Poemas neste tema
Outros
Marina Colasanti
A mão de quem
Se tua boca, Holoferne
essa tua boca aberta pelo espanto
ou pelo último grito
pudesse falar
talvez me dissessem quem
te cortou a cabeça
se Judite
ou Caravaggio.
Foi ela mesma que empunhou a espada
abrindo passo ao sangue
rijo jato
sobre o branco lençol
ou foi o pincel que a fez surgir das sombras
para seu próprio horror
com a mão armada?
Os dedos de Judite seguram teus cabelos
leves como um afago
e não terão força, não
não terão
para amparar o peso da cabeça.
Pobre Judite, pálida assassina
a quem morte repugna.
afasta o rosto e quase se surpreende
ao ver que a espada a leva
no seu corte
Tomba ao fundo
entre os dois
um rubro pano
que Caravaggio quis
talhado em carne.
Na orelha de Judite
pende a pérola em gota
o leve laço.
E Merisi olha a cena
pelos olhos da aia
à espera de que o desejado se cumpra
e lhe caiba
sem culpa
a colheita do crime.
essa tua boca aberta pelo espanto
ou pelo último grito
pudesse falar
talvez me dissessem quem
te cortou a cabeça
se Judite
ou Caravaggio.
Foi ela mesma que empunhou a espada
abrindo passo ao sangue
rijo jato
sobre o branco lençol
ou foi o pincel que a fez surgir das sombras
para seu próprio horror
com a mão armada?
Os dedos de Judite seguram teus cabelos
leves como um afago
e não terão força, não
não terão
para amparar o peso da cabeça.
Pobre Judite, pálida assassina
a quem morte repugna.
afasta o rosto e quase se surpreende
ao ver que a espada a leva
no seu corte
Tomba ao fundo
entre os dois
um rubro pano
que Caravaggio quis
talhado em carne.
Na orelha de Judite
pende a pérola em gota
o leve laço.
E Merisi olha a cena
pelos olhos da aia
à espera de que o desejado se cumpra
e lhe caiba
sem culpa
a colheita do crime.
921
Allen Ginsberg
Saudações Cosmipolitas
para o Struga Festival Golden Wreath Laureates & International Bards, 1986
Levante-se contra governos, contra Deus.
Mantenha-se irresponsável.
Diga somente o que sabemos e imaginamos.
Absolutos são coerções.
Mudança é absoluto.
Mente ordinária inclui percepções eternas.
Observe o que é vívido.
Noticie o que você noticia.
Apanhe-se em pleno pensar.
Vivência é auto-seleção.
Se não mostramos ninguém, somos livres para não escrever nada.
Lembrar o futuro.
Consulte somente a si mesmo.
Não beba a si mesmo até a morte.
Duas moléculas se chocando requerem um observador para virarem dados científicos.
O instrumento de medida determina a aparência do mundo dos fenômenos segundo Einstein.
O universo é subjetivo.
Walt Whitman celebrou a Persona.
Somos observadores, instrumentos de medida, olho, sujeito, Persona.
Universo é Persona.
Dentro do crânio é tão vasto quanto fora do crânio.
Mente é muito mais que espaço.
“Cada um em sua cama falava para si mesmo sozinho, sem fazer barulho.”
Primeira idéia, melhor idéia.
A mente é simétrica, a Arte é simétrica.
Máxima informação, mínimo número de sílabas.
Sintaxe condensada, o som é sólido.
Fragmentos intensos de idioma falado, melhor.
Consoantes em volta de vogais fazem sentido.
Saboreie as vogais, aprecie as consoantes.
A subjetividade é conhecida pelo que ela vê.
Os outros podem medir suas visões pelo que nós vemos.
O candor é o fim da paranóia.
Kral Majales
25 de junho de 1986
Boulder; Colorado
Levante-se contra governos, contra Deus.
Mantenha-se irresponsável.
Diga somente o que sabemos e imaginamos.
Absolutos são coerções.
Mudança é absoluto.
Mente ordinária inclui percepções eternas.
Observe o que é vívido.
Noticie o que você noticia.
Apanhe-se em pleno pensar.
Vivência é auto-seleção.
Se não mostramos ninguém, somos livres para não escrever nada.
Lembrar o futuro.
Consulte somente a si mesmo.
Não beba a si mesmo até a morte.
Duas moléculas se chocando requerem um observador para virarem dados científicos.
O instrumento de medida determina a aparência do mundo dos fenômenos segundo Einstein.
O universo é subjetivo.
Walt Whitman celebrou a Persona.
Somos observadores, instrumentos de medida, olho, sujeito, Persona.
Universo é Persona.
Dentro do crânio é tão vasto quanto fora do crânio.
Mente é muito mais que espaço.
“Cada um em sua cama falava para si mesmo sozinho, sem fazer barulho.”
Primeira idéia, melhor idéia.
A mente é simétrica, a Arte é simétrica.
Máxima informação, mínimo número de sílabas.
Sintaxe condensada, o som é sólido.
Fragmentos intensos de idioma falado, melhor.
Consoantes em volta de vogais fazem sentido.
Saboreie as vogais, aprecie as consoantes.
A subjetividade é conhecida pelo que ela vê.
Os outros podem medir suas visões pelo que nós vemos.
O candor é o fim da paranóia.
Kral Majales
25 de junho de 1986
Boulder; Colorado
1 108
Allen Ginsberg
Saudações Cosmipolitas
para o Struga Festival Golden Wreath Laureates & International Bards, 1986
Levante-se contra governos, contra Deus.
Mantenha-se irresponsável.
Diga somente o que sabemos e imaginamos.
Absolutos são coerções.
Mudança é absoluto.
Mente ordinária inclui percepções eternas.
Observe o que é vívido.
Noticie o que você noticia.
Apanhe-se em pleno pensar.
Vivência é auto-seleção.
Se não mostramos ninguém, somos livres para não escrever nada.
Lembrar o futuro.
Consulte somente a si mesmo.
Não beba a si mesmo até a morte.
Duas moléculas se chocando requerem um observador para virarem dados científicos.
O instrumento de medida determina a aparência do mundo dos fenômenos segundo Einstein.
O universo é subjetivo.
Walt Whitman celebrou a Persona.
Somos observadores, instrumentos de medida, olho, sujeito, Persona.
Universo é Persona.
Dentro do crânio é tão vasto quanto fora do crânio.
Mente é muito mais que espaço.
“Cada um em sua cama falava para si mesmo sozinho, sem fazer barulho.”
Primeira idéia, melhor idéia.
A mente é simétrica, a Arte é simétrica.
Máxima informação, mínimo número de sílabas.
Sintaxe condensada, o som é sólido.
Fragmentos intensos de idioma falado, melhor.
Consoantes em volta de vogais fazem sentido.
Saboreie as vogais, aprecie as consoantes.
A subjetividade é conhecida pelo que ela vê.
Os outros podem medir suas visões pelo que nós vemos.
O candor é o fim da paranóia.
Kral Majales
25 de junho de 1986
Boulder; Colorado
Levante-se contra governos, contra Deus.
Mantenha-se irresponsável.
Diga somente o que sabemos e imaginamos.
Absolutos são coerções.
Mudança é absoluto.
Mente ordinária inclui percepções eternas.
Observe o que é vívido.
Noticie o que você noticia.
Apanhe-se em pleno pensar.
Vivência é auto-seleção.
Se não mostramos ninguém, somos livres para não escrever nada.
Lembrar o futuro.
Consulte somente a si mesmo.
Não beba a si mesmo até a morte.
Duas moléculas se chocando requerem um observador para virarem dados científicos.
O instrumento de medida determina a aparência do mundo dos fenômenos segundo Einstein.
O universo é subjetivo.
Walt Whitman celebrou a Persona.
Somos observadores, instrumentos de medida, olho, sujeito, Persona.
Universo é Persona.
Dentro do crânio é tão vasto quanto fora do crânio.
Mente é muito mais que espaço.
“Cada um em sua cama falava para si mesmo sozinho, sem fazer barulho.”
Primeira idéia, melhor idéia.
A mente é simétrica, a Arte é simétrica.
Máxima informação, mínimo número de sílabas.
Sintaxe condensada, o som é sólido.
Fragmentos intensos de idioma falado, melhor.
Consoantes em volta de vogais fazem sentido.
Saboreie as vogais, aprecie as consoantes.
A subjetividade é conhecida pelo que ela vê.
Os outros podem medir suas visões pelo que nós vemos.
O candor é o fim da paranóia.
Kral Majales
25 de junho de 1986
Boulder; Colorado
1 108
Marina Colasanti
COM FUNDO MUSICAL DE NINO ROTA
O caminhar da noite
já se ouve
vindo da escura
mansão do leste.
A névoa deitou-se
para o sono
sobre a linha do horizonte.
Na última claridade
o transatlântico avança
todo aceso em suas luzes.
Por um instante
- alada coroa -
parece pousar no topo
do edificio que entre o mar
e meus olhos
se interpôe.
Mas logo
sem âncora que o retenha
segue viagem.
já se ouve
vindo da escura
mansão do leste.
A névoa deitou-se
para o sono
sobre a linha do horizonte.
Na última claridade
o transatlântico avança
todo aceso em suas luzes.
Por um instante
- alada coroa -
parece pousar no topo
do edificio que entre o mar
e meus olhos
se interpôe.
Mas logo
sem âncora que o retenha
segue viagem.
971
Marina Colasanti
CLARA LUZ DE VERMEER
Sobre a minha mesa
interminavelmente
a mulher lê uma carta.
A mulher lê uma carta
no quadro de Vermeer
a mulher lê uma carta
no cartão que comprei
do quadro de Vermeer.
No museu
naquela sala em Dresden
onde a encontrei
pendente
a mulher lê uma carta
a mulher lê a carta lida
por Vermeer.
Naquela sala que escurece à noite
que o vigia escurece à noite
com um toque no interruptor
naquela sala a que o vigia traz noite
toda noite
na exata hora do fechamento
naquela sala escura como caixa com tampa
a luz transborda
sobre a mulher de Vermeer
a clara luz clara água dos quadros de Vermeer
jorra se lança flui
sobre a mulher que lê frente à janela
molda o fino perfil
os leves cachos
e escreve
sem palavras
a mensagem da carta
entre suas mãos.
interminavelmente
a mulher lê uma carta.
A mulher lê uma carta
no quadro de Vermeer
a mulher lê uma carta
no cartão que comprei
do quadro de Vermeer.
No museu
naquela sala em Dresden
onde a encontrei
pendente
a mulher lê uma carta
a mulher lê a carta lida
por Vermeer.
Naquela sala que escurece à noite
que o vigia escurece à noite
com um toque no interruptor
naquela sala a que o vigia traz noite
toda noite
na exata hora do fechamento
naquela sala escura como caixa com tampa
a luz transborda
sobre a mulher de Vermeer
a clara luz clara água dos quadros de Vermeer
jorra se lança flui
sobre a mulher que lê frente à janela
molda o fino perfil
os leves cachos
e escreve
sem palavras
a mensagem da carta
entre suas mãos.
1 120
Marina Colasanti
CLARA LUZ DE VERMEER
Sobre a minha mesa
interminavelmente
a mulher lê uma carta.
A mulher lê uma carta
no quadro de Vermeer
a mulher lê uma carta
no cartão que comprei
do quadro de Vermeer.
No museu
naquela sala em Dresden
onde a encontrei
pendente
a mulher lê uma carta
a mulher lê a carta lida
por Vermeer.
Naquela sala que escurece à noite
que o vigia escurece à noite
com um toque no interruptor
naquela sala a que o vigia traz noite
toda noite
na exata hora do fechamento
naquela sala escura como caixa com tampa
a luz transborda
sobre a mulher de Vermeer
a clara luz clara água dos quadros de Vermeer
jorra se lança flui
sobre a mulher que lê frente à janela
molda o fino perfil
os leves cachos
e escreve
sem palavras
a mensagem da carta
entre suas mãos.
interminavelmente
a mulher lê uma carta.
A mulher lê uma carta
no quadro de Vermeer
a mulher lê uma carta
no cartão que comprei
do quadro de Vermeer.
No museu
naquela sala em Dresden
onde a encontrei
pendente
a mulher lê uma carta
a mulher lê a carta lida
por Vermeer.
Naquela sala que escurece à noite
que o vigia escurece à noite
com um toque no interruptor
naquela sala a que o vigia traz noite
toda noite
na exata hora do fechamento
naquela sala escura como caixa com tampa
a luz transborda
sobre a mulher de Vermeer
a clara luz clara água dos quadros de Vermeer
jorra se lança flui
sobre a mulher que lê frente à janela
molda o fino perfil
os leves cachos
e escreve
sem palavras
a mensagem da carta
entre suas mãos.
1 120
Marina Colasanti
PARA SEMPRE ATADOS
Há cento e vinte anos
no tapete da sala
o arco retesado ameaça
a gazela
o cavaleiro persa galopa
entre pavões
e as folhas de roseira se entrelaçam.
Há cento e vinte anos
uma pluma se dobra
no turbante
um chorão se debruça
sobre a água
e o leopardo entre lirios arma o salto.
Cento e vinte mil fios
feitos laçada
atam o dorso e o olhar
enfeixam verdes talos
retêm a flecha no arco
a garra no alto
a pluma no vento.
Entre trama e urdidura
as algemas dos nós
jamais afrouxam.
Imóveis estão para sempre
o medo
a fuga
a morte
proibidos de alcançar
o seu destino.
Nesse tempo suspenso
apoio os pés.
no tapete da sala
o arco retesado ameaça
a gazela
o cavaleiro persa galopa
entre pavões
e as folhas de roseira se entrelaçam.
Há cento e vinte anos
uma pluma se dobra
no turbante
um chorão se debruça
sobre a água
e o leopardo entre lirios arma o salto.
Cento e vinte mil fios
feitos laçada
atam o dorso e o olhar
enfeixam verdes talos
retêm a flecha no arco
a garra no alto
a pluma no vento.
Entre trama e urdidura
as algemas dos nós
jamais afrouxam.
Imóveis estão para sempre
o medo
a fuga
a morte
proibidos de alcançar
o seu destino.
Nesse tempo suspenso
apoio os pés.
1 125
Marina Colasanti
JASMIM E JARRO CHINÊS
Ramos cortados de jasmim
verdes tranças de moça decepadas
e o perfume
o perfume no ar
como se altas acima
estivessem as flores
e não deitadas sobre o chão de pedra.
Ponho os ramos no jarro
de paisagem pintada
estrelas brancas
coroando a montanha
indigo blue.
E acendo a luz.
Cem watts de falso sol
aquecem o perfume.
verdes tranças de moça decepadas
e o perfume
o perfume no ar
como se altas acima
estivessem as flores
e não deitadas sobre o chão de pedra.
Ponho os ramos no jarro
de paisagem pintada
estrelas brancas
coroando a montanha
indigo blue.
E acendo a luz.
Cem watts de falso sol
aquecem o perfume.
1 022
Marina Colasanti
Enquanto o Respirar
O amor morreu
diz quem não sabe amar,
morreu a arte
o romance se foi
o autor está defunto.
Aninham-se os coveiros nas suas frases
enquanto o respirar das coisas mortas
ergue
sereno
o peito do mundo.
diz quem não sabe amar,
morreu a arte
o romance se foi
o autor está defunto.
Aninham-se os coveiros nas suas frases
enquanto o respirar das coisas mortas
ergue
sereno
o peito do mundo.
793
Marina Colasanti
HORA DO EMBARQUE
Respirou fundo
descalçou sapatos
agarrou-se perdida nos metais.
E com olhar viajante
já sem volta
ou perdão
embarcou suspirando
na balança.
descalçou sapatos
agarrou-se perdida nos metais.
E com olhar viajante
já sem volta
ou perdão
embarcou suspirando
na balança.
1 051
Marina Colasanti
Sistema solar
No prato oval
três peras
e o friso azul
barrado de dourado.
Quietude posta à mesa.
Lá fora a escuridão
feita de chuva.
Aqui três sóis
servidos no jantar
três peras
e o friso azul
barrado de dourado.
Quietude posta à mesa.
Lá fora a escuridão
feita de chuva.
Aqui três sóis
servidos no jantar
1 095
Marina Colasanti
Sistema solar
No prato oval
três peras
e o friso azul
barrado de dourado.
Quietude posta à mesa.
Lá fora a escuridão
feita de chuva.
Aqui três sóis
servidos no jantar
três peras
e o friso azul
barrado de dourado.
Quietude posta à mesa.
Lá fora a escuridão
feita de chuva.
Aqui três sóis
servidos no jantar
1 095
Allen Ginsberg
Notícia de morte
Visita a W.C.W. circa 1957, os poetas Kerouac Corso Orlovsky no sofá do living room indagavam palavra sábias, William enfermo apontou pela janela acortinada da Main Street, “Há muitos bastardos lá fora!”.
Andando de noite na estrada de asfalto
do campus ao lado do Instrutor Alemão com Óculos
W. C. Williams está morto disse ele com sotaque
sob as árvores em Benares; Eu parei perguntei
Williams está morto? Entusiástico e de olhos abertos
sob a Big Dipper. Parado no Pórtico
do bangalô Anexo da International House
insetos zumbindo em volta da luz elétrica
lendo o obituário Médico no Time.
“out among the sparrows behind the shutters”
Williams está na Big Dipper. Ele não está morto
pois as muitas páginas de palavras emoção em arranjo
com suas entonações fremem as bocas de crianças humildes
tornam-se sutis mesmo em Bengala. Assim
há uma vida movendo-se para fora de suas páginas; Blake
também “vivo” através de suas experienciadas máquinas.
Foram suas últimas palavras qualquer coisa de Negro lá fora
no quarto acarpetado da casa de madeira
em Rutherford? Me pergunto o que ele disse,
ou teria qualquer coisa restado nos reinos do discurso
após o ataque & a freme-cérebro ruína entrarem
em seus pensamentos? Se eu rezar por sua alma no Bardo Thodol
ele poderá ouvir a inesperada vibração de estrangeira piedade.
Quietamente desconhecido por três semanas; agora eu vi Passaic
e Ganges, um, consentindo sua devoção,
porque ele percorreu a margem de aço & rezou
para uma Deusa no rio, que ele somente inventou,
uma outra Ganga-Ma. Montando no velho
ferruginoso submarino Holland no andar térreo
do Paterson Museum ao invés de um crocodilo celestial.
Lamentai, Ó Vós, Anjos da Esquerda! que o poeta
das ruas agora é um esqueleto sob o pavimento
e não há outra velha alma tão doce e humilde
e queixo feminino e ele-olhos pode ver vocês
O que vocês queriam estar entre os bastardos lá fora.
Benares, 20 de março de 1963.
Andando de noite na estrada de asfalto
do campus ao lado do Instrutor Alemão com Óculos
W. C. Williams está morto disse ele com sotaque
sob as árvores em Benares; Eu parei perguntei
Williams está morto? Entusiástico e de olhos abertos
sob a Big Dipper. Parado no Pórtico
do bangalô Anexo da International House
insetos zumbindo em volta da luz elétrica
lendo o obituário Médico no Time.
“out among the sparrows behind the shutters”
Williams está na Big Dipper. Ele não está morto
pois as muitas páginas de palavras emoção em arranjo
com suas entonações fremem as bocas de crianças humildes
tornam-se sutis mesmo em Bengala. Assim
há uma vida movendo-se para fora de suas páginas; Blake
também “vivo” através de suas experienciadas máquinas.
Foram suas últimas palavras qualquer coisa de Negro lá fora
no quarto acarpetado da casa de madeira
em Rutherford? Me pergunto o que ele disse,
ou teria qualquer coisa restado nos reinos do discurso
após o ataque & a freme-cérebro ruína entrarem
em seus pensamentos? Se eu rezar por sua alma no Bardo Thodol
ele poderá ouvir a inesperada vibração de estrangeira piedade.
Quietamente desconhecido por três semanas; agora eu vi Passaic
e Ganges, um, consentindo sua devoção,
porque ele percorreu a margem de aço & rezou
para uma Deusa no rio, que ele somente inventou,
uma outra Ganga-Ma. Montando no velho
ferruginoso submarino Holland no andar térreo
do Paterson Museum ao invés de um crocodilo celestial.
Lamentai, Ó Vós, Anjos da Esquerda! que o poeta
das ruas agora é um esqueleto sob o pavimento
e não há outra velha alma tão doce e humilde
e queixo feminino e ele-olhos pode ver vocês
O que vocês queriam estar entre os bastardos lá fora.
Benares, 20 de março de 1963.
353
Marina Colasanti
CARNE DE LEITE E LUA
Nenhuma mulher foi mais branca
que Suzana
despida para o banho.
Carne de leite e lua
papel da pele
e o sangue todo oculto
em falsa neve.
Uma perna na água
verde
escuro
um reflexo no espelho
negro
fundo
e um pente de marfim
sobre o gramado.
Não tem corpo
Suzana
luz somente
que em forma de mulher
se banha à fonte.
Nem tem corpo
esse velho que rasteja
vermelha larva
duas mãos e uma calvicie
arrastando a luxúria como
um manto.
As escamas das tranças
coroam Suzana.
Ao longe
entre folhagens
outro velho espia.
Só Tintoretto olha
sem cobiça
a carne
que se banha
em sua palheta.
que Suzana
despida para o banho.
Carne de leite e lua
papel da pele
e o sangue todo oculto
em falsa neve.
Uma perna na água
verde
escuro
um reflexo no espelho
negro
fundo
e um pente de marfim
sobre o gramado.
Não tem corpo
Suzana
luz somente
que em forma de mulher
se banha à fonte.
Nem tem corpo
esse velho que rasteja
vermelha larva
duas mãos e uma calvicie
arrastando a luxúria como
um manto.
As escamas das tranças
coroam Suzana.
Ao longe
entre folhagens
outro velho espia.
Só Tintoretto olha
sem cobiça
a carne
que se banha
em sua palheta.
1 197
Marina Colasanti
CARNE DE LEITE E LUA
Nenhuma mulher foi mais branca
que Suzana
despida para o banho.
Carne de leite e lua
papel da pele
e o sangue todo oculto
em falsa neve.
Uma perna na água
verde
escuro
um reflexo no espelho
negro
fundo
e um pente de marfim
sobre o gramado.
Não tem corpo
Suzana
luz somente
que em forma de mulher
se banha à fonte.
Nem tem corpo
esse velho que rasteja
vermelha larva
duas mãos e uma calvicie
arrastando a luxúria como
um manto.
As escamas das tranças
coroam Suzana.
Ao longe
entre folhagens
outro velho espia.
Só Tintoretto olha
sem cobiça
a carne
que se banha
em sua palheta.
que Suzana
despida para o banho.
Carne de leite e lua
papel da pele
e o sangue todo oculto
em falsa neve.
Uma perna na água
verde
escuro
um reflexo no espelho
negro
fundo
e um pente de marfim
sobre o gramado.
Não tem corpo
Suzana
luz somente
que em forma de mulher
se banha à fonte.
Nem tem corpo
esse velho que rasteja
vermelha larva
duas mãos e uma calvicie
arrastando a luxúria como
um manto.
As escamas das tranças
coroam Suzana.
Ao longe
entre folhagens
outro velho espia.
Só Tintoretto olha
sem cobiça
a carne
que se banha
em sua palheta.
1 197
Marina Colasanti
CARNE DE LEITE E LUA
Nenhuma mulher foi mais branca
que Suzana
despida para o banho.
Carne de leite e lua
papel da pele
e o sangue todo oculto
em falsa neve.
Uma perna na água
verde
escuro
um reflexo no espelho
negro
fundo
e um pente de marfim
sobre o gramado.
Não tem corpo
Suzana
luz somente
que em forma de mulher
se banha à fonte.
Nem tem corpo
esse velho que rasteja
vermelha larva
duas mãos e uma calvicie
arrastando a luxúria como
um manto.
As escamas das tranças
coroam Suzana.
Ao longe
entre folhagens
outro velho espia.
Só Tintoretto olha
sem cobiça
a carne
que se banha
em sua palheta.
que Suzana
despida para o banho.
Carne de leite e lua
papel da pele
e o sangue todo oculto
em falsa neve.
Uma perna na água
verde
escuro
um reflexo no espelho
negro
fundo
e um pente de marfim
sobre o gramado.
Não tem corpo
Suzana
luz somente
que em forma de mulher
se banha à fonte.
Nem tem corpo
esse velho que rasteja
vermelha larva
duas mãos e uma calvicie
arrastando a luxúria como
um manto.
As escamas das tranças
coroam Suzana.
Ao longe
entre folhagens
outro velho espia.
Só Tintoretto olha
sem cobiça
a carne
que se banha
em sua palheta.
1 197
Marina Colasanti
MEU AMIGO AO NÍVEL DO CHÃO
Quando vi meu amigo morto
deitado ao nível do chão
coberto por um pano
- ou teria sido plástico -
temi por ele
temi que baratas pudessem
Por que temer insetos
se em breve ele entraria
terra adentro
noite adentro?
Por que temer
tão pouco
se dos temores
o maior
já não podia temer?
deitado ao nível do chão
coberto por um pano
- ou teria sido plástico -
temi por ele
temi que baratas pudessem
Por que temer insetos
se em breve ele entraria
terra adentro
noite adentro?
Por que temer
tão pouco
se dos temores
o maior
já não podia temer?
1 163
Allen Ginsberg
Porque Deus é amor, Jack?
Porque eu me deito
sobre este leito,
Porque eu choro
numa sala sepultada
Porque meu coração
naufraga
Por causa dessa
minha graça
de pança e seus
suaves suspiros –
conhecido
soluçar de meu seio
serenado pelo
toque –
Porque eu me assusto –
Porque ergo a minha
voz e canto
ao meu eu amado –
Porque vos amo sim
meu querido,
meu outro, minha
noiva viva
meu amigo, amo antigo
de suaves olhos –
Porque pertenço ao
Poder da vida & não
posso fazer nada
senão ceder à
sensação de ser um
Perdido
Correndo ainda atrás da
excitação – gozo
delicioso do
coração abdômen quadris
& coxas
Sem recusar meus
38a. 65kg de cabeça
tronco & membros
Nem nenhumazinha de minhas
unhas Whitmaníacas
Nem banir meus cabelos
pro inferno eterno,
Porque sob este manto mecânico
Confesso meu desejo inconfessável.
Nova York, 1963
sobre este leito,
Porque eu choro
numa sala sepultada
Porque meu coração
naufraga
Por causa dessa
minha graça
de pança e seus
suaves suspiros –
conhecido
soluçar de meu seio
serenado pelo
toque –
Porque eu me assusto –
Porque ergo a minha
voz e canto
ao meu eu amado –
Porque vos amo sim
meu querido,
meu outro, minha
noiva viva
meu amigo, amo antigo
de suaves olhos –
Porque pertenço ao
Poder da vida & não
posso fazer nada
senão ceder à
sensação de ser um
Perdido
Correndo ainda atrás da
excitação – gozo
delicioso do
coração abdômen quadris
& coxas
Sem recusar meus
38a. 65kg de cabeça
tronco & membros
Nem nenhumazinha de minhas
unhas Whitmaníacas
Nem banir meus cabelos
pro inferno eterno,
Porque sob este manto mecânico
Confesso meu desejo inconfessável.
Nova York, 1963
740
Affonso Romano de Sant'Anna
Diálogo Com Os Mortos
Começo a conversar com os mortos amiúde
e vejo que têm muito a me dizer.
Estão sempre à minha espera
numa página de livro ou na memória.
Converso com eles
como se o assunto com meus contemporâneos
já se tivesse esgotado,
como se só eles, os mortos,
tivessem algo novo a me dizer.
e vejo que têm muito a me dizer.
Estão sempre à minha espera
numa página de livro ou na memória.
Converso com eles
como se o assunto com meus contemporâneos
já se tivesse esgotado,
como se só eles, os mortos,
tivessem algo novo a me dizer.
1 101
Affonso Romano de Sant'Anna
Diálogo Com Os Mortos
Começo a conversar com os mortos amiúde
e vejo que têm muito a me dizer.
Estão sempre à minha espera
numa página de livro ou na memória.
Converso com eles
como se o assunto com meus contemporâneos
já se tivesse esgotado,
como se só eles, os mortos,
tivessem algo novo a me dizer.
e vejo que têm muito a me dizer.
Estão sempre à minha espera
numa página de livro ou na memória.
Converso com eles
como se o assunto com meus contemporâneos
já se tivesse esgotado,
como se só eles, os mortos,
tivessem algo novo a me dizer.
1 101
Affonso Romano de Sant'Anna
Poema Tirado de “Breve História da Ciência”
– a busca da verdade” do norueguês Eirik Newth
Aparentemente
existe um número infinito de seres vivos
que seguem a lei da probabilidade.
O astrônomo pode calcular
onde se encontrará o planeta Júpiter em três mil anos.
Mas nenhum biólogo
pode prever
onde a borboleta pousará.
Aparentemente
existe um número infinito de seres vivos
que seguem a lei da probabilidade.
O astrônomo pode calcular
onde se encontrará o planeta Júpiter em três mil anos.
Mas nenhum biólogo
pode prever
onde a borboleta pousará.
955
Affonso Romano de Sant'Anna
Esclerose Amorosa
O que fazíamos no leito?
De tua voz já nem me lembro.
Tuas pernas dissolvem-se na neblina.
Havia uivos de gozo?
Nem dos seios sei exatamente.
O que eu fazia? O que fazias?
Ah! uma vaga lembrança
a que nem amor eu chamaria.
No entanto, parece que eu sofria.
Sofria?
Já não me lembro por que sofria.
De tua voz já nem me lembro.
Tuas pernas dissolvem-se na neblina.
Havia uivos de gozo?
Nem dos seios sei exatamente.
O que eu fazia? O que fazias?
Ah! uma vaga lembrança
a que nem amor eu chamaria.
No entanto, parece que eu sofria.
Sofria?
Já não me lembro por que sofria.
1 156
Affonso Romano de Sant'Anna
Cão Poeta
Já urinei em várias partes do mundo:
nas ruínas gregas do palácio de Agamenon,
na ilha Comacina – lá em Como,
em Machu Pichu.
Urinava como um cão
marcando o território.
Às vezes, não urinava, escrevia.
Escrevia, não em árvores e pedras
como ostensivo turista.
Escrevia
como um cão
marcando na história alheia
– meu imponderável território.
nas ruínas gregas do palácio de Agamenon,
na ilha Comacina – lá em Como,
em Machu Pichu.
Urinava como um cão
marcando o território.
Às vezes, não urinava, escrevia.
Escrevia, não em árvores e pedras
como ostensivo turista.
Escrevia
como um cão
marcando na história alheia
– meu imponderável território.
1 177
Allen Ginsberg
Relato de um sonho:
Uma noite bêbado na minha casa com um
garoto, San Francisco:deitado dormindo:
escuridío:
voltei para Cidade do México
e vi Joan Burroughs debruçada
para a frente numa cadeira de jardim, braços
nos joelhos. Examinou-me com
límpidos olhos e sorriso abatido, seu
rosto reconstituído na refinada beleza
que a tequilla e o sal haviam tornado estranha
antes da bala na sua testa.
Falamos sobre a vida desde então.
Bem, o que Burroughs está fazendo agora?
Bill na terra, ele está na África do Norte.
Oh, e Kerouac? Jack continua por aí
com o mesmo gênio Beat de antes,
cadernos de anotações cheios de Buda.
Espero que ele consiga, ela riu.
E Huncke, ainda está em cana? Não,
da última vez que o vi foi em Times Square.
E como vai Kenney? Casado, bêbado
e cheio da grana no Leste. E você? Novos
amores no Oeste -
Então soube
que ela era um sonho: e perguntei-lhe
-Joan, que espécie de sabedoria têm
os mortos? você ainda pode amar
suas amizades mortais?
O que você lembra de nós?
Ela
apagou-se à minha frente - No momento seguinte
eu vi seu túmulo encardido pela chuva
atrás um epitáfio ilegível
sob o ramo nodoso de uma pequena
árvore no capim selvagem
de um jardim abandonado no México.
garoto, San Francisco:deitado dormindo:
escuridío:
voltei para Cidade do México
e vi Joan Burroughs debruçada
para a frente numa cadeira de jardim, braços
nos joelhos. Examinou-me com
límpidos olhos e sorriso abatido, seu
rosto reconstituído na refinada beleza
que a tequilla e o sal haviam tornado estranha
antes da bala na sua testa.
Falamos sobre a vida desde então.
Bem, o que Burroughs está fazendo agora?
Bill na terra, ele está na África do Norte.
Oh, e Kerouac? Jack continua por aí
com o mesmo gênio Beat de antes,
cadernos de anotações cheios de Buda.
Espero que ele consiga, ela riu.
E Huncke, ainda está em cana? Não,
da última vez que o vi foi em Times Square.
E como vai Kenney? Casado, bêbado
e cheio da grana no Leste. E você? Novos
amores no Oeste -
Então soube
que ela era um sonho: e perguntei-lhe
-Joan, que espécie de sabedoria têm
os mortos? você ainda pode amar
suas amizades mortais?
O que você lembra de nós?
Ela
apagou-se à minha frente - No momento seguinte
eu vi seu túmulo encardido pela chuva
atrás um epitáfio ilegível
sob o ramo nodoso de uma pequena
árvore no capim selvagem
de um jardim abandonado no México.
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