Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Edmir Domingues
soneto XII - Em sereias e mares
Quero hoje uma sereia, mas garanto
não é que já não possa com mulheres,
é que amo as aventuras impossíveis
e o mar de amplo sentido e riso claro.
Seguirei o seu canto, tão perdido
como os barcos antigos que o seguiam,
alga pegada à fronte para sempre,
noite, vermelho e sal nos olhos leves.
Porque o poema nasce de dois sonhos.
(Se os há fêmeas e machos não me consta
mas de dois sonhos tiro e após comparo.)
Que em sereias e mares se desmancham
velas inúteis, noites temporárias,
e a gestação dos mundos de aparência.
não é que já não possa com mulheres,
é que amo as aventuras impossíveis
e o mar de amplo sentido e riso claro.
Seguirei o seu canto, tão perdido
como os barcos antigos que o seguiam,
alga pegada à fronte para sempre,
noite, vermelho e sal nos olhos leves.
Porque o poema nasce de dois sonhos.
(Se os há fêmeas e machos não me consta
mas de dois sonhos tiro e após comparo.)
Que em sereias e mares se desmancham
velas inúteis, noites temporárias,
e a gestação dos mundos de aparência.
699
Edmir Domingues
soneto X - Olhar de Dom Quixote
Não lembre o doce olhar sobre o segredo
que se esconde na luz dos céus de sono,
esqueça sobre o cinza do abandono
que a esperanças inúteis já concedo.
Não saiba que a fumaça de bruxedo
chora porque perdemos nosso trono.
Mas na hora nona então, à luz sem dono,
brincaremos em paz nosso brinquedo.
E até das catedrais virão sorrisos!
0 alegro de compassos imprecisos
virá, de contrabaixo e de fagote.
E os pobres anjos vão morrer de susto
quando virem, contendo a inveja a custo,
em nosso olhar o olhar de Dom Quixote.
que se esconde na luz dos céus de sono,
esqueça sobre o cinza do abandono
que a esperanças inúteis já concedo.
Não saiba que a fumaça de bruxedo
chora porque perdemos nosso trono.
Mas na hora nona então, à luz sem dono,
brincaremos em paz nosso brinquedo.
E até das catedrais virão sorrisos!
0 alegro de compassos imprecisos
virá, de contrabaixo e de fagote.
E os pobres anjos vão morrer de susto
quando virem, contendo a inveja a custo,
em nosso olhar o olhar de Dom Quixote.
679
Edmir Domingues
soneto X - Olhar de Dom Quixote
Não lembre o doce olhar sobre o segredo
que se esconde na luz dos céus de sono,
esqueça sobre o cinza do abandono
que a esperanças inúteis já concedo.
Não saiba que a fumaça de bruxedo
chora porque perdemos nosso trono.
Mas na hora nona então, à luz sem dono,
brincaremos em paz nosso brinquedo.
E até das catedrais virão sorrisos!
0 alegro de compassos imprecisos
virá, de contrabaixo e de fagote.
E os pobres anjos vão morrer de susto
quando virem, contendo a inveja a custo,
em nosso olhar o olhar de Dom Quixote.
que se esconde na luz dos céus de sono,
esqueça sobre o cinza do abandono
que a esperanças inúteis já concedo.
Não saiba que a fumaça de bruxedo
chora porque perdemos nosso trono.
Mas na hora nona então, à luz sem dono,
brincaremos em paz nosso brinquedo.
E até das catedrais virão sorrisos!
0 alegro de compassos imprecisos
virá, de contrabaixo e de fagote.
E os pobres anjos vão morrer de susto
quando virem, contendo a inveja a custo,
em nosso olhar o olhar de Dom Quixote.
679
Edmir Domingues
soneto X - Olhar de Dom Quixote
Não lembre o doce olhar sobre o segredo
que se esconde na luz dos céus de sono,
esqueça sobre o cinza do abandono
que a esperanças inúteis já concedo.
Não saiba que a fumaça de bruxedo
chora porque perdemos nosso trono.
Mas na hora nona então, à luz sem dono,
brincaremos em paz nosso brinquedo.
E até das catedrais virão sorrisos!
0 alegro de compassos imprecisos
virá, de contrabaixo e de fagote.
E os pobres anjos vão morrer de susto
quando virem, contendo a inveja a custo,
em nosso olhar o olhar de Dom Quixote.
que se esconde na luz dos céus de sono,
esqueça sobre o cinza do abandono
que a esperanças inúteis já concedo.
Não saiba que a fumaça de bruxedo
chora porque perdemos nosso trono.
Mas na hora nona então, à luz sem dono,
brincaremos em paz nosso brinquedo.
E até das catedrais virão sorrisos!
0 alegro de compassos imprecisos
virá, de contrabaixo e de fagote.
E os pobres anjos vão morrer de susto
quando virem, contendo a inveja a custo,
em nosso olhar o olhar de Dom Quixote.
679
Edmir Domingues
soneto V - Os loucos e eu somente
Quero os loucos somente, que as crianças
já não são mais ternura e ingenuidade,
e em loucos, neles só, terão reflexos
meus desejos que vêm de infância antiga.
E seremos na sombra as borboletas
de uma sombra maior, de um mundo morto,
mundo em que ardem de febre e enfermidade
os que brincam de roda na calçada.
Comporemos, os loucos e eu somente,
castelos sobre céus abandonados
e um carnaval de lâmpadas mortiças.
E à noite, quando houver faltado o azeite,
cantaremos canções, canções tão lúcidas
que alguns nem saberão que somos loucos.
já não são mais ternura e ingenuidade,
e em loucos, neles só, terão reflexos
meus desejos que vêm de infância antiga.
E seremos na sombra as borboletas
de uma sombra maior, de um mundo morto,
mundo em que ardem de febre e enfermidade
os que brincam de roda na calçada.
Comporemos, os loucos e eu somente,
castelos sobre céus abandonados
e um carnaval de lâmpadas mortiças.
E à noite, quando houver faltado o azeite,
cantaremos canções, canções tão lúcidas
que alguns nem saberão que somos loucos.
658
Edmir Domingues
soneto V - Os loucos e eu somente
Quero os loucos somente, que as crianças
já não são mais ternura e ingenuidade,
e em loucos, neles só, terão reflexos
meus desejos que vêm de infância antiga.
E seremos na sombra as borboletas
de uma sombra maior, de um mundo morto,
mundo em que ardem de febre e enfermidade
os que brincam de roda na calçada.
Comporemos, os loucos e eu somente,
castelos sobre céus abandonados
e um carnaval de lâmpadas mortiças.
E à noite, quando houver faltado o azeite,
cantaremos canções, canções tão lúcidas
que alguns nem saberão que somos loucos.
já não são mais ternura e ingenuidade,
e em loucos, neles só, terão reflexos
meus desejos que vêm de infância antiga.
E seremos na sombra as borboletas
de uma sombra maior, de um mundo morto,
mundo em que ardem de febre e enfermidade
os que brincam de roda na calçada.
Comporemos, os loucos e eu somente,
castelos sobre céus abandonados
e um carnaval de lâmpadas mortiças.
E à noite, quando houver faltado o azeite,
cantaremos canções, canções tão lúcidas
que alguns nem saberão que somos loucos.
658
Edmir Domingues
soneto IV - Carnaval de ilusões
Fantasias de luas esquecidas
entre o enigma da morte e a rosa clara
que em vinho de manhãs se enfeitiçara
e em luz que inspira as ânsias incontidas.
Carnaval de ilusões, que a luz mais rara
fez descer sobre as sombras recolhidas,
que fez brotar do sangue das feridas
uma tímida flor que não brotara.
Busca sem fim da imagem tão somente,
fugida a nosso amor contido e ardente
no adeus que não consola e não compensa.
E entre murmurações de tédio e sono,
mesmo que reste o leito no abandono
o desejo que pede a só presença.
entre o enigma da morte e a rosa clara
que em vinho de manhãs se enfeitiçara
e em luz que inspira as ânsias incontidas.
Carnaval de ilusões, que a luz mais rara
fez descer sobre as sombras recolhidas,
que fez brotar do sangue das feridas
uma tímida flor que não brotara.
Busca sem fim da imagem tão somente,
fugida a nosso amor contido e ardente
no adeus que não consola e não compensa.
E entre murmurações de tédio e sono,
mesmo que reste o leito no abandono
o desejo que pede a só presença.
684
Edmir Domingues
soneto IV - Carnaval de ilusões
Fantasias de luas esquecidas
entre o enigma da morte e a rosa clara
que em vinho de manhãs se enfeitiçara
e em luz que inspira as ânsias incontidas.
Carnaval de ilusões, que a luz mais rara
fez descer sobre as sombras recolhidas,
que fez brotar do sangue das feridas
uma tímida flor que não brotara.
Busca sem fim da imagem tão somente,
fugida a nosso amor contido e ardente
no adeus que não consola e não compensa.
E entre murmurações de tédio e sono,
mesmo que reste o leito no abandono
o desejo que pede a só presença.
entre o enigma da morte e a rosa clara
que em vinho de manhãs se enfeitiçara
e em luz que inspira as ânsias incontidas.
Carnaval de ilusões, que a luz mais rara
fez descer sobre as sombras recolhidas,
que fez brotar do sangue das feridas
uma tímida flor que não brotara.
Busca sem fim da imagem tão somente,
fugida a nosso amor contido e ardente
no adeus que não consola e não compensa.
E entre murmurações de tédio e sono,
mesmo que reste o leito no abandono
o desejo que pede a só presença.
684
Edmir Domingues
soneto IV - Carnaval de ilusões
Fantasias de luas esquecidas
entre o enigma da morte e a rosa clara
que em vinho de manhãs se enfeitiçara
e em luz que inspira as ânsias incontidas.
Carnaval de ilusões, que a luz mais rara
fez descer sobre as sombras recolhidas,
que fez brotar do sangue das feridas
uma tímida flor que não brotara.
Busca sem fim da imagem tão somente,
fugida a nosso amor contido e ardente
no adeus que não consola e não compensa.
E entre murmurações de tédio e sono,
mesmo que reste o leito no abandono
o desejo que pede a só presença.
entre o enigma da morte e a rosa clara
que em vinho de manhãs se enfeitiçara
e em luz que inspira as ânsias incontidas.
Carnaval de ilusões, que a luz mais rara
fez descer sobre as sombras recolhidas,
que fez brotar do sangue das feridas
uma tímida flor que não brotara.
Busca sem fim da imagem tão somente,
fugida a nosso amor contido e ardente
no adeus que não consola e não compensa.
E entre murmurações de tédio e sono,
mesmo que reste o leito no abandono
o desejo que pede a só presença.
684
Edmir Domingues
soneto XVIII - A corda
Funâmbulo da corda desencanto
o limpa-chaminés que a vida tenta
despiu a veste antiga, por cinzenta,
resolvido abandono a pós e a pranto.
O grito do metal que vibra tanto,
a marcha de trombetas o atormenta,
porque em mil novecentos e cinquenta
no circo não devia achar-se encanto.
Há três cavalos brancos como a neve
trotando sob a corda um trote leve,
presença que distrai nossa vertigem.
Mas quem vive e quem pensa sempre errado
suja sempre, num gesto atrapalhado,
os três cavalos brancos, de fuligem.
o limpa-chaminés que a vida tenta
despiu a veste antiga, por cinzenta,
resolvido abandono a pós e a pranto.
O grito do metal que vibra tanto,
a marcha de trombetas o atormenta,
porque em mil novecentos e cinquenta
no circo não devia achar-se encanto.
Há três cavalos brancos como a neve
trotando sob a corda um trote leve,
presença que distrai nossa vertigem.
Mas quem vive e quem pensa sempre errado
suja sempre, num gesto atrapalhado,
os três cavalos brancos, de fuligem.
731
Edmir Domingues
Pela paz de maio e junho
Posto que estava maio, e resolvido
que nos idos, em grupo, tornaríamos
às fáculas antigas, quando estavam
quanto mais velhas tanto mais acesas,
assim fomos e vimos. Era o tempo
doutra luz, essa que se tem mais forte,
presa na carne e no osso e resguardada
pelas fronteiras rígidas da sombra.
Nas citadas planícies nos perdemos
e era mais que do tato um só caminho
para este externo mundo que nos guarda.
Por elas compreendemos do sentido.
E soubemos que apenas tênues rosas
têm fundações mais fortes do que pedra,
que mais que pedras vale, compreendemos,
a força enclausurada nas raízes
Então fomos ficados neste campo
de teto e espaço e fumo que nos cobre,
porquanto que o soubemos mais seguro
e que os mundos alheios valem menos
visto que em muito grandes são fundados
em brancos alicerces de fumaça.
Considerado o mar, nós nos despimos
do marítimo traje com que estavam
corpos ao sol e à chuva resguardados.
Se era o mar fabricado em movimento
que lhe dá toda a essência e qualidade,
para restarmos todos sobre o verde
e o vermelho do chão que nos ampara.
Que a nossa inconsistência será sempre
o mais caro de nós, ficamos crendo.
Repousa um tédio imenso na certeza.
E então faz-se de bem que a não tenhamos
senão essa de pouca com que temos
que o vermelho do piso, mais o verde,
nos serão toda a paz ambicionada
Que as fáculas não faltem, de resina,
e os limites da sombra estejam longe,
para que seja a paz feita possível
longe das rosas flácidas de estanho,
que essas não têm raízes, e repousa
nas raízes a força do que vive,
ou se têm, ai, são brancas, ai, são tênues,
visto serem construídas de fumaça.
- Seremos vegetais em verde e rubro
nas calendas de junho que vem vindo.
que nos idos, em grupo, tornaríamos
às fáculas antigas, quando estavam
quanto mais velhas tanto mais acesas,
assim fomos e vimos. Era o tempo
doutra luz, essa que se tem mais forte,
presa na carne e no osso e resguardada
pelas fronteiras rígidas da sombra.
Nas citadas planícies nos perdemos
e era mais que do tato um só caminho
para este externo mundo que nos guarda.
Por elas compreendemos do sentido.
E soubemos que apenas tênues rosas
têm fundações mais fortes do que pedra,
que mais que pedras vale, compreendemos,
a força enclausurada nas raízes
Então fomos ficados neste campo
de teto e espaço e fumo que nos cobre,
porquanto que o soubemos mais seguro
e que os mundos alheios valem menos
visto que em muito grandes são fundados
em brancos alicerces de fumaça.
Considerado o mar, nós nos despimos
do marítimo traje com que estavam
corpos ao sol e à chuva resguardados.
Se era o mar fabricado em movimento
que lhe dá toda a essência e qualidade,
para restarmos todos sobre o verde
e o vermelho do chão que nos ampara.
Que a nossa inconsistência será sempre
o mais caro de nós, ficamos crendo.
Repousa um tédio imenso na certeza.
E então faz-se de bem que a não tenhamos
senão essa de pouca com que temos
que o vermelho do piso, mais o verde,
nos serão toda a paz ambicionada
Que as fáculas não faltem, de resina,
e os limites da sombra estejam longe,
para que seja a paz feita possível
longe das rosas flácidas de estanho,
que essas não têm raízes, e repousa
nas raízes a força do que vive,
ou se têm, ai, são brancas, ai, são tênues,
visto serem construídas de fumaça.
- Seremos vegetais em verde e rubro
nas calendas de junho que vem vindo.
606
Edmir Domingues
Segundo soneto da estrela
Joguei o amor na távola das cartas
e a túnica inconsútil foi lembrança
cansadas de malogro as falas fartas
foram silêncio e gestos de esquivança.
E se olhos visto e ouvidos não conservo
nas vertentes do sonho me dissolvo,
e, quando noite, a noite sinto e observo
olhos que são tentáculos de polvo.
Por isso a sombra é ingrata e traz venenos.
Negado à intimidade o teu sorriso
os imprevistos fazem-se pequenos
e tudo veste a roupa do impreciso.
Somente, à superfície, antigas mágoas
e a estrela, estranha flor, á flor das águas.
e a túnica inconsútil foi lembrança
cansadas de malogro as falas fartas
foram silêncio e gestos de esquivança.
E se olhos visto e ouvidos não conservo
nas vertentes do sonho me dissolvo,
e, quando noite, a noite sinto e observo
olhos que são tentáculos de polvo.
Por isso a sombra é ingrata e traz venenos.
Negado à intimidade o teu sorriso
os imprevistos fazem-se pequenos
e tudo veste a roupa do impreciso.
Somente, à superfície, antigas mágoas
e a estrela, estranha flor, á flor das águas.
813
Edmir Domingues
Segundo soneto da estrela
Joguei o amor na távola das cartas
e a túnica inconsútil foi lembrança
cansadas de malogro as falas fartas
foram silêncio e gestos de esquivança.
E se olhos visto e ouvidos não conservo
nas vertentes do sonho me dissolvo,
e, quando noite, a noite sinto e observo
olhos que são tentáculos de polvo.
Por isso a sombra é ingrata e traz venenos.
Negado à intimidade o teu sorriso
os imprevistos fazem-se pequenos
e tudo veste a roupa do impreciso.
Somente, à superfície, antigas mágoas
e a estrela, estranha flor, á flor das águas.
e a túnica inconsútil foi lembrança
cansadas de malogro as falas fartas
foram silêncio e gestos de esquivança.
E se olhos visto e ouvidos não conservo
nas vertentes do sonho me dissolvo,
e, quando noite, a noite sinto e observo
olhos que são tentáculos de polvo.
Por isso a sombra é ingrata e traz venenos.
Negado à intimidade o teu sorriso
os imprevistos fazem-se pequenos
e tudo veste a roupa do impreciso.
Somente, à superfície, antigas mágoas
e a estrela, estranha flor, á flor das águas.
813
Edmir Domingues
Canção amarga
A pompa e a circunstância não me tentam.
Sei dos males do mundo, da humildade
que devem ter os que andam pelo Vale.
Se a vida é breve e vã, como sabermos,
se vamos, se não vamos para a morte?
A morte ê a companheira cotidiana.
A segurança ê um mito, a rosa esconde
o novelo das línguas bipartidas
das áspides que estão sob a folhagem.
A traição é o Nome, a permanência
nestes tempos de coisas provisórias,
o uisque das garrafas é tão falso
quanto a moeda com que foi comprado.
0 mar da mágoa é vivo e vai tragando
o escuro barco nosso, que desaba.
Náufrago. Exista, pois, essa coragem
de assim reconhecer, porque é preciso.
0 resto é a noite, a noite imensa, a noite,
a noite dos mais trágicos fantasmas,
onde vêm ecoar risos convulsos
da convulsa histeria onipresente,
a circunstância e a pompa que a outros tentam.
Sei dos males do mundo, da humildade
que devem ter os que andam pelo Vale.
Se a vida é breve e vã, como sabermos,
se vamos, se não vamos para a morte?
A morte ê a companheira cotidiana.
A segurança ê um mito, a rosa esconde
o novelo das línguas bipartidas
das áspides que estão sob a folhagem.
A traição é o Nome, a permanência
nestes tempos de coisas provisórias,
o uisque das garrafas é tão falso
quanto a moeda com que foi comprado.
0 mar da mágoa é vivo e vai tragando
o escuro barco nosso, que desaba.
Náufrago. Exista, pois, essa coragem
de assim reconhecer, porque é preciso.
0 resto é a noite, a noite imensa, a noite,
a noite dos mais trágicos fantasmas,
onde vêm ecoar risos convulsos
da convulsa histeria onipresente,
a circunstância e a pompa que a outros tentam.
768
Edmir Domingues
Canção amarga
A pompa e a circunstância não me tentam.
Sei dos males do mundo, da humildade
que devem ter os que andam pelo Vale.
Se a vida é breve e vã, como sabermos,
se vamos, se não vamos para a morte?
A morte ê a companheira cotidiana.
A segurança ê um mito, a rosa esconde
o novelo das línguas bipartidas
das áspides que estão sob a folhagem.
A traição é o Nome, a permanência
nestes tempos de coisas provisórias,
o uisque das garrafas é tão falso
quanto a moeda com que foi comprado.
0 mar da mágoa é vivo e vai tragando
o escuro barco nosso, que desaba.
Náufrago. Exista, pois, essa coragem
de assim reconhecer, porque é preciso.
0 resto é a noite, a noite imensa, a noite,
a noite dos mais trágicos fantasmas,
onde vêm ecoar risos convulsos
da convulsa histeria onipresente,
a circunstância e a pompa que a outros tentam.
Sei dos males do mundo, da humildade
que devem ter os que andam pelo Vale.
Se a vida é breve e vã, como sabermos,
se vamos, se não vamos para a morte?
A morte ê a companheira cotidiana.
A segurança ê um mito, a rosa esconde
o novelo das línguas bipartidas
das áspides que estão sob a folhagem.
A traição é o Nome, a permanência
nestes tempos de coisas provisórias,
o uisque das garrafas é tão falso
quanto a moeda com que foi comprado.
0 mar da mágoa é vivo e vai tragando
o escuro barco nosso, que desaba.
Náufrago. Exista, pois, essa coragem
de assim reconhecer, porque é preciso.
0 resto é a noite, a noite imensa, a noite,
a noite dos mais trágicos fantasmas,
onde vêm ecoar risos convulsos
da convulsa histeria onipresente,
a circunstância e a pompa que a outros tentam.
768
Edmir Domingues
O espelho retrovisor
Vejo o presente de há pouco
no espelho retrovisor.
A casa passada, a árvore
passada, o tempo passado,
no espelho retrovisor,
espelho que me devolve
o meu presente de há pouco.
Eis reflito. Ou quem reflete
é o espelho da viatura?
Siqo em frente. Vale a pena
acaso seguir-se em frente?
Mas há que às vezes não há
sequer um outro caminho.
Nossas pernas de borracha,
nossas pernas circulares,
nos levam irremediável-
mente em frente, sempre em frente.
As nossas pernas de carne
acaso não serviriam
para o andarmos em círculo?
Marchar a ré faz-se inútil
no engano do reencontro.
Não é o mesmo o momento,
nem ê a mesma a paisagem,
cairam folhas das árvores
e pensamentos da fronte.
O espelho retrovisor
é apenas um engano
a mais, no jogo de enganos.
Espelho, luz apresada
nos seus limites estreitos,
espelho que não devolve
o infante na sua infância,
nos mostra o inda há pouco e mostra
o inevitável caminho.
no espelho retrovisor.
A casa passada, a árvore
passada, o tempo passado,
no espelho retrovisor,
espelho que me devolve
o meu presente de há pouco.
Eis reflito. Ou quem reflete
é o espelho da viatura?
Siqo em frente. Vale a pena
acaso seguir-se em frente?
Mas há que às vezes não há
sequer um outro caminho.
Nossas pernas de borracha,
nossas pernas circulares,
nos levam irremediável-
mente em frente, sempre em frente.
As nossas pernas de carne
acaso não serviriam
para o andarmos em círculo?
Marchar a ré faz-se inútil
no engano do reencontro.
Não é o mesmo o momento,
nem ê a mesma a paisagem,
cairam folhas das árvores
e pensamentos da fronte.
O espelho retrovisor
é apenas um engano
a mais, no jogo de enganos.
Espelho, luz apresada
nos seus limites estreitos,
espelho que não devolve
o infante na sua infância,
nos mostra o inda há pouco e mostra
o inevitável caminho.
856
Edmir Domingues
Outubro vegetal
Por fim, descido às águias repousadas
nas planícies de vidro, redescubro,
após vermelhos dias, quando outubro,
os dias verde-claros das calçadas.
Para voltar à luz tornada em rubro
e esquecer-me das rosas desfolhadas
nascidas sobre as mesas enceradas,
imprecisas demais à luz de outubro.
Profundamente paz me faço em planos
olhos mais vegetais que mesmo humanos
feitos hoje por folha em vez de saia.
Se ao vermelho por fim sucede o verde
e antigo afã de mar se turva e perde
nos gestos de alamanda e samambaia
nas planícies de vidro, redescubro,
após vermelhos dias, quando outubro,
os dias verde-claros das calçadas.
Para voltar à luz tornada em rubro
e esquecer-me das rosas desfolhadas
nascidas sobre as mesas enceradas,
imprecisas demais à luz de outubro.
Profundamente paz me faço em planos
olhos mais vegetais que mesmo humanos
feitos hoje por folha em vez de saia.
Se ao vermelho por fim sucede o verde
e antigo afã de mar se turva e perde
nos gestos de alamanda e samambaia
791
Edmir Domingues
Das não vindas barcas
Eis-nos cansados do cansaço enorme
que nos penetra os músculos do sono
e em mansa sonolência nos abate
- esperamos as naus que não vieram
cantando uma cantiga muito velha.
As naus de porcelana que trocamos
pelas canções compostas sob o outono,
que há sete dias estariam vindas
não fosse o triste encanto que as deteve
acaso, acaso as luas de naufrágio
dos bruscos temporais que as naus abatem.
Há sete dias estariam vindas.
Há sete dias nossos pés de chumbo
pelos seus frágeis chãos descansariam
de inúteis passos dados sobre o tempo
que ao fim do tempo a nada nos levaram.
Mas se vindas não foram não partiram
e em não terem chegado não levaram
nossos longos cabelos desgrenhados
por longos sete dias de distância,
que a distância seria o pão de trigo
da vida que ficou, porquanto a espera
de espera não passou, nos olhos foscos
não houve conclusão que outra não fosse
que ser na própria essência de inconclusa.
De quando as barcas nossas muito frágeis,
cascos de porcelanas importada
das índias, muito mais do que longínquas,
velas de seda pálida de alguma
península da China, a mais distante,
nos não levaram para aquelas rotas
que Andrômeda ilumina à luz da noite.
Ficamos neste porto imensurável,
maior que as nossas mágoas mais profundas.
Ficamos entre as bússolas inúteis
e os velhos instrumentos de partida,
entregues para sempre à insuficiência
dos nossos pés mais fracos do que as barcas.
E ao nosso amor, que dorme nestas sombras
enroscado entre os galgos do silêncio,
e entre a vaga esperança de que um dia
as naus trocadas toquem neste porto
e inesperadamente se emaranhem
nas magras e enredosas pontas dos
nossos longos cabelos desgrenhados.
que nos penetra os músculos do sono
e em mansa sonolência nos abate
- esperamos as naus que não vieram
cantando uma cantiga muito velha.
As naus de porcelana que trocamos
pelas canções compostas sob o outono,
que há sete dias estariam vindas
não fosse o triste encanto que as deteve
acaso, acaso as luas de naufrágio
dos bruscos temporais que as naus abatem.
Há sete dias estariam vindas.
Há sete dias nossos pés de chumbo
pelos seus frágeis chãos descansariam
de inúteis passos dados sobre o tempo
que ao fim do tempo a nada nos levaram.
Mas se vindas não foram não partiram
e em não terem chegado não levaram
nossos longos cabelos desgrenhados
por longos sete dias de distância,
que a distância seria o pão de trigo
da vida que ficou, porquanto a espera
de espera não passou, nos olhos foscos
não houve conclusão que outra não fosse
que ser na própria essência de inconclusa.
De quando as barcas nossas muito frágeis,
cascos de porcelanas importada
das índias, muito mais do que longínquas,
velas de seda pálida de alguma
península da China, a mais distante,
nos não levaram para aquelas rotas
que Andrômeda ilumina à luz da noite.
Ficamos neste porto imensurável,
maior que as nossas mágoas mais profundas.
Ficamos entre as bússolas inúteis
e os velhos instrumentos de partida,
entregues para sempre à insuficiência
dos nossos pés mais fracos do que as barcas.
E ao nosso amor, que dorme nestas sombras
enroscado entre os galgos do silêncio,
e entre a vaga esperança de que um dia
as naus trocadas toquem neste porto
e inesperadamente se emaranhem
nas magras e enredosas pontas dos
nossos longos cabelos desgrenhados.
125
Edmir Domingues
Das não vindas barcas
Eis-nos cansados do cansaço enorme
que nos penetra os músculos do sono
e em mansa sonolência nos abate
- esperamos as naus que não vieram
cantando uma cantiga muito velha.
As naus de porcelana que trocamos
pelas canções compostas sob o outono,
que há sete dias estariam vindas
não fosse o triste encanto que as deteve
acaso, acaso as luas de naufrágio
dos bruscos temporais que as naus abatem.
Há sete dias estariam vindas.
Há sete dias nossos pés de chumbo
pelos seus frágeis chãos descansariam
de inúteis passos dados sobre o tempo
que ao fim do tempo a nada nos levaram.
Mas se vindas não foram não partiram
e em não terem chegado não levaram
nossos longos cabelos desgrenhados
por longos sete dias de distância,
que a distância seria o pão de trigo
da vida que ficou, porquanto a espera
de espera não passou, nos olhos foscos
não houve conclusão que outra não fosse
que ser na própria essência de inconclusa.
De quando as barcas nossas muito frágeis,
cascos de porcelanas importada
das índias, muito mais do que longínquas,
velas de seda pálida de alguma
península da China, a mais distante,
nos não levaram para aquelas rotas
que Andrômeda ilumina à luz da noite.
Ficamos neste porto imensurável,
maior que as nossas mágoas mais profundas.
Ficamos entre as bússolas inúteis
e os velhos instrumentos de partida,
entregues para sempre à insuficiência
dos nossos pés mais fracos do que as barcas.
E ao nosso amor, que dorme nestas sombras
enroscado entre os galgos do silêncio,
e entre a vaga esperança de que um dia
as naus trocadas toquem neste porto
e inesperadamente se emaranhem
nas magras e enredosas pontas dos
nossos longos cabelos desgrenhados.
que nos penetra os músculos do sono
e em mansa sonolência nos abate
- esperamos as naus que não vieram
cantando uma cantiga muito velha.
As naus de porcelana que trocamos
pelas canções compostas sob o outono,
que há sete dias estariam vindas
não fosse o triste encanto que as deteve
acaso, acaso as luas de naufrágio
dos bruscos temporais que as naus abatem.
Há sete dias estariam vindas.
Há sete dias nossos pés de chumbo
pelos seus frágeis chãos descansariam
de inúteis passos dados sobre o tempo
que ao fim do tempo a nada nos levaram.
Mas se vindas não foram não partiram
e em não terem chegado não levaram
nossos longos cabelos desgrenhados
por longos sete dias de distância,
que a distância seria o pão de trigo
da vida que ficou, porquanto a espera
de espera não passou, nos olhos foscos
não houve conclusão que outra não fosse
que ser na própria essência de inconclusa.
De quando as barcas nossas muito frágeis,
cascos de porcelanas importada
das índias, muito mais do que longínquas,
velas de seda pálida de alguma
península da China, a mais distante,
nos não levaram para aquelas rotas
que Andrômeda ilumina à luz da noite.
Ficamos neste porto imensurável,
maior que as nossas mágoas mais profundas.
Ficamos entre as bússolas inúteis
e os velhos instrumentos de partida,
entregues para sempre à insuficiência
dos nossos pés mais fracos do que as barcas.
E ao nosso amor, que dorme nestas sombras
enroscado entre os galgos do silêncio,
e entre a vaga esperança de que um dia
as naus trocadas toquem neste porto
e inesperadamente se emaranhem
nas magras e enredosas pontas dos
nossos longos cabelos desgrenhados.
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Edmir Domingues
soneto XV - Ébrios
Ébrios de busca, bêbedos de sono,
em nosso bairro à rua mais vazia,
fizemos roda, na última folia,
ante o tímido olhar dos cães sem dono.
Os loucos deram flores de abandono,
os limpa-chaminés fuligem fria,
e eu não dei nada, porque não sabia
devesse dar quem parte e deixa o trono.
Mesmo os príncipes bons à contingência
legaram seus castelos de opulência
para às nossas prender as mãos amigas.
E gritamos aos ébrios da taberna
que nós temos no sangue a vida eterna,
que há céu em nossas múltiplas cantigas.
em nosso bairro à rua mais vazia,
fizemos roda, na última folia,
ante o tímido olhar dos cães sem dono.
Os loucos deram flores de abandono,
os limpa-chaminés fuligem fria,
e eu não dei nada, porque não sabia
devesse dar quem parte e deixa o trono.
Mesmo os príncipes bons à contingência
legaram seus castelos de opulência
para às nossas prender as mãos amigas.
E gritamos aos ébrios da taberna
que nós temos no sangue a vida eterna,
que há céu em nossas múltiplas cantigas.
683
Edmir Domingues
Terceiro soneto da estrela
E foi a estrela ao mar; que me buscava
(um olho aberto ao tempo em cada extremo)
no roteiro abissal moldado em lava
intocado lugar por leme e remo.
E o mar fez-se de hermético e fechado
(escondeu-se entre sombras singulares)
e ali por leme e remos intocado
deu-se em voz como a voz que é só dos mares.
0 canto foi presença então, mas leve
presença, quase leve como a minha,
mal começado e esvai-se, de tão breve,
conformado à incerteza e à luz marinha.
- E a estrela foi a mão que acaricia
para quem de a esperar quase morria.
(um olho aberto ao tempo em cada extremo)
no roteiro abissal moldado em lava
intocado lugar por leme e remo.
E o mar fez-se de hermético e fechado
(escondeu-se entre sombras singulares)
e ali por leme e remos intocado
deu-se em voz como a voz que é só dos mares.
0 canto foi presença então, mas leve
presença, quase leve como a minha,
mal começado e esvai-se, de tão breve,
conformado à incerteza e à luz marinha.
- E a estrela foi a mão que acaricia
para quem de a esperar quase morria.
731
Edmir Domingues
soneto XXIII - Asas quebradas
As vozes vêm do inferno e me atormentam
porque falam de sangue, angústia, morte,
e a valsa lenta, agora sepultada,
singularmente lenta, não se escuta.
Eu que fiquei tão só falo por ela,
de meigas esperanças, meigos sonhos,
que em tempo de passado estão dormindo,
inevitavelmente desmanchados.
E a valsa se desfaz que a flauta é névoa
como se o som distante regressara
aos fagotes e aos velhos contrabaixos.
Minhas asas quebradas me atrapalham.
Dolorosas e inúteis que se encontram
já não servem ao voo e à inocência.
porque falam de sangue, angústia, morte,
e a valsa lenta, agora sepultada,
singularmente lenta, não se escuta.
Eu que fiquei tão só falo por ela,
de meigas esperanças, meigos sonhos,
que em tempo de passado estão dormindo,
inevitavelmente desmanchados.
E a valsa se desfaz que a flauta é névoa
como se o som distante regressara
aos fagotes e aos velhos contrabaixos.
Minhas asas quebradas me atrapalham.
Dolorosas e inúteis que se encontram
já não servem ao voo e à inocência.
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Edmir Domingues
soneto XXIII - Asas quebradas
As vozes vêm do inferno e me atormentam
porque falam de sangue, angústia, morte,
e a valsa lenta, agora sepultada,
singularmente lenta, não se escuta.
Eu que fiquei tão só falo por ela,
de meigas esperanças, meigos sonhos,
que em tempo de passado estão dormindo,
inevitavelmente desmanchados.
E a valsa se desfaz que a flauta é névoa
como se o som distante regressara
aos fagotes e aos velhos contrabaixos.
Minhas asas quebradas me atrapalham.
Dolorosas e inúteis que se encontram
já não servem ao voo e à inocência.
porque falam de sangue, angústia, morte,
e a valsa lenta, agora sepultada,
singularmente lenta, não se escuta.
Eu que fiquei tão só falo por ela,
de meigas esperanças, meigos sonhos,
que em tempo de passado estão dormindo,
inevitavelmente desmanchados.
E a valsa se desfaz que a flauta é névoa
como se o som distante regressara
aos fagotes e aos velhos contrabaixos.
Minhas asas quebradas me atrapalham.
Dolorosas e inúteis que se encontram
já não servem ao voo e à inocência.
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Edmir Domingues
soneto XXIII - Asas quebradas
As vozes vêm do inferno e me atormentam
porque falam de sangue, angústia, morte,
e a valsa lenta, agora sepultada,
singularmente lenta, não se escuta.
Eu que fiquei tão só falo por ela,
de meigas esperanças, meigos sonhos,
que em tempo de passado estão dormindo,
inevitavelmente desmanchados.
E a valsa se desfaz que a flauta é névoa
como se o som distante regressara
aos fagotes e aos velhos contrabaixos.
Minhas asas quebradas me atrapalham.
Dolorosas e inúteis que se encontram
já não servem ao voo e à inocência.
porque falam de sangue, angústia, morte,
e a valsa lenta, agora sepultada,
singularmente lenta, não se escuta.
Eu que fiquei tão só falo por ela,
de meigas esperanças, meigos sonhos,
que em tempo de passado estão dormindo,
inevitavelmente desmanchados.
E a valsa se desfaz que a flauta é névoa
como se o som distante regressara
aos fagotes e aos velhos contrabaixos.
Minhas asas quebradas me atrapalham.
Dolorosas e inúteis que se encontram
já não servem ao voo e à inocência.
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