Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Millôr Fernandes
Predestinação
Tinha no nome seu destino líquido: mar, rio e lago.
Pois chamava-se Mário Lago.
Viu a luz sob o signo de Piscis.
Brilhava no céu a constelação de Aquário.
Veio morar no Rio.
Quando discutia, sempre levava um banho.
Pois era um temperamento transbordante.
Sua arte preferida: água-forte.
Seu provérbio predileto: "Quem tem capa, escapa".
Sua piada favorita: "Ser como o rio:
seguir o curso sem deixar o leito".
Pois estudava: engenharia hidráulica.
Quando conheceu uma moça de primeira água.
Foi na onda.
Teve que desistir dos estudos quando
já estava na bica para se formar.
Então arranjou um emprego em Ribeirão das Lajes.
Donde desceu até ser leiteiro.
Encarregado de pôr água no leite.
Ficou noivo e deu à moça uma água marinha.
Mas ela o traiu com um escafandrista.
E fugiu sem dizer água vai.
Foi aquela água.
Desde então ele só vivia na chuva
Virou pau de água.
Portanto, com hidrofobia.
Foi morar numa água furtada.
Deu-lhe água no pulmão.
Rim flutuante.
Água no joelho.
Hidropsia.
Bolha d’água.
Gota.
Catarata.
Morreu afogado.
Pois chamava-se Mário Lago.
Viu a luz sob o signo de Piscis.
Brilhava no céu a constelação de Aquário.
Veio morar no Rio.
Quando discutia, sempre levava um banho.
Pois era um temperamento transbordante.
Sua arte preferida: água-forte.
Seu provérbio predileto: "Quem tem capa, escapa".
Sua piada favorita: "Ser como o rio:
seguir o curso sem deixar o leito".
Pois estudava: engenharia hidráulica.
Quando conheceu uma moça de primeira água.
Foi na onda.
Teve que desistir dos estudos quando
já estava na bica para se formar.
Então arranjou um emprego em Ribeirão das Lajes.
Donde desceu até ser leiteiro.
Encarregado de pôr água no leite.
Ficou noivo e deu à moça uma água marinha.
Mas ela o traiu com um escafandrista.
E fugiu sem dizer água vai.
Foi aquela água.
Desde então ele só vivia na chuva
Virou pau de água.
Portanto, com hidrofobia.
Foi morar numa água furtada.
Deu-lhe água no pulmão.
Rim flutuante.
Água no joelho.
Hidropsia.
Bolha d’água.
Gota.
Catarata.
Morreu afogado.
1 769
Mário Donizete Massari
Cais
O cais é o fim
e o início
chegada e ponto de partida.
Abraça as ondas,
recolhe navios
e retém vez ou outra
pedaços de vida
(uma saudade que fica)
Hoje o mar está calmo
E o cais medita
(penso na vida)
refaço os erros
do dia a dia.
Náufrago das horas
sou como o cais,
da eterna reconstrução
da vida.
Um bem estar me habita.
Sou no cais um
porto seguro
e me sinto forte e íntegro.
e o início
chegada e ponto de partida.
Abraça as ondas,
recolhe navios
e retém vez ou outra
pedaços de vida
(uma saudade que fica)
Hoje o mar está calmo
E o cais medita
(penso na vida)
refaço os erros
do dia a dia.
Náufrago das horas
sou como o cais,
da eterna reconstrução
da vida.
Um bem estar me habita.
Sou no cais um
porto seguro
e me sinto forte e íntegro.
969
Millôr Fernandes
Poesia Escapista
Aqui, onde estamos morando,
O lugar não pode ser mais belo.
São duas colinas e, conseqüentemente,
Um vale. Há um rio. E há um lago.
Doutrinas não há, a não ser as do
"Centro Acadêmico Dom Casmurro".
Mas isso é distante.
De manhã vê-se se o céu está claro
Ou nublado.
Previsões só as sobre o decorrer
(Meteorológico) do dia.
Planos — os de ir a pé ou a cavalo
Para o banho diário.
Os temores locais são poucos:
Se a ponte de madeira fica pronta antes
De São João,
Se o leite chegará para o fornecimento
De manteiga.
Não há estação de rádio.
Alguns benefícios do mundo de 60
Nos chegam pela estrada — penicilina,
Tecidos, matérias plásticas,
Adornos pessoais.
Por milagre, ninguém pede jornais.
Mas as mulheres daqui são bem tratadas
E, felizmente, nada naturais.
Muito prazer de corpo, muito ar.
Luz, água, cavalos, muita vida animal.
Definitiva ligação ao essencial.
Poucos temores, poucos riscos.
Muito pouca aflição:
A China é antiga como antigamente
Não há televisão.
Mas vem, de algum recanto sutil,
A informação
E se planta e cresce insuspeitada
Com outro nome que, traduzido,
Um dia será lido.
Pois é com alegria que o menino
Entra pela casa com um cão,
Seu amigo, seu primeiro grande amigo,
E o apresenta: "Papai, ele se chama Desintegração.
O lugar não pode ser mais belo.
São duas colinas e, conseqüentemente,
Um vale. Há um rio. E há um lago.
Doutrinas não há, a não ser as do
"Centro Acadêmico Dom Casmurro".
Mas isso é distante.
De manhã vê-se se o céu está claro
Ou nublado.
Previsões só as sobre o decorrer
(Meteorológico) do dia.
Planos — os de ir a pé ou a cavalo
Para o banho diário.
Os temores locais são poucos:
Se a ponte de madeira fica pronta antes
De São João,
Se o leite chegará para o fornecimento
De manteiga.
Não há estação de rádio.
Alguns benefícios do mundo de 60
Nos chegam pela estrada — penicilina,
Tecidos, matérias plásticas,
Adornos pessoais.
Por milagre, ninguém pede jornais.
Mas as mulheres daqui são bem tratadas
E, felizmente, nada naturais.
Muito prazer de corpo, muito ar.
Luz, água, cavalos, muita vida animal.
Definitiva ligação ao essencial.
Poucos temores, poucos riscos.
Muito pouca aflição:
A China é antiga como antigamente
Não há televisão.
Mas vem, de algum recanto sutil,
A informação
E se planta e cresce insuspeitada
Com outro nome que, traduzido,
Um dia será lido.
Pois é com alegria que o menino
Entra pela casa com um cão,
Seu amigo, seu primeiro grande amigo,
E o apresenta: "Papai, ele se chama Desintegração.
3 215
Mário Donizete Massari
Memórias II
(à minha mãe)
O tempo passou
e eu nem percebi
Minha mãe rega o velho
jardim,
as flores se renovaram
e eu cresci.
É abril como tantos
outros abris de portas escancaradas
para o futuro
Futuro que neste instante
é o meu presente
Meu peito se agigantou
e guarda tudo o que vivi.
Minha mãe rega o jardim,
acompanho seus movimentos pela [vidraça,
e talvez nem perceba
que já brota do meu peito
uma saudade sem fim.
O tempo passou
e eu nem percebi
Minha mãe rega o velho
jardim,
as flores se renovaram
e eu cresci.
É abril como tantos
outros abris de portas escancaradas
para o futuro
Futuro que neste instante
é o meu presente
Meu peito se agigantou
e guarda tudo o que vivi.
Minha mãe rega o jardim,
acompanho seus movimentos pela [vidraça,
e talvez nem perceba
que já brota do meu peito
uma saudade sem fim.
805
Mário Donizete Massari
Mar
As ondas fogem
e chegam à praia,
mas inconstantes que são,
regressam logo
para o refúgio das
águas.
e chegam à praia,
mas inconstantes que são,
regressam logo
para o refúgio das
águas.
550
Mário Donizete Massari
Figurante
(uma canção)
Tantas palavras não ditas
na vida (fadiga)
o que buscamos está longe
está perto demais
aportado no cais
Buscando verdades me apego
a mentiras
dias desse qualquer dia
me rendo ao que sou
ou serei jamais
Nas mãos o que resta do
grande artefato
plano bordado de coisas errôneas
quase sempre banais
Movimento sereno de um corpo
enrustido de mágoas
lágrimas molham e ferem
o olhar
NÃO PAGAREI OS PECADOS DO [MUNDO
QUERO ANTES UM PORTO SEGURO
NAUFRAGAR MEUS DESEJOS[INCERTOS
ANCORAR MINHA SEDE NO MAR
NÃO SEREI HERÓI DESTE TEMPO
FIGURANTE DE UM SONHO A MAIS
NO CENÁRIO DE EXTREMO[CONFLITO
DESTE CIRCO ARMADO NO AR
Tantos momentos que a gente
descobre
de repente se morre
e ficamos de luto
em pleno verão
No céu desses olhos
o brilho mais forte
fugindo do norte
caímos na angústia
da agreste ilusão
Os filhos nos braços
os braços cansados
lábios cerrados
perderam o brilho e a cor
e o som
NÃO PAGAREI OS PECADOS . . .
Tantas palavras não ditas
na vida (fadiga)
o que buscamos está longe
está perto demais
aportado no cais
Buscando verdades me apego
a mentiras
dias desse qualquer dia
me rendo ao que sou
ou serei jamais
Nas mãos o que resta do
grande artefato
plano bordado de coisas errôneas
quase sempre banais
Movimento sereno de um corpo
enrustido de mágoas
lágrimas molham e ferem
o olhar
NÃO PAGAREI OS PECADOS DO [MUNDO
QUERO ANTES UM PORTO SEGURO
NAUFRAGAR MEUS DESEJOS[INCERTOS
ANCORAR MINHA SEDE NO MAR
NÃO SEREI HERÓI DESTE TEMPO
FIGURANTE DE UM SONHO A MAIS
NO CENÁRIO DE EXTREMO[CONFLITO
DESTE CIRCO ARMADO NO AR
Tantos momentos que a gente
descobre
de repente se morre
e ficamos de luto
em pleno verão
No céu desses olhos
o brilho mais forte
fugindo do norte
caímos na angústia
da agreste ilusão
Os filhos nos braços
os braços cansados
lábios cerrados
perderam o brilho e a cor
e o som
NÃO PAGAREI OS PECADOS . . .
885
Maria do Carmo Barreto Campello de Melo
Lição de Amor
Não te direi de amor
assim como tu queres
pois não se faz o amor, amor existe
e permeia e transcende coração e mente
e dá se dando e dando inteiramente
que despojado é o amor, sem adereços
e a pele é a melhor das vestimentas.
Não te direi
assim como o entendes
mas se eu disser de mim, direi do amor
que há quem não se dando já deu tudo
e visitou a face do teu ser impuro
e adormeceu à sombra dos teus sonhos.
Não
assim como desejas
só que me entrego à noite e ao desespero
e ferida de amor digo teu nome
e ele me cobre como uma vestidura.
assim como tu queres
pois não se faz o amor, amor existe
e permeia e transcende coração e mente
e dá se dando e dando inteiramente
que despojado é o amor, sem adereços
e a pele é a melhor das vestimentas.
Não te direi
assim como o entendes
mas se eu disser de mim, direi do amor
que há quem não se dando já deu tudo
e visitou a face do teu ser impuro
e adormeceu à sombra dos teus sonhos.
Não
assim como desejas
só que me entrego à noite e ao desespero
e ferida de amor digo teu nome
e ele me cobre como uma vestidura.
1 172
Mário Donizete Massari
Alma de menino
Luzes brilham nesse labirinto
dizia o menino:
— Vês as estrelas?
E a noite sorria
vendo a alegria
Dizia o menino:
— Vês as estrelas?
Sim, eu via
dizia o menino
(eu não via)
logo é dia.
Vês as estrelas
e eu sorria
enquanto esperava
chegar outro dia.
dizia o menino:
— Vês as estrelas?
E a noite sorria
vendo a alegria
Dizia o menino:
— Vês as estrelas?
Sim, eu via
dizia o menino
(eu não via)
logo é dia.
Vês as estrelas
e eu sorria
enquanto esperava
chegar outro dia.
923
Mário Donizete Massari
Alma de menino
Luzes brilham nesse labirinto
dizia o menino:
— Vês as estrelas?
E a noite sorria
vendo a alegria
Dizia o menino:
— Vês as estrelas?
Sim, eu via
dizia o menino
(eu não via)
logo é dia.
Vês as estrelas
e eu sorria
enquanto esperava
chegar outro dia.
dizia o menino:
— Vês as estrelas?
E a noite sorria
vendo a alegria
Dizia o menino:
— Vês as estrelas?
Sim, eu via
dizia o menino
(eu não via)
logo é dia.
Vês as estrelas
e eu sorria
enquanto esperava
chegar outro dia.
923
Mário Del Rey
Outono
Esboço do mar
nas gotas de orvalho
ondas secretas
Passam as nuvens
o outono suspira
pelos pinheiros
nas gotas de orvalho
ondas secretas
Passam as nuvens
o outono suspira
pelos pinheiros
1 032
Mário Del Rey
Outono
Esboço do mar
nas gotas de orvalho
ondas secretas
Passam as nuvens
o outono suspira
pelos pinheiros
nas gotas de orvalho
ondas secretas
Passam as nuvens
o outono suspira
pelos pinheiros
1 032
Mário Del Rey
Outono
Esboço do mar
nas gotas de orvalho
ondas secretas
Passam as nuvens
o outono suspira
pelos pinheiros
nas gotas de orvalho
ondas secretas
Passam as nuvens
o outono suspira
pelos pinheiros
1 032
Mário Donizete Massari
Lua
A lua louva
A loura menina
louca
A lavar a louça
É loura a louça
É louca a menina
Lua loura
Louca paixão
da menina
A loura menina
louca
A lavar a louça
É loura a louça
É louca a menina
Lua loura
Louca paixão
da menina
1 079
Mário Donizete Massari
Longa noite curta
O apito de um guarda noturno
O barulho de um cão que ladra à[distância
Um bêbado dizendo asneiras
O grilo entoa seu canto
A coruja desfaz seu encanto
O motor de um carro passando
O vagalume clareia o espaço
A borboleta pousa na flor
Os homens fazem amor
Nessa longa noite curta
Meu pensamento é você
O barulho de um cão que ladra à[distância
Um bêbado dizendo asneiras
O grilo entoa seu canto
A coruja desfaz seu encanto
O motor de um carro passando
O vagalume clareia o espaço
A borboleta pousa na flor
Os homens fazem amor
Nessa longa noite curta
Meu pensamento é você
552
António Manuel Couto Viana
Barcarola
Deseja a noite, primeiro,
Malfazeja, tortuosa.
Este é um canto marinheiro:
Faz do meu pranto um veleiro
E do veleiro uma rosa.
Pela barra de Viana
Foge ao Penedo Ladrão
Uma escuna americana.
A noite, com forma humana,
Traz ondas que nunca vão.
Areia do Cabedelo:
Naufraga a escuna na duna!
Maré cheia em teu cabelo!
É um pássaro amarelo
Cada vela que se enfuna.
Dissolve a noite no mar:
A lua é toda molhada.
Abre-te, voz, devagar...
A escuna é espuma, é luar...
Madrugada! Madrugada!
Malfazeja, tortuosa.
Este é um canto marinheiro:
Faz do meu pranto um veleiro
E do veleiro uma rosa.
Pela barra de Viana
Foge ao Penedo Ladrão
Uma escuna americana.
A noite, com forma humana,
Traz ondas que nunca vão.
Areia do Cabedelo:
Naufraga a escuna na duna!
Maré cheia em teu cabelo!
É um pássaro amarelo
Cada vela que se enfuna.
Dissolve a noite no mar:
A lua é toda molhada.
Abre-te, voz, devagar...
A escuna é espuma, é luar...
Madrugada! Madrugada!
1 426
António Manuel Couto Viana
Barcarola
Deseja a noite, primeiro,
Malfazeja, tortuosa.
Este é um canto marinheiro:
Faz do meu pranto um veleiro
E do veleiro uma rosa.
Pela barra de Viana
Foge ao Penedo Ladrão
Uma escuna americana.
A noite, com forma humana,
Traz ondas que nunca vão.
Areia do Cabedelo:
Naufraga a escuna na duna!
Maré cheia em teu cabelo!
É um pássaro amarelo
Cada vela que se enfuna.
Dissolve a noite no mar:
A lua é toda molhada.
Abre-te, voz, devagar...
A escuna é espuma, é luar...
Madrugada! Madrugada!
Malfazeja, tortuosa.
Este é um canto marinheiro:
Faz do meu pranto um veleiro
E do veleiro uma rosa.
Pela barra de Viana
Foge ao Penedo Ladrão
Uma escuna americana.
A noite, com forma humana,
Traz ondas que nunca vão.
Areia do Cabedelo:
Naufraga a escuna na duna!
Maré cheia em teu cabelo!
É um pássaro amarelo
Cada vela que se enfuna.
Dissolve a noite no mar:
A lua é toda molhada.
Abre-te, voz, devagar...
A escuna é espuma, é luar...
Madrugada! Madrugada!
1 426
António Manuel Couto Viana
Barcarola
Deseja a noite, primeiro,
Malfazeja, tortuosa.
Este é um canto marinheiro:
Faz do meu pranto um veleiro
E do veleiro uma rosa.
Pela barra de Viana
Foge ao Penedo Ladrão
Uma escuna americana.
A noite, com forma humana,
Traz ondas que nunca vão.
Areia do Cabedelo:
Naufraga a escuna na duna!
Maré cheia em teu cabelo!
É um pássaro amarelo
Cada vela que se enfuna.
Dissolve a noite no mar:
A lua é toda molhada.
Abre-te, voz, devagar...
A escuna é espuma, é luar...
Madrugada! Madrugada!
Malfazeja, tortuosa.
Este é um canto marinheiro:
Faz do meu pranto um veleiro
E do veleiro uma rosa.
Pela barra de Viana
Foge ao Penedo Ladrão
Uma escuna americana.
A noite, com forma humana,
Traz ondas que nunca vão.
Areia do Cabedelo:
Naufraga a escuna na duna!
Maré cheia em teu cabelo!
É um pássaro amarelo
Cada vela que se enfuna.
Dissolve a noite no mar:
A lua é toda molhada.
Abre-te, voz, devagar...
A escuna é espuma, é luar...
Madrugada! Madrugada!
1 426
Mário Del Rey
Verão
Asas ao vento
campos de um só verde
pódios de pardais
Um aguaceiro
noite de relâmpagos
ideogramas
campos de um só verde
pódios de pardais
Um aguaceiro
noite de relâmpagos
ideogramas
1 076
Mário Del Rey
Verão
Asas ao vento
campos de um só verde
pódios de pardais
Um aguaceiro
noite de relâmpagos
ideogramas
campos de um só verde
pódios de pardais
Um aguaceiro
noite de relâmpagos
ideogramas
1 076
Mário Del Rey
Verão
Asas ao vento
campos de um só verde
pódios de pardais
Um aguaceiro
noite de relâmpagos
ideogramas
campos de um só verde
pódios de pardais
Um aguaceiro
noite de relâmpagos
ideogramas
1 076
Maria da Costa Lage
Haicai
A chuva a descer,
como tristeza fininha,
vai filtrando o ser.
A bola batida
no pingue-pongue estonteia,
assim como a vida.
como tristeza fininha,
vai filtrando o ser.
A bola batida
no pingue-pongue estonteia,
assim como a vida.
921
Mário Donizete Massari
Canavial
É MADRUGADA
Os canaviais vicejantes
esperam os braços
dos trabalhadores
os podões afiados
que decepam até
esperanças
Saio à rua,
meu itinerário é outro
Distingo vultos,
que se reúnem
às portas dos bares.
Não são os remanescentes
de um dia de carnaval,
não vestem alegorias.
São os braços que
ceifarão a cana
Estão todos quietos,
passo por eles no
meu itinerário e
uma dor profunda
me alcança
Uma dor madura
com sabor de caldo de cana
Os canaviais vicejantes
esperam os braços
dos trabalhadores
os podões afiados
que decepam até
esperanças
Saio à rua,
meu itinerário é outro
Distingo vultos,
que se reúnem
às portas dos bares.
Não são os remanescentes
de um dia de carnaval,
não vestem alegorias.
São os braços que
ceifarão a cana
Estão todos quietos,
passo por eles no
meu itinerário e
uma dor profunda
me alcança
Uma dor madura
com sabor de caldo de cana
920
Mário Donizete Massari
Inverno
Ao amigo e poeta Américo Rosário
Dia frio
Dia quente
hoje nevou, e em meu peito
a chama está acesa.
Dia frio
Dia quente
a mensagem trouxe-ma o vento
"alerta companheiro
abra o peito, mas não se mostre
nem busque abrigo de deuses"
E esse dia frio
dia de ficar à beira do fogão de lenha
mãos gélidas, esquentá-las
guarnecê-las de sonhos.
Dia frio
Dia quente
hoje nevou, e em meu peito
a chama está acesa.
Dia frio
Dia quente
a mensagem trouxe-ma o vento
"alerta companheiro
abra o peito, mas não se mostre
nem busque abrigo de deuses"
E esse dia frio
dia de ficar à beira do fogão de lenha
mãos gélidas, esquentá-las
guarnecê-las de sonhos.
891
Mário Donizete Massari
Inverno
Ao amigo e poeta Américo Rosário
Dia frio
Dia quente
hoje nevou, e em meu peito
a chama está acesa.
Dia frio
Dia quente
a mensagem trouxe-ma o vento
"alerta companheiro
abra o peito, mas não se mostre
nem busque abrigo de deuses"
E esse dia frio
dia de ficar à beira do fogão de lenha
mãos gélidas, esquentá-las
guarnecê-las de sonhos.
Dia frio
Dia quente
hoje nevou, e em meu peito
a chama está acesa.
Dia frio
Dia quente
a mensagem trouxe-ma o vento
"alerta companheiro
abra o peito, mas não se mostre
nem busque abrigo de deuses"
E esse dia frio
dia de ficar à beira do fogão de lenha
mãos gélidas, esquentá-las
guarnecê-las de sonhos.
891