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Poemas neste tema

Emoções e Sentimentos

Edmir Domingues

Edmir Domingues

Pela paz de maio e junho

Posto que estava maio, e resolvido
que nos idos, em grupo, tornaríamos
às fáculas antigas, quando estavam
quanto mais velhas tanto mais acesas,
assim fomos e vimos. Era o tempo
doutra luz, essa que se tem mais forte,
presa na carne e no osso e resguardada
pelas fronteiras rígidas da sombra.

Nas citadas planícies nos perdemos
e era mais que do tato um só caminho
para este externo mundo que nos guarda.
Por elas compreendemos do sentido.
E soubemos que apenas tênues rosas
têm fundações mais fortes do que pedra,
que mais que pedras vale, compreendemos,
a força enclausurada nas raízes

Então fomos ficados neste campo
de teto e espaço e fumo que nos cobre,
porquanto que o soubemos mais seguro
e que os mundos alheios valem menos
visto que em muito grandes são fundados
em brancos alicerces de fumaça.

Considerado o mar, nós nos despimos
do marítimo traje com que estavam
corpos ao sol e à chuva resguardados.
Se era o mar fabricado em movimento
que lhe dá toda a essência e qualidade,
para restarmos todos sobre o verde
e o vermelho do chão que nos ampara.

Que a nossa inconsistência será sempre
o mais caro de nós, ficamos crendo.
Repousa um tédio imenso na certeza.
E então faz-se de bem que a não tenhamos
senão essa de pouca com que temos
que o vermelho do piso, mais o verde,
nos serão toda a paz ambicionada

Que as fáculas não faltem, de resina,
e os limites da sombra estejam longe,
para que seja a paz feita possível
longe das rosas flácidas de estanho,
que essas não têm raízes, e repousa
nas raízes a força do que vive,
ou se têm, ai, são brancas, ai, são tênues,
visto serem construídas de fumaça.

- Seremos vegetais em verde e rubro
nas calendas de junho que vem vindo.
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Edmir Domingues

Edmir Domingues

Das não vindas barcas

Eis-nos cansados do cansaço enorme
que nos penetra os músculos do sono
e em mansa sonolência nos abate
- esperamos as naus que não vieram
cantando uma cantiga muito velha.

As naus de porcelana que trocamos
pelas canções compostas sob o outono,
que há sete dias estariam vindas
não fosse o triste encanto que as deteve
acaso, acaso as luas de naufrágio
dos bruscos temporais que as naus abatem.

Há sete dias estariam vindas.
Há sete dias nossos pés de chumbo
pelos seus frágeis chãos descansariam
de inúteis passos dados sobre o tempo
que ao fim do tempo a nada nos levaram.

Mas se vindas não foram não partiram
e em não terem chegado não levaram
nossos longos cabelos desgrenhados
por longos sete dias de distância,
que a distância seria o pão de trigo
da vida que ficou, porquanto a espera

de espera não passou, nos olhos foscos
não houve conclusão que outra não fosse
que ser na própria essência de inconclusa.

De quando as barcas nossas muito frágeis,
cascos de porcelanas importada
das índias, muito mais do que longínquas,
velas de seda pálida de alguma
península da China, a mais distante,
nos não levaram para aquelas rotas
que Andrômeda ilumina à luz da noite.

Ficamos neste porto imensurável,
maior que as nossas mágoas mais profundas.

Ficamos entre as bússolas inúteis
e os velhos instrumentos de partida,
entregues para sempre à insuficiência
dos nossos pés mais fracos do que as barcas.

E ao nosso amor, que dorme nestas sombras
enroscado entre os galgos do silêncio,
e entre a vaga esperança de que um dia
as naus trocadas toquem neste porto
e inesperadamente se emaranhem
nas magras e enredosas pontas dos
nossos longos cabelos desgrenhados.
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Edmir Domingues

Edmir Domingues

Das não vindas barcas

Eis-nos cansados do cansaço enorme
que nos penetra os músculos do sono
e em mansa sonolência nos abate
- esperamos as naus que não vieram
cantando uma cantiga muito velha.

As naus de porcelana que trocamos
pelas canções compostas sob o outono,
que há sete dias estariam vindas
não fosse o triste encanto que as deteve
acaso, acaso as luas de naufrágio
dos bruscos temporais que as naus abatem.

Há sete dias estariam vindas.
Há sete dias nossos pés de chumbo
pelos seus frágeis chãos descansariam
de inúteis passos dados sobre o tempo
que ao fim do tempo a nada nos levaram.

Mas se vindas não foram não partiram
e em não terem chegado não levaram
nossos longos cabelos desgrenhados
por longos sete dias de distância,
que a distância seria o pão de trigo
da vida que ficou, porquanto a espera

de espera não passou, nos olhos foscos
não houve conclusão que outra não fosse
que ser na própria essência de inconclusa.

De quando as barcas nossas muito frágeis,
cascos de porcelanas importada
das índias, muito mais do que longínquas,
velas de seda pálida de alguma
península da China, a mais distante,
nos não levaram para aquelas rotas
que Andrômeda ilumina à luz da noite.

Ficamos neste porto imensurável,
maior que as nossas mágoas mais profundas.

Ficamos entre as bússolas inúteis
e os velhos instrumentos de partida,
entregues para sempre à insuficiência
dos nossos pés mais fracos do que as barcas.

E ao nosso amor, que dorme nestas sombras
enroscado entre os galgos do silêncio,
e entre a vaga esperança de que um dia
as naus trocadas toquem neste porto
e inesperadamente se emaranhem
nas magras e enredosas pontas dos
nossos longos cabelos desgrenhados.
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