Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Efer Cilas dos Santos Junior
Viver como um Médico
Viver como um Médico
Médico é amar o semelhante,
Nunca negar ajuda a quem precisa;
Conviver com a dor que martiriza,
Lutar contra percalços como um infante!
É uma vida muito desgastante.
Não é a que o estudante idealiza,
Quando sua exaustão ele ameniza,
Com visões de uma clínica brilhante.
Ser um médico é nunca ter hora;
É estar à vontade de quem chora;
É tentar salvar quem não quer morrer...
É uma vida muito dolorosa,
Mas premiada de uma forma honrosa,
Quando um sorriso vem agradecer!
Médico é amar o semelhante,
Nunca negar ajuda a quem precisa;
Conviver com a dor que martiriza,
Lutar contra percalços como um infante!
É uma vida muito desgastante.
Não é a que o estudante idealiza,
Quando sua exaustão ele ameniza,
Com visões de uma clínica brilhante.
Ser um médico é nunca ter hora;
É estar à vontade de quem chora;
É tentar salvar quem não quer morrer...
É uma vida muito dolorosa,
Mas premiada de uma forma honrosa,
Quando um sorriso vem agradecer!
849
Egito Gonçalves
Sitiados
Esta cidade é a última cidade...
Os muros derruídos estão cercados:
Os canhões troam através dos mapas.
Nossa imagem, revelada pelas montras,
Passeia pelas ruas de mãos dadas...
Somos a última trincheira valiosa.
Unidos, trituramos os assaltos
E renovamos o cristal da esperança.
Os ruídos emolduram-te o sorriso,
Pura mensagem, prenhe de um futuro
Isolado de poeiras e de lágrimas.
Os muros derruídos estão cercados:
Os canhões troam através dos mapas.
Nossa imagem, revelada pelas montras,
Passeia pelas ruas de mãos dadas...
Somos a última trincheira valiosa.
Unidos, trituramos os assaltos
E renovamos o cristal da esperança.
Os ruídos emolduram-te o sorriso,
Pura mensagem, prenhe de um futuro
Isolado de poeiras e de lágrimas.
1 730
Egito Gonçalves
Sitiados
Esta cidade é a última cidade...
Os muros derruídos estão cercados:
Os canhões troam através dos mapas.
Nossa imagem, revelada pelas montras,
Passeia pelas ruas de mãos dadas...
Somos a última trincheira valiosa.
Unidos, trituramos os assaltos
E renovamos o cristal da esperança.
Os ruídos emolduram-te o sorriso,
Pura mensagem, prenhe de um futuro
Isolado de poeiras e de lágrimas.
Os muros derruídos estão cercados:
Os canhões troam através dos mapas.
Nossa imagem, revelada pelas montras,
Passeia pelas ruas de mãos dadas...
Somos a última trincheira valiosa.
Unidos, trituramos os assaltos
E renovamos o cristal da esperança.
Os ruídos emolduram-te o sorriso,
Pura mensagem, prenhe de um futuro
Isolado de poeiras e de lágrimas.
1 730
Egito Gonçalves
Sitiados
Esta cidade é a última cidade...
Os muros derruídos estão cercados:
Os canhões troam através dos mapas.
Nossa imagem, revelada pelas montras,
Passeia pelas ruas de mãos dadas...
Somos a última trincheira valiosa.
Unidos, trituramos os assaltos
E renovamos o cristal da esperança.
Os ruídos emolduram-te o sorriso,
Pura mensagem, prenhe de um futuro
Isolado de poeiras e de lágrimas.
Os muros derruídos estão cercados:
Os canhões troam através dos mapas.
Nossa imagem, revelada pelas montras,
Passeia pelas ruas de mãos dadas...
Somos a última trincheira valiosa.
Unidos, trituramos os assaltos
E renovamos o cristal da esperança.
Os ruídos emolduram-te o sorriso,
Pura mensagem, prenhe de um futuro
Isolado de poeiras e de lágrimas.
1 730
Egito Gonçalves
Sobre os Poemas
1
Há poetas que constróem o mundo nos cafés,
outros que o fazem no claro-escuro
entre as prisões e os intervalos.
Há poetas que aguardam cartas de apresentação
nem eles sabem para onde:
para a vida que falhou?, para a manteiga
que lhes foi negada?
Mas todos têm um sonho, todos
se esforçam por valer o pão que amassam
— lançam seu delicado peso na balança.
Eles sabem, esses poetas,
que nada é eterno e imutável.
2
Tal a "Cadeia de Santo Onofre:
Copie o texto: envie a cinco amigos"...
há poetas que se multiplicam, fendem
a vaga limite, impedem o suicídio,
explicam a vida, argamassam
dedicação e raiva.
Girassóis, rodam sobre si mesmos,
indicam o ponto onde a luz se abre.
3
Há poetas cuja poesia reagrupa, fornece
uma canção à cidade, martela
os que dormem alheios, move-se
silenciosamente ao jeito das estátuas.
Pacífica vaca ruminando na linha do rumo;
rosto impreciso solidificando breve;
tênue tinta azul no papel claro ...
Os poetas têm
como os peles-vermelhas do cinema
o seu fumo e os seus cobertores.
4
Há poetas que renegam cartas
de apresentação para o arrivismo;
recusam a mão ao salário da trampa;
não enfeixam o nome e a desonra
nos telegramas do medo.
Enquanto bebem o café um histrião noturno
arenga; executa o seu número; recebe
por nova pirueta uma ajuda de custo.
Há poetas que constróem o mundo nos cafés,
outros que o fazem no claro-escuro
entre as prisões e os intervalos.
Há poetas que aguardam cartas de apresentação
nem eles sabem para onde:
para a vida que falhou?, para a manteiga
que lhes foi negada?
Mas todos têm um sonho, todos
se esforçam por valer o pão que amassam
— lançam seu delicado peso na balança.
Eles sabem, esses poetas,
que nada é eterno e imutável.
2
Tal a "Cadeia de Santo Onofre:
Copie o texto: envie a cinco amigos"...
há poetas que se multiplicam, fendem
a vaga limite, impedem o suicídio,
explicam a vida, argamassam
dedicação e raiva.
Girassóis, rodam sobre si mesmos,
indicam o ponto onde a luz se abre.
3
Há poetas cuja poesia reagrupa, fornece
uma canção à cidade, martela
os que dormem alheios, move-se
silenciosamente ao jeito das estátuas.
Pacífica vaca ruminando na linha do rumo;
rosto impreciso solidificando breve;
tênue tinta azul no papel claro ...
Os poetas têm
como os peles-vermelhas do cinema
o seu fumo e os seus cobertores.
4
Há poetas que renegam cartas
de apresentação para o arrivismo;
recusam a mão ao salário da trampa;
não enfeixam o nome e a desonra
nos telegramas do medo.
Enquanto bebem o café um histrião noturno
arenga; executa o seu número; recebe
por nova pirueta uma ajuda de custo.
1 773
Egito Gonçalves
Sobre os Poemas
1
Há poetas que constróem o mundo nos cafés,
outros que o fazem no claro-escuro
entre as prisões e os intervalos.
Há poetas que aguardam cartas de apresentação
nem eles sabem para onde:
para a vida que falhou?, para a manteiga
que lhes foi negada?
Mas todos têm um sonho, todos
se esforçam por valer o pão que amassam
— lançam seu delicado peso na balança.
Eles sabem, esses poetas,
que nada é eterno e imutável.
2
Tal a "Cadeia de Santo Onofre:
Copie o texto: envie a cinco amigos"...
há poetas que se multiplicam, fendem
a vaga limite, impedem o suicídio,
explicam a vida, argamassam
dedicação e raiva.
Girassóis, rodam sobre si mesmos,
indicam o ponto onde a luz se abre.
3
Há poetas cuja poesia reagrupa, fornece
uma canção à cidade, martela
os que dormem alheios, move-se
silenciosamente ao jeito das estátuas.
Pacífica vaca ruminando na linha do rumo;
rosto impreciso solidificando breve;
tênue tinta azul no papel claro ...
Os poetas têm
como os peles-vermelhas do cinema
o seu fumo e os seus cobertores.
4
Há poetas que renegam cartas
de apresentação para o arrivismo;
recusam a mão ao salário da trampa;
não enfeixam o nome e a desonra
nos telegramas do medo.
Enquanto bebem o café um histrião noturno
arenga; executa o seu número; recebe
por nova pirueta uma ajuda de custo.
Há poetas que constróem o mundo nos cafés,
outros que o fazem no claro-escuro
entre as prisões e os intervalos.
Há poetas que aguardam cartas de apresentação
nem eles sabem para onde:
para a vida que falhou?, para a manteiga
que lhes foi negada?
Mas todos têm um sonho, todos
se esforçam por valer o pão que amassam
— lançam seu delicado peso na balança.
Eles sabem, esses poetas,
que nada é eterno e imutável.
2
Tal a "Cadeia de Santo Onofre:
Copie o texto: envie a cinco amigos"...
há poetas que se multiplicam, fendem
a vaga limite, impedem o suicídio,
explicam a vida, argamassam
dedicação e raiva.
Girassóis, rodam sobre si mesmos,
indicam o ponto onde a luz se abre.
3
Há poetas cuja poesia reagrupa, fornece
uma canção à cidade, martela
os que dormem alheios, move-se
silenciosamente ao jeito das estátuas.
Pacífica vaca ruminando na linha do rumo;
rosto impreciso solidificando breve;
tênue tinta azul no papel claro ...
Os poetas têm
como os peles-vermelhas do cinema
o seu fumo e os seus cobertores.
4
Há poetas que renegam cartas
de apresentação para o arrivismo;
recusam a mão ao salário da trampa;
não enfeixam o nome e a desonra
nos telegramas do medo.
Enquanto bebem o café um histrião noturno
arenga; executa o seu número; recebe
por nova pirueta uma ajuda de custo.
1 773
Daniel Orlandi Mattos Edmundson
A Escola
Estudar, Estourar, Esfregar na nossa cara que somos burros
Na escola a gente
Aprende a ser gente
E sente na pele
A semente da desgraça
Posta a coçar
Cogitar, Armar, Amedrontar
Fulminar o seu eu interior.
Tão somente quando tudo acabar
Você vai ver, e se defrontar
Com quem você realmente é
E vai jogar fora sua máscara,
E se porá a correr.
Na escola a gente
Aprende a ser gente
E sente na pele
A semente da desgraça
Posta a coçar
Cogitar, Armar, Amedrontar
Fulminar o seu eu interior.
Tão somente quando tudo acabar
Você vai ver, e se defrontar
Com quem você realmente é
E vai jogar fora sua máscara,
E se porá a correr.
963
Domingos Lourenço de Castro
Soneto
Quem no trato Civil só quer Verdade,
quem dos Povos não quer mais que respeito,
só pretende subir ao mais perfeito,
só procura viver na Eternidade.
Quem de justo não falta à integridade,
quem de todos quer só ser bem aceito,
um Padrão se levanta em cada feito,
uma Estátua se erige a toda a Idade.
Vos sois este, Senhor; pois de tal modo
sois Afável, sois justo, e Verdadeiro,
entre os Grandes Heróis de todo o mundo:
que a Vós mesmo erigis no mundo todo,
primorosas Estátuas de Primeiro,
generosos Padrões de sem segundo.
quem dos Povos não quer mais que respeito,
só pretende subir ao mais perfeito,
só procura viver na Eternidade.
Quem de justo não falta à integridade,
quem de todos quer só ser bem aceito,
um Padrão se levanta em cada feito,
uma Estátua se erige a toda a Idade.
Vos sois este, Senhor; pois de tal modo
sois Afável, sois justo, e Verdadeiro,
entre os Grandes Heróis de todo o mundo:
que a Vós mesmo erigis no mundo todo,
primorosas Estátuas de Primeiro,
generosos Padrões de sem segundo.
1 112
Domingos Lourenço de Castro
Soneto
Quem no trato Civil só quer Verdade,
quem dos Povos não quer mais que respeito,
só pretende subir ao mais perfeito,
só procura viver na Eternidade.
Quem de justo não falta à integridade,
quem de todos quer só ser bem aceito,
um Padrão se levanta em cada feito,
uma Estátua se erige a toda a Idade.
Vos sois este, Senhor; pois de tal modo
sois Afável, sois justo, e Verdadeiro,
entre os Grandes Heróis de todo o mundo:
que a Vós mesmo erigis no mundo todo,
primorosas Estátuas de Primeiro,
generosos Padrões de sem segundo.
quem dos Povos não quer mais que respeito,
só pretende subir ao mais perfeito,
só procura viver na Eternidade.
Quem de justo não falta à integridade,
quem de todos quer só ser bem aceito,
um Padrão se levanta em cada feito,
uma Estátua se erige a toda a Idade.
Vos sois este, Senhor; pois de tal modo
sois Afável, sois justo, e Verdadeiro,
entre os Grandes Heróis de todo o mundo:
que a Vós mesmo erigis no mundo todo,
primorosas Estátuas de Primeiro,
generosos Padrões de sem segundo.
1 112
David Mestre
Que outro nome
Que rio se pode
abrir na língua acesa
para o capim crepitando
baixo. Que palavra
por ele nasce
e corre corre a lua
e outra lua sem que regresse
ao corpo. Que outro nome
te demos
vestida e no escuro desposada.
Liberdade.
Que tempo de
ocultar o nome sabíamos
perder e nem
de moscardo zumbias: Ngola
nosso pouco maruvo eras
no terreiro anunciada.
Liberdade.
Quem das copas pronuncia
os teus lábios na terra? Nzambi
neles tivesse
mordiscado leve.
Liberdade.
abrir na língua acesa
para o capim crepitando
baixo. Que palavra
por ele nasce
e corre corre a lua
e outra lua sem que regresse
ao corpo. Que outro nome
te demos
vestida e no escuro desposada.
Liberdade.
Que tempo de
ocultar o nome sabíamos
perder e nem
de moscardo zumbias: Ngola
nosso pouco maruvo eras
no terreiro anunciada.
Liberdade.
Quem das copas pronuncia
os teus lábios na terra? Nzambi
neles tivesse
mordiscado leve.
Liberdade.
1 064
David Mestre
Que outro nome
Que rio se pode
abrir na língua acesa
para o capim crepitando
baixo. Que palavra
por ele nasce
e corre corre a lua
e outra lua sem que regresse
ao corpo. Que outro nome
te demos
vestida e no escuro desposada.
Liberdade.
Que tempo de
ocultar o nome sabíamos
perder e nem
de moscardo zumbias: Ngola
nosso pouco maruvo eras
no terreiro anunciada.
Liberdade.
Quem das copas pronuncia
os teus lábios na terra? Nzambi
neles tivesse
mordiscado leve.
Liberdade.
abrir na língua acesa
para o capim crepitando
baixo. Que palavra
por ele nasce
e corre corre a lua
e outra lua sem que regresse
ao corpo. Que outro nome
te demos
vestida e no escuro desposada.
Liberdade.
Que tempo de
ocultar o nome sabíamos
perder e nem
de moscardo zumbias: Ngola
nosso pouco maruvo eras
no terreiro anunciada.
Liberdade.
Quem das copas pronuncia
os teus lábios na terra? Nzambi
neles tivesse
mordiscado leve.
Liberdade.
1 064
David Mestre
Que outro nome
Que rio se pode
abrir na língua acesa
para o capim crepitando
baixo. Que palavra
por ele nasce
e corre corre a lua
e outra lua sem que regresse
ao corpo. Que outro nome
te demos
vestida e no escuro desposada.
Liberdade.
Que tempo de
ocultar o nome sabíamos
perder e nem
de moscardo zumbias: Ngola
nosso pouco maruvo eras
no terreiro anunciada.
Liberdade.
Quem das copas pronuncia
os teus lábios na terra? Nzambi
neles tivesse
mordiscado leve.
Liberdade.
abrir na língua acesa
para o capim crepitando
baixo. Que palavra
por ele nasce
e corre corre a lua
e outra lua sem que regresse
ao corpo. Que outro nome
te demos
vestida e no escuro desposada.
Liberdade.
Que tempo de
ocultar o nome sabíamos
perder e nem
de moscardo zumbias: Ngola
nosso pouco maruvo eras
no terreiro anunciada.
Liberdade.
Quem das copas pronuncia
os teus lábios na terra? Nzambi
neles tivesse
mordiscado leve.
Liberdade.
1 064
Deborah Brennand
Sempre Algumas Léguas Restam
Em todos os sítios
o vento arranca as folhas secas.
Assim, também é certo
a cerca, mesmo caindo, seguir a terra.
Só o rio desata nós de água
em ramalhetes de pedra.
E sempre algumas léguas restam
para chegar ou partir
na claridade dispersa.
o vento arranca as folhas secas.
Assim, também é certo
a cerca, mesmo caindo, seguir a terra.
Só o rio desata nós de água
em ramalhetes de pedra.
E sempre algumas léguas restam
para chegar ou partir
na claridade dispersa.
1 151
Daniela Name
Poeta e fingidor atrás das grades
A balada do cárcere
Bruno Tolentino.
Editora Topbooks
130 páginas • R$ 20
Com quem Bruno Tolentino vai brigar desta vez? Muitos podem estar se fazendo esta pergunta agora, enquanto lêem mais uma reportagem sobre o polêmico autor de "As horas de Katharina".
Faz sentido. Tolentino se especializou em provocar debates inflamados nos jornais. Já discutiu com Caetano Veloso, os irmãos concretistas Haroldo e Augusto de Campos, o ensaísta Antônio Paulo Graça e o poeta Ivan Junqueira. Agora, aproveita o lançamento de um novo livro para desenferrujar a metralhadora giratória.
Sentado à mesa de um restaurante no Centro, Tolentino reza para agradecer o peixe grelhado com batatas antes de começar a falar sobre "A balada do cárcere", livro de poemas que narra a sua experiência numa penitenciária de Londres. O poeta foi preso em 1989, por porte de drogas, passou 22 meses detido e acabou organizando um workshop de criação poética para os outros presos - a maioria semi-analfabeta.
- Foi nessa época que percebi que conseguia escrever sem o auxílio da cocaína - conta Tolentino. - Devo isso à cadeia. Achava que era a droga que me inspirava, porque eu tinha que achar uma explicação para tanta inspiração. Tive um longo envolvimento com o "sublime pó" e ficava espantadíssimo de escrever tão bem, mas depois vi que não era a droga que tornava meus versos magníficos: eles já eram muito bons mesmo.
Poeta diz que será compreendido pela próxima geraçãoNo almoço de duas horas, o auto-elogio aumenta à medida em que o peixe e as batatas vão sumindo do prato. Tolentino não parece se incomodar em ser mais conhecido pelo que fala nos jornais do que pelo que escreve nos livros. Perguntado se sua obra terá fôlego para continuar sendo lida daqui a cem anos, ele disse acreditar que muito antes disso os leitores já terão se rendido ao seu talento:
- Fui bonito, rico, gostoso, inteligente e poliglota, enfim, uma obra-prima - afirma. - A vaidade para mim sempre foi uma coisa natural... Quando descobri que eu também escrevia bem, me pareceu um pouquinho demais, mas era verdade. Mas sempre fui mais orgulhoso do que vaidoso. Sei que vai demorar muito menos que cem anos para eu ser lido e aceito, isso já vai se dar na próxima geração. Vão entender que sou o Fernando Pessoa daqui, que eu trouxe universalidade à nossa poesia.
Tolentino se considera um oásis de talento no deserto da poesia nacional. Acredita que as mulheres de sua geração são muito melhores que os homens, e por isso dedica "A balada do cárcere" a Orides Fontela, Adélia Prado e Neide Archanjo. Ele diz que o título de sua "balada" é um clara citação ao livro homônimo de Oscar Wilde, embora acredite que seus versos são menos pessoais que os do autor inglês.
- Dou voz a um preso, Nick, que matou a mulher. Através dele, falo da cadeia e da experiência com minha própria mulher, de quem tinha me separado um pouco antes. Enquanto escrevia, lembrava da imagem dela, belíssima, me olhando através da janela do trem. Oscar Wilde fala de si mesmo mais diretamente.
Também garante que existem diferenças em relação ao conteúdo homossexual do poema de Wilde. Acusado por Antônio Paulo Graça de ter feito um "opúsculo homossexual", Tolentino conta que ficou isolado na cadeia, por isso não recebeu nenhuma cantada:
- O único contato que tinha com os outros era na hora dos seminários de poesia. Mas lá dá vontade de fazer muita coisa, ainda mais porque minha sentença inicial era de 11 anos. Não sei o que aconteceria se eu ficasse com um daqueles homens na mesma cela. Meu poema tem um mesmo ponto de partida que o de Oscar Wilde: um sujeito que matou a mulher. Mas ele é muito mais pessoal do que eu, embora eu use o poema para refletir sobre a relação com minha mulher.
Elogiado pelo poeta Ferreira Gullar, que assina a quarta capa do livro, "A balada do cárcere" mistura a realidade da cadeia e mitologia grega e recebeu o Prêmio Cruz e Souza de 1995. Meio brincando, meio falando a verdade, Tolentino diz que irá à Academia Brasileira de Letras perguntar se vai receber o Prêmio
Machado de Assis este ano ou no ano que vem. Ele acredita que a crítica literária brasileira vive um de seus piores momentos:
- Não consigo achar nenhum crítico bom - diz ele. - São todos uns canalhas, não destaco ninguém, a não ser para o pelotão de fuzilamento. São todos podres, todos vendidos. Prestam mais atenção em Mano Caê e nos Chicos-chicos no fubá da vida do que nos verdadeiros poetas. Há uma menina que está publicando uma tese feita na Sorbonne sobre a solidão na literatura brasileira vista pela obra de Caetano Veloso. Francamente, um ensaio como esse cabe num bueiro de Liliputh. Mas nossos críticos vão dar atenção, porque não estão interessados em literatura.
O peixe já está no fim, sobram as batatas. Tolentino pede barrigas-de-freira como sobremesa, explicando minuciosamente a um espantado garçom que a culpa da "gravidez das freirinhas" não é dele. Enquanto espera, o poeta mostra que não aposentou o veneno da língua. Diz que soube por outras pessoas que tinha brigado com Ivan Junqueira, mas adorou romper relações com o poeta:
- Ele tinha me chamado para ser jurado de um concurso. Aceitei, mas resolvi sair do júri na última hora, para poder me candidatar ao prêmio. Ele ficou magoado. Tudo bem, isso foi uma bênção. Fiquei livre de uma múmia empolada. O fato de eu escrever muito bem milita contra mim, minha briga com Juju-quequeira vem daí.
Os irmãos Campos são o alvo predileto do poeta, que escreveu o ensaio "Os sapos de ontem" com o único intuito de criticar o concretismo. Para Tolentino, o movimento só pôde existir porque São Paulo é uma terra cheia de pensadores e filósofos - como Sérgio Buarque de Holanda e Sergio Milliet - mas sempre foi pobre de poetas.
- Os paulistas só produziram Vicente de Carvalho e Ribeiro Couto, este um poeta menorzinho - avalia. - Cassiano Ricardo nem comento, porque estamos à mesa. E Mario de Andrade me dá vontade de rir. O concretismo está fazendo 40 anos de farsa.
Haroldo e Augusto ainda não conseguiram ser tão bonitos por dentro quanto são por fora.
Bruno Tolentino.
Editora Topbooks
130 páginas • R$ 20
Com quem Bruno Tolentino vai brigar desta vez? Muitos podem estar se fazendo esta pergunta agora, enquanto lêem mais uma reportagem sobre o polêmico autor de "As horas de Katharina".
Faz sentido. Tolentino se especializou em provocar debates inflamados nos jornais. Já discutiu com Caetano Veloso, os irmãos concretistas Haroldo e Augusto de Campos, o ensaísta Antônio Paulo Graça e o poeta Ivan Junqueira. Agora, aproveita o lançamento de um novo livro para desenferrujar a metralhadora giratória.
Sentado à mesa de um restaurante no Centro, Tolentino reza para agradecer o peixe grelhado com batatas antes de começar a falar sobre "A balada do cárcere", livro de poemas que narra a sua experiência numa penitenciária de Londres. O poeta foi preso em 1989, por porte de drogas, passou 22 meses detido e acabou organizando um workshop de criação poética para os outros presos - a maioria semi-analfabeta.
- Foi nessa época que percebi que conseguia escrever sem o auxílio da cocaína - conta Tolentino. - Devo isso à cadeia. Achava que era a droga que me inspirava, porque eu tinha que achar uma explicação para tanta inspiração. Tive um longo envolvimento com o "sublime pó" e ficava espantadíssimo de escrever tão bem, mas depois vi que não era a droga que tornava meus versos magníficos: eles já eram muito bons mesmo.
Poeta diz que será compreendido pela próxima geraçãoNo almoço de duas horas, o auto-elogio aumenta à medida em que o peixe e as batatas vão sumindo do prato. Tolentino não parece se incomodar em ser mais conhecido pelo que fala nos jornais do que pelo que escreve nos livros. Perguntado se sua obra terá fôlego para continuar sendo lida daqui a cem anos, ele disse acreditar que muito antes disso os leitores já terão se rendido ao seu talento:
- Fui bonito, rico, gostoso, inteligente e poliglota, enfim, uma obra-prima - afirma. - A vaidade para mim sempre foi uma coisa natural... Quando descobri que eu também escrevia bem, me pareceu um pouquinho demais, mas era verdade. Mas sempre fui mais orgulhoso do que vaidoso. Sei que vai demorar muito menos que cem anos para eu ser lido e aceito, isso já vai se dar na próxima geração. Vão entender que sou o Fernando Pessoa daqui, que eu trouxe universalidade à nossa poesia.
Tolentino se considera um oásis de talento no deserto da poesia nacional. Acredita que as mulheres de sua geração são muito melhores que os homens, e por isso dedica "A balada do cárcere" a Orides Fontela, Adélia Prado e Neide Archanjo. Ele diz que o título de sua "balada" é um clara citação ao livro homônimo de Oscar Wilde, embora acredite que seus versos são menos pessoais que os do autor inglês.
- Dou voz a um preso, Nick, que matou a mulher. Através dele, falo da cadeia e da experiência com minha própria mulher, de quem tinha me separado um pouco antes. Enquanto escrevia, lembrava da imagem dela, belíssima, me olhando através da janela do trem. Oscar Wilde fala de si mesmo mais diretamente.
Também garante que existem diferenças em relação ao conteúdo homossexual do poema de Wilde. Acusado por Antônio Paulo Graça de ter feito um "opúsculo homossexual", Tolentino conta que ficou isolado na cadeia, por isso não recebeu nenhuma cantada:
- O único contato que tinha com os outros era na hora dos seminários de poesia. Mas lá dá vontade de fazer muita coisa, ainda mais porque minha sentença inicial era de 11 anos. Não sei o que aconteceria se eu ficasse com um daqueles homens na mesma cela. Meu poema tem um mesmo ponto de partida que o de Oscar Wilde: um sujeito que matou a mulher. Mas ele é muito mais pessoal do que eu, embora eu use o poema para refletir sobre a relação com minha mulher.
Elogiado pelo poeta Ferreira Gullar, que assina a quarta capa do livro, "A balada do cárcere" mistura a realidade da cadeia e mitologia grega e recebeu o Prêmio Cruz e Souza de 1995. Meio brincando, meio falando a verdade, Tolentino diz que irá à Academia Brasileira de Letras perguntar se vai receber o Prêmio
Machado de Assis este ano ou no ano que vem. Ele acredita que a crítica literária brasileira vive um de seus piores momentos:
- Não consigo achar nenhum crítico bom - diz ele. - São todos uns canalhas, não destaco ninguém, a não ser para o pelotão de fuzilamento. São todos podres, todos vendidos. Prestam mais atenção em Mano Caê e nos Chicos-chicos no fubá da vida do que nos verdadeiros poetas. Há uma menina que está publicando uma tese feita na Sorbonne sobre a solidão na literatura brasileira vista pela obra de Caetano Veloso. Francamente, um ensaio como esse cabe num bueiro de Liliputh. Mas nossos críticos vão dar atenção, porque não estão interessados em literatura.
O peixe já está no fim, sobram as batatas. Tolentino pede barrigas-de-freira como sobremesa, explicando minuciosamente a um espantado garçom que a culpa da "gravidez das freirinhas" não é dele. Enquanto espera, o poeta mostra que não aposentou o veneno da língua. Diz que soube por outras pessoas que tinha brigado com Ivan Junqueira, mas adorou romper relações com o poeta:
- Ele tinha me chamado para ser jurado de um concurso. Aceitei, mas resolvi sair do júri na última hora, para poder me candidatar ao prêmio. Ele ficou magoado. Tudo bem, isso foi uma bênção. Fiquei livre de uma múmia empolada. O fato de eu escrever muito bem milita contra mim, minha briga com Juju-quequeira vem daí.
Os irmãos Campos são o alvo predileto do poeta, que escreveu o ensaio "Os sapos de ontem" com o único intuito de criticar o concretismo. Para Tolentino, o movimento só pôde existir porque São Paulo é uma terra cheia de pensadores e filósofos - como Sérgio Buarque de Holanda e Sergio Milliet - mas sempre foi pobre de poetas.
- Os paulistas só produziram Vicente de Carvalho e Ribeiro Couto, este um poeta menorzinho - avalia. - Cassiano Ricardo nem comento, porque estamos à mesa. E Mario de Andrade me dá vontade de rir. O concretismo está fazendo 40 anos de farsa.
Haroldo e Augusto ainda não conseguiram ser tão bonitos por dentro quanto são por fora.
1 504
Donizete Galvão
Diante de Uma Fotografia
Para Celso Alves Cruz
O Tietê não é o Neva.
E nada no Curtume
lembra a sua Peter.
Galpões de fábricas
estendem-se sem rigor,
sem história ou forma.
Sucessão de chaminés,
caos de telhas de zinco.
Este é o lugar da cadela esquálida,
dos trens que gemem no subúrbio,
dos peões vestidos de azul e graxa,
dormindo ao meio-dia na calçada.
Na fila do almoço, o rebanho todo
estende suas bandejas de plástico.
Há fuligem nas janelas, nos olhos,
na sola dos sapatos. Nos cérebros.
Anna, as sereias do Báltico
não cantam aqui suas cantigas.
No mar das impossibilidades,
deixaram-me uma fotografia.
Vejo você - estrangeiríssima.
A curta franja dos cabelos.
O nariz forte. O desenho da boca.
A mão pousada no pescoço
que Modigliani um dia desenhou.
E no olhar felino, cinza-claro,
pressinto paixão e dor contida.
Anna Ahkmátova.
poeta de nome inventado,
lança sobre mim o claro raio
dos teus olhos líquidos,
para que minha alma não vire pedra.
Não quero morrer de sede,
sem ouvir a voz da língua.
O Tietê não é o Neva.
E nada no Curtume
lembra a sua Peter.
Galpões de fábricas
estendem-se sem rigor,
sem história ou forma.
Sucessão de chaminés,
caos de telhas de zinco.
Este é o lugar da cadela esquálida,
dos trens que gemem no subúrbio,
dos peões vestidos de azul e graxa,
dormindo ao meio-dia na calçada.
Na fila do almoço, o rebanho todo
estende suas bandejas de plástico.
Há fuligem nas janelas, nos olhos,
na sola dos sapatos. Nos cérebros.
Anna, as sereias do Báltico
não cantam aqui suas cantigas.
No mar das impossibilidades,
deixaram-me uma fotografia.
Vejo você - estrangeiríssima.
A curta franja dos cabelos.
O nariz forte. O desenho da boca.
A mão pousada no pescoço
que Modigliani um dia desenhou.
E no olhar felino, cinza-claro,
pressinto paixão e dor contida.
Anna Ahkmátova.
poeta de nome inventado,
lança sobre mim o claro raio
dos teus olhos líquidos,
para que minha alma não vire pedra.
Não quero morrer de sede,
sem ouvir a voz da língua.
1 033
Domingos Caldas Barbosa
Doçura de Amor
Cuidei que o gosto de Amor
Sempre o mesmo gosto fosse,
Mas um Amor Brasileiro
Eu não sei por que é mais doce.
Gentes, como isto
Cá é temperado,
Que sempre o favor
Me sabe a salgado:
Nós lá no Brasil
A nossa ternura
A açúcar nos sabe,
Tem muita doçura,
Oh! se tem! tem.
Tem um mel mui saboroso,
É bem bom, é bem gostoso.
As ternuras desta terra
Sabem sempre a pão e queijo
Não são como no Brasil
Que até é doce o desejo.
Gentes etc.
Ah nhanhá, venha escutar
Amor puro e verdadeiro,
Com preguiçosa doçura
Que é Amor de Brasileiro.
Gentes etc.
Os respeitos cá do Reino
Dão a Amor muita nobreza,
Porém tiram-lhe a doçura
Que lhe deu a Natureza.
Gentes etc.
Quando a gente tem nhanhá
Que lhe seja bem fiel,
É como no Reino dizem
Caiu a sopa no mel.
Gentes etc.
Se tu queres queu te adore,
A Brasileira hei de amar-te,
Eu sou teu, e tu és minha,
Não há mais tir-te nem guar-te.
Gentes etc.
Sempre o mesmo gosto fosse,
Mas um Amor Brasileiro
Eu não sei por que é mais doce.
Gentes, como isto
Cá é temperado,
Que sempre o favor
Me sabe a salgado:
Nós lá no Brasil
A nossa ternura
A açúcar nos sabe,
Tem muita doçura,
Oh! se tem! tem.
Tem um mel mui saboroso,
É bem bom, é bem gostoso.
As ternuras desta terra
Sabem sempre a pão e queijo
Não são como no Brasil
Que até é doce o desejo.
Gentes etc.
Ah nhanhá, venha escutar
Amor puro e verdadeiro,
Com preguiçosa doçura
Que é Amor de Brasileiro.
Gentes etc.
Os respeitos cá do Reino
Dão a Amor muita nobreza,
Porém tiram-lhe a doçura
Que lhe deu a Natureza.
Gentes etc.
Quando a gente tem nhanhá
Que lhe seja bem fiel,
É como no Reino dizem
Caiu a sopa no mel.
Gentes etc.
Se tu queres queu te adore,
A Brasileira hei de amar-te,
Eu sou teu, e tu és minha,
Não há mais tir-te nem guar-te.
Gentes etc.
1 859
Domingos Caldas Barbosa
Doçura de Amor
Cuidei que o gosto de Amor
Sempre o mesmo gosto fosse,
Mas um Amor Brasileiro
Eu não sei por que é mais doce.
Gentes, como isto
Cá é temperado,
Que sempre o favor
Me sabe a salgado:
Nós lá no Brasil
A nossa ternura
A açúcar nos sabe,
Tem muita doçura,
Oh! se tem! tem.
Tem um mel mui saboroso,
É bem bom, é bem gostoso.
As ternuras desta terra
Sabem sempre a pão e queijo
Não são como no Brasil
Que até é doce o desejo.
Gentes etc.
Ah nhanhá, venha escutar
Amor puro e verdadeiro,
Com preguiçosa doçura
Que é Amor de Brasileiro.
Gentes etc.
Os respeitos cá do Reino
Dão a Amor muita nobreza,
Porém tiram-lhe a doçura
Que lhe deu a Natureza.
Gentes etc.
Quando a gente tem nhanhá
Que lhe seja bem fiel,
É como no Reino dizem
Caiu a sopa no mel.
Gentes etc.
Se tu queres queu te adore,
A Brasileira hei de amar-te,
Eu sou teu, e tu és minha,
Não há mais tir-te nem guar-te.
Gentes etc.
Sempre o mesmo gosto fosse,
Mas um Amor Brasileiro
Eu não sei por que é mais doce.
Gentes, como isto
Cá é temperado,
Que sempre o favor
Me sabe a salgado:
Nós lá no Brasil
A nossa ternura
A açúcar nos sabe,
Tem muita doçura,
Oh! se tem! tem.
Tem um mel mui saboroso,
É bem bom, é bem gostoso.
As ternuras desta terra
Sabem sempre a pão e queijo
Não são como no Brasil
Que até é doce o desejo.
Gentes etc.
Ah nhanhá, venha escutar
Amor puro e verdadeiro,
Com preguiçosa doçura
Que é Amor de Brasileiro.
Gentes etc.
Os respeitos cá do Reino
Dão a Amor muita nobreza,
Porém tiram-lhe a doçura
Que lhe deu a Natureza.
Gentes etc.
Quando a gente tem nhanhá
Que lhe seja bem fiel,
É como no Reino dizem
Caiu a sopa no mel.
Gentes etc.
Se tu queres queu te adore,
A Brasileira hei de amar-te,
Eu sou teu, e tu és minha,
Não há mais tir-te nem guar-te.
Gentes etc.
1 859
Dimas Macedo
Subitamente
Subitamente
é preciso que os relógios parem,
porque tudo será pedra sobre pedra,
e tudo.
Não mais restarão
as tuas mãos que necessito,
as tuas palavras sem gestos
que eu procuro...
não mais restará o teu silêncio
que o meu silêncio pede,
pois as armas e os brasões
hão de florir por sobre a infância,
e tudo será rocha.
é preciso que os relógios parem,
porque tudo será pedra sobre pedra,
e tudo.
Não mais restarão
as tuas mãos que necessito,
as tuas palavras sem gestos
que eu procuro...
não mais restará o teu silêncio
que o meu silêncio pede,
pois as armas e os brasões
hão de florir por sobre a infância,
e tudo será rocha.
949
Donizete Galvão
Almanaque da Pedra
Roupa branca no quarador:
enxágue-a com pedra anil.
Afta no canto da boca:
mate-a com pedra-ume.
Água de bica na talha:
jogue-lhe pedra de enxofre.
Faca com corte cego:
amole-a com pedra branca.
Dedo de prosa com craca:
raspe-o com pedra-pomes.
enxágue-a com pedra anil.
Afta no canto da boca:
mate-a com pedra-ume.
Água de bica na talha:
jogue-lhe pedra de enxofre.
Faca com corte cego:
amole-a com pedra branca.
Dedo de prosa com craca:
raspe-o com pedra-pomes.
1 306
Domingos Caldas Barbosa
A Ternura Brasileira
Não posso negar, não posso,
Não posso por mais que queira,
Que o meu coração se abrasa
De ternura Brasileira.
Uma alma singela e rude
Sempre foi mais verdadeira,
A minha por isso é própria
De ternura Brasileira.
Lembra na última idade
A paixão lá da primeira,
Tenho nos últimos dias
A ternura Brasileira.
Vejo a carrancuda morte
Ameigar sua viseira,
Por ver que ao matar-me estraga
A ternura Brasileira.
Caronte, que chega à barca,
E que me chama à carreira,
Vê que o batel vai curvando
Coa ternura Brasileira.
Mal piso sobre os Elísios,
Outra sombra companheira
Chega, pasma, e não conhece
A ternura Brasileira.
Eu vejo a infeliz, Rainha
Que morre em ampla fogueira,
Por não achar em Enéias
A ternura Brasileira.
Do mundo a última parte
Não tem frase lisonjeira,
As três que a têm não conhecem
A ternura Brasileira.
Do mundo a última parte
Foi sempre em amar primeira
Pode às três servir de exemplo
A ternura Brasileira.
Não posso por mais que queira,
Que o meu coração se abrasa
De ternura Brasileira.
Uma alma singela e rude
Sempre foi mais verdadeira,
A minha por isso é própria
De ternura Brasileira.
Lembra na última idade
A paixão lá da primeira,
Tenho nos últimos dias
A ternura Brasileira.
Vejo a carrancuda morte
Ameigar sua viseira,
Por ver que ao matar-me estraga
A ternura Brasileira.
Caronte, que chega à barca,
E que me chama à carreira,
Vê que o batel vai curvando
Coa ternura Brasileira.
Mal piso sobre os Elísios,
Outra sombra companheira
Chega, pasma, e não conhece
A ternura Brasileira.
Eu vejo a infeliz, Rainha
Que morre em ampla fogueira,
Por não achar em Enéias
A ternura Brasileira.
Do mundo a última parte
Não tem frase lisonjeira,
As três que a têm não conhecem
A ternura Brasileira.
Do mundo a última parte
Foi sempre em amar primeira
Pode às três servir de exemplo
A ternura Brasileira.
1 528
Domingos Caldas Barbosa
A Ternura Brasileira
Não posso negar, não posso,
Não posso por mais que queira,
Que o meu coração se abrasa
De ternura Brasileira.
Uma alma singela e rude
Sempre foi mais verdadeira,
A minha por isso é própria
De ternura Brasileira.
Lembra na última idade
A paixão lá da primeira,
Tenho nos últimos dias
A ternura Brasileira.
Vejo a carrancuda morte
Ameigar sua viseira,
Por ver que ao matar-me estraga
A ternura Brasileira.
Caronte, que chega à barca,
E que me chama à carreira,
Vê que o batel vai curvando
Coa ternura Brasileira.
Mal piso sobre os Elísios,
Outra sombra companheira
Chega, pasma, e não conhece
A ternura Brasileira.
Eu vejo a infeliz, Rainha
Que morre em ampla fogueira,
Por não achar em Enéias
A ternura Brasileira.
Do mundo a última parte
Não tem frase lisonjeira,
As três que a têm não conhecem
A ternura Brasileira.
Do mundo a última parte
Foi sempre em amar primeira
Pode às três servir de exemplo
A ternura Brasileira.
Não posso por mais que queira,
Que o meu coração se abrasa
De ternura Brasileira.
Uma alma singela e rude
Sempre foi mais verdadeira,
A minha por isso é própria
De ternura Brasileira.
Lembra na última idade
A paixão lá da primeira,
Tenho nos últimos dias
A ternura Brasileira.
Vejo a carrancuda morte
Ameigar sua viseira,
Por ver que ao matar-me estraga
A ternura Brasileira.
Caronte, que chega à barca,
E que me chama à carreira,
Vê que o batel vai curvando
Coa ternura Brasileira.
Mal piso sobre os Elísios,
Outra sombra companheira
Chega, pasma, e não conhece
A ternura Brasileira.
Eu vejo a infeliz, Rainha
Que morre em ampla fogueira,
Por não achar em Enéias
A ternura Brasileira.
Do mundo a última parte
Não tem frase lisonjeira,
As três que a têm não conhecem
A ternura Brasileira.
Do mundo a última parte
Foi sempre em amar primeira
Pode às três servir de exemplo
A ternura Brasileira.
1 528
Diamond
Horário de Verão
Por razão econômica, interesse nacional
Uma porra de decreto, governamental!
Me rouba uma hora de vida,
Pra me devolver, caso eu sobreviva
À chatura daquele horário eleitoral,
Ao calor e ao cupim, que voando
Em squizo zig-zag, me entra pelas ventas
Com a maior intimidade, e nada é pessoal.
Lá pelas horas tantas, em frente à televisão,
Se não faltar energia, essa única diversão,
Suando tomo outro banho, por pura recreação
Já não consigo dormir, desde que você partiu,
Com saudade da hora roubada, eta decreto de m....
P.... que o pariu.
Viver a plenitude da liberdade poética e depois
morrer.
Uma porra de decreto, governamental!
Me rouba uma hora de vida,
Pra me devolver, caso eu sobreviva
À chatura daquele horário eleitoral,
Ao calor e ao cupim, que voando
Em squizo zig-zag, me entra pelas ventas
Com a maior intimidade, e nada é pessoal.
Lá pelas horas tantas, em frente à televisão,
Se não faltar energia, essa única diversão,
Suando tomo outro banho, por pura recreação
Já não consigo dormir, desde que você partiu,
Com saudade da hora roubada, eta decreto de m....
P.... que o pariu.
Viver a plenitude da liberdade poética e depois
morrer.
847
Diamond
Horário de Verão
Por razão econômica, interesse nacional
Uma porra de decreto, governamental!
Me rouba uma hora de vida,
Pra me devolver, caso eu sobreviva
À chatura daquele horário eleitoral,
Ao calor e ao cupim, que voando
Em squizo zig-zag, me entra pelas ventas
Com a maior intimidade, e nada é pessoal.
Lá pelas horas tantas, em frente à televisão,
Se não faltar energia, essa única diversão,
Suando tomo outro banho, por pura recreação
Já não consigo dormir, desde que você partiu,
Com saudade da hora roubada, eta decreto de m....
P.... que o pariu.
Viver a plenitude da liberdade poética e depois
morrer.
Uma porra de decreto, governamental!
Me rouba uma hora de vida,
Pra me devolver, caso eu sobreviva
À chatura daquele horário eleitoral,
Ao calor e ao cupim, que voando
Em squizo zig-zag, me entra pelas ventas
Com a maior intimidade, e nada é pessoal.
Lá pelas horas tantas, em frente à televisão,
Se não faltar energia, essa única diversão,
Suando tomo outro banho, por pura recreação
Já não consigo dormir, desde que você partiu,
Com saudade da hora roubada, eta decreto de m....
P.... que o pariu.
Viver a plenitude da liberdade poética e depois
morrer.
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