Micheliny Verunschk

Micheliny Verunschk

n. 1972 BR BR

Micheliny Verunschk é uma escritora brasileira contemporânea, reconhecida pela sua poesia que frequentemente explora a condição feminina, a memória e as complexidades da existência humana. Sua obra se destaca pela sensibilidade e pela capacidade de transitar entre o pessoal e o universal, utilizando uma linguagem rica em imagens e reflexões. Com uma escrita que dialoga com as tradições literárias, mas que também se mostra inovadora em sua abordagem temática e formal, Verunschk consolida-se como uma voz importante na poesia brasileira atual, abordando com profundidade e lirismo questões sociais e existenciais.

n. 1972-01-01, Recife

18 885 Visualizações

Âmbar

Um tijolo
sabe a casa
e toda sua
mágica linguagem
de portas,
janelas,
outros tijolos
e espaços vazios.
Sabe a linhagem
e o alinhavo
de seus mortos,
as panteras
fosforescentes
de seus vivos.
Um tijolo
sabe a casa
mesmo que
falem apenas
as ruínas
e mesmo
que se calem,
um tijolo
sempre sabe.

Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

Micheliny Verunschk é uma escritora brasileira. Sua obra poética é marcada por uma profunda reflexão sobre a condição humana, a memória, a identidade e as questões de gênero.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre sua infância e formação não são amplamente divulgadas em fontes públicas, mas sua obra revela uma sensibilidade apurada e uma forte base cultural.

Percurso literário

O percurso literário de Micheliny Verunschk tem sido marcado pela publicação de livros de poesia que têm recebido atenção da crítica e do público. Sua escrita evolui explorando diferentes facetas da experiência humana, com uma linguagem que busca a precisão imagética e a profundidade de sentido.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Entre suas obras publicadas, destacam-se títulos que abordam temas como o corpo, a feminilidade, a ancestralidade e o tempo. O estilo de Verunschk é frequentemente descrito como lírico, introspectivo e imagético, com um uso cuidadoso da linguagem e uma estrutura que, por vezes, desafia as convenções.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Verunschk insere-se no contexto da literatura brasileira contemporânea, um período de grande diversidade de estilos e temáticas. Sua obra dialoga com discussões atuais sobre identidade, representatividade e memória cultural.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre sua vida pessoal são escassos em fontes públicas, mas sua poesia frequentemente evoca experiências íntimas e universais.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra de Micheliny Verunschk tem sido gradualmente reconhecida por sua qualidade literária, recebendo resenhas e sendo incluída em antologias de poesia contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora influências específicas não sejam detalhadas, a poesia de Verunschk dialoga com a tradição lírica brasileira e com as correntes literárias contemporâneas que exploram a subjetividade e a crítica social.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Verunschk convida à reflexão sobre temas existenciais e sociais, com uma abordagem que pode ser interpretada sob diversas perspectivas, incluindo a feminista e a psicanalítica.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspectos menos conhecidos de sua personalidade e hábitos de escrita não são amplamente divulgados.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Micheliny Verunschk está viva e sua obra continua a ser produzida e a ser objeto de estudo e apreciação.

Poemas

16

Âmbar

Um tijolo
sabe a casa
e toda sua
mágica linguagem
de portas,
janelas,
outros tijolos
e espaços vazios.
Sabe a linhagem
e o alinhavo
de seus mortos,
as panteras
fosforescentes
de seus vivos.
Um tijolo
sabe a casa
mesmo que
falem apenas
as ruínas
e mesmo
que se calem,
um tijolo
sempre sabe.

1 315

Premissa Perdida da Paracelsus

A alquimia das cozinhas
Se assemelha
À alquimia de escrever
E esta, por sua vez
À alquimia de pintar:
Digo do tempero ( A têmpera )
Das palavras,
Seus cheiros de orégano e coentro
E ainda das claras aquarelas
Batidas em neve
( Os conté, alvaiades e aguadas,
Seus doces e seus vinagres... )
Digo da transmutação
E também da mimésis camaleônica
Que tudo transforma,
Tudo com(funde):
Alimento,
Letra,
Tinta...

952

Rápido Monólogo do Caçador Com Sua Caça

Trago
Pardos
Os olhos
De cobiça
Que atiro
Sobre ti,
Teu verbo/teu sexo:

Tua presa
de
marfim.

1 258

Cresente e Decrescente num Mote de Conselheiro

À Lirinha
O sertão
Que eu trago
Junto ao peito
É como a estrela
Cortante
De uma espora,
Como a ave ribaçã
De uma pistola,
Como o olho severo
De um seteiro,
Mas em ti
O sertão
Se torna água
E escorre
Atlântico
Em minha garganta
E em dez pés
Meu galope
Se abranda
E meu pouso
É pacífico
À beira-mar.

1 068

O Violino

Entregue a sutil carícia
Da curva do queixo
Mal finge
Que freme mesmo
É ao balé febril
Das pontas dos dedos.
( Talhado em nobre madeira,
O filho de Eros,
É dado ao gozo animal
Ao humano sexo... )

1 109

Vampiro

A palavra
querida
do teu nome
é morcego
nas minhas
madrugadas
e consome
o meu sangue
e minha alma.
Consome:
que és incêndio
em minha casa...

1 184

Amiga

Amiga,
lavei os pratos,
mas a mágoa
mastigou-me
o inteiro dia
— esse pedaço
de carne crua
com nervos difíceis
aos dentes,
que sou —.
Se ao menos
eu pudesse banhar
meus pés
na bacia de ágata
do meu avô,
não perdoaria tanto
meus sentimentos
mesquinhos
e debruçaria-me
sobre o balcão
sem rir
e seria
mais triste e grave
e, claro, vestiria luto
por tudo
que foi morto
na minha e tua amizade.
Mas, como vês,
Não sei da bacia branca
donde eu sairia
apaziguada.

933

Déjà Vu

Olhos que passeiam
pelo boulevard,
pegam o bonde
e imaginam
ou sonham
ou querem
estar no trenzinho caipira.
Olhos que passeiam
pelo boulevard,
tropeçam na calçada
e brincam
ou fingem
ou querem
estar apaixonados.
Olhos que passeiam
pelo boulevard,
fumam um cigarro
tomam um sorvete
assobiam uma cantiga
escrevem um bilhete
cumprimentam outros olhos
e fazem do boulevard
seu eppor si muove.

1 080

Grindley

Os meninos
da rua velha
querem seda colorida
para povoar os azuis
da xícara clara
de pipas.

Também
balões multicores
e aladas traquinagens
querem os meninos tafuis
do pires
de bordas douradas

(Os meninos
da rua velha:
ladrões do tempo
— crianças —
senhores de prata e luz
gravados na porcelana).

1 103

Férias

A adstringência argilosa de tua carne
Pressupõe certas fúrias inauditas,
Iras cintilantes de matéria
Que desmentem toda metafísica.
Escrita em fogo e sal, a tua carne,
É experimentada em incoerentes heresias
( Poema linearmente metrificado
e também dissolutamente corrompido ).
Escrita em fogo e sal, a tua carne,
É carne-álgebra
Ou carne-geometria,
Carne ( e apenas carne )
Somente a carne —:
A carne sem qualquer filosofia.

1 298

Videos

50

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.