Poemas neste tema
Vida e Existência
Saturnino de Meireles
Ser Humilde
Ser humilde e sentindo-se o primeiro,
Na penumbra ficar dessa grandeza;
Ser feliz e trazer essa tristeza
De sempre andar da vida forasteiro;
Ser humilde e viver no mundo inteiro,
Como um deus sobraçando a natureza;
Ser assim e ter máxima certeza
De ficar para sempre prisioneiro;
É ser da fé a lâmpada impoluta
Que claro marca do destino o norte
Abrindo as portas para nova luta.
É ser de Deus esse perfil sereno,
É andar na vida e já sonhar na morte,
É ser tão grande sendo tão pequeno.
Na penumbra ficar dessa grandeza;
Ser feliz e trazer essa tristeza
De sempre andar da vida forasteiro;
Ser humilde e viver no mundo inteiro,
Como um deus sobraçando a natureza;
Ser assim e ter máxima certeza
De ficar para sempre prisioneiro;
É ser da fé a lâmpada impoluta
Que claro marca do destino o norte
Abrindo as portas para nova luta.
É ser de Deus esse perfil sereno,
É andar na vida e já sonhar na morte,
É ser tão grande sendo tão pequeno.
1 032
Saturnino de Meireles
Ser Humilde
Ser humilde e sentindo-se o primeiro,
Na penumbra ficar dessa grandeza;
Ser feliz e trazer essa tristeza
De sempre andar da vida forasteiro;
Ser humilde e viver no mundo inteiro,
Como um deus sobraçando a natureza;
Ser assim e ter máxima certeza
De ficar para sempre prisioneiro;
É ser da fé a lâmpada impoluta
Que claro marca do destino o norte
Abrindo as portas para nova luta.
É ser de Deus esse perfil sereno,
É andar na vida e já sonhar na morte,
É ser tão grande sendo tão pequeno.
Na penumbra ficar dessa grandeza;
Ser feliz e trazer essa tristeza
De sempre andar da vida forasteiro;
Ser humilde e viver no mundo inteiro,
Como um deus sobraçando a natureza;
Ser assim e ter máxima certeza
De ficar para sempre prisioneiro;
É ser da fé a lâmpada impoluta
Que claro marca do destino o norte
Abrindo as portas para nova luta.
É ser de Deus esse perfil sereno,
É andar na vida e já sonhar na morte,
É ser tão grande sendo tão pequeno.
1 032
Saturnino de Meireles
Ser Humilde
Ser humilde e sentindo-se o primeiro,
Na penumbra ficar dessa grandeza;
Ser feliz e trazer essa tristeza
De sempre andar da vida forasteiro;
Ser humilde e viver no mundo inteiro,
Como um deus sobraçando a natureza;
Ser assim e ter máxima certeza
De ficar para sempre prisioneiro;
É ser da fé a lâmpada impoluta
Que claro marca do destino o norte
Abrindo as portas para nova luta.
É ser de Deus esse perfil sereno,
É andar na vida e já sonhar na morte,
É ser tão grande sendo tão pequeno.
Na penumbra ficar dessa grandeza;
Ser feliz e trazer essa tristeza
De sempre andar da vida forasteiro;
Ser humilde e viver no mundo inteiro,
Como um deus sobraçando a natureza;
Ser assim e ter máxima certeza
De ficar para sempre prisioneiro;
É ser da fé a lâmpada impoluta
Que claro marca do destino o norte
Abrindo as portas para nova luta.
É ser de Deus esse perfil sereno,
É andar na vida e já sonhar na morte,
É ser tão grande sendo tão pequeno.
1 032
Cezário de Sousa
Continente Brasília
gente de toda parte
arte parte arte parte arte
status estata!
povoação enigmação, _
vazio normal buracultural
diz para mim
enfim, qual teu mal?
Gente de toda arte
quem há derrado afinal?
Onde esteve teu futuro
esse todo tempo
teu fu turo teu futuro teu
tu és boi e computador
qualquer coisa assim
olha aesse cerrado será nosso
será cerrado será cerrado será
que fizeram das lembranças
das mortes da tua infância?
no des-contar da tua glória
ó cidade bela
fizeram jorrar sangue
teu solo foi manchado
continente brazilha
gente de toda mente
a seta da arte incerta te alvejará
pra espalhar flores em forma de trigo
teus hômi é teus próprio inimigo
e a seta da arte incerta não parte
teu lago afundará
vai ser até bão de pescar
mas tuelitelitista num vai tão cedo acabar
vumbora vumbora povo!
(palavra de novo mal dita)
na garganta da gravata
teúnico jota cá paz de ser gente
foi-se in-esperado
teus solitários lares decentes
teu dom bosco poliético visionário
teus vários bonitos espaços vazios
onde nos levaremos?
brazileira
filha
tu és brazileira
menina menina menina
cabeça de menina ·
corpo de cheiro de ânsia
continentalmentilha
corcheirosa de cabelos amanteigados
mão te queira
mantequilla
mãe e filha
mar à vila do sossego
desapego
tu és o concreto da arquijuntura
tu futuras
pelos passos dos teus filhos ilhos
para que quem porque foste criada
hoje agora em tédio nadas
pré destinada a ser fada
místico interpretada
lança jogada no centro
vento passaporte muldireções
oeste pé na estrada
abra
berre
erre
ria
tenha
uma
rota
agora
?
Ilha maravilhosamente certa
reta cabeça da nação
decisão precisão ver se dão lassidaão
perfidocraticamente sem coração
teus satélites querem tua luz planoalto
não brilharias tu alguma vez
não terias asas na inspiração?
Onde estaria escondida a vontade do nosso peito
nas asas na cabeça ou no coração do avião?
Gente de toda ilha
sente de toda falta
mente de toda farda
pente de todo flerte
rente de todo porte
tente de toda sorte
gente de todo mistério-vida
cidade jovem de toda parte
encontro de tempos de antes antigos
ainda destinos incertos em Volta do sonho
eorrem atrás do copo da noite
ou escutam o tédio ou vêem a ilusão
ou lêem a falta de imaginação
foi dada a largada
os cavalos estão na frente
e os funcionários montados no medo se borram
detrás da felicidade da mesa
a dor do muro na pichação:
"Ilha e Solidão"
gente de todo porte
porta que vem e que volta
as quadras nasceram enquadradas na LSN
aqui não se comete um grande crime
e todos somos funcionários do SN I
ó felizes meninos que aqui surgirão
pra repetir a cadeira gravata dos pais pais
repetir a dor repetir a dor repetir?
ai` meninas daqui
a prosseguir o passado se submeter
ao másculo caduco poder?
meninas que hão de dançar
hão de dançar dançarão
(o corpo das tuas meninas são só bailarinas?)
quem fará o que quem fará aqui lo quem faremos como
o garoto agora engraçado
filho satélite da quadra do lago
fadado a ser forte conforme o destino
ou dono de si o teimoso menino?
a arte solta salta da rua rua não existe
artista sente por não ser a praça contente
a tua reviração se faremos
quem dera que a gente quisesse
teu profetismo nos encantaremos
pra viver real idade nossa dia~a-dia
toda morte se daria em holocausto
o fausto dos teus ricos se extinguiria
o farto prato então se dividiria
e tanto pranto alegre que a vida choraria
se um dia fosse verdade
sa ída de nossas mãos
é bom gonhar e ver voar teu avião
tem olhos de fora olhando pra gente tem
a tal bastilha atual é forte meu bem
guardada por 49 chaves do além
roma honra amor remo loba rômulo êmulo
hermano hermanito m ío
dónde está nuestra amistad
dónde nuestro proyecto por la libertad
a mil milhas de altura está brazilha
continente filho da filha da quimera
esperam inferno e Verão primavera
a fé no futuro é besteira
sem o eterno-presente na mochila
as lutas a paz hão de vingar
reconhecer os que fazem fizeram a história com H
as mães de brasará
proliferação da vrida
terão mãos hão de ter mãos terá
serão mais onde ir-mãos será
virão filhos que hão de virar
essa terra criança velha
em semente do sempre novo fogo povo a penetrar
arte parte arte parte arte
status estata!
povoação enigmação, _
vazio normal buracultural
diz para mim
enfim, qual teu mal?
Gente de toda arte
quem há derrado afinal?
Onde esteve teu futuro
esse todo tempo
teu fu turo teu futuro teu
tu és boi e computador
qualquer coisa assim
olha aesse cerrado será nosso
será cerrado será cerrado será
que fizeram das lembranças
das mortes da tua infância?
no des-contar da tua glória
ó cidade bela
fizeram jorrar sangue
teu solo foi manchado
continente brazilha
gente de toda mente
a seta da arte incerta te alvejará
pra espalhar flores em forma de trigo
teus hômi é teus próprio inimigo
e a seta da arte incerta não parte
teu lago afundará
vai ser até bão de pescar
mas tuelitelitista num vai tão cedo acabar
vumbora vumbora povo!
(palavra de novo mal dita)
na garganta da gravata
teúnico jota cá paz de ser gente
foi-se in-esperado
teus solitários lares decentes
teu dom bosco poliético visionário
teus vários bonitos espaços vazios
onde nos levaremos?
brazileira
filha
tu és brazileira
menina menina menina
cabeça de menina ·
corpo de cheiro de ânsia
continentalmentilha
corcheirosa de cabelos amanteigados
mão te queira
mantequilla
mãe e filha
mar à vila do sossego
desapego
tu és o concreto da arquijuntura
tu futuras
pelos passos dos teus filhos ilhos
para que quem porque foste criada
hoje agora em tédio nadas
pré destinada a ser fada
místico interpretada
lança jogada no centro
vento passaporte muldireções
oeste pé na estrada
abra
berre
erre
ria
tenha
uma
rota
agora
?
Ilha maravilhosamente certa
reta cabeça da nação
decisão precisão ver se dão lassidaão
perfidocraticamente sem coração
teus satélites querem tua luz planoalto
não brilharias tu alguma vez
não terias asas na inspiração?
Onde estaria escondida a vontade do nosso peito
nas asas na cabeça ou no coração do avião?
Gente de toda ilha
sente de toda falta
mente de toda farda
pente de todo flerte
rente de todo porte
tente de toda sorte
gente de todo mistério-vida
cidade jovem de toda parte
encontro de tempos de antes antigos
ainda destinos incertos em Volta do sonho
eorrem atrás do copo da noite
ou escutam o tédio ou vêem a ilusão
ou lêem a falta de imaginação
foi dada a largada
os cavalos estão na frente
e os funcionários montados no medo se borram
detrás da felicidade da mesa
a dor do muro na pichação:
"Ilha e Solidão"
gente de todo porte
porta que vem e que volta
as quadras nasceram enquadradas na LSN
aqui não se comete um grande crime
e todos somos funcionários do SN I
ó felizes meninos que aqui surgirão
pra repetir a cadeira gravata dos pais pais
repetir a dor repetir a dor repetir?
ai` meninas daqui
a prosseguir o passado se submeter
ao másculo caduco poder?
meninas que hão de dançar
hão de dançar dançarão
(o corpo das tuas meninas são só bailarinas?)
quem fará o que quem fará aqui lo quem faremos como
o garoto agora engraçado
filho satélite da quadra do lago
fadado a ser forte conforme o destino
ou dono de si o teimoso menino?
a arte solta salta da rua rua não existe
artista sente por não ser a praça contente
a tua reviração se faremos
quem dera que a gente quisesse
teu profetismo nos encantaremos
pra viver real idade nossa dia~a-dia
toda morte se daria em holocausto
o fausto dos teus ricos se extinguiria
o farto prato então se dividiria
e tanto pranto alegre que a vida choraria
se um dia fosse verdade
sa ída de nossas mãos
é bom gonhar e ver voar teu avião
tem olhos de fora olhando pra gente tem
a tal bastilha atual é forte meu bem
guardada por 49 chaves do além
roma honra amor remo loba rômulo êmulo
hermano hermanito m ío
dónde está nuestra amistad
dónde nuestro proyecto por la libertad
a mil milhas de altura está brazilha
continente filho da filha da quimera
esperam inferno e Verão primavera
a fé no futuro é besteira
sem o eterno-presente na mochila
as lutas a paz hão de vingar
reconhecer os que fazem fizeram a história com H
as mães de brasará
proliferação da vrida
terão mãos hão de ter mãos terá
serão mais onde ir-mãos será
virão filhos que hão de virar
essa terra criança velha
em semente do sempre novo fogo povo a penetrar
855
Sinésio Cabral
Remembranças
Domingo. Noite calma. Um piston em surdina
me traz evocações. Na varanda ensombrada,
eu mergulho no tempo, e o quadro me fascina:
perdidos na distância, uns longes de alvorada.
Em tomo à mesa, ali, conversas de rotina,
logo após o jantar. Bate-papo e mais nada.
E eu retorno à varanda, o olhar na chuva fina
e o pensamento longe, alma enfim deslumbrada.
Daqui deste edifício, entre instantâneos vários,
suponho ver no mar, e com os mesmos ardis,
nos veleiros de outrora, os antigos corsários.
Recordo, neste ensejo, ilhado em São Luís,
meus Pais, irmãos, Madrinha, a Escola, meus canários...
Taperoá, de antanho, em cenas infantis.
me traz evocações. Na varanda ensombrada,
eu mergulho no tempo, e o quadro me fascina:
perdidos na distância, uns longes de alvorada.
Em tomo à mesa, ali, conversas de rotina,
logo após o jantar. Bate-papo e mais nada.
E eu retorno à varanda, o olhar na chuva fina
e o pensamento longe, alma enfim deslumbrada.
Daqui deste edifício, entre instantâneos vários,
suponho ver no mar, e com os mesmos ardis,
nos veleiros de outrora, os antigos corsários.
Recordo, neste ensejo, ilhado em São Luís,
meus Pais, irmãos, Madrinha, a Escola, meus canários...
Taperoá, de antanho, em cenas infantis.
957
Sinésio Cabral
Remembranças
Domingo. Noite calma. Um piston em surdina
me traz evocações. Na varanda ensombrada,
eu mergulho no tempo, e o quadro me fascina:
perdidos na distância, uns longes de alvorada.
Em tomo à mesa, ali, conversas de rotina,
logo após o jantar. Bate-papo e mais nada.
E eu retorno à varanda, o olhar na chuva fina
e o pensamento longe, alma enfim deslumbrada.
Daqui deste edifício, entre instantâneos vários,
suponho ver no mar, e com os mesmos ardis,
nos veleiros de outrora, os antigos corsários.
Recordo, neste ensejo, ilhado em São Luís,
meus Pais, irmãos, Madrinha, a Escola, meus canários...
Taperoá, de antanho, em cenas infantis.
me traz evocações. Na varanda ensombrada,
eu mergulho no tempo, e o quadro me fascina:
perdidos na distância, uns longes de alvorada.
Em tomo à mesa, ali, conversas de rotina,
logo após o jantar. Bate-papo e mais nada.
E eu retorno à varanda, o olhar na chuva fina
e o pensamento longe, alma enfim deslumbrada.
Daqui deste edifício, entre instantâneos vários,
suponho ver no mar, e com os mesmos ardis,
nos veleiros de outrora, os antigos corsários.
Recordo, neste ensejo, ilhado em São Luís,
meus Pais, irmãos, Madrinha, a Escola, meus canários...
Taperoá, de antanho, em cenas infantis.
957
Rodrigo Carvalho
Poema Quase Erótico
Começo agora a sentir.
A sentir-te,
num toque de lábios.
Sinto-te perto de mim,
com teus pequenos passos,
escorregadios,
a acariciar-me a face.
Os teus toques,
apesar de gélidos,
esquentam-me o corpo inteiro,
fazendo-me queimar,
de ternura.
E num simples tocar,
derreto-me, perco-me, distraio-me.
E tu continuas a tocar-me,
escorrendo-me pelo corpo,
fazendo-me cócegas,
excitantes.
Até que tu vais,
sem nem deixar-me saber
quem tu és.
Mas, agora,
percebendo e sentindo,
o mais íntimo dos teus toques,
começo a saber.
É como se fosse,
e é...
orvalho!
Salvador, 28 de outubro de 1996
A sentir-te,
num toque de lábios.
Sinto-te perto de mim,
com teus pequenos passos,
escorregadios,
a acariciar-me a face.
Os teus toques,
apesar de gélidos,
esquentam-me o corpo inteiro,
fazendo-me queimar,
de ternura.
E num simples tocar,
derreto-me, perco-me, distraio-me.
E tu continuas a tocar-me,
escorrendo-me pelo corpo,
fazendo-me cócegas,
excitantes.
Até que tu vais,
sem nem deixar-me saber
quem tu és.
Mas, agora,
percebendo e sentindo,
o mais íntimo dos teus toques,
começo a saber.
É como se fosse,
e é...
orvalho!
Salvador, 28 de outubro de 1996
935
Rodrigo Carvalho
Intervenção da Morte
Consulta médica.
O ar anestesia meus pensamentos,
deixando-os livres.
Que teria eu sofrido para estar em tal lugar?
E o doutor,
de barbas brancas, — que até passava um pouco de calma, sabe?! —
anunciou o esperado:
— Tu realmente és saudável, é verdade.
Salvo tuas vísceras,
teimosas,
impondo-se em deslocar-se.
Causastes uma hérnia, vísceras danadas!
Hospital.
Exames, espera, tricotomia, espera, roupas brancas — ridículas! —
botinhas de pano, touca, cadeira-de-rodas. . .
Sala de cirurgia!
Deito-me na maca e amarram-me por inteiro.
Eletroldos, injeções, soro, bisturi, coração, anestesia. . .
. . .
Terminou?
. . .
E vem a recuperação que,
apesar de rápida,
é bastante dolorosa.
Após a cirurgia, paro e reflito.
Tenho a nítida impressão de que a morte,
é aquilo ali:
não sente-se nada;
não ouve-se nada;
não se é nada,
após os ‘bip’s’. . .
Salvador, 10 de julho de 1994
O ar anestesia meus pensamentos,
deixando-os livres.
Que teria eu sofrido para estar em tal lugar?
E o doutor,
de barbas brancas, — que até passava um pouco de calma, sabe?! —
anunciou o esperado:
— Tu realmente és saudável, é verdade.
Salvo tuas vísceras,
teimosas,
impondo-se em deslocar-se.
Causastes uma hérnia, vísceras danadas!
Hospital.
Exames, espera, tricotomia, espera, roupas brancas — ridículas! —
botinhas de pano, touca, cadeira-de-rodas. . .
Sala de cirurgia!
Deito-me na maca e amarram-me por inteiro.
Eletroldos, injeções, soro, bisturi, coração, anestesia. . .
. . .
Terminou?
. . .
E vem a recuperação que,
apesar de rápida,
é bastante dolorosa.
Após a cirurgia, paro e reflito.
Tenho a nítida impressão de que a morte,
é aquilo ali:
não sente-se nada;
não ouve-se nada;
não se é nada,
após os ‘bip’s’. . .
Salvador, 10 de julho de 1994
688
Rodrigo Carvalho
Intervenção da Morte
Consulta médica.
O ar anestesia meus pensamentos,
deixando-os livres.
Que teria eu sofrido para estar em tal lugar?
E o doutor,
de barbas brancas, — que até passava um pouco de calma, sabe?! —
anunciou o esperado:
— Tu realmente és saudável, é verdade.
Salvo tuas vísceras,
teimosas,
impondo-se em deslocar-se.
Causastes uma hérnia, vísceras danadas!
Hospital.
Exames, espera, tricotomia, espera, roupas brancas — ridículas! —
botinhas de pano, touca, cadeira-de-rodas. . .
Sala de cirurgia!
Deito-me na maca e amarram-me por inteiro.
Eletroldos, injeções, soro, bisturi, coração, anestesia. . .
. . .
Terminou?
. . .
E vem a recuperação que,
apesar de rápida,
é bastante dolorosa.
Após a cirurgia, paro e reflito.
Tenho a nítida impressão de que a morte,
é aquilo ali:
não sente-se nada;
não ouve-se nada;
não se é nada,
após os ‘bip’s’. . .
Salvador, 10 de julho de 1994
O ar anestesia meus pensamentos,
deixando-os livres.
Que teria eu sofrido para estar em tal lugar?
E o doutor,
de barbas brancas, — que até passava um pouco de calma, sabe?! —
anunciou o esperado:
— Tu realmente és saudável, é verdade.
Salvo tuas vísceras,
teimosas,
impondo-se em deslocar-se.
Causastes uma hérnia, vísceras danadas!
Hospital.
Exames, espera, tricotomia, espera, roupas brancas — ridículas! —
botinhas de pano, touca, cadeira-de-rodas. . .
Sala de cirurgia!
Deito-me na maca e amarram-me por inteiro.
Eletroldos, injeções, soro, bisturi, coração, anestesia. . .
. . .
Terminou?
. . .
E vem a recuperação que,
apesar de rápida,
é bastante dolorosa.
Após a cirurgia, paro e reflito.
Tenho a nítida impressão de que a morte,
é aquilo ali:
não sente-se nada;
não ouve-se nada;
não se é nada,
após os ‘bip’s’. . .
Salvador, 10 de julho de 1994
688
Rodrigo Carvalho
Intervenção da Morte
Consulta médica.
O ar anestesia meus pensamentos,
deixando-os livres.
Que teria eu sofrido para estar em tal lugar?
E o doutor,
de barbas brancas, — que até passava um pouco de calma, sabe?! —
anunciou o esperado:
— Tu realmente és saudável, é verdade.
Salvo tuas vísceras,
teimosas,
impondo-se em deslocar-se.
Causastes uma hérnia, vísceras danadas!
Hospital.
Exames, espera, tricotomia, espera, roupas brancas — ridículas! —
botinhas de pano, touca, cadeira-de-rodas. . .
Sala de cirurgia!
Deito-me na maca e amarram-me por inteiro.
Eletroldos, injeções, soro, bisturi, coração, anestesia. . .
. . .
Terminou?
. . .
E vem a recuperação que,
apesar de rápida,
é bastante dolorosa.
Após a cirurgia, paro e reflito.
Tenho a nítida impressão de que a morte,
é aquilo ali:
não sente-se nada;
não ouve-se nada;
não se é nada,
após os ‘bip’s’. . .
Salvador, 10 de julho de 1994
O ar anestesia meus pensamentos,
deixando-os livres.
Que teria eu sofrido para estar em tal lugar?
E o doutor,
de barbas brancas, — que até passava um pouco de calma, sabe?! —
anunciou o esperado:
— Tu realmente és saudável, é verdade.
Salvo tuas vísceras,
teimosas,
impondo-se em deslocar-se.
Causastes uma hérnia, vísceras danadas!
Hospital.
Exames, espera, tricotomia, espera, roupas brancas — ridículas! —
botinhas de pano, touca, cadeira-de-rodas. . .
Sala de cirurgia!
Deito-me na maca e amarram-me por inteiro.
Eletroldos, injeções, soro, bisturi, coração, anestesia. . .
. . .
Terminou?
. . .
E vem a recuperação que,
apesar de rápida,
é bastante dolorosa.
Após a cirurgia, paro e reflito.
Tenho a nítida impressão de que a morte,
é aquilo ali:
não sente-se nada;
não ouve-se nada;
não se é nada,
após os ‘bip’s’. . .
Salvador, 10 de julho de 1994
688
Sinésio Cabral
Outono
Quando a velhice chega, a vida perde a graça.
Vêm o tédio, o silêncio, o queixume, o abandono.
Sempre há de ser assim. Pelo tempo o homem passa,
na luta pela vida, a mergulhar no outono.
E (se não fosse Deus!) que dizer da carcaça
(sem alma) dos mortais, possíveis cães sem dono?
Materialista e ateu, o ancião se desengraça
de todos e de tudo, e, inda mais, perde o sono.
Como é bom ser cristão! A gente continua
a viver sempre bem, otimista, feliz,
sem queixumes, ao sol, sem pedradas na lua.
Sem Eva para Adão, que seria do mundo?
Da argila para a vida (a História no-lo diz),
houve o sopro divino, infinito, fecundo.
Vêm o tédio, o silêncio, o queixume, o abandono.
Sempre há de ser assim. Pelo tempo o homem passa,
na luta pela vida, a mergulhar no outono.
E (se não fosse Deus!) que dizer da carcaça
(sem alma) dos mortais, possíveis cães sem dono?
Materialista e ateu, o ancião se desengraça
de todos e de tudo, e, inda mais, perde o sono.
Como é bom ser cristão! A gente continua
a viver sempre bem, otimista, feliz,
sem queixumes, ao sol, sem pedradas na lua.
Sem Eva para Adão, que seria do mundo?
Da argila para a vida (a História no-lo diz),
houve o sopro divino, infinito, fecundo.
862
Sinésio Cabral
Outono
Quando a velhice chega, a vida perde a graça.
Vêm o tédio, o silêncio, o queixume, o abandono.
Sempre há de ser assim. Pelo tempo o homem passa,
na luta pela vida, a mergulhar no outono.
E (se não fosse Deus!) que dizer da carcaça
(sem alma) dos mortais, possíveis cães sem dono?
Materialista e ateu, o ancião se desengraça
de todos e de tudo, e, inda mais, perde o sono.
Como é bom ser cristão! A gente continua
a viver sempre bem, otimista, feliz,
sem queixumes, ao sol, sem pedradas na lua.
Sem Eva para Adão, que seria do mundo?
Da argila para a vida (a História no-lo diz),
houve o sopro divino, infinito, fecundo.
Vêm o tédio, o silêncio, o queixume, o abandono.
Sempre há de ser assim. Pelo tempo o homem passa,
na luta pela vida, a mergulhar no outono.
E (se não fosse Deus!) que dizer da carcaça
(sem alma) dos mortais, possíveis cães sem dono?
Materialista e ateu, o ancião se desengraça
de todos e de tudo, e, inda mais, perde o sono.
Como é bom ser cristão! A gente continua
a viver sempre bem, otimista, feliz,
sem queixumes, ao sol, sem pedradas na lua.
Sem Eva para Adão, que seria do mundo?
Da argila para a vida (a História no-lo diz),
houve o sopro divino, infinito, fecundo.
862
Sinésio Cabral
Outono
Quando a velhice chega, a vida perde a graça.
Vêm o tédio, o silêncio, o queixume, o abandono.
Sempre há de ser assim. Pelo tempo o homem passa,
na luta pela vida, a mergulhar no outono.
E (se não fosse Deus!) que dizer da carcaça
(sem alma) dos mortais, possíveis cães sem dono?
Materialista e ateu, o ancião se desengraça
de todos e de tudo, e, inda mais, perde o sono.
Como é bom ser cristão! A gente continua
a viver sempre bem, otimista, feliz,
sem queixumes, ao sol, sem pedradas na lua.
Sem Eva para Adão, que seria do mundo?
Da argila para a vida (a História no-lo diz),
houve o sopro divino, infinito, fecundo.
Vêm o tédio, o silêncio, o queixume, o abandono.
Sempre há de ser assim. Pelo tempo o homem passa,
na luta pela vida, a mergulhar no outono.
E (se não fosse Deus!) que dizer da carcaça
(sem alma) dos mortais, possíveis cães sem dono?
Materialista e ateu, o ancião se desengraça
de todos e de tudo, e, inda mais, perde o sono.
Como é bom ser cristão! A gente continua
a viver sempre bem, otimista, feliz,
sem queixumes, ao sol, sem pedradas na lua.
Sem Eva para Adão, que seria do mundo?
Da argila para a vida (a História no-lo diz),
houve o sopro divino, infinito, fecundo.
862
Sinésio Cabral
Destinos Iguais
Eu leio em teu semblante desenhada
na sua plenitude a própria vida
de quem se sente em vida desolada,
sem sol e sem calor, desiludida.
Decerto, contrafeita, amargurada,
por vezes, entre amigas, esquecida,
tu ficas em silêncio, ó bem-amada,
e eu fico a contemplar-te, assim, querida.
E Deus nos fala pela voz dos sinos.
Ao lusco-fusco, sinto em tua prece
fervor e contrição. A noite desce.
Perdidos no tumulto dos destinos
traçados para todos os mortais,
parece que nós dois somos iguais.
na sua plenitude a própria vida
de quem se sente em vida desolada,
sem sol e sem calor, desiludida.
Decerto, contrafeita, amargurada,
por vezes, entre amigas, esquecida,
tu ficas em silêncio, ó bem-amada,
e eu fico a contemplar-te, assim, querida.
E Deus nos fala pela voz dos sinos.
Ao lusco-fusco, sinto em tua prece
fervor e contrição. A noite desce.
Perdidos no tumulto dos destinos
traçados para todos os mortais,
parece que nós dois somos iguais.
878
Rodrigo Carvalho
Libertação
É. . .
Dizem por aí que nasci para viver sozinho.
Eternamente sozinho.
Que importa? O que importa é viver!
Tenho pressa de viver! Viver no meu mundo!
Estou farto da vida estupidamente cotidiana!
Não quero mais saber de regras insuportáveis!
Eu insulto as pessoas-máquinas! Sempiternamente cautelosas!
Que importam as regras, as infâmias?
Que importam?
Recuso-me a aceitar o absurdo daqueles que acreditam
na impossibilidade de crer que viver,
é só isso aí. . .
Queimem de raiva contra mim os que acreditam no sistema!
Morram de dor as atitudes impostas!
Destilem seus venenos,
que eu beberei. . .
Tenho nervos de aço, onde não corre sangue nas veias,
ou mesmo no coração.
No meu coração correm vastas emoções,
e o fluxo de pensamentos.
Se tens as regras, cumpra-as!
Se tens a subordinação, humilhe-se!
Se tens tudo, fazes!
Eu, tenho a minha loucura!
Porque, vocês que dizem possuir o direito,
acham que podem ignorar tudo aquilo que sinto em meu peito?
Ah! Que ninguém me defina!
Que ninguém me questione!
Eu, que não vivo sem a minha loucura,
não me questiono!
Eu faço!
Vocês, miseráveis e desprezíveis,
só vão ter o respeito que querem,
no dia em que souberem — e quiserem ! —
respeitar a minha vontade.
Se não for assim. . .
Unam-se todos contra mim!
Alimentem-se do meu ódio!
Mas, não aliem-se ao inimigo. . .
Costumo andar sozinho. Não acompanho ninguém.
Prefiro seguir aos lamentos, machucar-me, arrastar-me,
a seguir todas estas regras insuportáveis.
Mas, viver!
A dor é uma coisa real, sim, mas que estou
aprendendo a abraçar.
E assim vou vivendo. . .
Sozinho. . .
Dizem por aí que nasci para viver sozinho.
Eternamente sozinho.
Que importa? O que importa é viver!
Tenho pressa de viver! Viver no meu mundo!
Estou farto da vida estupidamente cotidiana!
Não quero mais saber de regras insuportáveis!
Eu insulto as pessoas-máquinas! Sempiternamente cautelosas!
Que importam as regras, as infâmias?
Que importam?
Recuso-me a aceitar o absurdo daqueles que acreditam
na impossibilidade de crer que viver,
é só isso aí. . .
Queimem de raiva contra mim os que acreditam no sistema!
Morram de dor as atitudes impostas!
Destilem seus venenos,
que eu beberei. . .
Tenho nervos de aço, onde não corre sangue nas veias,
ou mesmo no coração.
No meu coração correm vastas emoções,
e o fluxo de pensamentos.
Se tens as regras, cumpra-as!
Se tens a subordinação, humilhe-se!
Se tens tudo, fazes!
Eu, tenho a minha loucura!
Porque, vocês que dizem possuir o direito,
acham que podem ignorar tudo aquilo que sinto em meu peito?
Ah! Que ninguém me defina!
Que ninguém me questione!
Eu, que não vivo sem a minha loucura,
não me questiono!
Eu faço!
Vocês, miseráveis e desprezíveis,
só vão ter o respeito que querem,
no dia em que souberem — e quiserem ! —
respeitar a minha vontade.
Se não for assim. . .
Unam-se todos contra mim!
Alimentem-se do meu ódio!
Mas, não aliem-se ao inimigo. . .
Costumo andar sozinho. Não acompanho ninguém.
Prefiro seguir aos lamentos, machucar-me, arrastar-me,
a seguir todas estas regras insuportáveis.
Mas, viver!
A dor é uma coisa real, sim, mas que estou
aprendendo a abraçar.
E assim vou vivendo. . .
Sozinho. . .
871
Scarlett Maciel
Variações
De novo,
Me vem à alma essa fome de palavras
Que não existe em mim.
Essa busca envolvida na tão companheira insônia.
Vazio repleto de ânsia.
Pelo quê?
Mundo?
Vida?
E é sempre o amor que vem de mim.
Por mim,
Pela minha alma.
Não existe outra base.
Acabo de ver Rimbaud.
Todos os escritores deveriam nascer mortos!
Será a felicidade,
Exatamente escondida,
À espera do bote,
Atrás da loucura, insanidade d’alma?
Me vejo em tantas coisas, lugares.
Principalmente palavras e sentimentos alheios.
Dentro de loucura, depressão, tristeza...
Sempre isso.
Não muda.
E é sempre a mesma fome por o desconhecido.
Vontade de falar o que não sinto.
Mostrar e fazer brilhar no coração do mundo
A minha ever confusa pessoa.
Tão cheia de teorias
Que nunca acham o caminho da prática.
E o desespero não vem!
Será você o meu anjo,
que dorme agora?
Essa fúria de pensar...
Mas não me sai nada
E o coração já não agüenta.
Precisa de ar.
O frio lá de fora não me atinge a alma nesse segundo.
Parado no tempo
Sei que não resiste.
É muito!
E com toda esta fome o medo não vem.
Estou só (sem ele)
Pela mesma sentença de sempre.
Carregar a fome das palavras nas costas
E devorá-las sem tomar.
Nem eu vejo.
É ato superior.
Me vem à alma essa fome de palavras
Que não existe em mim.
Essa busca envolvida na tão companheira insônia.
Vazio repleto de ânsia.
Pelo quê?
Mundo?
Vida?
E é sempre o amor que vem de mim.
Por mim,
Pela minha alma.
Não existe outra base.
Acabo de ver Rimbaud.
Todos os escritores deveriam nascer mortos!
Será a felicidade,
Exatamente escondida,
À espera do bote,
Atrás da loucura, insanidade d’alma?
Me vejo em tantas coisas, lugares.
Principalmente palavras e sentimentos alheios.
Dentro de loucura, depressão, tristeza...
Sempre isso.
Não muda.
E é sempre a mesma fome por o desconhecido.
Vontade de falar o que não sinto.
Mostrar e fazer brilhar no coração do mundo
A minha ever confusa pessoa.
Tão cheia de teorias
Que nunca acham o caminho da prática.
E o desespero não vem!
Será você o meu anjo,
que dorme agora?
Essa fúria de pensar...
Mas não me sai nada
E o coração já não agüenta.
Precisa de ar.
O frio lá de fora não me atinge a alma nesse segundo.
Parado no tempo
Sei que não resiste.
É muito!
E com toda esta fome o medo não vem.
Estou só (sem ele)
Pela mesma sentença de sempre.
Carregar a fome das palavras nas costas
E devorá-las sem tomar.
Nem eu vejo.
É ato superior.
832
Sinésio Cabral
Introspecção II
A vida, neste mundo, é mesmo passageira.
Certeza ninguém tem de estar vivo, amanhã.
O ímpio endeusa a matéria, ao encher a algibeira.
Longe o Povo de Deus de qualquer coisa vã.
A alma — sopro divino. O corpo, esfeito em poeira,
sob outra forma, um dia... A doutrina cristã,
dentro da BOA NOVA — a fonte verdadeira —
diz sobre o Bem e o Mal — no maior talismã.
Nesta minha rotina, há pesados encargos.
E, se não fosse Deus, como suportaria
ver-te a sofrer, também, momentos tão amargos!
Mas me ajudas, meu bem, na luta, noite e dia,
a carregar a cruz, em gestos sempre largos
e a trazer nosso lar em constante harmonia.
Certeza ninguém tem de estar vivo, amanhã.
O ímpio endeusa a matéria, ao encher a algibeira.
Longe o Povo de Deus de qualquer coisa vã.
A alma — sopro divino. O corpo, esfeito em poeira,
sob outra forma, um dia... A doutrina cristã,
dentro da BOA NOVA — a fonte verdadeira —
diz sobre o Bem e o Mal — no maior talismã.
Nesta minha rotina, há pesados encargos.
E, se não fosse Deus, como suportaria
ver-te a sofrer, também, momentos tão amargos!
Mas me ajudas, meu bem, na luta, noite e dia,
a carregar a cruz, em gestos sempre largos
e a trazer nosso lar em constante harmonia.
820
Sinésio Cabral
Introspecção II
A vida, neste mundo, é mesmo passageira.
Certeza ninguém tem de estar vivo, amanhã.
O ímpio endeusa a matéria, ao encher a algibeira.
Longe o Povo de Deus de qualquer coisa vã.
A alma — sopro divino. O corpo, esfeito em poeira,
sob outra forma, um dia... A doutrina cristã,
dentro da BOA NOVA — a fonte verdadeira —
diz sobre o Bem e o Mal — no maior talismã.
Nesta minha rotina, há pesados encargos.
E, se não fosse Deus, como suportaria
ver-te a sofrer, também, momentos tão amargos!
Mas me ajudas, meu bem, na luta, noite e dia,
a carregar a cruz, em gestos sempre largos
e a trazer nosso lar em constante harmonia.
Certeza ninguém tem de estar vivo, amanhã.
O ímpio endeusa a matéria, ao encher a algibeira.
Longe o Povo de Deus de qualquer coisa vã.
A alma — sopro divino. O corpo, esfeito em poeira,
sob outra forma, um dia... A doutrina cristã,
dentro da BOA NOVA — a fonte verdadeira —
diz sobre o Bem e o Mal — no maior talismã.
Nesta minha rotina, há pesados encargos.
E, se não fosse Deus, como suportaria
ver-te a sofrer, também, momentos tão amargos!
Mas me ajudas, meu bem, na luta, noite e dia,
a carregar a cruz, em gestos sempre largos
e a trazer nosso lar em constante harmonia.
820
Rodrigo Carvalho
Paisagem
à Cristina Pinchemel
Imagino que o dia está absolutamente perfeito.
Pelo vidro suave da janela,
o céu azul,
resplandescente,
ofusca qualquer pensamento vil.
Nas ruas,
as pessoas andam sorridentes e gentis,
com ensaios de "bom-dia",
"boa-tarde" e
"boa-noite".
Lá fora os ventos correm,
— brincando! —
como crianças num dia de sol,
embaraçando cabelos,
afagando folhas solitárias com suas doces carícias invisíveis...
O mar, verde como uma floresta virgem,
lança suas ondas de finas espumas sedosas,
e a areia ,
— ah! a areia!... —
com seus flocos dourados,
assiste a tudo,
inebriando-se...
E sinto!
Sinto a felicidade em mim,
tomando conta de toda a minha alma,
como se injetada por agulha fina, anestésica...
E o ar brinca em meu coração,
borbulhando todo o meu sangue,
numa taça profunda, de cristal...
O dia,
aos poucos,
vai desaparecendo por trás dos montes,
— verdes como o mar! —
dando luz e vida
a uma nova criança que está por nascer...
E a lua surge,
completa,
afiada,
seduzindo estrelas e puros corações.
Os vizinhos em suas varandas,
prestigiam um novo espetáculo.
E vão dormir felizes,
preenchidos por um calor que emana de cada um,
e com um misto de satisfação e ansiedade,
certos de um novo espetáculo,
que irá surgir pela manhã...
A vida não tem sentido,
se você não compõe sua própria paisagem...
Imagino que o dia está absolutamente perfeito.
Pelo vidro suave da janela,
o céu azul,
resplandescente,
ofusca qualquer pensamento vil.
Nas ruas,
as pessoas andam sorridentes e gentis,
com ensaios de "bom-dia",
"boa-tarde" e
"boa-noite".
Lá fora os ventos correm,
— brincando! —
como crianças num dia de sol,
embaraçando cabelos,
afagando folhas solitárias com suas doces carícias invisíveis...
O mar, verde como uma floresta virgem,
lança suas ondas de finas espumas sedosas,
e a areia ,
— ah! a areia!... —
com seus flocos dourados,
assiste a tudo,
inebriando-se...
E sinto!
Sinto a felicidade em mim,
tomando conta de toda a minha alma,
como se injetada por agulha fina, anestésica...
E o ar brinca em meu coração,
borbulhando todo o meu sangue,
numa taça profunda, de cristal...
O dia,
aos poucos,
vai desaparecendo por trás dos montes,
— verdes como o mar! —
dando luz e vida
a uma nova criança que está por nascer...
E a lua surge,
completa,
afiada,
seduzindo estrelas e puros corações.
Os vizinhos em suas varandas,
prestigiam um novo espetáculo.
E vão dormir felizes,
preenchidos por um calor que emana de cada um,
e com um misto de satisfação e ansiedade,
certos de um novo espetáculo,
que irá surgir pela manhã...
A vida não tem sentido,
se você não compõe sua própria paisagem...
733
Rodrigo Carvalho
Remissão
à Mário Sérgio Carvalho
Hoje,
admiro teu sorriso,
anônimo, discreto.
Admiro teu olhar,
e todo o sentimento que ele resume.
Um sentimento abissal,
paterno,
sem ódio, rancor ou ciúme.
Alimento-me de tua razão,
à procura de saciar minha ignorância.
Olho teu semblante,
espelho meu,
e quase sem querer, lembro-me da morte,
esta companhia repugnante,
que levou de nós a semente paterna...
Mas a vida, justa,
deu-me tudo isso que tu és.
Sinto-me seguro, pois tu existes,
e em horas más,
sei que a tua aparição nunca faltará.
Agradeço-te pelo silêncio, pela paz.
E por me fazer crer que existo,
sem rancores do passado ou promessas futuras.
Hoje, tu és meu íntimo contraste,
e beijo-te a face,
grato,
pelo sonho de vida que salvaste...
Hoje,
admiro teu sorriso,
anônimo, discreto.
Admiro teu olhar,
e todo o sentimento que ele resume.
Um sentimento abissal,
paterno,
sem ódio, rancor ou ciúme.
Alimento-me de tua razão,
à procura de saciar minha ignorância.
Olho teu semblante,
espelho meu,
e quase sem querer, lembro-me da morte,
esta companhia repugnante,
que levou de nós a semente paterna...
Mas a vida, justa,
deu-me tudo isso que tu és.
Sinto-me seguro, pois tu existes,
e em horas más,
sei que a tua aparição nunca faltará.
Agradeço-te pelo silêncio, pela paz.
E por me fazer crer que existo,
sem rancores do passado ou promessas futuras.
Hoje, tu és meu íntimo contraste,
e beijo-te a face,
grato,
pelo sonho de vida que salvaste...
953
Rodrigo Carvalho
Remissão
à Mário Sérgio Carvalho
Hoje,
admiro teu sorriso,
anônimo, discreto.
Admiro teu olhar,
e todo o sentimento que ele resume.
Um sentimento abissal,
paterno,
sem ódio, rancor ou ciúme.
Alimento-me de tua razão,
à procura de saciar minha ignorância.
Olho teu semblante,
espelho meu,
e quase sem querer, lembro-me da morte,
esta companhia repugnante,
que levou de nós a semente paterna...
Mas a vida, justa,
deu-me tudo isso que tu és.
Sinto-me seguro, pois tu existes,
e em horas más,
sei que a tua aparição nunca faltará.
Agradeço-te pelo silêncio, pela paz.
E por me fazer crer que existo,
sem rancores do passado ou promessas futuras.
Hoje, tu és meu íntimo contraste,
e beijo-te a face,
grato,
pelo sonho de vida que salvaste...
Hoje,
admiro teu sorriso,
anônimo, discreto.
Admiro teu olhar,
e todo o sentimento que ele resume.
Um sentimento abissal,
paterno,
sem ódio, rancor ou ciúme.
Alimento-me de tua razão,
à procura de saciar minha ignorância.
Olho teu semblante,
espelho meu,
e quase sem querer, lembro-me da morte,
esta companhia repugnante,
que levou de nós a semente paterna...
Mas a vida, justa,
deu-me tudo isso que tu és.
Sinto-me seguro, pois tu existes,
e em horas más,
sei que a tua aparição nunca faltará.
Agradeço-te pelo silêncio, pela paz.
E por me fazer crer que existo,
sem rancores do passado ou promessas futuras.
Hoje, tu és meu íntimo contraste,
e beijo-te a face,
grato,
pelo sonho de vida que salvaste...
953
Rodrigo Carvalho
Elementos Naturais
Água, ar, fogo, terra.
Às vezes, para definir-me,
caio nos conceitos naturais.
Ao passar de minha vida,
muitas vezes quis ser fogo.
Revidar com chamas,
queimar todas as regras,
explodir em pensamentos. . .
Outras vezes,
desejei ser ar,
e poder escapar ileso
das armadilhas da paixão,
das dúvidas angustiantes,
dos golpes do coração.
Ou ainda, terra.
Firme, forte.
Dura o bastante para resistir à tentações.
Mas nunca pude viver tais conceitos!
Resta-me somente um elemento.
É claro que sou água!!
Deixo fluir, correr. . .
Vejo sempre novas paisagens. . .
Começo o dia como um rio,
que desagua no mar,
que o sol evapora,
que vira nuvem,
que transforma-se em chuva,
que volta à terra em outro rio,
que segue para outro mar,
que se regenera. . .
Sou meio sem raízes,
seguindo correntes.
Sou mutante. . .
Tudo muda!
Hoje sou um,
amanhã serei outro.
Mas,
sempre melhor que ontem.
Itabuna, 30 de junho de 1995
Às vezes, para definir-me,
caio nos conceitos naturais.
Ao passar de minha vida,
muitas vezes quis ser fogo.
Revidar com chamas,
queimar todas as regras,
explodir em pensamentos. . .
Outras vezes,
desejei ser ar,
e poder escapar ileso
das armadilhas da paixão,
das dúvidas angustiantes,
dos golpes do coração.
Ou ainda, terra.
Firme, forte.
Dura o bastante para resistir à tentações.
Mas nunca pude viver tais conceitos!
Resta-me somente um elemento.
É claro que sou água!!
Deixo fluir, correr. . .
Vejo sempre novas paisagens. . .
Começo o dia como um rio,
que desagua no mar,
que o sol evapora,
que vira nuvem,
que transforma-se em chuva,
que volta à terra em outro rio,
que segue para outro mar,
que se regenera. . .
Sou meio sem raízes,
seguindo correntes.
Sou mutante. . .
Tudo muda!
Hoje sou um,
amanhã serei outro.
Mas,
sempre melhor que ontem.
Itabuna, 30 de junho de 1995
834
Rodrigo Carvalho
Elementos Naturais
Água, ar, fogo, terra.
Às vezes, para definir-me,
caio nos conceitos naturais.
Ao passar de minha vida,
muitas vezes quis ser fogo.
Revidar com chamas,
queimar todas as regras,
explodir em pensamentos. . .
Outras vezes,
desejei ser ar,
e poder escapar ileso
das armadilhas da paixão,
das dúvidas angustiantes,
dos golpes do coração.
Ou ainda, terra.
Firme, forte.
Dura o bastante para resistir à tentações.
Mas nunca pude viver tais conceitos!
Resta-me somente um elemento.
É claro que sou água!!
Deixo fluir, correr. . .
Vejo sempre novas paisagens. . .
Começo o dia como um rio,
que desagua no mar,
que o sol evapora,
que vira nuvem,
que transforma-se em chuva,
que volta à terra em outro rio,
que segue para outro mar,
que se regenera. . .
Sou meio sem raízes,
seguindo correntes.
Sou mutante. . .
Tudo muda!
Hoje sou um,
amanhã serei outro.
Mas,
sempre melhor que ontem.
Itabuna, 30 de junho de 1995
Às vezes, para definir-me,
caio nos conceitos naturais.
Ao passar de minha vida,
muitas vezes quis ser fogo.
Revidar com chamas,
queimar todas as regras,
explodir em pensamentos. . .
Outras vezes,
desejei ser ar,
e poder escapar ileso
das armadilhas da paixão,
das dúvidas angustiantes,
dos golpes do coração.
Ou ainda, terra.
Firme, forte.
Dura o bastante para resistir à tentações.
Mas nunca pude viver tais conceitos!
Resta-me somente um elemento.
É claro que sou água!!
Deixo fluir, correr. . .
Vejo sempre novas paisagens. . .
Começo o dia como um rio,
que desagua no mar,
que o sol evapora,
que vira nuvem,
que transforma-se em chuva,
que volta à terra em outro rio,
que segue para outro mar,
que se regenera. . .
Sou meio sem raízes,
seguindo correntes.
Sou mutante. . .
Tudo muda!
Hoje sou um,
amanhã serei outro.
Mas,
sempre melhor que ontem.
Itabuna, 30 de junho de 1995
834
Rodrigo Carvalho
Elementos Naturais
Água, ar, fogo, terra.
Às vezes, para definir-me,
caio nos conceitos naturais.
Ao passar de minha vida,
muitas vezes quis ser fogo.
Revidar com chamas,
queimar todas as regras,
explodir em pensamentos. . .
Outras vezes,
desejei ser ar,
e poder escapar ileso
das armadilhas da paixão,
das dúvidas angustiantes,
dos golpes do coração.
Ou ainda, terra.
Firme, forte.
Dura o bastante para resistir à tentações.
Mas nunca pude viver tais conceitos!
Resta-me somente um elemento.
É claro que sou água!!
Deixo fluir, correr. . .
Vejo sempre novas paisagens. . .
Começo o dia como um rio,
que desagua no mar,
que o sol evapora,
que vira nuvem,
que transforma-se em chuva,
que volta à terra em outro rio,
que segue para outro mar,
que se regenera. . .
Sou meio sem raízes,
seguindo correntes.
Sou mutante. . .
Tudo muda!
Hoje sou um,
amanhã serei outro.
Mas,
sempre melhor que ontem.
Itabuna, 30 de junho de 1995
Às vezes, para definir-me,
caio nos conceitos naturais.
Ao passar de minha vida,
muitas vezes quis ser fogo.
Revidar com chamas,
queimar todas as regras,
explodir em pensamentos. . .
Outras vezes,
desejei ser ar,
e poder escapar ileso
das armadilhas da paixão,
das dúvidas angustiantes,
dos golpes do coração.
Ou ainda, terra.
Firme, forte.
Dura o bastante para resistir à tentações.
Mas nunca pude viver tais conceitos!
Resta-me somente um elemento.
É claro que sou água!!
Deixo fluir, correr. . .
Vejo sempre novas paisagens. . .
Começo o dia como um rio,
que desagua no mar,
que o sol evapora,
que vira nuvem,
que transforma-se em chuva,
que volta à terra em outro rio,
que segue para outro mar,
que se regenera. . .
Sou meio sem raízes,
seguindo correntes.
Sou mutante. . .
Tudo muda!
Hoje sou um,
amanhã serei outro.
Mas,
sempre melhor que ontem.
Itabuna, 30 de junho de 1995
834