Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Mário Del Rey
Verão
Asas ao vento
campos de um só verde
pódios de pardais
Um aguaceiro
noite de relâmpagos
ideogramas
campos de um só verde
pódios de pardais
Um aguaceiro
noite de relâmpagos
ideogramas
1 076
Mário Del Rey
Verão
Asas ao vento
campos de um só verde
pódios de pardais
Um aguaceiro
noite de relâmpagos
ideogramas
campos de um só verde
pódios de pardais
Um aguaceiro
noite de relâmpagos
ideogramas
1 076
Mário Del Rey
Verão
Asas ao vento
campos de um só verde
pódios de pardais
Um aguaceiro
noite de relâmpagos
ideogramas
campos de um só verde
pódios de pardais
Um aguaceiro
noite de relâmpagos
ideogramas
1 076
Mário Del Rey
Outono
Esboço do mar
nas gotas de orvalho
ondas secretas
Passam as nuvens
o outono suspira
pelos pinheiros
nas gotas de orvalho
ondas secretas
Passam as nuvens
o outono suspira
pelos pinheiros
1 030
Mário Del Rey
Outono
Esboço do mar
nas gotas de orvalho
ondas secretas
Passam as nuvens
o outono suspira
pelos pinheiros
nas gotas de orvalho
ondas secretas
Passam as nuvens
o outono suspira
pelos pinheiros
1 030
Mário Del Rey
Outono
Esboço do mar
nas gotas de orvalho
ondas secretas
Passam as nuvens
o outono suspira
pelos pinheiros
nas gotas de orvalho
ondas secretas
Passam as nuvens
o outono suspira
pelos pinheiros
1 030
Marta Gonçalves
Mar Interior
O veleiro se perde no mar. No mastro,
cicatrizes do rosto. Espero a maré.
A volta da vela branca purificando
os olhos.
No horizonte o azul estagnado.
A ternura do tempo das amêndoas.
O beijo ficou além da geografia
e crucificou o lábio seco.
Sou marinheira do cansaço, da aceitação.
O desamor toma conta do mar interior.
Salgo a retina na água verde. O vazio
contorna os dedos. Dedos esquecidos do calor.
O que existe além dos nossos olhos?
Uma flor branca esperando o branco dente.
O exílio se alonga e a vida é cardume.
Há de chegar o vento. A imensidão dos anos.
Pouso da terra.
cicatrizes do rosto. Espero a maré.
A volta da vela branca purificando
os olhos.
No horizonte o azul estagnado.
A ternura do tempo das amêndoas.
O beijo ficou além da geografia
e crucificou o lábio seco.
Sou marinheira do cansaço, da aceitação.
O desamor toma conta do mar interior.
Salgo a retina na água verde. O vazio
contorna os dedos. Dedos esquecidos do calor.
O que existe além dos nossos olhos?
Uma flor branca esperando o branco dente.
O exílio se alonga e a vida é cardume.
Há de chegar o vento. A imensidão dos anos.
Pouso da terra.
1 181
Maurício Batarce
A Sonata do Amor
Na noite opaca do luar
Tento imaginar você.
Seus sentimentos me vêm
E sua alma cristalina
Exala de seu corpo
Por onde navego delirante.
Minhas palavras ante - românticas
Não são nada para seus gestos romanescos.
Ao som de um piano
Com flauta ao fundo
Imagino-lhe caminhando nas notas.
O dedo que corre ao piano
Toca-lhe sensivelmente
E o romantismo da flauta
Penetra em seu interior.
Música sai de seus lábios em sussurros...
O resplandecer do sol
E a beleza do crepúsculo
Não são mais belos que a música de seus lábios
Você é o sopro de vida do mundo...
Tento imaginar você.
Seus sentimentos me vêm
E sua alma cristalina
Exala de seu corpo
Por onde navego delirante.
Minhas palavras ante - românticas
Não são nada para seus gestos romanescos.
Ao som de um piano
Com flauta ao fundo
Imagino-lhe caminhando nas notas.
O dedo que corre ao piano
Toca-lhe sensivelmente
E o romantismo da flauta
Penetra em seu interior.
Música sai de seus lábios em sussurros...
O resplandecer do sol
E a beleza do crepúsculo
Não são mais belos que a música de seus lábios
Você é o sopro de vida do mundo...
1 050
Marta Gonçalves
Itinerário
O anjo de gesso conhece minha alma.
Está marcando o lado esquerdo do peito.
O anjo de gesso assombra as asas e chove no rosto.
O anjo sabe das nuvens.
Folhas amarelas e o vento cobrem o gesso do anjo
no jardim do tempo.
No domingo, o anjo se esfacelou na margem do rio.
Fiquei olhando as andorinhas. Lavei o rosto no chafariz.
Já se fazem luas. Coberta de cera, preparo a terra.
Está marcando o lado esquerdo do peito.
O anjo de gesso assombra as asas e chove no rosto.
O anjo sabe das nuvens.
Folhas amarelas e o vento cobrem o gesso do anjo
no jardim do tempo.
No domingo, o anjo se esfacelou na margem do rio.
Fiquei olhando as andorinhas. Lavei o rosto no chafariz.
Já se fazem luas. Coberta de cera, preparo a terra.
1 087
Sérgio Mattos
Pancada Grande
Refúgio de andorinhas,
a cachoeira da Pancada Grande,
como um véu sagrado,
protegeu o casal enamorado,
selando um compromisso
mágico, colorido e acalorado.
Sob a força da água corrente
ouvi as três pancadas
da cachoeira, marcando o compasso
das batidas dos corações.
Batidas aceleradas,
cheias de vida e ação,
buscando preencher os espaços,
físico e espiritual,
num verdadeiro ritual,
criando elos de aço
que não podem ser rompidos
nem corrompidos.
— O elo une amizade, sentimentos,
alegrias, sofrimentos
e experiências de vidas passadas.
a cachoeira da Pancada Grande,
como um véu sagrado,
protegeu o casal enamorado,
selando um compromisso
mágico, colorido e acalorado.
Sob a força da água corrente
ouvi as três pancadas
da cachoeira, marcando o compasso
das batidas dos corações.
Batidas aceleradas,
cheias de vida e ação,
buscando preencher os espaços,
físico e espiritual,
num verdadeiro ritual,
criando elos de aço
que não podem ser rompidos
nem corrompidos.
— O elo une amizade, sentimentos,
alegrias, sofrimentos
e experiências de vidas passadas.
859
Marta Gonçalves
Papoula Vermelha
Há muito meu canto corta laços
das mulheres vestidas de negro.
Querem a morte da palavra. Tenho dedos
que sonham e guardam o vento na janela.
Há muito olho a árvore e beijo seu ovário.
O pássaro aninha no galho. Desce o canto na varanda.
Cresce o olho amarelo das mulheres vestidas de negro.
Benzo minha alma e arranco a seiva das montanhas.
No vale cavalos lilases trazem o perfume do verão.
O cheiro do corpo é alfazema umedecendo lábios.
Há muito as mulheres de negro me espiam.
Tenho nas mãos uma papoula vermelha e dentro dela
o sol.
das mulheres vestidas de negro.
Querem a morte da palavra. Tenho dedos
que sonham e guardam o vento na janela.
Há muito olho a árvore e beijo seu ovário.
O pássaro aninha no galho. Desce o canto na varanda.
Cresce o olho amarelo das mulheres vestidas de negro.
Benzo minha alma e arranco a seiva das montanhas.
No vale cavalos lilases trazem o perfume do verão.
O cheiro do corpo é alfazema umedecendo lábios.
Há muito as mulheres de negro me espiam.
Tenho nas mãos uma papoula vermelha e dentro dela
o sol.
1 262
Marta Gonçalves
O Casaco de Murilo Mendes
São dez horas e este relógio eterno,
vindo de meus avós, bate o mofo do tempo.
O cristal enfeita a mesa e quadros vestem
de linho as paredes. São dez horas de continuidade
de vida. Respiro a alfazema das magnólias. É julho.
Nada importa se dormes em porto distante.
Quero revelar a rotação da alma. Esta alma
aguarda o perfume, a visitação azul da poesia.
Será o relógio que desfaz o silêncio na noite?
Um vulto longo, com brancura nas mãos, veste um casaco
europeu. Me olha como um rebanho de carneiros.
As camélias estão amarelas. Foram meus dedos.
A libertação está na palavra. Elas apartam
a forma que fui. Liberto as tâmaras do tempo.
O vulto me olha e põe poesia solferina em meus dedos.
A sala fica iluminada. O vulto de casaco europeu coloca
o Cometa de Halley em cima da cristaleira. Sorri:
- Escuta, no fim da tarde, o piano de Mariinha.
A poesia chega no vento.
Ela é como o Cometa de Halley.
vindo de meus avós, bate o mofo do tempo.
O cristal enfeita a mesa e quadros vestem
de linho as paredes. São dez horas de continuidade
de vida. Respiro a alfazema das magnólias. É julho.
Nada importa se dormes em porto distante.
Quero revelar a rotação da alma. Esta alma
aguarda o perfume, a visitação azul da poesia.
Será o relógio que desfaz o silêncio na noite?
Um vulto longo, com brancura nas mãos, veste um casaco
europeu. Me olha como um rebanho de carneiros.
As camélias estão amarelas. Foram meus dedos.
A libertação está na palavra. Elas apartam
a forma que fui. Liberto as tâmaras do tempo.
O vulto me olha e põe poesia solferina em meus dedos.
A sala fica iluminada. O vulto de casaco europeu coloca
o Cometa de Halley em cima da cristaleira. Sorri:
- Escuta, no fim da tarde, o piano de Mariinha.
A poesia chega no vento.
Ela é como o Cometa de Halley.
1 058
Marta Gonçalves
Nuvens Brancas
Cavalos vermelhos voam no espaço
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
1 006
Marta Gonçalves
O Adeus de Pituca
Pituca chegou como uma semente de sol. Era mansa, peluda. Os olhos, de ferrugem. Crescia Pituca nas manhãs de chuva. Crescia o riso nos lábios de Gerlanda. Tantas foram as gracinhas de Pituca. Conhecia as mãos de sua dona, o coração, a lágrima. Se a alma era cinza de Gerlanda, a de Pituca suspirava pelos cantos da casa. Havia um olhar sofrido no olho amarelo de Pituca vendo os sonhos desfeitos de sua dona. Pituca amava. Ouvia música. Imaginava um mundo melhor navegado de cardumes vermelhos. Andava claudicando e arranhava as portas. Pituca era a estrela de mercúrio. Pássaro sem asas, borboleta marrom na janela. Carinhos, conversas no adentrado da noite. Companheira de um tempo perdido. O biscoito mordido, brinquedo de Pituca. Segredos marcados no ponteiro do relógio. A melodia do fim amanhou a doença. O amor era verde no coração de Pituca. Amor que só os cães trazem no afago. Gerlanda guardava na concha das mãos o choro, o latido, o andar, o riso, o pelo de Pituca. Foram idades, aniversários, Natais, Pituca.
Abril mês charmoso, cativante. Mês de flores, quaresmeiras, ipês amarelos. Mês em que o sol aquece a face e banha de alfazema a pele. Mês escolhido para a canção de despedida. Em abril Pituca se foi ao país dos duendes. Deixou lembranças, um choro doído, um aperto no coração de Gerlanda. Anjinhos lilases tocavam blues e Pituca levava no corpo o mundo de Gerlanda.
No inverno o vento traz o choro vestido de ausência.
Pituca habita uma estrela azul e sonha
com Gerlanda.
Abril mês charmoso, cativante. Mês de flores, quaresmeiras, ipês amarelos. Mês em que o sol aquece a face e banha de alfazema a pele. Mês escolhido para a canção de despedida. Em abril Pituca se foi ao país dos duendes. Deixou lembranças, um choro doído, um aperto no coração de Gerlanda. Anjinhos lilases tocavam blues e Pituca levava no corpo o mundo de Gerlanda.
No inverno o vento traz o choro vestido de ausência.
Pituca habita uma estrela azul e sonha
com Gerlanda.
1 191
Marta Gonçalves
Somos Poucos no Mar
Estamos apanhando mariscos nas pedras
água verde vai e vem jogando espuma.
Gaivotas voam, bicam peixes.
Somos poucos, quase nada na imensidão
humana.
Nossos corpos vestem roupas diferentes.
Enfeitamos os pêlos e músculos.
O choro sai das unhas
mas temos asas para fugir dos abismos.
água verde vai e vem jogando espuma.
Gaivotas voam, bicam peixes.
Somos poucos, quase nada na imensidão
humana.
Nossos corpos vestem roupas diferentes.
Enfeitamos os pêlos e músculos.
O choro sai das unhas
mas temos asas para fugir dos abismos.
971
Marta Gonçalves
Imagem
Vestida de branco, olho borboletas
voando flores vermelhas do jardim:
lagarta na folha do antúrio.
Há alguém na nuvem despertando o cansaço
das mãos.
voando flores vermelhas do jardim:
lagarta na folha do antúrio.
Há alguém na nuvem despertando o cansaço
das mãos.
1 105
Marta Gonçalves
Imagem
Vestida de branco, olho borboletas
voando flores vermelhas do jardim:
lagarta na folha do antúrio.
Há alguém na nuvem despertando o cansaço
das mãos.
voando flores vermelhas do jardim:
lagarta na folha do antúrio.
Há alguém na nuvem despertando o cansaço
das mãos.
1 105
Marta Gonçalves
Homens de Lã
Todos os limites planaram
na linha do infinito. Descobrirei
o segredo das sementes, a calma
de suas raízes. O peixe, o barco
no mar. Anjos mergulhando sorrisos
no rosto. Terra orvalhada de chuva.
Montanhas vasando imagens do vento.
Antes da queda do poeta,
carneiros não deixarão os homens
roubar a lã.
na linha do infinito. Descobrirei
o segredo das sementes, a calma
de suas raízes. O peixe, o barco
no mar. Anjos mergulhando sorrisos
no rosto. Terra orvalhada de chuva.
Montanhas vasando imagens do vento.
Antes da queda do poeta,
carneiros não deixarão os homens
roubar a lã.
755
Marta Gonçalves
Homens de Lã
Todos os limites planaram
na linha do infinito. Descobrirei
o segredo das sementes, a calma
de suas raízes. O peixe, o barco
no mar. Anjos mergulhando sorrisos
no rosto. Terra orvalhada de chuva.
Montanhas vasando imagens do vento.
Antes da queda do poeta,
carneiros não deixarão os homens
roubar a lã.
na linha do infinito. Descobrirei
o segredo das sementes, a calma
de suas raízes. O peixe, o barco
no mar. Anjos mergulhando sorrisos
no rosto. Terra orvalhada de chuva.
Montanhas vasando imagens do vento.
Antes da queda do poeta,
carneiros não deixarão os homens
roubar a lã.
755
Marta Gonçalves
Homens de Lã
Todos os limites planaram
na linha do infinito. Descobrirei
o segredo das sementes, a calma
de suas raízes. O peixe, o barco
no mar. Anjos mergulhando sorrisos
no rosto. Terra orvalhada de chuva.
Montanhas vasando imagens do vento.
Antes da queda do poeta,
carneiros não deixarão os homens
roubar a lã.
na linha do infinito. Descobrirei
o segredo das sementes, a calma
de suas raízes. O peixe, o barco
no mar. Anjos mergulhando sorrisos
no rosto. Terra orvalhada de chuva.
Montanhas vasando imagens do vento.
Antes da queda do poeta,
carneiros não deixarão os homens
roubar a lã.
755
Marta Gonçalves
O vento nas Folhas
Converso com o tamarindo e escuto
o vento nas folhas.
A palavra cobre a terra, cobre
as mãos inquietas. A idade é remota.
Longe ficaram as sementes.
A idade cega os olhos e invade a morte.
Não tenho o sono do limbo. O muro nasce
a erva no pôr-do-sol. A árvore vem do tempo
das águas e traz a maresia dos cardumes.
O silêncio das nascentes guarda a lonjura
da canção. O mesmo silêncio no verde pinheiro.
O verso perdeu o sol. Quero falar da criança
da rosa do último adeus da velha casa.
Sombras habitam o âmago do texto.
Converso com o tamarindo a história da alma.
A alma se esqueceu das estrelas. O medo
das confissões e o desespero da fala abrigam
um século de vida nos dedos nodosos de sonhos.
o vento nas folhas.
A palavra cobre a terra, cobre
as mãos inquietas. A idade é remota.
Longe ficaram as sementes.
A idade cega os olhos e invade a morte.
Não tenho o sono do limbo. O muro nasce
a erva no pôr-do-sol. A árvore vem do tempo
das águas e traz a maresia dos cardumes.
O silêncio das nascentes guarda a lonjura
da canção. O mesmo silêncio no verde pinheiro.
O verso perdeu o sol. Quero falar da criança
da rosa do último adeus da velha casa.
Sombras habitam o âmago do texto.
Converso com o tamarindo a história da alma.
A alma se esqueceu das estrelas. O medo
das confissões e o desespero da fala abrigam
um século de vida nos dedos nodosos de sonhos.
1 082
Maurício Uzêda
Terra Mulher
Vejo a terra em fruto e flor
Qual menina sempre virgem
A se entregar por amor
Deixando-se tocar e marcar
Tudo enchendo de vida e de cor
Se abrindo num abraço fecundo
Vertendo sua dor e sua alegria
Na lágrima corrente dos rios
No suor que encontro no orvalho
Assim ela vive
Mulher
Qual menina sempre virgem
A se entregar por amor
Deixando-se tocar e marcar
Tudo enchendo de vida e de cor
Se abrindo num abraço fecundo
Vertendo sua dor e sua alegria
Na lágrima corrente dos rios
No suor que encontro no orvalho
Assim ela vive
Mulher
944
Marta Gonçalves
Seis Cantos Para Zobeide
I
Na ilha, agapantos lilases partiam o corpo dormido no linear da manhã. A água batia nas pedras. Papagaios povoavam nuvens. Rostos idos com círios levavam louros. A videira esperava o fim da procissão.
II
Vestia de anjo em azul opaco. Pastilhas Valda no timbre da voz. A grinalda em Maria, rostos no altar. Balas de amêndoas. Balas de amêndoas.
III
Matizes da terra no linho formando flores. Flores bordadas no jogo sutil das mãos. Na mesa, a toalha, o ciclo, o desafio à vida. Cavalos de ferrugem arrastavam o corpo. Brancas as paredes e havia portas e janelas.
IV
O assobio chegava quando as nuvens desenhavam o céu. Dinossauros soterrados. Melodia é riso no lábio. Bicicletas vermelhas desciani a rua. A música de um tempo sem tempo. A canção de Zobeide ficou nos pés. No cisco do olho. A embarcação, a vela branca, levaram o azinhavre do piano. Faz silêncio na rua à direita.
V
As flores se vão sem sofrimentos. Fenecem ao oxigênio. O pássaro dorme no relâmpago. Foram calendários, a lágrima na face. O corvo espiava na cumeeira, escondia a luz da tarde. Na Matriz, gritavam teu nome. Era maio. Eram dálias amarelas. Tua roupa azul opaco. A grinalda. Maria. Amêndoas.
VI
Marinheiros vieram de Aldebarã, ungiram os olhos. Douraram o pente nos cabelos. Banharam as pálpebras com malva e fecharam o sol nas mãos. A quilha de açafrão esperava o óleo dos ossos. A cal da tarde marcou a eternidade. Vieram gralhas, o sino. Uma chuva de mariscos nos olhos. Escutei na pedra a voz de teus cantores dormindo o sono. Havia sementes de gergelim. Havia pergaminho nos olhos. O pássaro levando o adeus de maio.
Zobeide Gonçalves de Castro
08/06/1932 - 12/05/1996
O carínho de tua írmã poeta.
Na ilha, agapantos lilases partiam o corpo dormido no linear da manhã. A água batia nas pedras. Papagaios povoavam nuvens. Rostos idos com círios levavam louros. A videira esperava o fim da procissão.
II
Vestia de anjo em azul opaco. Pastilhas Valda no timbre da voz. A grinalda em Maria, rostos no altar. Balas de amêndoas. Balas de amêndoas.
III
Matizes da terra no linho formando flores. Flores bordadas no jogo sutil das mãos. Na mesa, a toalha, o ciclo, o desafio à vida. Cavalos de ferrugem arrastavam o corpo. Brancas as paredes e havia portas e janelas.
IV
O assobio chegava quando as nuvens desenhavam o céu. Dinossauros soterrados. Melodia é riso no lábio. Bicicletas vermelhas desciani a rua. A música de um tempo sem tempo. A canção de Zobeide ficou nos pés. No cisco do olho. A embarcação, a vela branca, levaram o azinhavre do piano. Faz silêncio na rua à direita.
V
As flores se vão sem sofrimentos. Fenecem ao oxigênio. O pássaro dorme no relâmpago. Foram calendários, a lágrima na face. O corvo espiava na cumeeira, escondia a luz da tarde. Na Matriz, gritavam teu nome. Era maio. Eram dálias amarelas. Tua roupa azul opaco. A grinalda. Maria. Amêndoas.
VI
Marinheiros vieram de Aldebarã, ungiram os olhos. Douraram o pente nos cabelos. Banharam as pálpebras com malva e fecharam o sol nas mãos. A quilha de açafrão esperava o óleo dos ossos. A cal da tarde marcou a eternidade. Vieram gralhas, o sino. Uma chuva de mariscos nos olhos. Escutei na pedra a voz de teus cantores dormindo o sono. Havia sementes de gergelim. Havia pergaminho nos olhos. O pássaro levando o adeus de maio.
Zobeide Gonçalves de Castro
08/06/1932 - 12/05/1996
O carínho de tua írmã poeta.
916
Marta Gonçalves
Cantata Para Francisco Carvalho
O mar aquece a palma da mão e verdeia a alma.
Singro a água com sentido na barca. Orquídeas
no mastro trazem a força das palavras. Girassóis.
O que somos está nos dedos. Plantamos o trigo e escutamos
o vento. São crônicas das raízes amanhando faces no sono.
Marejamos distância e velamos o arco-íris na praia.
A noite sopra o mistério do Ceará. O som do atabaque
acorda os lábios. O poeta prepara a alquimia. O galope
do Pégaso ronda montanhas e cobre de borboletas a túnica
dos serafins.
Francisco Carvalho compõe sonatas leves como asas de pássaros.
O homem dorme ao som da música. O Aquilão chega, o barco à deriva.
Punhais sangram anjos maus no fim da lua.
O sol nasce, crescem pombas. O poeta veleja imagens e coloca
tâmaras em meus olhos. Sinto a cor da poesia nos poros. Banho
de eucalipto o leito. A chuva é o bálsamo do homem.
Canto o poeta que desfolha nuvens nos dentes:
vive no pêndulo do relógio de Minas. Amadurecendo uvas.
Singro a água com sentido na barca. Orquídeas
no mastro trazem a força das palavras. Girassóis.
O que somos está nos dedos. Plantamos o trigo e escutamos
o vento. São crônicas das raízes amanhando faces no sono.
Marejamos distância e velamos o arco-íris na praia.
A noite sopra o mistério do Ceará. O som do atabaque
acorda os lábios. O poeta prepara a alquimia. O galope
do Pégaso ronda montanhas e cobre de borboletas a túnica
dos serafins.
Francisco Carvalho compõe sonatas leves como asas de pássaros.
O homem dorme ao som da música. O Aquilão chega, o barco à deriva.
Punhais sangram anjos maus no fim da lua.
O sol nasce, crescem pombas. O poeta veleja imagens e coloca
tâmaras em meus olhos. Sinto a cor da poesia nos poros. Banho
de eucalipto o leito. A chuva é o bálsamo do homem.
Canto o poeta que desfolha nuvens nos dentes:
vive no pêndulo do relógio de Minas. Amadurecendo uvas.
1 041