que não sou o sol,
porque navego os mesmos sentimentos.
836
Roberto Pontes
Quando Tua Pele
Quando tua pele de pêssego e veludo
entre tantos e lânguidos abraços
faz vibrar seus acordes de campina,
os pássaros estacam em seus vôos,
as folhas do limão se reverdecem,
as gotas se evaporam no espaço.
Suponho que no mapa dos amores
sempre que os nossos encontros acontecem
um novo marco acresce o número de beijos.
Sempre que o amor nos une no mistério
as horas são extrínsecas ao tempo,
não há manhã, nem tarde ou noite,
porque ignoramos ampulhetas e relógios.
Quando amamos feito dois duendes
o nosso amanhã é tão indiferente,
o que passou parece tão distante,
e o nosso agora tão definitivo
que faz lembrar nossa primeira lua.
( In: jornal Folha da Manhã. Teresina-PI, 1983 )
entre tantos e lânguidos abraços
faz vibrar seus acordes de campina,
os pássaros estacam em seus vôos,
as folhas do limão se reverdecem,
as gotas se evaporam no espaço.
Suponho que no mapa dos amores
sempre que os nossos encontros acontecem
um novo marco acresce o número de beijos.
Sempre que o amor nos une no mistério
as horas são extrínsecas ao tempo,
não há manhã, nem tarde ou noite,
porque ignoramos ampulhetas e relógios.
Quando amamos feito dois duendes
o nosso amanhã é tão indiferente,
o que passou parece tão distante,
e o nosso agora tão definitivo
que faz lembrar nossa primeira lua.
( In: jornal Folha da Manhã. Teresina-PI, 1983 )
837
Romulo Gouvêa
Nossas bocas
Nossas bocas são portas
onde há fluxo e refluxo
por onde passa tudo.
Passa paixão
passa amor
passam sentimentos e carinhos.
Por elas passa o mar
passam os rios
passam todos os caminhos.
Por elas só não passa o tempo.
Elas têm a mesma temperatura,
mesmo calor, mesma ternura.
São de mesma estrutura.
Nossas bocas, neste beijo, são portas
portas abertas
por onde passam nossas descobertas.
onde há fluxo e refluxo
por onde passa tudo.
Passa paixão
passa amor
passam sentimentos e carinhos.
Por elas passa o mar
passam os rios
passam todos os caminhos.
Por elas só não passa o tempo.
Elas têm a mesma temperatura,
mesmo calor, mesma ternura.
São de mesma estrutura.
Nossas bocas, neste beijo, são portas
portas abertas
por onde passam nossas descobertas.
975
Romulo Gouvêa
Eu estou aqui
Eu estou aqui
sentado, pensando
do mesmo jeito que antes
nas mesmas coisas que antes
eu ficava, eu pensava.
Do jeito que você deixou
mas com uma coisa diferente
a certeza de não estar doente
foi só isto que mudou.
Eu estou aqui
te amando, te observando
do mesmo jeito que antes
nas mesmas coisas que antes
eu te amava, eu te observava.
Da forma que você largou
nada nasce de repente
há muita coisa entre a gente
o meu amor aumentou.
Eu estou aqui
sentado, te amando,
pensando, te observando.
Esperando.
sentado, pensando
do mesmo jeito que antes
nas mesmas coisas que antes
eu ficava, eu pensava.
Do jeito que você deixou
mas com uma coisa diferente
a certeza de não estar doente
foi só isto que mudou.
Eu estou aqui
te amando, te observando
do mesmo jeito que antes
nas mesmas coisas que antes
eu te amava, eu te observava.
Da forma que você largou
nada nasce de repente
há muita coisa entre a gente
o meu amor aumentou.
Eu estou aqui
sentado, te amando,
pensando, te observando.
Esperando.
1 075
Roberto Pontes
A Que Saiu do Cântico dos Cânticos
A que sempre chega
Traz a fala morna e mansa
Sabe a prática lasciva do desejo.
Em seu corpo trigueiro vem o sol.
Está e não está na incerteza,
Mas tem do mormaço, sol a pino,
A magia da terra iridescente.
A que sempre chega
É o amor, o mito, vindo e partindo,
Aprisco e dor, mas feliz contentamento.
E são os ombros, são as ancas,
As virilhas, as nádegas sedosas,
Os pequeninos seios, o sexo mordente,
Os tesouros que só eu pude achar.
A que sempre chega
Escapou de um versículo do Cântico dos Cânticos
Enquanto Salomão se ocupava demais
Com a pastorinha Sulamita.
E até hoje ele a procura, desesperado,
Naquelas linhas.
Mas em vão. É muito tarde. Está comigo.
( In: jornal Diário do Povo. Teresina-PI, 27 abr. 1991)
Traz a fala morna e mansa
Sabe a prática lasciva do desejo.
Em seu corpo trigueiro vem o sol.
Está e não está na incerteza,
Mas tem do mormaço, sol a pino,
A magia da terra iridescente.
A que sempre chega
É o amor, o mito, vindo e partindo,
Aprisco e dor, mas feliz contentamento.
E são os ombros, são as ancas,
As virilhas, as nádegas sedosas,
Os pequeninos seios, o sexo mordente,
Os tesouros que só eu pude achar.
A que sempre chega
Escapou de um versículo do Cântico dos Cânticos
Enquanto Salomão se ocupava demais
Com a pastorinha Sulamita.
E até hoje ele a procura, desesperado,
Naquelas linhas.
Mas em vão. É muito tarde. Está comigo.
( In: jornal Diário do Povo. Teresina-PI, 27 abr. 1991)
766
Romulo Gouvêa
De amor depois eu te falo
De amor depois eu te falo
depois eu te falo de tudo
mas em outro momento.
Na rua, num quarto.
Agora eu me guardo
agora tudo é cinzento.
De amor depois eu te cubro
depois eu te cubro com um mundo
mas em outro instante.
Na Terra, em Marte.
Agora te dou só uma parte
agora adio o restante.
Com amor depois te procuro
depois te procuro e me entrego
mas em outra hora.
Aonde você possa estar.
Agora tenho que andar
agora eu vou embora.
Com teu amor,
embora.
Ainda que agora...
depois eu te falo de tudo
mas em outro momento.
Na rua, num quarto.
Agora eu me guardo
agora tudo é cinzento.
De amor depois eu te cubro
depois eu te cubro com um mundo
mas em outro instante.
Na Terra, em Marte.
Agora te dou só uma parte
agora adio o restante.
Com amor depois te procuro
depois te procuro e me entrego
mas em outra hora.
Aonde você possa estar.
Agora tenho que andar
agora eu vou embora.
Com teu amor,
embora.
Ainda que agora...
1 670
Renata Pallottini
Por Vós, Senhora
"o meu hálito se fez estranho a minha mulher..."
Jó, 19:17
Por vós, Senhora, dei o quanto hei dado:
minha parcela de aflição, incertas
as minhas tíbias mãos, no entanto abertas;
as flores e os afetos consumados.
Também por vós hei sido o quanto hei sido:
regato de cautela, pensamento
por vós pensado, inquieto tempo havido
por vós enlouquecido em sentimento.
Tudo isso é nada, agora que voltastes
a tudo o que vos dei e fiz, as frias
espigas do desprezo e as duras hastes
do tédio. Agora é nada o amor passado
em vós, jamais em mim, que vos daria
Senhora, uma vez mais, o quanto hei dado,
Jó, 19:17
Por vós, Senhora, dei o quanto hei dado:
minha parcela de aflição, incertas
as minhas tíbias mãos, no entanto abertas;
as flores e os afetos consumados.
Também por vós hei sido o quanto hei sido:
regato de cautela, pensamento
por vós pensado, inquieto tempo havido
por vós enlouquecido em sentimento.
Tudo isso é nada, agora que voltastes
a tudo o que vos dei e fiz, as frias
espigas do desprezo e as duras hastes
do tédio. Agora é nada o amor passado
em vós, jamais em mim, que vos daria
Senhora, uma vez mais, o quanto hei dado,
1 452
Romulo Gouvêa
Amar
que impõe
à alma o desarmar
e ao coração, para vida
o despertar,
que dispõe
o amante a se despojar
e na direção do amado
caminhar,
que expõe
todos os nervos sem pensar
e uma força para o máximo
arriscar,
é o infinitivo
do infinitamente dar.
à alma o desarmar
e ao coração, para vida
o despertar,
que dispõe
o amante a se despojar
e na direção do amado
caminhar,
que expõe
todos os nervos sem pensar
e uma força para o máximo
arriscar,
é o infinitivo
do infinitamente dar.
850
Renata Pallottini
O Pão Amargo
"Ela foi sentar-se em frente dele a boa distância,
como a de um tiro de arco;
pois disse:
que não veja eu a morte do menino.
Sentada em frente dele,
levantou sua voz e chorou."
Gênesis, 21:16
O pão amargo e a água consumada
do odre seco em cáustico deserto;
sob o mirrado arbusto a esquiva sombra
se nega pela areia e é como um rastro.
Sem planta fresca, a fruta apetecida
traz a longínqua fixação do incerto;
quando a brasa arenosa for alfombra
tornar-se-á carícia o fogo do astro.
Para a criança adormecida ao braço
o olhar alonga, e faz como se fosse
para nos olhos tê-la, traço a traço.
Lembrando a noite aquela e a face gêmea
que lhe roçara a face em mágoa doce,
a escrava chora a condição de fêmea.
como a de um tiro de arco;
pois disse:
que não veja eu a morte do menino.
Sentada em frente dele,
levantou sua voz e chorou."
Gênesis, 21:16
O pão amargo e a água consumada
do odre seco em cáustico deserto;
sob o mirrado arbusto a esquiva sombra
se nega pela areia e é como um rastro.
Sem planta fresca, a fruta apetecida
traz a longínqua fixação do incerto;
quando a brasa arenosa for alfombra
tornar-se-á carícia o fogo do astro.
Para a criança adormecida ao braço
o olhar alonga, e faz como se fosse
para nos olhos tê-la, traço a traço.
Lembrando a noite aquela e a face gêmea
que lhe roçara a face em mágoa doce,
a escrava chora a condição de fêmea.
1 621
Renata Pallottini
O Pão Amargo
"Ela foi sentar-se em frente dele a boa distância,
como a de um tiro de arco;
pois disse:
que não veja eu a morte do menino.
Sentada em frente dele,
levantou sua voz e chorou."
Gênesis, 21:16
O pão amargo e a água consumada
do odre seco em cáustico deserto;
sob o mirrado arbusto a esquiva sombra
se nega pela areia e é como um rastro.
Sem planta fresca, a fruta apetecida
traz a longínqua fixação do incerto;
quando a brasa arenosa for alfombra
tornar-se-á carícia o fogo do astro.
Para a criança adormecida ao braço
o olhar alonga, e faz como se fosse
para nos olhos tê-la, traço a traço.
Lembrando a noite aquela e a face gêmea
que lhe roçara a face em mágoa doce,
a escrava chora a condição de fêmea.
como a de um tiro de arco;
pois disse:
que não veja eu a morte do menino.
Sentada em frente dele,
levantou sua voz e chorou."
Gênesis, 21:16
O pão amargo e a água consumada
do odre seco em cáustico deserto;
sob o mirrado arbusto a esquiva sombra
se nega pela areia e é como um rastro.
Sem planta fresca, a fruta apetecida
traz a longínqua fixação do incerto;
quando a brasa arenosa for alfombra
tornar-se-á carícia o fogo do astro.
Para a criança adormecida ao braço
o olhar alonga, e faz como se fosse
para nos olhos tê-la, traço a traço.
Lembrando a noite aquela e a face gêmea
que lhe roçara a face em mágoa doce,
a escrava chora a condição de fêmea.
1 621
Roberto Pontes
O Tempo dos Amantes
Aos amantes tudo é permitido
pois dos seus atos nascem nobres rosas
e dos seus olhos brotam melodias
enquanto estrelas lá no céu passeiam.
O tempo dos amantes não se conta
pelos relógios exatos, impassíveis.
O seu registro é o ritmo de abraços
que o leve sopro do tremor embala.
Felizes são aqueles que, amantes,
dão-se de todo aos ritos do seu jogo
e amparam suas mágoas e desejos
na reciprocidade sacra dos seus ventres.
( In: revista Almenara. Londrina-PR, 1986 )
pois dos seus atos nascem nobres rosas
e dos seus olhos brotam melodias
enquanto estrelas lá no céu passeiam.
O tempo dos amantes não se conta
pelos relógios exatos, impassíveis.
O seu registro é o ritmo de abraços
que o leve sopro do tremor embala.
Felizes são aqueles que, amantes,
dão-se de todo aos ritos do seu jogo
e amparam suas mágoas e desejos
na reciprocidade sacra dos seus ventres.
( In: revista Almenara. Londrina-PR, 1986 )
1 968
Rolf de Souza
Seu cabelo é raíz exposta
Seu cabelo é raíz exposta
que deixa a amostra
uma História que não se pode calar!
Uma História plantada na cabeça.
Para que não se esqueça
a áfrica de seus ancestrais.
Quem não conhece esta História
com a pele se conforma,
mas com o cabelo, não há perdão, o deforma.
De repente: uma história! Não: A História!
Uma História que, como não se fosse pouco,
vira dona de todo o corpo.
Nela se aprende que cabeça
não é só cabeça: é orí.
É nela que está a força que te faz existir.
Seu cabelo de fora será um escândalo!
Mas lembra da Rainha Nefertiti,
cuja coroa é a própria carapinha!
que deixa a amostra
uma História que não se pode calar!
Uma História plantada na cabeça.
Para que não se esqueça
a áfrica de seus ancestrais.
Quem não conhece esta História
com a pele se conforma,
mas com o cabelo, não há perdão, o deforma.
De repente: uma história! Não: A História!
Uma História que, como não se fosse pouco,
vira dona de todo o corpo.
Nela se aprende que cabeça
não é só cabeça: é orí.
É nela que está a força que te faz existir.
Seu cabelo de fora será um escândalo!
Mas lembra da Rainha Nefertiti,
cuja coroa é a própria carapinha!
845
Roberto Pontes
Epitáfio
Aqui jaz o amor um dia dito
só de beijos e flores viveria.
E não morreu por falta de sustento,
ardor e sonho, pois estes vivem sempre
ao jugo seco da crua existência.
Deixou de haver o sopro simples,
o desejo de ser o conivente,
o comparsa do outro na paixão
que a vida faz ruir devagarinho.
Quem esta morte de bom grado aceita
quer deixar escrito na memória,
na verdade indestrutível de um poema,
o seu perdão, o seu adeus,
o seu soturno desamparo ausente.
só de beijos e flores viveria.
E não morreu por falta de sustento,
ardor e sonho, pois estes vivem sempre
ao jugo seco da crua existência.
Deixou de haver o sopro simples,
o desejo de ser o conivente,
o comparsa do outro na paixão
que a vida faz ruir devagarinho.
Quem esta morte de bom grado aceita
quer deixar escrito na memória,
na verdade indestrutível de um poema,
o seu perdão, o seu adeus,
o seu soturno desamparo ausente.
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