Com a mesma elegância
com que retém a saia arrepanhada
num mudo farfalhar de tafetá
a Salomé
de Reni
empunha a cabeleira de Batista.
Não levanta a cabeça da travessa que
o pajem lhe oferece ajoelhado.
Olha quase sorrindo
o rosto exangue
a boca negra inutilmente aberta
os olhos que não olham para ela.
Rodeada de aias,
bem mais do que uma amante rejeitada
que se compraz no sangue da vingança,
essa dama roliça me parece
uma dona de casa diligente
que avalia a qualidade
da pitança.
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