Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Sérgio Mattos
A Ilusão Pertenceu-m
A ilusão pertenceu-me em sonhos
e com vontade de herói entrelacei-me
entre as armas de tão bela batalha...
E a incandescente espada perdeu-se
entre espasmos, enquanto
a ilusão flutuava no espaço
e eu agitava o lençol manchado...
e com vontade de herói entrelacei-me
entre as armas de tão bela batalha...
E a incandescente espada perdeu-se
entre espasmos, enquanto
a ilusão flutuava no espaço
e eu agitava o lençol manchado...
774
Sérgio Mattos
A Ilusão Pertenceu-m
A ilusão pertenceu-me em sonhos
e com vontade de herói entrelacei-me
entre as armas de tão bela batalha...
E a incandescente espada perdeu-se
entre espasmos, enquanto
a ilusão flutuava no espaço
e eu agitava o lençol manchado...
e com vontade de herói entrelacei-me
entre as armas de tão bela batalha...
E a incandescente espada perdeu-se
entre espasmos, enquanto
a ilusão flutuava no espaço
e eu agitava o lençol manchado...
774
Maurício Batarce
Lição de Vida
Nasceu sem caminhos.
Seus olhos: escuridão da miséria.
Sempre foi sozinho,
Vivendo pelo destino.
Seus castelos foram desmoronados
Mas estava no caminho certo.
Com passos controlados,
Andou com os honestos.
Aprendeu consigo,
Aprendeu com a vida.
Descobriu a origem de seus desejos
Porque tinha um ponto de partida.
Mesmo a miséria lhe abatendo,
Mesmo a morte lhe chamando,
Sabia o que estava acontecendo,
Sabia onde estava pisando,
Estava vivendo...
Seus olhos: escuridão da miséria.
Sempre foi sozinho,
Vivendo pelo destino.
Seus castelos foram desmoronados
Mas estava no caminho certo.
Com passos controlados,
Andou com os honestos.
Aprendeu consigo,
Aprendeu com a vida.
Descobriu a origem de seus desejos
Porque tinha um ponto de partida.
Mesmo a miséria lhe abatendo,
Mesmo a morte lhe chamando,
Sabia o que estava acontecendo,
Sabia onde estava pisando,
Estava vivendo...
986
Marta Gonçalves
Sutilezas
Brinco com seus lábios
já ausentes de meus olhos.
Imagino o relógio de sol
marcando peles brancas.
Lembranças envolvem sutilezas
que suas mãos ofereciam.
Doçuras carregam água de geleiras
e em cada verso que te oferto vejo
minha morte.
já ausentes de meus olhos.
Imagino o relógio de sol
marcando peles brancas.
Lembranças envolvem sutilezas
que suas mãos ofereciam.
Doçuras carregam água de geleiras
e em cada verso que te oferto vejo
minha morte.
1 015
Marta Gonçalves
Noite
Tenho nos olhos suas mãos
olhando açucenas na jarra.
O tempo vai multiplicar a noite.
olhando açucenas na jarra.
O tempo vai multiplicar a noite.
1 018
Marta Gonçalves
Retrato do Poeta
Companheiro do vento, rosto de sal.
Ontem existia energia nos olhos.
O pórtico do tempo aberto ao silêncio
da alma.
Nossos fracassos nossos fracassos
desenhados na imaginação.
Ontem existia energia nos olhos.
O pórtico do tempo aberto ao silêncio
da alma.
Nossos fracassos nossos fracassos
desenhados na imaginação.
1 055
Maurício Batarce
O Espelho da Vida
Quem não sonhou um campo
Para se livrar da cidade?
Quem nunca,
Navegando em pensamento,
Mirou-se nas águas cristalinas de um riacho?
Quem nunca se viu jazido
Sob uma árvore frondosa?
Quem jamais se identificou
Com paz e tranqüilidade?
Quem nunca aspirou
Um modo de vida além do seu?
Quem, em hipótese alguma,
Deixa-se deitar sobre a areia da praia,
Ou sobre as gramíneas do campo?
Quem nunca respirou as estrelas?
Quem não tem atração pelos ruídos da noite
E pelas sombras adentrando o quarto?
Quem apartaria de si uma aventura misteriosa?
Quem pensa em se aproximar
Da realidade e do quotidiano?
Quem não gosta de aspirar o ar marinho?
Quem nunca enfrentou fantasmas?
Quem se arrepende de relembrar?
Quem não tem prazeres?
Quem nunca navegou com a brisa no rosto?
Quem nunca preferiu a vida à morte
Ou a morte à vida?
Para se livrar da cidade?
Quem nunca,
Navegando em pensamento,
Mirou-se nas águas cristalinas de um riacho?
Quem nunca se viu jazido
Sob uma árvore frondosa?
Quem jamais se identificou
Com paz e tranqüilidade?
Quem nunca aspirou
Um modo de vida além do seu?
Quem, em hipótese alguma,
Deixa-se deitar sobre a areia da praia,
Ou sobre as gramíneas do campo?
Quem nunca respirou as estrelas?
Quem não tem atração pelos ruídos da noite
E pelas sombras adentrando o quarto?
Quem apartaria de si uma aventura misteriosa?
Quem pensa em se aproximar
Da realidade e do quotidiano?
Quem não gosta de aspirar o ar marinho?
Quem nunca enfrentou fantasmas?
Quem se arrepende de relembrar?
Quem não tem prazeres?
Quem nunca navegou com a brisa no rosto?
Quem nunca preferiu a vida à morte
Ou a morte à vida?
1 014
Marta Gonçalves
O Retrato
(Em memória de Teresinha, minha irmã, em seu aniversário).
Na tarde o perfume da gardênia
os sóis entrando na vidraça.
O retrato navega no oceano
com olhos de tempestade.
Nasce uma rosa em março
nascem passos de ausência
na alma.
Na cristaleira o licor
o licor guardado
na interminável partida.
Vieste alimentar os pássaros
no alpendre
vieste guarnecer de lágrima os olhos.
Há dias preparo as paredes
preparo a cadeira marrom
preparo a carcaça.
Tua figura traz uma mensagem
que se desfaz no espaço
no vento.
O afeto o afeto
devassa os elementos do ser.
Resta o verão o jardim os violinos
o desespero do rosto
que jamais veremos.
Na tarde o perfume da gardênia
os sóis entrando na vidraça.
O retrato navega no oceano
com olhos de tempestade.
Nasce uma rosa em março
nascem passos de ausência
na alma.
Na cristaleira o licor
o licor guardado
na interminável partida.
Vieste alimentar os pássaros
no alpendre
vieste guarnecer de lágrima os olhos.
Há dias preparo as paredes
preparo a cadeira marrom
preparo a carcaça.
Tua figura traz uma mensagem
que se desfaz no espaço
no vento.
O afeto o afeto
devassa os elementos do ser.
Resta o verão o jardim os violinos
o desespero do rosto
que jamais veremos.
1 050
Marta Gonçalves
O Vento no Rosto
Descalços, andávamos no campo,
molhávamos os pés na relva verde.
Íamos atrás do vento.
Sentávamos, todas as tardes, no alpendre,
a olhar os passarinhos
apanhando migalhas.
- Esperando encontrar o que nos resta
do corpo.
molhávamos os pés na relva verde.
Íamos atrás do vento.
Sentávamos, todas as tardes, no alpendre,
a olhar os passarinhos
apanhando migalhas.
- Esperando encontrar o que nos resta
do corpo.
1 061
Sérgio Mattos
Sonhei Orizontes
Sonhei horizontes.
Vivi, entre vírgulas, um hiato.
Andei exclamando paixões
e interrogando amores:
(dois pontos)
De repente,
quebrei lanças de solidão
na solidez de teu coração...
Vivi, entre vírgulas, um hiato.
Andei exclamando paixões
e interrogando amores:
(dois pontos)
De repente,
quebrei lanças de solidão
na solidez de teu coração...
942
Maurício Batarce
Sonhos de Um Poeta
Palavras soltas surgem ao vento.
Em um turbilhão confuso de letras
O poeta acompanha o passar do tempo.
O poeta não racionaliza as palavras,
Não raciocina, sente...
Os sonhadores gostariam de escrever neve
Mas não sabem como se escreve.
Sonham com o campo
Para sentir seu aroma;
Imaginam o horizonte
Mas não o encontram no distante...
São narrados nesse momento
Apenas dissentimentos.
Uma voz ecoa ao vento...
O poeta pega carona nas ondas
E envereda-se para o fim do tapete azul...
Em um turbilhão confuso de letras
O poeta acompanha o passar do tempo.
O poeta não racionaliza as palavras,
Não raciocina, sente...
Os sonhadores gostariam de escrever neve
Mas não sabem como se escreve.
Sonham com o campo
Para sentir seu aroma;
Imaginam o horizonte
Mas não o encontram no distante...
São narrados nesse momento
Apenas dissentimentos.
Uma voz ecoa ao vento...
O poeta pega carona nas ondas
E envereda-se para o fim do tapete azul...
738
Martônio de Vasconcelos
Ocarina: O Som do Barro
A Virgílio Maia,
poeta singular, amigo plural
Doce barro das terras nordestinas,
Ressoando este som que não se apaga,
na leveza da argila e das resinas,
Som da noite e de festa, som que afaga.
É o acorde da noite que termina
Com os dedos tocando agalopado;
É o som da araponga, é um trinado,
É a doçura da voz de uma menina.
Este barro que canta e que extasia
E que é clave de sol, é nostalgia,
É prisão de um pássaro canoro.
Ocarina: dos ventos, dos anuns:
Se te ouvi uma tarde em Garanhuns,
Sei dos grãos do teu lírico sonoro!
poeta singular, amigo plural
Doce barro das terras nordestinas,
Ressoando este som que não se apaga,
na leveza da argila e das resinas,
Som da noite e de festa, som que afaga.
É o acorde da noite que termina
Com os dedos tocando agalopado;
É o som da araponga, é um trinado,
É a doçura da voz de uma menina.
Este barro que canta e que extasia
E que é clave de sol, é nostalgia,
É prisão de um pássaro canoro.
Ocarina: dos ventos, dos anuns:
Se te ouvi uma tarde em Garanhuns,
Sei dos grãos do teu lírico sonoro!
943
Martônio de Vasconcelos
Ocarina: O Som do Barro
A Virgílio Maia,
poeta singular, amigo plural
Doce barro das terras nordestinas,
Ressoando este som que não se apaga,
na leveza da argila e das resinas,
Som da noite e de festa, som que afaga.
É o acorde da noite que termina
Com os dedos tocando agalopado;
É o som da araponga, é um trinado,
É a doçura da voz de uma menina.
Este barro que canta e que extasia
E que é clave de sol, é nostalgia,
É prisão de um pássaro canoro.
Ocarina: dos ventos, dos anuns:
Se te ouvi uma tarde em Garanhuns,
Sei dos grãos do teu lírico sonoro!
poeta singular, amigo plural
Doce barro das terras nordestinas,
Ressoando este som que não se apaga,
na leveza da argila e das resinas,
Som da noite e de festa, som que afaga.
É o acorde da noite que termina
Com os dedos tocando agalopado;
É o som da araponga, é um trinado,
É a doçura da voz de uma menina.
Este barro que canta e que extasia
E que é clave de sol, é nostalgia,
É prisão de um pássaro canoro.
Ocarina: dos ventos, dos anuns:
Se te ouvi uma tarde em Garanhuns,
Sei dos grãos do teu lírico sonoro!
943
Mário António
Poema
Quando li Jubiabá
me cri Antônio Balduíno.
Meu Primo, que nunca o leu
ficou Zeca Camarão.
Eh Zeca!
Vamos os dois numa chunga
Vamos farrar toda a noite
Vamos levar duas moças
para a praia da Rotunda!
Zeca me ensina o caminho:
Sou Antônio Balduíno.
E fomos farrar por aí,
Camarão na minha frente,
Nem verdiano se mete:
Na frente Zé Camarão,
Balduíno vai no trás.
Que moça levou meu primo!
Vai remexendo no samba
que nem a negra Rosenda;
Eu praqui olhando só!
Que moça que ele levou!
Cabrita que vira os olhos.
Meu Primo, rei do musseque:
Eu praqui olhando só!
Meu primo tá segredando:
Nossa Senhora da Ilha
ou que outra feiticeira?
A moça o acompanhando.
Zé Camarão a levou:
E eu para aqui a secar.
Eu eu para aqui a secar.
me cri Antônio Balduíno.
Meu Primo, que nunca o leu
ficou Zeca Camarão.
Eh Zeca!
Vamos os dois numa chunga
Vamos farrar toda a noite
Vamos levar duas moças
para a praia da Rotunda!
Zeca me ensina o caminho:
Sou Antônio Balduíno.
E fomos farrar por aí,
Camarão na minha frente,
Nem verdiano se mete:
Na frente Zé Camarão,
Balduíno vai no trás.
Que moça levou meu primo!
Vai remexendo no samba
que nem a negra Rosenda;
Eu praqui olhando só!
Que moça que ele levou!
Cabrita que vira os olhos.
Meu Primo, rei do musseque:
Eu praqui olhando só!
Meu primo tá segredando:
Nossa Senhora da Ilha
ou que outra feiticeira?
A moça o acompanhando.
Zé Camarão a levou:
E eu para aqui a secar.
Eu eu para aqui a secar.
1 505
Sérgio Mattos
Caminho da Esperança
No simétrico caminho da esperança
meu barco rodeia o espaço
e quando a luz escassa
atrai um tempo frio,
meu sonho se acende,
alheio à própria vida,
e me impele sem artifícios,
para teu braços.
Minha dor se dilui
e, enquanto teus dedos deslizam
em meus cabelos,
renasce mais uma estrela infinita.
meu barco rodeia o espaço
e quando a luz escassa
atrai um tempo frio,
meu sonho se acende,
alheio à própria vida,
e me impele sem artifícios,
para teu braços.
Minha dor se dilui
e, enquanto teus dedos deslizam
em meus cabelos,
renasce mais uma estrela infinita.
937
Marta Gonçalves
O Retrato de Biel
(Em memória do Poeta e Professor
Gabriel Archanjo de Mendonça)
Vestia o inverno, na foto marcando viagem. Os olhos vinham das águas, do rio, dos pássaros que voavam em seu corpo. A voz cantava uma canção. Canção embrenhada na distância. No silêncio, a risada de Biel. Existia um olhar aberto à procura dos seres que formavam o caule da vida. Reencontro de amigos. O mistério do espírito se preparando ao hiato da ausência. Biel desenhava no porão. Os olhos em vigília. Olhava os campos calcinados, onde borboletas secas dormiam. Biel, inflexão do corpo criando versos de origem, criando grãos no espaço. Biel menino. Ah, os cabelos de Biel! O canário nos dedos trazia o sol. Biel, viajante de tudo que já foi visto. Rindo, rindo, rindo, do barco à espera. Tantas flores chegando. A festa de Biel
O desamparo arrastando o sino. Formigas retalhando memórias. O desgaste no oco dos olhos. Poemas guardados em álbuns amarelados, trazendo emoções. Fazia frio no dia 31 de julho de 1996. Tarde de Biel. De poemas. À margem da praia distante vejo o texto crescendo. Uma flor azul entre as pedras dorme o fim. Biel menino, poeta, desenhista, cantor de canções perdidas. Nada explica o professor do vento da velha São João Nepomuceno.
Leio sua poesia, vejo o retrato vestido de inverno. Encarno a geografia de sua vida. O vôo não foi rasteiro. Plantaram a semente. Depois o pânico do silêncio. Lá fora a chuva marca o nascimento do poeta.
Gabriel Archanjo de Mendonça)
Vestia o inverno, na foto marcando viagem. Os olhos vinham das águas, do rio, dos pássaros que voavam em seu corpo. A voz cantava uma canção. Canção embrenhada na distância. No silêncio, a risada de Biel. Existia um olhar aberto à procura dos seres que formavam o caule da vida. Reencontro de amigos. O mistério do espírito se preparando ao hiato da ausência. Biel desenhava no porão. Os olhos em vigília. Olhava os campos calcinados, onde borboletas secas dormiam. Biel, inflexão do corpo criando versos de origem, criando grãos no espaço. Biel menino. Ah, os cabelos de Biel! O canário nos dedos trazia o sol. Biel, viajante de tudo que já foi visto. Rindo, rindo, rindo, do barco à espera. Tantas flores chegando. A festa de Biel
O desamparo arrastando o sino. Formigas retalhando memórias. O desgaste no oco dos olhos. Poemas guardados em álbuns amarelados, trazendo emoções. Fazia frio no dia 31 de julho de 1996. Tarde de Biel. De poemas. À margem da praia distante vejo o texto crescendo. Uma flor azul entre as pedras dorme o fim. Biel menino, poeta, desenhista, cantor de canções perdidas. Nada explica o professor do vento da velha São João Nepomuceno.
Leio sua poesia, vejo o retrato vestido de inverno. Encarno a geografia de sua vida. O vôo não foi rasteiro. Plantaram a semente. Depois o pânico do silêncio. Lá fora a chuva marca o nascimento do poeta.
1 205
Sérgio Mattos
Quando Sinto
Quando sinto o desencanto, procuro tuas mãos
que trazem o conforto e me fazem palpitar.
Permaneço disperso, sentindo teu perfume
e tua presença, suspensa nas nuvens da imaginação.
Do papel onde escrevo, tuas curvas tomam formas
e, como sombra, teu corpo nu, eu vejo.
Um sorriso va enche-me o rosto
e na tentativa de acariciar-te ouço longe,
muito longe, passos, vozes e o bater da máquina de escrever.
Teu corpo nu desaparece, enquanto o tempo volta a agir
e minhas mãos a trabalhar.
Um leve tremor invade-me a alma
e uma complacente esperança
consola-me, porque tenho certeza
de ao chegar em casa, sobre a cama,
encontrar teu corpo quente.
que trazem o conforto e me fazem palpitar.
Permaneço disperso, sentindo teu perfume
e tua presença, suspensa nas nuvens da imaginação.
Do papel onde escrevo, tuas curvas tomam formas
e, como sombra, teu corpo nu, eu vejo.
Um sorriso va enche-me o rosto
e na tentativa de acariciar-te ouço longe,
muito longe, passos, vozes e o bater da máquina de escrever.
Teu corpo nu desaparece, enquanto o tempo volta a agir
e minhas mãos a trabalhar.
Um leve tremor invade-me a alma
e uma complacente esperança
consola-me, porque tenho certeza
de ao chegar em casa, sobre a cama,
encontrar teu corpo quente.
951
Marta Gonçalves
Nuvens Brancas
Cavalos vermelhos voam no espaço
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
1 006
Masako Akeho
Haicai
Casa de vespas
zunindo em círculos
palavras picantes
O morro iluminado
do barracão sem luz
choro de criança
zunindo em círculos
palavras picantes
O morro iluminado
do barracão sem luz
choro de criança
947
Maria Aparecida Reis Araújo
Palavras
O poeta se esconde na falácia dos ventos, nos nódulos do tempo, no perfume das essências, em urdiduras do mar e espraia seu canto de nostalgia e pânico submersos. Abre janelas e colhe neblina com efervescência de sol, num vôo sutil de borboletas.
Pastor e peregrino arrebanha palavras e lapida silêncios. Sobreleva à cantiga de estrelas a chuva polindo o âmago da terra - solidão de pedras, criando silos em corpos de argila. Bebendo o desvairado vinho da lucidez, entorna réstias de luz nos estertores da alma.
Pastor e peregrino arrebanha palavras e lapida silêncios. Sobreleva à cantiga de estrelas a chuva polindo o âmago da terra - solidão de pedras, criando silos em corpos de argila. Bebendo o desvairado vinho da lucidez, entorna réstias de luz nos estertores da alma.
962
Marco Antônio de Souza
Instrumentos de Trabalho
Brota a broca da tua mão
como a caneta da minha;
você faz versos com diamante,
eu me restauro com palavras...
Tuas rimas são de ouro,
a tristeza é o metal que liga meus motes !
Tua métrica é tão funda
quanto a profundidade da cárie;
Minha cárie é este destino,
que me fez poeta, antes de homem...
Teus sonetos são esculturas protéticas,
artísticamente lavradas e adaptadas;
minha prótese mais separa do que une
pois às vezes vergasta e fere...
Por ironia,
se é com a caneta que você ganha a vida,
eu também com a caneta
vivo arriscado a perder a minha...
Que dirão os astros
da união de um poeta com uma dentista ?
como a caneta da minha;
você faz versos com diamante,
eu me restauro com palavras...
Tuas rimas são de ouro,
a tristeza é o metal que liga meus motes !
Tua métrica é tão funda
quanto a profundidade da cárie;
Minha cárie é este destino,
que me fez poeta, antes de homem...
Teus sonetos são esculturas protéticas,
artísticamente lavradas e adaptadas;
minha prótese mais separa do que une
pois às vezes vergasta e fere...
Por ironia,
se é com a caneta que você ganha a vida,
eu também com a caneta
vivo arriscado a perder a minha...
Que dirão os astros
da união de um poeta com uma dentista ?
863
Marigê Quirino Marchini
Viagem
Num pressentir sem bússola e sem âncora
porões, navio fantasma, veios dágua,
negra escotilha, rostos, peixes, luas,
bebem do céu o azul já mareado;
dias de sal trabalham este convés,
içar de vela, albujarrona, mastros,
fiel prendendo em austro vento além
de horizontes, as pérfidas paisagens,
e um capitão Ahab desse sonho,
monstro e dono feroz dessa procura,
ódio e amor, caçado e caçador,
nos profundos corais do cachalote
a bússola a buscar o pólo norte
a âncora a fincar chão nesta loucura
porões, navio fantasma, veios dágua,
negra escotilha, rostos, peixes, luas,
bebem do céu o azul já mareado;
dias de sal trabalham este convés,
içar de vela, albujarrona, mastros,
fiel prendendo em austro vento além
de horizontes, as pérfidas paisagens,
e um capitão Ahab desse sonho,
monstro e dono feroz dessa procura,
ódio e amor, caçado e caçador,
nos profundos corais do cachalote
a bússola a buscar o pólo norte
a âncora a fincar chão nesta loucura
877
Marigê Quirino Marchini
Viagem
Num pressentir sem bússola e sem âncora
porões, navio fantasma, veios dágua,
negra escotilha, rostos, peixes, luas,
bebem do céu o azul já mareado;
dias de sal trabalham este convés,
içar de vela, albujarrona, mastros,
fiel prendendo em austro vento além
de horizontes, as pérfidas paisagens,
e um capitão Ahab desse sonho,
monstro e dono feroz dessa procura,
ódio e amor, caçado e caçador,
nos profundos corais do cachalote
a bússola a buscar o pólo norte
a âncora a fincar chão nesta loucura
porões, navio fantasma, veios dágua,
negra escotilha, rostos, peixes, luas,
bebem do céu o azul já mareado;
dias de sal trabalham este convés,
içar de vela, albujarrona, mastros,
fiel prendendo em austro vento além
de horizontes, as pérfidas paisagens,
e um capitão Ahab desse sonho,
monstro e dono feroz dessa procura,
ódio e amor, caçado e caçador,
nos profundos corais do cachalote
a bússola a buscar o pólo norte
a âncora a fincar chão nesta loucura
877
Márcio de Sousa Andrade
Outro Navio Negreiro
Embala o poema a bala da tragédia
testemunho supremo
murmúrio de vozes miúdas.
— Canta Castro Alves,
o lamento profundo
da lembrança covarde
filhos do acaso e da realidade.
Homens do mar, homens da terra
ocultos da vida
nos cultos desgraçados...
Apagaram as luzes da cidade
e dos campos sob antenas de TV.
Nos morros, nos alagados, nos becos
(os quilombos)
tremulam pálidas bandeiras
de onde virão outros palmares.
— Venha poeta!
mãos dadas, cantos unidos,
trompa certa e plena
a cantar para o grande povo
esses,
filhos da usura
perdidos na noite
comendo esperanças
pelos olhos,
chorando necessidades...
E as páginas da história
confessam a podre missão
estandarte macabro e sinistro
carregando o pranto de todos.
Deus,
Que águas navegamos
que turfas marés navegamos
que a brisa beija e balança
e morremos todos sem qualquer
esperança.
testemunho supremo
murmúrio de vozes miúdas.
— Canta Castro Alves,
o lamento profundo
da lembrança covarde
filhos do acaso e da realidade.
Homens do mar, homens da terra
ocultos da vida
nos cultos desgraçados...
Apagaram as luzes da cidade
e dos campos sob antenas de TV.
Nos morros, nos alagados, nos becos
(os quilombos)
tremulam pálidas bandeiras
de onde virão outros palmares.
— Venha poeta!
mãos dadas, cantos unidos,
trompa certa e plena
a cantar para o grande povo
esses,
filhos da usura
perdidos na noite
comendo esperanças
pelos olhos,
chorando necessidades...
E as páginas da história
confessam a podre missão
estandarte macabro e sinistro
carregando o pranto de todos.
Deus,
Que águas navegamos
que turfas marés navegamos
que a brisa beija e balança
e morremos todos sem qualquer
esperança.
957