Rui Costa é um poeta português cuja obra se caracteriza por uma profunda sensibilidade e um olhar atento sobre o quotidiano e as suas complexidades. A sua poesia explora a condição humana, as relações interpessoais e a busca por significado, com uma linguagem que equilibra a clareza e a sugestão poética.
n. 1986-10-05, Póvoa de Varzim·m. 2012-01-04, Vila Nova de Gaia
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Elegia azul
Clara, como talvez tu antes da última esquina da noite, uma imagem redonda colava-se aos meus dedos por entre as folhas de papel que lentamente ardiam. Foram sempre mais as páginas que juntei do que aquelas de que pude separar-me, naquele T1 pequeno com vista para Monsanto e para o teu corpo sempre azul. Infelizmente, não fora capaz de preparar o silêncio que sempre se segue a tudo o que não somos, dirias tu, o rumor de instantes que nos apanha na canga e nos sugere o vale sem luzes e a varanda grande. Parado sei que isso é poesia, um sonho, pequenas alucinações de primavera sem apelo no fundo destas veias e sei também que continuas a existir e vais ser minha muitas vezes, como eu quero ser teu intermitentemente em cada lua nossa. Mas tu sabes como os astros nos pregam partidas ao telefone, como em certos dias a pique para o sol embatem nas antenas, e este ligeiro pesadelo é apenas o desconforto baço de saber que há coisas demasiado belas para não serem tristes.
Rui Costa é um poeta português. A sua obra insere-se no panorama literário contemporâneo, refletindo as preocupações e as estéticas da sua geração.
Infância e formação
Informações detalhadas sobre a infância e formação de Rui Costa não são amplamente acessíveis na documentação pública.
Percurso literário
O percurso literário de Rui Costa é marcado pela sua produção poética, que tem vindo a ser publicada e a ganhar reconhecimento no meio literário. A sua escrita evoluiu com um aprofundamento temático e estilístico ao longo do tempo.
Obra, estilo e características literárias
Obra, estilo e características literárias
A obra de Rui Costa distingue-se pela sua exploração de temas como a intimidade, a memória, a passagem do tempo e a observação do mundo ao redor. O seu estilo poético é marcado pela introspeção, por uma linguagem cuidada e pela capacidade de evocar imagens e sentimentos com subtileza. Utiliza frequentemente o verso livre, mas com um forte sentido de ritmo e musicalidade interna. O tom da sua poesia é frequentemente lírico e reflexivo.
Obra, estilo e características literárias
Contexto cultural e histórico
Rui Costa insere-se no contexto cultural português contemporâneo, dialogando com as tendências e os debates literários atuais. A sua obra reflete, de forma ponderada, as inquietações do presente.
Obra, estilo e características literárias
Vida pessoal
Detalhes específicos sobre a vida pessoal de Rui Costa são discretamente mantidos, com o foco principal a recair sobre a sua produção literária.
Obra, estilo e características literárias
Reconhecimento e receção
O reconhecimento da obra de Rui Costa tem vindo a consolidar-se, sendo apreciado pela sua poesia reflexiva e pela qualidade da sua escrita por parte de leitores e críticos.
Obra, estilo e características literárias
Influências e legado
A poesia de Rui Costa beneficia da tradição poética portuguesa, ao mesmo tempo que apresenta uma voz original e contemporânea. O seu legado reside na capacidade de tocar o leitor com a sua sensibilidade e a profundidade das suas reflexões.
Obra, estilo e características literárias
Interpretação e análise crítica
A obra de Rui Costa convida a uma leitura que valoriza a introspeção e a beleza encontrada nos detalhes do quotidiano. As suas poesias são um espelho das emoções humanas e da busca por um sentido mais profundo na existência.
Obra, estilo e características literárias
Curiosidades e aspetos menos conhecidos
A discrição de Rui Costa contribui para uma aura de mistério em torno da sua figura, realçando a importância da sua obra poética.
Obra, estilo e características literárias
Morte e memória
Como poeta contemporâneo em atividade, não há informação sobre morte ou publicações póstumas.
Poemas
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Elegia azul
Clara, como talvez tu antes da última esquina da noite, uma imagem redonda colava-se aos meus dedos por entre as folhas de papel que lentamente ardiam. Foram sempre mais as páginas que juntei do que aquelas de que pude separar-me, naquele T1 pequeno com vista para Monsanto e para o teu corpo sempre azul. Infelizmente, não fora capaz de preparar o silêncio que sempre se segue a tudo o que não somos, dirias tu, o rumor de instantes que nos apanha na canga e nos sugere o vale sem luzes e a varanda grande. Parado sei que isso é poesia, um sonho, pequenas alucinações de primavera sem apelo no fundo destas veias e sei também que continuas a existir e vais ser minha muitas vezes, como eu quero ser teu intermitentemente em cada lua nossa. Mas tu sabes como os astros nos pregam partidas ao telefone, como em certos dias a pique para o sol embatem nas antenas, e este ligeiro pesadelo é apenas o desconforto baço de saber que há coisas demasiado belas para não serem tristes.
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breve ensaio sobre a potência 29
Os anjos são recicláveis e a literatura controla o tráfego aéreo. No porão do pensamento acenamos à suavidade, enquanto Deus é uma sala de fisioterapia. Conservamos as fábricas de electricidade em níveis aceitáveis de educação sentimental. Somos homens negros paridores da luz.
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breve ensaio sobre a potência 28
Ah, disseste bem. Amar para sobreviver à razão de luz. Chegamos a casa e as janelas recobrem o mar e o esquecimento do vulto. Deitamos os corpos no sofá sem televisão, ordenhamos o anti-cristo pela guerra ausente. Despimo-nos, mostramos ao tempo o nosso sexo, ordenamos-lhe que afunde a escuridão.
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Manifesto
Eu gosto muito dos senhores que moram no meu prédio. O prédio é alto e tem elevadores. Assim é melhor porque ninguém tem que carregar ninguém às costas. Quer dizer, as pessoas também podiam ir pelo seu próprio pé mas isso era se não houvesse pessoas no meu prédio que precisam de favores. Precisam, e depois pagam com as costas na subida - Ouvi dizer que há pessoas no meu prédio que têm em casa florestas normandas (eu cá só ervas daninhas!). É que o elevador do meu prédio avaria muitas vezes. Avaria, e depois os senhores dos andares de cima precisam de carregadores. As pessoas dos andares de baixo começaram a nascer todos os dias com as costas mais largas para poderem carregar melhor, e agora o elevador avaria quase sempre. A minha sorte é eles saberem que eu só tenho em casa ervas daninhas. Nunca me pedem para os carregar nem sequer estacionam as suas árvores novas a barrar-me a entrada de casa: têm medo de ser contaminados. Agora são os senhores dos andares de cima que me pedem favores: se posso mudar de casa, de prédio, que até me oferecem uma casa com florestas normandas lá dentro. Mas eu não quero. Estou bem aqui. As minhas ervas chegam já ao primeiro andar. Às vezes subo por elas e convidam-me para jantar. Falamos e rimos e quando nos calamos o silêncio à volta é maior. Até agora cresceram sempre frescas pelo seu pé acima.
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Madrugada
podes querer e podes não querer. podes fugir. ficar ou não ficar assim. quieto. esse travo na boca por dizer. esse gozo secreto das coisas a gemer lá para o fim
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O acidente IV
Levanta as tuas mãos e se um dia te cansares eu estarei pronto como o lugar da queda.
760
Medo
Furo-te os olhos com os dedos magoados como-te torpor de medo as luas verdes mordem-me a boca do teu peito sobe o halo nacarado a essência fútil das flores mortas e novamente o medo de nunca mais voltar a ser perfeito
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Narciso
No rio a tua imagem parece menos tua: A memória é uma líquida mensagem de aloendros e o teu opaco ardor apenas o resultado disso: Um coração já pasmado de algum travo mordendo uma outra água com vértices ao fundo. Não te iludas. O que tu vês és mesmo tu: Restos de um homem às portas de outro homem e o futuro de olhos baixos, o mar a ver.
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breve ensaio sobre a potência 1
a luz é a metáfora do verbo, a matéria escura. ilumina as paredes da água, é como um vidro com as imagens do avesso. o animal furtivo que instaura a violência, a mãe ao redor do silêncio.
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Diálogo
Não acredites: as pessoas que te falam em diálogo querem o teu mal. Dizem que a compreensão deve ser «cultivada» - e esperam bem sentados que te estateles ao comprido na frente de uma esplanadazinha com vista para o tédio.
(Afasta de ti esse cálice!) Eles querem o teu sangue mas depois não sabem o que fazer com ele, não fazem nada com ele, não o bebem, não o vendem, não o poluem com o teu olhar desvairado ante o corpo aberto dela, do seu nexo tão carente de ti.
Que a planta tem que ser regada para crescer, ah por favor – não compres asas novas para a eterna toupeira. A coisa verde estende as mãos para alcançar a água – e depois cresce para o sol, incha, porque ela usa-o e é usada por ele, e usar e ser usado é que é o meu desejo cheio, a amizade toda e – foi assim connosco mas já não é – a essência do amor (essa magra celulite que tu deves alcançar pelo diálogo na demonstração diária do respeito mútuo e sabiamente partilhado!)
Ainda pensas que te darei uma definição do amor?
Dou-te apenas o que não pode ser aceite: o meu ar luminoso e irascível! – e nenhum deus invoco ou minimizo.
Faz o que quiseres, ou o que puderes, com o que eu te dou. É para isso, é por isso que (o café está bom) (e) eu gosto de ti.