Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Júlio Salusse
Cisne
Cisne
A vida, manso lago azul algumas
Vezes, algumas vezes mar fremente,
Tem sido para nós constantemente
Um lago azul sem ondas, sem espumas,
Sobre ele, quando, desfazendo as brumas
Matinais, rompe um sol vermelho e quente,
Nós dois vagamos indolentemente,
Como dois cisnes de alvacentas plumas.
Um dia um cisne morrerá, por certo:
Quando chegar esse momento incerto,
No lago, onde talvez a água se tisne,
Que o cisne vivo, cheio de saudade,
Nunca mais cante, nem sozinho nade,
Nem nade nunca ao lado de outro cisne!
A vida, manso lago azul algumas
Vezes, algumas vezes mar fremente,
Tem sido para nós constantemente
Um lago azul sem ondas, sem espumas,
Sobre ele, quando, desfazendo as brumas
Matinais, rompe um sol vermelho e quente,
Nós dois vagamos indolentemente,
Como dois cisnes de alvacentas plumas.
Um dia um cisne morrerá, por certo:
Quando chegar esse momento incerto,
No lago, onde talvez a água se tisne,
Que o cisne vivo, cheio de saudade,
Nunca mais cante, nem sozinho nade,
Nem nade nunca ao lado de outro cisne!
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Juscelino Vieira Mendes
AS CHAMAS DE ALMAS MORTAS
Para o Pataxó: Galdino Jesus dos Santos - em memória
As chamas de almas mortas
Se movem - Mais um índio cai inerte
Envolto pelas chamas ignotas
De um desdenhar que perverte.
Almas que se ocultam entre as chamas
Para o destilar do ódio, da amargura...
E, surdas, em noite escura,
Não ouvem um ser que clama!
Em meio àquelas labaredas, terminal
De sonhos, esperanças, calor...
Que viraram tochas em macabro ardor
De madrugada seca e infernal
Vislumbramos a solidão do deserto
Que há em todos nós, que navegamos
Em mar vermelho e incerto
De tubarões gélidos que encontramos.
Era um Pataxó que quisera ser
Mendigo de suas próprias heranças
Destronado que fora dos sonhos de ter
Suas matas, habitadas de lembranças.
Recebeu sua parte comendo o pão
Buscado sob mesas fartas,
O seu pedaço de chão:
Em chamas, à semelhança de suas matas.
As chamas de almas mortas
Se movem - Mais um índio cai inerte
Envolto pelas chamas ignotas
De um desdenhar que perverte.
Almas que se ocultam entre as chamas
Para o destilar do ódio, da amargura...
E, surdas, em noite escura,
Não ouvem um ser que clama!
Em meio àquelas labaredas, terminal
De sonhos, esperanças, calor...
Que viraram tochas em macabro ardor
De madrugada seca e infernal
Vislumbramos a solidão do deserto
Que há em todos nós, que navegamos
Em mar vermelho e incerto
De tubarões gélidos que encontramos.
Era um Pataxó que quisera ser
Mendigo de suas próprias heranças
Destronado que fora dos sonhos de ter
Suas matas, habitadas de lembranças.
Recebeu sua parte comendo o pão
Buscado sob mesas fartas,
O seu pedaço de chão:
Em chamas, à semelhança de suas matas.
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1
Manuel Alegre
Como ouvi Linda cantar por seu amigo José
Se sabeis novas do meu amigo
novas dizei-me que vou morrendo
por meu amigo que me levaram
num carro negro de madrugada.
Dizei-me novas do meu amigo
em sua torre tecendo os dias
dai-me palavras pra lhe mandar
com ruas brisas domingo sol.
Se sabeis novas de meu amigo
novas dizei-me que desespero
por meu amigo que longe espera
tecendo os dias tecendo a esperança.
Mando recados não sei se chegam
leva-me ó vento da noite triste
ou diz-me novas de meu amigo
que tece o tempo na torre negra.
Que tece o tempo que tece a esperança.
Já da ternura fiz uma corda
ó vento prende-a na torre negra
que o meu amigo por ela desça.
Por essa corda feita de lágrimas
que o meu amigo por ela desça
ou mande a esperança que vai tecendo
que eu desespero sem meu amigo.
novas dizei-me que vou morrendo
por meu amigo que me levaram
num carro negro de madrugada.
Dizei-me novas do meu amigo
em sua torre tecendo os dias
dai-me palavras pra lhe mandar
com ruas brisas domingo sol.
Se sabeis novas de meu amigo
novas dizei-me que desespero
por meu amigo que longe espera
tecendo os dias tecendo a esperança.
Mando recados não sei se chegam
leva-me ó vento da noite triste
ou diz-me novas de meu amigo
que tece o tempo na torre negra.
Que tece o tempo que tece a esperança.
Já da ternura fiz uma corda
ó vento prende-a na torre negra
que o meu amigo por ela desça.
Por essa corda feita de lágrimas
que o meu amigo por ela desça
ou mande a esperança que vai tecendo
que eu desespero sem meu amigo.
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1
Manuel Alegre
Como ouvi Linda cantar por seu amigo José
Se sabeis novas do meu amigo
novas dizei-me que vou morrendo
por meu amigo que me levaram
num carro negro de madrugada.
Dizei-me novas do meu amigo
em sua torre tecendo os dias
dai-me palavras pra lhe mandar
com ruas brisas domingo sol.
Se sabeis novas de meu amigo
novas dizei-me que desespero
por meu amigo que longe espera
tecendo os dias tecendo a esperança.
Mando recados não sei se chegam
leva-me ó vento da noite triste
ou diz-me novas de meu amigo
que tece o tempo na torre negra.
Que tece o tempo que tece a esperança.
Já da ternura fiz uma corda
ó vento prende-a na torre negra
que o meu amigo por ela desça.
Por essa corda feita de lágrimas
que o meu amigo por ela desça
ou mande a esperança que vai tecendo
que eu desespero sem meu amigo.
novas dizei-me que vou morrendo
por meu amigo que me levaram
num carro negro de madrugada.
Dizei-me novas do meu amigo
em sua torre tecendo os dias
dai-me palavras pra lhe mandar
com ruas brisas domingo sol.
Se sabeis novas de meu amigo
novas dizei-me que desespero
por meu amigo que longe espera
tecendo os dias tecendo a esperança.
Mando recados não sei se chegam
leva-me ó vento da noite triste
ou diz-me novas de meu amigo
que tece o tempo na torre negra.
Que tece o tempo que tece a esperança.
Já da ternura fiz uma corda
ó vento prende-a na torre negra
que o meu amigo por ela desça.
Por essa corda feita de lágrimas
que o meu amigo por ela desça
ou mande a esperança que vai tecendo
que eu desespero sem meu amigo.
4 523
1
Manuel Alegre
Como ouvi Linda cantar por seu amigo José
Se sabeis novas do meu amigo
novas dizei-me que vou morrendo
por meu amigo que me levaram
num carro negro de madrugada.
Dizei-me novas do meu amigo
em sua torre tecendo os dias
dai-me palavras pra lhe mandar
com ruas brisas domingo sol.
Se sabeis novas de meu amigo
novas dizei-me que desespero
por meu amigo que longe espera
tecendo os dias tecendo a esperança.
Mando recados não sei se chegam
leva-me ó vento da noite triste
ou diz-me novas de meu amigo
que tece o tempo na torre negra.
Que tece o tempo que tece a esperança.
Já da ternura fiz uma corda
ó vento prende-a na torre negra
que o meu amigo por ela desça.
Por essa corda feita de lágrimas
que o meu amigo por ela desça
ou mande a esperança que vai tecendo
que eu desespero sem meu amigo.
novas dizei-me que vou morrendo
por meu amigo que me levaram
num carro negro de madrugada.
Dizei-me novas do meu amigo
em sua torre tecendo os dias
dai-me palavras pra lhe mandar
com ruas brisas domingo sol.
Se sabeis novas de meu amigo
novas dizei-me que desespero
por meu amigo que longe espera
tecendo os dias tecendo a esperança.
Mando recados não sei se chegam
leva-me ó vento da noite triste
ou diz-me novas de meu amigo
que tece o tempo na torre negra.
Que tece o tempo que tece a esperança.
Já da ternura fiz uma corda
ó vento prende-a na torre negra
que o meu amigo por ela desça.
Por essa corda feita de lágrimas
que o meu amigo por ela desça
ou mande a esperança que vai tecendo
que eu desespero sem meu amigo.
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1
Daniel Faria
Estranho é o sono
Estranho é o sono que não te devolve.
Como é estrangeiro o sossego
de quem não espera recado.
Essa sombra como é a alma
de quem já só por dentro se ilumina
e surpreende
e por fora é
apenas peso de ser tarde. Como é
amargo não poder guardar-te
em chão mais próximo do coração.
de Explicação das Árvores e de Outros Animais(1998)
Como é estrangeiro o sossego
de quem não espera recado.
Essa sombra como é a alma
de quem já só por dentro se ilumina
e surpreende
e por fora é
apenas peso de ser tarde. Como é
amargo não poder guardar-te
em chão mais próximo do coração.
de Explicação das Árvores e de Outros Animais(1998)
2 228
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Daniel Faria
Estranho é o sono
Estranho é o sono que não te devolve.
Como é estrangeiro o sossego
de quem não espera recado.
Essa sombra como é a alma
de quem já só por dentro se ilumina
e surpreende
e por fora é
apenas peso de ser tarde. Como é
amargo não poder guardar-te
em chão mais próximo do coração.
de Explicação das Árvores e de Outros Animais(1998)
Como é estrangeiro o sossego
de quem não espera recado.
Essa sombra como é a alma
de quem já só por dentro se ilumina
e surpreende
e por fora é
apenas peso de ser tarde. Como é
amargo não poder guardar-te
em chão mais próximo do coração.
de Explicação das Árvores e de Outros Animais(1998)
2 228
1
Carlos Saraiva Pinto
as coisas complexas
são inimigas de Deus
torna-me pois simples
como os bois e os cavalos
que no abandono da névoa
das montanhas são almas
que cumprem
dolorosas promessas a santuários
que estão para além do mundo.
de Escrever Foi um Engano(2000)
torna-me pois simples
como os bois e os cavalos
que no abandono da névoa
das montanhas são almas
que cumprem
dolorosas promessas a santuários
que estão para além do mundo.
de Escrever Foi um Engano(2000)
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1
António Franco Alexandre
Já lentamente sofro a tua água,o sopro
da memória nas colinas.
deste-me um corpo,a casa
onde acordar o vento,e a terra,e a paz
desconhecida.
nesta cave de pele te implorei os dias
o óleo da manhã nas mãos desertas.
a cada instante me devora o gume
embotado da tua
luz sonora.
afasta do meu rosto a tua vã promessa.deixa
que seja brando o sono sem lembrança,
um chão de terra nua.
do teu jardim de chamas me despeço.
de Visitação
deste-me um corpo,a casa
onde acordar o vento,e a terra,e a paz
desconhecida.
nesta cave de pele te implorei os dias
o óleo da manhã nas mãos desertas.
a cada instante me devora o gume
embotado da tua
luz sonora.
afasta do meu rosto a tua vã promessa.deixa
que seja brando o sono sem lembrança,
um chão de terra nua.
do teu jardim de chamas me despeço.
de Visitação
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1
Amélia Rodrigues
Felicidade
Os meus lábios estão trêmulos,
O meu corpo os acompanha na mesma emoção...
Sinto um calafrio de impotência
A percorrer a minha espinha
Que faz o meu estômago rejeitar o alimento
Os meus olhos se fecharem
E duas grossas lágrimas
Teimarem em escorrer no meu rosto.
Reajo ao frêmito que de mim se apodera,
Fustigando a minha mente com doces lembranças...
Agarro-me, convulsa, às imagens da esperança
Que de mim se aproxima...
Sou como um náufrago
Em busca da sua tábua de salvação!
E, dentre as brumas do desespero,
Diviso ao longe, um sorriso...
Arrasto-me em sua direção, alquebrada...
Consigo ver um arco-íris que chora
E as suas lágrimas reluzem como diamantes.
Aproximo-me e constato a sua riqueza...
Mas não me enchem os olhos
Os pingentes que refletem a luz do sol...
Continuo o meu caminho,
Tropeçando em rubis, brilhantes e safiras
Que acenam para mim,
Como se pedindo que os siga...
Permaneço no meu caminho!
Atravesso o fascinante mundo das ilusões
E não o vejo...
Descanso no nada
E o pranto volta a anestesiar o meu sofrimento,
Até que cansada do nada e carente de tudo
Ergo os olhos e reconheço em Você
O sorriso que busquei dias e noites
Ininterruptamente...
Aceito a mão que me oferece
E percebo que estou de mãos dadas
Com a felicidade.
O meu corpo os acompanha na mesma emoção...
Sinto um calafrio de impotência
A percorrer a minha espinha
Que faz o meu estômago rejeitar o alimento
Os meus olhos se fecharem
E duas grossas lágrimas
Teimarem em escorrer no meu rosto.
Reajo ao frêmito que de mim se apodera,
Fustigando a minha mente com doces lembranças...
Agarro-me, convulsa, às imagens da esperança
Que de mim se aproxima...
Sou como um náufrago
Em busca da sua tábua de salvação!
E, dentre as brumas do desespero,
Diviso ao longe, um sorriso...
Arrasto-me em sua direção, alquebrada...
Consigo ver um arco-íris que chora
E as suas lágrimas reluzem como diamantes.
Aproximo-me e constato a sua riqueza...
Mas não me enchem os olhos
Os pingentes que refletem a luz do sol...
Continuo o meu caminho,
Tropeçando em rubis, brilhantes e safiras
Que acenam para mim,
Como se pedindo que os siga...
Permaneço no meu caminho!
Atravesso o fascinante mundo das ilusões
E não o vejo...
Descanso no nada
E o pranto volta a anestesiar o meu sofrimento,
Até que cansada do nada e carente de tudo
Ergo os olhos e reconheço em Você
O sorriso que busquei dias e noites
Ininterruptamente...
Aceito a mão que me oferece
E percebo que estou de mãos dadas
Com a felicidade.
2 357
1
Amélia Rodrigues
Felicidade
Os meus lábios estão trêmulos,
O meu corpo os acompanha na mesma emoção...
Sinto um calafrio de impotência
A percorrer a minha espinha
Que faz o meu estômago rejeitar o alimento
Os meus olhos se fecharem
E duas grossas lágrimas
Teimarem em escorrer no meu rosto.
Reajo ao frêmito que de mim se apodera,
Fustigando a minha mente com doces lembranças...
Agarro-me, convulsa, às imagens da esperança
Que de mim se aproxima...
Sou como um náufrago
Em busca da sua tábua de salvação!
E, dentre as brumas do desespero,
Diviso ao longe, um sorriso...
Arrasto-me em sua direção, alquebrada...
Consigo ver um arco-íris que chora
E as suas lágrimas reluzem como diamantes.
Aproximo-me e constato a sua riqueza...
Mas não me enchem os olhos
Os pingentes que refletem a luz do sol...
Continuo o meu caminho,
Tropeçando em rubis, brilhantes e safiras
Que acenam para mim,
Como se pedindo que os siga...
Permaneço no meu caminho!
Atravesso o fascinante mundo das ilusões
E não o vejo...
Descanso no nada
E o pranto volta a anestesiar o meu sofrimento,
Até que cansada do nada e carente de tudo
Ergo os olhos e reconheço em Você
O sorriso que busquei dias e noites
Ininterruptamente...
Aceito a mão que me oferece
E percebo que estou de mãos dadas
Com a felicidade.
O meu corpo os acompanha na mesma emoção...
Sinto um calafrio de impotência
A percorrer a minha espinha
Que faz o meu estômago rejeitar o alimento
Os meus olhos se fecharem
E duas grossas lágrimas
Teimarem em escorrer no meu rosto.
Reajo ao frêmito que de mim se apodera,
Fustigando a minha mente com doces lembranças...
Agarro-me, convulsa, às imagens da esperança
Que de mim se aproxima...
Sou como um náufrago
Em busca da sua tábua de salvação!
E, dentre as brumas do desespero,
Diviso ao longe, um sorriso...
Arrasto-me em sua direção, alquebrada...
Consigo ver um arco-íris que chora
E as suas lágrimas reluzem como diamantes.
Aproximo-me e constato a sua riqueza...
Mas não me enchem os olhos
Os pingentes que refletem a luz do sol...
Continuo o meu caminho,
Tropeçando em rubis, brilhantes e safiras
Que acenam para mim,
Como se pedindo que os siga...
Permaneço no meu caminho!
Atravesso o fascinante mundo das ilusões
E não o vejo...
Descanso no nada
E o pranto volta a anestesiar o meu sofrimento,
Até que cansada do nada e carente de tudo
Ergo os olhos e reconheço em Você
O sorriso que busquei dias e noites
Ininterruptamente...
Aceito a mão que me oferece
E percebo que estou de mãos dadas
Com a felicidade.
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1
Amélia Rodrigues
Felicidade
Os meus lábios estão trêmulos,
O meu corpo os acompanha na mesma emoção...
Sinto um calafrio de impotência
A percorrer a minha espinha
Que faz o meu estômago rejeitar o alimento
Os meus olhos se fecharem
E duas grossas lágrimas
Teimarem em escorrer no meu rosto.
Reajo ao frêmito que de mim se apodera,
Fustigando a minha mente com doces lembranças...
Agarro-me, convulsa, às imagens da esperança
Que de mim se aproxima...
Sou como um náufrago
Em busca da sua tábua de salvação!
E, dentre as brumas do desespero,
Diviso ao longe, um sorriso...
Arrasto-me em sua direção, alquebrada...
Consigo ver um arco-íris que chora
E as suas lágrimas reluzem como diamantes.
Aproximo-me e constato a sua riqueza...
Mas não me enchem os olhos
Os pingentes que refletem a luz do sol...
Continuo o meu caminho,
Tropeçando em rubis, brilhantes e safiras
Que acenam para mim,
Como se pedindo que os siga...
Permaneço no meu caminho!
Atravesso o fascinante mundo das ilusões
E não o vejo...
Descanso no nada
E o pranto volta a anestesiar o meu sofrimento,
Até que cansada do nada e carente de tudo
Ergo os olhos e reconheço em Você
O sorriso que busquei dias e noites
Ininterruptamente...
Aceito a mão que me oferece
E percebo que estou de mãos dadas
Com a felicidade.
O meu corpo os acompanha na mesma emoção...
Sinto um calafrio de impotência
A percorrer a minha espinha
Que faz o meu estômago rejeitar o alimento
Os meus olhos se fecharem
E duas grossas lágrimas
Teimarem em escorrer no meu rosto.
Reajo ao frêmito que de mim se apodera,
Fustigando a minha mente com doces lembranças...
Agarro-me, convulsa, às imagens da esperança
Que de mim se aproxima...
Sou como um náufrago
Em busca da sua tábua de salvação!
E, dentre as brumas do desespero,
Diviso ao longe, um sorriso...
Arrasto-me em sua direção, alquebrada...
Consigo ver um arco-íris que chora
E as suas lágrimas reluzem como diamantes.
Aproximo-me e constato a sua riqueza...
Mas não me enchem os olhos
Os pingentes que refletem a luz do sol...
Continuo o meu caminho,
Tropeçando em rubis, brilhantes e safiras
Que acenam para mim,
Como se pedindo que os siga...
Permaneço no meu caminho!
Atravesso o fascinante mundo das ilusões
E não o vejo...
Descanso no nada
E o pranto volta a anestesiar o meu sofrimento,
Até que cansada do nada e carente de tudo
Ergo os olhos e reconheço em Você
O sorriso que busquei dias e noites
Ininterruptamente...
Aceito a mão que me oferece
E percebo que estou de mãos dadas
Com a felicidade.
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1
Mário de Sá-Carneiro
Escavação
Numa ânsia de ter alguma cousa
Divago por mim mesmo a procurar,
Desço-me todo, em vão, sem nada achar,
E a minh'alma perdida não repousa.
Nada tendo, decido-me a criar:
Brando a espada: sou luz harmoniosa
E chama genial que tudo ousa
Unicamente à força de sonhar...
Mas a vitória fulva esvai-se logo
E cinzas, cinzas, só em vez de fogo...
– Onde existo que não existo em mim?
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
... ...
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
... ...
Um cemitério falso sem ossadas –
Noites d'amor sem bocas esmagadas -
Tudo outro espasmo que princípio ou fim...
Divago por mim mesmo a procurar,
Desço-me todo, em vão, sem nada achar,
E a minh'alma perdida não repousa.
Nada tendo, decido-me a criar:
Brando a espada: sou luz harmoniosa
E chama genial que tudo ousa
Unicamente à força de sonhar...
Mas a vitória fulva esvai-se logo
E cinzas, cinzas, só em vez de fogo...
– Onde existo que não existo em mim?
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
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Um cemitério falso sem ossadas –
Noites d'amor sem bocas esmagadas -
Tudo outro espasmo que princípio ou fim...
6 767
1
Mário de Sá-Carneiro
Escavação
Numa ânsia de ter alguma cousa
Divago por mim mesmo a procurar,
Desço-me todo, em vão, sem nada achar,
E a minh'alma perdida não repousa.
Nada tendo, decido-me a criar:
Brando a espada: sou luz harmoniosa
E chama genial que tudo ousa
Unicamente à força de sonhar...
Mas a vitória fulva esvai-se logo
E cinzas, cinzas, só em vez de fogo...
– Onde existo que não existo em mim?
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Um cemitério falso sem ossadas –
Noites d'amor sem bocas esmagadas -
Tudo outro espasmo que princípio ou fim...
Divago por mim mesmo a procurar,
Desço-me todo, em vão, sem nada achar,
E a minh'alma perdida não repousa.
Nada tendo, decido-me a criar:
Brando a espada: sou luz harmoniosa
E chama genial que tudo ousa
Unicamente à força de sonhar...
Mas a vitória fulva esvai-se logo
E cinzas, cinzas, só em vez de fogo...
– Onde existo que não existo em mim?
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
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Um cemitério falso sem ossadas –
Noites d'amor sem bocas esmagadas -
Tudo outro espasmo que princípio ou fim...
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Mário de Sá-Carneiro
Escavação
Numa ânsia de ter alguma cousa
Divago por mim mesmo a procurar,
Desço-me todo, em vão, sem nada achar,
E a minh'alma perdida não repousa.
Nada tendo, decido-me a criar:
Brando a espada: sou luz harmoniosa
E chama genial que tudo ousa
Unicamente à força de sonhar...
Mas a vitória fulva esvai-se logo
E cinzas, cinzas, só em vez de fogo...
– Onde existo que não existo em mim?
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Um cemitério falso sem ossadas –
Noites d'amor sem bocas esmagadas -
Tudo outro espasmo que princípio ou fim...
Divago por mim mesmo a procurar,
Desço-me todo, em vão, sem nada achar,
E a minh'alma perdida não repousa.
Nada tendo, decido-me a criar:
Brando a espada: sou luz harmoniosa
E chama genial que tudo ousa
Unicamente à força de sonhar...
Mas a vitória fulva esvai-se logo
E cinzas, cinzas, só em vez de fogo...
– Onde existo que não existo em mim?
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Um cemitério falso sem ossadas –
Noites d'amor sem bocas esmagadas -
Tudo outro espasmo que princípio ou fim...
6 767
1
Carlos de Oliveira
Visão de José Gomes Ferreira no Vanderman
Nos cimos,
onde a água esperava o momento de vir lavar
os homens,
Você viu
por um súbito rasgão da insónia
os animais miúdos comidos pelos maiores,os
maiores comidos pelos homens,os homens
roídos pela antropofagia e pelos dentes
amarelos das estrelas.
Desde então,
o seu remorso brota de cada gota-recordação do
Vanderman
e o tempo,devorando as estrelas,engorda mais
com as grandes patas fulvas atoladas em
nossos corações,
essa lama de sangue.
de Terra de Harmonia
onde a água esperava o momento de vir lavar
os homens,
Você viu
por um súbito rasgão da insónia
os animais miúdos comidos pelos maiores,os
maiores comidos pelos homens,os homens
roídos pela antropofagia e pelos dentes
amarelos das estrelas.
Desde então,
o seu remorso brota de cada gota-recordação do
Vanderman
e o tempo,devorando as estrelas,engorda mais
com as grandes patas fulvas atoladas em
nossos corações,
essa lama de sangue.
de Terra de Harmonia
1 904
1
Carlos de Oliveira
Visão de José Gomes Ferreira no Vanderman
Nos cimos,
onde a água esperava o momento de vir lavar
os homens,
Você viu
por um súbito rasgão da insónia
os animais miúdos comidos pelos maiores,os
maiores comidos pelos homens,os homens
roídos pela antropofagia e pelos dentes
amarelos das estrelas.
Desde então,
o seu remorso brota de cada gota-recordação do
Vanderman
e o tempo,devorando as estrelas,engorda mais
com as grandes patas fulvas atoladas em
nossos corações,
essa lama de sangue.
de Terra de Harmonia
onde a água esperava o momento de vir lavar
os homens,
Você viu
por um súbito rasgão da insónia
os animais miúdos comidos pelos maiores,os
maiores comidos pelos homens,os homens
roídos pela antropofagia e pelos dentes
amarelos das estrelas.
Desde então,
o seu remorso brota de cada gota-recordação do
Vanderman
e o tempo,devorando as estrelas,engorda mais
com as grandes patas fulvas atoladas em
nossos corações,
essa lama de sangue.
de Terra de Harmonia
1 904
1
Mário de Sá-Carneiro
Ápice
O
reio de sol da tarde
Que uma janela perdida
Reflectiu
Num instante indiferente –
Arde,
Numa lembrança esvaída,
À minha memória de hoje
subitamente
Seu efémero arrepio
Ziguezagueia, ondula, foge,
Pela minha retentiva...
– E não poder adivinhar
– Por que mistério se me evoca
– Esta ideia fugitiva,
– Tão débil que mal me toca!....
– Ah, não sei porquê, mas certamente
Aquele raio cadente
Alguma coisa foi na minha sorte
Que a sua projecção atravessou...
Tanto segredo no destino de uma vida ...
É como a ideia de Norte,
Preconcebida,
Que sempre me acompanhou...
reio de sol da tarde
Que uma janela perdida
Reflectiu
Num instante indiferente –
Arde,
Numa lembrança esvaída,
À minha memória de hoje
subitamente
Seu efémero arrepio
Ziguezagueia, ondula, foge,
Pela minha retentiva...
– E não poder adivinhar
– Por que mistério se me evoca
– Esta ideia fugitiva,
– Tão débil que mal me toca!....
– Ah, não sei porquê, mas certamente
Aquele raio cadente
Alguma coisa foi na minha sorte
Que a sua projecção atravessou...
Tanto segredo no destino de uma vida ...
É como a ideia de Norte,
Preconcebida,
Que sempre me acompanhou...
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1
Raimundo Bento Sotero
Aparição
Quando te vi, cuidei estar sonhando.
Era de ser miragem com certeza.
Porém eras real, vi com clareza
E assim fiquei perplexo me indagando.
Quem te teria dado, como e quando,
Traços sutis de exótica beleza,
E que esmero não teve a natureza
Quando teu belo colo ia talhando?
Oh! com certeza, foi a mão divina
Quem te deu tanta graça feminina:
Feitio e forma de tão bons agrados!
Certamente és um anjo do Senhor
Que me veio fazer sofrer de amor
Para que eu pague, enfim, os meus pecados.
Era de ser miragem com certeza.
Porém eras real, vi com clareza
E assim fiquei perplexo me indagando.
Quem te teria dado, como e quando,
Traços sutis de exótica beleza,
E que esmero não teve a natureza
Quando teu belo colo ia talhando?
Oh! com certeza, foi a mão divina
Quem te deu tanta graça feminina:
Feitio e forma de tão bons agrados!
Certamente és um anjo do Senhor
Que me veio fazer sofrer de amor
Para que eu pague, enfim, os meus pecados.
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1
Marcial
Tu depilas o peito
II,62
Tu depilas o peito, as pernas e os braços,
à volta do caralho cortas o pêlo curto,
para agradar, Labieno (quem o ignora?) à tua amante.
Mas a quem queres tu agradar, Labieno, ao depilar o cu?
III,71
Dói o caralho ao teu escravo
E a ti, Névolo, o cu.
Mesmo sem ser adivinho
sei bem de que raça és tu!
Tu depilas o peito, as pernas e os braços,
à volta do caralho cortas o pêlo curto,
para agradar, Labieno (quem o ignora?) à tua amante.
Mas a quem queres tu agradar, Labieno, ao depilar o cu?
III,71
Dói o caralho ao teu escravo
E a ti, Névolo, o cu.
Mesmo sem ser adivinho
sei bem de que raça és tu!
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Marcial
Tu depilas o peito
II,62
Tu depilas o peito, as pernas e os braços,
à volta do caralho cortas o pêlo curto,
para agradar, Labieno (quem o ignora?) à tua amante.
Mas a quem queres tu agradar, Labieno, ao depilar o cu?
III,71
Dói o caralho ao teu escravo
E a ti, Névolo, o cu.
Mesmo sem ser adivinho
sei bem de que raça és tu!
Tu depilas o peito, as pernas e os braços,
à volta do caralho cortas o pêlo curto,
para agradar, Labieno (quem o ignora?) à tua amante.
Mas a quem queres tu agradar, Labieno, ao depilar o cu?
III,71
Dói o caralho ao teu escravo
E a ti, Névolo, o cu.
Mesmo sem ser adivinho
sei bem de que raça és tu!
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Gilka Machado
Particularidades 2
Tudo quanto é macio os meus ímpetos doma,
e flexuosa me torna e me torna felina.
Amo do pessegueiro a pubescente poma,
porque afagos de velo oferece e propina.
O intrínseco sabor lhe ignoro, se ela assoma,
no rubor da sazão, sonho-a doce, divina!
gozo-a pela maciez cariciante, de coma,
e o meu senso em mantê-la incólume se obstina...
Toco-a, palpo-a, acarinho o seu carnal contorno,
saboreio-a num beijo, evitando um ressábio,
como num lento olhar te osculo o lábio morno.
E que prazer o meu! que prazer insensato!
– pela vista comer-te o pêssego do lábio,
e o pêssego comer apenas pelo tato.
e flexuosa me torna e me torna felina.
Amo do pessegueiro a pubescente poma,
porque afagos de velo oferece e propina.
O intrínseco sabor lhe ignoro, se ela assoma,
no rubor da sazão, sonho-a doce, divina!
gozo-a pela maciez cariciante, de coma,
e o meu senso em mantê-la incólume se obstina...
Toco-a, palpo-a, acarinho o seu carnal contorno,
saboreio-a num beijo, evitando um ressábio,
como num lento olhar te osculo o lábio morno.
E que prazer o meu! que prazer insensato!
– pela vista comer-te o pêssego do lábio,
e o pêssego comer apenas pelo tato.
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1
Álvares de Azevedo
Malva-maçã
De teus seios tão mimosos
quem gozasse o talismã!
Quem ali deitasse a fronte
cheia de amoroso afã!
E quem nele respirasse
a tua malva-maçã!
Dá-me essa folha cheirosa
que treine no seio teu!
Dá-me a folha... hei de beijá-la
sedenta no lábio meu!
Não vês que o calor do seio
tua malva emurcheceu...
A pobrezinha em teu colo
tantos amores gozou,
viveu em tanto perfume
que de enlevos expirou!
Quem pudesse no teu seio
morrer como ela murchou!
Teu cabelo me inebria,
teu ardente olhar seduz;
a flor dos teus olhos negros
de tua alma raia à luz,
e sinto nos lábios teus
fogo do céu que transluz!
O teu seio que estremece
enlaguece-me de gozo.
Há um quê de tão suave
no colo voluptuoso,
que num trêmulo delíquio
faz-me sonhar venturoso!
Descansar nesses teus braços
fora angélica ventura:
fora morrer – nos teus lábios
aspirar tua alma pura!
Fora ser Deus dar-te um beijo
na divina formosura!
Mas o que eu peço, donzela,
meus amores, não é tanto!
Basta-me afolha do seio
para que eu viva no encanto,
e em noites enamoradas
eu verta amoroso pranto!
Oh! virgem dos meus amores,
dá-me essa folha singela!
Quero sentir teu perfume
nos doces aromas dela...
E nessa malva-maçã
sonhar teu seio, donzela!
Uma folha assim perdida
de um seio virgem no afã
acorda ignotas doçuras
com divino talismã!
Dá-me do seio esta folha
– a tua malva-maçã!
Quero apertá-la a meu peito
e beijá-la com ternura...
Dormir com ela nos lábios
desse aroma na frescura...
Beijando-a sonhar contigo
e desmaiar de ventura!
A folha que tens no seio
de joelhos pedirei...
Se posso viver sem ela
não o creio!... Oh, eu não sei!...
Dá-ma pelo amor de Deus,
que sem ela morrerei.
Pelas estrelas da noite,
pelas brisas da manhã,
por teus amores mais puros,
pelo amor de tua irmã,
dá-me essa folha cheirosa
– a tua malva-maçã!
quem gozasse o talismã!
Quem ali deitasse a fronte
cheia de amoroso afã!
E quem nele respirasse
a tua malva-maçã!
Dá-me essa folha cheirosa
que treine no seio teu!
Dá-me a folha... hei de beijá-la
sedenta no lábio meu!
Não vês que o calor do seio
tua malva emurcheceu...
A pobrezinha em teu colo
tantos amores gozou,
viveu em tanto perfume
que de enlevos expirou!
Quem pudesse no teu seio
morrer como ela murchou!
Teu cabelo me inebria,
teu ardente olhar seduz;
a flor dos teus olhos negros
de tua alma raia à luz,
e sinto nos lábios teus
fogo do céu que transluz!
O teu seio que estremece
enlaguece-me de gozo.
Há um quê de tão suave
no colo voluptuoso,
que num trêmulo delíquio
faz-me sonhar venturoso!
Descansar nesses teus braços
fora angélica ventura:
fora morrer – nos teus lábios
aspirar tua alma pura!
Fora ser Deus dar-te um beijo
na divina formosura!
Mas o que eu peço, donzela,
meus amores, não é tanto!
Basta-me afolha do seio
para que eu viva no encanto,
e em noites enamoradas
eu verta amoroso pranto!
Oh! virgem dos meus amores,
dá-me essa folha singela!
Quero sentir teu perfume
nos doces aromas dela...
E nessa malva-maçã
sonhar teu seio, donzela!
Uma folha assim perdida
de um seio virgem no afã
acorda ignotas doçuras
com divino talismã!
Dá-me do seio esta folha
– a tua malva-maçã!
Quero apertá-la a meu peito
e beijá-la com ternura...
Dormir com ela nos lábios
desse aroma na frescura...
Beijando-a sonhar contigo
e desmaiar de ventura!
A folha que tens no seio
de joelhos pedirei...
Se posso viver sem ela
não o creio!... Oh, eu não sei!...
Dá-ma pelo amor de Deus,
que sem ela morrerei.
Pelas estrelas da noite,
pelas brisas da manhã,
por teus amores mais puros,
pelo amor de tua irmã,
dá-me essa folha cheirosa
– a tua malva-maçã!
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Álvares de Azevedo
Malva-maçã
De teus seios tão mimosos
quem gozasse o talismã!
Quem ali deitasse a fronte
cheia de amoroso afã!
E quem nele respirasse
a tua malva-maçã!
Dá-me essa folha cheirosa
que treine no seio teu!
Dá-me a folha... hei de beijá-la
sedenta no lábio meu!
Não vês que o calor do seio
tua malva emurcheceu...
A pobrezinha em teu colo
tantos amores gozou,
viveu em tanto perfume
que de enlevos expirou!
Quem pudesse no teu seio
morrer como ela murchou!
Teu cabelo me inebria,
teu ardente olhar seduz;
a flor dos teus olhos negros
de tua alma raia à luz,
e sinto nos lábios teus
fogo do céu que transluz!
O teu seio que estremece
enlaguece-me de gozo.
Há um quê de tão suave
no colo voluptuoso,
que num trêmulo delíquio
faz-me sonhar venturoso!
Descansar nesses teus braços
fora angélica ventura:
fora morrer – nos teus lábios
aspirar tua alma pura!
Fora ser Deus dar-te um beijo
na divina formosura!
Mas o que eu peço, donzela,
meus amores, não é tanto!
Basta-me afolha do seio
para que eu viva no encanto,
e em noites enamoradas
eu verta amoroso pranto!
Oh! virgem dos meus amores,
dá-me essa folha singela!
Quero sentir teu perfume
nos doces aromas dela...
E nessa malva-maçã
sonhar teu seio, donzela!
Uma folha assim perdida
de um seio virgem no afã
acorda ignotas doçuras
com divino talismã!
Dá-me do seio esta folha
– a tua malva-maçã!
Quero apertá-la a meu peito
e beijá-la com ternura...
Dormir com ela nos lábios
desse aroma na frescura...
Beijando-a sonhar contigo
e desmaiar de ventura!
A folha que tens no seio
de joelhos pedirei...
Se posso viver sem ela
não o creio!... Oh, eu não sei!...
Dá-ma pelo amor de Deus,
que sem ela morrerei.
Pelas estrelas da noite,
pelas brisas da manhã,
por teus amores mais puros,
pelo amor de tua irmã,
dá-me essa folha cheirosa
– a tua malva-maçã!
quem gozasse o talismã!
Quem ali deitasse a fronte
cheia de amoroso afã!
E quem nele respirasse
a tua malva-maçã!
Dá-me essa folha cheirosa
que treine no seio teu!
Dá-me a folha... hei de beijá-la
sedenta no lábio meu!
Não vês que o calor do seio
tua malva emurcheceu...
A pobrezinha em teu colo
tantos amores gozou,
viveu em tanto perfume
que de enlevos expirou!
Quem pudesse no teu seio
morrer como ela murchou!
Teu cabelo me inebria,
teu ardente olhar seduz;
a flor dos teus olhos negros
de tua alma raia à luz,
e sinto nos lábios teus
fogo do céu que transluz!
O teu seio que estremece
enlaguece-me de gozo.
Há um quê de tão suave
no colo voluptuoso,
que num trêmulo delíquio
faz-me sonhar venturoso!
Descansar nesses teus braços
fora angélica ventura:
fora morrer – nos teus lábios
aspirar tua alma pura!
Fora ser Deus dar-te um beijo
na divina formosura!
Mas o que eu peço, donzela,
meus amores, não é tanto!
Basta-me afolha do seio
para que eu viva no encanto,
e em noites enamoradas
eu verta amoroso pranto!
Oh! virgem dos meus amores,
dá-me essa folha singela!
Quero sentir teu perfume
nos doces aromas dela...
E nessa malva-maçã
sonhar teu seio, donzela!
Uma folha assim perdida
de um seio virgem no afã
acorda ignotas doçuras
com divino talismã!
Dá-me do seio esta folha
– a tua malva-maçã!
Quero apertá-la a meu peito
e beijá-la com ternura...
Dormir com ela nos lábios
desse aroma na frescura...
Beijando-a sonhar contigo
e desmaiar de ventura!
A folha que tens no seio
de joelhos pedirei...
Se posso viver sem ela
não o creio!... Oh, eu não sei!...
Dá-ma pelo amor de Deus,
que sem ela morrerei.
Pelas estrelas da noite,
pelas brisas da manhã,
por teus amores mais puros,
pelo amor de tua irmã,
dá-me essa folha cheirosa
– a tua malva-maçã!
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