Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
D. Dinis
Disse-M'hoj'um Cavaleiro
Disse-m'hoj'um cavaleiro
que jazia feramente
um seu amigo doente
e buscava-lhi lorbaga;
dixi-lh'eu: - Seguramente
come-o praga por praga
que el muitas vezes disse,
per essa per que o come,
quantas en nunca diss'homem;
e o que disse ben'o paga,
ca, come cam que há fome,
comeo praga por praga
que el muitas vezes disse;
e jaz ora o astroso
mui doent'e mui nojoso
e com medo per si caga,
ca, come lobo ravioso,
come-o praga por praga.
que jazia feramente
um seu amigo doente
e buscava-lhi lorbaga;
dixi-lh'eu: - Seguramente
come-o praga por praga
que el muitas vezes disse,
per essa per que o come,
quantas en nunca diss'homem;
e o que disse ben'o paga,
ca, come cam que há fome,
comeo praga por praga
que el muitas vezes disse;
e jaz ora o astroso
mui doent'e mui nojoso
e com medo per si caga,
ca, come lobo ravioso,
come-o praga por praga.
718
D. Dinis
Disse-M'hoj'um Cavaleiro
Disse-m'hoj'um cavaleiro
que jazia feramente
um seu amigo doente
e buscava-lhi lorbaga;
dixi-lh'eu: - Seguramente
come-o praga por praga
que el muitas vezes disse,
per essa per que o come,
quantas en nunca diss'homem;
e o que disse ben'o paga,
ca, come cam que há fome,
comeo praga por praga
que el muitas vezes disse;
e jaz ora o astroso
mui doent'e mui nojoso
e com medo per si caga,
ca, come lobo ravioso,
come-o praga por praga.
que jazia feramente
um seu amigo doente
e buscava-lhi lorbaga;
dixi-lh'eu: - Seguramente
come-o praga por praga
que el muitas vezes disse,
per essa per que o come,
quantas en nunca diss'homem;
e o que disse ben'o paga,
ca, come cam que há fome,
comeo praga por praga
que el muitas vezes disse;
e jaz ora o astroso
mui doent'e mui nojoso
e com medo per si caga,
ca, come lobo ravioso,
come-o praga por praga.
718
D. Dinis
Disse-M'hoj'um Cavaleiro
Disse-m'hoj'um cavaleiro
que jazia feramente
um seu amigo doente
e buscava-lhi lorbaga;
dixi-lh'eu: - Seguramente
come-o praga por praga
que el muitas vezes disse,
per essa per que o come,
quantas en nunca diss'homem;
e o que disse ben'o paga,
ca, come cam que há fome,
comeo praga por praga
que el muitas vezes disse;
e jaz ora o astroso
mui doent'e mui nojoso
e com medo per si caga,
ca, come lobo ravioso,
come-o praga por praga.
que jazia feramente
um seu amigo doente
e buscava-lhi lorbaga;
dixi-lh'eu: - Seguramente
come-o praga por praga
que el muitas vezes disse,
per essa per que o come,
quantas en nunca diss'homem;
e o que disse ben'o paga,
ca, come cam que há fome,
comeo praga por praga
que el muitas vezes disse;
e jaz ora o astroso
mui doent'e mui nojoso
e com medo per si caga,
ca, come lobo ravioso,
come-o praga por praga.
718
D. Dinis
Amigo, Pois Vos Nom Vi
Amigo, pois vos nom vi,
nunca folguei nem dormi,
mais ora já des aqui
que vos vejo, folgarei
e verei prazer de mi,
pois vejo quanto bem hei.
Pois vos nom pudi veer,
jamais nom houvi lezer,
e, u vos Deus quis trager,
que vos vejo, folgarei
e verei de mim prazer,
pois vejo quanto bem hei.
Des que vos nom vi, de rem
nom vi prazer e o sem
perdi, mais, pois que mi avém
que vos vejo, folgarei
e verei todo meu bem,
pois vejo quanto bem hei.
De vos veer a mim praz
tanto que muito é assaz,
mais, u m'este bem Deus faz
que vos vejo, folgarei
e haverei gram solaz,
pois vejo quanto bem hei.
nunca folguei nem dormi,
mais ora já des aqui
que vos vejo, folgarei
e verei prazer de mi,
pois vejo quanto bem hei.
Pois vos nom pudi veer,
jamais nom houvi lezer,
e, u vos Deus quis trager,
que vos vejo, folgarei
e verei de mim prazer,
pois vejo quanto bem hei.
Des que vos nom vi, de rem
nom vi prazer e o sem
perdi, mais, pois que mi avém
que vos vejo, folgarei
e verei todo meu bem,
pois vejo quanto bem hei.
De vos veer a mim praz
tanto que muito é assaz,
mais, u m'este bem Deus faz
que vos vejo, folgarei
e haverei gram solaz,
pois vejo quanto bem hei.
860
D. Dinis
Amigo, Pois Vos Nom Vi
Amigo, pois vos nom vi,
nunca folguei nem dormi,
mais ora já des aqui
que vos vejo, folgarei
e verei prazer de mi,
pois vejo quanto bem hei.
Pois vos nom pudi veer,
jamais nom houvi lezer,
e, u vos Deus quis trager,
que vos vejo, folgarei
e verei de mim prazer,
pois vejo quanto bem hei.
Des que vos nom vi, de rem
nom vi prazer e o sem
perdi, mais, pois que mi avém
que vos vejo, folgarei
e verei todo meu bem,
pois vejo quanto bem hei.
De vos veer a mim praz
tanto que muito é assaz,
mais, u m'este bem Deus faz
que vos vejo, folgarei
e haverei gram solaz,
pois vejo quanto bem hei.
nunca folguei nem dormi,
mais ora já des aqui
que vos vejo, folgarei
e verei prazer de mi,
pois vejo quanto bem hei.
Pois vos nom pudi veer,
jamais nom houvi lezer,
e, u vos Deus quis trager,
que vos vejo, folgarei
e verei de mim prazer,
pois vejo quanto bem hei.
Des que vos nom vi, de rem
nom vi prazer e o sem
perdi, mais, pois que mi avém
que vos vejo, folgarei
e verei todo meu bem,
pois vejo quanto bem hei.
De vos veer a mim praz
tanto que muito é assaz,
mais, u m'este bem Deus faz
que vos vejo, folgarei
e haverei gram solaz,
pois vejo quanto bem hei.
860
D. Dinis
Deus! Com'ora Perdeu Joam Simiom
Deus! Com'ora perdeu Joam Simiom
três bestas - nom vi de maior cajom,
nem perdudas nunca tam sem razom:
ca, teendo-as sãas e vivas
e bem sangradas com [boa] sazom,
morrerom-lhi toda[s] com olivas.
Des aquel[e] dia em que naci
nunca bestas assi perdudas vi,
ca as fez ant'el sangrar ante si;
e ante que saíssem daquel mês,
per com'eu a Joam Simiom oí,
com olivas morrerom todas três.
Ben'as cuidara de morte guardar
todas três, quando as fez[o] sangrar;
mais havia-lhas o Dem'a levar,
pois se par [a]tal cajom perderom;
e Joam Simiom quer-s'ora matar
porque lhi com olivas morrerom.
três bestas - nom vi de maior cajom,
nem perdudas nunca tam sem razom:
ca, teendo-as sãas e vivas
e bem sangradas com [boa] sazom,
morrerom-lhi toda[s] com olivas.
Des aquel[e] dia em que naci
nunca bestas assi perdudas vi,
ca as fez ant'el sangrar ante si;
e ante que saíssem daquel mês,
per com'eu a Joam Simiom oí,
com olivas morrerom todas três.
Ben'as cuidara de morte guardar
todas três, quando as fez[o] sangrar;
mais havia-lhas o Dem'a levar,
pois se par [a]tal cajom perderom;
e Joam Simiom quer-s'ora matar
porque lhi com olivas morrerom.
676
D. Dinis
Deus! Com'ora Perdeu Joam Simiom
Deus! Com'ora perdeu Joam Simiom
três bestas - nom vi de maior cajom,
nem perdudas nunca tam sem razom:
ca, teendo-as sãas e vivas
e bem sangradas com [boa] sazom,
morrerom-lhi toda[s] com olivas.
Des aquel[e] dia em que naci
nunca bestas assi perdudas vi,
ca as fez ant'el sangrar ante si;
e ante que saíssem daquel mês,
per com'eu a Joam Simiom oí,
com olivas morrerom todas três.
Ben'as cuidara de morte guardar
todas três, quando as fez[o] sangrar;
mais havia-lhas o Dem'a levar,
pois se par [a]tal cajom perderom;
e Joam Simiom quer-s'ora matar
porque lhi com olivas morrerom.
três bestas - nom vi de maior cajom,
nem perdudas nunca tam sem razom:
ca, teendo-as sãas e vivas
e bem sangradas com [boa] sazom,
morrerom-lhi toda[s] com olivas.
Des aquel[e] dia em que naci
nunca bestas assi perdudas vi,
ca as fez ant'el sangrar ante si;
e ante que saíssem daquel mês,
per com'eu a Joam Simiom oí,
com olivas morrerom todas três.
Ben'as cuidara de morte guardar
todas três, quando as fez[o] sangrar;
mais havia-lhas o Dem'a levar,
pois se par [a]tal cajom perderom;
e Joam Simiom quer-s'ora matar
porque lhi com olivas morrerom.
676
Estêvão da Guarda
A Um Corretor Que Vi
A um corretor que vi
vender panos, que conhoci,
com penas veiras, diss'assi:
- Da molher som de Dom Foam.
E disse-m'el: - Vendem quant'ham,
el e aquesta sa molher:
ham-no mester, ham-no mester!
E diss'eu: - Ficará em cós
sem estes panos do ver grós;
mais pois que os tragedes vós
a vender e par seu talam?
E disse-m'el: - Sei eu, de pram,
per ela, quanto vos disser:
ham-no mester, ham-no mester!
E diss'eu: - Grav'é de creer
que eles, com mêngua d'haver,
mandem taes panos vender,
por quam pouco por eles dam.
E disse-m'el: - Per com'estam,
el e aquesta sa molher,
ham-no mester, ham-no mester!
vender panos, que conhoci,
com penas veiras, diss'assi:
- Da molher som de Dom Foam.
E disse-m'el: - Vendem quant'ham,
el e aquesta sa molher:
ham-no mester, ham-no mester!
E diss'eu: - Ficará em cós
sem estes panos do ver grós;
mais pois que os tragedes vós
a vender e par seu talam?
E disse-m'el: - Sei eu, de pram,
per ela, quanto vos disser:
ham-no mester, ham-no mester!
E diss'eu: - Grav'é de creer
que eles, com mêngua d'haver,
mandem taes panos vender,
por quam pouco por eles dam.
E disse-m'el: - Per com'estam,
el e aquesta sa molher,
ham-no mester, ham-no mester!
734
Estêvão da Guarda
Ora, Senhor, Tenho Muit'aguisado
Ora, senhor, tenho muit'aguisado
de sofrer coita grand'e gram desejo,
pois d'u vós fordes eu for alongado
e vos nom vir, como vos ora vejo;
e, mia senhor, éste gram mal sobejo
meu e meu gram quebranto:
seer eu de vós, por vos servir quanto
posso, mui desamado.
Desej'e coita e [mui] gram soidade
convém, senhor, de sofrer todavia,
pois, d'u vós fordes i, a gram beldade
voss'eu nom vir, que vi em grave dia;
e, mia senhor, em gram bem vos terria
de me darde'la morte
ca de viver eu em coita tam forte
e em tal estraĩdade.
Nom fez Deus par a desejo tam grande,
nem a qual coita sof'rei , des u me
partir de vós; ca, per u quer que ande,
nom quedarei ar, meu bem e meu lume,
de chorar sempre e com mui gram queixume
maldirei mia ventura:
ca de viver eu em tam gram tristura
Deus, senhor, non'o mande!
E queira El, senhor, que a mia vida,
pois per vós é, cedo sej'acabada,
ca pela morte me será partida
gram soidad[e] e vida mui coitada;
de razom é d'haver eu desejada
a morte, pois entendo
de chorar sempre e andar sofrendo
coita desmesurada.
de sofrer coita grand'e gram desejo,
pois d'u vós fordes eu for alongado
e vos nom vir, como vos ora vejo;
e, mia senhor, éste gram mal sobejo
meu e meu gram quebranto:
seer eu de vós, por vos servir quanto
posso, mui desamado.
Desej'e coita e [mui] gram soidade
convém, senhor, de sofrer todavia,
pois, d'u vós fordes i, a gram beldade
voss'eu nom vir, que vi em grave dia;
e, mia senhor, em gram bem vos terria
de me darde'la morte
ca de viver eu em coita tam forte
e em tal estraĩdade.
Nom fez Deus par a desejo tam grande,
nem a qual coita sof'rei , des u me
partir de vós; ca, per u quer que ande,
nom quedarei ar, meu bem e meu lume,
de chorar sempre e com mui gram queixume
maldirei mia ventura:
ca de viver eu em tam gram tristura
Deus, senhor, non'o mande!
E queira El, senhor, que a mia vida,
pois per vós é, cedo sej'acabada,
ca pela morte me será partida
gram soidad[e] e vida mui coitada;
de razom é d'haver eu desejada
a morte, pois entendo
de chorar sempre e andar sofrendo
coita desmesurada.
778
Estêvão da Guarda
Ora, Senhor, Tenho Muit'aguisado
Ora, senhor, tenho muit'aguisado
de sofrer coita grand'e gram desejo,
pois d'u vós fordes eu for alongado
e vos nom vir, como vos ora vejo;
e, mia senhor, éste gram mal sobejo
meu e meu gram quebranto:
seer eu de vós, por vos servir quanto
posso, mui desamado.
Desej'e coita e [mui] gram soidade
convém, senhor, de sofrer todavia,
pois, d'u vós fordes i, a gram beldade
voss'eu nom vir, que vi em grave dia;
e, mia senhor, em gram bem vos terria
de me darde'la morte
ca de viver eu em coita tam forte
e em tal estraĩdade.
Nom fez Deus par a desejo tam grande,
nem a qual coita sof'rei , des u me
partir de vós; ca, per u quer que ande,
nom quedarei ar, meu bem e meu lume,
de chorar sempre e com mui gram queixume
maldirei mia ventura:
ca de viver eu em tam gram tristura
Deus, senhor, non'o mande!
E queira El, senhor, que a mia vida,
pois per vós é, cedo sej'acabada,
ca pela morte me será partida
gram soidad[e] e vida mui coitada;
de razom é d'haver eu desejada
a morte, pois entendo
de chorar sempre e andar sofrendo
coita desmesurada.
de sofrer coita grand'e gram desejo,
pois d'u vós fordes eu for alongado
e vos nom vir, como vos ora vejo;
e, mia senhor, éste gram mal sobejo
meu e meu gram quebranto:
seer eu de vós, por vos servir quanto
posso, mui desamado.
Desej'e coita e [mui] gram soidade
convém, senhor, de sofrer todavia,
pois, d'u vós fordes i, a gram beldade
voss'eu nom vir, que vi em grave dia;
e, mia senhor, em gram bem vos terria
de me darde'la morte
ca de viver eu em coita tam forte
e em tal estraĩdade.
Nom fez Deus par a desejo tam grande,
nem a qual coita sof'rei , des u me
partir de vós; ca, per u quer que ande,
nom quedarei ar, meu bem e meu lume,
de chorar sempre e com mui gram queixume
maldirei mia ventura:
ca de viver eu em tam gram tristura
Deus, senhor, non'o mande!
E queira El, senhor, que a mia vida,
pois per vós é, cedo sej'acabada,
ca pela morte me será partida
gram soidad[e] e vida mui coitada;
de razom é d'haver eu desejada
a morte, pois entendo
de chorar sempre e andar sofrendo
coita desmesurada.
778
Estêvão da Guarda
Ora, Senhor, Tenho Muit'aguisado
Ora, senhor, tenho muit'aguisado
de sofrer coita grand'e gram desejo,
pois d'u vós fordes eu for alongado
e vos nom vir, como vos ora vejo;
e, mia senhor, éste gram mal sobejo
meu e meu gram quebranto:
seer eu de vós, por vos servir quanto
posso, mui desamado.
Desej'e coita e [mui] gram soidade
convém, senhor, de sofrer todavia,
pois, d'u vós fordes i, a gram beldade
voss'eu nom vir, que vi em grave dia;
e, mia senhor, em gram bem vos terria
de me darde'la morte
ca de viver eu em coita tam forte
e em tal estraĩdade.
Nom fez Deus par a desejo tam grande,
nem a qual coita sof'rei , des u me
partir de vós; ca, per u quer que ande,
nom quedarei ar, meu bem e meu lume,
de chorar sempre e com mui gram queixume
maldirei mia ventura:
ca de viver eu em tam gram tristura
Deus, senhor, non'o mande!
E queira El, senhor, que a mia vida,
pois per vós é, cedo sej'acabada,
ca pela morte me será partida
gram soidad[e] e vida mui coitada;
de razom é d'haver eu desejada
a morte, pois entendo
de chorar sempre e andar sofrendo
coita desmesurada.
de sofrer coita grand'e gram desejo,
pois d'u vós fordes eu for alongado
e vos nom vir, como vos ora vejo;
e, mia senhor, éste gram mal sobejo
meu e meu gram quebranto:
seer eu de vós, por vos servir quanto
posso, mui desamado.
Desej'e coita e [mui] gram soidade
convém, senhor, de sofrer todavia,
pois, d'u vós fordes i, a gram beldade
voss'eu nom vir, que vi em grave dia;
e, mia senhor, em gram bem vos terria
de me darde'la morte
ca de viver eu em coita tam forte
e em tal estraĩdade.
Nom fez Deus par a desejo tam grande,
nem a qual coita sof'rei , des u me
partir de vós; ca, per u quer que ande,
nom quedarei ar, meu bem e meu lume,
de chorar sempre e com mui gram queixume
maldirei mia ventura:
ca de viver eu em tam gram tristura
Deus, senhor, non'o mande!
E queira El, senhor, que a mia vida,
pois per vós é, cedo sej'acabada,
ca pela morte me será partida
gram soidad[e] e vida mui coitada;
de razom é d'haver eu desejada
a morte, pois entendo
de chorar sempre e andar sofrendo
coita desmesurada.
778
Estêvão da Guarda
Por Partir Pesar Que [Eu] Sempre Vi
Por partir pesar que [eu] sempre vi
a mia senhor haver do mui gram bem
que lh'eu quero, desejava por en
mia mort', amigos; mais, pois entendi
que lhe prazia de me mal fazer,
log'eu des i desejei a viver.
Veend'eu bem que do mui grand'amor
que lh'eu sempr'hou[v]i tomava pesar,
ia por end'a morte desejar;
mais pois, amigos, eu fui sabedor
que lhe prazia de me mal fazer,
log'eu, des i, desejei a viver.
Se me Deus entom a morte nom deu,
nom ficou já por mim de lha pedir,
cuidand'a ela tal pesar partir;
mais pois, amigos, bem [certo] fui eu
que lhe prazia de me mal fazer,
log'eu, des i, desejei a viver.
Nom por mia prol, mais pera nom perder
ela per mim rem do que lh'é prazer.
a mia senhor haver do mui gram bem
que lh'eu quero, desejava por en
mia mort', amigos; mais, pois entendi
que lhe prazia de me mal fazer,
log'eu des i desejei a viver.
Veend'eu bem que do mui grand'amor
que lh'eu sempr'hou[v]i tomava pesar,
ia por end'a morte desejar;
mais pois, amigos, eu fui sabedor
que lhe prazia de me mal fazer,
log'eu, des i, desejei a viver.
Se me Deus entom a morte nom deu,
nom ficou já por mim de lha pedir,
cuidand'a ela tal pesar partir;
mais pois, amigos, bem [certo] fui eu
que lhe prazia de me mal fazer,
log'eu, des i, desejei a viver.
Nom por mia prol, mais pera nom perder
ela per mim rem do que lh'é prazer.
376
D. Dinis
Por Deus, Amiga, Pês-Vos do Gram Mal
Por Deus, amiga, pês-vos do gram mal
que diz andand'aquel meu desleal,
ca diz de mi e de vós outro tal,
andand'a muitos, que lhi fiz eu bem
e que vós soubestes tod'este mal,
de que eu nem vós nom soubemos rem.
De vos en pesar é mui gram razom,
ca diz andando mui gram traiçom
de mim e de vós, se Deus mi perdom,
u se louva de mim que lhi fiz bem,
e que vós soubestes end'a razom,
de que eu nem vós nom soubemos rem.
De vos en pesar dereito per é,
ca diz de mim gram mal, per bõa fé,
e de vós, amiga, cada u sé
falando, ca diz que lhi fiz eu bem
e ca vós soubestes todo com'é,
de que eu nem vós nom soubemos rem.
que diz andand'aquel meu desleal,
ca diz de mi e de vós outro tal,
andand'a muitos, que lhi fiz eu bem
e que vós soubestes tod'este mal,
de que eu nem vós nom soubemos rem.
De vos en pesar é mui gram razom,
ca diz andando mui gram traiçom
de mim e de vós, se Deus mi perdom,
u se louva de mim que lhi fiz bem,
e que vós soubestes end'a razom,
de que eu nem vós nom soubemos rem.
De vos en pesar dereito per é,
ca diz de mim gram mal, per bõa fé,
e de vós, amiga, cada u sé
falando, ca diz que lhi fiz eu bem
e ca vós soubestes todo com'é,
de que eu nem vós nom soubemos rem.
698
D. Dinis
Nom Sei Hoj', Amigo, Quem Padecesse
Nom sei hoj', amigo, quem padecesse
coita qual padesco que nom morresse,
senom eu coitada, que nom nacesse,
porque vos nom vejo com'eu queria;
e quisesse Deus que m'escaecesse
vós que vi, amig[o], em grave dia.
Nom sei, amigo, molher que passasse
coita qual eu passo que já durasse,
que nom morress[e] ou desasperasse,
porque vos nom vejo com'eu queria;
e quisesse Deus que me nom nembrasse
vós que vi, amig[o], em grave dia.
Nom sei, amigo, quem o mal sentisse
que eu senço, que o sol encobrisse,
senom eu coitada, que Deus maldisse,
porque vos nom vejo com'eu queria;
e quisesse Deus que nunca eu visse
vós que vi, amig[o], em grave dia.
coita qual padesco que nom morresse,
senom eu coitada, que nom nacesse,
porque vos nom vejo com'eu queria;
e quisesse Deus que m'escaecesse
vós que vi, amig[o], em grave dia.
Nom sei, amigo, molher que passasse
coita qual eu passo que já durasse,
que nom morress[e] ou desasperasse,
porque vos nom vejo com'eu queria;
e quisesse Deus que me nom nembrasse
vós que vi, amig[o], em grave dia.
Nom sei, amigo, quem o mal sentisse
que eu senço, que o sol encobrisse,
senom eu coitada, que Deus maldisse,
porque vos nom vejo com'eu queria;
e quisesse Deus que nunca eu visse
vós que vi, amig[o], em grave dia.
689
D. Dinis
Nom Sei Hoj', Amigo, Quem Padecesse
Nom sei hoj', amigo, quem padecesse
coita qual padesco que nom morresse,
senom eu coitada, que nom nacesse,
porque vos nom vejo com'eu queria;
e quisesse Deus que m'escaecesse
vós que vi, amig[o], em grave dia.
Nom sei, amigo, molher que passasse
coita qual eu passo que já durasse,
que nom morress[e] ou desasperasse,
porque vos nom vejo com'eu queria;
e quisesse Deus que me nom nembrasse
vós que vi, amig[o], em grave dia.
Nom sei, amigo, quem o mal sentisse
que eu senço, que o sol encobrisse,
senom eu coitada, que Deus maldisse,
porque vos nom vejo com'eu queria;
e quisesse Deus que nunca eu visse
vós que vi, amig[o], em grave dia.
coita qual padesco que nom morresse,
senom eu coitada, que nom nacesse,
porque vos nom vejo com'eu queria;
e quisesse Deus que m'escaecesse
vós que vi, amig[o], em grave dia.
Nom sei, amigo, molher que passasse
coita qual eu passo que já durasse,
que nom morress[e] ou desasperasse,
porque vos nom vejo com'eu queria;
e quisesse Deus que me nom nembrasse
vós que vi, amig[o], em grave dia.
Nom sei, amigo, quem o mal sentisse
que eu senço, que o sol encobrisse,
senom eu coitada, que Deus maldisse,
porque vos nom vejo com'eu queria;
e quisesse Deus que nunca eu visse
vós que vi, amig[o], em grave dia.
689
D. Dinis
Nom Sei Hoj', Amigo, Quem Padecesse
Nom sei hoj', amigo, quem padecesse
coita qual padesco que nom morresse,
senom eu coitada, que nom nacesse,
porque vos nom vejo com'eu queria;
e quisesse Deus que m'escaecesse
vós que vi, amig[o], em grave dia.
Nom sei, amigo, molher que passasse
coita qual eu passo que já durasse,
que nom morress[e] ou desasperasse,
porque vos nom vejo com'eu queria;
e quisesse Deus que me nom nembrasse
vós que vi, amig[o], em grave dia.
Nom sei, amigo, quem o mal sentisse
que eu senço, que o sol encobrisse,
senom eu coitada, que Deus maldisse,
porque vos nom vejo com'eu queria;
e quisesse Deus que nunca eu visse
vós que vi, amig[o], em grave dia.
coita qual padesco que nom morresse,
senom eu coitada, que nom nacesse,
porque vos nom vejo com'eu queria;
e quisesse Deus que m'escaecesse
vós que vi, amig[o], em grave dia.
Nom sei, amigo, molher que passasse
coita qual eu passo que já durasse,
que nom morress[e] ou desasperasse,
porque vos nom vejo com'eu queria;
e quisesse Deus que me nom nembrasse
vós que vi, amig[o], em grave dia.
Nom sei, amigo, quem o mal sentisse
que eu senço, que o sol encobrisse,
senom eu coitada, que Deus maldisse,
porque vos nom vejo com'eu queria;
e quisesse Deus que nunca eu visse
vós que vi, amig[o], em grave dia.
689
D. Dinis
Pois Que Diz Meu Amigo
Pois que diz meu amigo
que se quer ir comigo,
pois que a el praz,
praz a mi, bem vos digo,
est'é o meu solaz.
Pois diz que todavia
nos imos nossa via,
pois que a el praz,
praz-m'e vej'i bom dia,
est'é o meu solaz.
Pois m'e[n]de levar vejo
que est'é o seu desejo,
pois que a el praz,
praz-mi muito sobejo,
est'é o meu solaz.
que se quer ir comigo,
pois que a el praz,
praz a mi, bem vos digo,
est'é o meu solaz.
Pois diz que todavia
nos imos nossa via,
pois que a el praz,
praz-m'e vej'i bom dia,
est'é o meu solaz.
Pois m'e[n]de levar vejo
que est'é o seu desejo,
pois que a el praz,
praz-mi muito sobejo,
est'é o meu solaz.
657
D. Dinis
Ou É Meliom Garcia Queixoso
Ou é Meliom Garcia queixoso
ou nom faz come home de parage
escontra duas meninhas que trage,
contra que[m] nom cata bem nem fremoso:
ca lhas vej'eu trager, bem des antano
ambas vestidas de mui mao pano,
nunca mais feo vi nem mais lixoso.
Andam ant'el chorando mil vegadas,
por muito mal que ham com el levado;
[e] el, come home desmesurado
contra elas, que andam mui coitadas,
nom cata rem do que catar devia;
e poilas [el] tem sigo noit'e dia,
seu mal é tragê-las mal lazeradas.
E pois el sa fazenda tam mal cata
contra elas, que faz viver tal vida,
que nem del nem d'outrem nom ha[m] guarida,
eu nom lho tenho por bõa barata
de as trager como trag', em concelho,
chorosas e minguadas de conselho,
ca Demo lev'a prol que xi lh'en ata.
ou nom faz come home de parage
escontra duas meninhas que trage,
contra que[m] nom cata bem nem fremoso:
ca lhas vej'eu trager, bem des antano
ambas vestidas de mui mao pano,
nunca mais feo vi nem mais lixoso.
Andam ant'el chorando mil vegadas,
por muito mal que ham com el levado;
[e] el, come home desmesurado
contra elas, que andam mui coitadas,
nom cata rem do que catar devia;
e poilas [el] tem sigo noit'e dia,
seu mal é tragê-las mal lazeradas.
E pois el sa fazenda tam mal cata
contra elas, que faz viver tal vida,
que nem del nem d'outrem nom ha[m] guarida,
eu nom lho tenho por bõa barata
de as trager como trag', em concelho,
chorosas e minguadas de conselho,
ca Demo lev'a prol que xi lh'en ata.
689
D. Dinis
Ou É Meliom Garcia Queixoso
Ou é Meliom Garcia queixoso
ou nom faz come home de parage
escontra duas meninhas que trage,
contra que[m] nom cata bem nem fremoso:
ca lhas vej'eu trager, bem des antano
ambas vestidas de mui mao pano,
nunca mais feo vi nem mais lixoso.
Andam ant'el chorando mil vegadas,
por muito mal que ham com el levado;
[e] el, come home desmesurado
contra elas, que andam mui coitadas,
nom cata rem do que catar devia;
e poilas [el] tem sigo noit'e dia,
seu mal é tragê-las mal lazeradas.
E pois el sa fazenda tam mal cata
contra elas, que faz viver tal vida,
que nem del nem d'outrem nom ha[m] guarida,
eu nom lho tenho por bõa barata
de as trager como trag', em concelho,
chorosas e minguadas de conselho,
ca Demo lev'a prol que xi lh'en ata.
ou nom faz come home de parage
escontra duas meninhas que trage,
contra que[m] nom cata bem nem fremoso:
ca lhas vej'eu trager, bem des antano
ambas vestidas de mui mao pano,
nunca mais feo vi nem mais lixoso.
Andam ant'el chorando mil vegadas,
por muito mal que ham com el levado;
[e] el, come home desmesurado
contra elas, que andam mui coitadas,
nom cata rem do que catar devia;
e poilas [el] tem sigo noit'e dia,
seu mal é tragê-las mal lazeradas.
E pois el sa fazenda tam mal cata
contra elas, que faz viver tal vida,
que nem del nem d'outrem nom ha[m] guarida,
eu nom lho tenho por bõa barata
de as trager como trag', em concelho,
chorosas e minguadas de conselho,
ca Demo lev'a prol que xi lh'en ata.
689
D. Dinis
O Voss'amig', Ai Amiga,
O voss'amig', ai amiga,
de que vos muito fiades,
tanto quer'eu que sabiades:
que ũa, que Deus maldiga,
vo-lo tem louc'e tolheito,
e moir'end'eu com despeito.
Nom hei rem que vos asconda
nem vos será encoberto,
mais sabede bem por certo
que ũa, que Deus cofonda,
vo-lo tem louc'e tolheito,
e moir'end'eu com despeito.
Nom sei molher que se pague
de lh'outras o seu amigo
filhar, e por en vos digo
que ũa, que Deus estrague,
vo-lo tem louc'e tolheito,
e moir'end'eu com despeito.
E faço mui gram dereito,
pois quero vosso proveito.
de que vos muito fiades,
tanto quer'eu que sabiades:
que ũa, que Deus maldiga,
vo-lo tem louc'e tolheito,
e moir'end'eu com despeito.
Nom hei rem que vos asconda
nem vos será encoberto,
mais sabede bem por certo
que ũa, que Deus cofonda,
vo-lo tem louc'e tolheito,
e moir'end'eu com despeito.
Nom sei molher que se pague
de lh'outras o seu amigo
filhar, e por en vos digo
que ũa, que Deus estrague,
vo-lo tem louc'e tolheito,
e moir'end'eu com despeito.
E faço mui gram dereito,
pois quero vosso proveito.
353
D. Dinis
O Voss'amig', Ai Amiga,
O voss'amig', ai amiga,
de que vos muito fiades,
tanto quer'eu que sabiades:
que ũa, que Deus maldiga,
vo-lo tem louc'e tolheito,
e moir'end'eu com despeito.
Nom hei rem que vos asconda
nem vos será encoberto,
mais sabede bem por certo
que ũa, que Deus cofonda,
vo-lo tem louc'e tolheito,
e moir'end'eu com despeito.
Nom sei molher que se pague
de lh'outras o seu amigo
filhar, e por en vos digo
que ũa, que Deus estrague,
vo-lo tem louc'e tolheito,
e moir'end'eu com despeito.
E faço mui gram dereito,
pois quero vosso proveito.
de que vos muito fiades,
tanto quer'eu que sabiades:
que ũa, que Deus maldiga,
vo-lo tem louc'e tolheito,
e moir'end'eu com despeito.
Nom hei rem que vos asconda
nem vos será encoberto,
mais sabede bem por certo
que ũa, que Deus cofonda,
vo-lo tem louc'e tolheito,
e moir'end'eu com despeito.
Nom sei molher que se pague
de lh'outras o seu amigo
filhar, e por en vos digo
que ũa, que Deus estrague,
vo-lo tem louc'e tolheito,
e moir'end'eu com despeito.
E faço mui gram dereito,
pois quero vosso proveito.
353
Estêvão da Guarda
A Molher D'alvar Rodriguiz Tomou
A molher d'Alvar Rodriguiz tomou
tal queixume quando s'el foi daquém
e a leixou que, por mal nem por bem,
des que veo, nunca s'a el chegou
nem quer chegar, se del certa nom é,
jurando-lhe ante que, a bõa fé,
nõn'a er leixe como a leixou.
E o cativo, per poder que há,
nõn'a pode desta seita partir,
nem per meaças nem pela ferir,
ela por en nẽũa rem nom dá;
mais, se a quer desta sanha tirar,
a bõa fé lhe convém a jurar
que a nom leixe em nẽum tempo já.
tal queixume quando s'el foi daquém
e a leixou que, por mal nem por bem,
des que veo, nunca s'a el chegou
nem quer chegar, se del certa nom é,
jurando-lhe ante que, a bõa fé,
nõn'a er leixe como a leixou.
E o cativo, per poder que há,
nõn'a pode desta seita partir,
nem per meaças nem pela ferir,
ela por en nẽũa rem nom dá;
mais, se a quer desta sanha tirar,
a bõa fé lhe convém a jurar
que a nom leixe em nẽum tempo já.
569
Estêvão da Guarda
Martim Gil, Um Homem Vil
Martim Gil, um homem vil
se quer de vós querelar:
que o mandastes atar
cruamente a um esteo,
dando-lh'açoutes bem mil;
e aquesto, Martim Gil,
parece a todos mui feo.
Nõn'o posso end'eu partir,
pero que o já roguei,
que se nom queix'end'a 'l-rei:
ca se sente tam maltreito
que nom cuida en guarir;
e, Martim Gil, quen'o vir,
parece mui lai, de feito.
Tam cruamente e tam mal
diz que foi ferido entom
que teedes i cajom,
[se] s'el desto nom guarece;
é aquesto feito tal,
Martim Gil, tam desigual,
ca já mui peior parece.
se quer de vós querelar:
que o mandastes atar
cruamente a um esteo,
dando-lh'açoutes bem mil;
e aquesto, Martim Gil,
parece a todos mui feo.
Nõn'o posso end'eu partir,
pero que o já roguei,
que se nom queix'end'a 'l-rei:
ca se sente tam maltreito
que nom cuida en guarir;
e, Martim Gil, quen'o vir,
parece mui lai, de feito.
Tam cruamente e tam mal
diz que foi ferido entom
que teedes i cajom,
[se] s'el desto nom guarece;
é aquesto feito tal,
Martim Gil, tam desigual,
ca já mui peior parece.
877
D. Dinis
Por Deus, Punhade de Veerdes Meu
Por Deus, punhade de veerdes meu
amig', amiga, que aqui chegou,
e dizede-lhi, pero me foi greu
o que m'el já muitas vezes rogou,
que lhi faria end'eu o prazer,
mais tolhe-m'ende mia madr'o poder.
De o veerdes gradecer-vo-lo-ei,
ca sabedes quant'há que me serviu,
e dizede-lhi, pero lh'estranhei
o que m'el rogou cada que me viu,
que lhi faria end'eu o prazer,
mais tolhe-m'ende mia madr'o poder.
De o veerdes gram prazer hei i,
pois do meu bem desasperad'está;
por end', amiga, dizede-lh'assi:
que o que m'el per vezes rogou já
que lhi faria end'eu o prazer,
mais tolhe-m'ende mia madr'o poder.
E por aquesto nom hei eu poder
de fazer a mim nem a el prazer.
amig', amiga, que aqui chegou,
e dizede-lhi, pero me foi greu
o que m'el já muitas vezes rogou,
que lhi faria end'eu o prazer,
mais tolhe-m'ende mia madr'o poder.
De o veerdes gradecer-vo-lo-ei,
ca sabedes quant'há que me serviu,
e dizede-lhi, pero lh'estranhei
o que m'el rogou cada que me viu,
que lhi faria end'eu o prazer,
mais tolhe-m'ende mia madr'o poder.
De o veerdes gram prazer hei i,
pois do meu bem desasperad'está;
por end', amiga, dizede-lh'assi:
que o que m'el per vezes rogou já
que lhi faria end'eu o prazer,
mais tolhe-m'ende mia madr'o poder.
E por aquesto nom hei eu poder
de fazer a mim nem a el prazer.
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