Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Manuel J. Reis
sem título
Havia
um menino
que procurava
a estrela
mais clara da noite.
E encontrou
na noite
a forma mais clara
da dor.
um menino
que procurava
a estrela
mais clara da noite.
E encontrou
na noite
a forma mais clara
da dor.
743
Micheliny Verunschk
Déjà Vu
Olhos que passeiam
pelo boulevard,
pegam o bonde
e imaginam
ou sonham
ou querem
estar no trenzinho caipira.
Olhos que passeiam
pelo boulevard,
tropeçam na calçada
e brincam
ou fingem
ou querem
estar apaixonados.
Olhos que passeiam
pelo boulevard,
fumam um cigarro
tomam um sorvete
assobiam uma cantiga
escrevem um bilhete
cumprimentam outros olhos
e fazem do boulevard
seu eppor si muove.
pelo boulevard,
pegam o bonde
e imaginam
ou sonham
ou querem
estar no trenzinho caipira.
Olhos que passeiam
pelo boulevard,
tropeçam na calçada
e brincam
ou fingem
ou querem
estar apaixonados.
Olhos que passeiam
pelo boulevard,
fumam um cigarro
tomam um sorvete
assobiam uma cantiga
escrevem um bilhete
cumprimentam outros olhos
e fazem do boulevard
seu eppor si muove.
1 090
Mirella Márcia
Segundo Soneto
Meu amor é um antigo montanhês
Que se escondeu na mais estranha gruta.
Há quem diga que em tempos de escassez
Meu amor se transforma em força bruta.
Nestas noites, meu velho se transporta
Na garupa da águia mais sombria,
Sobrevoando a casa cuja porta
Com medo você fecha em correria.
Não vê que tão esquivo aldeão,
Não sabe que tão incrível eremita
Pesquisa em meio à treva um só clarão
Que ilumine a caverna onde habita?
E no entanto na própria gruta escura
Mora o sol, toda a luz que ele procura.
Que se escondeu na mais estranha gruta.
Há quem diga que em tempos de escassez
Meu amor se transforma em força bruta.
Nestas noites, meu velho se transporta
Na garupa da águia mais sombria,
Sobrevoando a casa cuja porta
Com medo você fecha em correria.
Não vê que tão esquivo aldeão,
Não sabe que tão incrível eremita
Pesquisa em meio à treva um só clarão
Que ilumine a caverna onde habita?
E no entanto na própria gruta escura
Mora o sol, toda a luz que ele procura.
906
Maria de Lourdes Hortas
Estações
Poderia afogar-me
na silente cisterna de lágrimas
léguas de um longo tempo extraviado
quando o mar recua
para ermo horizonte
de incompletude e inesperança.
Todavia há marés que me resgatam
réstia de luz por instantes ferindo
a silente espessura da lembrança.
na silente cisterna de lágrimas
léguas de um longo tempo extraviado
quando o mar recua
para ermo horizonte
de incompletude e inesperança.
Todavia há marés que me resgatam
réstia de luz por instantes ferindo
a silente espessura da lembrança.
1 022
Maria de Lourdes Hortas
Estações
Poderia afogar-me
na silente cisterna de lágrimas
léguas de um longo tempo extraviado
quando o mar recua
para ermo horizonte
de incompletude e inesperança.
Todavia há marés que me resgatam
réstia de luz por instantes ferindo
a silente espessura da lembrança.
na silente cisterna de lágrimas
léguas de um longo tempo extraviado
quando o mar recua
para ermo horizonte
de incompletude e inesperança.
Todavia há marés que me resgatam
réstia de luz por instantes ferindo
a silente espessura da lembrança.
1 022
Maria de Lourdes Hortas
Estações
Poderia afogar-me
na silente cisterna de lágrimas
léguas de um longo tempo extraviado
quando o mar recua
para ermo horizonte
de incompletude e inesperança.
Todavia há marés que me resgatam
réstia de luz por instantes ferindo
a silente espessura da lembrança.
na silente cisterna de lágrimas
léguas de um longo tempo extraviado
quando o mar recua
para ermo horizonte
de incompletude e inesperança.
Todavia há marés que me resgatam
réstia de luz por instantes ferindo
a silente espessura da lembrança.
1 022
Maria Inês Gambogi
Resta não misturar as dores
Resta não misturar as dores
cada dor no seu lugar.
Resta não capitular nenhuma dor
dor pode vir ou não disso.
(a justiça como a injustiça hoje
me fazem chorar)
Nenhuma dor presta.
Uma dor nunca se faz companhia
nem de uma outra dor.
Sofra cada dor na casa dessa dor
então sem pranto
sem explicar a dor viva
que no acúmulo de qualquer descaminho
saiba preciso
a dor que chora.
cada dor no seu lugar.
Resta não capitular nenhuma dor
dor pode vir ou não disso.
(a justiça como a injustiça hoje
me fazem chorar)
Nenhuma dor presta.
Uma dor nunca se faz companhia
nem de uma outra dor.
Sofra cada dor na casa dessa dor
então sem pranto
sem explicar a dor viva
que no acúmulo de qualquer descaminho
saiba preciso
a dor que chora.
683
Maria Inês Gambogi
Resta não misturar as dores
Resta não misturar as dores
cada dor no seu lugar.
Resta não capitular nenhuma dor
dor pode vir ou não disso.
(a justiça como a injustiça hoje
me fazem chorar)
Nenhuma dor presta.
Uma dor nunca se faz companhia
nem de uma outra dor.
Sofra cada dor na casa dessa dor
então sem pranto
sem explicar a dor viva
que no acúmulo de qualquer descaminho
saiba preciso
a dor que chora.
cada dor no seu lugar.
Resta não capitular nenhuma dor
dor pode vir ou não disso.
(a justiça como a injustiça hoje
me fazem chorar)
Nenhuma dor presta.
Uma dor nunca se faz companhia
nem de uma outra dor.
Sofra cada dor na casa dessa dor
então sem pranto
sem explicar a dor viva
que no acúmulo de qualquer descaminho
saiba preciso
a dor que chora.
683
Millôr Fernandes
Poesia Escapista
Aqui, onde estamos morando,
O lugar não pode ser mais belo.
São duas colinas e, conseqüentemente,
Um vale. Há um rio. E há um lago.
Doutrinas não há, a não ser as do
"Centro Acadêmico Dom Casmurro".
Mas isso é distante.
De manhã vê-se se o céu está claro
Ou nublado.
Previsões só as sobre o decorrer
(Meteorológico) do dia.
Planos — os de ir a pé ou a cavalo
Para o banho diário.
Os temores locais são poucos:
Se a ponte de madeira fica pronta antes
De São João,
Se o leite chegará para o fornecimento
De manteiga.
Não há estação de rádio.
Alguns benefícios do mundo de 60
Nos chegam pela estrada — penicilina,
Tecidos, matérias plásticas,
Adornos pessoais.
Por milagre, ninguém pede jornais.
Mas as mulheres daqui são bem tratadas
E, felizmente, nada naturais.
Muito prazer de corpo, muito ar.
Luz, água, cavalos, muita vida animal.
Definitiva ligação ao essencial.
Poucos temores, poucos riscos.
Muito pouca aflição:
A China é antiga como antigamente
Não há televisão.
Mas vem, de algum recanto sutil,
A informação
E se planta e cresce insuspeitada
Com outro nome que, traduzido,
Um dia será lido.
Pois é com alegria que o menino
Entra pela casa com um cão,
Seu amigo, seu primeiro grande amigo,
E o apresenta: "Papai, ele se chama Desintegração.
O lugar não pode ser mais belo.
São duas colinas e, conseqüentemente,
Um vale. Há um rio. E há um lago.
Doutrinas não há, a não ser as do
"Centro Acadêmico Dom Casmurro".
Mas isso é distante.
De manhã vê-se se o céu está claro
Ou nublado.
Previsões só as sobre o decorrer
(Meteorológico) do dia.
Planos — os de ir a pé ou a cavalo
Para o banho diário.
Os temores locais são poucos:
Se a ponte de madeira fica pronta antes
De São João,
Se o leite chegará para o fornecimento
De manteiga.
Não há estação de rádio.
Alguns benefícios do mundo de 60
Nos chegam pela estrada — penicilina,
Tecidos, matérias plásticas,
Adornos pessoais.
Por milagre, ninguém pede jornais.
Mas as mulheres daqui são bem tratadas
E, felizmente, nada naturais.
Muito prazer de corpo, muito ar.
Luz, água, cavalos, muita vida animal.
Definitiva ligação ao essencial.
Poucos temores, poucos riscos.
Muito pouca aflição:
A China é antiga como antigamente
Não há televisão.
Mas vem, de algum recanto sutil,
A informação
E se planta e cresce insuspeitada
Com outro nome que, traduzido,
Um dia será lido.
Pois é com alegria que o menino
Entra pela casa com um cão,
Seu amigo, seu primeiro grande amigo,
E o apresenta: "Papai, ele se chama Desintegração.
3 212
Millôr Fernandes
Poesia Escapista
Aqui, onde estamos morando,
O lugar não pode ser mais belo.
São duas colinas e, conseqüentemente,
Um vale. Há um rio. E há um lago.
Doutrinas não há, a não ser as do
"Centro Acadêmico Dom Casmurro".
Mas isso é distante.
De manhã vê-se se o céu está claro
Ou nublado.
Previsões só as sobre o decorrer
(Meteorológico) do dia.
Planos — os de ir a pé ou a cavalo
Para o banho diário.
Os temores locais são poucos:
Se a ponte de madeira fica pronta antes
De São João,
Se o leite chegará para o fornecimento
De manteiga.
Não há estação de rádio.
Alguns benefícios do mundo de 60
Nos chegam pela estrada — penicilina,
Tecidos, matérias plásticas,
Adornos pessoais.
Por milagre, ninguém pede jornais.
Mas as mulheres daqui são bem tratadas
E, felizmente, nada naturais.
Muito prazer de corpo, muito ar.
Luz, água, cavalos, muita vida animal.
Definitiva ligação ao essencial.
Poucos temores, poucos riscos.
Muito pouca aflição:
A China é antiga como antigamente
Não há televisão.
Mas vem, de algum recanto sutil,
A informação
E se planta e cresce insuspeitada
Com outro nome que, traduzido,
Um dia será lido.
Pois é com alegria que o menino
Entra pela casa com um cão,
Seu amigo, seu primeiro grande amigo,
E o apresenta: "Papai, ele se chama Desintegração.
O lugar não pode ser mais belo.
São duas colinas e, conseqüentemente,
Um vale. Há um rio. E há um lago.
Doutrinas não há, a não ser as do
"Centro Acadêmico Dom Casmurro".
Mas isso é distante.
De manhã vê-se se o céu está claro
Ou nublado.
Previsões só as sobre o decorrer
(Meteorológico) do dia.
Planos — os de ir a pé ou a cavalo
Para o banho diário.
Os temores locais são poucos:
Se a ponte de madeira fica pronta antes
De São João,
Se o leite chegará para o fornecimento
De manteiga.
Não há estação de rádio.
Alguns benefícios do mundo de 60
Nos chegam pela estrada — penicilina,
Tecidos, matérias plásticas,
Adornos pessoais.
Por milagre, ninguém pede jornais.
Mas as mulheres daqui são bem tratadas
E, felizmente, nada naturais.
Muito prazer de corpo, muito ar.
Luz, água, cavalos, muita vida animal.
Definitiva ligação ao essencial.
Poucos temores, poucos riscos.
Muito pouca aflição:
A China é antiga como antigamente
Não há televisão.
Mas vem, de algum recanto sutil,
A informação
E se planta e cresce insuspeitada
Com outro nome que, traduzido,
Um dia será lido.
Pois é com alegria que o menino
Entra pela casa com um cão,
Seu amigo, seu primeiro grande amigo,
E o apresenta: "Papai, ele se chama Desintegração.
3 212
Mário Donizete Massari
A voz do louco I
Ao amigo e artista plástico Laudo
A minha loucura
é sã
brota das feridas
de uma vida consumida.
A minha loucura
é mágoa,
de ver uma terra fértil
sem ser partida.
A minha loucura
é viva,
germina a cada momento,
na lucidez do dia a dia.
A minha loucura
é sã
brota das feridas
de uma vida consumida.
A minha loucura
é mágoa,
de ver uma terra fértil
sem ser partida.
A minha loucura
é viva,
germina a cada momento,
na lucidez do dia a dia.
940
Mário Donizete Massari
Canto à poesia
Se isto que eu canto agora
fosse alegria,
eu não cantaria.
Pois esta minha canção
é minha tristeza
em forma de poesia.
Pungiu-me a solidão
na minha vida vazia.
Encheu-se o campo de flores,
orquídeas
e braços que já não abrem
para colhê-las.
Triste vida vazia . . .
fosse alegria,
eu não cantaria.
Pois esta minha canção
é minha tristeza
em forma de poesia.
Pungiu-me a solidão
na minha vida vazia.
Encheu-se o campo de flores,
orquídeas
e braços que já não abrem
para colhê-las.
Triste vida vazia . . .
934
Mário Donizete Massari
Canto à poesia
Se isto que eu canto agora
fosse alegria,
eu não cantaria.
Pois esta minha canção
é minha tristeza
em forma de poesia.
Pungiu-me a solidão
na minha vida vazia.
Encheu-se o campo de flores,
orquídeas
e braços que já não abrem
para colhê-las.
Triste vida vazia . . .
fosse alegria,
eu não cantaria.
Pois esta minha canção
é minha tristeza
em forma de poesia.
Pungiu-me a solidão
na minha vida vazia.
Encheu-se o campo de flores,
orquídeas
e braços que já não abrem
para colhê-las.
Triste vida vazia . . .
934
Mário Donizete Massari
Poema do sol de amanhã
Um corpo magro
caminho lentamente
como soubesse ser a vida
um facho de luz.
Como soubesse que as palavras
encerram um sentido
às vezes incompreensíveis
a certos olhos.
O caminho contém pedregulhos
esparsas incertezas
momentâneas alegrias
de descobrir que algo está errado.
Quando a noite chegar
brincará de contar estrelas
e no berço de feno
sonhará com belezas.
Levantará cedo
quando o sol traçar seu primeiro perfil
como uma avenida iluminada
o mundo é uma grande avenida iluminada
que brilha para alguns
Então sua caminhada reiniciará
o longo caminho dos que não têm para [onde ir
caminho lentamente
como soubesse ser a vida
um facho de luz.
Como soubesse que as palavras
encerram um sentido
às vezes incompreensíveis
a certos olhos.
O caminho contém pedregulhos
esparsas incertezas
momentâneas alegrias
de descobrir que algo está errado.
Quando a noite chegar
brincará de contar estrelas
e no berço de feno
sonhará com belezas.
Levantará cedo
quando o sol traçar seu primeiro perfil
como uma avenida iluminada
o mundo é uma grande avenida iluminada
que brilha para alguns
Então sua caminhada reiniciará
o longo caminho dos que não têm para [onde ir
772
Mário Donizete Massari
As meninas
ANA MARIA É BELA
ANASTÁCIA É SERENA;
são frutos da mesma terra
ANA MARIA NÃO PENSA
ANASTÁCIA SONHA SEMPRE.
Serena calma de poeta
Anastácia possui
uma alma bela,
Ana Maria
só é bela.
Ambos são belas
e fruto da mesma terra
ANASTÁCIA É SERENA;
são frutos da mesma terra
ANA MARIA NÃO PENSA
ANASTÁCIA SONHA SEMPRE.
Serena calma de poeta
Anastácia possui
uma alma bela,
Ana Maria
só é bela.
Ambos são belas
e fruto da mesma terra
1 042
Mário Donizete Massari
A voz do louco II
Não sou louco não,
mas assumo
o gosto amargo da vida.
Não sou louco não,
mas do dia a dia
construo versos,
venço a fadiga,
e faço do cais
sempre um porto
seguro,
um ponto de partida
para galgar muros.
Não sou louco não,
ou melhor,
sou louco pela vida.
mas assumo
o gosto amargo da vida.
Não sou louco não,
mas do dia a dia
construo versos,
venço a fadiga,
e faço do cais
sempre um porto
seguro,
um ponto de partida
para galgar muros.
Não sou louco não,
ou melhor,
sou louco pela vida.
905
Mário Donizete Massari
A voz do louco II
Não sou louco não,
mas assumo
o gosto amargo da vida.
Não sou louco não,
mas do dia a dia
construo versos,
venço a fadiga,
e faço do cais
sempre um porto
seguro,
um ponto de partida
para galgar muros.
Não sou louco não,
ou melhor,
sou louco pela vida.
mas assumo
o gosto amargo da vida.
Não sou louco não,
mas do dia a dia
construo versos,
venço a fadiga,
e faço do cais
sempre um porto
seguro,
um ponto de partida
para galgar muros.
Não sou louco não,
ou melhor,
sou louco pela vida.
905
Mário Donizete Massari
Quadrante
casa
pirâmide embalsamada
de cimento e cal
guardas o segredo
—de viver ao relento
Solidão
Nas ruínas de um templo
Nos becos e labirintos
No coração dos ateus
imagem
— mora a solidão
Um rosto pálido
se reflete
nesse espelho
refletindo a minha
transfigurada imagem
— o tempo passou e eu
nem percebi
face
tece na face
a outra face
não a quente
nem ardente
— a face fria
pirâmide embalsamada
de cimento e cal
guardas o segredo
—de viver ao relento
Solidão
Nas ruínas de um templo
Nos becos e labirintos
No coração dos ateus
imagem
— mora a solidão
Um rosto pálido
se reflete
nesse espelho
refletindo a minha
transfigurada imagem
— o tempo passou e eu
nem percebi
face
tece na face
a outra face
não a quente
nem ardente
— a face fria
898
Mário Donizete Massari
brasil
Seu nome era Raimundo
mas como é de praxe
apelidaram-no de mundo
Mas acharam tão
vasto, que resolveram
chamá-lo de
brasil
Ele tinha uma infância comum
num contexto relativo
Vivia às expensas dos outros
vez ou outra se nutria,
mas almejava um promissor
futuro.
Queria ser grande logo,
para desenvolver suas idéias,
já que possuía um potencial
significativo.
Corria atrás de bola
e sonhava conquistar o mundo
sendo um grande jogador
de futebol.
Enfim, teve brasil
uma infância comum,
num contexto relativo.
Perdi-os nos caminhos da vida
mas espero ainda revê-lo grande,
no futuro.
mas como é de praxe
apelidaram-no de mundo
Mas acharam tão
vasto, que resolveram
chamá-lo de
brasil
Ele tinha uma infância comum
num contexto relativo
Vivia às expensas dos outros
vez ou outra se nutria,
mas almejava um promissor
futuro.
Queria ser grande logo,
para desenvolver suas idéias,
já que possuía um potencial
significativo.
Corria atrás de bola
e sonhava conquistar o mundo
sendo um grande jogador
de futebol.
Enfim, teve brasil
uma infância comum,
num contexto relativo.
Perdi-os nos caminhos da vida
mas espero ainda revê-lo grande,
no futuro.
608
Mário Donizete Massari
Canavial
É MADRUGADA
Os canaviais vicejantes
esperam os braços
dos trabalhadores
os podões afiados
que decepam até
esperanças
Saio à rua,
meu itinerário é outro
Distingo vultos,
que se reúnem
às portas dos bares.
Não são os remanescentes
de um dia de carnaval,
não vestem alegorias.
São os braços que
ceifarão a cana
Estão todos quietos,
passo por eles no
meu itinerário e
uma dor profunda
me alcança
Uma dor madura
com sabor de caldo de cana
Os canaviais vicejantes
esperam os braços
dos trabalhadores
os podões afiados
que decepam até
esperanças
Saio à rua,
meu itinerário é outro
Distingo vultos,
que se reúnem
às portas dos bares.
Não são os remanescentes
de um dia de carnaval,
não vestem alegorias.
São os braços que
ceifarão a cana
Estão todos quietos,
passo por eles no
meu itinerário e
uma dor profunda
me alcança
Uma dor madura
com sabor de caldo de cana
919
Carlos Anísio Melhor
Elegia para Hart Crane
Escuro é o espaço em que vivemos,
Onde as formas não conseguem penetrar
Ocultamente a noite dos sentidos
Não revela o esforço de se amar.
Desolado em seu ermo ninguém penetrará
O estreito círculo de Poucas sensações
Pois a Ninfa é muda, esquecida a Palavra
Com que Hermes nos faz ressuscitar.
Nem as imagens agora perdidas
Nem o sonho caindo das que ficam
No alto: desejos surdos ao cais do Nunca Mais
Podem a exata forma revelar.
Os que amaram os dias já passados
E nesse escuro poço buscam o devenir,
Fugitivos do Aqui e do Agora,
O porto é navegar.
Luz somente à superfície o sol
E, jacentes, abandonados fomos sob o mar,
Entre Véus de coral — Palavra Oculta
Nos beija os lábios, esquecidos de beijar.
Todo o fundo do mar é tão cruel
Como o esquecido lugar de nossa origem
Somente um filho consegue retornar
Ao seio da mãe que simboliza o Mar.
Onde as formas não conseguem penetrar
Ocultamente a noite dos sentidos
Não revela o esforço de se amar.
Desolado em seu ermo ninguém penetrará
O estreito círculo de Poucas sensações
Pois a Ninfa é muda, esquecida a Palavra
Com que Hermes nos faz ressuscitar.
Nem as imagens agora perdidas
Nem o sonho caindo das que ficam
No alto: desejos surdos ao cais do Nunca Mais
Podem a exata forma revelar.
Os que amaram os dias já passados
E nesse escuro poço buscam o devenir,
Fugitivos do Aqui e do Agora,
O porto é navegar.
Luz somente à superfície o sol
E, jacentes, abandonados fomos sob o mar,
Entre Véus de coral — Palavra Oculta
Nos beija os lábios, esquecidos de beijar.
Todo o fundo do mar é tão cruel
Como o esquecido lugar de nossa origem
Somente um filho consegue retornar
Ao seio da mãe que simboliza o Mar.
929
Mário Donizete Massari
Sinos
Os sinos batem
e bate em meu peito
uma dor profunda
Outrora, este sinos
me pareciam amigos
anunciando com a morte
o nascimento do mundo
Mas hoje, eles batem
E a minha dor é profunda
a dor de perder,
parte do meu mundo.
e bate em meu peito
uma dor profunda
Outrora, este sinos
me pareciam amigos
anunciando com a morte
o nascimento do mundo
Mas hoje, eles batem
E a minha dor é profunda
a dor de perder,
parte do meu mundo.
946
Mário Donizete Massari
Sinos
Os sinos batem
e bate em meu peito
uma dor profunda
Outrora, este sinos
me pareciam amigos
anunciando com a morte
o nascimento do mundo
Mas hoje, eles batem
E a minha dor é profunda
a dor de perder,
parte do meu mundo.
e bate em meu peito
uma dor profunda
Outrora, este sinos
me pareciam amigos
anunciando com a morte
o nascimento do mundo
Mas hoje, eles batem
E a minha dor é profunda
a dor de perder,
parte do meu mundo.
946
João Mello
Esta é a Cidade
Esta é a cidade. Quem caminha
sorvendo seus odores coloridos?
Caleidóscopicos sons
inebriam os músculos
como doces agulhas
Quem sente o calor do chão
luz de vidro e água
intensa e rumorosa como
um afago?
As crianças percorrema cidade
atrás do tiroteiro
como aves barulhentas. A rota
desta guerra
elas sempre a conheceram
Há uma farra em cada esquina
onde tambores renovados
fazem explodir toda alegria antiga
A liberdade é uma visível linha
de fogo nos olhos dos homens.
sorvendo seus odores coloridos?
Caleidóscopicos sons
inebriam os músculos
como doces agulhas
Quem sente o calor do chão
luz de vidro e água
intensa e rumorosa como
um afago?
As crianças percorrema cidade
atrás do tiroteiro
como aves barulhentas. A rota
desta guerra
elas sempre a conheceram
Há uma farra em cada esquina
onde tambores renovados
fazem explodir toda alegria antiga
A liberdade é uma visível linha
de fogo nos olhos dos homens.
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