Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Gonzaga Leão
A praça
Não te chamo a passeio pela praça
porque a praça morreu e está cercada
de muros. Há estranhos operários
trabalhando: em luga de pá e enxada
usam feios fuzis e sabres sujos.
E as árvores da praça assassinada
já não podem dar flor nem dar mais fruto
nem mesmo a sombra amiga e desejada.
Por isso não te chamo para a praça
com este céu de manhã quase noturno
e operários estranhos e fardados.
Peço-te apenas que me dês a mão
e juntos amassemos nosso pão
que se é feito de amor não sai amargo.
porque a praça morreu e está cercada
de muros. Há estranhos operários
trabalhando: em luga de pá e enxada
usam feios fuzis e sabres sujos.
E as árvores da praça assassinada
já não podem dar flor nem dar mais fruto
nem mesmo a sombra amiga e desejada.
Por isso não te chamo para a praça
com este céu de manhã quase noturno
e operários estranhos e fardados.
Peço-te apenas que me dês a mão
e juntos amassemos nosso pão
que se é feito de amor não sai amargo.
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Gonzaga Leão
A praça
Não te chamo a passeio pela praça
porque a praça morreu e está cercada
de muros. Há estranhos operários
trabalhando: em luga de pá e enxada
usam feios fuzis e sabres sujos.
E as árvores da praça assassinada
já não podem dar flor nem dar mais fruto
nem mesmo a sombra amiga e desejada.
Por isso não te chamo para a praça
com este céu de manhã quase noturno
e operários estranhos e fardados.
Peço-te apenas que me dês a mão
e juntos amassemos nosso pão
que se é feito de amor não sai amargo.
porque a praça morreu e está cercada
de muros. Há estranhos operários
trabalhando: em luga de pá e enxada
usam feios fuzis e sabres sujos.
E as árvores da praça assassinada
já não podem dar flor nem dar mais fruto
nem mesmo a sombra amiga e desejada.
Por isso não te chamo para a praça
com este céu de manhã quase noturno
e operários estranhos e fardados.
Peço-te apenas que me dês a mão
e juntos amassemos nosso pão
que se é feito de amor não sai amargo.
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Gonzaga Leão
A praça
Não te chamo a passeio pela praça
porque a praça morreu e está cercada
de muros. Há estranhos operários
trabalhando: em luga de pá e enxada
usam feios fuzis e sabres sujos.
E as árvores da praça assassinada
já não podem dar flor nem dar mais fruto
nem mesmo a sombra amiga e desejada.
Por isso não te chamo para a praça
com este céu de manhã quase noturno
e operários estranhos e fardados.
Peço-te apenas que me dês a mão
e juntos amassemos nosso pão
que se é feito de amor não sai amargo.
porque a praça morreu e está cercada
de muros. Há estranhos operários
trabalhando: em luga de pá e enxada
usam feios fuzis e sabres sujos.
E as árvores da praça assassinada
já não podem dar flor nem dar mais fruto
nem mesmo a sombra amiga e desejada.
Por isso não te chamo para a praça
com este céu de manhã quase noturno
e operários estranhos e fardados.
Peço-te apenas que me dês a mão
e juntos amassemos nosso pão
que se é feito de amor não sai amargo.
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Judas Isgorogota
Atitudes
A poesia em mim era uma asa andeja
que voava noite e dia
e eu andejava, desde menino,
na asa da poesia.
— "Triste é o destino
dos poetas!" o meu pai dizia.
"Onde há poesia não há pão!"
E minha mãe que, além de sertaneja,
possuia um coração, como todas as mães:
— "Pois que faça poesia!
A poesia é o melhor dos pães".
Quando chegou a hora
de trabalhar, ser gente,
fazer da vida uma linha reta,
ela que até ali fora uma linha curva
espinhosa e difícil... mar em fora
saí, para lutar valentemente.
Acontece que eu era apenas um poeta...
Mas, ao fim, encalhei, como outros muitos barcos
desarvorados,
no acoradouro de um jornal;
vida de sonhos e ordenados parcos,
que, entretanto, me dava o que eu queria:
um pouco de ideal,
de liberdade e poesia.
E um certo dia:
— "Jornal é a sensação do cotidiano!
É a vida terra-a-terra!
Nada de poesia!"
Só agora é que vejo, céus, quanto tempo perdido...
E agora, olhando para trás, eu vejo,
comovido,
que, em meio a tanta desilusão,
ainda assim me ficou a quietude
que me anima e conforta.
Enfim, nem tudo foi em vão:
hoje sei que no mundo, a poesia
está morta...
Aquilo que era a essência da alma humana
não mais existe... Em luta, diária, insana,
tudo se digladia...
O homem, para vencer, precisa odiar
a própria poesia!...
Mas, agora que estou aposentado,
com toda a minha experiência
dos homens, e do mundo atormentado;
dos mistérios da vida e da divina essência;
hoje, que longe vai a juventude;
hoje, que vivo como um pássaro
que pressente chegar, por entre rosas,
a paz idílica das últimas
auroras e dos últimos crepúsculos;
eu, hoje, resolvi tomar uma atitude
definitiva, corajosa,
entre as mais corajosas:
— Vou fazer poesia!
que voava noite e dia
e eu andejava, desde menino,
na asa da poesia.
— "Triste é o destino
dos poetas!" o meu pai dizia.
"Onde há poesia não há pão!"
E minha mãe que, além de sertaneja,
possuia um coração, como todas as mães:
— "Pois que faça poesia!
A poesia é o melhor dos pães".
Quando chegou a hora
de trabalhar, ser gente,
fazer da vida uma linha reta,
ela que até ali fora uma linha curva
espinhosa e difícil... mar em fora
saí, para lutar valentemente.
Acontece que eu era apenas um poeta...
Mas, ao fim, encalhei, como outros muitos barcos
desarvorados,
no acoradouro de um jornal;
vida de sonhos e ordenados parcos,
que, entretanto, me dava o que eu queria:
um pouco de ideal,
de liberdade e poesia.
E um certo dia:
— "Jornal é a sensação do cotidiano!
É a vida terra-a-terra!
Nada de poesia!"
Só agora é que vejo, céus, quanto tempo perdido...
E agora, olhando para trás, eu vejo,
comovido,
que, em meio a tanta desilusão,
ainda assim me ficou a quietude
que me anima e conforta.
Enfim, nem tudo foi em vão:
hoje sei que no mundo, a poesia
está morta...
Aquilo que era a essência da alma humana
não mais existe... Em luta, diária, insana,
tudo se digladia...
O homem, para vencer, precisa odiar
a própria poesia!...
Mas, agora que estou aposentado,
com toda a minha experiência
dos homens, e do mundo atormentado;
dos mistérios da vida e da divina essência;
hoje, que longe vai a juventude;
hoje, que vivo como um pássaro
que pressente chegar, por entre rosas,
a paz idílica das últimas
auroras e dos últimos crepúsculos;
eu, hoje, resolvi tomar uma atitude
definitiva, corajosa,
entre as mais corajosas:
— Vou fazer poesia!
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Carlos Figueiredo
Goliardos
A Xisto Bahia Filho
Vós, que não podeis beber,
ide para longe destas festas.
Aqui não é lugar para abstêmios.
Baco, virás bem
acolhido e desejado.
Por ti nosso espírito
se torna alegre
ávido de sensualidade
mais que de saúde.
Pai nosso que estais nos copos
santificado
seja esse vinho.
Que venha o embriagado Baco
faça-se abundância de ti
assim no vinho como na taberna.
O pão nosso para comer nos dai hoje
e afastai de nós os copos grandes
assim como nós nos afastamos dos nossos
/beberrões
e não nos induza à tentação do vinho
mas livrai-nos das vestes.
Tanto gentile e tanto onesta pare
la donna mia quandella altrui saluta
chogne lingua deven tremando muta,
e li occhi no lardiscon di guardare.
As formas pensam.
O princípio barroco da subordinação
de todos os elementos arquiteturais
para produzir um efeito único
especular
do absolutismo central
do Pontífice.
No ar,
no alto,
a tensão rupestre
como um estigma na pedra.
A resplandecer
No Tao
Nos Upanichades, em Hesíodo.
Jaurais voulu vous répondre avant
lheure de la poste; Je
nai personne
à qui causer dArt, des poètes,
de lIdéal.
Il confond trop
LIdéal avec le Réel.
Depois, subitamente:
"Vinte anos após estes
acontecimentos
podia-se encontrar
nas ruas de Fougères
um velho ainda ereto etc."
Verdadeiramente embriagado
eu acreditava captar uma antiguidade
maravilhosa.
O mito é o nada que é tudo.
Os deuses vendem quando dão.
O ranger dos bambus
me diz que neva.
Notas do poema Goliardos
Goliardos
Os Goliardos eram uma espécie de beatniks, de freaks do
Século XII, beberrões, vagantes,"on the road", cuja
produção literária se constituiu em um dos marcos
precursores do Renascimento.
A origem do termo não está, ainda, estabelecida.
Alguns identificam os goliardos com Pedro Abelardo(1079-
1142), chamado, nos processos que lhe moveu a Igreja, de
Golias, inimigo da fé. Outros, ao fato deles beberem
e comerem como Golias.
......
Na Idade Média, durante séculos, os textos produzidos,
além de escassíssimos eram, em sua maioria esmagadora,
hagiológicos. Ao longo de cem anos, os anais de um
convento - de S. Benedito - registra tres passagens: Um
surto de peste, o falecimento de um abade tido como santo
e o desabamento da laje do altar.
Quando chega o Século XII "os fatos irrompem
esplêndidos". "Em meio a um frêmito, surgem novos
escritores enfim conscientes da utilidade prática da
História. Ressurge o Direito Romano e nascem escolas que
ressuscitam a atividade científica, em uma primeira tentativa de
laicisar a ciência, e arrebata-la das mãos do clero".
"Todas as classes sociais foram dominadas por um
sentimento vago de inquietação, que as incitava a
buscarem novas e ignotas regiões; que excitavam nelas
fantásticas aspirações a uma nova vida. Daqui o
fanatismo pelas viagens ao Oriente, pelas Cruzadas,
pelas peregrinações, pelas expedições longínquas e
perigosas. Esse sentimento invade também as escolas"
"Em busca de conhecimentos especializados, os estudantes
procuram em Paris as artes liberais. Em Aureliano
(Orleans) os autores, em Bolonha os códigos, em Salermo
as "pyxides" e em Toledo, os demônios. E assim, desses
encontros nas estradas, surgem os Goliardos.
À eles devemos uma das produções literárias da Idade
Média mais belas e características"
Apud Adolfo Bartoli in "Precursores do Renascimento".
Ed. Parma - 1983. Tradução do Prof. Valeriano Gomes do
Nascimento.
De "Vós que não podeis beber..." até "...se torna alegre"
transcrição de textos goliardos (Carmina Burana, 240),
op. cit. P. 37. Ver (ouvir) como Carl Orff cifra
(decifra), no coro de sua Carmina Burana o sentido
seminal do rompimento goliardo.
"Ávido de sensualidade/mais que de saúde" idem, (Carm.
Bur., pp. 67-69), op. cit. P. 39.40
De "Pai nosso que estais..." até "mas livra-nos das
vestes", idem, (Missa de Putatoribus - Missa dos
Bebedores - chamada também de Missa Glutonis - Missa
do Glutão), op. cit. P.43.
"Tanto gentile e tanto onesta pare..." até "e li occhi
no lardiscon de guardare" - Quadra primeira do Soneto XV
da "Vita Nuova". Dante, um século depois dos goliardos,
obra publicada em Florença em l292, que inaugura o Renascimento.
Tradução de Jorge Wanderley In "Vida Nova - Os Poemas",
Livraria Tauros; Livraria Timbre editores - 1988. P.61:
"Tanto é gentil e tão honesto é o ar
da minha amada, no saudar contida,
que toda língua treme emudecida
e os olhares não se ousam levantar"
Há várias outras traduções desse soneto.
Conheço uma de Arduíno Bolívar in "30 Séculos de Poesia"
- Edições de Ouro, Coleção Clássicos de Bolso - 1966. P. 138.
E uma outra, que não cheguei a registrar
O soneto inteiro é assim
(cf. Dante Alighiere in "Vita Nuova",Garzanti Editore, 1982, P. 51):
Tanto gentile e tanto onesta pare
la donna mia quandella altrui saluta,
chogne lingua deven tremando muta
e li occhi no lardiscon di guardare.
Ella si va, sentendosi laudare,
benignamente dumiltà vestuta;
e par che sia una cosa venuta
da cielo in terra a miracol mostrare.
Mostrasi sì piacente a chi la mira
che dá per li occhi una dolcezza al core,
che ntender no la può chi no la prova:
e par che de la sua labbia si mova
un spirito soave pien damore,
che va dicendo a lanima: Sospira.
De "O princípio barroco..." até "...do Pontífice", cf.
Roger Bastide in "Psicanálise do Cafuné". Ed. Guaíra,
Coleção Caderno Azul - 1941. P. 46.
Vale a pena transcrever alguns trechos desse ensaio,
que - não fosse a universalidade do neolítico
- situa o barroco como o protótipo da linguagem globalizada.
C.f. P. 43 op. cit. :
" A Igreja, sendo internacional, quis uma arte interna-
cional; o poder pontificial só poderia caracterizar-se
por uma espécie de padronização da arte barroca, contra
o regionalismo medieval e contra a variedade de arquite-
turas próprias das antigas ordens religiosas. Isso é
muito claro na pintura, que se separa da cor local parti-
cular de cada província, para se tornar abstrata e
universal".
Cf. P. 46:
" Seja qual for a diversidade dos aspectos de que se
revista o barroco europeu segundo os vários países, ele
apresenta certo número de caracteres comuns: o vínculo
entre o monumento e o espaço onde se situa, a escolha do
local e da perspectiva; o princípio de subordinação de
todos os elementos arquiteturais para produzir um efeito
único; a importância da linha curva, um estilo de
movimento, as "formas que voam" que se opõem às "formas
que pensam"; a riqueza da decoração ligada ao caráter
sentimental, afetivo, dessa arte, à sua exuberância de
vida; o cromatismo, que se caracteriza pela escolha dos
materiais utilizados pela pintura, pelo amor ao ouro; o
papel da luz no jogo de sombras e do sol, especialmente
sobre a fachada; o ilusionismo que permite substituir as
paredes por meio<
Vós, que não podeis beber,
ide para longe destas festas.
Aqui não é lugar para abstêmios.
Baco, virás bem
acolhido e desejado.
Por ti nosso espírito
se torna alegre
ávido de sensualidade
mais que de saúde.
Pai nosso que estais nos copos
santificado
seja esse vinho.
Que venha o embriagado Baco
faça-se abundância de ti
assim no vinho como na taberna.
O pão nosso para comer nos dai hoje
e afastai de nós os copos grandes
assim como nós nos afastamos dos nossos
/beberrões
e não nos induza à tentação do vinho
mas livrai-nos das vestes.
Tanto gentile e tanto onesta pare
la donna mia quandella altrui saluta
chogne lingua deven tremando muta,
e li occhi no lardiscon di guardare.
As formas pensam.
O princípio barroco da subordinação
de todos os elementos arquiteturais
para produzir um efeito único
especular
do absolutismo central
do Pontífice.
No ar,
no alto,
a tensão rupestre
como um estigma na pedra.
A resplandecer
No Tao
Nos Upanichades, em Hesíodo.
Jaurais voulu vous répondre avant
lheure de la poste; Je
nai personne
à qui causer dArt, des poètes,
de lIdéal.
Il confond trop
LIdéal avec le Réel.
Depois, subitamente:
"Vinte anos após estes
acontecimentos
podia-se encontrar
nas ruas de Fougères
um velho ainda ereto etc."
Verdadeiramente embriagado
eu acreditava captar uma antiguidade
maravilhosa.
O mito é o nada que é tudo.
Os deuses vendem quando dão.
O ranger dos bambus
me diz que neva.
Notas do poema Goliardos
Goliardos
Os Goliardos eram uma espécie de beatniks, de freaks do
Século XII, beberrões, vagantes,"on the road", cuja
produção literária se constituiu em um dos marcos
precursores do Renascimento.
A origem do termo não está, ainda, estabelecida.
Alguns identificam os goliardos com Pedro Abelardo(1079-
1142), chamado, nos processos que lhe moveu a Igreja, de
Golias, inimigo da fé. Outros, ao fato deles beberem
e comerem como Golias.
......
Na Idade Média, durante séculos, os textos produzidos,
além de escassíssimos eram, em sua maioria esmagadora,
hagiológicos. Ao longo de cem anos, os anais de um
convento - de S. Benedito - registra tres passagens: Um
surto de peste, o falecimento de um abade tido como santo
e o desabamento da laje do altar.
Quando chega o Século XII "os fatos irrompem
esplêndidos". "Em meio a um frêmito, surgem novos
escritores enfim conscientes da utilidade prática da
História. Ressurge o Direito Romano e nascem escolas que
ressuscitam a atividade científica, em uma primeira tentativa de
laicisar a ciência, e arrebata-la das mãos do clero".
"Todas as classes sociais foram dominadas por um
sentimento vago de inquietação, que as incitava a
buscarem novas e ignotas regiões; que excitavam nelas
fantásticas aspirações a uma nova vida. Daqui o
fanatismo pelas viagens ao Oriente, pelas Cruzadas,
pelas peregrinações, pelas expedições longínquas e
perigosas. Esse sentimento invade também as escolas"
"Em busca de conhecimentos especializados, os estudantes
procuram em Paris as artes liberais. Em Aureliano
(Orleans) os autores, em Bolonha os códigos, em Salermo
as "pyxides" e em Toledo, os demônios. E assim, desses
encontros nas estradas, surgem os Goliardos.
À eles devemos uma das produções literárias da Idade
Média mais belas e características"
Apud Adolfo Bartoli in "Precursores do Renascimento".
Ed. Parma - 1983. Tradução do Prof. Valeriano Gomes do
Nascimento.
De "Vós que não podeis beber..." até "...se torna alegre"
transcrição de textos goliardos (Carmina Burana, 240),
op. cit. P. 37. Ver (ouvir) como Carl Orff cifra
(decifra), no coro de sua Carmina Burana o sentido
seminal do rompimento goliardo.
"Ávido de sensualidade/mais que de saúde" idem, (Carm.
Bur., pp. 67-69), op. cit. P. 39.40
De "Pai nosso que estais..." até "mas livra-nos das
vestes", idem, (Missa de Putatoribus - Missa dos
Bebedores - chamada também de Missa Glutonis - Missa
do Glutão), op. cit. P.43.
"Tanto gentile e tanto onesta pare..." até "e li occhi
no lardiscon de guardare" - Quadra primeira do Soneto XV
da "Vita Nuova". Dante, um século depois dos goliardos,
obra publicada em Florença em l292, que inaugura o Renascimento.
Tradução de Jorge Wanderley In "Vida Nova - Os Poemas",
Livraria Tauros; Livraria Timbre editores - 1988. P.61:
"Tanto é gentil e tão honesto é o ar
da minha amada, no saudar contida,
que toda língua treme emudecida
e os olhares não se ousam levantar"
Há várias outras traduções desse soneto.
Conheço uma de Arduíno Bolívar in "30 Séculos de Poesia"
- Edições de Ouro, Coleção Clássicos de Bolso - 1966. P. 138.
E uma outra, que não cheguei a registrar
O soneto inteiro é assim
(cf. Dante Alighiere in "Vita Nuova",Garzanti Editore, 1982, P. 51):
Tanto gentile e tanto onesta pare
la donna mia quandella altrui saluta,
chogne lingua deven tremando muta
e li occhi no lardiscon di guardare.
Ella si va, sentendosi laudare,
benignamente dumiltà vestuta;
e par che sia una cosa venuta
da cielo in terra a miracol mostrare.
Mostrasi sì piacente a chi la mira
che dá per li occhi una dolcezza al core,
che ntender no la può chi no la prova:
e par che de la sua labbia si mova
un spirito soave pien damore,
che va dicendo a lanima: Sospira.
De "O princípio barroco..." até "...do Pontífice", cf.
Roger Bastide in "Psicanálise do Cafuné". Ed. Guaíra,
Coleção Caderno Azul - 1941. P. 46.
Vale a pena transcrever alguns trechos desse ensaio,
que - não fosse a universalidade do neolítico
- situa o barroco como o protótipo da linguagem globalizada.
C.f. P. 43 op. cit. :
" A Igreja, sendo internacional, quis uma arte interna-
cional; o poder pontificial só poderia caracterizar-se
por uma espécie de padronização da arte barroca, contra
o regionalismo medieval e contra a variedade de arquite-
turas próprias das antigas ordens religiosas. Isso é
muito claro na pintura, que se separa da cor local parti-
cular de cada província, para se tornar abstrata e
universal".
Cf. P. 46:
" Seja qual for a diversidade dos aspectos de que se
revista o barroco europeu segundo os vários países, ele
apresenta certo número de caracteres comuns: o vínculo
entre o monumento e o espaço onde se situa, a escolha do
local e da perspectiva; o princípio de subordinação de
todos os elementos arquiteturais para produzir um efeito
único; a importância da linha curva, um estilo de
movimento, as "formas que voam" que se opõem às "formas
que pensam"; a riqueza da decoração ligada ao caráter
sentimental, afetivo, dessa arte, à sua exuberância de
vida; o cromatismo, que se caracteriza pela escolha dos
materiais utilizados pela pintura, pelo amor ao ouro; o
papel da luz no jogo de sombras e do sol, especialmente
sobre a fachada; o ilusionismo que permite substituir as
paredes por meio<
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Carlos Figueiredo
Goliardos
A Xisto Bahia Filho
Vós, que não podeis beber,
ide para longe destas festas.
Aqui não é lugar para abstêmios.
Baco, virás bem
acolhido e desejado.
Por ti nosso espírito
se torna alegre
ávido de sensualidade
mais que de saúde.
Pai nosso que estais nos copos
santificado
seja esse vinho.
Que venha o embriagado Baco
faça-se abundância de ti
assim no vinho como na taberna.
O pão nosso para comer nos dai hoje
e afastai de nós os copos grandes
assim como nós nos afastamos dos nossos
/beberrões
e não nos induza à tentação do vinho
mas livrai-nos das vestes.
Tanto gentile e tanto onesta pare
la donna mia quandella altrui saluta
chogne lingua deven tremando muta,
e li occhi no lardiscon di guardare.
As formas pensam.
O princípio barroco da subordinação
de todos os elementos arquiteturais
para produzir um efeito único
especular
do absolutismo central
do Pontífice.
No ar,
no alto,
a tensão rupestre
como um estigma na pedra.
A resplandecer
No Tao
Nos Upanichades, em Hesíodo.
Jaurais voulu vous répondre avant
lheure de la poste; Je
nai personne
à qui causer dArt, des poètes,
de lIdéal.
Il confond trop
LIdéal avec le Réel.
Depois, subitamente:
"Vinte anos após estes
acontecimentos
podia-se encontrar
nas ruas de Fougères
um velho ainda ereto etc."
Verdadeiramente embriagado
eu acreditava captar uma antiguidade
maravilhosa.
O mito é o nada que é tudo.
Os deuses vendem quando dão.
O ranger dos bambus
me diz que neva.
Notas do poema Goliardos
Goliardos
Os Goliardos eram uma espécie de beatniks, de freaks do
Século XII, beberrões, vagantes,"on the road", cuja
produção literária se constituiu em um dos marcos
precursores do Renascimento.
A origem do termo não está, ainda, estabelecida.
Alguns identificam os goliardos com Pedro Abelardo(1079-
1142), chamado, nos processos que lhe moveu a Igreja, de
Golias, inimigo da fé. Outros, ao fato deles beberem
e comerem como Golias.
......
Na Idade Média, durante séculos, os textos produzidos,
além de escassíssimos eram, em sua maioria esmagadora,
hagiológicos. Ao longo de cem anos, os anais de um
convento - de S. Benedito - registra tres passagens: Um
surto de peste, o falecimento de um abade tido como santo
e o desabamento da laje do altar.
Quando chega o Século XII "os fatos irrompem
esplêndidos". "Em meio a um frêmito, surgem novos
escritores enfim conscientes da utilidade prática da
História. Ressurge o Direito Romano e nascem escolas que
ressuscitam a atividade científica, em uma primeira tentativa de
laicisar a ciência, e arrebata-la das mãos do clero".
"Todas as classes sociais foram dominadas por um
sentimento vago de inquietação, que as incitava a
buscarem novas e ignotas regiões; que excitavam nelas
fantásticas aspirações a uma nova vida. Daqui o
fanatismo pelas viagens ao Oriente, pelas Cruzadas,
pelas peregrinações, pelas expedições longínquas e
perigosas. Esse sentimento invade também as escolas"
"Em busca de conhecimentos especializados, os estudantes
procuram em Paris as artes liberais. Em Aureliano
(Orleans) os autores, em Bolonha os códigos, em Salermo
as "pyxides" e em Toledo, os demônios. E assim, desses
encontros nas estradas, surgem os Goliardos.
À eles devemos uma das produções literárias da Idade
Média mais belas e características"
Apud Adolfo Bartoli in "Precursores do Renascimento".
Ed. Parma - 1983. Tradução do Prof. Valeriano Gomes do
Nascimento.
De "Vós que não podeis beber..." até "...se torna alegre"
transcrição de textos goliardos (Carmina Burana, 240),
op. cit. P. 37. Ver (ouvir) como Carl Orff cifra
(decifra), no coro de sua Carmina Burana o sentido
seminal do rompimento goliardo.
"Ávido de sensualidade/mais que de saúde" idem, (Carm.
Bur., pp. 67-69), op. cit. P. 39.40
De "Pai nosso que estais..." até "mas livra-nos das
vestes", idem, (Missa de Putatoribus - Missa dos
Bebedores - chamada também de Missa Glutonis - Missa
do Glutão), op. cit. P.43.
"Tanto gentile e tanto onesta pare..." até "e li occhi
no lardiscon de guardare" - Quadra primeira do Soneto XV
da "Vita Nuova". Dante, um século depois dos goliardos,
obra publicada em Florença em l292, que inaugura o Renascimento.
Tradução de Jorge Wanderley In "Vida Nova - Os Poemas",
Livraria Tauros; Livraria Timbre editores - 1988. P.61:
"Tanto é gentil e tão honesto é o ar
da minha amada, no saudar contida,
que toda língua treme emudecida
e os olhares não se ousam levantar"
Há várias outras traduções desse soneto.
Conheço uma de Arduíno Bolívar in "30 Séculos de Poesia"
- Edições de Ouro, Coleção Clássicos de Bolso - 1966. P. 138.
E uma outra, que não cheguei a registrar
O soneto inteiro é assim
(cf. Dante Alighiere in "Vita Nuova",Garzanti Editore, 1982, P. 51):
Tanto gentile e tanto onesta pare
la donna mia quandella altrui saluta,
chogne lingua deven tremando muta
e li occhi no lardiscon di guardare.
Ella si va, sentendosi laudare,
benignamente dumiltà vestuta;
e par che sia una cosa venuta
da cielo in terra a miracol mostrare.
Mostrasi sì piacente a chi la mira
che dá per li occhi una dolcezza al core,
che ntender no la può chi no la prova:
e par che de la sua labbia si mova
un spirito soave pien damore,
che va dicendo a lanima: Sospira.
De "O princípio barroco..." até "...do Pontífice", cf.
Roger Bastide in "Psicanálise do Cafuné". Ed. Guaíra,
Coleção Caderno Azul - 1941. P. 46.
Vale a pena transcrever alguns trechos desse ensaio,
que - não fosse a universalidade do neolítico
- situa o barroco como o protótipo da linguagem globalizada.
C.f. P. 43 op. cit. :
" A Igreja, sendo internacional, quis uma arte interna-
cional; o poder pontificial só poderia caracterizar-se
por uma espécie de padronização da arte barroca, contra
o regionalismo medieval e contra a variedade de arquite-
turas próprias das antigas ordens religiosas. Isso é
muito claro na pintura, que se separa da cor local parti-
cular de cada província, para se tornar abstrata e
universal".
Cf. P. 46:
" Seja qual for a diversidade dos aspectos de que se
revista o barroco europeu segundo os vários países, ele
apresenta certo número de caracteres comuns: o vínculo
entre o monumento e o espaço onde se situa, a escolha do
local e da perspectiva; o princípio de subordinação de
todos os elementos arquiteturais para produzir um efeito
único; a importância da linha curva, um estilo de
movimento, as "formas que voam" que se opõem às "formas
que pensam"; a riqueza da decoração ligada ao caráter
sentimental, afetivo, dessa arte, à sua exuberância de
vida; o cromatismo, que se caracteriza pela escolha dos
materiais utilizados pela pintura, pelo amor ao ouro; o
papel da luz no jogo de sombras e do sol, especialmente
sobre a fachada; o ilusionismo que permite substituir as
paredes por meio<
Vós, que não podeis beber,
ide para longe destas festas.
Aqui não é lugar para abstêmios.
Baco, virás bem
acolhido e desejado.
Por ti nosso espírito
se torna alegre
ávido de sensualidade
mais que de saúde.
Pai nosso que estais nos copos
santificado
seja esse vinho.
Que venha o embriagado Baco
faça-se abundância de ti
assim no vinho como na taberna.
O pão nosso para comer nos dai hoje
e afastai de nós os copos grandes
assim como nós nos afastamos dos nossos
/beberrões
e não nos induza à tentação do vinho
mas livrai-nos das vestes.
Tanto gentile e tanto onesta pare
la donna mia quandella altrui saluta
chogne lingua deven tremando muta,
e li occhi no lardiscon di guardare.
As formas pensam.
O princípio barroco da subordinação
de todos os elementos arquiteturais
para produzir um efeito único
especular
do absolutismo central
do Pontífice.
No ar,
no alto,
a tensão rupestre
como um estigma na pedra.
A resplandecer
No Tao
Nos Upanichades, em Hesíodo.
Jaurais voulu vous répondre avant
lheure de la poste; Je
nai personne
à qui causer dArt, des poètes,
de lIdéal.
Il confond trop
LIdéal avec le Réel.
Depois, subitamente:
"Vinte anos após estes
acontecimentos
podia-se encontrar
nas ruas de Fougères
um velho ainda ereto etc."
Verdadeiramente embriagado
eu acreditava captar uma antiguidade
maravilhosa.
O mito é o nada que é tudo.
Os deuses vendem quando dão.
O ranger dos bambus
me diz que neva.
Notas do poema Goliardos
Goliardos
Os Goliardos eram uma espécie de beatniks, de freaks do
Século XII, beberrões, vagantes,"on the road", cuja
produção literária se constituiu em um dos marcos
precursores do Renascimento.
A origem do termo não está, ainda, estabelecida.
Alguns identificam os goliardos com Pedro Abelardo(1079-
1142), chamado, nos processos que lhe moveu a Igreja, de
Golias, inimigo da fé. Outros, ao fato deles beberem
e comerem como Golias.
......
Na Idade Média, durante séculos, os textos produzidos,
além de escassíssimos eram, em sua maioria esmagadora,
hagiológicos. Ao longo de cem anos, os anais de um
convento - de S. Benedito - registra tres passagens: Um
surto de peste, o falecimento de um abade tido como santo
e o desabamento da laje do altar.
Quando chega o Século XII "os fatos irrompem
esplêndidos". "Em meio a um frêmito, surgem novos
escritores enfim conscientes da utilidade prática da
História. Ressurge o Direito Romano e nascem escolas que
ressuscitam a atividade científica, em uma primeira tentativa de
laicisar a ciência, e arrebata-la das mãos do clero".
"Todas as classes sociais foram dominadas por um
sentimento vago de inquietação, que as incitava a
buscarem novas e ignotas regiões; que excitavam nelas
fantásticas aspirações a uma nova vida. Daqui o
fanatismo pelas viagens ao Oriente, pelas Cruzadas,
pelas peregrinações, pelas expedições longínquas e
perigosas. Esse sentimento invade também as escolas"
"Em busca de conhecimentos especializados, os estudantes
procuram em Paris as artes liberais. Em Aureliano
(Orleans) os autores, em Bolonha os códigos, em Salermo
as "pyxides" e em Toledo, os demônios. E assim, desses
encontros nas estradas, surgem os Goliardos.
À eles devemos uma das produções literárias da Idade
Média mais belas e características"
Apud Adolfo Bartoli in "Precursores do Renascimento".
Ed. Parma - 1983. Tradução do Prof. Valeriano Gomes do
Nascimento.
De "Vós que não podeis beber..." até "...se torna alegre"
transcrição de textos goliardos (Carmina Burana, 240),
op. cit. P. 37. Ver (ouvir) como Carl Orff cifra
(decifra), no coro de sua Carmina Burana o sentido
seminal do rompimento goliardo.
"Ávido de sensualidade/mais que de saúde" idem, (Carm.
Bur., pp. 67-69), op. cit. P. 39.40
De "Pai nosso que estais..." até "mas livra-nos das
vestes", idem, (Missa de Putatoribus - Missa dos
Bebedores - chamada também de Missa Glutonis - Missa
do Glutão), op. cit. P.43.
"Tanto gentile e tanto onesta pare..." até "e li occhi
no lardiscon de guardare" - Quadra primeira do Soneto XV
da "Vita Nuova". Dante, um século depois dos goliardos,
obra publicada em Florença em l292, que inaugura o Renascimento.
Tradução de Jorge Wanderley In "Vida Nova - Os Poemas",
Livraria Tauros; Livraria Timbre editores - 1988. P.61:
"Tanto é gentil e tão honesto é o ar
da minha amada, no saudar contida,
que toda língua treme emudecida
e os olhares não se ousam levantar"
Há várias outras traduções desse soneto.
Conheço uma de Arduíno Bolívar in "30 Séculos de Poesia"
- Edições de Ouro, Coleção Clássicos de Bolso - 1966. P. 138.
E uma outra, que não cheguei a registrar
O soneto inteiro é assim
(cf. Dante Alighiere in "Vita Nuova",Garzanti Editore, 1982, P. 51):
Tanto gentile e tanto onesta pare
la donna mia quandella altrui saluta,
chogne lingua deven tremando muta
e li occhi no lardiscon di guardare.
Ella si va, sentendosi laudare,
benignamente dumiltà vestuta;
e par che sia una cosa venuta
da cielo in terra a miracol mostrare.
Mostrasi sì piacente a chi la mira
che dá per li occhi una dolcezza al core,
che ntender no la può chi no la prova:
e par che de la sua labbia si mova
un spirito soave pien damore,
che va dicendo a lanima: Sospira.
De "O princípio barroco..." até "...do Pontífice", cf.
Roger Bastide in "Psicanálise do Cafuné". Ed. Guaíra,
Coleção Caderno Azul - 1941. P. 46.
Vale a pena transcrever alguns trechos desse ensaio,
que - não fosse a universalidade do neolítico
- situa o barroco como o protótipo da linguagem globalizada.
C.f. P. 43 op. cit. :
" A Igreja, sendo internacional, quis uma arte interna-
cional; o poder pontificial só poderia caracterizar-se
por uma espécie de padronização da arte barroca, contra
o regionalismo medieval e contra a variedade de arquite-
turas próprias das antigas ordens religiosas. Isso é
muito claro na pintura, que se separa da cor local parti-
cular de cada província, para se tornar abstrata e
universal".
Cf. P. 46:
" Seja qual for a diversidade dos aspectos de que se
revista o barroco europeu segundo os vários países, ele
apresenta certo número de caracteres comuns: o vínculo
entre o monumento e o espaço onde se situa, a escolha do
local e da perspectiva; o princípio de subordinação de
todos os elementos arquiteturais para produzir um efeito
único; a importância da linha curva, um estilo de
movimento, as "formas que voam" que se opõem às "formas
que pensam"; a riqueza da decoração ligada ao caráter
sentimental, afetivo, dessa arte, à sua exuberância de
vida; o cromatismo, que se caracteriza pela escolha dos
materiais utilizados pela pintura, pelo amor ao ouro; o
papel da luz no jogo de sombras e do sol, especialmente
sobre a fachada; o ilusionismo que permite substituir as
paredes por meio<
1 660
1
Alberto de Serpa
Espetáculo
Passa a tropa na rua e abrem-se as janelas de repente,
Debruçam-se bustos sobre a rua sem importância.
O sol põe resplendores no ouro falso das bandeiras
E rebrilha nas baionetas erguidas para o céu.
Alarga-se no ar um hino de guerra e de heroísmo,
E a marcha certa dos soldados hirtos e compenetrados
de que são outros homens
Faz, a seu compasso resoluto, bater
O coração dos habitantes da rua sossegada ...
Os meninos vêem finalmente marchar os seus soldados de chumbo ...
As moças sonham desfalecer nos braços dos heróis
E agitam os seus lenços ao vento da manhã...
Só dentro de uma janela que há de abrir-se na noite,
Uma mulher triste olha para longe sem ver
E leva o lenço aos olhos encharcados ...
Debruçam-se bustos sobre a rua sem importância.
O sol põe resplendores no ouro falso das bandeiras
E rebrilha nas baionetas erguidas para o céu.
Alarga-se no ar um hino de guerra e de heroísmo,
E a marcha certa dos soldados hirtos e compenetrados
de que são outros homens
Faz, a seu compasso resoluto, bater
O coração dos habitantes da rua sossegada ...
Os meninos vêem finalmente marchar os seus soldados de chumbo ...
As moças sonham desfalecer nos braços dos heróis
E agitam os seus lenços ao vento da manhã...
Só dentro de uma janela que há de abrir-se na noite,
Uma mulher triste olha para longe sem ver
E leva o lenço aos olhos encharcados ...
1 485
1
Alberto de Serpa
Espetáculo
Passa a tropa na rua e abrem-se as janelas de repente,
Debruçam-se bustos sobre a rua sem importância.
O sol põe resplendores no ouro falso das bandeiras
E rebrilha nas baionetas erguidas para o céu.
Alarga-se no ar um hino de guerra e de heroísmo,
E a marcha certa dos soldados hirtos e compenetrados
de que são outros homens
Faz, a seu compasso resoluto, bater
O coração dos habitantes da rua sossegada ...
Os meninos vêem finalmente marchar os seus soldados de chumbo ...
As moças sonham desfalecer nos braços dos heróis
E agitam os seus lenços ao vento da manhã...
Só dentro de uma janela que há de abrir-se na noite,
Uma mulher triste olha para longe sem ver
E leva o lenço aos olhos encharcados ...
Debruçam-se bustos sobre a rua sem importância.
O sol põe resplendores no ouro falso das bandeiras
E rebrilha nas baionetas erguidas para o céu.
Alarga-se no ar um hino de guerra e de heroísmo,
E a marcha certa dos soldados hirtos e compenetrados
de que são outros homens
Faz, a seu compasso resoluto, bater
O coração dos habitantes da rua sossegada ...
Os meninos vêem finalmente marchar os seus soldados de chumbo ...
As moças sonham desfalecer nos braços dos heróis
E agitam os seus lenços ao vento da manhã...
Só dentro de uma janela que há de abrir-se na noite,
Uma mulher triste olha para longe sem ver
E leva o lenço aos olhos encharcados ...
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1
Alberto de Serpa
Espetáculo
Passa a tropa na rua e abrem-se as janelas de repente,
Debruçam-se bustos sobre a rua sem importância.
O sol põe resplendores no ouro falso das bandeiras
E rebrilha nas baionetas erguidas para o céu.
Alarga-se no ar um hino de guerra e de heroísmo,
E a marcha certa dos soldados hirtos e compenetrados
de que são outros homens
Faz, a seu compasso resoluto, bater
O coração dos habitantes da rua sossegada ...
Os meninos vêem finalmente marchar os seus soldados de chumbo ...
As moças sonham desfalecer nos braços dos heróis
E agitam os seus lenços ao vento da manhã...
Só dentro de uma janela que há de abrir-se na noite,
Uma mulher triste olha para longe sem ver
E leva o lenço aos olhos encharcados ...
Debruçam-se bustos sobre a rua sem importância.
O sol põe resplendores no ouro falso das bandeiras
E rebrilha nas baionetas erguidas para o céu.
Alarga-se no ar um hino de guerra e de heroísmo,
E a marcha certa dos soldados hirtos e compenetrados
de que são outros homens
Faz, a seu compasso resoluto, bater
O coração dos habitantes da rua sossegada ...
Os meninos vêem finalmente marchar os seus soldados de chumbo ...
As moças sonham desfalecer nos braços dos heróis
E agitam os seus lenços ao vento da manhã...
Só dentro de uma janela que há de abrir-se na noite,
Uma mulher triste olha para longe sem ver
E leva o lenço aos olhos encharcados ...
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1
Carlos Figueiredo
Sou Silva
Polissêmico
De silvícola, de negro, de marrano.
Cada um a exigir sua vingança
em estigmas
cravados na memória.
Vivo como aqueles escravos
obrigados a ingerir,
como informa Cascudo
doses diárias de cachaça
para aturdimento.
De silvícola, de negro, de marrano.
Cada um a exigir sua vingança
em estigmas
cravados na memória.
Vivo como aqueles escravos
obrigados a ingerir,
como informa Cascudo
doses diárias de cachaça
para aturdimento.
884
1
Judas Isgorogota
As Luvas de N Senhora
Éramos três, os retirantes do sertão inóspito:
Eu, meu pai, minha mãe, alguns sonhos, e só.
Eles, moços; eu tinha alguns meses apenas.
E nós fomos morar no alto do Jacutinga,
Bairro de gente humilde de Maceió.
A vontade materna estava assim cumprida.
— "Filho meu não se cria no sertão!
Não terei filho para vê-lo às garras
Do cangaço e do crime,
Da ignorância, da miséria, do ódio,
Que precise matar para ganhar o pão."
Fomos viver os três num casebre de taipa.
A pobreza era tanta
Que meu pai disse assim: "Não sei se vale a pena...
Não foi para isto que você nasceu..."
Respondeu minha mãe, com sertanejo entono:
— "Se pretende voltar para o sertão, que volte;
Morreremos aqui, o nosso filho e eu!"
Sorte de retirante é assim: dias passados,
A maleita bateu impiedosa nos três...
Todos tremendo como varas verdes,
Assim ficamos quase um mês...
E cadê água para as bocas ressequidas
Pela febre? E onde o alimento, a ajuda
De alguém para fechar ao menos nossos olhos
Pela última vez?
Foi nesse instante cruel de nossa vida
Que nos surgiu Mãe Inês...
Uma manhã cheia de sol, duas mãos negras e humildes,
Ansiosas e aflitas,
Achegaram-se a mim. — "Pobre inocente...
Quase a morrer de fome..."
E no quarto se ouviu o seu fundo suspiro,
Angustiado e longo...
E me deu a beber daquele leite
Que era todo humildade e era humana ternura
E que tinha o calor de uma noite do Congo...
Ao pensar em Mãe Inês, tenho uma idéia estranha:
— Quando visita um pobre lar,
Nossa Senhora, femininamente,
Calça umas luvas de veludo negro
Para nos amparar...
Eu, meu pai, minha mãe, alguns sonhos, e só.
Eles, moços; eu tinha alguns meses apenas.
E nós fomos morar no alto do Jacutinga,
Bairro de gente humilde de Maceió.
A vontade materna estava assim cumprida.
— "Filho meu não se cria no sertão!
Não terei filho para vê-lo às garras
Do cangaço e do crime,
Da ignorância, da miséria, do ódio,
Que precise matar para ganhar o pão."
Fomos viver os três num casebre de taipa.
A pobreza era tanta
Que meu pai disse assim: "Não sei se vale a pena...
Não foi para isto que você nasceu..."
Respondeu minha mãe, com sertanejo entono:
— "Se pretende voltar para o sertão, que volte;
Morreremos aqui, o nosso filho e eu!"
Sorte de retirante é assim: dias passados,
A maleita bateu impiedosa nos três...
Todos tremendo como varas verdes,
Assim ficamos quase um mês...
E cadê água para as bocas ressequidas
Pela febre? E onde o alimento, a ajuda
De alguém para fechar ao menos nossos olhos
Pela última vez?
Foi nesse instante cruel de nossa vida
Que nos surgiu Mãe Inês...
Uma manhã cheia de sol, duas mãos negras e humildes,
Ansiosas e aflitas,
Achegaram-se a mim. — "Pobre inocente...
Quase a morrer de fome..."
E no quarto se ouviu o seu fundo suspiro,
Angustiado e longo...
E me deu a beber daquele leite
Que era todo humildade e era humana ternura
E que tinha o calor de uma noite do Congo...
Ao pensar em Mãe Inês, tenho uma idéia estranha:
— Quando visita um pobre lar,
Nossa Senhora, femininamente,
Calça umas luvas de veludo negro
Para nos amparar...
1 380
1
Gil Nunesmaia
Haicai
Regresso de pescadores
Desmaia o poente,
e sobre as ondas dançando
velas negrejando
Depois da chuva
O sol surge pálido,
e lágrimas de alegria
caem da folhagem
Desmaia o poente,
e sobre as ondas dançando
velas negrejando
Depois da chuva
O sol surge pálido,
e lágrimas de alegria
caem da folhagem
1 247
1
Carlos Figueiredo
As estrelas brilham por amor
As estrelas brilham por amor,
como o mar, as crianças, a música,
como os homens quando são livres
como o mar, as crianças, a música,
como os homens quando são livres
1 071
1
Judas Isgorogota
Recompensa
Certa manhã deixei a minha casa...
Cinco e meia, talvez,
Talvez seis horas da manhã da vida...
Um sol vermelho, de um vermelho brasa,
Por sobre a estrada adormecida,
Em completa mudez,
Derramava-se todo
Numa tonalidade futurista...
Era manhã quando saí de casa...
E o sol, vermelho, de zarcão, dizia:
— "Para onde vai esse menino doido
Que nem espera que lhe venha o dia?"
Cheio de minha fé, saí disposto
Para a conquista
Da primeira curva
Do caminho; porém,
Logo à tardinha o sol esmaeceu
E eu vi que havia rugas em meu rosto
E a minha vista
Já ficava turva
Como a vista do sol que envelheceu...
E passo a passo, envelheci também...
De volta, meus sonhos apagados,
Joelhos vertendo dor, pés descarnados,
Sem um gesto, entretanto, de revolta,
Ando à procura de uma cova rasa
Onde eu, mártir da fé, pobre e infeliz,
Possa, enfim, encontrar a recompensa
De uma conquista imensa
Que não fiz!
Era manhã quando saí de casa...
Cinco e meia, talvez,
Talvez seis horas da manhã da vida...
Um sol vermelho, de um vermelho brasa,
Por sobre a estrada adormecida,
Em completa mudez,
Derramava-se todo
Numa tonalidade futurista...
Era manhã quando saí de casa...
E o sol, vermelho, de zarcão, dizia:
— "Para onde vai esse menino doido
Que nem espera que lhe venha o dia?"
Cheio de minha fé, saí disposto
Para a conquista
Da primeira curva
Do caminho; porém,
Logo à tardinha o sol esmaeceu
E eu vi que havia rugas em meu rosto
E a minha vista
Já ficava turva
Como a vista do sol que envelheceu...
E passo a passo, envelheci também...
De volta, meus sonhos apagados,
Joelhos vertendo dor, pés descarnados,
Sem um gesto, entretanto, de revolta,
Ando à procura de uma cova rasa
Onde eu, mártir da fé, pobre e infeliz,
Possa, enfim, encontrar a recompensa
De uma conquista imensa
Que não fiz!
Era manhã quando saí de casa...
1 762
1
Judas Isgorogota
Recompensa
Certa manhã deixei a minha casa...
Cinco e meia, talvez,
Talvez seis horas da manhã da vida...
Um sol vermelho, de um vermelho brasa,
Por sobre a estrada adormecida,
Em completa mudez,
Derramava-se todo
Numa tonalidade futurista...
Era manhã quando saí de casa...
E o sol, vermelho, de zarcão, dizia:
— "Para onde vai esse menino doido
Que nem espera que lhe venha o dia?"
Cheio de minha fé, saí disposto
Para a conquista
Da primeira curva
Do caminho; porém,
Logo à tardinha o sol esmaeceu
E eu vi que havia rugas em meu rosto
E a minha vista
Já ficava turva
Como a vista do sol que envelheceu...
E passo a passo, envelheci também...
De volta, meus sonhos apagados,
Joelhos vertendo dor, pés descarnados,
Sem um gesto, entretanto, de revolta,
Ando à procura de uma cova rasa
Onde eu, mártir da fé, pobre e infeliz,
Possa, enfim, encontrar a recompensa
De uma conquista imensa
Que não fiz!
Era manhã quando saí de casa...
Cinco e meia, talvez,
Talvez seis horas da manhã da vida...
Um sol vermelho, de um vermelho brasa,
Por sobre a estrada adormecida,
Em completa mudez,
Derramava-se todo
Numa tonalidade futurista...
Era manhã quando saí de casa...
E o sol, vermelho, de zarcão, dizia:
— "Para onde vai esse menino doido
Que nem espera que lhe venha o dia?"
Cheio de minha fé, saí disposto
Para a conquista
Da primeira curva
Do caminho; porém,
Logo à tardinha o sol esmaeceu
E eu vi que havia rugas em meu rosto
E a minha vista
Já ficava turva
Como a vista do sol que envelheceu...
E passo a passo, envelheci também...
De volta, meus sonhos apagados,
Joelhos vertendo dor, pés descarnados,
Sem um gesto, entretanto, de revolta,
Ando à procura de uma cova rasa
Onde eu, mártir da fé, pobre e infeliz,
Possa, enfim, encontrar a recompensa
De uma conquista imensa
Que não fiz!
Era manhã quando saí de casa...
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1
Adriana Sampaio
Ilusão
Ilusão
Tua paz é estanque, comedida
Na tua paz não cabe mais vida
A vida te ameaça
Corta e despedaça
Teu deus é único e infalível
Tua vida é linha reta e sempre em frente
Gostaria de saber o que te move
O que te faz vivo e não zumbi
Aonde pretendes chegar
Qual é o objetivo, tão estreito
Quem te contou
Que só existe um jeito?
Tua paz é estanque, comedida
Na tua paz não cabe mais vida
A vida te ameaça
Corta e despedaça
Teu deus é único e infalível
Tua vida é linha reta e sempre em frente
Gostaria de saber o que te move
O que te faz vivo e não zumbi
Aonde pretendes chegar
Qual é o objetivo, tão estreito
Quem te contou
Que só existe um jeito?
905
1
Adriana Sampaio
Ilusão
Ilusão
Tua paz é estanque, comedida
Na tua paz não cabe mais vida
A vida te ameaça
Corta e despedaça
Teu deus é único e infalível
Tua vida é linha reta e sempre em frente
Gostaria de saber o que te move
O que te faz vivo e não zumbi
Aonde pretendes chegar
Qual é o objetivo, tão estreito
Quem te contou
Que só existe um jeito?
Tua paz é estanque, comedida
Na tua paz não cabe mais vida
A vida te ameaça
Corta e despedaça
Teu deus é único e infalível
Tua vida é linha reta e sempre em frente
Gostaria de saber o que te move
O que te faz vivo e não zumbi
Aonde pretendes chegar
Qual é o objetivo, tão estreito
Quem te contou
Que só existe um jeito?
905
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Adriana Sampaio
Ilusão
Ilusão
Tua paz é estanque, comedida
Na tua paz não cabe mais vida
A vida te ameaça
Corta e despedaça
Teu deus é único e infalível
Tua vida é linha reta e sempre em frente
Gostaria de saber o que te move
O que te faz vivo e não zumbi
Aonde pretendes chegar
Qual é o objetivo, tão estreito
Quem te contou
Que só existe um jeito?
Tua paz é estanque, comedida
Na tua paz não cabe mais vida
A vida te ameaça
Corta e despedaça
Teu deus é único e infalível
Tua vida é linha reta e sempre em frente
Gostaria de saber o que te move
O que te faz vivo e não zumbi
Aonde pretendes chegar
Qual é o objetivo, tão estreito
Quem te contou
Que só existe um jeito?
905
1
Antônio Baticã Ferreira
Infância
Eu corria através dos bosques e das florestas
Eu corno o ruído vibrante de um bosque desvendado,
Eu via belos pássaros voando pelos campos
E parecia ser levado por seus cantos.
Subitamente, desviei os meus olhos
Para o alto mar e para os grandes celeiros
Cheios da colheita dos bravos camponeses
Que, terminando o dia, regressavam à noite entoando
Canções tradicionais das selvas africanas
Que lhes lembravam os ódios ardentes
Dos velhos. Subitamente, uma corça gritou
Fugindo na frente dos leões esfomeados.
Aos saltos, os leões perseguiram a corça
Derrubando as lianas e afugentando os pássaros.
A desgraçada atingiu a planície
E os dois reis breve a alcançaram.
Eu corno o ruído vibrante de um bosque desvendado,
Eu via belos pássaros voando pelos campos
E parecia ser levado por seus cantos.
Subitamente, desviei os meus olhos
Para o alto mar e para os grandes celeiros
Cheios da colheita dos bravos camponeses
Que, terminando o dia, regressavam à noite entoando
Canções tradicionais das selvas africanas
Que lhes lembravam os ódios ardentes
Dos velhos. Subitamente, uma corça gritou
Fugindo na frente dos leões esfomeados.
Aos saltos, os leões perseguiram a corça
Derrubando as lianas e afugentando os pássaros.
A desgraçada atingiu a planície
E os dois reis breve a alcançaram.
1 942
1
Bocage
Liberdade, onde estás? Quem te demora?
Liberdade, onde estás? Quem te demora?
Quem faz que o teu influxo em nós não caia?
Porque (triste de mim!), porque não raia
Já na esfera de Lísia a tua aurora?
Da santa redenção é vinda a hora
A esta parte do mundo, que desmaia.
Oh!, venha... Oh!, venha, e trémulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!
Eia! Acode ao mortal que, frio e mudo,
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo.
Movam nossos grilhões tua piedade;
Nosso númen tu és, e glória, e tudo,
Mãe do génio e prazer, ó Liberdade!
Quem faz que o teu influxo em nós não caia?
Porque (triste de mim!), porque não raia
Já na esfera de Lísia a tua aurora?
Da santa redenção é vinda a hora
A esta parte do mundo, que desmaia.
Oh!, venha... Oh!, venha, e trémulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!
Eia! Acode ao mortal que, frio e mudo,
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo.
Movam nossos grilhões tua piedade;
Nosso númen tu és, e glória, e tudo,
Mãe do génio e prazer, ó Liberdade!
1 878
1
Bocage
Liberdade, onde estás? Quem te demora?
Liberdade, onde estás? Quem te demora?
Quem faz que o teu influxo em nós não caia?
Porque (triste de mim!), porque não raia
Já na esfera de Lísia a tua aurora?
Da santa redenção é vinda a hora
A esta parte do mundo, que desmaia.
Oh!, venha... Oh!, venha, e trémulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!
Eia! Acode ao mortal que, frio e mudo,
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo.
Movam nossos grilhões tua piedade;
Nosso númen tu és, e glória, e tudo,
Mãe do génio e prazer, ó Liberdade!
Quem faz que o teu influxo em nós não caia?
Porque (triste de mim!), porque não raia
Já na esfera de Lísia a tua aurora?
Da santa redenção é vinda a hora
A esta parte do mundo, que desmaia.
Oh!, venha... Oh!, venha, e trémulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!
Eia! Acode ao mortal que, frio e mudo,
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo.
Movam nossos grilhões tua piedade;
Nosso númen tu és, e glória, e tudo,
Mãe do génio e prazer, ó Liberdade!
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Bocage
Liberdade, onde estás? Quem te demora?
Liberdade, onde estás? Quem te demora?
Quem faz que o teu influxo em nós não caia?
Porque (triste de mim!), porque não raia
Já na esfera de Lísia a tua aurora?
Da santa redenção é vinda a hora
A esta parte do mundo, que desmaia.
Oh!, venha... Oh!, venha, e trémulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!
Eia! Acode ao mortal que, frio e mudo,
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo.
Movam nossos grilhões tua piedade;
Nosso númen tu és, e glória, e tudo,
Mãe do génio e prazer, ó Liberdade!
Quem faz que o teu influxo em nós não caia?
Porque (triste de mim!), porque não raia
Já na esfera de Lísia a tua aurora?
Da santa redenção é vinda a hora
A esta parte do mundo, que desmaia.
Oh!, venha... Oh!, venha, e trémulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!
Eia! Acode ao mortal que, frio e mudo,
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo.
Movam nossos grilhões tua piedade;
Nosso númen tu és, e glória, e tudo,
Mãe do génio e prazer, ó Liberdade!
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Manuel Alegre
Como ouvi Linda cantar por seu amigo José
Se sabeis novas do meu amigo
novas dizei-me que vou morrendo
por meu amigo que me levaram
num carro negro de madrugada.
Dizei-me novas do meu amigo
em sua torre tecendo os dias
dai-me palavras pra lhe mandar
com ruas brisas domingo sol.
Se sabeis novas de meu amigo
novas dizei-me que desespero
por meu amigo que longe espera
tecendo os dias tecendo a esperança.
Mando recados não sei se chegam
leva-me ó vento da noite triste
ou diz-me novas de meu amigo
que tece o tempo na torre negra.
Que tece o tempo que tece a esperança.
Já da ternura fiz uma corda
ó vento prende-a na torre negra
que o meu amigo por ela desça.
Por essa corda feita de lágrimas
que o meu amigo por ela desça
ou mande a esperança que vai tecendo
que eu desespero sem meu amigo.
novas dizei-me que vou morrendo
por meu amigo que me levaram
num carro negro de madrugada.
Dizei-me novas do meu amigo
em sua torre tecendo os dias
dai-me palavras pra lhe mandar
com ruas brisas domingo sol.
Se sabeis novas de meu amigo
novas dizei-me que desespero
por meu amigo que longe espera
tecendo os dias tecendo a esperança.
Mando recados não sei se chegam
leva-me ó vento da noite triste
ou diz-me novas de meu amigo
que tece o tempo na torre negra.
Que tece o tempo que tece a esperança.
Já da ternura fiz uma corda
ó vento prende-a na torre negra
que o meu amigo por ela desça.
Por essa corda feita de lágrimas
que o meu amigo por ela desça
ou mande a esperança que vai tecendo
que eu desespero sem meu amigo.
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