Poemas neste tema
Vida e Existência
António Ramos Rosa
86. Desobstruindo o Espaço Só Esta Mancha
86
Desobstruindo o espaço só esta mancha
e esta casa sem fogo é apenas uma marca
e esta pedra o sinal da busca
e esta pedra e esta pedra.
Uma pergunta: que espaço
ou casa
para a alegria para a livre força?
Dando lugar ao espaço à luz
e estas pedras sem cinza
esta mas não esta marca
quase feroz tão inútil ou tão certa?
Desobstruindo o espaço só esta mancha
e esta casa sem fogo é apenas uma marca
e esta pedra o sinal da busca
e esta pedra e esta pedra.
Uma pergunta: que espaço
ou casa
para a alegria para a livre força?
Dando lugar ao espaço à luz
e estas pedras sem cinza
esta mas não esta marca
quase feroz tão inútil ou tão certa?
870
António Ramos Rosa
67. Veria Aqui o Rosto, o Punho Frágil
67
Veria aqui o rosto, o punho frágil
que não seguro, não segurei, retenho
o pouco dos teus pés, a figura da fímbria,
forma do ser ausente.
Perco a medida da medida, seguro a folha
do sangue sobre as pernas,
na negação do corpo encontro o corpo e o sangue
o sangue da negação do sangue ainda o sangue.
Quando a penetração pura, a branca
violência de água do alento
quando a mão recebe a pulsação da folha.
Veria aqui o rosto, o punho frágil
que não seguro, não segurei, retenho
o pouco dos teus pés, a figura da fímbria,
forma do ser ausente.
Perco a medida da medida, seguro a folha
do sangue sobre as pernas,
na negação do corpo encontro o corpo e o sangue
o sangue da negação do sangue ainda o sangue.
Quando a penetração pura, a branca
violência de água do alento
quando a mão recebe a pulsação da folha.
1 076
António Ramos Rosa
Progridem Os Silêncios
Progridem os silêncios
— tudo é oco ou opaco?
a pressão do tempo cai sobre a nuca negra
o mundo da língua é o murmúrio de um barco
e um ritmo subsiste um perfume de pedra
uma laranja um copo um fragmento a folha
a gravidade cálida nos elementos livres
o negro
transmite
o branco a intensidade silenciosa
— tudo é oco ou opaco?
a pressão do tempo cai sobre a nuca negra
o mundo da língua é o murmúrio de um barco
e um ritmo subsiste um perfume de pedra
uma laranja um copo um fragmento a folha
a gravidade cálida nos elementos livres
o negro
transmite
o branco a intensidade silenciosa
1 063
António Ramos Rosa
80. Anca, E Depois Campo, E Forte
80
Anca, e depois campo, e forte
a curva dançante mas discreta e dura
ela é campo não azul, corpo e dança
a deusa dos olhos e da rua e da dança.
Ela é o corpo, ela é a dança, ela é a rua
e os olhos brilham a boca arde no campo
arde no brilho do pássaro vivamente
desloca a pedra para que ela passe.
Anca na boca na língua quadril forte
dança no campo sem flores no passeio
passa sobre a capa da visão translúcida.
Anca, e depois campo, e forte
a curva dançante mas discreta e dura
ela é campo não azul, corpo e dança
a deusa dos olhos e da rua e da dança.
Ela é o corpo, ela é a dança, ela é a rua
e os olhos brilham a boca arde no campo
arde no brilho do pássaro vivamente
desloca a pedra para que ela passe.
Anca na boca na língua quadril forte
dança no campo sem flores no passeio
passa sobre a capa da visão translúcida.
1 216
António Ramos Rosa
74. Porque Não o Encontro E Não o Encontro
74
Porque não o encontro e não o encontro
aquém da força de que vive o pulso
aquém da face e da figura o esplendor.
Porquê a árvore oculta sob a árvore
a pedra não soando e sem a cor e sem
a força do sinal de pedra e o fogo
sem a mão do afago e tudo em vão
no vão de tudo ser o encontro aquém do encontro
a presença perdida na presença.
Porque não o encontro e não o encontro
aquém da força de que vive o pulso
aquém da face e da figura o esplendor.
Porquê a árvore oculta sob a árvore
a pedra não soando e sem a cor e sem
a força do sinal de pedra e o fogo
sem a mão do afago e tudo em vão
no vão de tudo ser o encontro aquém do encontro
a presença perdida na presença.
956
António Ramos Rosa
68. Descontínuas, Desfechadas Linhas
68
Descontínuas, desfechadas linhas
cintilam no lugar no não-lugar
e o indefinido incêndio da folhagem
desfaz as sílabas da visão igual.
Uma cavidade do encontro, o sim,
ou a coluna ou as colunas, umas linhas
solares que dividem o lugar
poderiam multiplicar-se, renovar
o sopro essencial do ser (azul interno)
e a pulsação da terra sobre as linhas livres
libertar o tempo da não-razão de ser.
Descontínuas, desfechadas linhas
cintilam no lugar no não-lugar
e o indefinido incêndio da folhagem
desfaz as sílabas da visão igual.
Uma cavidade do encontro, o sim,
ou a coluna ou as colunas, umas linhas
solares que dividem o lugar
poderiam multiplicar-se, renovar
o sopro essencial do ser (azul interno)
e a pulsação da terra sobre as linhas livres
libertar o tempo da não-razão de ser.
1 085
António Ramos Rosa
68. Descontínuas, Desfechadas Linhas
68
Descontínuas, desfechadas linhas
cintilam no lugar no não-lugar
e o indefinido incêndio da folhagem
desfaz as sílabas da visão igual.
Uma cavidade do encontro, o sim,
ou a coluna ou as colunas, umas linhas
solares que dividem o lugar
poderiam multiplicar-se, renovar
o sopro essencial do ser (azul interno)
e a pulsação da terra sobre as linhas livres
libertar o tempo da não-razão de ser.
Descontínuas, desfechadas linhas
cintilam no lugar no não-lugar
e o indefinido incêndio da folhagem
desfaz as sílabas da visão igual.
Uma cavidade do encontro, o sim,
ou a coluna ou as colunas, umas linhas
solares que dividem o lugar
poderiam multiplicar-se, renovar
o sopro essencial do ser (azul interno)
e a pulsação da terra sobre as linhas livres
libertar o tempo da não-razão de ser.
1 085
António Ramos Rosa
68. Descontínuas, Desfechadas Linhas
68
Descontínuas, desfechadas linhas
cintilam no lugar no não-lugar
e o indefinido incêndio da folhagem
desfaz as sílabas da visão igual.
Uma cavidade do encontro, o sim,
ou a coluna ou as colunas, umas linhas
solares que dividem o lugar
poderiam multiplicar-se, renovar
o sopro essencial do ser (azul interno)
e a pulsação da terra sobre as linhas livres
libertar o tempo da não-razão de ser.
Descontínuas, desfechadas linhas
cintilam no lugar no não-lugar
e o indefinido incêndio da folhagem
desfaz as sílabas da visão igual.
Uma cavidade do encontro, o sim,
ou a coluna ou as colunas, umas linhas
solares que dividem o lugar
poderiam multiplicar-se, renovar
o sopro essencial do ser (azul interno)
e a pulsação da terra sobre as linhas livres
libertar o tempo da não-razão de ser.
1 085
António Ramos Rosa
81. Verde E Tu Verás Por Sobre o Sono
81
Verde e tu verás por sobre o sono
das marés o único céu abrindo o mar
ou senão o campo em que verás o céu das árvores.
E o animal que não dança mas que exalta
o corpo da mulher da lança
ela própria a lança o pulso que a persegue.
A lisa redondez é toda ela face
figura sem imagem e imagem de outra imagem
— verde e tu verás a extrema lança: verde.
Verde e tu verás por sobre o sono
das marés o único céu abrindo o mar
ou senão o campo em que verás o céu das árvores.
E o animal que não dança mas que exalta
o corpo da mulher da lança
ela própria a lança o pulso que a persegue.
A lisa redondez é toda ela face
figura sem imagem e imagem de outra imagem
— verde e tu verás a extrema lança: verde.
1 046
António Ramos Rosa
88. Como Dizê-Lo: Ei-Lo, Aqui
88
Como dizê-lo: ei-lo, aqui
não imagem, não aspecto da figura
mas o incêndio de todas as imagens.
Como dizer a referência absoluta
irreal da folhagem no cavalo
da fuga absoluta, pedra e não pedra
água e não água, terra absoluta.
Como dizer-te, tu que não és tu nem nada
que és a figura desfeita na terra putrefacta
este resto impuro onde se afunda a boca.
Março-Maio de 1978
Como dizê-lo: ei-lo, aqui
não imagem, não aspecto da figura
mas o incêndio de todas as imagens.
Como dizer a referência absoluta
irreal da folhagem no cavalo
da fuga absoluta, pedra e não pedra
água e não água, terra absoluta.
Como dizer-te, tu que não és tu nem nada
que és a figura desfeita na terra putrefacta
este resto impuro onde se afunda a boca.
Março-Maio de 1978
998
António Ramos Rosa
Que Importam Estas Pálpebras Na Cerração
Que importam estas pálpebras na cerração
da terra
um olho dilacerado vê a nudez de um corpo
obstinada desordem dos membros dissolvidos
o latejante trajecto da obscura mão
atinge o vazio de um centro o limite vivo
boca na árvore
iluminado seio caminho
do pulso
da terra
um olho dilacerado vê a nudez de um corpo
obstinada desordem dos membros dissolvidos
o latejante trajecto da obscura mão
atinge o vazio de um centro o limite vivo
boca na árvore
iluminado seio caminho
do pulso
527
António Ramos Rosa
Entre Dois Espaços Duas Sombras Altas
Entre dois espaços duas sombras altas
o movimento da montanha o vazio
nos passos
talvez o texto da terra talvez a terra e a mão
antes das pálpebras no ar
Caminho não de lábios mas de sombras
sobre a raiz do lápis sobre o pulso
caminho ou não
no círculo
dos passos
e esta é a frase do caminho
ou a lucidez do braço
o movimento da montanha o vazio
nos passos
talvez o texto da terra talvez a terra e a mão
antes das pálpebras no ar
Caminho não de lábios mas de sombras
sobre a raiz do lápis sobre o pulso
caminho ou não
no círculo
dos passos
e esta é a frase do caminho
ou a lucidez do braço
1 104
António Ramos Rosa
Dói-Me Uma Noite de Terra Sobre a Fronte
Dói-me uma noite de terra sobre a fronte
mínimo coral nocturno suspensão presente
— promontório
sem a memória das imagens
no círculo
dos derradeiros insectos
mínimo coral nocturno suspensão presente
— promontório
sem a memória das imagens
no círculo
dos derradeiros insectos
1 004
António Ramos Rosa
85. Vagos Sinais Dentes Na Pedra
85
Vagos sinais dentes na pedra
sem solução de árvore
marcação de um traço único
este, não o rosto, este
limite que não transponho que
não tem além o além o fogo azul
e
que nenhuma sombra atravessou
porque subsiste ou não algum ardor
porque os dentes enterram-se na pedra.
Vagos sinais dentes na pedra
sem solução de árvore
marcação de um traço único
este, não o rosto, este
limite que não transponho que
não tem além o além o fogo azul
e
que nenhuma sombra atravessou
porque subsiste ou não algum ardor
porque os dentes enterram-se na pedra.
531
António Ramos Rosa
53. Lâmina — Dirá, E Escrita
53
Lâmina — dirá, e escrita
da rapariga incerta em certa escrita
da mão suave suspensa sobre
um vazio límpido.
E qual seja a forma
e o aspecto da figura escrita
será o fruto carnal de uma impureza
igual ao corpo livre não escrito.
E qual e qual a folha
a abrir a folha
do corpo — lâmina suspensa
e todavia dita da figura incerta.
Lâmina — dirá, e escrita
da rapariga incerta em certa escrita
da mão suave suspensa sobre
um vazio límpido.
E qual seja a forma
e o aspecto da figura escrita
será o fruto carnal de uma impureza
igual ao corpo livre não escrito.
E qual e qual a folha
a abrir a folha
do corpo — lâmina suspensa
e todavia dita da figura incerta.
1 056
António Ramos Rosa
56. Mancha da Perna Maternal
56
Mancha da perna maternal
robusta
no pomar secreto na recente vinda
do pai descendo um pouco tímido na água.
Dir-te-ei pela água sexual
do não crime de ver-te
pela vez absoluta do olhar negro
como se não fosses a pequena deusa que não és.
Não tímida não secreta mas pobre de água
olho de um joelho límpido
prosa da terra não sulcada ainda.
Mancha da perna maternal
robusta
no pomar secreto na recente vinda
do pai descendo um pouco tímido na água.
Dir-te-ei pela água sexual
do não crime de ver-te
pela vez absoluta do olhar negro
como se não fosses a pequena deusa que não és.
Não tímida não secreta mas pobre de água
olho de um joelho límpido
prosa da terra não sulcada ainda.
993
António Ramos Rosa
59. Consoladora (Como) Considerando Estrelas
59
Consoladora (como) considerando estrelas
imprevistas aqui a mão mantendo a mão
como parte inerente a outro corpo escrito
inversão não ou vida, inclusão no viver.
Perante um tu que não se evoca aqui
perante um tu que é desejo de
invocação e terra, negação do sangue,
ou inscrição do sangue na madeira negra.
Tudo o que consome o sabor da terra
será a consumação do culto desta terra
que não é jardim mas cujo espaço é o espaço
e um jardim que se ama: o jardim do espaço.
Consoladora (como) considerando estrelas
imprevistas aqui a mão mantendo a mão
como parte inerente a outro corpo escrito
inversão não ou vida, inclusão no viver.
Perante um tu que não se evoca aqui
perante um tu que é desejo de
invocação e terra, negação do sangue,
ou inscrição do sangue na madeira negra.
Tudo o que consome o sabor da terra
será a consumação do culto desta terra
que não é jardim mas cujo espaço é o espaço
e um jardim que se ama: o jardim do espaço.
982
António Ramos Rosa
66. Arma de Folhas E de Folhas
66
Arma de folhas e de folhas
sobre o seio nu
na folha transparente.
O animal suspenso
pela forma do fruto incandescente
brilhando e fugindo entre a folhagem
ou o sangue fugitivo na praia do teu peito.
Na erva, ausente, respiro o ar da erva
busco a arma de folhas numa sombra
transparente que é o desenho das armas do teu peito.
Arma de folhas e de folhas
sobre o seio nu
na folha transparente.
O animal suspenso
pela forma do fruto incandescente
brilhando e fugindo entre a folhagem
ou o sangue fugitivo na praia do teu peito.
Na erva, ausente, respiro o ar da erva
busco a arma de folhas numa sombra
transparente que é o desenho das armas do teu peito.
1 112
António Ramos Rosa
69. Pedra E a Perfeição, Essa Frescura
69
Pedra e a perfeição, essa frescura
da pedra negra e alta
da matéria da linguagem e nos lábios
feridos da pobreza numa festa.
Festa do mar e da palavra livre
que festa seria do corpo libertado?
Aqui cintila a coluna do não-ser
aqui se perde a pedra e o fogo livre.
Aqui se acende todavia a pedra
de um outro fogo do mar de uma outra festa
que viria da palavra de outro ser.
Pedra e a perfeição, essa frescura
da pedra negra e alta
da matéria da linguagem e nos lábios
feridos da pobreza numa festa.
Festa do mar e da palavra livre
que festa seria do corpo libertado?
Aqui cintila a coluna do não-ser
aqui se perde a pedra e o fogo livre.
Aqui se acende todavia a pedra
de um outro fogo do mar de uma outra festa
que viria da palavra de outro ser.
529
António Ramos Rosa
70. Incide a Água Onde Ainda É Água
70
Incide a água onde ainda é água
e o princípio é um não-saber
e a ilha poderia ser iluminada
pela outra ilha do horizonte incerto.
Assim as palavras mudam na carne ausente
que é a tua carne e o silêncio dessa carne
para um país real de excesso e maravilha
para a festa animal onde a montanha vibra.
As palavras mudas animam-se no dia
da sua festa incerta maravilha
é a parte que cabe à luz da vida.
Incide a água onde ainda é água
e o princípio é um não-saber
e a ilha poderia ser iluminada
pela outra ilha do horizonte incerto.
Assim as palavras mudam na carne ausente
que é a tua carne e o silêncio dessa carne
para um país real de excesso e maravilha
para a festa animal onde a montanha vibra.
As palavras mudas animam-se no dia
da sua festa incerta maravilha
é a parte que cabe à luz da vida.
1 128
António Ramos Rosa
70. Incide a Água Onde Ainda É Água
70
Incide a água onde ainda é água
e o princípio é um não-saber
e a ilha poderia ser iluminada
pela outra ilha do horizonte incerto.
Assim as palavras mudam na carne ausente
que é a tua carne e o silêncio dessa carne
para um país real de excesso e maravilha
para a festa animal onde a montanha vibra.
As palavras mudas animam-se no dia
da sua festa incerta maravilha
é a parte que cabe à luz da vida.
Incide a água onde ainda é água
e o princípio é um não-saber
e a ilha poderia ser iluminada
pela outra ilha do horizonte incerto.
Assim as palavras mudam na carne ausente
que é a tua carne e o silêncio dessa carne
para um país real de excesso e maravilha
para a festa animal onde a montanha vibra.
As palavras mudas animam-se no dia
da sua festa incerta maravilha
é a parte que cabe à luz da vida.
1 128
António Ramos Rosa
83. o Pulso Activo. a Água Dos Insectos
83
O pulso activo. A água dos insectos
abertura e queda noutro poema visto
e fogo oculto solicitando a pedra
a queda de uma cor talvez vermelha.
O corpo sob a nuvem, o pulso activo,
o corpo descoberto sob o lençol da pedra
com os lábios devorando os lábios livres
e com a água de um ventre harmonioso.
E o ser translúcido sob o pulso activo
o ser da queda na abertura viva
a terra descoberta na transparência da água.
O pulso activo. A água dos insectos
abertura e queda noutro poema visto
e fogo oculto solicitando a pedra
a queda de uma cor talvez vermelha.
O corpo sob a nuvem, o pulso activo,
o corpo descoberto sob o lençol da pedra
com os lábios devorando os lábios livres
e com a água de um ventre harmonioso.
E o ser translúcido sob o pulso activo
o ser da queda na abertura viva
a terra descoberta na transparência da água.
1 059
António Ramos Rosa
65. Revelação da Visão Obscurecido o Ser
65
Revelação da visão obscurecido o ser
terra não a verde mas a terra e o nome
que segue a folhagem sem centro e sem as margens,
pura extensão, folhagem, violação das partes
densas onde o olhar se perde. Encontro
do alto muro do ser, de líquida voragem
violência de terra e da linguagem alta
que a linguagem ilumina nas falhas do olhar.
Violência verde; muro: voragem
interpretação ao rés da terra lisa
tempo sem tempo, olhar que vê sem ver.
Revelação da visão obscurecido o ser
terra não a verde mas a terra e o nome
que segue a folhagem sem centro e sem as margens,
pura extensão, folhagem, violação das partes
densas onde o olhar se perde. Encontro
do alto muro do ser, de líquida voragem
violência de terra e da linguagem alta
que a linguagem ilumina nas falhas do olhar.
Violência verde; muro: voragem
interpretação ao rés da terra lisa
tempo sem tempo, olhar que vê sem ver.
1 148
António Ramos Rosa
54. Os Aspectos da Figura Livre
54
Os aspectos da figura livre
nos quartos claros e sombrios
fragmentos flagrantes
da forma — incandescência breve.
Queda de conjuntos e do grito
no espelho — negação no vidro
água de outro copo e negação do copo.
Às apagadas pernas e às pedras
junta-se a terra dos nomes e sem nome
desce-se pela escadaria sobre as nuvens
brancas.
Os aspectos da figura livre
nos quartos claros e sombrios
fragmentos flagrantes
da forma — incandescência breve.
Queda de conjuntos e do grito
no espelho — negação no vidro
água de outro copo e negação do copo.
Às apagadas pernas e às pedras
junta-se a terra dos nomes e sem nome
desce-se pela escadaria sobre as nuvens
brancas.
1 017