Poemas neste tema
Outros
Manuel Bandeira
Ana Margarida
Fosse eu Rubén Darío e mil
Versos faria de seguida
Chamando-te, Ana Margarida,
"La nifia bella del Brasil".
Versos faria de seguida
Chamando-te, Ana Margarida,
"La nifia bella del Brasil".
1 156
Manuel Bandeira
Maria Helena
Sou a única bisneta
De meu bisavô Bandeira,
Que era pessoa discreta,
Mansa, desinteresseira,
— Que era, em pessoa, a bondade:
Que responsabilidade!
De meu bisavô Bandeira,
Que era pessoa discreta,
Mansa, desinteresseira,
— Que era, em pessoa, a bondade:
Que responsabilidade!
1 012
Manuel Bandeira
Manuel Bandeira
Manuel Bandeira
(Sousa Bandeira.
O nome inteiro
Tinha Carneiro.)
Eu me interrogo:
— Manuel Bandeira,
Quanta besteira!
Olha uma cousa:
Por que não ousa
Assinar logo
Manuel de Sousa?
(Sousa Bandeira.
O nome inteiro
Tinha Carneiro.)
Eu me interrogo:
— Manuel Bandeira,
Quanta besteira!
Olha uma cousa:
Por que não ousa
Assinar logo
Manuel de Sousa?
1 155
Manuel Bandeira
A Arnaldo Vasconcelos, Respondendo À Pergunta: "quanto Mede e Quanto Pesa o Seu Coração?"
Quanto mede e quanto pesa,
Arnaldo, o meu coração?
Depende da ocasião:
É às vezes bem pequenino
E pesa mais do que um sino,
Pesa como uma paixão.
Arnaldo, o meu coração?
Depende da ocasião:
É às vezes bem pequenino
E pesa mais do que um sino,
Pesa como uma paixão.
1 184
Manuel Bandeira
Celina Ferreira
Não me tocou levemente:
Tocou-me fundo,
Celina, a tua poesia,
Que me tornou para sempre
Seu cúmplice.
Tocou-me fundo,
Celina, a tua poesia,
Que me tornou para sempre
Seu cúmplice.
1 276
Manuel Bandeira
Celina Ferreira
Não me tocou levemente:
Tocou-me fundo,
Celina, a tua poesia,
Que me tornou para sempre
Seu cúmplice.
Tocou-me fundo,
Celina, a tua poesia,
Que me tornou para sempre
Seu cúmplice.
1 276
Manuel Bandeira
Márcia dos Anjos
Ando sem inspiração...
Mas vou ver se agora arranjo os
Versos que o meu coração
Quer para Márcia dos Anjos.
Mas vou ver se agora arranjo os
Versos que o meu coração
Quer para Márcia dos Anjos.
1 080
Manuel Bandeira
Márcia dos Anjos
Ando sem inspiração...
Mas vou ver se agora arranjo os
Versos que o meu coração
Quer para Márcia dos Anjos.
Mas vou ver se agora arranjo os
Versos que o meu coração
Quer para Márcia dos Anjos.
1 080
Manuel Bandeira
Márcia dos Anjos
Ando sem inspiração...
Mas vou ver se agora arranjo os
Versos que o meu coração
Quer para Márcia dos Anjos.
Mas vou ver se agora arranjo os
Versos que o meu coração
Quer para Márcia dos Anjos.
1 080
Manuel Bandeira
Urânia Maria
Urânia junto a Maria:
Não há nome mais bonito:
A Musa da Astronomia
Junto à Mãe de Deus: Em ti
Se vê, Urânia Maria,
Unir-se um a outro infinito,
O mito à sabedoria,
A vida ao seu outro lado,
Ou seja, tudo abreviado
Num dissílabo — Teti.
Não há nome mais bonito:
A Musa da Astronomia
Junto à Mãe de Deus: Em ti
Se vê, Urânia Maria,
Unir-se um a outro infinito,
O mito à sabedoria,
A vida ao seu outro lado,
Ou seja, tudo abreviado
Num dissílabo — Teti.
1 222
Manuel Bandeira
Urânia Maria
Urânia junto a Maria:
Não há nome mais bonito:
A Musa da Astronomia
Junto à Mãe de Deus: Em ti
Se vê, Urânia Maria,
Unir-se um a outro infinito,
O mito à sabedoria,
A vida ao seu outro lado,
Ou seja, tudo abreviado
Num dissílabo — Teti.
Não há nome mais bonito:
A Musa da Astronomia
Junto à Mãe de Deus: Em ti
Se vê, Urânia Maria,
Unir-se um a outro infinito,
O mito à sabedoria,
A vida ao seu outro lado,
Ou seja, tudo abreviado
Num dissílabo — Teti.
1 222
Manuel Bandeira
Urânia Maria
Urânia junto a Maria:
Não há nome mais bonito:
A Musa da Astronomia
Junto à Mãe de Deus: Em ti
Se vê, Urânia Maria,
Unir-se um a outro infinito,
O mito à sabedoria,
A vida ao seu outro lado,
Ou seja, tudo abreviado
Num dissílabo — Teti.
Não há nome mais bonito:
A Musa da Astronomia
Junto à Mãe de Deus: Em ti
Se vê, Urânia Maria,
Unir-se um a outro infinito,
O mito à sabedoria,
A vida ao seu outro lado,
Ou seja, tudo abreviado
Num dissílabo — Teti.
1 222
Manuel Bandeira
Alphonsus de Guimaraens Filho
Refrão de glória, eis vem no trilho
Do pai — dois mestres em refrães —
Trás Alphonsus de Guimaraens,
Alphonsus de Guimaraens Filho.
Do pai — dois mestres em refrães —
Trás Alphonsus de Guimaraens,
Alphonsus de Guimaraens Filho.
1 053
Manuel Bandeira
Temístocles da Graça Aranha
A aranha morde. A graça arranha
E vale o gládio nu de Têmis.
Logo se vê que tu não temes,
Temístocles da Graça Aranha.
E vale o gládio nu de Têmis.
Logo se vê que tu não temes,
Temístocles da Graça Aranha.
1 346
Manuel Bandeira
A Lourdes
Nesta estrada tão áspera que trilho
Agora tu me dás em meu caminho
Os tesouros sem par do teu carinho
Como se eu fosse teu segundo filho.
Deus te abençoe, minha amiga, minha
Irmã, irmã que fosse uma mãezinha.
8 maio 1867*
Agora tu me dás em meu caminho
Os tesouros sem par do teu carinho
Como se eu fosse teu segundo filho.
Deus te abençoe, minha amiga, minha
Irmã, irmã que fosse uma mãezinha.
8 maio 1867*
1 163
Manuel Bandeira
Chambre Vide
Petit chat blanc et gris
Reste encore dans la chambre
La nuit est si noire dehors
Et le silence pêse
Ce soir je crains la nuit
Petit chat frêre du silence
Reste encore
Reste auprês de moi
Petit chat blanc et gris
Petit chat
La nuit pêse
Il n'y a pas de papillons de nuit
Ou sont donc ces bêtes?
Les mouches dorment sur le fil de Pélectricite
Je suis trop seul vivant dans cette chambre
Petit chat frere du silence
Reste à mes côtés
Car il faut que je sente la vie auprês de moi
Et c'est toi qui fais que la chambre n'est pas vide
Petit chat blanc et gris
Reste dans la chambre
Eveillé minutieux et lucide
Petit chat blanc et gris
Petit chat.
Petrópolis, 1925
Reste encore dans la chambre
La nuit est si noire dehors
Et le silence pêse
Ce soir je crains la nuit
Petit chat frêre du silence
Reste encore
Reste auprês de moi
Petit chat blanc et gris
Petit chat
La nuit pêse
Il n'y a pas de papillons de nuit
Ou sont donc ces bêtes?
Les mouches dorment sur le fil de Pélectricite
Je suis trop seul vivant dans cette chambre
Petit chat frere du silence
Reste à mes côtés
Car il faut que je sente la vie auprês de moi
Et c'est toi qui fais que la chambre n'est pas vide
Petit chat blanc et gris
Reste dans la chambre
Eveillé minutieux et lucide
Petit chat blanc et gris
Petit chat.
Petrópolis, 1925
1 823
Manuel Bandeira
Chambre Vide
Petit chat blanc et gris
Reste encore dans la chambre
La nuit est si noire dehors
Et le silence pêse
Ce soir je crains la nuit
Petit chat frêre du silence
Reste encore
Reste auprês de moi
Petit chat blanc et gris
Petit chat
La nuit pêse
Il n'y a pas de papillons de nuit
Ou sont donc ces bêtes?
Les mouches dorment sur le fil de Pélectricite
Je suis trop seul vivant dans cette chambre
Petit chat frere du silence
Reste à mes côtés
Car il faut que je sente la vie auprês de moi
Et c'est toi qui fais que la chambre n'est pas vide
Petit chat blanc et gris
Reste dans la chambre
Eveillé minutieux et lucide
Petit chat blanc et gris
Petit chat.
Petrópolis, 1925
Reste encore dans la chambre
La nuit est si noire dehors
Et le silence pêse
Ce soir je crains la nuit
Petit chat frêre du silence
Reste encore
Reste auprês de moi
Petit chat blanc et gris
Petit chat
La nuit pêse
Il n'y a pas de papillons de nuit
Ou sont donc ces bêtes?
Les mouches dorment sur le fil de Pélectricite
Je suis trop seul vivant dans cette chambre
Petit chat frere du silence
Reste à mes côtés
Car il faut que je sente la vie auprês de moi
Et c'est toi qui fais que la chambre n'est pas vide
Petit chat blanc et gris
Reste dans la chambre
Eveillé minutieux et lucide
Petit chat blanc et gris
Petit chat.
Petrópolis, 1925
1 823
Manuel Bandeira
Programa para depois de Minha Morte
.. esta outra vida de aquém-túmulo.
Guimarães Rosa
Depois de morto, quando eu chegar ao outro mundo,
Primeiro quererei beijar meus pais, meus irmãos, meus avós, meus tios, meus primos.
Depois irei abraçar longamente uns amigos — Vasconcelos, Ovalle, Mário...
Gostaria ainda de me avistar com o santo Francisco de Assis.
Mas quem sou eu? Não mereço.
Isto feito, me abismarei na contemplação de Deus e de sua glória
Esquecido para sempre de todas as delícias, dores, perplexidades
Desta outra vida de aquém-túmulo.
Guimarães Rosa
Depois de morto, quando eu chegar ao outro mundo,
Primeiro quererei beijar meus pais, meus irmãos, meus avós, meus tios, meus primos.
Depois irei abraçar longamente uns amigos — Vasconcelos, Ovalle, Mário...
Gostaria ainda de me avistar com o santo Francisco de Assis.
Mas quem sou eu? Não mereço.
Isto feito, me abismarei na contemplação de Deus e de sua glória
Esquecido para sempre de todas as delícias, dores, perplexidades
Desta outra vida de aquém-túmulo.
1 141
Manuel Bandeira
Madrigal Tão Engraçadinho
Teresa, você é a coisa mais bonita que eu vi até hoje na minha vida, inclusive o porquinho-da-índia que me deram quando eu tinha seis anos.
1 789
Manuel Bandeira
Noturno da Parada Amorim
O violoncelista estava a meio do Concerto de Schumann
Subitamente o coronel ficou transportado e começou a gritar: — Je vois des anges! Je vois des anges! — E deixou-se escorregar sentado pela escada abaixo.
O telefone tilintou.
Alguém chamava?... Alguém pedia socorro?...
Mas do outro lado não vinha senão o rumor de um pranto desesperado!...
(Eram três horas.
Todas as agências postais estavam fechadas.
Dentro da noite a voz do coronel continuava gritando: — Je vois des anges! Je vois de anges!)
Subitamente o coronel ficou transportado e começou a gritar: — Je vois des anges! Je vois des anges! — E deixou-se escorregar sentado pela escada abaixo.
O telefone tilintou.
Alguém chamava?... Alguém pedia socorro?...
Mas do outro lado não vinha senão o rumor de um pranto desesperado!...
(Eram três horas.
Todas as agências postais estavam fechadas.
Dentro da noite a voz do coronel continuava gritando: — Je vois des anges! Je vois de anges!)
1 019
Manuel Bandeira
Noturno da Parada Amorim
O violoncelista estava a meio do Concerto de Schumann
Subitamente o coronel ficou transportado e começou a gritar: — Je vois des anges! Je vois des anges! — E deixou-se escorregar sentado pela escada abaixo.
O telefone tilintou.
Alguém chamava?... Alguém pedia socorro?...
Mas do outro lado não vinha senão o rumor de um pranto desesperado!...
(Eram três horas.
Todas as agências postais estavam fechadas.
Dentro da noite a voz do coronel continuava gritando: — Je vois des anges! Je vois de anges!)
Subitamente o coronel ficou transportado e começou a gritar: — Je vois des anges! Je vois des anges! — E deixou-se escorregar sentado pela escada abaixo.
O telefone tilintou.
Alguém chamava?... Alguém pedia socorro?...
Mas do outro lado não vinha senão o rumor de um pranto desesperado!...
(Eram três horas.
Todas as agências postais estavam fechadas.
Dentro da noite a voz do coronel continuava gritando: — Je vois des anges! Je vois de anges!)
1 019
Manuel Bandeira
Cantar de Amor
Quer'eu en maneyra de proençal
Fazer agora hum cantar d'amor...
D. Dinís
Mha senhor, com'oje dia son,
Atan cuitad'e sen cor assi!
E par Deus non sei que farei,
Ca non dormho á mui gran sazon.
Mha senhor, ai meu lum'e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.
Noit'e dia no meu coraçon
Nulha ren se non a morte vi,
E pois tal coita non mereci,
Moir'eu logo, se Deus mi perdon.
- Mha senhor, ai meu lum'e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.
Des oimais o viver m'é prison:
Grave di'aquel en que naci!
Mha senhor, ai rezade por mi,
Ca per'ço sen e per'ça razon.
Mha senhor, ai meu lum'e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.
Fazer agora hum cantar d'amor...
D. Dinís
Mha senhor, com'oje dia son,
Atan cuitad'e sen cor assi!
E par Deus non sei que farei,
Ca non dormho á mui gran sazon.
Mha senhor, ai meu lum'e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.
Noit'e dia no meu coraçon
Nulha ren se non a morte vi,
E pois tal coita non mereci,
Moir'eu logo, se Deus mi perdon.
- Mha senhor, ai meu lum'e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.
Des oimais o viver m'é prison:
Grave di'aquel en que naci!
Mha senhor, ai rezade por mi,
Ca per'ço sen e per'ça razon.
Mha senhor, ai meu lum'e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.
1 862
Manuel Bandeira
Cantar de Amor
Quer'eu en maneyra de proençal
Fazer agora hum cantar d'amor...
D. Dinís
Mha senhor, com'oje dia son,
Atan cuitad'e sen cor assi!
E par Deus non sei que farei,
Ca non dormho á mui gran sazon.
Mha senhor, ai meu lum'e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.
Noit'e dia no meu coraçon
Nulha ren se non a morte vi,
E pois tal coita non mereci,
Moir'eu logo, se Deus mi perdon.
- Mha senhor, ai meu lum'e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.
Des oimais o viver m'é prison:
Grave di'aquel en que naci!
Mha senhor, ai rezade por mi,
Ca per'ço sen e per'ça razon.
Mha senhor, ai meu lum'e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.
Fazer agora hum cantar d'amor...
D. Dinís
Mha senhor, com'oje dia son,
Atan cuitad'e sen cor assi!
E par Deus non sei que farei,
Ca non dormho á mui gran sazon.
Mha senhor, ai meu lum'e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.
Noit'e dia no meu coraçon
Nulha ren se non a morte vi,
E pois tal coita non mereci,
Moir'eu logo, se Deus mi perdon.
- Mha senhor, ai meu lum'e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.
Des oimais o viver m'é prison:
Grave di'aquel en que naci!
Mha senhor, ai rezade por mi,
Ca per'ço sen e per'ça razon.
Mha senhor, ai meu lum'e meu ben,
Meu coraçon non sei o que ten.
1 862