Poemas neste tema
Vida e Existência
Elielson Rodrigues
Pobre Infeliz
As estrelas me espionam,
eu, reclusivo, grito!
quebro os preceitos que em atrito,
pream minhalma e me decepcionam.
A Noite é meu manto,
dentre a bruma secreto meu desejo,
meu sofrer me martiriza um santo,
mas como haríolo,não prevejo.
Mortos ressuscitam,
a lua ilumina, eles fitam...
Correm e bradam por vida,
e sua dor aumenta a ferida.
A Morte é imprevisível,
é petulante,
invisível,
corante, dos mares vis,
que ceifa a vida
do pobre infeliz.
eu, reclusivo, grito!
quebro os preceitos que em atrito,
pream minhalma e me decepcionam.
A Noite é meu manto,
dentre a bruma secreto meu desejo,
meu sofrer me martiriza um santo,
mas como haríolo,não prevejo.
Mortos ressuscitam,
a lua ilumina, eles fitam...
Correm e bradam por vida,
e sua dor aumenta a ferida.
A Morte é imprevisível,
é petulante,
invisível,
corante, dos mares vis,
que ceifa a vida
do pobre infeliz.
844
Edimilson de Almeida Pereira
Magnificat
Porque não há ofício
espero desaparecer.
O vão desejado
poreja
(para aquele tempo,
talvez)
não para a secura
que implode a memória.
O céu virá limpo,
depois.
espero desaparecer.
O vão desejado
poreja
(para aquele tempo,
talvez)
não para a secura
que implode a memória.
O céu virá limpo,
depois.
1 082
Efer Cilas dos Santos Junior
Cinema
John Ford,John Huston e também o Preminger,
Howard Hawks,Michael Curtiz,Henry King,
Billy Wilder,René Clement e Wyler,
Stanley Donen,Cukor,Victor Fleming,
Robert Wise,Coppola,Milos Forman,
King Vidor,B.Mile,Raoul Walsh,
Woody Allen,Sergio Leone e Kasdan
Stanley Kubrick,Buñuel,Aldrich.
Todos são nomes imortais,honrosos,
Assim como seus filmes grandiosos,
Que,para sempre,entre nós,ficarão.
E as gerações futuras encantadas,
Assistirão a tudo emocionadas
E aqueles nomes memorizarão!
Howard Hawks,Michael Curtiz,Henry King,
Billy Wilder,René Clement e Wyler,
Stanley Donen,Cukor,Victor Fleming,
Robert Wise,Coppola,Milos Forman,
King Vidor,B.Mile,Raoul Walsh,
Woody Allen,Sergio Leone e Kasdan
Stanley Kubrick,Buñuel,Aldrich.
Todos são nomes imortais,honrosos,
Assim como seus filmes grandiosos,
Que,para sempre,entre nós,ficarão.
E as gerações futuras encantadas,
Assistirão a tudo emocionadas
E aqueles nomes memorizarão!
888
Eliane Pantoja Vaidya
Ora, ouvi romanos
Ora, ouvi romanos
se quiserdes
mas há muito me defini
sou gaulês.
se quiserdes
mas há muito me defini
sou gaulês.
747
Eliane Pantoja Vaidya
O que foi pendurado na árvore
O que foi pendurado na árvore é maldito de Deus
Deuteronômio 21:23
O que foi pendurado na árvore
é maldito entre os homens
que penduram pelo pé
como "Le Pendu"
os destituídos
de todas as idades.
Deuteronômio 21:23
O que foi pendurado na árvore
é maldito entre os homens
que penduram pelo pé
como "Le Pendu"
os destituídos
de todas as idades.
858
Edielson Pereira
Sertão
Por acaso nunca viste
Uma seca no sertão?
O sol indo dormir triste
Por ter queimado o chão.
Num córrego, lama rachando,
Galinhas cacarejando,
E um velho de enxada na mão;
Um fogareiro, uma panela
Um pote d’água, uma tigela
À luz do lampião.
O nascimento da lua
Prateando a terra cinzenta;
Amarrada numa estaca
Uma magricela vaca
E a fome que a arrebenta;
Sem chuvas um inverno indo
Mais um dia quente findo
Uma forte fé nos sustenta.
À mesa uma família triste
Faz sua lamentação;
Por acaso nunca viste
Uma seca no sertão?
812
Di Souto
Busca
Há momentos
em que me vejo
em mim:
é quando descinjo
as brumas do pensamento
e encontro-me
em ti.
Há momentos
em que te vejo
em mim:
é quando os entroses
(nossas arcadas)
moem o beijo
de outras bocas,
que é só nosso.
Há momentos
em que somos,
um para o outro,
simplesmente estranhos,
no vazio do universo.
Há momentos
em que somos,
unidos,
o cinzel de nossas almas,
a chaminé das idéias,
ou o cinturão,
desusado,
da ternura.
Há momentos
em que não me vejo
em mim
e nem em ti.
(Extrínsecas almas
flutuantes no nada
sem sermos nada.)
Há momentos
em que me vejo
em mim
e em ti:
é quando os sapatos
desamarrados,
jogados na areia,
esperam nossos pés
que se perderam,
em busca de nós mesmos
Messejana, 23.12.70
em que me vejo
em mim:
é quando descinjo
as brumas do pensamento
e encontro-me
em ti.
Há momentos
em que te vejo
em mim:
é quando os entroses
(nossas arcadas)
moem o beijo
de outras bocas,
que é só nosso.
Há momentos
em que somos,
um para o outro,
simplesmente estranhos,
no vazio do universo.
Há momentos
em que somos,
unidos,
o cinzel de nossas almas,
a chaminé das idéias,
ou o cinturão,
desusado,
da ternura.
Há momentos
em que não me vejo
em mim
e nem em ti.
(Extrínsecas almas
flutuantes no nada
sem sermos nada.)
Há momentos
em que me vejo
em mim
e em ti:
é quando os sapatos
desamarrados,
jogados na areia,
esperam nossos pés
que se perderam,
em busca de nós mesmos
Messejana, 23.12.70
417
Eliane Pantoja Vaidya
Amo estes gregos pagãos
Amo estes gregos pagãos
que amavam a vida
a partir de um céu azul
e um mar violeta.
Amo estas montanhas cabritas
onde Safo e companhia
a de belos tornozelos
galgavam o dia.
que amavam a vida
a partir de um céu azul
e um mar violeta.
Amo estas montanhas cabritas
onde Safo e companhia
a de belos tornozelos
galgavam o dia.
887
Eunice Arruda
O Tempo
Os olhos se resguardam
sob as pálpebras
mas o tempo passa
Junto de nossos passos cautelosos
que ultrapassam mas retornam
sempre
o tempo caminha
Na superfície calma dos retratos
inscreve seu itinerário
e passeia com cautela em nosso rosto
fala pela boca das crianças
murmura no cansaço nossas mortes
Em vão
se preenchem as horas
O tempo carrega em seu rio nossas sementes
para um mar.
sob as pálpebras
mas o tempo passa
Junto de nossos passos cautelosos
que ultrapassam mas retornam
sempre
o tempo caminha
Na superfície calma dos retratos
inscreve seu itinerário
e passeia com cautela em nosso rosto
fala pela boca das crianças
murmura no cansaço nossas mortes
Em vão
se preenchem as horas
O tempo carrega em seu rio nossas sementes
para um mar.
845
Eunice Arruda
O Tempo
Os olhos se resguardam
sob as pálpebras
mas o tempo passa
Junto de nossos passos cautelosos
que ultrapassam mas retornam
sempre
o tempo caminha
Na superfície calma dos retratos
inscreve seu itinerário
e passeia com cautela em nosso rosto
fala pela boca das crianças
murmura no cansaço nossas mortes
Em vão
se preenchem as horas
O tempo carrega em seu rio nossas sementes
para um mar.
sob as pálpebras
mas o tempo passa
Junto de nossos passos cautelosos
que ultrapassam mas retornam
sempre
o tempo caminha
Na superfície calma dos retratos
inscreve seu itinerário
e passeia com cautela em nosso rosto
fala pela boca das crianças
murmura no cansaço nossas mortes
Em vão
se preenchem as horas
O tempo carrega em seu rio nossas sementes
para um mar.
845
Eunice Arruda
O Tempo
Os olhos se resguardam
sob as pálpebras
mas o tempo passa
Junto de nossos passos cautelosos
que ultrapassam mas retornam
sempre
o tempo caminha
Na superfície calma dos retratos
inscreve seu itinerário
e passeia com cautela em nosso rosto
fala pela boca das crianças
murmura no cansaço nossas mortes
Em vão
se preenchem as horas
O tempo carrega em seu rio nossas sementes
para um mar.
sob as pálpebras
mas o tempo passa
Junto de nossos passos cautelosos
que ultrapassam mas retornam
sempre
o tempo caminha
Na superfície calma dos retratos
inscreve seu itinerário
e passeia com cautela em nosso rosto
fala pela boca das crianças
murmura no cansaço nossas mortes
Em vão
se preenchem as horas
O tempo carrega em seu rio nossas sementes
para um mar.
845
David Mestre
Que outro nome
Que rio se pode
abrir na língua acesa
para o capim crepitando
baixo. Que palavra
por ele nasce
e corre corre a lua
e outra lua sem que regresse
ao corpo. Que outro nome
te demos
vestida e no escuro desposada.
Liberdade.
Que tempo de
ocultar o nome sabíamos
perder e nem
de moscardo zumbias: Ngola
nosso pouco maruvo eras
no terreiro anunciada.
Liberdade.
Quem das copas pronuncia
os teus lábios na terra? Nzambi
neles tivesse
mordiscado leve.
Liberdade.
abrir na língua acesa
para o capim crepitando
baixo. Que palavra
por ele nasce
e corre corre a lua
e outra lua sem que regresse
ao corpo. Que outro nome
te demos
vestida e no escuro desposada.
Liberdade.
Que tempo de
ocultar o nome sabíamos
perder e nem
de moscardo zumbias: Ngola
nosso pouco maruvo eras
no terreiro anunciada.
Liberdade.
Quem das copas pronuncia
os teus lábios na terra? Nzambi
neles tivesse
mordiscado leve.
Liberdade.
1 064
Donizete Galvão
Ex-Voto
mercê de um celerado que consigo se desavinha e no meio do caminho
de sua vida achou-se em beco desprovido de fé e o corpo afligido por
dores padecendo de conturbação dos miolos pensar desembestado
visões de dilaceramento euforias desconformes desacorçôo venetas
arrepio de frio aguadilha na boca e estômago embrulhado e procurando
o não sabe o que veio dar em paragens del Rei e aqui se apegou no intento
embora baldado de que seu coração encontre a pacificação
de sua vida achou-se em beco desprovido de fé e o corpo afligido por
dores padecendo de conturbação dos miolos pensar desembestado
visões de dilaceramento euforias desconformes desacorçôo venetas
arrepio de frio aguadilha na boca e estômago embrulhado e procurando
o não sabe o que veio dar em paragens del Rei e aqui se apegou no intento
embora baldado de que seu coração encontre a pacificação
1 155
Dimas Macedo
Espelho
O corpo avança
apalpo a busca
tateio o labirinto.
Em mim
a dor lacera,
dói a solidão.
Em tudo o ser
reage aos passos
pousados no silêncio:
concluo a exatidão
da minha ausência.
No espelho
a meta se assemelha,
reajo à magia, ao perfil,
afasto a sombra.
apalpo a busca
tateio o labirinto.
Em mim
a dor lacera,
dói a solidão.
Em tudo o ser
reage aos passos
pousados no silêncio:
concluo a exatidão
da minha ausência.
No espelho
a meta se assemelha,
reajo à magia, ao perfil,
afasto a sombra.
961
Dimas Macedo
Espelho
O corpo avança
apalpo a busca
tateio o labirinto.
Em mim
a dor lacera,
dói a solidão.
Em tudo o ser
reage aos passos
pousados no silêncio:
concluo a exatidão
da minha ausência.
No espelho
a meta se assemelha,
reajo à magia, ao perfil,
afasto a sombra.
apalpo a busca
tateio o labirinto.
Em mim
a dor lacera,
dói a solidão.
Em tudo o ser
reage aos passos
pousados no silêncio:
concluo a exatidão
da minha ausência.
No espelho
a meta se assemelha,
reajo à magia, ao perfil,
afasto a sombra.
961
Donizete Galvão
Anil
Pedra tocada por Yves Klein,
em que borda do poço
se perdeu?
Em que veio de mina
ficou incrustada?
Por que a pálpebra se fechou
quando deveria estar aberta?
Por que não foi feita
a pergunta certa?
Onde o mantra
que faz surgir Tara,
caminhando hierática
sobre a muralha?
Em que noite adormeci verde
e acordei Saara?
em que borda do poço
se perdeu?
Em que veio de mina
ficou incrustada?
Por que a pálpebra se fechou
quando deveria estar aberta?
Por que não foi feita
a pergunta certa?
Onde o mantra
que faz surgir Tara,
caminhando hierática
sobre a muralha?
Em que noite adormeci verde
e acordei Saara?
1 037
Donizete Galvão
Anil
Pedra tocada por Yves Klein,
em que borda do poço
se perdeu?
Em que veio de mina
ficou incrustada?
Por que a pálpebra se fechou
quando deveria estar aberta?
Por que não foi feita
a pergunta certa?
Onde o mantra
que faz surgir Tara,
caminhando hierática
sobre a muralha?
Em que noite adormeci verde
e acordei Saara?
em que borda do poço
se perdeu?
Em que veio de mina
ficou incrustada?
Por que a pálpebra se fechou
quando deveria estar aberta?
Por que não foi feita
a pergunta certa?
Onde o mantra
que faz surgir Tara,
caminhando hierática
sobre a muralha?
Em que noite adormeci verde
e acordei Saara?
1 037
Diamond
Quarta-feira
sinistro e indiferente bisturi,
segue cortando e lambendo,
tranquilo e lento, de um ao outro lado,
com o ácido vai e vem, da fria lâmina de aço.
abundante cheiro de sangue,
antecipa meu final, ausente eu nada faço,
enquanto a linha não vem,
costurar de vez esse espaço.
a dor foi suprimida,
anestesia se antepõe a vida,
e a alma faz a sua despedida,
saindo, lentamente, pelo corte da ferida.
se morro perco essa luz,
vou para onde, eu não sei?
se for escuro, o medo,
se for o nada, também.
Quarta-feira, mórbida cirurgia.
segue cortando e lambendo,
tranquilo e lento, de um ao outro lado,
com o ácido vai e vem, da fria lâmina de aço.
abundante cheiro de sangue,
antecipa meu final, ausente eu nada faço,
enquanto a linha não vem,
costurar de vez esse espaço.
a dor foi suprimida,
anestesia se antepõe a vida,
e a alma faz a sua despedida,
saindo, lentamente, pelo corte da ferida.
se morro perco essa luz,
vou para onde, eu não sei?
se for escuro, o medo,
se for o nada, também.
Quarta-feira, mórbida cirurgia.
889
Diamond
Quarta-feira
sinistro e indiferente bisturi,
segue cortando e lambendo,
tranquilo e lento, de um ao outro lado,
com o ácido vai e vem, da fria lâmina de aço.
abundante cheiro de sangue,
antecipa meu final, ausente eu nada faço,
enquanto a linha não vem,
costurar de vez esse espaço.
a dor foi suprimida,
anestesia se antepõe a vida,
e a alma faz a sua despedida,
saindo, lentamente, pelo corte da ferida.
se morro perco essa luz,
vou para onde, eu não sei?
se for escuro, o medo,
se for o nada, também.
Quarta-feira, mórbida cirurgia.
segue cortando e lambendo,
tranquilo e lento, de um ao outro lado,
com o ácido vai e vem, da fria lâmina de aço.
abundante cheiro de sangue,
antecipa meu final, ausente eu nada faço,
enquanto a linha não vem,
costurar de vez esse espaço.
a dor foi suprimida,
anestesia se antepõe a vida,
e a alma faz a sua despedida,
saindo, lentamente, pelo corte da ferida.
se morro perco essa luz,
vou para onde, eu não sei?
se for escuro, o medo,
se for o nada, também.
Quarta-feira, mórbida cirurgia.
889
Dimas Macedo
Poema
Há uma hora em que nos decompomos
e indefinidamente vagaimos
entre rosas de sangue.
Há uma hora em que nos despimos
e ocultamos o rosto
e velejamos pelas bordas do caos.
Há uma hora em que copiamos o sonho
e tecemos loas ao tempo
e nos rendemos exaustos.
Há uma hora em que não é possível
o compasso do corpo
nem o corpo se quer sua memória.
Há uma hora em que morremos
e uma hora em que o poema
se torna uma necessidade inarredável.
e indefinidamente vagaimos
entre rosas de sangue.
Há uma hora em que nos despimos
e ocultamos o rosto
e velejamos pelas bordas do caos.
Há uma hora em que copiamos o sonho
e tecemos loas ao tempo
e nos rendemos exaustos.
Há uma hora em que não é possível
o compasso do corpo
nem o corpo se quer sua memória.
Há uma hora em que morremos
e uma hora em que o poema
se torna uma necessidade inarredável.
1 076
Dimas Macedo
Poema
Há uma hora em que nos decompomos
e indefinidamente vagaimos
entre rosas de sangue.
Há uma hora em que nos despimos
e ocultamos o rosto
e velejamos pelas bordas do caos.
Há uma hora em que copiamos o sonho
e tecemos loas ao tempo
e nos rendemos exaustos.
Há uma hora em que não é possível
o compasso do corpo
nem o corpo se quer sua memória.
Há uma hora em que morremos
e uma hora em que o poema
se torna uma necessidade inarredável.
e indefinidamente vagaimos
entre rosas de sangue.
Há uma hora em que nos despimos
e ocultamos o rosto
e velejamos pelas bordas do caos.
Há uma hora em que copiamos o sonho
e tecemos loas ao tempo
e nos rendemos exaustos.
Há uma hora em que não é possível
o compasso do corpo
nem o corpo se quer sua memória.
Há uma hora em que morremos
e uma hora em que o poema
se torna uma necessidade inarredável.
1 076