Poemas neste tema
Relações e Família
Luiz de Aquino
Harmonia
Harmonia
Essas mãos já se tocaram
antes
e se afagaram feito jeito
de criança sonolenta.
Essas mãos andaram juntas
muito tempo
e se desejaram tanto tempo.
Agora essas mãos se deram
de vez
e querem envelhecer
sempre unidas.
Essas mãos já se tocaram
antes
e se afagaram feito jeito
de criança sonolenta.
Essas mãos andaram juntas
muito tempo
e se desejaram tanto tempo.
Agora essas mãos se deram
de vez
e querem envelhecer
sempre unidas.
1 108
Luiz Pinto d Albuquerque Bello
Mulher
Sussurros na sala
Perfume no ar
Mulher chegando
Farfalhar de roupas,
Brincos na mesinha
Mulher deitando
Beijo no rosto
Mãos viajando
Mulher amando
Chuveiro aberto
Escova de dentes
Mulher acordando
Perfume no ar
Sussurros na sala
Mulher saindo
Perfume no ar
Mulher chegando
Farfalhar de roupas,
Brincos na mesinha
Mulher deitando
Beijo no rosto
Mãos viajando
Mulher amando
Chuveiro aberto
Escova de dentes
Mulher acordando
Perfume no ar
Sussurros na sala
Mulher saindo
1 017
Lucília Cândida Sobrinho
Tempo de Ilusões
As nuvens passam
Como passam as desilusões.
Na vida há marcas do tempo
E o tempo acelera seu passo,
Levando consigo as doces ilusões —
Quimeras navegam
No mar revolto
Do meu ardente desejo.
Vejo quimeras e nuvens
Envolvendo a lembrança
Da volúpia do teu beijo.
Como passam as desilusões.
Na vida há marcas do tempo
E o tempo acelera seu passo,
Levando consigo as doces ilusões —
Quimeras navegam
No mar revolto
Do meu ardente desejo.
Vejo quimeras e nuvens
Envolvendo a lembrança
Da volúpia do teu beijo.
908
Luiz de Aquino
Clave de Lua
Clave de Lua
Cantar é tão longe
como o encontro efêmero
num verso travesso
acontecido infeliz.
Cantar é tão doce
como o encontro esperado
e demorado
num pentagrama, dois por dois.
Cantar é a clave
de sol crescente
em fundo de lua
cheia de amor
perfeito pra nós.
Cantar é te ver
cantando esperanças
pros meus sentidos.
Cantar é tão longe
como o encontro efêmero
num verso travesso
acontecido infeliz.
Cantar é tão doce
como o encontro esperado
e demorado
num pentagrama, dois por dois.
Cantar é a clave
de sol crescente
em fundo de lua
cheia de amor
perfeito pra nós.
Cantar é te ver
cantando esperanças
pros meus sentidos.
1 256
Lourdes Cabral
Pensamentos
Meus pensamentos se estendem
além do espaço, além do tempo,
em outros caminhos abertos e luminosos.
E nesses caminhos percorrem
ciclos intensos, ilimitados.
Aproximam-se
do cicio da beleza, fascínio
do artista,
No universo colorido, vislumbram
o efeito do amor
e a sutileza da renúncia,
do sacrifício,
do heroísmo.
E, na libertação dos sentimentos,
atingem a complexidade da Vida,
a riqueza dos sonhos,
a potencialidade do Tempo...
além do espaço, além do tempo,
em outros caminhos abertos e luminosos.
E nesses caminhos percorrem
ciclos intensos, ilimitados.
Aproximam-se
do cicio da beleza, fascínio
do artista,
No universo colorido, vislumbram
o efeito do amor
e a sutileza da renúncia,
do sacrifício,
do heroísmo.
E, na libertação dos sentimentos,
atingem a complexidade da Vida,
a riqueza dos sonhos,
a potencialidade do Tempo...
822
Lya Carvalho Jardim
O Homem que Calculava
O homem que calculava
tinha violinos na voz
E recitava números com ar de poesia
Calculava navios de sonhos
e toneladas de lenços nos portos do tempo.
Calculava uma por uma
as páginas dos livros
o peso de seus autores
calculava beijos e abraços
e o amor
calculava nas noites claras.
O homem que calculava
calculava sonhos no sono
repleto de números.
O homem que calculava
tinha dedos de ouro
olhar de estrelas.
na testa o sol se derramava
em forma de cabelos.
Magro, franzino era o homem
que calculava.
Calculava rebanhos de nuvens
Cardumes de ondas
Calculava a distância amorosa
entre sol e lua
E ria
calculando
um por um
os sorrisos.
tinha violinos na voz
E recitava números com ar de poesia
Calculava navios de sonhos
e toneladas de lenços nos portos do tempo.
Calculava uma por uma
as páginas dos livros
o peso de seus autores
calculava beijos e abraços
e o amor
calculava nas noites claras.
O homem que calculava
calculava sonhos no sono
repleto de números.
O homem que calculava
tinha dedos de ouro
olhar de estrelas.
na testa o sol se derramava
em forma de cabelos.
Magro, franzino era o homem
que calculava.
Calculava rebanhos de nuvens
Cardumes de ondas
Calculava a distância amorosa
entre sol e lua
E ria
calculando
um por um
os sorrisos.
986
Luiz Pimenta
Nós
Nós
à minha namorada
Quando eu te vejo criança
e me vejo-
também criança-
nós dois brincamos
de viver a vida.
Teus olhos brilham
e eu te beijo,
profundamente,
apaixonado.
Belo Horizonte, natal de 93
à minha namorada
Quando eu te vejo criança
e me vejo-
também criança-
nós dois brincamos
de viver a vida.
Teus olhos brilham
e eu te beijo,
profundamente,
apaixonado.
Belo Horizonte, natal de 93
1 075
Luiz Pimenta
Nós
Nós
à minha namorada
Quando eu te vejo criança
e me vejo-
também criança-
nós dois brincamos
de viver a vida.
Teus olhos brilham
e eu te beijo,
profundamente,
apaixonado.
Belo Horizonte, natal de 93
à minha namorada
Quando eu te vejo criança
e me vejo-
também criança-
nós dois brincamos
de viver a vida.
Teus olhos brilham
e eu te beijo,
profundamente,
apaixonado.
Belo Horizonte, natal de 93
1 075
Luiz Guimarães
Visita a Casa Paterna
Como a ave que volta ao ninho antigo,
Depois de um longo e tenebroso inverno,
Eu quis também rever o lar paterno,
O meu primeiro e virginal abrigo.
Entrei. Um gênio carinhoso e amigo,
O fantasma talvez do amor materno,
Tomou-me as mãos — olhou-me grave e terno,
E, passo a passo, caminhou comigo.
Era esta sala... (Oh! se me lembro! e quanto!)
Em que da luz noturna à claridade,
Minhas irmãs e minha mãe... O pranto
Jorrou-me em ondas... Resistir quem há-de?
Uma ilusão gemia em cada canto,
Chorava em cada canto uma saudade.
Depois de um longo e tenebroso inverno,
Eu quis também rever o lar paterno,
O meu primeiro e virginal abrigo.
Entrei. Um gênio carinhoso e amigo,
O fantasma talvez do amor materno,
Tomou-me as mãos — olhou-me grave e terno,
E, passo a passo, caminhou comigo.
Era esta sala... (Oh! se me lembro! e quanto!)
Em que da luz noturna à claridade,
Minhas irmãs e minha mãe... O pranto
Jorrou-me em ondas... Resistir quem há-de?
Uma ilusão gemia em cada canto,
Chorava em cada canto uma saudade.
1 112
Luiz Guimarães
Visita a Casa Paterna
Como a ave que volta ao ninho antigo,
Depois de um longo e tenebroso inverno,
Eu quis também rever o lar paterno,
O meu primeiro e virginal abrigo.
Entrei. Um gênio carinhoso e amigo,
O fantasma talvez do amor materno,
Tomou-me as mãos — olhou-me grave e terno,
E, passo a passo, caminhou comigo.
Era esta sala... (Oh! se me lembro! e quanto!)
Em que da luz noturna à claridade,
Minhas irmãs e minha mãe... O pranto
Jorrou-me em ondas... Resistir quem há-de?
Uma ilusão gemia em cada canto,
Chorava em cada canto uma saudade.
Depois de um longo e tenebroso inverno,
Eu quis também rever o lar paterno,
O meu primeiro e virginal abrigo.
Entrei. Um gênio carinhoso e amigo,
O fantasma talvez do amor materno,
Tomou-me as mãos — olhou-me grave e terno,
E, passo a passo, caminhou comigo.
Era esta sala... (Oh! se me lembro! e quanto!)
Em que da luz noturna à claridade,
Minhas irmãs e minha mãe... O pranto
Jorrou-me em ondas... Resistir quem há-de?
Uma ilusão gemia em cada canto,
Chorava em cada canto uma saudade.
1 112
Luiz Carlos Freitas
Linda Mãe
Se entendesse tudo, e porque existe,
Teria, quem sabe, o dom de ser,
Alegre como a alma de alguém que insiste,
Em viver, setenta anos, para eu crer,
Consciente de que nem sempre te mereci,
Ter MÃE, é minha LINDA ainda viver !
A cansei, quando ainda pequenino,
Tive sorte ! Não tivestes só as meninas.
Teu sorriso, quando veio um , masculino,
Dependi tanto dessa, LINDA , heroína ,
Que ao impor seu instinto feminino,
Sem preferir, me fez, seu primeiro menino.
Se entendesse tudo, e porque existe,
Mesmo pequeno, não a faria, tanto sofrer,
Teria, quem sabe, o dom de ser,
Escolhido tendo de ti o que persiste,
Heroína prá setenta anos servir,
Sem nunca, um dos filhos preferir,
Te agradeço, LINDA, por nascer !
Luiz Carlos Freitas , 26 / 10 / 96
Teria, quem sabe, o dom de ser,
Alegre como a alma de alguém que insiste,
Em viver, setenta anos, para eu crer,
Consciente de que nem sempre te mereci,
Ter MÃE, é minha LINDA ainda viver !
A cansei, quando ainda pequenino,
Tive sorte ! Não tivestes só as meninas.
Teu sorriso, quando veio um , masculino,
Dependi tanto dessa, LINDA , heroína ,
Que ao impor seu instinto feminino,
Sem preferir, me fez, seu primeiro menino.
Se entendesse tudo, e porque existe,
Mesmo pequeno, não a faria, tanto sofrer,
Teria, quem sabe, o dom de ser,
Escolhido tendo de ti o que persiste,
Heroína prá setenta anos servir,
Sem nunca, um dos filhos preferir,
Te agradeço, LINDA, por nascer !
Luiz Carlos Freitas , 26 / 10 / 96
1 044
Luiz Carlos Freitas
Linda Mãe
Se entendesse tudo, e porque existe,
Teria, quem sabe, o dom de ser,
Alegre como a alma de alguém que insiste,
Em viver, setenta anos, para eu crer,
Consciente de que nem sempre te mereci,
Ter MÃE, é minha LINDA ainda viver !
A cansei, quando ainda pequenino,
Tive sorte ! Não tivestes só as meninas.
Teu sorriso, quando veio um , masculino,
Dependi tanto dessa, LINDA , heroína ,
Que ao impor seu instinto feminino,
Sem preferir, me fez, seu primeiro menino.
Se entendesse tudo, e porque existe,
Mesmo pequeno, não a faria, tanto sofrer,
Teria, quem sabe, o dom de ser,
Escolhido tendo de ti o que persiste,
Heroína prá setenta anos servir,
Sem nunca, um dos filhos preferir,
Te agradeço, LINDA, por nascer !
Luiz Carlos Freitas , 26 / 10 / 96
Teria, quem sabe, o dom de ser,
Alegre como a alma de alguém que insiste,
Em viver, setenta anos, para eu crer,
Consciente de que nem sempre te mereci,
Ter MÃE, é minha LINDA ainda viver !
A cansei, quando ainda pequenino,
Tive sorte ! Não tivestes só as meninas.
Teu sorriso, quando veio um , masculino,
Dependi tanto dessa, LINDA , heroína ,
Que ao impor seu instinto feminino,
Sem preferir, me fez, seu primeiro menino.
Se entendesse tudo, e porque existe,
Mesmo pequeno, não a faria, tanto sofrer,
Teria, quem sabe, o dom de ser,
Escolhido tendo de ti o que persiste,
Heroína prá setenta anos servir,
Sem nunca, um dos filhos preferir,
Te agradeço, LINDA, por nascer !
Luiz Carlos Freitas , 26 / 10 / 96
1 044
Luiz Pimenta
Mensagem à Amada e Aos Amigos
Mensagem à Amada e Aos Amigos
Um dia, andando pela vida, colhi e guardei três rosas. Sempre que as revia, tentava me decidir para quem poderia oferecê-las.
Algum tempo depois a própria vida me esclarecia e me ensinava:
- A razão pela qual você está em mim é a sua própria descoberta e aperfeiçoamento. Sozinho, você nunca conseguirá realizar esta tarefa. Vão aparecer pessoas em seu caminho que possuem a MÁGICA do encontro. São elas que vão levá-lo a você mesmo. É difícil reconhecê-las porque junto com elas estão outras que o confundirão com tudo mais que é efêmero.
Procure a MÁGICA. Ao encontrar uma destas pessoas especiais ofereça-lhe uma rosa como símbolo de reconhecimento. A rosa é o símbolo da MÁGICA.
A seguir a vida me perguntou desafiante:
- Nesta altura de seu caminho, existem pessoas a quem você pode oferecer uma destas rosas?
A esta pergunta respondi sem hesitar:
-Sim, existem estas pessoas que com a MÁGICA do amor e da amizade me ajudaram na minha caminhada, tornando-a mais clara, fácil e alegre. Fiquei melhor ao encontrá-las.
Ao ouvir isto, a vida me respondeu:
- São seus tesouros. Cultive bem cada um deles. Pois são muitos os que passam por mim e não conseguem encontrá-los, embora estejam postos no caminho de todos. Quantas são as pessoas que ao colher estas rosas não conseguem oferecer sequer uma delas.
BELO HORIZONTE, AGOSTO 1993
Um dia, andando pela vida, colhi e guardei três rosas. Sempre que as revia, tentava me decidir para quem poderia oferecê-las.
Algum tempo depois a própria vida me esclarecia e me ensinava:
- A razão pela qual você está em mim é a sua própria descoberta e aperfeiçoamento. Sozinho, você nunca conseguirá realizar esta tarefa. Vão aparecer pessoas em seu caminho que possuem a MÁGICA do encontro. São elas que vão levá-lo a você mesmo. É difícil reconhecê-las porque junto com elas estão outras que o confundirão com tudo mais que é efêmero.
Procure a MÁGICA. Ao encontrar uma destas pessoas especiais ofereça-lhe uma rosa como símbolo de reconhecimento. A rosa é o símbolo da MÁGICA.
A seguir a vida me perguntou desafiante:
- Nesta altura de seu caminho, existem pessoas a quem você pode oferecer uma destas rosas?
A esta pergunta respondi sem hesitar:
-Sim, existem estas pessoas que com a MÁGICA do amor e da amizade me ajudaram na minha caminhada, tornando-a mais clara, fácil e alegre. Fiquei melhor ao encontrá-las.
Ao ouvir isto, a vida me respondeu:
- São seus tesouros. Cultive bem cada um deles. Pois são muitos os que passam por mim e não conseguem encontrá-los, embora estejam postos no caminho de todos. Quantas são as pessoas que ao colher estas rosas não conseguem oferecer sequer uma delas.
BELO HORIZONTE, AGOSTO 1993
909
Luiz Pimenta
Mensagem à Amada e Aos Amigos
Mensagem à Amada e Aos Amigos
Um dia, andando pela vida, colhi e guardei três rosas. Sempre que as revia, tentava me decidir para quem poderia oferecê-las.
Algum tempo depois a própria vida me esclarecia e me ensinava:
- A razão pela qual você está em mim é a sua própria descoberta e aperfeiçoamento. Sozinho, você nunca conseguirá realizar esta tarefa. Vão aparecer pessoas em seu caminho que possuem a MÁGICA do encontro. São elas que vão levá-lo a você mesmo. É difícil reconhecê-las porque junto com elas estão outras que o confundirão com tudo mais que é efêmero.
Procure a MÁGICA. Ao encontrar uma destas pessoas especiais ofereça-lhe uma rosa como símbolo de reconhecimento. A rosa é o símbolo da MÁGICA.
A seguir a vida me perguntou desafiante:
- Nesta altura de seu caminho, existem pessoas a quem você pode oferecer uma destas rosas?
A esta pergunta respondi sem hesitar:
-Sim, existem estas pessoas que com a MÁGICA do amor e da amizade me ajudaram na minha caminhada, tornando-a mais clara, fácil e alegre. Fiquei melhor ao encontrá-las.
Ao ouvir isto, a vida me respondeu:
- São seus tesouros. Cultive bem cada um deles. Pois são muitos os que passam por mim e não conseguem encontrá-los, embora estejam postos no caminho de todos. Quantas são as pessoas que ao colher estas rosas não conseguem oferecer sequer uma delas.
BELO HORIZONTE, AGOSTO 1993
Um dia, andando pela vida, colhi e guardei três rosas. Sempre que as revia, tentava me decidir para quem poderia oferecê-las.
Algum tempo depois a própria vida me esclarecia e me ensinava:
- A razão pela qual você está em mim é a sua própria descoberta e aperfeiçoamento. Sozinho, você nunca conseguirá realizar esta tarefa. Vão aparecer pessoas em seu caminho que possuem a MÁGICA do encontro. São elas que vão levá-lo a você mesmo. É difícil reconhecê-las porque junto com elas estão outras que o confundirão com tudo mais que é efêmero.
Procure a MÁGICA. Ao encontrar uma destas pessoas especiais ofereça-lhe uma rosa como símbolo de reconhecimento. A rosa é o símbolo da MÁGICA.
A seguir a vida me perguntou desafiante:
- Nesta altura de seu caminho, existem pessoas a quem você pode oferecer uma destas rosas?
A esta pergunta respondi sem hesitar:
-Sim, existem estas pessoas que com a MÁGICA do amor e da amizade me ajudaram na minha caminhada, tornando-a mais clara, fácil e alegre. Fiquei melhor ao encontrá-las.
Ao ouvir isto, a vida me respondeu:
- São seus tesouros. Cultive bem cada um deles. Pois são muitos os que passam por mim e não conseguem encontrá-los, embora estejam postos no caminho de todos. Quantas são as pessoas que ao colher estas rosas não conseguem oferecer sequer uma delas.
BELO HORIZONTE, AGOSTO 1993
909
Linhares Filho
A Minha Mãe, Habitante da Morte
Tua branca rede já não se arma
para a sesta. Todavia guardo,
com o ranger longínquo dos armadores,
a placidez do teu sono
a entreter o meu sonho
No teu aposento, mansa e invisível, dorme uma ave.
À mesa posta, entre o apetite e a lembrança,
há uma cadeira sem dono.
Falta ao alimento o tempero
que de tuas mãos ninguém pôde aprender.
Mas junto a mim está um cântaro
que se encheu de lágrimas que libertam.
As dálias do jardim continuam a florescer,
cada ano, tão brancas, tão viçosas! Contudo
parecem reclamar a sutileza
de um carinho que o meu sono não esquece...
Teus pincéis dormem
com a resignação de pincéis,
Minha alma imperfeita, a despeito de teres sido
artista perfeita, pede, todo dia,
os últimos retoques.
Santa e elmo,
no navio em que eu encontrar borrasca,
os teus olhos serão santelmo...
No silêncio noturno não se ouvem mais
os passos cautelosos com que fechavas
a janela que dá para a rua,
no entanto percebo,
na lã escura da noite,
o abrigo do teu xale.
para a sesta. Todavia guardo,
com o ranger longínquo dos armadores,
a placidez do teu sono
a entreter o meu sonho
No teu aposento, mansa e invisível, dorme uma ave.
À mesa posta, entre o apetite e a lembrança,
há uma cadeira sem dono.
Falta ao alimento o tempero
que de tuas mãos ninguém pôde aprender.
Mas junto a mim está um cântaro
que se encheu de lágrimas que libertam.
As dálias do jardim continuam a florescer,
cada ano, tão brancas, tão viçosas! Contudo
parecem reclamar a sutileza
de um carinho que o meu sono não esquece...
Teus pincéis dormem
com a resignação de pincéis,
Minha alma imperfeita, a despeito de teres sido
artista perfeita, pede, todo dia,
os últimos retoques.
Santa e elmo,
no navio em que eu encontrar borrasca,
os teus olhos serão santelmo...
No silêncio noturno não se ouvem mais
os passos cautelosos com que fechavas
a janela que dá para a rua,
no entanto percebo,
na lã escura da noite,
o abrigo do teu xale.
607
Luciano Matheus Tamiozzo
Deixo-me Perder
Deixo-me perder
No azul de teus olhos,
Na tua pele rosada,
Nos teus cabelos aloirados.
Deixo-me perder
Nos teus lábios rubros,
Nas tuas mãos macias,
No calor de teu abraço.
Deixo-me perder
Em pensamentos
E palavras.
Deixo-me perder
Num olhar
Até ti.
No azul de teus olhos,
Na tua pele rosada,
Nos teus cabelos aloirados.
Deixo-me perder
Nos teus lábios rubros,
Nas tuas mãos macias,
No calor de teu abraço.
Deixo-me perder
Em pensamentos
E palavras.
Deixo-me perder
Num olhar
Até ti.
1 012
Linhares Filho
Reencontro
Fiel ao amor e à arte entre proteus,
encontro a luz aquém do terremoto.
A arte e o amor são em mim síntese, foto
do Ser e a fotossíntese que os meus
respiros pedem. No imo é que devoto
o culto mais leal a encantos seus.
E, na luta, assemelho-me aos Ateus:
contactando o meu chão, de novo broto.
Quanto mais acho, tanto mais procuro
o bem de amar e criar no tempo e espaço
da vigília e do sonho dos Orfeus.
Reencontro-me, autêntico misturo
Poesia e Amada num grandioso abraço,
imagens do infinito amor de Deus!
encontro a luz aquém do terremoto.
A arte e o amor são em mim síntese, foto
do Ser e a fotossíntese que os meus
respiros pedem. No imo é que devoto
o culto mais leal a encantos seus.
E, na luta, assemelho-me aos Ateus:
contactando o meu chão, de novo broto.
Quanto mais acho, tanto mais procuro
o bem de amar e criar no tempo e espaço
da vigília e do sonho dos Orfeus.
Reencontro-me, autêntico misturo
Poesia e Amada num grandioso abraço,
imagens do infinito amor de Deus!
713
Luiz Lopes Sobrinho
Ciúmes
Não é que o amor que nos meus olhos vista,
Tão cheio de ternura, ardendo em chamas,
Que inda implora, aos céus, num pranto triste,
O teu amor, ao ver que me não amas,
Já se tenha acabado! Ainda existe!
Desgraçado de mim... Tu mais me inflamas,
Com tua indiferença, pois partiste,
Deixando o meu amor, envolto em tramas!
E se hoje, acabrunhado, ando fugindo
De tua doce presença — agora amarga,
Pela tristeza que me vai ferindo,
É só porque, já não suporto ver-te
Passar, da vida, pela estrada larga
Unida àquele que me fez perder-te!
Tão cheio de ternura, ardendo em chamas,
Que inda implora, aos céus, num pranto triste,
O teu amor, ao ver que me não amas,
Já se tenha acabado! Ainda existe!
Desgraçado de mim... Tu mais me inflamas,
Com tua indiferença, pois partiste,
Deixando o meu amor, envolto em tramas!
E se hoje, acabrunhado, ando fugindo
De tua doce presença — agora amarga,
Pela tristeza que me vai ferindo,
É só porque, já não suporto ver-te
Passar, da vida, pela estrada larga
Unida àquele que me fez perder-te!
879
Luiz Lopes Sobrinho
Ciúmes
Não é que o amor que nos meus olhos vista,
Tão cheio de ternura, ardendo em chamas,
Que inda implora, aos céus, num pranto triste,
O teu amor, ao ver que me não amas,
Já se tenha acabado! Ainda existe!
Desgraçado de mim... Tu mais me inflamas,
Com tua indiferença, pois partiste,
Deixando o meu amor, envolto em tramas!
E se hoje, acabrunhado, ando fugindo
De tua doce presença — agora amarga,
Pela tristeza que me vai ferindo,
É só porque, já não suporto ver-te
Passar, da vida, pela estrada larga
Unida àquele que me fez perder-te!
Tão cheio de ternura, ardendo em chamas,
Que inda implora, aos céus, num pranto triste,
O teu amor, ao ver que me não amas,
Já se tenha acabado! Ainda existe!
Desgraçado de mim... Tu mais me inflamas,
Com tua indiferença, pois partiste,
Deixando o meu amor, envolto em tramas!
E se hoje, acabrunhado, ando fugindo
De tua doce presença — agora amarga,
Pela tristeza que me vai ferindo,
É só porque, já não suporto ver-te
Passar, da vida, pela estrada larga
Unida àquele que me fez perder-te!
879
Luciano Matheus Tamiozzo
Amar
Amar, amar, amar...
Porque amamos
O mundo se destruindo
E nós no mundo da Lua.
Amar, amar, amar...
O mundo inteiro mudando
E nós permanecendo sempre
Com o mesmo pensamento.
Não amar...
A morte de tudo,
O fim da vida.
Então o que fazer
Se tudo o que quero
É amar você.
Porque amamos
O mundo se destruindo
E nós no mundo da Lua.
Amar, amar, amar...
O mundo inteiro mudando
E nós permanecendo sempre
Com o mesmo pensamento.
Não amar...
A morte de tudo,
O fim da vida.
Então o que fazer
Se tudo o que quero
É amar você.
858
Leny Mara Souza
Homem Luz
Surgiu você...
Criança...
Homem...
Carinho...
Afeto...
Interiormente conseguindo
Com que meu ser
Seja centelhas de luzes ardentes,
Infiltrando dentro
Do meu íntimo de mulher.
Você...
Como o sol que brilha os dias
Penetrou...
Sufocou...
Explodiu...
Dando a evasão de
Todos os meus desejos de mulher.
Surja... Surja...
Seja como o sol que ilumina
Toda uma existência
Neste mundo selvagem.
Criança...
Homem...
Carinho...
Afeto...
Interiormente conseguindo
Com que meu ser
Seja centelhas de luzes ardentes,
Infiltrando dentro
Do meu íntimo de mulher.
Você...
Como o sol que brilha os dias
Penetrou...
Sufocou...
Explodiu...
Dando a evasão de
Todos os meus desejos de mulher.
Surja... Surja...
Seja como o sol que ilumina
Toda uma existência
Neste mundo selvagem.
907
Leão Moysés Zagury
Ver-te
Tua face serena
lembra um suave
fluir da primavera.
As flores,
os colibris
vem contigo
cantar.
A primavera desperta
o mundo.
Pássaros, flores, árvores,
purificam o ambiente.
O otimismo espalha-se.
Emfim, tua presença
harmoniza a vida.
lembra um suave
fluir da primavera.
As flores,
os colibris
vem contigo
cantar.
A primavera desperta
o mundo.
Pássaros, flores, árvores,
purificam o ambiente.
O otimismo espalha-se.
Emfim, tua presença
harmoniza a vida.
1 026
João Linneu
Espanha
Que quero eu do Sul da Espanha?
As neves eternas da Sierra Nevada.
As videiras das suas vertentes.
O balir de suas ovelhas.
O olíveo odor de seu azeite.
As águas de suas nascentes.
O olvidar do Hotel Ovídeo?
Que quero eu do Sul da Espanha?
O amor único de suas mulheres.
O justo orgulho de seus homens.
A fúria elegante de seus touros.
A luz do seu sol.
O azul do mar andaluz.
Que quero eu do Sul da Espanha?
A esperança transatlântica dos meus avós.
O sustento da miga em minha pança.
O descer do vinho por minha goela.
O desafiar moinhos de vento.
O ninar de minha abuela.
Que quero eu do Sul da Espanha?
Atávica fúria ibérica,
saudade avoenga
que me faz perder o norte
pelo Sul da Espanha!
As neves eternas da Sierra Nevada.
As videiras das suas vertentes.
O balir de suas ovelhas.
O olíveo odor de seu azeite.
As águas de suas nascentes.
O olvidar do Hotel Ovídeo?
Que quero eu do Sul da Espanha?
O amor único de suas mulheres.
O justo orgulho de seus homens.
A fúria elegante de seus touros.
A luz do seu sol.
O azul do mar andaluz.
Que quero eu do Sul da Espanha?
A esperança transatlântica dos meus avós.
O sustento da miga em minha pança.
O descer do vinho por minha goela.
O desafiar moinhos de vento.
O ninar de minha abuela.
Que quero eu do Sul da Espanha?
Atávica fúria ibérica,
saudade avoenga
que me faz perder o norte
pelo Sul da Espanha!
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Lúcia Helena de Andrade
Retrato de um Homem
Eu quero um homem
Que no olhar expresse seus desejos,
Imersos em uma profusão doce de ternura,
Que passe a mão pelos meus cabelos,
Acalentando minhas amarguras,
Que me beije suavemente,
Que busque a minha lingua
Confundindo-a com a sua,
Que segure a mão
Sentindo paixão,
Que goste de abraçar
E ofereça um ombro para aconchegar,
Que seja sensível
E não tenha medo de mostrar-se frágil,
Que seja um homem,
Mas não deixe de ser menino,
Que viage pelo meu corpo e
Norteie minha viagem pelo seu,
Que saiba sorrir,
Que fique à vontade para chorar ao meu lado.
Eu quero um homem,
Que antes seja meu amigo,
De coração aberto, LEVE E FLORIDO...
Que no olhar expresse seus desejos,
Imersos em uma profusão doce de ternura,
Que passe a mão pelos meus cabelos,
Acalentando minhas amarguras,
Que me beije suavemente,
Que busque a minha lingua
Confundindo-a com a sua,
Que segure a mão
Sentindo paixão,
Que goste de abraçar
E ofereça um ombro para aconchegar,
Que seja sensível
E não tenha medo de mostrar-se frágil,
Que seja um homem,
Mas não deixe de ser menino,
Que viage pelo meu corpo e
Norteie minha viagem pelo seu,
Que saiba sorrir,
Que fique à vontade para chorar ao meu lado.
Eu quero um homem,
Que antes seja meu amigo,
De coração aberto, LEVE E FLORIDO...
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