Poemas neste tema
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Pablo Neruda
Manhã - XXI
Oh que todo o amor propague em mim sua boca,
que não sofra um momento mais sem primavera,
eu não vendi senão minhas mãos à dor,
agora, bem-amada, deixa-me com teus beijos.
Cobre a luz do mês aberto com teu aroma,
fecha as portas com tua cabeleira
e em relação a mim não esqueças que se desperto e choro
é porque em sonhos apenas sou um menino perdido
que busca entre as folhas da noite tuas mãos,
o contato do trigo que tu me comunicas,
um rapto cintilante de sombra e energia.
Oh, bem-amada, e nada mais que sombra
por onde me acompanhes em teus sonhos
e me digas a hora da luz.
que não sofra um momento mais sem primavera,
eu não vendi senão minhas mãos à dor,
agora, bem-amada, deixa-me com teus beijos.
Cobre a luz do mês aberto com teu aroma,
fecha as portas com tua cabeleira
e em relação a mim não esqueças que se desperto e choro
é porque em sonhos apenas sou um menino perdido
que busca entre as folhas da noite tuas mãos,
o contato do trigo que tu me comunicas,
um rapto cintilante de sombra e energia.
Oh, bem-amada, e nada mais que sombra
por onde me acompanhes em teus sonhos
e me digas a hora da luz.
1 589
Pablo Neruda
Meio-Dia - XLI
Desventuras do mês de janeiro quando o indiferente
meio-dia estabelece sua equação no céu,
um ouro duro como o vinho de uma taça repleta
satura a terra até seus limites azuis.
Desventuras deste tempo semelhantes a uvas
pequenas que agruparam verde amargo,
confusas, escondidas lágrimas dos dias,
até que a intempérie publicou seus cachos.
Sim, germes, dores, tudo o que palpita
aterrado, à luz crepitante de janeiro,
madurará, arderá como arderam os frutos.
Divididos serão os pesares: a alma
dará um golpe de vento, e a morada
ficará limpa como o pão novo na mesa.
meio-dia estabelece sua equação no céu,
um ouro duro como o vinho de uma taça repleta
satura a terra até seus limites azuis.
Desventuras deste tempo semelhantes a uvas
pequenas que agruparam verde amargo,
confusas, escondidas lágrimas dos dias,
até que a intempérie publicou seus cachos.
Sim, germes, dores, tudo o que palpita
aterrado, à luz crepitante de janeiro,
madurará, arderá como arderam os frutos.
Divididos serão os pesares: a alma
dará um golpe de vento, e a morada
ficará limpa como o pão novo na mesa.
1 123
Pablo Neruda
XVI - Os homens
O fatigado, o órfão
das multidões, o eu,
o triturado, o do asfalto,
o apátrida dos restaurantes repletos,
o que queria ir mais longe, sempre,
não sabia o que fazer na ilha,
queria e não queria ficar ou voltar,
o vacilante, o híbrido, o enredado em si mesmo
aqui não teve lugar: a retidão de pedra,
o olhar infinito do prisma de granito,
a solidão redonda o expulsaram:
foi-se com suas tristezas para outra parte,
regressou às suas agonias natais,
às indecisões do frio e do verão.
das multidões, o eu,
o triturado, o do asfalto,
o apátrida dos restaurantes repletos,
o que queria ir mais longe, sempre,
não sabia o que fazer na ilha,
queria e não queria ficar ou voltar,
o vacilante, o híbrido, o enredado em si mesmo
aqui não teve lugar: a retidão de pedra,
o olhar infinito do prisma de granito,
a solidão redonda o expulsaram:
foi-se com suas tristezas para outra parte,
regressou às suas agonias natais,
às indecisões do frio e do verão.
1 179
Pablo Neruda
Vallejo
Mais tarde na Rua Delambre com Vallejo bebendo calvados
e cerveja nos copos imensos da Rua Alegria,
porque então meu irmão tinha alegria no copo
e levantávamos juntos a felicidade de um minuto que ardia no ar
e que se apagaria em sua morte deixando-me cego.
e cerveja nos copos imensos da Rua Alegria,
porque então meu irmão tinha alegria no copo
e levantávamos juntos a felicidade de um minuto que ardia no ar
e que se apagaria em sua morte deixando-me cego.
1 117
Pablo Neruda
Tarde - LXXIII
Recordarás talvez aquele homem afilado
que da escuridão saiu como uma faca
e, antes de que soubéssemos, sabia:
viu a fumaça e decidiu que vinha do fogo.
A pálida mulher de cabeleira negra
surgiu como um peixe do abismo
e entre os dois alçaram ao encontro do amor
uma máquina armada de dentes numerosos.
Homem e mulher talaram montanhas e jardins,
desceram aos rios, ascenderam pelos muros,
subiram pelos montes sua atroz artilharia.
O amor soube então que se chamava amor.
E quando levantei meus olhos a teu nome
teu coração logo dispôs de meu caminho.
que da escuridão saiu como uma faca
e, antes de que soubéssemos, sabia:
viu a fumaça e decidiu que vinha do fogo.
A pálida mulher de cabeleira negra
surgiu como um peixe do abismo
e entre os dois alçaram ao encontro do amor
uma máquina armada de dentes numerosos.
Homem e mulher talaram montanhas e jardins,
desceram aos rios, ascenderam pelos muros,
subiram pelos montes sua atroz artilharia.
O amor soube então que se chamava amor.
E quando levantei meus olhos a teu nome
teu coração logo dispôs de meu caminho.
1 046
Pablo Neruda
Noite - XCIV
Se morro sobrevive-me com tanta força pura
que despertes a fúria do pálido e do frio,
de Sul a Sul levanta teus olhos indeléveis,
de sol a sol que soe tua boca de guitarra.
Não quero que vacilem teu riso nem teus passos,
não quero que pereça minha herança de alegria,
não chames a meu peito, estou ausente.
Vive em minha ausência como numa casa.
É uma casa tão grande a ausência
que passarás nela através dos muros
e penderás os quadros no ar.
É uma casa tão transparente a ausência
que eu sem vida te verei viver
e se sofres, meu amor, morrerei outra vez.
que despertes a fúria do pálido e do frio,
de Sul a Sul levanta teus olhos indeléveis,
de sol a sol que soe tua boca de guitarra.
Não quero que vacilem teu riso nem teus passos,
não quero que pereça minha herança de alegria,
não chames a meu peito, estou ausente.
Vive em minha ausência como numa casa.
É uma casa tão grande a ausência
que passarás nela através dos muros
e penderás os quadros no ar.
É uma casa tão transparente a ausência
que eu sem vida te verei viver
e se sofres, meu amor, morrerei outra vez.
1 393
Pablo Neruda
O desterro
Porque, bem-amada, é o homem que canta o que morre morrendo sem morte
quando já não tocaram seus braços as originárias tormentas,
quando já não queimaram seus olhos os intermitentes
conflitos natais
ou quando a pátria evasiva negou ao desterrado sua taça de amor e aspereza
não morre e morre quem canta, e padece morrendo e
vivendo o que cantas.
quando já não tocaram seus braços as originárias tormentas,
quando já não queimaram seus olhos os intermitentes
conflitos natais
ou quando a pátria evasiva negou ao desterrado sua taça de amor e aspereza
não morre e morre quem canta, e padece morrendo e
vivendo o que cantas.
1 170
Pablo Neruda
O desterro
Porque, bem-amada, é o homem que canta o que morre morrendo sem morte
quando já não tocaram seus braços as originárias tormentas,
quando já não queimaram seus olhos os intermitentes
conflitos natais
ou quando a pátria evasiva negou ao desterrado sua taça de amor e aspereza
não morre e morre quem canta, e padece morrendo e
vivendo o que cantas.
quando já não tocaram seus braços as originárias tormentas,
quando já não queimaram seus olhos os intermitentes
conflitos natais
ou quando a pátria evasiva negou ao desterrado sua taça de amor e aspereza
não morre e morre quem canta, e padece morrendo e
vivendo o que cantas.
1 170
Pablo Neruda
Manhã - VIII
Senão fosse porque têm cor de lua teus olhos,
de dia com argila, com trabalho, com fogo,
e aprisionada tens a agilidade do ar,
se não fosse porque uma semana és de âmbar.
se não fosse porque és o momento amarelo
em que o outono sobe pelas trepadeiras
e és ainda o pão que a lua fragrante
elabora passeando sua farinha pelo céu,
oh, bem-amada, eu não te amaria!
Em teu abraço eu abraço o que existe,
a areia, o tempo, a árvore da chuva,
e tudo vive para que eu viva:
sem ir tão longe posso ver tudo:
vejo em tua vida todo o vivente.
de dia com argila, com trabalho, com fogo,
e aprisionada tens a agilidade do ar,
se não fosse porque uma semana és de âmbar.
se não fosse porque és o momento amarelo
em que o outono sobe pelas trepadeiras
e és ainda o pão que a lua fragrante
elabora passeando sua farinha pelo céu,
oh, bem-amada, eu não te amaria!
Em teu abraço eu abraço o que existe,
a areia, o tempo, a árvore da chuva,
e tudo vive para que eu viva:
sem ir tão longe posso ver tudo:
vejo em tua vida todo o vivente.
1 345
Pablo Neruda
Manhã - VIII
Senão fosse porque têm cor de lua teus olhos,
de dia com argila, com trabalho, com fogo,
e aprisionada tens a agilidade do ar,
se não fosse porque uma semana és de âmbar.
se não fosse porque és o momento amarelo
em que o outono sobe pelas trepadeiras
e és ainda o pão que a lua fragrante
elabora passeando sua farinha pelo céu,
oh, bem-amada, eu não te amaria!
Em teu abraço eu abraço o que existe,
a areia, o tempo, a árvore da chuva,
e tudo vive para que eu viva:
sem ir tão longe posso ver tudo:
vejo em tua vida todo o vivente.
de dia com argila, com trabalho, com fogo,
e aprisionada tens a agilidade do ar,
se não fosse porque uma semana és de âmbar.
se não fosse porque és o momento amarelo
em que o outono sobe pelas trepadeiras
e és ainda o pão que a lua fragrante
elabora passeando sua farinha pelo céu,
oh, bem-amada, eu não te amaria!
Em teu abraço eu abraço o que existe,
a areia, o tempo, a árvore da chuva,
e tudo vive para que eu viva:
sem ir tão longe posso ver tudo:
vejo em tua vida todo o vivente.
1 345
Pablo Neruda
X
Que pensarão de meu chapéu
daqui a cem anos os polacos?
Que dirão de minha poesia
os que não tocaram meu sangue?
Como se mede a espuma
que resvala da cerveja?
Que faz uma mosca encarcerada
em um soneto de Petrarca?
daqui a cem anos os polacos?
Que dirão de minha poesia
os que não tocaram meu sangue?
Como se mede a espuma
que resvala da cerveja?
Que faz uma mosca encarcerada
em um soneto de Petrarca?
1 155
Pablo Neruda
Trinou o Zorzal
Trinou o Zorzal, pássaro puro
dos campos do Chile:
chamava, celebrava,
escrevia no vento.
Era cedo,
aqui, no inverno, na costa.
Ficava um arrebol celeste
como um delgado pedaço de bandeira
flutuando sobre o mar.
Depois a cor azul invadiu o céu
até que tudo se encheu de azul,
porque esse é o dever de cada dia,
o pão azul de cada dia.
dos campos do Chile:
chamava, celebrava,
escrevia no vento.
Era cedo,
aqui, no inverno, na costa.
Ficava um arrebol celeste
como um delgado pedaço de bandeira
flutuando sobre o mar.
Depois a cor azul invadiu o céu
até que tudo se encheu de azul,
porque esse é o dever de cada dia,
o pão azul de cada dia.
1 383
Pablo Neruda
Os amantes de Capri
A ilha sustenta em seu centro a alma como uma moeda
que o tempo e o vento limparam deixando-a pura
como amêndoa intacta e agreste cortada na pele da safira
e ali nosso amor foi a torre invisível que treme na fumaça,
o orbe vazio deteve sua cauda estrelada e a rede com os peixes do céu
porque os amantes de Capri fecharam os olhos e um rouco relâmpago cravou no silvante circuito marinho
o medo que fugiu dessangrando-se e ferido de morte
como a ameaça de um peixe espantoso por súbito arpão derrotado:
e depois no mel oceânico navega a estátua de proa,
nua, enlaçada pelo incitante ciclone masculino.
que o tempo e o vento limparam deixando-a pura
como amêndoa intacta e agreste cortada na pele da safira
e ali nosso amor foi a torre invisível que treme na fumaça,
o orbe vazio deteve sua cauda estrelada e a rede com os peixes do céu
porque os amantes de Capri fecharam os olhos e um rouco relâmpago cravou no silvante circuito marinho
o medo que fugiu dessangrando-se e ferido de morte
como a ameaça de um peixe espantoso por súbito arpão derrotado:
e depois no mel oceânico navega a estátua de proa,
nua, enlaçada pelo incitante ciclone masculino.
1 225
Pablo Neruda
Tarde - LIX
Pobres poetas a quem a vida e a morte
perseguiram com a mesma tenacidade sombria
e logo são cobertos por impassível pompa,
entregues ao rito e ao dente funerário.
Eles – obscuros como pedrinhas – agora
detrás dos cavalos arrogantes, estendidos
vão, governados ao fim pelos intrusos,
entre os acompanhantes, a dormir sem silêncio.
Antes e já seguros de que está morto o morto
fazem das exéquias um festim miserável
com pavões, porcos e outros oradores.
Espreitaram sua morte e então a ofenderam:
só porque sua boca está fechada
e já não pode contestar seu canto.
perseguiram com a mesma tenacidade sombria
e logo são cobertos por impassível pompa,
entregues ao rito e ao dente funerário.
Eles – obscuros como pedrinhas – agora
detrás dos cavalos arrogantes, estendidos
vão, governados ao fim pelos intrusos,
entre os acompanhantes, a dormir sem silêncio.
Antes e já seguros de que está morto o morto
fazem das exéquias um festim miserável
com pavões, porcos e outros oradores.
Espreitaram sua morte e então a ofenderam:
só porque sua boca está fechada
e já não pode contestar seu canto.
605
Pablo Neruda
XX
É verdade que o âmbar contém
as lágrimas das sereias?
Como se chama uma flor
que voa de pássaro em pássaro?
Não é melhor nunca que tarde?
E por que o queijo se dispôs
a exercer proezas na França?
as lágrimas das sereias?
Como se chama uma flor
que voa de pássaro em pássaro?
Não é melhor nunca que tarde?
E por que o queijo se dispôs
a exercer proezas na França?
1 083
Pablo Neruda
XXXI
A quem posso perguntar
o que fazer neste mundo?
Por que me movo sem querer,
por que não posso estar imóvel?
Por que vou rodando sem rodas,
voando sem asas nem plumas,
e que me deu de transmigrar
se vivem no Chile meus ossos?
o que fazer neste mundo?
Por que me movo sem querer,
por que não posso estar imóvel?
Por que vou rodando sem rodas,
voando sem asas nem plumas,
e que me deu de transmigrar
se vivem no Chile meus ossos?
1 044
Pablo Neruda
LXIV
Por que minha roupa desbotada
se agita como uma bandeira?
Sou um malvado alguma vez
ou todas as vezes sou bom?
É a bondade que se aprende
ou a máscara da bondade?
Não é branca a roseira do malvado
e negras as flores do bem?
Quem dá os nomes e os números
ao inocente inumerável?
se agita como uma bandeira?
Sou um malvado alguma vez
ou todas as vezes sou bom?
É a bondade que se aprende
ou a máscara da bondade?
Não é branca a roseira do malvado
e negras as flores do bem?
Quem dá os nomes e os números
ao inocente inumerável?
1 151
Pablo Neruda
LXIV
Por que minha roupa desbotada
se agita como uma bandeira?
Sou um malvado alguma vez
ou todas as vezes sou bom?
É a bondade que se aprende
ou a máscara da bondade?
Não é branca a roseira do malvado
e negras as flores do bem?
Quem dá os nomes e os números
ao inocente inumerável?
se agita como uma bandeira?
Sou um malvado alguma vez
ou todas as vezes sou bom?
É a bondade que se aprende
ou a máscara da bondade?
Não é branca a roseira do malvado
e negras as flores do bem?
Quem dá os nomes e os números
ao inocente inumerável?
1 151
Pablo Neruda
As feridas
Foi talvez a ofensa do amor escondido e talvez a incerteza, a dor vacilante,
o temer à ferida que não somente tua pele e minha pele transpassasse,
mas que chegasse a instalar uma lágrima áspera nas
pálpebras da que me amou,
o certo é que já não tínhamos nem céu nem sombra nem ramo de vermelha ameixeira com fruto e orvalho
e só a ira dos becos que não têm portas entrava e saía em minha alma
sem saber onde ir nem voltar sem matar ou morrer.
o temer à ferida que não somente tua pele e minha pele transpassasse,
mas que chegasse a instalar uma lágrima áspera nas
pálpebras da que me amou,
o certo é que já não tínhamos nem céu nem sombra nem ramo de vermelha ameixeira com fruto e orvalho
e só a ira dos becos que não têm portas entrava e saía em minha alma
sem saber onde ir nem voltar sem matar ou morrer.
1 280
Pablo Neruda
Nas Ruas de Praga
Recordas as ruas de Praga que duras sonhavam
como se tambores de pedra sonhassem na solidão
daquele que através dos mares buscou tua lembrança:
tua imagem em cima da ponte San Carlos era uma laranja.
Então cruzamos a neve de sete fronteiras
desde Budapeste que agregava roseiras e pão à sua estirpe
até os amantes, tu e eu, perseguidos, sedentos e famintos,
nos reconhecemos ferindo-nos com dentes e beijos e espadas.
Oh dias cortados pelas cimitarras do fogo e da fúria
sofrendo o amante e a amante sem trégua e sem pranto
como se o sentimento se houvesse enterrado em um páramo entre as urtigas
e cada expressão se turbasse queimando e virando lava.
como se tambores de pedra sonhassem na solidão
daquele que através dos mares buscou tua lembrança:
tua imagem em cima da ponte San Carlos era uma laranja.
Então cruzamos a neve de sete fronteiras
desde Budapeste que agregava roseiras e pão à sua estirpe
até os amantes, tu e eu, perseguidos, sedentos e famintos,
nos reconhecemos ferindo-nos com dentes e beijos e espadas.
Oh dias cortados pelas cimitarras do fogo e da fúria
sofrendo o amante e a amante sem trégua e sem pranto
como se o sentimento se houvesse enterrado em um páramo entre as urtigas
e cada expressão se turbasse queimando e virando lava.
1 096
Pablo Neruda
XXI
E quando se fundou a luz
isto sucedeu na Venezuela?
Onde está o centro do mar?
Por que ali não vão as ondas?
É certo que aquele meteoro
foi uma pomba de ametista?
Posso perguntar a meu livro
se é verdade que eu o escrevi?
isto sucedeu na Venezuela?
Onde está o centro do mar?
Por que ali não vão as ondas?
É certo que aquele meteoro
foi uma pomba de ametista?
Posso perguntar a meu livro
se é verdade que eu o escrevi?
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Pablo Neruda
XXI
E quando se fundou a luz
isto sucedeu na Venezuela?
Onde está o centro do mar?
Por que ali não vão as ondas?
É certo que aquele meteoro
foi uma pomba de ametista?
Posso perguntar a meu livro
se é verdade que eu o escrevi?
isto sucedeu na Venezuela?
Onde está o centro do mar?
Por que ali não vão as ondas?
É certo que aquele meteoro
foi uma pomba de ametista?
Posso perguntar a meu livro
se é verdade que eu o escrevi?
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