Poemas neste tema
Outros
Manuel Bandeira
Alegrias de Nossa Senhora
I
RECITANTE
O Anjo traz a mensagem,
Prostra-se perante a Virgem e anuncia:
ANJO
O Filho de Deus quer ser teu filho, Maria:
Porque és cheia de graça e bendita entre as mulheres.
RECITANTE
A donzela, em sua humildade, torna-se grande;
Eleva-se acima da condição humana;
Atinge os confins da divindade.
Ó Virgem, que vais responder?
Maria cruza as mãos sobre o peito,
Inclina-se reverente:
MARIA
Sou a escrava do Senhor:
Faça-se em mim segundo a sua palavra.
CORO
Ó santas alegrias, castíssimas delícias
Da maternidade virginal!
Maria já é mãe de Deus.
O filho é o mesmo Verbo Divino
Eternamente gerado pelo Pai.
Feliz a Virgem Maria, cujo seio contém o próprio Deus!
II
RECITANTE
Caminha a Virgem pelas montanhas de Judá.
Tudo respira serenidade.
O cabrito montês brinca nos cimos mais altos.
* Esta composição está inspirada no texto de oratório do poema de uma monja carmelita.
Maria vai visitar Isabel.
Troca-se em paraíso a casinha branca da montanha.
Isabel, ao ouvir a saudação de Maria, exclama, cheia do Espírito Santo:
ISABEL
Bendita tu entre as mulheres
E bendito o fruto de teu ventre!
RECITANTE
O menino salta no ventre da Mãe e Maria canta:
MARIA
Minh'alma engrandece ao Senhor.
Meu espírito se alegra em Deus meu Salvador
Porque atentou na baixeza de sua serva.
Desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada.
Grandes coisas me fez o Poderoso,
Grandes coisas faz o Poderoso:
Depõe dos tronos os soberbos
E eleva os humildes;
Enche de bens os famintos
E despede vazios os ricos.
Santo é o seu nome.
CORO
Aleluia! Aleluia! Aleluia!
III
RECITANTE
Noite feliz!
Começa em Belém a Missa da vida de Jesus.
Chegam os magos do Oriente, com as suas dádivas:
Ouro, incenso, mirra.
Pastores acorrem com as suas cornamusas, gaitas, flautas.
E cantam ao Messias recém-nascido:
CORO DE PASTORES
Glória a Deus nas alturas!
A Virgem-Mãe vela o seu menino.
Todo o que nele crer, não perecerá;
Todo o que nele crer, terá a vida eterna.
Glória a Deus nasalturas!
IV
RECITANTE
Crescia o menino e se fortalecia em espírito e sabedoria.
E a graça de Deus estava sobre ele,
Ora, todos os anos ia a Santa Família a Jerusalém, à festa da Páscoa.
De uma feita ficou o menino na cidade e não o souberam os pais.
Ao cabo de três dias o acharam no templo, sentado entre os doutores,
Que o ouviam, admirados de suas respostas.
Disse-lhe então Maria:
MARIA
Filho, por que fizeste assim para conosco?
Teu pai e eu, ansiosos, te buscávamos.
R RECITANTE
Ao que Jesus responde:
JESUS (menino de doze anos)
Por que me buscáveis?
Não sabeis que me convém tratar das coisas do Pai?
RECITANTE
E Maria:
MARIA
Achei aquele a quem minh'alma adora.
Recobrei-o e não o deixarei mais perder.
Meu espírito se alegra em meu Filho e Salvador.
CORO
Santo! Santo! Santo!
V
RECITANTE
A Hóstia Divina foi imolada no Calvário.
Ao terceiro dia foram as santas mulheres ao Sepulcro.
Estava a pedra removida e não acharam o corpo do Senhor Jesus.
Então dois varões de vestes resplandecentes falaram:
OS DOIS VARÕES
Por que buscais o vivente entre os mortos?
Não está aqui, já ressuscitou.
Lembrai-vos do que vos disse em Galiléia:
"Convém que o Filho do homem seja entregue nas mãos dos homens pecadores,
"E seja crucificado,
"E ao terceiro dia ressuscite."
CORO
Morte, onde está tua vitória?
Pela primeira vez foste vencida.
Maria, Mãe de Deus, alegra-te!
Teu filho ressurgiu, divino.
Hosana! Hosana! Hosana!
RECITANTE
O Anjo traz a mensagem,
Prostra-se perante a Virgem e anuncia:
ANJO
O Filho de Deus quer ser teu filho, Maria:
Porque és cheia de graça e bendita entre as mulheres.
RECITANTE
A donzela, em sua humildade, torna-se grande;
Eleva-se acima da condição humana;
Atinge os confins da divindade.
Ó Virgem, que vais responder?
Maria cruza as mãos sobre o peito,
Inclina-se reverente:
MARIA
Sou a escrava do Senhor:
Faça-se em mim segundo a sua palavra.
CORO
Ó santas alegrias, castíssimas delícias
Da maternidade virginal!
Maria já é mãe de Deus.
O filho é o mesmo Verbo Divino
Eternamente gerado pelo Pai.
Feliz a Virgem Maria, cujo seio contém o próprio Deus!
II
RECITANTE
Caminha a Virgem pelas montanhas de Judá.
Tudo respira serenidade.
O cabrito montês brinca nos cimos mais altos.
* Esta composição está inspirada no texto de oratório do poema de uma monja carmelita.
Maria vai visitar Isabel.
Troca-se em paraíso a casinha branca da montanha.
Isabel, ao ouvir a saudação de Maria, exclama, cheia do Espírito Santo:
ISABEL
Bendita tu entre as mulheres
E bendito o fruto de teu ventre!
RECITANTE
O menino salta no ventre da Mãe e Maria canta:
MARIA
Minh'alma engrandece ao Senhor.
Meu espírito se alegra em Deus meu Salvador
Porque atentou na baixeza de sua serva.
Desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada.
Grandes coisas me fez o Poderoso,
Grandes coisas faz o Poderoso:
Depõe dos tronos os soberbos
E eleva os humildes;
Enche de bens os famintos
E despede vazios os ricos.
Santo é o seu nome.
CORO
Aleluia! Aleluia! Aleluia!
III
RECITANTE
Noite feliz!
Começa em Belém a Missa da vida de Jesus.
Chegam os magos do Oriente, com as suas dádivas:
Ouro, incenso, mirra.
Pastores acorrem com as suas cornamusas, gaitas, flautas.
E cantam ao Messias recém-nascido:
CORO DE PASTORES
Glória a Deus nas alturas!
A Virgem-Mãe vela o seu menino.
Todo o que nele crer, não perecerá;
Todo o que nele crer, terá a vida eterna.
Glória a Deus nasalturas!
IV
RECITANTE
Crescia o menino e se fortalecia em espírito e sabedoria.
E a graça de Deus estava sobre ele,
Ora, todos os anos ia a Santa Família a Jerusalém, à festa da Páscoa.
De uma feita ficou o menino na cidade e não o souberam os pais.
Ao cabo de três dias o acharam no templo, sentado entre os doutores,
Que o ouviam, admirados de suas respostas.
Disse-lhe então Maria:
MARIA
Filho, por que fizeste assim para conosco?
Teu pai e eu, ansiosos, te buscávamos.
R RECITANTE
Ao que Jesus responde:
JESUS (menino de doze anos)
Por que me buscáveis?
Não sabeis que me convém tratar das coisas do Pai?
RECITANTE
E Maria:
MARIA
Achei aquele a quem minh'alma adora.
Recobrei-o e não o deixarei mais perder.
Meu espírito se alegra em meu Filho e Salvador.
CORO
Santo! Santo! Santo!
V
RECITANTE
A Hóstia Divina foi imolada no Calvário.
Ao terceiro dia foram as santas mulheres ao Sepulcro.
Estava a pedra removida e não acharam o corpo do Senhor Jesus.
Então dois varões de vestes resplandecentes falaram:
OS DOIS VARÕES
Por que buscais o vivente entre os mortos?
Não está aqui, já ressuscitou.
Lembrai-vos do que vos disse em Galiléia:
"Convém que o Filho do homem seja entregue nas mãos dos homens pecadores,
"E seja crucificado,
"E ao terceiro dia ressuscite."
CORO
Morte, onde está tua vitória?
Pela primeira vez foste vencida.
Maria, Mãe de Deus, alegra-te!
Teu filho ressurgiu, divino.
Hosana! Hosana! Hosana!
1 004
Charles Bukowski
Esta Noite
“seus poemas sobre as garotas ainda estarão por aí
daqui a 50 anos quando as garotas já tiverem ido”,
meu editor me telefona.
caro editor:
parece que as garotas já se
foram.
entendo o que o senhor diz
mas me dê uma mulher verdadeiramente viva
nesta noite
cruzando o piso em minha direção
e o senhor pode ficar com todos os poemas
os bons
os maus
ou qualquer outro que eu venha a escrever
depois deste.
entendo o que o senhor diz.
O senhor entende o que eu digo?
daqui a 50 anos quando as garotas já tiverem ido”,
meu editor me telefona.
caro editor:
parece que as garotas já se
foram.
entendo o que o senhor diz
mas me dê uma mulher verdadeiramente viva
nesta noite
cruzando o piso em minha direção
e o senhor pode ficar com todos os poemas
os bons
os maus
ou qualquer outro que eu venha a escrever
depois deste.
entendo o que o senhor diz.
O senhor entende o que eu digo?
1 301
Charles Bukowski
Esta Noite
“seus poemas sobre as garotas ainda estarão por aí
daqui a 50 anos quando as garotas já tiverem ido”,
meu editor me telefona.
caro editor:
parece que as garotas já se
foram.
entendo o que o senhor diz
mas me dê uma mulher verdadeiramente viva
nesta noite
cruzando o piso em minha direção
e o senhor pode ficar com todos os poemas
os bons
os maus
ou qualquer outro que eu venha a escrever
depois deste.
entendo o que o senhor diz.
O senhor entende o que eu digo?
daqui a 50 anos quando as garotas já tiverem ido”,
meu editor me telefona.
caro editor:
parece que as garotas já se
foram.
entendo o que o senhor diz
mas me dê uma mulher verdadeiramente viva
nesta noite
cruzando o piso em minha direção
e o senhor pode ficar com todos os poemas
os bons
os maus
ou qualquer outro que eu venha a escrever
depois deste.
entendo o que o senhor diz.
O senhor entende o que eu digo?
1 301
Charles Bukowski
Esta Noite
“seus poemas sobre as garotas ainda estarão por aí
daqui a 50 anos quando as garotas já tiverem ido”,
meu editor me telefona.
caro editor:
parece que as garotas já se
foram.
entendo o que o senhor diz
mas me dê uma mulher verdadeiramente viva
nesta noite
cruzando o piso em minha direção
e o senhor pode ficar com todos os poemas
os bons
os maus
ou qualquer outro que eu venha a escrever
depois deste.
entendo o que o senhor diz.
O senhor entende o que eu digo?
daqui a 50 anos quando as garotas já tiverem ido”,
meu editor me telefona.
caro editor:
parece que as garotas já se
foram.
entendo o que o senhor diz
mas me dê uma mulher verdadeiramente viva
nesta noite
cruzando o piso em minha direção
e o senhor pode ficar com todos os poemas
os bons
os maus
ou qualquer outro que eu venha a escrever
depois deste.
entendo o que o senhor diz.
O senhor entende o que eu digo?
1 301
Charles Bukowski
Provaremos As Ilhas E o Mar
sei que em alguma noite
em algum quarto
logo
meus dedos abrirão
caminho
através
de cabelos limpos e
macios
canções como as que nenhuma rádio
toca
toda a tristeza, escarnecendo
em correnteza.
em algum quarto
logo
meus dedos abrirão
caminho
através
de cabelos limpos e
macios
canções como as que nenhuma rádio
toca
toda a tristeza, escarnecendo
em correnteza.
1 234
Charles Bukowski
Eu
mulheres não sabem como amar,
ela me disse.
você sabe como amar
mas mulheres só querem
parasitar.
sei disso porque sou
mulher.
hahaha, eu ri.
por isso não se preocupe por ter terminado
com Susan
porque ela apenas irá parasitar
outro homem.
falamos um pouco mais
então eu me despedi
desliguei o telefone
fui ao banheiro
e mandei uma boa merda de cerveja
basicamente pensando, bem,
continuo vivo
e tenho a capacidade de expelir
sobras do meu corpo.
e poemas.
e enquanto isso acontecer
serei capaz de lidar com
traição
solidão
unhas encravadas
gonorreia
e o boletim econômico do
caderno de finanças.
com isso
me levantei
me limpei
dei a descarga
e então pensei:
é verdade:
eu sei como
amar.
ergui minhas calças e caminhei
para a outra peça.
ela me disse.
você sabe como amar
mas mulheres só querem
parasitar.
sei disso porque sou
mulher.
hahaha, eu ri.
por isso não se preocupe por ter terminado
com Susan
porque ela apenas irá parasitar
outro homem.
falamos um pouco mais
então eu me despedi
desliguei o telefone
fui ao banheiro
e mandei uma boa merda de cerveja
basicamente pensando, bem,
continuo vivo
e tenho a capacidade de expelir
sobras do meu corpo.
e poemas.
e enquanto isso acontecer
serei capaz de lidar com
traição
solidão
unhas encravadas
gonorreia
e o boletim econômico do
caderno de finanças.
com isso
me levantei
me limpei
dei a descarga
e então pensei:
é verdade:
eu sei como
amar.
ergui minhas calças e caminhei
para a outra peça.
1 238
Charles Bukowski
Eu
mulheres não sabem como amar,
ela me disse.
você sabe como amar
mas mulheres só querem
parasitar.
sei disso porque sou
mulher.
hahaha, eu ri.
por isso não se preocupe por ter terminado
com Susan
porque ela apenas irá parasitar
outro homem.
falamos um pouco mais
então eu me despedi
desliguei o telefone
fui ao banheiro
e mandei uma boa merda de cerveja
basicamente pensando, bem,
continuo vivo
e tenho a capacidade de expelir
sobras do meu corpo.
e poemas.
e enquanto isso acontecer
serei capaz de lidar com
traição
solidão
unhas encravadas
gonorreia
e o boletim econômico do
caderno de finanças.
com isso
me levantei
me limpei
dei a descarga
e então pensei:
é verdade:
eu sei como
amar.
ergui minhas calças e caminhei
para a outra peça.
ela me disse.
você sabe como amar
mas mulheres só querem
parasitar.
sei disso porque sou
mulher.
hahaha, eu ri.
por isso não se preocupe por ter terminado
com Susan
porque ela apenas irá parasitar
outro homem.
falamos um pouco mais
então eu me despedi
desliguei o telefone
fui ao banheiro
e mandei uma boa merda de cerveja
basicamente pensando, bem,
continuo vivo
e tenho a capacidade de expelir
sobras do meu corpo.
e poemas.
e enquanto isso acontecer
serei capaz de lidar com
traição
solidão
unhas encravadas
gonorreia
e o boletim econômico do
caderno de finanças.
com isso
me levantei
me limpei
dei a descarga
e então pensei:
é verdade:
eu sei como
amar.
ergui minhas calças e caminhei
para a outra peça.
1 238
Charles Bukowski
Este Poeta
este poeta andou bebendo durante 2 ou 3 dias e ele entrou no palco e olhou para a plateia e
imediatamente soube que iria fazer aquilo. ha via um piano de cauda no palco
e ele foi até lá,
abriu a tampa e vomitou dentro. então fech ou a tampa e fez sua leitura.
eles tiveram
que remover as cordas do piano e limpar o interior para en tão recolocá-las.
posso entender
por que nunca voltaram a convidá-lo. mas espalhar para
outras universidades que ele era um poeta
que gostava de vomitar em pianos de cauda não foi justo.
eles jamais consideraram a qualidade de sua leitura. conheço esse poeta: ele é como todos nós: vomitará em qualquer lugar por dinheiro.
imediatamente soube que iria fazer aquilo. ha via um piano de cauda no palco
e ele foi até lá,
abriu a tampa e vomitou dentro. então fech ou a tampa e fez sua leitura.
eles tiveram
que remover as cordas do piano e limpar o interior para en tão recolocá-las.
posso entender
por que nunca voltaram a convidá-lo. mas espalhar para
outras universidades que ele era um poeta
que gostava de vomitar em pianos de cauda não foi justo.
eles jamais consideraram a qualidade de sua leitura. conheço esse poeta: ele é como todos nós: vomitará em qualquer lugar por dinheiro.
1 174
Charles Bukowski
Este Poeta
este poeta andou bebendo durante 2 ou 3 dias e ele entrou no palco e olhou para a plateia e
imediatamente soube que iria fazer aquilo. ha via um piano de cauda no palco
e ele foi até lá,
abriu a tampa e vomitou dentro. então fech ou a tampa e fez sua leitura.
eles tiveram
que remover as cordas do piano e limpar o interior para en tão recolocá-las.
posso entender
por que nunca voltaram a convidá-lo. mas espalhar para
outras universidades que ele era um poeta
que gostava de vomitar em pianos de cauda não foi justo.
eles jamais consideraram a qualidade de sua leitura. conheço esse poeta: ele é como todos nós: vomitará em qualquer lugar por dinheiro.
imediatamente soube que iria fazer aquilo. ha via um piano de cauda no palco
e ele foi até lá,
abriu a tampa e vomitou dentro. então fech ou a tampa e fez sua leitura.
eles tiveram
que remover as cordas do piano e limpar o interior para en tão recolocá-las.
posso entender
por que nunca voltaram a convidá-lo. mas espalhar para
outras universidades que ele era um poeta
que gostava de vomitar em pianos de cauda não foi justo.
eles jamais consideraram a qualidade de sua leitura. conheço esse poeta: ele é como todos nós: vomitará em qualquer lugar por dinheiro.
1 174
Charles Bukowski
Blue Cheese E Chili
essas mulheres supostamente deveriam aparecer
e me ver
mas elas nunca
vêm.
há aquela com uma enorme cicatriz ao longo
da barriga.
há a outra que escreve poemas
e liga às 3 da manhã, dizendo,
“eu te amo”.
há a que dança com uma
jiboia
e escreve a cada quatro
semanas, dizendo
que virá.
e a 4ª que alega dormir
sempre
com meu último livro
debaixo do
travesseiro.
bato uma punheta no calor
e escuto Brahms e como
blue cheese com chili.
essas mulheres são boas de cabeça e de
corpo, excelentes dentro ou fora da cama,
perigosas e fatais, é
claro...
mas por que todas têm de viver
lá no norte?
sei que um dia elas irão
chegar, mas duas ou três
no mesmo dia, e
vamos sentar e conversar
e então todas irão embora
juntas.
um outro qualquer as terá
e eu caminharei por aí
em meu short surrado
fumando cigarros demais
e tentando extrair algum
drama
de nenhum progresso
de fato.
e me ver
mas elas nunca
vêm.
há aquela com uma enorme cicatriz ao longo
da barriga.
há a outra que escreve poemas
e liga às 3 da manhã, dizendo,
“eu te amo”.
há a que dança com uma
jiboia
e escreve a cada quatro
semanas, dizendo
que virá.
e a 4ª que alega dormir
sempre
com meu último livro
debaixo do
travesseiro.
bato uma punheta no calor
e escuto Brahms e como
blue cheese com chili.
essas mulheres são boas de cabeça e de
corpo, excelentes dentro ou fora da cama,
perigosas e fatais, é
claro...
mas por que todas têm de viver
lá no norte?
sei que um dia elas irão
chegar, mas duas ou três
no mesmo dia, e
vamos sentar e conversar
e então todas irão embora
juntas.
um outro qualquer as terá
e eu caminharei por aí
em meu short surrado
fumando cigarros demais
e tentando extrair algum
drama
de nenhum progresso
de fato.
1 150
Charles Bukowski
Blue Cheese E Chili
essas mulheres supostamente deveriam aparecer
e me ver
mas elas nunca
vêm.
há aquela com uma enorme cicatriz ao longo
da barriga.
há a outra que escreve poemas
e liga às 3 da manhã, dizendo,
“eu te amo”.
há a que dança com uma
jiboia
e escreve a cada quatro
semanas, dizendo
que virá.
e a 4ª que alega dormir
sempre
com meu último livro
debaixo do
travesseiro.
bato uma punheta no calor
e escuto Brahms e como
blue cheese com chili.
essas mulheres são boas de cabeça e de
corpo, excelentes dentro ou fora da cama,
perigosas e fatais, é
claro...
mas por que todas têm de viver
lá no norte?
sei que um dia elas irão
chegar, mas duas ou três
no mesmo dia, e
vamos sentar e conversar
e então todas irão embora
juntas.
um outro qualquer as terá
e eu caminharei por aí
em meu short surrado
fumando cigarros demais
e tentando extrair algum
drama
de nenhum progresso
de fato.
e me ver
mas elas nunca
vêm.
há aquela com uma enorme cicatriz ao longo
da barriga.
há a outra que escreve poemas
e liga às 3 da manhã, dizendo,
“eu te amo”.
há a que dança com uma
jiboia
e escreve a cada quatro
semanas, dizendo
que virá.
e a 4ª que alega dormir
sempre
com meu último livro
debaixo do
travesseiro.
bato uma punheta no calor
e escuto Brahms e como
blue cheese com chili.
essas mulheres são boas de cabeça e de
corpo, excelentes dentro ou fora da cama,
perigosas e fatais, é
claro...
mas por que todas têm de viver
lá no norte?
sei que um dia elas irão
chegar, mas duas ou três
no mesmo dia, e
vamos sentar e conversar
e então todas irão embora
juntas.
um outro qualquer as terá
e eu caminharei por aí
em meu short surrado
fumando cigarros demais
e tentando extrair algum
drama
de nenhum progresso
de fato.
1 150
Charles Bukowski
Os Professores
sentado com os professores
falamos sobre Allen Tate
e John Crow Ransom
os tapetes estão limpos e
as mesas da cafeteria brilham
e então circulam conversas
sobre verbas e trabalhos em
progresso
e há até uma
lareira.
o piso da cozinha está
bem encerado
e eu recém havia
jantado
depois de ter bebido até as
3 da manhã
após a leitura
da noite passada
agora lá vou eu outra vez
numa faculdade próxima.
estou em pleno Arkansas em
janeiro
alguém chega a mencionar
Faulkner
vou ao banheiro
e vomito o
jantar
ao sair
lá estão eles em seus casacos e sobretudos
esperando na cozinha.
devo entrar em
15 minutos.
haverá um bom público
eles me dizem.
falamos sobre Allen Tate
e John Crow Ransom
os tapetes estão limpos e
as mesas da cafeteria brilham
e então circulam conversas
sobre verbas e trabalhos em
progresso
e há até uma
lareira.
o piso da cozinha está
bem encerado
e eu recém havia
jantado
depois de ter bebido até as
3 da manhã
após a leitura
da noite passada
agora lá vou eu outra vez
numa faculdade próxima.
estou em pleno Arkansas em
janeiro
alguém chega a mencionar
Faulkner
vou ao banheiro
e vomito o
jantar
ao sair
lá estão eles em seus casacos e sobretudos
esperando na cozinha.
devo entrar em
15 minutos.
haverá um bom público
eles me dizem.
1 158
Charles Bukowski
O Preço
bebendo um champanhe de 15 dólares –
Cordon Rouge – na companhia de putas.
uma se chama Georgia e
não é chegada em meia-calça:
estou sempre tendo que ajudá-la
com suas longas meias negras.
a outra é Pam – mais bonita
porém meio desalmada, e
fumamos e conversamos e
brinco com suas pernas e
enfio meu pé descalço na
bolsa aberta de Georgia.
está cheia de
frascos com pílulas.
tomo algumas delas.
“escutem”, eu digo, “uma de
vocês tem alma, a outra
aparência. posso combinar
vocês duas? pegar a alma
e enfiar na aparência?”
“se você me quer”, diz Pam, “vai
lhe custar cem pratas.”
bebemos um pouco mais e Georgia
despenca no chão e não consegue
se levantar.
digo a Pam que gosto muito
de suas orelhas. seu
cabelo é longo e natural e
ruivo.
“estava de brincadeira quando falei em
cem”, ela diz.
“oh”, eu digo, “quanto vai me
custar?”
ela acende um cigarro com
meu isqueiro e me olha
através da chama:
seus olhos me dizem.
“olhe”, eu digo, “acho que não
poderei pagar aquele preço novamente.”
ela cruza as pernas
dá uma tragada em seu cigarro
sorri enquanto expele a fumaça
e diz, “claro que pode”.
Cordon Rouge – na companhia de putas.
uma se chama Georgia e
não é chegada em meia-calça:
estou sempre tendo que ajudá-la
com suas longas meias negras.
a outra é Pam – mais bonita
porém meio desalmada, e
fumamos e conversamos e
brinco com suas pernas e
enfio meu pé descalço na
bolsa aberta de Georgia.
está cheia de
frascos com pílulas.
tomo algumas delas.
“escutem”, eu digo, “uma de
vocês tem alma, a outra
aparência. posso combinar
vocês duas? pegar a alma
e enfiar na aparência?”
“se você me quer”, diz Pam, “vai
lhe custar cem pratas.”
bebemos um pouco mais e Georgia
despenca no chão e não consegue
se levantar.
digo a Pam que gosto muito
de suas orelhas. seu
cabelo é longo e natural e
ruivo.
“estava de brincadeira quando falei em
cem”, ela diz.
“oh”, eu digo, “quanto vai me
custar?”
ela acende um cigarro com
meu isqueiro e me olha
através da chama:
seus olhos me dizem.
“olhe”, eu digo, “acho que não
poderei pagar aquele preço novamente.”
ela cruza as pernas
dá uma tragada em seu cigarro
sorri enquanto expele a fumaça
e diz, “claro que pode”.
1 185
Charles Bukowski
Já Vi Mendigos Demais Com Os Olhos Vidrados Bebendo Vinho Barato Debaixo da Ponte
você se senta comigo
no sofá
nesta noite
nova mulher.
você já viu os
documentários
sobre animais carnívoros?
eles mostram a morte.
e agora me pergunto
que animal entre
nós dois
devorará
primeiro o outro
física e
por fim
espiritualmente?
nós consumimos animais
e então um de nós
consome o outro,
meu amor.
enquanto isso
prefiro que você vá
primeiro e do primeiro jeito
se os gráficos de performance passadas
significarem alguma coisa
eu certamente irei
primeiro e do último
jeito.
no sofá
nesta noite
nova mulher.
você já viu os
documentários
sobre animais carnívoros?
eles mostram a morte.
e agora me pergunto
que animal entre
nós dois
devorará
primeiro o outro
física e
por fim
espiritualmente?
nós consumimos animais
e então um de nós
consome o outro,
meu amor.
enquanto isso
prefiro que você vá
primeiro e do primeiro jeito
se os gráficos de performance passadas
significarem alguma coisa
eu certamente irei
primeiro e do último
jeito.
1 427
Charles Bukowski
O Que Eles Querem
Vallejo escrevendo sobre
solidão enquanto morria de
fome;
a orelha de Van Gogh rejeitada por uma
puta;
Rimbaud correndo para a África
em busca de ouro e encontrando
um caso incurável de sífilis;
Beethoven ficou surdo;
Pound foi arrastado pelas ruas
numa gaiola;
Chatterton tomou veneno para rato;
o cérebro de Hemingway pingando dentro
do suco de laranja;
Pascal cortando os pulsos na banheira;
Artaud trancado com os loucos;
Dostoiévski de pé contra um muro;
Crane pulando na hélice de um barco;
Lorca baleado na estrada pelo exército
espanhol;
Berryman pulando de uma ponte;
Burroughs atirando na mulher;
Mailer esfaqueando a sua;
– é isso o que eles querem:
o danado dum show
uma placa luminosa
no meio do inferno.
é isso o que eles querem,
aquele bando de
estúpidos
inarticulados
tranquilos
seguros
admiradores de
carnavais.
solidão enquanto morria de
fome;
a orelha de Van Gogh rejeitada por uma
puta;
Rimbaud correndo para a África
em busca de ouro e encontrando
um caso incurável de sífilis;
Beethoven ficou surdo;
Pound foi arrastado pelas ruas
numa gaiola;
Chatterton tomou veneno para rato;
o cérebro de Hemingway pingando dentro
do suco de laranja;
Pascal cortando os pulsos na banheira;
Artaud trancado com os loucos;
Dostoiévski de pé contra um muro;
Crane pulando na hélice de um barco;
Lorca baleado na estrada pelo exército
espanhol;
Berryman pulando de uma ponte;
Burroughs atirando na mulher;
Mailer esfaqueando a sua;
– é isso o que eles querem:
o danado dum show
uma placa luminosa
no meio do inferno.
é isso o que eles querem,
aquele bando de
estúpidos
inarticulados
tranquilos
seguros
admiradores de
carnavais.
1 276
Charles Bukowski
O Que Eles Querem
Vallejo escrevendo sobre
solidão enquanto morria de
fome;
a orelha de Van Gogh rejeitada por uma
puta;
Rimbaud correndo para a África
em busca de ouro e encontrando
um caso incurável de sífilis;
Beethoven ficou surdo;
Pound foi arrastado pelas ruas
numa gaiola;
Chatterton tomou veneno para rato;
o cérebro de Hemingway pingando dentro
do suco de laranja;
Pascal cortando os pulsos na banheira;
Artaud trancado com os loucos;
Dostoiévski de pé contra um muro;
Crane pulando na hélice de um barco;
Lorca baleado na estrada pelo exército
espanhol;
Berryman pulando de uma ponte;
Burroughs atirando na mulher;
Mailer esfaqueando a sua;
– é isso o que eles querem:
o danado dum show
uma placa luminosa
no meio do inferno.
é isso o que eles querem,
aquele bando de
estúpidos
inarticulados
tranquilos
seguros
admiradores de
carnavais.
solidão enquanto morria de
fome;
a orelha de Van Gogh rejeitada por uma
puta;
Rimbaud correndo para a África
em busca de ouro e encontrando
um caso incurável de sífilis;
Beethoven ficou surdo;
Pound foi arrastado pelas ruas
numa gaiola;
Chatterton tomou veneno para rato;
o cérebro de Hemingway pingando dentro
do suco de laranja;
Pascal cortando os pulsos na banheira;
Artaud trancado com os loucos;
Dostoiévski de pé contra um muro;
Crane pulando na hélice de um barco;
Lorca baleado na estrada pelo exército
espanhol;
Berryman pulando de uma ponte;
Burroughs atirando na mulher;
Mailer esfaqueando a sua;
– é isso o que eles querem:
o danado dum show
uma placa luminosa
no meio do inferno.
é isso o que eles querem,
aquele bando de
estúpidos
inarticulados
tranquilos
seguros
admiradores de
carnavais.
1 276
Charles Bukowski
O Que Eles Querem
Vallejo escrevendo sobre
solidão enquanto morria de
fome;
a orelha de Van Gogh rejeitada por uma
puta;
Rimbaud correndo para a África
em busca de ouro e encontrando
um caso incurável de sífilis;
Beethoven ficou surdo;
Pound foi arrastado pelas ruas
numa gaiola;
Chatterton tomou veneno para rato;
o cérebro de Hemingway pingando dentro
do suco de laranja;
Pascal cortando os pulsos na banheira;
Artaud trancado com os loucos;
Dostoiévski de pé contra um muro;
Crane pulando na hélice de um barco;
Lorca baleado na estrada pelo exército
espanhol;
Berryman pulando de uma ponte;
Burroughs atirando na mulher;
Mailer esfaqueando a sua;
– é isso o que eles querem:
o danado dum show
uma placa luminosa
no meio do inferno.
é isso o que eles querem,
aquele bando de
estúpidos
inarticulados
tranquilos
seguros
admiradores de
carnavais.
solidão enquanto morria de
fome;
a orelha de Van Gogh rejeitada por uma
puta;
Rimbaud correndo para a África
em busca de ouro e encontrando
um caso incurável de sífilis;
Beethoven ficou surdo;
Pound foi arrastado pelas ruas
numa gaiola;
Chatterton tomou veneno para rato;
o cérebro de Hemingway pingando dentro
do suco de laranja;
Pascal cortando os pulsos na banheira;
Artaud trancado com os loucos;
Dostoiévski de pé contra um muro;
Crane pulando na hélice de um barco;
Lorca baleado na estrada pelo exército
espanhol;
Berryman pulando de uma ponte;
Burroughs atirando na mulher;
Mailer esfaqueando a sua;
– é isso o que eles querem:
o danado dum show
uma placa luminosa
no meio do inferno.
é isso o que eles querem,
aquele bando de
estúpidos
inarticulados
tranquilos
seguros
admiradores de
carnavais.
1 276
Manuel Bandeira
Minha Gente Salvemos Ouro Preto
As chuvas de verão ameaçaram derruir Ouro Preto.
Ouro Preto, a avozinha, vacila.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Bem sei que os monumentos veneráveis
Não correm perigo.
"Mas Ouro Preto não é só o Palácio dos Governadores
A Casa dos Contos,
A Casa da Câmara,
Os templos,
Os chafarizes,
Os nobres sobrados da Rua Direita.
Ouro Preto são também os casebres de taipa de sopapo
Agúentando-se uns aos outros ladeira abaixo,
O casario do Vira-Saia,
Que está vira-não-vira enxurro,
E é a isso que precisamos acudir urgentemente!
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Homens ricos do Brasil
Que dais quinhentos contos por um puro-sangue de corridas,
Está certo,
Mas dai também dinheiro para Ouro Preto.
Grã-finas cariocas e paulistas
Que pagais dez contos por um modelo de Christian Dior
E meio conto por uma permanente no Baldini,
Está tudo muito certo,
Mas mandai também dez contos para consolidar umas quatro casinhas de Ouro Preto.
(Nossa Senhora do Carmo de Ouro Preto vos acrescentará...)
Gentes da minha terra!
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa vontade de autonomia nos sonhos frustrados dos Inconfidentes.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa arte nas igrejas e esculturas do Aleijadinho.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa poesia nos versinhos do Desembargador.
Minha gente,
Salvemos Ouro Preto.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Ouro Preto, a avozinha, vacila.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Bem sei que os monumentos veneráveis
Não correm perigo.
"Mas Ouro Preto não é só o Palácio dos Governadores
A Casa dos Contos,
A Casa da Câmara,
Os templos,
Os chafarizes,
Os nobres sobrados da Rua Direita.
Ouro Preto são também os casebres de taipa de sopapo
Agúentando-se uns aos outros ladeira abaixo,
O casario do Vira-Saia,
Que está vira-não-vira enxurro,
E é a isso que precisamos acudir urgentemente!
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Homens ricos do Brasil
Que dais quinhentos contos por um puro-sangue de corridas,
Está certo,
Mas dai também dinheiro para Ouro Preto.
Grã-finas cariocas e paulistas
Que pagais dez contos por um modelo de Christian Dior
E meio conto por uma permanente no Baldini,
Está tudo muito certo,
Mas mandai também dez contos para consolidar umas quatro casinhas de Ouro Preto.
(Nossa Senhora do Carmo de Ouro Preto vos acrescentará...)
Gentes da minha terra!
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa vontade de autonomia nos sonhos frustrados dos Inconfidentes.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa arte nas igrejas e esculturas do Aleijadinho.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa poesia nos versinhos do Desembargador.
Minha gente,
Salvemos Ouro Preto.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
1 385
Charles Bukowski
Guru
grande barba negra
me diz
que eu não sinto
terror
olho pra ele
minhas tripas chacoalham
cascalho
vejo seus olhos
voltados pra cima
ele é forte
tem unhas sujas
e penduradas nas paredes:
armas embainhadas.
ele sabe das coisas:
livros
as vantagens
o melhor caminho para
casa
gosto dele
mas creio que ele
mente
(não tenho certeza de que
ele mente)
sua esposa se senta
num canto
escuro
quando a conheci
era a mulher
mais
linda
que eu já tinha
visto
agora ela se
tornara
sua gêmea
talvez não por culpa
dele:
talvez a coisa
nos faça a todos
assim
no entanto, logo que deixei
a casa deles
senti terror
a lua parecia
doente
minhas mãos escorregavam
no
volante
manobro meu
carro
e desço a
ladeira
quase bato
num
carro azul-esverdeado
estacionado
enterre-me para sempre,
Beatriz
poeta hesitante, ha
haha
cão enjeitado do
terror.
me diz
que eu não sinto
terror
olho pra ele
minhas tripas chacoalham
cascalho
vejo seus olhos
voltados pra cima
ele é forte
tem unhas sujas
e penduradas nas paredes:
armas embainhadas.
ele sabe das coisas:
livros
as vantagens
o melhor caminho para
casa
gosto dele
mas creio que ele
mente
(não tenho certeza de que
ele mente)
sua esposa se senta
num canto
escuro
quando a conheci
era a mulher
mais
linda
que eu já tinha
visto
agora ela se
tornara
sua gêmea
talvez não por culpa
dele:
talvez a coisa
nos faça a todos
assim
no entanto, logo que deixei
a casa deles
senti terror
a lua parecia
doente
minhas mãos escorregavam
no
volante
manobro meu
carro
e desço a
ladeira
quase bato
num
carro azul-esverdeado
estacionado
enterre-me para sempre,
Beatriz
poeta hesitante, ha
haha
cão enjeitado do
terror.
1 174
Charles Bukowski
Texana
ela é do Texas e pesa
47 quilos
e para em frente ao
espelho penteando oceanos
de cabelos ruivos
que descem ao longo de todas
suas costas até a bunda.
o cabelo é mágico e lança
faíscas quando eu me deito na cama
e a vejo penteá-los.
ela parece uma criatura
saída de um filme mas está
aqui de fato. fazemos amor
pelo menos uma vez por dia e
ela consegue me fazer rir
sempre que deseja.
as mulheres do Texas são sempre
saudáveis, e além disso ela
limpa meu refrigerador, minha pia,
o banheiro, e faz comida e
e me serve alimentos saudáveis
e lava os pratos
também.
“Hank”, ela me disse,
segurando uma lata de suco de
uva, “este é o melhor de
todos”.
dizia na lata: suco natural de uva
ROSA do Texas.
ela se parece com a Katherine Hepburn
na época
do ensino médio, e vejo esses
47 quilos
penteando um metro
de cabelo ruivo
diante do espelho
e a sinto dentro de meus
pulsos e no fundo dos meus olhos,
e os dedos e as pernas e a barriga
a sentem, assim como
aquela outra parte,
e toda Los Angeles se desfaz
e chora de contentamento,
as paredes das alcovas tremem –
o oceano invade tudo e ela se vira
e me diz, “maldito cabelo!”
e eu digo,
“sim”.
47 quilos
e para em frente ao
espelho penteando oceanos
de cabelos ruivos
que descem ao longo de todas
suas costas até a bunda.
o cabelo é mágico e lança
faíscas quando eu me deito na cama
e a vejo penteá-los.
ela parece uma criatura
saída de um filme mas está
aqui de fato. fazemos amor
pelo menos uma vez por dia e
ela consegue me fazer rir
sempre que deseja.
as mulheres do Texas são sempre
saudáveis, e além disso ela
limpa meu refrigerador, minha pia,
o banheiro, e faz comida e
e me serve alimentos saudáveis
e lava os pratos
também.
“Hank”, ela me disse,
segurando uma lata de suco de
uva, “este é o melhor de
todos”.
dizia na lata: suco natural de uva
ROSA do Texas.
ela se parece com a Katherine Hepburn
na época
do ensino médio, e vejo esses
47 quilos
penteando um metro
de cabelo ruivo
diante do espelho
e a sinto dentro de meus
pulsos e no fundo dos meus olhos,
e os dedos e as pernas e a barriga
a sentem, assim como
aquela outra parte,
e toda Los Angeles se desfaz
e chora de contentamento,
as paredes das alcovas tremem –
o oceano invade tudo e ela se vira
e me diz, “maldito cabelo!”
e eu digo,
“sim”.
1 290
Charles Bukowski
Texana
ela é do Texas e pesa
47 quilos
e para em frente ao
espelho penteando oceanos
de cabelos ruivos
que descem ao longo de todas
suas costas até a bunda.
o cabelo é mágico e lança
faíscas quando eu me deito na cama
e a vejo penteá-los.
ela parece uma criatura
saída de um filme mas está
aqui de fato. fazemos amor
pelo menos uma vez por dia e
ela consegue me fazer rir
sempre que deseja.
as mulheres do Texas são sempre
saudáveis, e além disso ela
limpa meu refrigerador, minha pia,
o banheiro, e faz comida e
e me serve alimentos saudáveis
e lava os pratos
também.
“Hank”, ela me disse,
segurando uma lata de suco de
uva, “este é o melhor de
todos”.
dizia na lata: suco natural de uva
ROSA do Texas.
ela se parece com a Katherine Hepburn
na época
do ensino médio, e vejo esses
47 quilos
penteando um metro
de cabelo ruivo
diante do espelho
e a sinto dentro de meus
pulsos e no fundo dos meus olhos,
e os dedos e as pernas e a barriga
a sentem, assim como
aquela outra parte,
e toda Los Angeles se desfaz
e chora de contentamento,
as paredes das alcovas tremem –
o oceano invade tudo e ela se vira
e me diz, “maldito cabelo!”
e eu digo,
“sim”.
47 quilos
e para em frente ao
espelho penteando oceanos
de cabelos ruivos
que descem ao longo de todas
suas costas até a bunda.
o cabelo é mágico e lança
faíscas quando eu me deito na cama
e a vejo penteá-los.
ela parece uma criatura
saída de um filme mas está
aqui de fato. fazemos amor
pelo menos uma vez por dia e
ela consegue me fazer rir
sempre que deseja.
as mulheres do Texas são sempre
saudáveis, e além disso ela
limpa meu refrigerador, minha pia,
o banheiro, e faz comida e
e me serve alimentos saudáveis
e lava os pratos
também.
“Hank”, ela me disse,
segurando uma lata de suco de
uva, “este é o melhor de
todos”.
dizia na lata: suco natural de uva
ROSA do Texas.
ela se parece com a Katherine Hepburn
na época
do ensino médio, e vejo esses
47 quilos
penteando um metro
de cabelo ruivo
diante do espelho
e a sinto dentro de meus
pulsos e no fundo dos meus olhos,
e os dedos e as pernas e a barriga
a sentem, assim como
aquela outra parte,
e toda Los Angeles se desfaz
e chora de contentamento,
as paredes das alcovas tremem –
o oceano invade tudo e ela se vira
e me diz, “maldito cabelo!”
e eu digo,
“sim”.
1 290
Charles Bukowski
O Segundo Romance
eles apareciam e
perguntavam
“já terminou seu
segundo romance?”
“não.”
“o que tá pegando? o que tá pegando
que você não
termina?”
“hemorróidas e
insônia.”
“será que você não
perdeu?”
“perdi o quê?”
“você sabe.”
agora quando eles aparecem
eu lhes digo,
“sim. já terminei.
sairá em setembro.”
“você terminou o livro?”
“sim.”
“bem, escute. tenho que ir.”
nem mesmo o gato
aqui da vizinhança
bate mais à minha
porta.
que beleza.
perguntavam
“já terminou seu
segundo romance?”
“não.”
“o que tá pegando? o que tá pegando
que você não
termina?”
“hemorróidas e
insônia.”
“será que você não
perdeu?”
“perdi o quê?”
“você sabe.”
agora quando eles aparecem
eu lhes digo,
“sim. já terminei.
sairá em setembro.”
“você terminou o livro?”
“sim.”
“bem, escute. tenho que ir.”
nem mesmo o gato
aqui da vizinhança
bate mais à minha
porta.
que beleza.
1 025
Charles Bukowski
A Furadeira
nosso livro de casamento,
diz ali.
dou uma olhada.
eles duraram dez anos.
foram jovens uma vez.
agora eu durmo na cama dela.
ele telefona:
“quero minha furadeira de volta.
deixe-a separada.
pegarei as crianças às
dez.”
ao chegar ele espera do lado
de fora.
as crianças vão com
ele.
ela volta para a cama
e eu estico uma perna
encosto-a nela.
eu também tinha sido jovem.
as relações humanas simplesmente não são
duráveis.
pensei nas mulheres que passaram por
minha vida.
elas parecem inexistentes.
“ele levou a furadeira?” pergunto.
“sim, levou.”
me pergunto se um dia terei que voltar para
buscar minha bermuda
e meu disco com a gravação
da Academy of St. Martin in the Fields? suponho que
sim.
diz ali.
dou uma olhada.
eles duraram dez anos.
foram jovens uma vez.
agora eu durmo na cama dela.
ele telefona:
“quero minha furadeira de volta.
deixe-a separada.
pegarei as crianças às
dez.”
ao chegar ele espera do lado
de fora.
as crianças vão com
ele.
ela volta para a cama
e eu estico uma perna
encosto-a nela.
eu também tinha sido jovem.
as relações humanas simplesmente não são
duráveis.
pensei nas mulheres que passaram por
minha vida.
elas parecem inexistentes.
“ele levou a furadeira?” pergunto.
“sim, levou.”
me pergunto se um dia terei que voltar para
buscar minha bermuda
e meu disco com a gravação
da Academy of St. Martin in the Fields? suponho que
sim.
1 256
Charles Bukowski
Quem, Diabos, É Tom Jones?
por duas semanas
estive dormindo com uma
garota de 24 anos de
Nova York – na época
em que ocorria a greve dos
lixeiros, e certa noite
minha antiga mulher de 34 anos
chegou e disse, “quero ver
minha rival”. foi o que ela fez
e então disse, “ó, você
é a coisinha mais querida!”
depois disso reparei que houve uma
gritaria de gatas selvagens –
urros e unhadas,
lamentos de animal ferido,
sangue e mijo...
eu estava bêbado e só de
calção. tentei
separar as duas e caí,
torcendo o joelho. então
atravessaram a porta e
avançaram rua
afora.
chegaram viaturas cheias
de policiais. um helicóptero da
polícia sobrevoou o local.
fiquei no banheiro
e sorri para o espelho.
não é comum que coisas
tão esplêndidas assim
aconteçam aos 55 anos.
muito melhor do que os distúrbios em
Watts[3].
a de 34 retornou
para dentro. estava toda
mijada e sua roupa
transformada em farrapos e era
seguida por dois policiais que
queriam saber a razão daquilo tudo.
erguendo meus calções
eu tentava explicar.
estive dormindo com uma
garota de 24 anos de
Nova York – na época
em que ocorria a greve dos
lixeiros, e certa noite
minha antiga mulher de 34 anos
chegou e disse, “quero ver
minha rival”. foi o que ela fez
e então disse, “ó, você
é a coisinha mais querida!”
depois disso reparei que houve uma
gritaria de gatas selvagens –
urros e unhadas,
lamentos de animal ferido,
sangue e mijo...
eu estava bêbado e só de
calção. tentei
separar as duas e caí,
torcendo o joelho. então
atravessaram a porta e
avançaram rua
afora.
chegaram viaturas cheias
de policiais. um helicóptero da
polícia sobrevoou o local.
fiquei no banheiro
e sorri para o espelho.
não é comum que coisas
tão esplêndidas assim
aconteçam aos 55 anos.
muito melhor do que os distúrbios em
Watts[3].
a de 34 retornou
para dentro. estava toda
mijada e sua roupa
transformada em farrapos e era
seguida por dois policiais que
queriam saber a razão daquilo tudo.
erguendo meus calções
eu tentava explicar.
1 200