Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Douglas Eden Brotto
Primavera
No galpão, o ferreiro
descansa ao malho, ao canto,
rival, da araponga!...
Penumbra nos bosques
onde escachoam os riachos...
Ah... a primavera...
descansa ao malho, ao canto,
rival, da araponga!...
Penumbra nos bosques
onde escachoam os riachos...
Ah... a primavera...
1 054
Douglas Eden Brotto
Primavera
No galpão, o ferreiro
descansa ao malho, ao canto,
rival, da araponga!...
Penumbra nos bosques
onde escachoam os riachos...
Ah... a primavera...
descansa ao malho, ao canto,
rival, da araponga!...
Penumbra nos bosques
onde escachoam os riachos...
Ah... a primavera...
1 054
Eliane Pantoja Vaidya
Não, sobretudo
Homenagem a Camille Paglia
Não, sobretudo
não digas
que a natureza é bela.
O que chamas natureza
é apenas
a casca do planeta
Arranhada esta casca
ela nos remete
a um mundo ignoto
colossal
estupendo
bárbaro
A natureza é leão
que rasga a presa.
Não, sobretudo
não digas
que a natureza é bela.
O que chamas natureza
é apenas
a casca do planeta
Arranhada esta casca
ela nos remete
a um mundo ignoto
colossal
estupendo
bárbaro
A natureza é leão
que rasga a presa.
919
Elisa Sayeg
Visita
Santa Alva trazia no peito
Um mártir de flores bordadas.
O veículo da noite a trazia
Da estrela fosforescente.
De repente voltava a brilhar
O coágulo precioso do peito
Como sopram na primavera
Os perfumes do campo.
Um mártir de flores bordadas.
O veículo da noite a trazia
Da estrela fosforescente.
De repente voltava a brilhar
O coágulo precioso do peito
Como sopram na primavera
Os perfumes do campo.
939
Eduardo Bacelar
Noites em Claro
Meia noite e o telefone não tocou,
A noite inteira já acabou.
Quem quisesse poderia ter me encontrado.
Se quisessem....
22 e passam das 4
Muito cedo para acordar,
Muito tarde para dormir.
Mas sempre posso escrever
Como faço agora,
Como não tenho nada mais a fazer,
Quero tanto
E tão pouco…
A noite é minha amiga.
Amiga cruel de minha solidão,
De minhas paixões não correspondidas,
De minha vida não vivida.
No silêncio e na escuridão,
Tudo parece possível,
Meus sonhos e pesadelos
São reais e estão vivos.
A medida que escrevo
O tempo passa,
Alheio a tudo.
Obstinado como já fui.
Quando procuro minha cama,
Já sentindo o peso de meus pensamentos,
Minha janela está como passei a noite.
Em claro.
A noite inteira já acabou.
Quem quisesse poderia ter me encontrado.
Se quisessem....
22 e passam das 4
Muito cedo para acordar,
Muito tarde para dormir.
Mas sempre posso escrever
Como faço agora,
Como não tenho nada mais a fazer,
Quero tanto
E tão pouco…
A noite é minha amiga.
Amiga cruel de minha solidão,
De minhas paixões não correspondidas,
De minha vida não vivida.
No silêncio e na escuridão,
Tudo parece possível,
Meus sonhos e pesadelos
São reais e estão vivos.
A medida que escrevo
O tempo passa,
Alheio a tudo.
Obstinado como já fui.
Quando procuro minha cama,
Já sentindo o peso de meus pensamentos,
Minha janela está como passei a noite.
Em claro.
585
Douglas Eden Brotto
Verão
Noite quente... pela
manhã, junto à lanterna
asas de cupim...
Zum-zum dos moscardos...
Ah... as flores amarelas
do maracujá!
manhã, junto à lanterna
asas de cupim...
Zum-zum dos moscardos...
Ah... as flores amarelas
do maracujá!
988
Douglas Eden Brotto
Verão
Noite quente... pela
manhã, junto à lanterna
asas de cupim...
Zum-zum dos moscardos...
Ah... as flores amarelas
do maracujá!
manhã, junto à lanterna
asas de cupim...
Zum-zum dos moscardos...
Ah... as flores amarelas
do maracujá!
988
Douglas Eden Brotto
Verão
Noite quente... pela
manhã, junto à lanterna
asas de cupim...
Zum-zum dos moscardos...
Ah... as flores amarelas
do maracujá!
manhã, junto à lanterna
asas de cupim...
Zum-zum dos moscardos...
Ah... as flores amarelas
do maracujá!
988
Eleonora Marsiaj
Haicai
agitação da mente
Na água turva
movimento incessante
Limpidez enfim
primavera
Pingos cantantes
Tapete azulado
Flor d’ipê-roxo
Na água turva
movimento incessante
Limpidez enfim
primavera
Pingos cantantes
Tapete azulado
Flor d’ipê-roxo
1 174
Eleonora Marsiaj
Haicai
agitação da mente
Na água turva
movimento incessante
Limpidez enfim
primavera
Pingos cantantes
Tapete azulado
Flor d’ipê-roxo
Na água turva
movimento incessante
Limpidez enfim
primavera
Pingos cantantes
Tapete azulado
Flor d’ipê-roxo
1 174
Elisa Lucinda
Au Gratin
Fumo um cigarro fino
Como um palito
O calor do Rio é ridículo
Calor de chuva enrustida
Calor do céu oprimido
De inferno mar resolvido
Que não sabe se queima esse cara
Ou o assa ao ponto
Um calor filho da puta
Um calor de estufa
E eu sem nem ser judia
Sofro aos pouquinhos
Sofro esse zé pagodinho
Ardo nesse pecado que não cometi
Nesse forno onde me meti
Por uma apimentada dica
De um nordestino
Que me mostrou uma placa citada, tinhosa:
"CIDADE MARAVILHOSA"
Eu vim.
Como um palito
O calor do Rio é ridículo
Calor de chuva enrustida
Calor do céu oprimido
De inferno mar resolvido
Que não sabe se queima esse cara
Ou o assa ao ponto
Um calor filho da puta
Um calor de estufa
E eu sem nem ser judia
Sofro aos pouquinhos
Sofro esse zé pagodinho
Ardo nesse pecado que não cometi
Nesse forno onde me meti
Por uma apimentada dica
De um nordestino
Que me mostrou uma placa citada, tinhosa:
"CIDADE MARAVILHOSA"
Eu vim.
2 061
Emílio Burlamaqui
Um Tema
[Lá vai o grande rio
[Solene como uma procissão.
[Roçando florestas e rochas,
[Seu manto se alastra, se alonga
[E, qual pálio de rei antigo,
[Passa em lento e grave desfile.
[Sua essência: a água.
[Seu estado: o movimento.
[Mas, chegará um ponto de sua caminhada
[Em que o movimento lhe será retirado.
[Esse termo estará no seu encontro com o mar.
[O caráter essencial de água persistirá.
[No entanto — imóvel — como rio se findará.
[Deixou de existir o rio? Sim.
[Passou a inexistir a água? Não.
[A água se integrou no seu mar.
[Vamos ao homem, ser de índole tão andante,
[Esse rio humano que afronta a natureza,
[E rege, com maestria idêntica,
[Violinos e canhões, salmos e prantos.
[Pêndulo oscilante entre o nefando e o sublime.
[E lá vai o homem, inquieto, aflito,
[Em marcha desordenada
[Buscando o que não alcançará.
[Sua essência: a alma.
[Seu estado: o movimento.
[Sobreviverá o ansejo inelutável
[Em que o movimento que lhe era inerente
[Se converterá em estagnação.
[Sua essência, a alma, esta remanescerá.
[Não obstante — inerte — o homem já não será.
[Deixou de existir o homem? Sim.
[Passou a inexistir a alma? Não.
[A alma terá encontrado seu mar.
[Solene como uma procissão.
[Roçando florestas e rochas,
[Seu manto se alastra, se alonga
[E, qual pálio de rei antigo,
[Passa em lento e grave desfile.
[Sua essência: a água.
[Seu estado: o movimento.
[Mas, chegará um ponto de sua caminhada
[Em que o movimento lhe será retirado.
[Esse termo estará no seu encontro com o mar.
[O caráter essencial de água persistirá.
[No entanto — imóvel — como rio se findará.
[Deixou de existir o rio? Sim.
[Passou a inexistir a água? Não.
[A água se integrou no seu mar.
[Vamos ao homem, ser de índole tão andante,
[Esse rio humano que afronta a natureza,
[E rege, com maestria idêntica,
[Violinos e canhões, salmos e prantos.
[Pêndulo oscilante entre o nefando e o sublime.
[E lá vai o homem, inquieto, aflito,
[Em marcha desordenada
[Buscando o que não alcançará.
[Sua essência: a alma.
[Seu estado: o movimento.
[Sobreviverá o ansejo inelutável
[Em que o movimento que lhe era inerente
[Se converterá em estagnação.
[Sua essência, a alma, esta remanescerá.
[Não obstante — inerte — o homem já não será.
[Deixou de existir o homem? Sim.
[Passou a inexistir a alma? Não.
[A alma terá encontrado seu mar.
899
Emílio Moura
Calmaria
Água estagnada
nuvem parada,
folha perdida,
pássaro de asa
partida.
¾ Ó vento que morreis,
de leve, de leve,
despertai!
Luz que se apaga,
sombra diluída,
névoa que vaga,
voz que se cala,
ferida.
¾ Ó voz que adormeceis
de manso, de manso,
gritai, gritai!
Tímida esperança,
pálido desejo:
a tarde tão mansa,
tão lânguida a noite
que vem.
¾ Ó alma náufraga,
como tudo o mais:
desesperai!
nuvem parada,
folha perdida,
pássaro de asa
partida.
¾ Ó vento que morreis,
de leve, de leve,
despertai!
Luz que se apaga,
sombra diluída,
névoa que vaga,
voz que se cala,
ferida.
¾ Ó voz que adormeceis
de manso, de manso,
gritai, gritai!
Tímida esperança,
pálido desejo:
a tarde tão mansa,
tão lânguida a noite
que vem.
¾ Ó alma náufraga,
como tudo o mais:
desesperai!
1 184
Edmundo de Bettencourt
Canção
Não te deites, coração,
A sombra dos teus amores.
Não durmas, olha por eles,
Com alegrias e dores.
Não tenhas medo. O calor
Que vem das serras ao mar,
Erguendo incêndios, não queima
O que não é de queimar.
Agradece ao vento frio
Que traz chuva miudinha:
É neve que se aproxima,
Tormenta que se avizinha...
Nos incêndios naturais
Queima ramos de saudades
E faz a tua canção
Do grito das tempestades!
A sombra dos teus amores.
Não durmas, olha por eles,
Com alegrias e dores.
Não tenhas medo. O calor
Que vem das serras ao mar,
Erguendo incêndios, não queima
O que não é de queimar.
Agradece ao vento frio
Que traz chuva miudinha:
É neve que se aproxima,
Tormenta que se avizinha...
Nos incêndios naturais
Queima ramos de saudades
E faz a tua canção
Do grito das tempestades!
1 184
Edércio Fanasca
Haicai
Espreitando o orvalho
entre corolas e cálices
uma aranha tece.
Na paz do cerrado
a cigarra estridula
quebrando o silêncio.
entre corolas e cálices
uma aranha tece.
Na paz do cerrado
a cigarra estridula
quebrando o silêncio.
930
Edércio Fanasca
Haicai
Espreitando o orvalho
entre corolas e cálices
uma aranha tece.
Na paz do cerrado
a cigarra estridula
quebrando o silêncio.
entre corolas e cálices
uma aranha tece.
Na paz do cerrado
a cigarra estridula
quebrando o silêncio.
930
Emílio Moura
Marinha
Grito teu nome aos ventos.
Olha: há uma revoada marítima.
O horizonte se afasta, há um ritmo largo
de ondas que se espreguiçam.
Velas esguias,
para onde voam?
Sulcos de prata,
para onde levam?
Amiga, amiga! Ah, dize-me depressa:
Quem grita aos ventos o teu nome?
O mar, ou eu,
o grande mar que o está cantando?
Olha: há uma revoada marítima.
O horizonte se afasta, há um ritmo largo
de ondas que se espreguiçam.
Velas esguias,
para onde voam?
Sulcos de prata,
para onde levam?
Amiga, amiga! Ah, dize-me depressa:
Quem grita aos ventos o teu nome?
O mar, ou eu,
o grande mar que o está cantando?
1 017
Elielson Rodrigues
Pobre Infeliz
As estrelas me espionam,
eu, reclusivo, grito!
quebro os preceitos que em atrito,
pream minhalma e me decepcionam.
A Noite é meu manto,
dentre a bruma secreto meu desejo,
meu sofrer me martiriza um santo,
mas como haríolo,não prevejo.
Mortos ressuscitam,
a lua ilumina, eles fitam...
Correm e bradam por vida,
e sua dor aumenta a ferida.
A Morte é imprevisível,
é petulante,
invisível,
corante, dos mares vis,
que ceifa a vida
do pobre infeliz.
eu, reclusivo, grito!
quebro os preceitos que em atrito,
pream minhalma e me decepcionam.
A Noite é meu manto,
dentre a bruma secreto meu desejo,
meu sofrer me martiriza um santo,
mas como haríolo,não prevejo.
Mortos ressuscitam,
a lua ilumina, eles fitam...
Correm e bradam por vida,
e sua dor aumenta a ferida.
A Morte é imprevisível,
é petulante,
invisível,
corante, dos mares vis,
que ceifa a vida
do pobre infeliz.
844
Eduardo Martins
Haicai
Solidão
Noite. Às horas mortas
o vento perpassa lento
pelas ermas portas.
Noturno
Na sala de estudo
um grilo preto de trilo
metálico, agudo.
Noite. Às horas mortas
o vento perpassa lento
pelas ermas portas.
Noturno
Na sala de estudo
um grilo preto de trilo
metálico, agudo.
1 040
Edmundo de Bettencourt
Ondulação
O luar ondula
fluindo e refluindo
para não acabar a maré cheia
nesta praia onde
ponderável eu me encontro indo
— o pensamento em rumos ignorados
e ao sabor dos presságios. . .
Em breve, à minha volta no areal,
esperanças, de branco, vaporosas,
chorando alto naufrágios
à vista da magia de seus mundos,
com suas lágrimas,
quais enxadas na terra, poderosas,
cavarão sulcos fundos.
E elas ali se hão de enterrar
quando o luar fugir...
Mas com elas enterrarei os meus insultos
à minha nobre angústia de vibrar,
à minha vã desgraça de sentir!
fluindo e refluindo
para não acabar a maré cheia
nesta praia onde
ponderável eu me encontro indo
— o pensamento em rumos ignorados
e ao sabor dos presságios. . .
Em breve, à minha volta no areal,
esperanças, de branco, vaporosas,
chorando alto naufrágios
à vista da magia de seus mundos,
com suas lágrimas,
quais enxadas na terra, poderosas,
cavarão sulcos fundos.
E elas ali se hão de enterrar
quando o luar fugir...
Mas com elas enterrarei os meus insultos
à minha nobre angústia de vibrar,
à minha vã desgraça de sentir!
1 086
Edmundo de Bettencourt
Ondulação
O luar ondula
fluindo e refluindo
para não acabar a maré cheia
nesta praia onde
ponderável eu me encontro indo
— o pensamento em rumos ignorados
e ao sabor dos presságios. . .
Em breve, à minha volta no areal,
esperanças, de branco, vaporosas,
chorando alto naufrágios
à vista da magia de seus mundos,
com suas lágrimas,
quais enxadas na terra, poderosas,
cavarão sulcos fundos.
E elas ali se hão de enterrar
quando o luar fugir...
Mas com elas enterrarei os meus insultos
à minha nobre angústia de vibrar,
à minha vã desgraça de sentir!
fluindo e refluindo
para não acabar a maré cheia
nesta praia onde
ponderável eu me encontro indo
— o pensamento em rumos ignorados
e ao sabor dos presságios. . .
Em breve, à minha volta no areal,
esperanças, de branco, vaporosas,
chorando alto naufrágios
à vista da magia de seus mundos,
com suas lágrimas,
quais enxadas na terra, poderosas,
cavarão sulcos fundos.
E elas ali se hão de enterrar
quando o luar fugir...
Mas com elas enterrarei os meus insultos
à minha nobre angústia de vibrar,
à minha vã desgraça de sentir!
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