Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
António Ramos Rosa
40. o Cão Sem Sombra E a Face Oblíqua
40
O cão sem sombra e a face oblíqua
na infância azul da face
uma janela alta o vazio os astros.
Um gesto da matéria amorosa negra
a flecha do não ser na ferrugem do muro
a questão interrompida o sexo nu.
Quando no opaco a oblíqua ferida
rasga as paralelas do ser e a flecha fere
a outra flecha vermelha na ferrugem.
O cão sem sombra e a face oblíqua
na infância azul da face
uma janela alta o vazio os astros.
Um gesto da matéria amorosa negra
a flecha do não ser na ferrugem do muro
a questão interrompida o sexo nu.
Quando no opaco a oblíqua ferida
rasga as paralelas do ser e a flecha fere
a outra flecha vermelha na ferrugem.
1 086
António Ramos Rosa
40. o Cão Sem Sombra E a Face Oblíqua
40
O cão sem sombra e a face oblíqua
na infância azul da face
uma janela alta o vazio os astros.
Um gesto da matéria amorosa negra
a flecha do não ser na ferrugem do muro
a questão interrompida o sexo nu.
Quando no opaco a oblíqua ferida
rasga as paralelas do ser e a flecha fere
a outra flecha vermelha na ferrugem.
O cão sem sombra e a face oblíqua
na infância azul da face
uma janela alta o vazio os astros.
Um gesto da matéria amorosa negra
a flecha do não ser na ferrugem do muro
a questão interrompida o sexo nu.
Quando no opaco a oblíqua ferida
rasga as paralelas do ser e a flecha fere
a outra flecha vermelha na ferrugem.
1 086
António Ramos Rosa
41. Este (Adormecido) Na Substância do Sopro
41
Este (adormecido) na substância do sopro
triste na rua triste
entristecendo a rua na sua estreita altura.
Este (o outro) o nome que passeia
de árvore em árvore e não pergunta
conhece o quê e os seus telhados e os seus trapos.
Conhece o quê? desconhece a rosa
ele adormecido na multidão de pedra
conhece algum recurso que é o seu próprio curso.
Este (adormecido) na substância do sopro
triste na rua triste
entristecendo a rua na sua estreita altura.
Este (o outro) o nome que passeia
de árvore em árvore e não pergunta
conhece o quê e os seus telhados e os seus trapos.
Conhece o quê? desconhece a rosa
ele adormecido na multidão de pedra
conhece algum recurso que é o seu próprio curso.
982
António Ramos Rosa
41. Este (Adormecido) Na Substância do Sopro
41
Este (adormecido) na substância do sopro
triste na rua triste
entristecendo a rua na sua estreita altura.
Este (o outro) o nome que passeia
de árvore em árvore e não pergunta
conhece o quê e os seus telhados e os seus trapos.
Conhece o quê? desconhece a rosa
ele adormecido na multidão de pedra
conhece algum recurso que é o seu próprio curso.
Este (adormecido) na substância do sopro
triste na rua triste
entristecendo a rua na sua estreita altura.
Este (o outro) o nome que passeia
de árvore em árvore e não pergunta
conhece o quê e os seus telhados e os seus trapos.
Conhece o quê? desconhece a rosa
ele adormecido na multidão de pedra
conhece algum recurso que é o seu próprio curso.
982
António Ramos Rosa
24. Alguém o Disse — o Jorro
24
Alguém o disse — o jorro
das pernas brancas e as jarras azuis
exuberância imprópria de ser pobre.
Mas há uma florescência vivaz e límpida
na pobreza essencial contra o sentido
da autoridade — isto é
uma arbitrária terra que é a terra
invisível visível pobre e rica.
Terra serás salva serás terra
e se não o fores aqui se nunca fores
que sejas negação e negação
e tristeza e pobreza e nunca aberta.
Alguém o disse — o jorro
das pernas brancas e as jarras azuis
exuberância imprópria de ser pobre.
Mas há uma florescência vivaz e límpida
na pobreza essencial contra o sentido
da autoridade — isto é
uma arbitrária terra que é a terra
invisível visível pobre e rica.
Terra serás salva serás terra
e se não o fores aqui se nunca fores
que sejas negação e negação
e tristeza e pobreza e nunca aberta.
1 123
António Ramos Rosa
30. Há Uma Luz Sobre As Arcadas
30
Há uma luz sobre as arcadas
e os indecisos contornos na agonia
nos limites que não resistem
e que resistem sílaba a sílaba
milimetricamente sinais de
uma preciosa intensidade de infância ardente.
Foi no súbito acesso na agonia
dos sinais que os sinais agregam
que a destruição não se destruiu
no seio inverso regressão da árvore.
Há uma luz sobre as arcadas
e os indecisos contornos na agonia
nos limites que não resistem
e que resistem sílaba a sílaba
milimetricamente sinais de
uma preciosa intensidade de infância ardente.
Foi no súbito acesso na agonia
dos sinais que os sinais agregam
que a destruição não se destruiu
no seio inverso regressão da árvore.
1 116
António Ramos Rosa
30. Há Uma Luz Sobre As Arcadas
30
Há uma luz sobre as arcadas
e os indecisos contornos na agonia
nos limites que não resistem
e que resistem sílaba a sílaba
milimetricamente sinais de
uma preciosa intensidade de infância ardente.
Foi no súbito acesso na agonia
dos sinais que os sinais agregam
que a destruição não se destruiu
no seio inverso regressão da árvore.
Há uma luz sobre as arcadas
e os indecisos contornos na agonia
nos limites que não resistem
e que resistem sílaba a sílaba
milimetricamente sinais de
uma preciosa intensidade de infância ardente.
Foi no súbito acesso na agonia
dos sinais que os sinais agregam
que a destruição não se destruiu
no seio inverso regressão da árvore.
1 116
António Ramos Rosa
60. Não Oculto a Visão Da
60
Não oculto a visão da
variável paisagem mínima que
seria do desejo sanguíneo deste dedo
nem a pulsão de uma palavra insecto.
O que oculto não sei, o que desejo é a árvore,
a expulsão do pai, substituto, o verde
crepúsculo de uma escrita pobre
no pré-formal desejo da forma e da não forma.
O mais depressa cai sobre a folha: escreve-se
sem a razão do ritmo, o espaço e ainda um ritmo,
uma pressão ou um quase nada, umas palavras
que não dão vida, que não vivem, aqui são.
Não oculto a visão da
variável paisagem mínima que
seria do desejo sanguíneo deste dedo
nem a pulsão de uma palavra insecto.
O que oculto não sei, o que desejo é a árvore,
a expulsão do pai, substituto, o verde
crepúsculo de uma escrita pobre
no pré-formal desejo da forma e da não forma.
O mais depressa cai sobre a folha: escreve-se
sem a razão do ritmo, o espaço e ainda um ritmo,
uma pressão ou um quase nada, umas palavras
que não dão vida, que não vivem, aqui são.
1 142
António Ramos Rosa
28. Trémulas — de Quê — Ó Trémulas
28
Trémulas — de quê — ó trémulas.
Os raios imperceptíveis mas
cobrindo o aspecto da sombra e o seio da pomba.
Abrem-se e não cintilam pobres de
pobreza da terra não dita ou impossível
ou ainda e sempre e sempre oculta
o não da terra sendo a terra única.
Trémulas e pobres, pobres trémulas
vamos, abram-se aqui sem nenhuma
poesia na não terra mas terra pobre terra.
Trémulas — de quê — ó trémulas.
Os raios imperceptíveis mas
cobrindo o aspecto da sombra e o seio da pomba.
Abrem-se e não cintilam pobres de
pobreza da terra não dita ou impossível
ou ainda e sempre e sempre oculta
o não da terra sendo a terra única.
Trémulas e pobres, pobres trémulas
vamos, abram-se aqui sem nenhuma
poesia na não terra mas terra pobre terra.
1 079
António Ramos Rosa
28. Trémulas — de Quê — Ó Trémulas
28
Trémulas — de quê — ó trémulas.
Os raios imperceptíveis mas
cobrindo o aspecto da sombra e o seio da pomba.
Abrem-se e não cintilam pobres de
pobreza da terra não dita ou impossível
ou ainda e sempre e sempre oculta
o não da terra sendo a terra única.
Trémulas e pobres, pobres trémulas
vamos, abram-se aqui sem nenhuma
poesia na não terra mas terra pobre terra.
Trémulas — de quê — ó trémulas.
Os raios imperceptíveis mas
cobrindo o aspecto da sombra e o seio da pomba.
Abrem-se e não cintilam pobres de
pobreza da terra não dita ou impossível
ou ainda e sempre e sempre oculta
o não da terra sendo a terra única.
Trémulas e pobres, pobres trémulas
vamos, abram-se aqui sem nenhuma
poesia na não terra mas terra pobre terra.
1 079
António Ramos Rosa
44. Permanecer Aqui (E Quando?)
44
Permanecer aqui (e quando?)
iniciará o quando que não se sabe
e adoraremos o sol do corpo breve.
No percurso ou no aspecto da sombra
abriremos um veio de felicidade límpida
e seremos os que não sabem e salvam
a brevidade do não viver sem sol.
Animais e barcos cintilações e sombras
pureza das pernas sem adornos nobres
pedra da permanência e do percurso límpido.
Permanecer aqui (e quando?)
iniciará o quando que não se sabe
e adoraremos o sol do corpo breve.
No percurso ou no aspecto da sombra
abriremos um veio de felicidade límpida
e seremos os que não sabem e salvam
a brevidade do não viver sem sol.
Animais e barcos cintilações e sombras
pureza das pernas sem adornos nobres
pedra da permanência e do percurso límpido.
927
António Ramos Rosa
26. Aprendi o Jogo E o Não Jogo
26
Aprendi o jogo e o não jogo
com a lâmpada obscura na nudez das ervas
declinando sempre a perda das palavras
e a prática pedestre das pernas obscenas.
Restituir e não restituir ou seja o rastro
os joelhos negros o incêndio límpido
e sóbrio membro o único unicórnio.
A figura é isto: os quatro membros: e o membro
branco e erecto sol sal e sangue
e a interrupção dos aspectos prática poética.
Aprendi o jogo e o não jogo
com a lâmpada obscura na nudez das ervas
declinando sempre a perda das palavras
e a prática pedestre das pernas obscenas.
Restituir e não restituir ou seja o rastro
os joelhos negros o incêndio límpido
e sóbrio membro o único unicórnio.
A figura é isto: os quatro membros: e o membro
branco e erecto sol sal e sangue
e a interrupção dos aspectos prática poética.
896
António Ramos Rosa
62. Não a Raiva Perspicaz E Ainda Ordenadora
62
Não a raiva perspicaz e ainda ordenadora
mas a perna límpida, mas a perna negra
será obsessão atravessando a página
até à periferia ou à margem de cada
verso ou linha do texto ou do poema
ou não poema. Tudo o que é poema,
inanição — a lâmpada da inanição existe
num bairro pobre a uma esquina visível.
Essa lâmpada é de um amarelo de larva
e revela toda a solidão inenarrável.
Ela é a lâmpada mais triste: o informulado existe.
Não a raiva perspicaz e ainda ordenadora
mas a perna límpida, mas a perna negra
será obsessão atravessando a página
até à periferia ou à margem de cada
verso ou linha do texto ou do poema
ou não poema. Tudo o que é poema,
inanição — a lâmpada da inanição existe
num bairro pobre a uma esquina visível.
Essa lâmpada é de um amarelo de larva
e revela toda a solidão inenarrável.
Ela é a lâmpada mais triste: o informulado existe.
1 047
António Ramos Rosa
62. Não a Raiva Perspicaz E Ainda Ordenadora
62
Não a raiva perspicaz e ainda ordenadora
mas a perna límpida, mas a perna negra
será obsessão atravessando a página
até à periferia ou à margem de cada
verso ou linha do texto ou do poema
ou não poema. Tudo o que é poema,
inanição — a lâmpada da inanição existe
num bairro pobre a uma esquina visível.
Essa lâmpada é de um amarelo de larva
e revela toda a solidão inenarrável.
Ela é a lâmpada mais triste: o informulado existe.
Não a raiva perspicaz e ainda ordenadora
mas a perna límpida, mas a perna negra
será obsessão atravessando a página
até à periferia ou à margem de cada
verso ou linha do texto ou do poema
ou não poema. Tudo o que é poema,
inanição — a lâmpada da inanição existe
num bairro pobre a uma esquina visível.
Essa lâmpada é de um amarelo de larva
e revela toda a solidão inenarrável.
Ela é a lâmpada mais triste: o informulado existe.
1 047
António Ramos Rosa
15. Animado o Poeta Desce
15
Animado o poeta desce
a horizontal escada
para o encontro da lâmpada animal.
Desce até à terra humedecida
buscando a pobreza de uma lâmpada
roxa
sobre uma perna soberba ali perdida.
Desce
até que desce na pobreza
da face de folhagem negra
aranha negra sobre aquela perna
do corpo glorioso.
Animado o poeta desce
a horizontal escada
para o encontro da lâmpada animal.
Desce até à terra humedecida
buscando a pobreza de uma lâmpada
roxa
sobre uma perna soberba ali perdida.
Desce
até que desce na pobreza
da face de folhagem negra
aranha negra sobre aquela perna
do corpo glorioso.
1 143
António Ramos Rosa
32. o Curso No Abandono Na Erva
32
O curso no abandono na erva
sob a curva do seio: a figura
do desenho, luz ou folhagem.
Pomba presente viajando em ramos
de pobreza e solidão ausente
será fatal sua presença branca.
Este o aspecto o solitário incêndio
da parede que restava com as letras vivas
chamas de sangue que ainda sangram vivas.
O curso no abandono na erva
sob a curva do seio: a figura
do desenho, luz ou folhagem.
Pomba presente viajando em ramos
de pobreza e solidão ausente
será fatal sua presença branca.
Este o aspecto o solitário incêndio
da parede que restava com as letras vivas
chamas de sangue que ainda sangram vivas.
1 066
António Ramos Rosa
32. o Curso No Abandono Na Erva
32
O curso no abandono na erva
sob a curva do seio: a figura
do desenho, luz ou folhagem.
Pomba presente viajando em ramos
de pobreza e solidão ausente
será fatal sua presença branca.
Este o aspecto o solitário incêndio
da parede que restava com as letras vivas
chamas de sangue que ainda sangram vivas.
O curso no abandono na erva
sob a curva do seio: a figura
do desenho, luz ou folhagem.
Pomba presente viajando em ramos
de pobreza e solidão ausente
será fatal sua presença branca.
Este o aspecto o solitário incêndio
da parede que restava com as letras vivas
chamas de sangue que ainda sangram vivas.
1 066
António Ramos Rosa
38. Tu Sabes o Sabor do Sono E a Pausa
38
Tu sabes o sabor do sono e a pausa
do sono sobre as pernas luminosas
e mais a secreta terra não vermelha.
Não ardente a escrita aqui: do campo
aranha inocente
de patas musicais
silenciosa deusa na verdura.
Condensando a cabeça e o tronco branco
decepado sobre o não sentir ou não viver
eis o braço o pedaço ardente e frio.
Tu sabes o sabor do sono e a pausa
do sono sobre as pernas luminosas
e mais a secreta terra não vermelha.
Não ardente a escrita aqui: do campo
aranha inocente
de patas musicais
silenciosa deusa na verdura.
Condensando a cabeça e o tronco branco
decepado sobre o não sentir ou não viver
eis o braço o pedaço ardente e frio.
1 113
António Ramos Rosa
63. Branca E Profunda Ausência Que Desvias
63
Branca e profunda ausência que desvias
o vagar e vagas indecisa
a lava que tu levas no declive
aproxima a sombra de outra sombra viva.
E cresces no labirinto, uma palavra bela.
E atónitas pupilas tu deslocas
onde arde um campo nas praias desta noite
e as artérias ardem nos ramos dessa noite.
Não guardes a beleza porque é o terror que arde
a rasar pelo silêncio e lentamente
a grade é sacudida nas artérias.
Não é portanto um caminho, o vagar da tua força
abre-te a solidão e tu dirás a lâmpada
com a insegura mão crestada sobre o muro.
Branca e profunda ausência que desvias
o vagar e vagas indecisa
a lava que tu levas no declive
aproxima a sombra de outra sombra viva.
E cresces no labirinto, uma palavra bela.
E atónitas pupilas tu deslocas
onde arde um campo nas praias desta noite
e as artérias ardem nos ramos dessa noite.
Não guardes a beleza porque é o terror que arde
a rasar pelo silêncio e lentamente
a grade é sacudida nas artérias.
Não é portanto um caminho, o vagar da tua força
abre-te a solidão e tu dirás a lâmpada
com a insegura mão crestada sobre o muro.
1 107
António Ramos Rosa
36. Imagem (Não Ardente Aqui) da Figura
36
Imagem (não ardente aqui) da figura
ardente e enterrada sob o ventre
do cavalo e da mulher ardente igreja
sendo a pausa do seio vermelho e branco.
A nuvem que atravessa o dom da boca
da imagem liberta do deserto
institui o segredo do ouvido da ave
abrindo o horizonte às negras ancas.
Traição presente da nuvem da figura
redução ao simples animal da erva
pedra para saber o segredo do insecto.
Imagem (não ardente aqui) da figura
ardente e enterrada sob o ventre
do cavalo e da mulher ardente igreja
sendo a pausa do seio vermelho e branco.
A nuvem que atravessa o dom da boca
da imagem liberta do deserto
institui o segredo do ouvido da ave
abrindo o horizonte às negras ancas.
Traição presente da nuvem da figura
redução ao simples animal da erva
pedra para saber o segredo do insecto.
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António Ramos Rosa
43. Definição do Dia Pela Palavra do Corpo
43
Definição do dia pela palavra do corpo
aceso: cintilação das imagens sob
a escrita não límpida e escrita impura
da negra verdura do não saber exacto.
A aranha verde da folhagem verde
tece as linhas de linguagem e sombra
ardente e esquece o que tece esquece a arma
o corpo do desejo armas discretas.
Quem saberá do silêncio das folhas
e da perspectiva incendiada sob
a não verdade a confusão o medo.
Definição do dia pela palavra do corpo
aceso: cintilação das imagens sob
a escrita não límpida e escrita impura
da negra verdura do não saber exacto.
A aranha verde da folhagem verde
tece as linhas de linguagem e sombra
ardente e esquece o que tece esquece a arma
o corpo do desejo armas discretas.
Quem saberá do silêncio das folhas
e da perspectiva incendiada sob
a não verdade a confusão o medo.
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António Ramos Rosa
34. a Que For Nua a Nua Nuvem
34
A que for nua a nua nuvem
branca e por ser pobre lâmpada
por amor de Sílvia e suas pernas altas
por amor dos seus pequenos pulsos.
Pela imagem da folha em ti aberta
pelos cabelos pelos ombros por estas sílabas
por todo o frágil fragmento Sílvia
tu serás incandescente como a silva ardente.
Por ti que nunca foste a alta
rapariga que tu foste por ti Sílvia
eu não escrevo as palavras florescentes
mas o túmulo pobre do amor ausente.
A que for nua a nua nuvem
branca e por ser pobre lâmpada
por amor de Sílvia e suas pernas altas
por amor dos seus pequenos pulsos.
Pela imagem da folha em ti aberta
pelos cabelos pelos ombros por estas sílabas
por todo o frágil fragmento Sílvia
tu serás incandescente como a silva ardente.
Por ti que nunca foste a alta
rapariga que tu foste por ti Sílvia
eu não escrevo as palavras florescentes
mas o túmulo pobre do amor ausente.
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