Poemas neste tema
Vida e Existência
Manuel Bandeira
Antônia
Amei Antônia de maneira insensata.
Antônia morava numa casa que para mim não era casa, era um empíreo. Mas os anos foram passando.
Os anos são inexoráveis.
Antônia morreu.
A casa em que Antônia morava foi posta abaixo.
Eu mesmo já não sou aquele que amou Antônia e que Antônia não amou. Aliás, previno, muito humildemente, que isto não é crônica nem poema. E, apenas
Uma nova versão, a mais recente, do tema ubi sunt,
Que dedico, ofereço e consagro
A meu dileto amigo Augusto Meyer.
Antônia morava numa casa que para mim não era casa, era um empíreo. Mas os anos foram passando.
Os anos são inexoráveis.
Antônia morreu.
A casa em que Antônia morava foi posta abaixo.
Eu mesmo já não sou aquele que amou Antônia e que Antônia não amou. Aliás, previno, muito humildemente, que isto não é crônica nem poema. E, apenas
Uma nova versão, a mais recente, do tema ubi sunt,
Que dedico, ofereço e consagro
A meu dileto amigo Augusto Meyer.
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Manuel Bandeira
Antônia
Amei Antônia de maneira insensata.
Antônia morava numa casa que para mim não era casa, era um empíreo. Mas os anos foram passando.
Os anos são inexoráveis.
Antônia morreu.
A casa em que Antônia morava foi posta abaixo.
Eu mesmo já não sou aquele que amou Antônia e que Antônia não amou. Aliás, previno, muito humildemente, que isto não é crônica nem poema. E, apenas
Uma nova versão, a mais recente, do tema ubi sunt,
Que dedico, ofereço e consagro
A meu dileto amigo Augusto Meyer.
Antônia morava numa casa que para mim não era casa, era um empíreo. Mas os anos foram passando.
Os anos são inexoráveis.
Antônia morreu.
A casa em que Antônia morava foi posta abaixo.
Eu mesmo já não sou aquele que amou Antônia e que Antônia não amou. Aliás, previno, muito humildemente, que isto não é crônica nem poema. E, apenas
Uma nova versão, a mais recente, do tema ubi sunt,
Que dedico, ofereço e consagro
A meu dileto amigo Augusto Meyer.
1 553
Manuel Bandeira
Paulo Gomide
- À poesia é o teu vôo
Repletando a tua alma de alegrias,
Maravilhamentos e espantos.
Atrás de ti caminha um anjo
— “Todo anjo é terrível!” —
E este te vai guiando para Deus
Pelo caminho mais difícil.
Repletando a tua alma de alegrias,
Maravilhamentos e espantos.
Atrás de ti caminha um anjo
— “Todo anjo é terrível!” —
E este te vai guiando para Deus
Pelo caminho mais difícil.
1 297
Manuel Bandeira
Oração a Nossa Senhora da Boa Morte
Fiz tantos versos a Teresinha...
Versos tão tristes, nunca se viu!
Pedi-lhe coisas. O que eu pedia
Era tão pouco! Não era glória...
Nem era amores... Nem foi dinheiro...
Pedia apenas mais alegria:
Santa Teresa nunca me ouviu!
Para outras santas voltei os olhos.
Porém as santas são impassíveis
Como as mulheres que me enganaram.
Desenganei-me das outras santas
(Pedi a muitas, rezei a tantas)
Até que um dia me apresentaram
A Santa Rita dos Impossíveis.
Fui despachado de mãos vazias!
Dei volta ao mundo, tentei a sorte.
Nem alegrias mais peço agora,
Que eu sei o avesso das alegrias.
Tudo que viesse, viria tarde!
O que na vida procurei sempre,
— Meus impossíveis de Santa Rita —
Dar-me-eis um dia, não é verdade?
Nossa Senhora da Boa Morte!
1931
Versos tão tristes, nunca se viu!
Pedi-lhe coisas. O que eu pedia
Era tão pouco! Não era glória...
Nem era amores... Nem foi dinheiro...
Pedia apenas mais alegria:
Santa Teresa nunca me ouviu!
Para outras santas voltei os olhos.
Porém as santas são impassíveis
Como as mulheres que me enganaram.
Desenganei-me das outras santas
(Pedi a muitas, rezei a tantas)
Até que um dia me apresentaram
A Santa Rita dos Impossíveis.
Fui despachado de mãos vazias!
Dei volta ao mundo, tentei a sorte.
Nem alegrias mais peço agora,
Que eu sei o avesso das alegrias.
Tudo que viesse, viria tarde!
O que na vida procurei sempre,
— Meus impossíveis de Santa Rita —
Dar-me-eis um dia, não é verdade?
Nossa Senhora da Boa Morte!
1931
961
Manuel Bandeira
Oração a Nossa Senhora da Boa Morte
Fiz tantos versos a Teresinha...
Versos tão tristes, nunca se viu!
Pedi-lhe coisas. O que eu pedia
Era tão pouco! Não era glória...
Nem era amores... Nem foi dinheiro...
Pedia apenas mais alegria:
Santa Teresa nunca me ouviu!
Para outras santas voltei os olhos.
Porém as santas são impassíveis
Como as mulheres que me enganaram.
Desenganei-me das outras santas
(Pedi a muitas, rezei a tantas)
Até que um dia me apresentaram
A Santa Rita dos Impossíveis.
Fui despachado de mãos vazias!
Dei volta ao mundo, tentei a sorte.
Nem alegrias mais peço agora,
Que eu sei o avesso das alegrias.
Tudo que viesse, viria tarde!
O que na vida procurei sempre,
— Meus impossíveis de Santa Rita —
Dar-me-eis um dia, não é verdade?
Nossa Senhora da Boa Morte!
1931
Versos tão tristes, nunca se viu!
Pedi-lhe coisas. O que eu pedia
Era tão pouco! Não era glória...
Nem era amores... Nem foi dinheiro...
Pedia apenas mais alegria:
Santa Teresa nunca me ouviu!
Para outras santas voltei os olhos.
Porém as santas são impassíveis
Como as mulheres que me enganaram.
Desenganei-me das outras santas
(Pedi a muitas, rezei a tantas)
Até que um dia me apresentaram
A Santa Rita dos Impossíveis.
Fui despachado de mãos vazias!
Dei volta ao mundo, tentei a sorte.
Nem alegrias mais peço agora,
Que eu sei o avesso das alegrias.
Tudo que viesse, viria tarde!
O que na vida procurei sempre,
— Meus impossíveis de Santa Rita —
Dar-me-eis um dia, não é verdade?
Nossa Senhora da Boa Morte!
1931
961
Manuel Bandeira
Declaração de Amor
Juiz de Fora! Juiz de Fora!
Guardo entre as minhas recordações
Mais amoráveis, mais repousantes
Tuas manhãs!
Um fundo de chácara na Rua Direita
Coberto de trapuerabas...
Uma velha jabuticabeira cansada de doçura.
Tuas três horas da tarde...
Tuas noites de cineminha namorisqueiro...
Teu lindo parque senhorial mais segundo-reinado do que a própria Quinta da Boa Vista...
Teus bondes sem pressa dando voltas vadias...
Juiz de Fora! Juiz de Fora!
Tu tão de dentro deste Brasil!
Tão docemente provinciana...
Primeiro sorriso de Minas Gerais!
Guardo entre as minhas recordações
Mais amoráveis, mais repousantes
Tuas manhãs!
Um fundo de chácara na Rua Direita
Coberto de trapuerabas...
Uma velha jabuticabeira cansada de doçura.
Tuas três horas da tarde...
Tuas noites de cineminha namorisqueiro...
Teu lindo parque senhorial mais segundo-reinado do que a própria Quinta da Boa Vista...
Teus bondes sem pressa dando voltas vadias...
Juiz de Fora! Juiz de Fora!
Tu tão de dentro deste Brasil!
Tão docemente provinciana...
Primeiro sorriso de Minas Gerais!
1 116
Manuel Bandeira
Variações Sérias em Forma de Soneto
Vejo mares tranquilos, que repousam,
Atrás dos olhos das meninas sérias.
Alto e longe elas olham, mas não ousam
Olhar a quem as olha, e ficam sérias.
Nos recantos dos lábios se lhes pousam
Uns anjos invisíveis. Mas tão sérias
São, alto e longe, que nem eles ousam
Dar um sorriso âquelas bocas sérias.
Em que pensais, meninas, se repousam
Os meus olhos nos vossos? Eles ousam
Entrar paragens tristes de tão sérias!
Mas poderei dizer-vos que eles ousam?
Ou vão, por injunções muito mais sérias.
Lustrar pecados que jamais repousam?
Atrás dos olhos das meninas sérias.
Alto e longe elas olham, mas não ousam
Olhar a quem as olha, e ficam sérias.
Nos recantos dos lábios se lhes pousam
Uns anjos invisíveis. Mas tão sérias
São, alto e longe, que nem eles ousam
Dar um sorriso âquelas bocas sérias.
Em que pensais, meninas, se repousam
Os meus olhos nos vossos? Eles ousam
Entrar paragens tristes de tão sérias!
Mas poderei dizer-vos que eles ousam?
Ou vão, por injunções muito mais sérias.
Lustrar pecados que jamais repousam?
1 529
Manuel Bandeira
Sonho Branco
Não pairas mais aqui. Sei que distante
Estás de mim, no grêmio de Maria
Desfrutando a inefável alegria
Da alta contemplação edificante.
Mas foi aqui que ao sol do eterno dia
Tua alma, entre assustada e confiante,
Viu descender à paz purificante
Teu corpo, ainda cansado da agonia.
Senti-te as asas de anjo em mesto arranco
Voejar aqui, retidas pelo aceno
Do irmão, saudoso de teu riso franco.
Quarenta anos lá vão. De teu moreno
Encanto hoje que resta? O eco pequeno,
Pequeno de teu sonho — um sonho branco!
Estás de mim, no grêmio de Maria
Desfrutando a inefável alegria
Da alta contemplação edificante.
Mas foi aqui que ao sol do eterno dia
Tua alma, entre assustada e confiante,
Viu descender à paz purificante
Teu corpo, ainda cansado da agonia.
Senti-te as asas de anjo em mesto arranco
Voejar aqui, retidas pelo aceno
Do irmão, saudoso de teu riso franco.
Quarenta anos lá vão. De teu moreno
Encanto hoje que resta? O eco pequeno,
Pequeno de teu sonho — um sonho branco!
916
Manuel Bandeira
Sonho Branco
Não pairas mais aqui. Sei que distante
Estás de mim, no grêmio de Maria
Desfrutando a inefável alegria
Da alta contemplação edificante.
Mas foi aqui que ao sol do eterno dia
Tua alma, entre assustada e confiante,
Viu descender à paz purificante
Teu corpo, ainda cansado da agonia.
Senti-te as asas de anjo em mesto arranco
Voejar aqui, retidas pelo aceno
Do irmão, saudoso de teu riso franco.
Quarenta anos lá vão. De teu moreno
Encanto hoje que resta? O eco pequeno,
Pequeno de teu sonho — um sonho branco!
Estás de mim, no grêmio de Maria
Desfrutando a inefável alegria
Da alta contemplação edificante.
Mas foi aqui que ao sol do eterno dia
Tua alma, entre assustada e confiante,
Viu descender à paz purificante
Teu corpo, ainda cansado da agonia.
Senti-te as asas de anjo em mesto arranco
Voejar aqui, retidas pelo aceno
Do irmão, saudoso de teu riso franco.
Quarenta anos lá vão. De teu moreno
Encanto hoje que resta? O eco pequeno,
Pequeno de teu sonho — um sonho branco!
916
Manuel Bandeira
Sonho Branco
Não pairas mais aqui. Sei que distante
Estás de mim, no grêmio de Maria
Desfrutando a inefável alegria
Da alta contemplação edificante.
Mas foi aqui que ao sol do eterno dia
Tua alma, entre assustada e confiante,
Viu descender à paz purificante
Teu corpo, ainda cansado da agonia.
Senti-te as asas de anjo em mesto arranco
Voejar aqui, retidas pelo aceno
Do irmão, saudoso de teu riso franco.
Quarenta anos lá vão. De teu moreno
Encanto hoje que resta? O eco pequeno,
Pequeno de teu sonho — um sonho branco!
Estás de mim, no grêmio de Maria
Desfrutando a inefável alegria
Da alta contemplação edificante.
Mas foi aqui que ao sol do eterno dia
Tua alma, entre assustada e confiante,
Viu descender à paz purificante
Teu corpo, ainda cansado da agonia.
Senti-te as asas de anjo em mesto arranco
Voejar aqui, retidas pelo aceno
Do irmão, saudoso de teu riso franco.
Quarenta anos lá vão. De teu moreno
Encanto hoje que resta? O eco pequeno,
Pequeno de teu sonho — um sonho branco!
916
Manuel Bandeira
Elegia de Londres
Ovalle, irmãozinho, diz, du sein de Dieu oi tu reposes,
Ainda te lembras de Londres e suas luas?
Custa-me imaginar-te aqui
— Londres é troppo imensa —
Com teu impossível amor, tuas certezas e tuas ignorâncias.
Tu, Santo da Ladeira e pecador da Rua Conde de Laje,
Que de madrugada te perdias na Lapa e sentavas no meio-fio para chorar.
Os mapas enganaram-me.
Sentiste como Mayfair parece descorrelacionada do Tâmisa?
Sentiste que para pedestre de Oxford Street é preciso ser gênio e andarilho como Rimbaud?
Ou então português
— Como o poeta Alberto de Lacerda?
Ovalle, irmãozinho, como te sentiste
Nesta Londres imensa e triste?
Tu que procuravas sempre o que há de Jesus em toda coisa,
Como olhaste para estas casas tão humanamente iguais, tão exasperantemente iguais?
Adoeceste alguma vez e ficaste atrás da vidraça lendo incessantemente o letreiro do outro lado da rua
— RAWLPLUG House, RAWLPLUG Co. LTD., RAWLINGS BROS.
Por que bares andaste bebendo melancolia?
Alguma noite pediste perdão por todos nós às mulherezinhas de Picadilly Circus?
Foste ao British Museum e viste a virgem lápita raptada pelo centauro?
Comungaste na adoração do Menino Jesus de Piero della Francesca na National Gallery?
Tomaste conhecimento da existência de Dame Edith Sitwell e seu Trio for two cats and a trombone?
Ovalle, irmãozinho, tu que és hoje estrela brilhante lá do alto-mar,
Manda à minha angústia londrina um raio de tua quente eternidade.
Londres, 3.9.1957
Ainda te lembras de Londres e suas luas?
Custa-me imaginar-te aqui
— Londres é troppo imensa —
Com teu impossível amor, tuas certezas e tuas ignorâncias.
Tu, Santo da Ladeira e pecador da Rua Conde de Laje,
Que de madrugada te perdias na Lapa e sentavas no meio-fio para chorar.
Os mapas enganaram-me.
Sentiste como Mayfair parece descorrelacionada do Tâmisa?
Sentiste que para pedestre de Oxford Street é preciso ser gênio e andarilho como Rimbaud?
Ou então português
— Como o poeta Alberto de Lacerda?
Ovalle, irmãozinho, como te sentiste
Nesta Londres imensa e triste?
Tu que procuravas sempre o que há de Jesus em toda coisa,
Como olhaste para estas casas tão humanamente iguais, tão exasperantemente iguais?
Adoeceste alguma vez e ficaste atrás da vidraça lendo incessantemente o letreiro do outro lado da rua
— RAWLPLUG House, RAWLPLUG Co. LTD., RAWLINGS BROS.
Por que bares andaste bebendo melancolia?
Alguma noite pediste perdão por todos nós às mulherezinhas de Picadilly Circus?
Foste ao British Museum e viste a virgem lápita raptada pelo centauro?
Comungaste na adoração do Menino Jesus de Piero della Francesca na National Gallery?
Tomaste conhecimento da existência de Dame Edith Sitwell e seu Trio for two cats and a trombone?
Ovalle, irmãozinho, tu que és hoje estrela brilhante lá do alto-mar,
Manda à minha angústia londrina um raio de tua quente eternidade.
Londres, 3.9.1957
804
Manuel Bandeira
Elegia de Londres
Ovalle, irmãozinho, diz, du sein de Dieu oi tu reposes,
Ainda te lembras de Londres e suas luas?
Custa-me imaginar-te aqui
— Londres é troppo imensa —
Com teu impossível amor, tuas certezas e tuas ignorâncias.
Tu, Santo da Ladeira e pecador da Rua Conde de Laje,
Que de madrugada te perdias na Lapa e sentavas no meio-fio para chorar.
Os mapas enganaram-me.
Sentiste como Mayfair parece descorrelacionada do Tâmisa?
Sentiste que para pedestre de Oxford Street é preciso ser gênio e andarilho como Rimbaud?
Ou então português
— Como o poeta Alberto de Lacerda?
Ovalle, irmãozinho, como te sentiste
Nesta Londres imensa e triste?
Tu que procuravas sempre o que há de Jesus em toda coisa,
Como olhaste para estas casas tão humanamente iguais, tão exasperantemente iguais?
Adoeceste alguma vez e ficaste atrás da vidraça lendo incessantemente o letreiro do outro lado da rua
— RAWLPLUG House, RAWLPLUG Co. LTD., RAWLINGS BROS.
Por que bares andaste bebendo melancolia?
Alguma noite pediste perdão por todos nós às mulherezinhas de Picadilly Circus?
Foste ao British Museum e viste a virgem lápita raptada pelo centauro?
Comungaste na adoração do Menino Jesus de Piero della Francesca na National Gallery?
Tomaste conhecimento da existência de Dame Edith Sitwell e seu Trio for two cats and a trombone?
Ovalle, irmãozinho, tu que és hoje estrela brilhante lá do alto-mar,
Manda à minha angústia londrina um raio de tua quente eternidade.
Londres, 3.9.1957
Ainda te lembras de Londres e suas luas?
Custa-me imaginar-te aqui
— Londres é troppo imensa —
Com teu impossível amor, tuas certezas e tuas ignorâncias.
Tu, Santo da Ladeira e pecador da Rua Conde de Laje,
Que de madrugada te perdias na Lapa e sentavas no meio-fio para chorar.
Os mapas enganaram-me.
Sentiste como Mayfair parece descorrelacionada do Tâmisa?
Sentiste que para pedestre de Oxford Street é preciso ser gênio e andarilho como Rimbaud?
Ou então português
— Como o poeta Alberto de Lacerda?
Ovalle, irmãozinho, como te sentiste
Nesta Londres imensa e triste?
Tu que procuravas sempre o que há de Jesus em toda coisa,
Como olhaste para estas casas tão humanamente iguais, tão exasperantemente iguais?
Adoeceste alguma vez e ficaste atrás da vidraça lendo incessantemente o letreiro do outro lado da rua
— RAWLPLUG House, RAWLPLUG Co. LTD., RAWLINGS BROS.
Por que bares andaste bebendo melancolia?
Alguma noite pediste perdão por todos nós às mulherezinhas de Picadilly Circus?
Foste ao British Museum e viste a virgem lápita raptada pelo centauro?
Comungaste na adoração do Menino Jesus de Piero della Francesca na National Gallery?
Tomaste conhecimento da existência de Dame Edith Sitwell e seu Trio for two cats and a trombone?
Ovalle, irmãozinho, tu que és hoje estrela brilhante lá do alto-mar,
Manda à minha angústia londrina um raio de tua quente eternidade.
Londres, 3.9.1957
804
Manuel Bandeira
Ad Instar Delphini
Teus pés são voluptuosos: é por isso
Que andas com tanta graça, ó Cassiopéia!
De onde te vem tal chama e tal feitiço,
Que dás idéia ao corpo, e corpo à idéia?
Camões, valei-me! Adamastor, Magriço,
Dai-me força, e tu, Vênus Citeréia,
Essa doçura, esse imortal derriço...
Quero também compor minha epopéia!
Não cantarei Helena e a antiga Tróia,
Nem as Missões e a nacional Lindóia,
Nem Deus, nem Diacho! Quero, oh por quem és,
Flor ou mulher, chave do meu destino,
Quero cantar, como cantou Delfino,
As duas curvas de dois brancos pés!
Que andas com tanta graça, ó Cassiopéia!
De onde te vem tal chama e tal feitiço,
Que dás idéia ao corpo, e corpo à idéia?
Camões, valei-me! Adamastor, Magriço,
Dai-me força, e tu, Vênus Citeréia,
Essa doçura, esse imortal derriço...
Quero também compor minha epopéia!
Não cantarei Helena e a antiga Tróia,
Nem as Missões e a nacional Lindóia,
Nem Deus, nem Diacho! Quero, oh por quem és,
Flor ou mulher, chave do meu destino,
Quero cantar, como cantou Delfino,
As duas curvas de dois brancos pés!
1 052
Manuel Bandeira
Elegia para Rui Ribeiro Couto
Meu caro Rui Ribeiro Couto, a mocidade
Promete mais que dá. Sonhamos se dormimos,
E sonhamos quando acordados. Altos cimos
Da aspiração, que em torno vê só a imensidade!
Assim, amigo, foi você; assim eu fui.
Mas terminada a mocidade, o sonho rui?
Não, não rui. Pois o sonho, amigo, não é cousa
Feita de pedra e cal: o sonho é cousa fluida.
Enquanto dura a mocidade, que não cuida
Senão de se gastar, nem pára, nem repousa,
Vai de despenhadeiro a outro despenhadeiro.
Mas com o tempo serena e flui como um ribeiro.
Um dia as ilusões de Vitorino Glória
Se terão dissipado. Em cada nervo e músculo
Sentirá ele, na doçura do crepúsculo,
O que houve de melhor na sua louca história.
Apaziguado há de sorrir ao sonho roto,
E encontrará, dentro em si mesmo, o pouso, o couto.
Promete mais que dá. Sonhamos se dormimos,
E sonhamos quando acordados. Altos cimos
Da aspiração, que em torno vê só a imensidade!
Assim, amigo, foi você; assim eu fui.
Mas terminada a mocidade, o sonho rui?
Não, não rui. Pois o sonho, amigo, não é cousa
Feita de pedra e cal: o sonho é cousa fluida.
Enquanto dura a mocidade, que não cuida
Senão de se gastar, nem pára, nem repousa,
Vai de despenhadeiro a outro despenhadeiro.
Mas com o tempo serena e flui como um ribeiro.
Um dia as ilusões de Vitorino Glória
Se terão dissipado. Em cada nervo e músculo
Sentirá ele, na doçura do crepúsculo,
O que houve de melhor na sua louca história.
Apaziguado há de sorrir ao sonho roto,
E encontrará, dentro em si mesmo, o pouso, o couto.
908
Manuel Bandeira
Elegia para Rui Ribeiro Couto
Meu caro Rui Ribeiro Couto, a mocidade
Promete mais que dá. Sonhamos se dormimos,
E sonhamos quando acordados. Altos cimos
Da aspiração, que em torno vê só a imensidade!
Assim, amigo, foi você; assim eu fui.
Mas terminada a mocidade, o sonho rui?
Não, não rui. Pois o sonho, amigo, não é cousa
Feita de pedra e cal: o sonho é cousa fluida.
Enquanto dura a mocidade, que não cuida
Senão de se gastar, nem pára, nem repousa,
Vai de despenhadeiro a outro despenhadeiro.
Mas com o tempo serena e flui como um ribeiro.
Um dia as ilusões de Vitorino Glória
Se terão dissipado. Em cada nervo e músculo
Sentirá ele, na doçura do crepúsculo,
O que houve de melhor na sua louca história.
Apaziguado há de sorrir ao sonho roto,
E encontrará, dentro em si mesmo, o pouso, o couto.
Promete mais que dá. Sonhamos se dormimos,
E sonhamos quando acordados. Altos cimos
Da aspiração, que em torno vê só a imensidade!
Assim, amigo, foi você; assim eu fui.
Mas terminada a mocidade, o sonho rui?
Não, não rui. Pois o sonho, amigo, não é cousa
Feita de pedra e cal: o sonho é cousa fluida.
Enquanto dura a mocidade, que não cuida
Senão de se gastar, nem pára, nem repousa,
Vai de despenhadeiro a outro despenhadeiro.
Mas com o tempo serena e flui como um ribeiro.
Um dia as ilusões de Vitorino Glória
Se terão dissipado. Em cada nervo e músculo
Sentirá ele, na doçura do crepúsculo,
O que houve de melhor na sua louca história.
Apaziguado há de sorrir ao sonho roto,
E encontrará, dentro em si mesmo, o pouso, o couto.
908
Manuel Bandeira
Elegia para Rui Ribeiro Couto
Meu caro Rui Ribeiro Couto, a mocidade
Promete mais que dá. Sonhamos se dormimos,
E sonhamos quando acordados. Altos cimos
Da aspiração, que em torno vê só a imensidade!
Assim, amigo, foi você; assim eu fui.
Mas terminada a mocidade, o sonho rui?
Não, não rui. Pois o sonho, amigo, não é cousa
Feita de pedra e cal: o sonho é cousa fluida.
Enquanto dura a mocidade, que não cuida
Senão de se gastar, nem pára, nem repousa,
Vai de despenhadeiro a outro despenhadeiro.
Mas com o tempo serena e flui como um ribeiro.
Um dia as ilusões de Vitorino Glória
Se terão dissipado. Em cada nervo e músculo
Sentirá ele, na doçura do crepúsculo,
O que houve de melhor na sua louca história.
Apaziguado há de sorrir ao sonho roto,
E encontrará, dentro em si mesmo, o pouso, o couto.
Promete mais que dá. Sonhamos se dormimos,
E sonhamos quando acordados. Altos cimos
Da aspiração, que em torno vê só a imensidade!
Assim, amigo, foi você; assim eu fui.
Mas terminada a mocidade, o sonho rui?
Não, não rui. Pois o sonho, amigo, não é cousa
Feita de pedra e cal: o sonho é cousa fluida.
Enquanto dura a mocidade, que não cuida
Senão de se gastar, nem pára, nem repousa,
Vai de despenhadeiro a outro despenhadeiro.
Mas com o tempo serena e flui como um ribeiro.
Um dia as ilusões de Vitorino Glória
Se terão dissipado. Em cada nervo e músculo
Sentirá ele, na doçura do crepúsculo,
O que houve de melhor na sua louca história.
Apaziguado há de sorrir ao sonho roto,
E encontrará, dentro em si mesmo, o pouso, o couto.
908
Manuel Bandeira
Flores Murchas
Pálidas crianças
Mal desabrochadas
Na manhã da vida!
Tristes asiladas
Que pendeis cansadas
Como flores murchas!
Pálidas crianças
Que me recordais
Minhas esperanças!
Pálidas meninas
Sem amor de mãe,
Pálidas meninas
Uniformizadas,
Quem vos arrancara
Dessas vestes tristes
Onde a caridade
Vos amortalhou!
Pálidas meninas
Sem olhar de pai,
Ai quem vos dissera,
Ai quem vos gritara:
— Anjos, debandai!
Mas ninguém vos diz
Nem ninguém vos dá
Mais que o olhar de pena
Quando desfilais,
Açucenas murchas,
Procissão de sombras!
Ao cair da tarde
Vós me recordais
— Ó meninas tristes! —
Minhas esperanças!
Minhas esperanças
— Meninas cansadas,
Pálidas crianças
A quem ninguém diz:
— Anjos, debandai!...
Mal desabrochadas
Na manhã da vida!
Tristes asiladas
Que pendeis cansadas
Como flores murchas!
Pálidas crianças
Que me recordais
Minhas esperanças!
Pálidas meninas
Sem amor de mãe,
Pálidas meninas
Uniformizadas,
Quem vos arrancara
Dessas vestes tristes
Onde a caridade
Vos amortalhou!
Pálidas meninas
Sem olhar de pai,
Ai quem vos dissera,
Ai quem vos gritara:
— Anjos, debandai!
Mas ninguém vos diz
Nem ninguém vos dá
Mais que o olhar de pena
Quando desfilais,
Açucenas murchas,
Procissão de sombras!
Ao cair da tarde
Vós me recordais
— Ó meninas tristes! —
Minhas esperanças!
Minhas esperanças
— Meninas cansadas,
Pálidas crianças
A quem ninguém diz:
— Anjos, debandai!...
1 891
Manuel Bandeira
Peregrinação
Quando olhada de face, era um abril.
Quando olhada de lado, era um agosto.
Duas mulheres numa: tinha o rosto
Gordo de frente, magro de perfil.
Fazia as sobrancelhas como um til;
A boca, como um o (quase). Isto posto,
Não vou dizer o quanto a amei. Nem gosto
De me lembrar, que são tristezas mil.
Eis senão quando um dia... Mas, caluda!
Não me vai bem fazer uma canção
Desesperada, como fez Neruda.
Amor total e falho... Puro e impuro...
Amor de velho adolescente... E tão
Sabendo a cinza e a pêssego maduro...
Quando olhada de lado, era um agosto.
Duas mulheres numa: tinha o rosto
Gordo de frente, magro de perfil.
Fazia as sobrancelhas como um til;
A boca, como um o (quase). Isto posto,
Não vou dizer o quanto a amei. Nem gosto
De me lembrar, que são tristezas mil.
Eis senão quando um dia... Mas, caluda!
Não me vai bem fazer uma canção
Desesperada, como fez Neruda.
Amor total e falho... Puro e impuro...
Amor de velho adolescente... E tão
Sabendo a cinza e a pêssego maduro...
1 065
Manuel Bandeira
Peregrinação
Quando olhada de face, era um abril.
Quando olhada de lado, era um agosto.
Duas mulheres numa: tinha o rosto
Gordo de frente, magro de perfil.
Fazia as sobrancelhas como um til;
A boca, como um o (quase). Isto posto,
Não vou dizer o quanto a amei. Nem gosto
De me lembrar, que são tristezas mil.
Eis senão quando um dia... Mas, caluda!
Não me vai bem fazer uma canção
Desesperada, como fez Neruda.
Amor total e falho... Puro e impuro...
Amor de velho adolescente... E tão
Sabendo a cinza e a pêssego maduro...
Quando olhada de lado, era um agosto.
Duas mulheres numa: tinha o rosto
Gordo de frente, magro de perfil.
Fazia as sobrancelhas como um til;
A boca, como um o (quase). Isto posto,
Não vou dizer o quanto a amei. Nem gosto
De me lembrar, que são tristezas mil.
Eis senão quando um dia... Mas, caluda!
Não me vai bem fazer uma canção
Desesperada, como fez Neruda.
Amor total e falho... Puro e impuro...
Amor de velho adolescente... E tão
Sabendo a cinza e a pêssego maduro...
1 065
Manuel Bandeira
Rachel de Queiroz
Louvo o Padre, louvo o Filho,
O Espírito Santo louvo.
Louvo Rachel, minha amiga,
nata e flor do nosso povo.
Ninguém tão Brasil quanto ela,
pois que, com ser do Ceará,
tem de todos os Estados,
do Rio Grande ao Pará.
Tão Brasil: quero dizer
Brasil de toda maneira
— brasílica, brasiliense,
brasiliana, brasileira.
Louvo o Padre, louvo o Filho,
o Espírito Santo louvo.
Louvo Rachel e, louvada
uma vez, louvo-a de novo.
Louvo a sua inteligência,
e louvo o seu coração.
Qual maior? Sinceramente,
meus amigos, não sei não.
Louvo os seus olhos bonitos,
louvo a sua simpatia.
Louvo a sua voz nortista,
louvo o seu amor de tia.
Louvo o Padre, louvo o Filho,
o Espírito Santo louvo.
Louvo Rachel, duas vezes
louvada, e louvo-a de novo.
Louvo o seu romance; O Quinze
E os outros três; louvo As Três
Marias especialmente,
mais minhas que de vocês.
Louvo a cronista gostosa.
Louvo o seu teatro: Lampião
e a nossa Beata Maria.
Mas chega de louvação,
porque, por mais que a louvemos,
Nunca a louvaremos bem.
Em nome do Pai, do Filho e
do Espírito Santo, amém.
O Espírito Santo louvo.
Louvo Rachel, minha amiga,
nata e flor do nosso povo.
Ninguém tão Brasil quanto ela,
pois que, com ser do Ceará,
tem de todos os Estados,
do Rio Grande ao Pará.
Tão Brasil: quero dizer
Brasil de toda maneira
— brasílica, brasiliense,
brasiliana, brasileira.
Louvo o Padre, louvo o Filho,
o Espírito Santo louvo.
Louvo Rachel e, louvada
uma vez, louvo-a de novo.
Louvo a sua inteligência,
e louvo o seu coração.
Qual maior? Sinceramente,
meus amigos, não sei não.
Louvo os seus olhos bonitos,
louvo a sua simpatia.
Louvo a sua voz nortista,
louvo o seu amor de tia.
Louvo o Padre, louvo o Filho,
o Espírito Santo louvo.
Louvo Rachel, duas vezes
louvada, e louvo-a de novo.
Louvo o seu romance; O Quinze
E os outros três; louvo As Três
Marias especialmente,
mais minhas que de vocês.
Louvo a cronista gostosa.
Louvo o seu teatro: Lampião
e a nossa Beata Maria.
Mas chega de louvação,
porque, por mais que a louvemos,
Nunca a louvaremos bem.
Em nome do Pai, do Filho e
do Espírito Santo, amém.
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Manuel Bandeira
Embalo
Ao balanço das águas,
Ao trépido pulsar
Da máquina, embalar
As persistentes mágoas
Das peremptas feridas...
Beber o céu nos ventos
Sabendo a sonolentos
Sais e iodados-relentos.
Anseios de insofridas
Esperas e esperanças
Diluem-se na bruma
Como na vaga a espuma
— Flores de espumas mansas —
Que a um lado e outro abotoa
Da cortadora proa.
Azuis de águas e céus...
Sou nada, e entanto agora
Eis-me centro finito
Do círculo infinito
De mar e céus afora.
— Estou onde está Deus.
Ao trépido pulsar
Da máquina, embalar
As persistentes mágoas
Das peremptas feridas...
Beber o céu nos ventos
Sabendo a sonolentos
Sais e iodados-relentos.
Anseios de insofridas
Esperas e esperanças
Diluem-se na bruma
Como na vaga a espuma
— Flores de espumas mansas —
Que a um lado e outro abotoa
Da cortadora proa.
Azuis de águas e céus...
Sou nada, e entanto agora
Eis-me centro finito
Do círculo infinito
De mar e céus afora.
— Estou onde está Deus.
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Manuel Bandeira
Jacqueline
Jacqueline morreu menina.
Jacqueline morta era mais bonita do que os anjos.
Os anjos!... Bem sei que não os há em parte alguma.
Há é mulheres extraordinariamente belas que morrem ainda meninas.
Houve tempo em que olhei para os teus retratos de menina como olho agora para a pequena imagem de Jacqueline morta.
Eras tão bonita!
Eras tão bonita, que merecerias ter morrido na idade de Jacqueline
— Pura como Jacqueline.
Jacqueline morta era mais bonita do que os anjos.
Os anjos!... Bem sei que não os há em parte alguma.
Há é mulheres extraordinariamente belas que morrem ainda meninas.
Houve tempo em que olhei para os teus retratos de menina como olho agora para a pequena imagem de Jacqueline morta.
Eras tão bonita!
Eras tão bonita, que merecerias ter morrido na idade de Jacqueline
— Pura como Jacqueline.
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Manuel Bandeira
Jacqueline
Jacqueline morreu menina.
Jacqueline morta era mais bonita do que os anjos.
Os anjos!... Bem sei que não os há em parte alguma.
Há é mulheres extraordinariamente belas que morrem ainda meninas.
Houve tempo em que olhei para os teus retratos de menina como olho agora para a pequena imagem de Jacqueline morta.
Eras tão bonita!
Eras tão bonita, que merecerias ter morrido na idade de Jacqueline
— Pura como Jacqueline.
Jacqueline morta era mais bonita do que os anjos.
Os anjos!... Bem sei que não os há em parte alguma.
Há é mulheres extraordinariamente belas que morrem ainda meninas.
Houve tempo em que olhei para os teus retratos de menina como olho agora para a pequena imagem de Jacqueline morta.
Eras tão bonita!
Eras tão bonita, que merecerias ter morrido na idade de Jacqueline
— Pura como Jacqueline.
1 214
Manuel Bandeira
A Estrela o Anjo
Vésper caiu cheia de pudor na minha cama
Vésper em cuja ardência não havia a menor parcela de sensualidade
Enquanto eu gritava o seu nome três vezes
Dois grandes botões de rosa murcharam
E o meu anjo da guarda quedou-se de mãos postas no desejo insatisfeito de Deus.
Vésper em cuja ardência não havia a menor parcela de sensualidade
Enquanto eu gritava o seu nome três vezes
Dois grandes botões de rosa murcharam
E o meu anjo da guarda quedou-se de mãos postas no desejo insatisfeito de Deus.
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