Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Ovídio
FRAGMENTO
Era intenso o calor, passava do meio-dia;
Estava eu em minha cama repousando.
[...] Eis que vem Corina numa túnica ligeira,
Os cabelos lhe ocultando o alvo pescoço;
Assim entrava na alcova a formosa Semiramis,
Dizem, e Laís que amaram tantos homens.
Tirei-lhe a túnica; de tão tênue mal contava:
Ela lutou todavia por cobrir-se
Com a túnica, mas sem empenho de vencer:
Venceu-a, sem mágoa, a sua traição.
Ficou em pé, sem roupa, ali diante dos meus olhos.
Em seu corpo não havia um só defeito.
Que ombros e que braços me foi dado ver, tocar!
Os belos seios, que doce comprimi-los!
Que ventre mais polido logo abaixo do peito!
Que primor de ancas, que juvenil a coxa!
Por que pormenorizar? Nada vi não louvável,
E lhe estreitei a nudez contra o meu corpo.
O resto, quem não sabe? Exaustos, repousamos.
Que outros meios-dias me sejam tão prósperos!
Os amores, V:
12,9-26
Estava eu em minha cama repousando.
[...] Eis que vem Corina numa túnica ligeira,
Os cabelos lhe ocultando o alvo pescoço;
Assim entrava na alcova a formosa Semiramis,
Dizem, e Laís que amaram tantos homens.
Tirei-lhe a túnica; de tão tênue mal contava:
Ela lutou todavia por cobrir-se
Com a túnica, mas sem empenho de vencer:
Venceu-a, sem mágoa, a sua traição.
Ficou em pé, sem roupa, ali diante dos meus olhos.
Em seu corpo não havia um só defeito.
Que ombros e que braços me foi dado ver, tocar!
Os belos seios, que doce comprimi-los!
Que ventre mais polido logo abaixo do peito!
Que primor de ancas, que juvenil a coxa!
Por que pormenorizar? Nada vi não louvável,
E lhe estreitei a nudez contra o meu corpo.
O resto, quem não sabe? Exaustos, repousamos.
Que outros meios-dias me sejam tão prósperos!
Os amores, V:
12,9-26
1 120
Marcial
VI, 23 - CONTRA LÉSBIA
Que eu esteja sempre de pau feito queres,
Lésbia, mas crê que membro não é dedo.
Coa mão, coa voz, tu docemente insistes,
E contra ti teu rosto não perdoa.
Lésbia, mas crê que membro não é dedo.
Coa mão, coa voz, tu docemente insistes,
E contra ti teu rosto não perdoa.
983
Marcial
IV, 82 - ACERCA DE FÁBULA
Porque o epigrama, Fábula, meu lesse,
Em que me queixo que ninguém se nega
Rogada até três vezes repeliu
Do amante as preces. Fábula, promete:
Negar é justo, trinegar não é.
Em que me queixo que ninguém se nega
Rogada até três vezes repeliu
Do amante as preces. Fábula, promete:
Negar é justo, trinegar não é.
1 140
Michelangelo
A TOMMASO DE CAVALJERI
(A CHE PlÙ DEBBI0 MAI... )
Porque mais devo eu nunca o fundo amor
em prantos afogar ou vozes mestas,
se de tal sorte o céu, às dors funestas,
jamais as almas poupa, em seu favor?
A mais morrer me impele o amargor...
Se tudo há de morrer... porquê? Se, nestas
pupilas, mortes me não são molestas,
que tudo o mais me é menos do que a dor.
Se ao golpe, que não quero e não evito,
não me é dado escapar; se é destinado,
e me atravessa entre doçura e grito,
se me é ventura o estar encadeado,
espanto não será que, nu, maldito,
a presa eu sou de um Cavaleiro armado.
Porque mais devo eu nunca o fundo amor
em prantos afogar ou vozes mestas,
se de tal sorte o céu, às dors funestas,
jamais as almas poupa, em seu favor?
A mais morrer me impele o amargor...
Se tudo há de morrer... porquê? Se, nestas
pupilas, mortes me não são molestas,
que tudo o mais me é menos do que a dor.
Se ao golpe, que não quero e não evito,
não me é dado escapar; se é destinado,
e me atravessa entre doçura e grito,
se me é ventura o estar encadeado,
espanto não será que, nu, maldito,
a presa eu sou de um Cavaleiro armado.
1 336
Michelangelo
A TOMMASO DE CAVALJERI
(A CHE PlÙ DEBBI0 MAI... )
Porque mais devo eu nunca o fundo amor
em prantos afogar ou vozes mestas,
se de tal sorte o céu, às dors funestas,
jamais as almas poupa, em seu favor?
A mais morrer me impele o amargor...
Se tudo há de morrer... porquê? Se, nestas
pupilas, mortes me não são molestas,
que tudo o mais me é menos do que a dor.
Se ao golpe, que não quero e não evito,
não me é dado escapar; se é destinado,
e me atravessa entre doçura e grito,
se me é ventura o estar encadeado,
espanto não será que, nu, maldito,
a presa eu sou de um Cavaleiro armado.
Porque mais devo eu nunca o fundo amor
em prantos afogar ou vozes mestas,
se de tal sorte o céu, às dors funestas,
jamais as almas poupa, em seu favor?
A mais morrer me impele o amargor...
Se tudo há de morrer... porquê? Se, nestas
pupilas, mortes me não são molestas,
que tudo o mais me é menos do que a dor.
Se ao golpe, que não quero e não evito,
não me é dado escapar; se é destinado,
e me atravessa entre doçura e grito,
se me é ventura o estar encadeado,
espanto não será que, nu, maldito,
a presa eu sou de um Cavaleiro armado.
1 336
Juan Ramón Jiménez
PAVILHÃO
Muros altos de teu corpo.
Não havia entrada em teu horto.
(Que onda de asas ascendia!
Oh o que ali se passaria!)
Céu claro ou turvo, que importa?
Não havia entrada em tua glória.
(Que aroma às vezes subia!
Oh em teus vergéis que haveria?)
Tornaste a ficar fechada.
Não havia em tua alma entrada!
Não havia entrada em teu horto.
(Que onda de asas ascendia!
Oh o que ali se passaria!)
Céu claro ou turvo, que importa?
Não havia entrada em tua glória.
(Que aroma às vezes subia!
Oh em teus vergéis que haveria?)
Tornaste a ficar fechada.
Não havia em tua alma entrada!
2 572
Juan Ramón Jiménez
PAVILHÃO
Muros altos de teu corpo.
Não havia entrada em teu horto.
(Que onda de asas ascendia!
Oh o que ali se passaria!)
Céu claro ou turvo, que importa?
Não havia entrada em tua glória.
(Que aroma às vezes subia!
Oh em teus vergéis que haveria?)
Tornaste a ficar fechada.
Não havia em tua alma entrada!
Não havia entrada em teu horto.
(Que onda de asas ascendia!
Oh o que ali se passaria!)
Céu claro ou turvo, que importa?
Não havia entrada em tua glória.
(Que aroma às vezes subia!
Oh em teus vergéis que haveria?)
Tornaste a ficar fechada.
Não havia em tua alma entrada!
2 572
Giuseppe Ungaretti
À MEMÓRIA DE
Chamava-se
Maomé Cheabe
Descendente
dos emires dos nómadas
suicida
porque não tinha já
pátria
Amou a França
e mudou de nome
Foi Marcel
mas não era francês
e não sabia já
viver
na tenda dos seus
onde se escuta a cantilena
do Corão
saboreando um café
E não sabia soltar
o canto
do seu abandono
Acompanhei-o
junto com a patroa do hotel
onde habitávamos
em Paris
no nº 5 da Rue des Carmes
murcha viela em descida
Repousa
no cemitério de Ivry
subúrbio que parece
sempre em dia
de uma
feira levantada.
E talvez eu só
ainda saiba
que viveu.
Maomé Cheabe
Descendente
dos emires dos nómadas
suicida
porque não tinha já
pátria
Amou a França
e mudou de nome
Foi Marcel
mas não era francês
e não sabia já
viver
na tenda dos seus
onde se escuta a cantilena
do Corão
saboreando um café
E não sabia soltar
o canto
do seu abandono
Acompanhei-o
junto com a patroa do hotel
onde habitávamos
em Paris
no nº 5 da Rue des Carmes
murcha viela em descida
Repousa
no cemitério de Ivry
subúrbio que parece
sempre em dia
de uma
feira levantada.
E talvez eu só
ainda saiba
que viveu.
1 635
Giuseppe Ungaretti
À MEMÓRIA DE
Chamava-se
Maomé Cheabe
Descendente
dos emires dos nómadas
suicida
porque não tinha já
pátria
Amou a França
e mudou de nome
Foi Marcel
mas não era francês
e não sabia já
viver
na tenda dos seus
onde se escuta a cantilena
do Corão
saboreando um café
E não sabia soltar
o canto
do seu abandono
Acompanhei-o
junto com a patroa do hotel
onde habitávamos
em Paris
no nº 5 da Rue des Carmes
murcha viela em descida
Repousa
no cemitério de Ivry
subúrbio que parece
sempre em dia
de uma
feira levantada.
E talvez eu só
ainda saiba
que viveu.
Maomé Cheabe
Descendente
dos emires dos nómadas
suicida
porque não tinha já
pátria
Amou a França
e mudou de nome
Foi Marcel
mas não era francês
e não sabia já
viver
na tenda dos seus
onde se escuta a cantilena
do Corão
saboreando um café
E não sabia soltar
o canto
do seu abandono
Acompanhei-o
junto com a patroa do hotel
onde habitávamos
em Paris
no nº 5 da Rue des Carmes
murcha viela em descida
Repousa
no cemitério de Ivry
subúrbio que parece
sempre em dia
de uma
feira levantada.
E talvez eu só
ainda saiba
que viveu.
1 635
Marcial
IV, 7 - A HILO
Porque ontem que tu davas, hoje, ó Hilo, negas,
Duro tão súbito, quando eras só ternura?
É que tens barba e pelos, mais idade, dizes.
Ó noite, como és longa, que assim envelheces!
Porque troças de mim? Ontem criança ainda eras.
Diz-me: qual a razão de que hoje um homem és?
Duro tão súbito, quando eras só ternura?
É que tens barba e pelos, mais idade, dizes.
Ó noite, como és longa, que assim envelheces!
Porque troças de mim? Ontem criança ainda eras.
Diz-me: qual a razão de que hoje um homem és?
1 151
Gabriela Mistral
O PENSADOR DE RODIN
Apoiando na mão rugosa o queixo fino,
O Pensador reflete que é carne sem defesa:
Carne da cova, nua em face do destino,
Carne que odeia a morte e tremeu de beleza.
E tremeu de amor; toda a primavera ardente,
E hoje, no outono, afoga-se em verdade e tristeza.
O havemos de morrer passa-lhe pela mente
Quando no bronze cai a noturna escureza.
E na angústia seus músculos se fendem sofredores.
Sua carne sulcada enche-se de terrores,
Fende-se, como a folha de outono, ao Senhor forte
Que o reclama nos bronzes. Não há árvores torcida
Pelo sol na planície, nem leão de anca ferida,
Crispados como este homem que medita na morte.
O Pensador reflete que é carne sem defesa:
Carne da cova, nua em face do destino,
Carne que odeia a morte e tremeu de beleza.
E tremeu de amor; toda a primavera ardente,
E hoje, no outono, afoga-se em verdade e tristeza.
O havemos de morrer passa-lhe pela mente
Quando no bronze cai a noturna escureza.
E na angústia seus músculos se fendem sofredores.
Sua carne sulcada enche-se de terrores,
Fende-se, como a folha de outono, ao Senhor forte
Que o reclama nos bronzes. Não há árvores torcida
Pelo sol na planície, nem leão de anca ferida,
Crispados como este homem que medita na morte.
2 358
Antonio Machado
ME DIJO UNA TARDE
Me disse uma tarde
da Primavera:
Se buscas caminhos
em flor pela terra,
mata tuas palavras,
ouve tua alma velha.
Que o mesmo alvo linho
que te vista seja
teu traje de luto,
teu traje de festa.
Ama tua alegria,
ama tua tristeza,
se buscas caminhos
em flor pela terra.
Respondi à tarde
da Primavera:
Disseste o segredo
que em minha alma reza:
odeio a alegria
por ódio às penas.
Mas antes que pise
tua florida senda,
quisera trazer-te
morta minha alma velha.
da Primavera:
Se buscas caminhos
em flor pela terra,
mata tuas palavras,
ouve tua alma velha.
Que o mesmo alvo linho
que te vista seja
teu traje de luto,
teu traje de festa.
Ama tua alegria,
ama tua tristeza,
se buscas caminhos
em flor pela terra.
Respondi à tarde
da Primavera:
Disseste o segredo
que em minha alma reza:
odeio a alegria
por ódio às penas.
Mas antes que pise
tua florida senda,
quisera trazer-te
morta minha alma velha.
1 719
Antonio Machado
ME DIJO UNA TARDE
Me disse uma tarde
da Primavera:
Se buscas caminhos
em flor pela terra,
mata tuas palavras,
ouve tua alma velha.
Que o mesmo alvo linho
que te vista seja
teu traje de luto,
teu traje de festa.
Ama tua alegria,
ama tua tristeza,
se buscas caminhos
em flor pela terra.
Respondi à tarde
da Primavera:
Disseste o segredo
que em minha alma reza:
odeio a alegria
por ódio às penas.
Mas antes que pise
tua florida senda,
quisera trazer-te
morta minha alma velha.
da Primavera:
Se buscas caminhos
em flor pela terra,
mata tuas palavras,
ouve tua alma velha.
Que o mesmo alvo linho
que te vista seja
teu traje de luto,
teu traje de festa.
Ama tua alegria,
ama tua tristeza,
se buscas caminhos
em flor pela terra.
Respondi à tarde
da Primavera:
Disseste o segredo
que em minha alma reza:
odeio a alegria
por ódio às penas.
Mas antes que pise
tua florida senda,
quisera trazer-te
morta minha alma velha.
1 719
Marcial
V, 55 - SOBRE UMA ÁGUIA TRANSPORTANDO JÚPITER
- Diz-me quem tu transportas, ó rainha das aves?
- Transporto o Deus Tonante. - E como El não detém
Na mão os raios seus? - Apaixonado está.
- Por quem é que o deus arde? - Por uma criança. -
E porque docemente, entreaberto o bico,
Te voltas para EI? - De Ganimedes falo.
- Transporto o Deus Tonante. - E como El não detém
Na mão os raios seus? - Apaixonado está.
- Por quem é que o deus arde? - Por uma criança. -
E porque docemente, entreaberto o bico,
Te voltas para EI? - De Ganimedes falo.
1 005
Marcial
V, 55 - SOBRE UMA ÁGUIA TRANSPORTANDO JÚPITER
- Diz-me quem tu transportas, ó rainha das aves?
- Transporto o Deus Tonante. - E como El não detém
Na mão os raios seus? - Apaixonado está.
- Por quem é que o deus arde? - Por uma criança. -
E porque docemente, entreaberto o bico,
Te voltas para EI? - De Ganimedes falo.
- Transporto o Deus Tonante. - E como El não detém
Na mão os raios seus? - Apaixonado está.
- Por quem é que o deus arde? - Por uma criança. -
E porque docemente, entreaberto o bico,
Te voltas para EI? - De Ganimedes falo.
1 005
Marcial
I, 47 - A HÉDILO
Quando, Hédilo, me dizes: Venho-me depressa,
Despacha-te - venérea a rigidez eu perco.
Pois que, se me demoro, mais a tempo chego.
E se te logo vens, que não me apresse pede.
Despacha-te - venérea a rigidez eu perco.
Pois que, se me demoro, mais a tempo chego.
E se te logo vens, que não me apresse pede.
1 042
Marcial
V, 59-A ESTELA
Se prata não, e se ouro te não mando,
Discreta Estela, é só para teu bem.
O que dá muito, algo deseja em troca.
Estes de barro vasos, não te obrigam.
Discreta Estela, é só para teu bem.
O que dá muito, algo deseja em troca.
Estes de barro vasos, não te obrigam.
793
Marcial
V, 76 - A CINA
Tanto bebeu Mitrídates veneno
Que mal nenhum já lhe poder fazia.
Tal como tu: de sempre cears tão mal,
Não podes, Cina, já morrer de fome.
Que mal nenhum já lhe poder fazia.
Tal como tu: de sempre cears tão mal,
Não podes, Cina, já morrer de fome.
609
Marcial
V, 76 - A CINA
Tanto bebeu Mitrídates veneno
Que mal nenhum já lhe poder fazia.
Tal como tu: de sempre cears tão mal,
Não podes, Cina, já morrer de fome.
Que mal nenhum já lhe poder fazia.
Tal como tu: de sempre cears tão mal,
Não podes, Cina, já morrer de fome.
609
Poemas Sânscritos
DE AMARU
1
- Aonde vais pela alta noite dentro?
- Encontrar-me com quem me é vida e morte.
- E não tens medo de sair tão só?
- Sozinha? Eu? Se vai comigo o amor!
- Aonde vais pela alta noite dentro?
- Encontrar-me com quem me é vida e morte.
- E não tens medo de sair tão só?
- Sozinha? Eu? Se vai comigo o amor!
899
Konstantínos Kaváfis
NUM LIVRO VELHO
NUM LIVRO VELHO
Num livro velho - mais ou menos de há cem anos -
por entre as suas folhas esquecida,
encontrei uma aguarela sem assinatura.
Devia ser a obra de artista assaz forte.
Levava por título, «Apresentação do Amor».
Mas antes lhe convinha, «- do amor dos ultra estetas».
Pois era evidente quando se via a obra
(com facilidade se sentia a ideia do artista)
que para quantos amam um tanto higienicamente,
mantendo-se dentro do permitido de todas as maneiras,
não era destinado o adolescente
da pintura - com olhos castanhos de cor profunda;
com a beleza selecta do seu rosto,
a beleza das atracções perversas;
com os seus lábios ideais que levam
o prazer a um corpo amado;
com os seus membros ideais moldados para leitos
a que chama depravados a moral corrente.
Num livro velho - mais ou menos de há cem anos -
por entre as suas folhas esquecida,
encontrei uma aguarela sem assinatura.
Devia ser a obra de artista assaz forte.
Levava por título, «Apresentação do Amor».
Mas antes lhe convinha, «- do amor dos ultra estetas».
Pois era evidente quando se via a obra
(com facilidade se sentia a ideia do artista)
que para quantos amam um tanto higienicamente,
mantendo-se dentro do permitido de todas as maneiras,
não era destinado o adolescente
da pintura - com olhos castanhos de cor profunda;
com a beleza selecta do seu rosto,
a beleza das atracções perversas;
com os seus lábios ideais que levam
o prazer a um corpo amado;
com os seus membros ideais moldados para leitos
a que chama depravados a moral corrente.
1 466
Marcial
V, 45 - A BASSA
Te dizes bela, dizes que ainda, Bassa, és virgem.
Isso, quem não é já dizer, Bassa, costuma.
Isso, quem não é já dizer, Bassa, costuma.
1 088
Konstantínos Kaváfis
CINZENTOS
CINZENTOS
Ao olhar uma opala meio cinzenta
lembrei-me de dois belos olhos cinzentos
que vi; haverá uns vinte anos...
.........................
Durante um mês amámo-nos.
Foi-se embora depois creio que para Esmirna,
para lá trabalhar, e nunca mais nos vimos.
Ter-se-ão desfeado - se vive - os olhos cinzentos;
ter-se-á estragado o belo rosto.
Memória minha, guarda-os tu tais como eram.
E, memória, o que podes deste meu amor,
o que podes traz-me de volta esta noite.
Ao olhar uma opala meio cinzenta
lembrei-me de dois belos olhos cinzentos
que vi; haverá uns vinte anos...
.........................
Durante um mês amámo-nos.
Foi-se embora depois creio que para Esmirna,
para lá trabalhar, e nunca mais nos vimos.
Ter-se-ão desfeado - se vive - os olhos cinzentos;
ter-se-á estragado o belo rosto.
Memória minha, guarda-os tu tais como eram.
E, memória, o que podes deste meu amor,
o que podes traz-me de volta esta noite.
1 670