Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Cleonice Rainho
Na Praia
Meus pés na areia
os olhos no ar.
Vasto e imenso,
lindo e livre,
mar-espaço
— uma paisagem só.
Marulho das ondas,
voz do mar,
azul da manhã,
alegria do céu.
No meu coração
— um canto só.
os olhos no ar.
Vasto e imenso,
lindo e livre,
mar-espaço
— uma paisagem só.
Marulho das ondas,
voz do mar,
azul da manhã,
alegria do céu.
No meu coração
— um canto só.
998
Cleonice Rainho
Na Praia
Meus pés na areia
os olhos no ar.
Vasto e imenso,
lindo e livre,
mar-espaço
— uma paisagem só.
Marulho das ondas,
voz do mar,
azul da manhã,
alegria do céu.
No meu coração
— um canto só.
os olhos no ar.
Vasto e imenso,
lindo e livre,
mar-espaço
— uma paisagem só.
Marulho das ondas,
voz do mar,
azul da manhã,
alegria do céu.
No meu coração
— um canto só.
998
Cludia Nobre de Oliveira
Amor
Meu corpo incendiado por um mal que penso ser
adentrando pela minha cabeça e ressurgindo nas
veias fortalecendo meu peito para suportar essa força
máxima, forte
me parece insuportável, reago a esse mal, mais uma vez
não?!
Deixo-o viver, sobreviver renascer dentro de mim pois
esse mal não é tão mal assim é bem para o meu corpo
minha alma meu coração, é o mal bem querer que é mais
uma vez o mal de amar e ser amado e plenamente feliz
de, sede de vida.
adentrando pela minha cabeça e ressurgindo nas
veias fortalecendo meu peito para suportar essa força
máxima, forte
me parece insuportável, reago a esse mal, mais uma vez
não?!
Deixo-o viver, sobreviver renascer dentro de mim pois
esse mal não é tão mal assim é bem para o meu corpo
minha alma meu coração, é o mal bem querer que é mais
uma vez o mal de amar e ser amado e plenamente feliz
de, sede de vida.
898
Carvalho Nogueira
Oração da Noite
— Meu Deus, eu agradeço mais um dia
de vida neste mundo de emoções,
também peço perdão pelos pecados
que cometi, por mais que os evitasse.
E por esses pecados, de joelhos,
perdão suplico, cheio de remorso,
pedindo forças, luzes e talento
para evitá-los quando me tentarem.
Como dissestes que a gente batesse,
que as portas se abririam de repente,
rogo pela felicidade dos meus filhos.
Pelas almas dos maus também eu rogo,
pelos que sofrem, pelos que não sabem
rezar uma palavra de perdão.
de vida neste mundo de emoções,
também peço perdão pelos pecados
que cometi, por mais que os evitasse.
E por esses pecados, de joelhos,
perdão suplico, cheio de remorso,
pedindo forças, luzes e talento
para evitá-los quando me tentarem.
Como dissestes que a gente batesse,
que as portas se abririam de repente,
rogo pela felicidade dos meus filhos.
Pelas almas dos maus também eu rogo,
pelos que sofrem, pelos que não sabem
rezar uma palavra de perdão.
1 023
Carvalho Nogueira
Oração da Noite
— Meu Deus, eu agradeço mais um dia
de vida neste mundo de emoções,
também peço perdão pelos pecados
que cometi, por mais que os evitasse.
E por esses pecados, de joelhos,
perdão suplico, cheio de remorso,
pedindo forças, luzes e talento
para evitá-los quando me tentarem.
Como dissestes que a gente batesse,
que as portas se abririam de repente,
rogo pela felicidade dos meus filhos.
Pelas almas dos maus também eu rogo,
pelos que sofrem, pelos que não sabem
rezar uma palavra de perdão.
de vida neste mundo de emoções,
também peço perdão pelos pecados
que cometi, por mais que os evitasse.
E por esses pecados, de joelhos,
perdão suplico, cheio de remorso,
pedindo forças, luzes e talento
para evitá-los quando me tentarem.
Como dissestes que a gente batesse,
que as portas se abririam de repente,
rogo pela felicidade dos meus filhos.
Pelas almas dos maus também eu rogo,
pelos que sofrem, pelos que não sabem
rezar uma palavra de perdão.
1 023
Carvalho Nogueira
Madrugada Pura
Ah, madrugada pura dos meus sonhos,
que seria de mim sem teus minutos,
sem tuas ruas longas e caladas
para o passeio do meu pensamento?
Se não fosse a certeza de que vens
depois de cada noite, que faria
de tanta solidão que enche o meu quarto
de tanta angústia que não cabe em mim?
Ah, se não fosses tu, quem me daria
os beijos que alimentam minha boca
nos momentos de fome de minhalma?
Além de beijos, madrugada pura,
que seria de mim, se não me desses
o mel para a colmeia dos meus versos?
que seria de mim sem teus minutos,
sem tuas ruas longas e caladas
para o passeio do meu pensamento?
Se não fosse a certeza de que vens
depois de cada noite, que faria
de tanta solidão que enche o meu quarto
de tanta angústia que não cabe em mim?
Ah, se não fosses tu, quem me daria
os beijos que alimentam minha boca
nos momentos de fome de minhalma?
Além de beijos, madrugada pura,
que seria de mim, se não me desses
o mel para a colmeia dos meus versos?
947
Carvalho Nogueira
Madrugada Pura
Ah, madrugada pura dos meus sonhos,
que seria de mim sem teus minutos,
sem tuas ruas longas e caladas
para o passeio do meu pensamento?
Se não fosse a certeza de que vens
depois de cada noite, que faria
de tanta solidão que enche o meu quarto
de tanta angústia que não cabe em mim?
Ah, se não fosses tu, quem me daria
os beijos que alimentam minha boca
nos momentos de fome de minhalma?
Além de beijos, madrugada pura,
que seria de mim, se não me desses
o mel para a colmeia dos meus versos?
que seria de mim sem teus minutos,
sem tuas ruas longas e caladas
para o passeio do meu pensamento?
Se não fosse a certeza de que vens
depois de cada noite, que faria
de tanta solidão que enche o meu quarto
de tanta angústia que não cabe em mim?
Ah, se não fosses tu, quem me daria
os beijos que alimentam minha boca
nos momentos de fome de minhalma?
Além de beijos, madrugada pura,
que seria de mim, se não me desses
o mel para a colmeia dos meus versos?
947
Cleonice Rainho
Idéias
As idéias moram
no pensamento
ou na mente
que tem sua casinha
na cabeça da gente.
Vão e vêm, viajam
na terra ou no mar.
Descansam, param,
saltam e voam alto
e longe, no azul do ar.
Dispensam carro
navio ou avião,
pois, se transportam
pela imaginação.
Podem nascer obscuras,
mas, se é uma idéia legal
brilha logo, lâmpada acesa,
pela Vontade e pelo Ideal.
Alimentam-se
umas das outras,
de lembranças,
de conversas,
de belas gravuras
ou boas leituras
e também da natureza
em sua simples beleza.
Mas, a idéia mais feliz,
a maior, a mais viva,
que sustenta os sonhos meus
— é a idéia de Deus.
no pensamento
ou na mente
que tem sua casinha
na cabeça da gente.
Vão e vêm, viajam
na terra ou no mar.
Descansam, param,
saltam e voam alto
e longe, no azul do ar.
Dispensam carro
navio ou avião,
pois, se transportam
pela imaginação.
Podem nascer obscuras,
mas, se é uma idéia legal
brilha logo, lâmpada acesa,
pela Vontade e pelo Ideal.
Alimentam-se
umas das outras,
de lembranças,
de conversas,
de belas gravuras
ou boas leituras
e também da natureza
em sua simples beleza.
Mas, a idéia mais feliz,
a maior, a mais viva,
que sustenta os sonhos meus
— é a idéia de Deus.
1 080
Chico Noronha
Brasil
Interrogo um agimo de vista
se é defeito de fábrica
ou estamos mesmo no Brasil
.................................................
dou gargalhadas
e desligo a luz
se é defeito de fábrica
ou estamos mesmo no Brasil
.................................................
dou gargalhadas
e desligo a luz
985
Cleonice Rainho
Manequinho
Mecânico, automático,
parece um menino verdadeiro
este boneco engraçadinho
que batizei de Manequinho.
Anda, olha, trabalha,
cumpre ordens
como escravo,
fala, gargalha
e dá até berro.
Só não aprendeu a sorrir
com seus lábios e dentes
de ferro.
Dei um beliscão nele
não pegou,
dei um biscoito
nem ligou.
E é gordo e robusto, como é!
pois só come e consome
energia elétrica, não é ?!
Fico horas observando este robô
que está sempre comigo:
— Quero ver se ele sabe ser amigo
parece um menino verdadeiro
este boneco engraçadinho
que batizei de Manequinho.
Anda, olha, trabalha,
cumpre ordens
como escravo,
fala, gargalha
e dá até berro.
Só não aprendeu a sorrir
com seus lábios e dentes
de ferro.
Dei um beliscão nele
não pegou,
dei um biscoito
nem ligou.
E é gordo e robusto, como é!
pois só come e consome
energia elétrica, não é ?!
Fico horas observando este robô
que está sempre comigo:
— Quero ver se ele sabe ser amigo
1 182
Chico Buarque
Gente Humilde
Tem certos dias em que eu penso em minha gente
E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Como um desejo de eu viver sem me notar
Igual a como quando eu passo num subúrbio
Eu muito bem vindo de trem de algum lugar
E aí me dá como uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com quem contar
São casas simples com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda flores tristes e baldias
Como a alegria que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio, peço a Deus por minha gente
É gente humilde, que vontade de chorar
E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Como um desejo de eu viver sem me notar
Igual a como quando eu passo num subúrbio
Eu muito bem vindo de trem de algum lugar
E aí me dá como uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com quem contar
São casas simples com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda flores tristes e baldias
Como a alegria que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio, peço a Deus por minha gente
É gente humilde, que vontade de chorar
1 994
Claudia Moraes Rego
Exílio e Miopia (para Julia)
"Olha o balão!"
Não via.
Não falava nada.
"Olha o gavião!"
Não via.
Calava.
"Olha o Cristo Redentor!"
Puxa, não via!
Mas fingia
"O bondinho!"
Nada.
Era assim.
Certamente,
sem dúvida nenhuma,
fazia parte
(tinha caído do lado)
da tribo dos exilados
do prazer.
Não via.
Não falava nada.
"Olha o gavião!"
Não via.
Calava.
"Olha o Cristo Redentor!"
Puxa, não via!
Mas fingia
"O bondinho!"
Nada.
Era assim.
Certamente,
sem dúvida nenhuma,
fazia parte
(tinha caído do lado)
da tribo dos exilados
do prazer.
884
Claudia Moraes Rego
Exílio e Miopia (para Julia)
"Olha o balão!"
Não via.
Não falava nada.
"Olha o gavião!"
Não via.
Calava.
"Olha o Cristo Redentor!"
Puxa, não via!
Mas fingia
"O bondinho!"
Nada.
Era assim.
Certamente,
sem dúvida nenhuma,
fazia parte
(tinha caído do lado)
da tribo dos exilados
do prazer.
Não via.
Não falava nada.
"Olha o gavião!"
Não via.
Calava.
"Olha o Cristo Redentor!"
Puxa, não via!
Mas fingia
"O bondinho!"
Nada.
Era assim.
Certamente,
sem dúvida nenhuma,
fazia parte
(tinha caído do lado)
da tribo dos exilados
do prazer.
884
Cleonice Rainho
Quintal de Sonho
A menina dorme
e uma cortina
branca e leve
cobre seus olhos
no quarto enorme
e sem paredes.
Crescem cenouras, tomates,
rabanetes, beterrabas,
legumes coloridos
que colorem sua cabeça
num quintal de Sonho,
na horta do Amor
que não precisa de adubo,
nem de enxada,
nem de capinador.
A menina acorda
à hora da colheita
e dá "Bom-dia!"
aos lindos legumes
que não vai comer.
São da horta do Amor
e um a um vai oferecer.
e uma cortina
branca e leve
cobre seus olhos
no quarto enorme
e sem paredes.
Crescem cenouras, tomates,
rabanetes, beterrabas,
legumes coloridos
que colorem sua cabeça
num quintal de Sonho,
na horta do Amor
que não precisa de adubo,
nem de enxada,
nem de capinador.
A menina acorda
à hora da colheita
e dá "Bom-dia!"
aos lindos legumes
que não vai comer.
São da horta do Amor
e um a um vai oferecer.
1 236
Cleonice Rainho
Peixinhos
À beira dágua calminha,
o aquário mais natural,
eu paro olhando os peixinhos
que brilham como cristal.
Entre o verde e humildes flores
observo meus amiguinhos
que, alegres, nadam, entrando
e saindo de seus cantinhos.
Armo casinha com torres
e sobre uma pedra ponho:
— é o palácio dos peixes
e meu castelo de sonho.
A ver quem vai ser o rei,
no espelho dágua mirando,
de cada qual o jeitinho,
com que prazer vou notando!
Parece pepita de ouro
um pequeno, o Douradinho;
magro e comprido o Agulhinha
e Bolinha, o gorduchinho.
Assim, esses peixes lindos,
na manhã vou batizando,
mas, vejo que vão e voltam
só nadando... só nadando...
Sem nomes, sonhos, palácios,
fugindo à rede e ao anzol,
as nadadeiras abrindo,
festejam a luz do sol.
Por Isso, ao voltar do rio,
me comparo aos amiguinhos
tão simples e naturais
que querem ser só peixinhos...
o aquário mais natural,
eu paro olhando os peixinhos
que brilham como cristal.
Entre o verde e humildes flores
observo meus amiguinhos
que, alegres, nadam, entrando
e saindo de seus cantinhos.
Armo casinha com torres
e sobre uma pedra ponho:
— é o palácio dos peixes
e meu castelo de sonho.
A ver quem vai ser o rei,
no espelho dágua mirando,
de cada qual o jeitinho,
com que prazer vou notando!
Parece pepita de ouro
um pequeno, o Douradinho;
magro e comprido o Agulhinha
e Bolinha, o gorduchinho.
Assim, esses peixes lindos,
na manhã vou batizando,
mas, vejo que vão e voltam
só nadando... só nadando...
Sem nomes, sonhos, palácios,
fugindo à rede e ao anzol,
as nadadeiras abrindo,
festejam a luz do sol.
Por Isso, ao voltar do rio,
me comparo aos amiguinhos
tão simples e naturais
que querem ser só peixinhos...
1 659
Pe. Osvaldo Chaves
Essa Grande Mulher
Não quero
Dos hotéis-constelação,
Que medem luxo em número de estrelas,
Destes hotéis não quero os gênios culinários
Sequer nomear:
Eu canto a cozinheira!
Eu canto a cozinheira, que não mede
Seu valor em estrelas, mas em sóis:
Ela é de todo dia, e são trezentos,
Três vozes cem e mais sessenta e cinco
Os sóis que exaltam seu valor por ano.
Ela é do ano todo e de todos os anos:
No princípio do dia,
Está ainda escondido o sol pra o sou trabalho,
E bem antes do fim de sua dura jornada, o sol já se escondeu...
É Sara preparando os pães de casa
E dos divinos hóspedes,
É o magico poder das mãos abençoadas
De Rebeca, fazenda, de cabritos,
O guisado de caça ao gosto de Isaac;
Euricléia em Ítaca, cozinha
Pra Ulisses e Telêmaco;
Maria e Joana e Antônia e outras muitas Marias,
Pra mim e pra você.
Erija quem quiser seus monumentos
Ao vaqueiro, ao romeiro, ou ao soldado
Desconhecido.
Erija quem quiser suas estátuas
A Sampaios, Tibúrcios, a Caxias,
Napoleões e outros fabricantes
De viúvas e de órfãos e famintos:
Eu quero um monumento à verdadeira
Dona de casa
Humilde e boa
Que nos dá de comer.
Eu faço do meu poema um monumento
A essa grande mulher
Que lava e enxuga o meu talher
E me dá de comer:
Eu canto a cozinheira!
Dos hotéis-constelação,
Que medem luxo em número de estrelas,
Destes hotéis não quero os gênios culinários
Sequer nomear:
Eu canto a cozinheira!
Eu canto a cozinheira, que não mede
Seu valor em estrelas, mas em sóis:
Ela é de todo dia, e são trezentos,
Três vozes cem e mais sessenta e cinco
Os sóis que exaltam seu valor por ano.
Ela é do ano todo e de todos os anos:
No princípio do dia,
Está ainda escondido o sol pra o sou trabalho,
E bem antes do fim de sua dura jornada, o sol já se escondeu...
É Sara preparando os pães de casa
E dos divinos hóspedes,
É o magico poder das mãos abençoadas
De Rebeca, fazenda, de cabritos,
O guisado de caça ao gosto de Isaac;
Euricléia em Ítaca, cozinha
Pra Ulisses e Telêmaco;
Maria e Joana e Antônia e outras muitas Marias,
Pra mim e pra você.
Erija quem quiser seus monumentos
Ao vaqueiro, ao romeiro, ou ao soldado
Desconhecido.
Erija quem quiser suas estátuas
A Sampaios, Tibúrcios, a Caxias,
Napoleões e outros fabricantes
De viúvas e de órfãos e famintos:
Eu quero um monumento à verdadeira
Dona de casa
Humilde e boa
Que nos dá de comer.
Eu faço do meu poema um monumento
A essa grande mulher
Que lava e enxuga o meu talher
E me dá de comer:
Eu canto a cozinheira!
1 014
Cid Saboia de Carvalho
Plenilúnio
Plenilúnio, oh plena lua
de meu avô e de minha avó.
Leio versos dele nas velhas coletâneas
enquanto os recortes amarelecidos
fazem queixas e promessas,
queixas, promessas e esperanças.
Tudo de ti me fala, eis que confessa
nas canções plenas de luas cheias,
cheias de todas as luas.
Ao pé do soneto publicado
o anúncio do livro que se perdeu,
cujas páginas quase não restaram.
E agora, perto de um século depois,
tomo o plenilúnio ao meu cuidado
com um livro sem graça,
mas cheio de emoção como seria o seu.
Meu avô Eduardo declamava com voz cheia
os versos que fez como padeiro
para Mimosa, minha avó.
Tudo restou acontecido,
inclusive as mortes no caminho.
a dele, a dela e a partida
dos filhos todos que tiveram.
O velho álbum guarda recortes amarelos
e é a própria lua cheia que me ilumina
com seculares emoções,
jovens emoções que se renovam a cada lua.
Os dedos de minha Mãe pregaram esses papéis
que jazem pregados em mim.
Oh plenilúnio, oh lua plena, plena lua
lua de cem anos, lua cheia
de uma saudade sem fim.
Plenilúnio da saudade,
oh plenilúnio de mim.
de meu avô e de minha avó.
Leio versos dele nas velhas coletâneas
enquanto os recortes amarelecidos
fazem queixas e promessas,
queixas, promessas e esperanças.
Tudo de ti me fala, eis que confessa
nas canções plenas de luas cheias,
cheias de todas as luas.
Ao pé do soneto publicado
o anúncio do livro que se perdeu,
cujas páginas quase não restaram.
E agora, perto de um século depois,
tomo o plenilúnio ao meu cuidado
com um livro sem graça,
mas cheio de emoção como seria o seu.
Meu avô Eduardo declamava com voz cheia
os versos que fez como padeiro
para Mimosa, minha avó.
Tudo restou acontecido,
inclusive as mortes no caminho.
a dele, a dela e a partida
dos filhos todos que tiveram.
O velho álbum guarda recortes amarelos
e é a própria lua cheia que me ilumina
com seculares emoções,
jovens emoções que se renovam a cada lua.
Os dedos de minha Mãe pregaram esses papéis
que jazem pregados em mim.
Oh plenilúnio, oh lua plena, plena lua
lua de cem anos, lua cheia
de uma saudade sem fim.
Plenilúnio da saudade,
oh plenilúnio de mim.
1 031
Cleonice Rainho
Meu Lenço
Um pedacinho de pano
florido ou não,
o lenço é útil
e gosto dele
no bolso ou na mão.
Da calçada
ou da janela
dou adeus com ele
para o papai,
quando vai trabalhar,
e para os passarinhos
que vejo voar.
Corro com o lenço
aberto ao vento
— a vela de um barco
ou uma bandeirinha
bem esticadinha...
Mas, de lenço molhado,
na fonte dos olhos,
não gosto não!
E pano encharcado
na água de tristeza
do coração.
florido ou não,
o lenço é útil
e gosto dele
no bolso ou na mão.
Da calçada
ou da janela
dou adeus com ele
para o papai,
quando vai trabalhar,
e para os passarinhos
que vejo voar.
Corro com o lenço
aberto ao vento
— a vela de um barco
ou uma bandeirinha
bem esticadinha...
Mas, de lenço molhado,
na fonte dos olhos,
não gosto não!
E pano encharcado
na água de tristeza
do coração.
1 320
Cleonice Rainho
Meu Lenço
Um pedacinho de pano
florido ou não,
o lenço é útil
e gosto dele
no bolso ou na mão.
Da calçada
ou da janela
dou adeus com ele
para o papai,
quando vai trabalhar,
e para os passarinhos
que vejo voar.
Corro com o lenço
aberto ao vento
— a vela de um barco
ou uma bandeirinha
bem esticadinha...
Mas, de lenço molhado,
na fonte dos olhos,
não gosto não!
E pano encharcado
na água de tristeza
do coração.
florido ou não,
o lenço é útil
e gosto dele
no bolso ou na mão.
Da calçada
ou da janela
dou adeus com ele
para o papai,
quando vai trabalhar,
e para os passarinhos
que vejo voar.
Corro com o lenço
aberto ao vento
— a vela de um barco
ou uma bandeirinha
bem esticadinha...
Mas, de lenço molhado,
na fonte dos olhos,
não gosto não!
E pano encharcado
na água de tristeza
do coração.
1 320
Claudia Moraes Rego
No seu colo
Cabeça no seu colo
orelha colada em sua perna
ouvindo
palavras fiadas em conversa
conduzidas, transmitidas
através
de carnes e ossos
com ecos e reverberações
intrigantes:
orelha colada na pele
friinha (mistério!)
macia e perambulante.
Hoje
minha mãe
é a lembrança de um corpo
--- auscultado ---
ontem.
orelha colada em sua perna
ouvindo
palavras fiadas em conversa
conduzidas, transmitidas
através
de carnes e ossos
com ecos e reverberações
intrigantes:
orelha colada na pele
friinha (mistério!)
macia e perambulante.
Hoje
minha mãe
é a lembrança de um corpo
--- auscultado ---
ontem.
1 057
Claudia Moraes Rego
Viu só, meu anjo?
Viu só, meu anjo.
Eu não disse
que não ia doer?
Eu disse
que ia doer.
Eu: dói
Eu não disse
que não ia doer?
Eu disse
que ia doer.
Eu: dói
865
Cláudio Aguiar
Sonho Solar
A Miguel Elías Sánchez Sánchez
Eu não conheço o sol,
clarão que humilha e me faz manso.
Só o conheço na sombra
que também mata e inocenta.
No lago interior, alma afogada,
afundei a matéria abismal do choro,
facho imenso entre o dia e a noite.
Oh, escuridão eterna,
quando serei raio
partindo do útero da terra?
Eu não conheço a luz temporal
que anda por sendeiros,
buscando as pisadas das estrelas,
gerando um som que me emudece.
Ainda que o meu tamanho se agigante,
não vejo nada além do infinito.
Talvez me ensine mais o sonho
que me alimenta e logo me destrói:
rotor preciso da imensidão,
refrão nefasto da pequenez humana.
Eu não conheço o sol,
clarão que humilha e me faz manso.
Só o conheço na sombra
que também mata e inocenta.
No lago interior, alma afogada,
afundei a matéria abismal do choro,
facho imenso entre o dia e a noite.
Oh, escuridão eterna,
quando serei raio
partindo do útero da terra?
Eu não conheço a luz temporal
que anda por sendeiros,
buscando as pisadas das estrelas,
gerando um som que me emudece.
Ainda que o meu tamanho se agigante,
não vejo nada além do infinito.
Talvez me ensine mais o sonho
que me alimenta e logo me destrói:
rotor preciso da imensidão,
refrão nefasto da pequenez humana.
831
Pe. Osvaldo Chaves
Doce e Breve
Quando eu morrer, vai lá, olha os meus restos,
Apenas com saudade:
Uma saudade breve,
Com a duração das rosas.
Poupa-me dos protestos de "saudade
Imorredoura e eterna:"
Sobre o meu corpo a terra
Já é por demais pesada.
O eterno, assim como o infinito,
Me dá vertigens.
Eu amo a flor
Que vive "o espaço de uma manhã",
Eu amo o entardecer, eu amo a aurora,
Que duram menos,
Ainda menos que a flor,
Um pouco mais de uma hora;
E a onda que se eleva, e se encrespa, e se abate
Em flor de espuma,
E o êxtase do amor que dura alguns seguidos ...
Eu amo a vida!
A vida,
Tão doce e breve,
Que tem na flor, no entardecer, na aurora
E tem na onda e no êxtase do amor
A mais perfeita imagem.
Eu amo a vida!
Quando eu morrer, vai lá, olha os meus restos,
Apenas com saudade:
Unia saudade breve,
Com a duração das rosas.
Apenas com saudade:
Uma saudade breve,
Com a duração das rosas.
Poupa-me dos protestos de "saudade
Imorredoura e eterna:"
Sobre o meu corpo a terra
Já é por demais pesada.
O eterno, assim como o infinito,
Me dá vertigens.
Eu amo a flor
Que vive "o espaço de uma manhã",
Eu amo o entardecer, eu amo a aurora,
Que duram menos,
Ainda menos que a flor,
Um pouco mais de uma hora;
E a onda que se eleva, e se encrespa, e se abate
Em flor de espuma,
E o êxtase do amor que dura alguns seguidos ...
Eu amo a vida!
A vida,
Tão doce e breve,
Que tem na flor, no entardecer, na aurora
E tem na onda e no êxtase do amor
A mais perfeita imagem.
Eu amo a vida!
Quando eu morrer, vai lá, olha os meus restos,
Apenas com saudade:
Unia saudade breve,
Com a duração das rosas.
1 085
Candido Diaz
Quero colo
Ai, que sinto a proximidade dos acordes maternos!
Ai, que me oferecem a língua-ninho!
Ai, que vínculos celestiais me suportam nesta hora,
trazendo e levando doces uivos de cães abandonados!
Tecnologia, nunca te associei aos meus lamentos,
mas agora que trazes poesia aos meus olhos,
que sinto a língua calorosa em meu pecoço, obrigado!
Vejo a tela do computador como olhos a transmitir,
boca a sussurrar, lareira acesa em quarto frio.
Quase me dá tesão.
Sim, quero essa dor do prazer!
Quero essa sensação de gozo por vir!
Escutem-me! Estou a chorar minhas palavras,
em portugues!
Quero dizer de minhas fraquezas - quero colo.
De meus desejos - quero contato. Todos!
De meus objetivos - quero crescer. Juntos!
Só isso. So quero gente!
Portugues, tecnologia, ajudem-me!
Língua que me lambeu por toda a vida,
que escutei a filtrar as paredes do útero,
que me acalentou enquanto mamava,
que me falou dos A’s e dos 1,2’s.
Que se entrelaçou a outras línguas
na busca do amor companheiro.
Tecnologia, que na vez de pombo-correio,
faz todas as minhas esperanças
ficarem atrás de uma tênue tela.
Um, que seja um só!
Fala-me em portugues!
Ai, que me oferecem a língua-ninho!
Ai, que vínculos celestiais me suportam nesta hora,
trazendo e levando doces uivos de cães abandonados!
Tecnologia, nunca te associei aos meus lamentos,
mas agora que trazes poesia aos meus olhos,
que sinto a língua calorosa em meu pecoço, obrigado!
Vejo a tela do computador como olhos a transmitir,
boca a sussurrar, lareira acesa em quarto frio.
Quase me dá tesão.
Sim, quero essa dor do prazer!
Quero essa sensação de gozo por vir!
Escutem-me! Estou a chorar minhas palavras,
em portugues!
Quero dizer de minhas fraquezas - quero colo.
De meus desejos - quero contato. Todos!
De meus objetivos - quero crescer. Juntos!
Só isso. So quero gente!
Portugues, tecnologia, ajudem-me!
Língua que me lambeu por toda a vida,
que escutei a filtrar as paredes do útero,
que me acalentou enquanto mamava,
que me falou dos A’s e dos 1,2’s.
Que se entrelaçou a outras línguas
na busca do amor companheiro.
Tecnologia, que na vez de pombo-correio,
faz todas as minhas esperanças
ficarem atrás de uma tênue tela.
Um, que seja um só!
Fala-me em portugues!
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