Lista de Poemas

A IMORTALIDADE

Oh! Minha paixão
pobre, insegura, desenfreada paixão
fique apenas mais um pouco.
Não há tempo a perder.
um reator atômico
vai desfazer nossas lembranças.
Dessa lagoa,
desses peixes
e do verde nada restará.
E quando tudo não mais estiver,
não existirá o caos
mas uma fumaça no ar.
E isso é o que vão chamar de imortalidade.
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CONQUISTA

Acorda-me a voz do morto
e o falar desnecessário dos vivos
                                me faz adormecer.


Dá muito trabalho ser feliz.
Tiram-me o sossego esses abandonados:
ora avançam sobre os relógios
ora acomodam-se entorpecidos
                                 pelas calçadas.
Os assassinatos, os sequestros, os assaltos
não mudam apenas os destinos:
nos calam pelo espanto.
Por isso, agora,
o esquecimento é minha conquista.
 
Dá muito trabalho ser feliz.
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PEQUENA BIOGRAFIA

Não amei ninguém.
Não me senti amado por ninguém.

Reuni alguns resíduos de paixão
o gosto de todas as alegrias
o desencontro de todas as esquinas
e a inutilidade de todas as palavras.
E nada mais.
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OS MENINOS

Os meninos dormem nas calçadas do
Recife.

Todos os dias
o roteiro é sempre o mesmo:

vão em bando para além das esquinas
arrancam os nossos excessos
aspiram o cheiro dos seus sonhos
dissipam a voracidade de sua fome.

E voltam a dormir nas calçadas do Recife.
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OFERENDA

Essas flores não se enterrarão
com os mortos
nem secarão sob o sol
dos cemitérios vazios.

Essas flores vão além dos jarros
em que elas se amontoam
e exalam o perfume
que flutua na constelação
de tua convivência
de tua morada.

Essas flores são tua eternidade
momentânea;
a lembrança mais discreta.

São o teu alívio
das feridas dos desfiladeiros do mundo.

Mansamente recolhe-as
para um jardim imaginário
em que, todos os dias,
recomeças as andanças dos mistérios.
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Lamento

Lá se vai Maria da Penha
subindo aos céus num trem de nuvens.

Lá se foi Margarida Alves
pelas veredas dos canaviais
na dança desnorteada dos ventos.

Não lamento as respirações interrompidas
sobre as pedras.
A morte é limpa e afirmativa
e suas vidas tiveram sentido.
Lamento os que ficam
sem sentido algum
e inúteis, covardes e impassíveis,
esperam apodrecer em seus domínios.
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A SOLIDÃO E SEU CORPO

Toda solidão tem o seu corpo
às vezes apenas desejado
às vezes apenas na lembrança
de um tempo ido e que ficou marcado.

Toda solidão tem seu descanso
sem o desassossego de pensar

não repousa o corpo noutro corpo
mas tem o sono para flutuar.

Toda solidão é pesada e fria
e fica leve e se consome
e deixa cicatriz quando quer posse
e beija um corpo sem saber seu nome.
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Identificação e contexto básico

José Mário Rodrigues é um poeta português cuja obra, embora menos conhecida do grande público, possui um valor intrínseco pela sua qualidade lírica e reflexiva. As datas e locais exatos do seu nascimento e morte, bem como detalhes sobre a sua origem familiar, classe social e contexto cultural de origem, não são amplamente documentados em fontes públicas acessíveis. A sua nacionalidade é portuguesa e a língua principal de escrita é o português. O contexto histórico em que viveu e produziu a sua obra abrange um período de transformações sociais e culturais em Portugal, mas os detalhes específicos sobre o seu envolvimento ou a sua perceção deste contexto são escassos.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de José Mário Rodrigues, incluindo o seu ambiente familiar e social, a sua educação formal e eventuais percursos de autodidatismo, não estão disponíveis em fontes publicamente acessíveis. Igualmente, as influências iniciais que moldaram o seu percurso, sejam elas de natureza literária, cultural, religiosa ou política, bem como a sua absorção de movimentos literários, filosóficos ou artísticos, e eventos marcantes na sua juventude, permanecem como aspetos pouco documentados da sua vida.

Percurso literário

O início da escrita poética de José Mário Rodrigues e a forma como começou a sua jornada literária não são detalhados em fontes disponíveis. A evolução do seu estilo ao longo do tempo, as fases distintas da sua obra ou as mudanças estilísticas que possam ter ocorrido também não são temas amplamente explorados. A evolução cronológica da sua produção literária, bem como eventuais colaborações em revistas, jornais e antologias, ou a sua atividade como crítico, tradutor ou editor, são aspetos que requerem investigação mais aprofundada e não são facilmente encontrados em registos públicos.

Obra, estilo e características literárias

As obras principais de José Mário Rodrigues, com as respetivas datas de produção e contexto, são escassas em fontes publicamente acessíveis. Os temas dominantes na sua poesia, como amor, morte, tempo, natureza, identidade ou espiritualidade, podem ser inferidos de análises mais aprofundadas da sua obra publicada, mas não são explicitamente catalogados. O mesmo se aplica à forma e estrutura dos seus poemas, ao seu uso de recursos poéticos, ao tom e voz poética, à linguagem e estilo, e a quaisquer inovações formais ou temáticas que tenha introduzido. A sua relação com a tradição, com a modernidade e com movimentos literários específicos, como o simbolismo ou o modernismo, não é claramente definida em fontes disponíveis.

Contexto cultural e histórico

Não há informações disponíveis sobre a relação de José Mário Rodrigues com acontecimentos históricos, outros escritores ou círculos literários, nem sobre a geração ou movimento literário a que pudesse pertencer. A sua posição política ou filosófica, a influência da sociedade e cultura na sua obra, e os diálogos ou tensões com contemporâneos também não são documentados de forma acessível.

Vida pessoal

Detalhes sobre a vida pessoal de José Mário Rodrigues, incluindo as suas relações afetivas e familiares significativas, amizades e rivalidades literárias, experiências e crises pessoais, profissões paralelas, ou crenças religiosas, espirituais ou filosóficas, não estão disponíveis em fontes públicas. Igualmente, as suas posições políticas e envolvimento cívico não são temas documentados.

Reconhecimento e receção

O lugar de José Mário Rodrigues na literatura nacional e internacional, bem como prémios, distinções e reconhecimento institucional que tenha recebido, não são informações facilmente encontradas. A receção crítica da sua obra na época em que foi publicada e ao longo do tempo, bem como a sua popularidade versus o reconhecimento académico, são aspetos que permanecem pouco explorados em registos públicos.

Influências e legado

Não há informações disponíveis sobre os autores que influenciaram José Mário Rodrigues, nem sobre os poetas ou movimentos que ele, por sua vez, influenciou. O seu impacto na literatura nacional e mundial, a sua entrada no cânone literário, a sua difusão internacional através de traduções, ou as adaptações da sua obra, assim como estudos académicos dedicados a ela, são aspetos que não são documentados em fontes acessíveis.

Interpretação e análise crítica

As interpretações possíveis da obra de José Mário Rodrigues, os temas filosóficos e existenciais que aborda, e quaisquer controvérsias ou debates críticos em torno da sua poesia, são áreas que requerem um estudo aprofundado da sua obra, pois não são amplamente discutidos em fontes secundárias disponíveis.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Aspetos menos conhecidos da personalidade de José Mário Rodrigues, contradições entre a sua vida e obra, episódios marcantes ou anedóticos, objetos, lugares ou rituais associados à sua criação poética, hábitos de escrita, ou a existência de manuscritos, diários ou correspondência, não são informações que se encontrem facilmente disponíveis em registos públicos.

Morte e memória

As circunstâncias da morte de José Mário Rodrigues e a existência de publicações póstumas são informações que não estão documentadas em fontes acessíveis publicamente.