Poemas neste tema
Outros
Lenilde Freitas
A Sylvia Plath
Ouve os pombos, S...
o arrulho que eles fazem.
São sempre tão delicadas
as margaridas
e imprensada entre ladrilhos
cresce a grama.
Ouve os pombos, S...
se o tédio te aprisiona
entre estas asas úmidas
que não chegam às estrelas
nem vêem seu brilho.
Ouve, S... o arrulho que eles fazem.
Viver é doce. Cada dia tem seu som
cada som, sua gama.
1 011
Lenilde Freitas
A Sylvia Plath
Ouve os pombos, S...
o arrulho que eles fazem.
São sempre tão delicadas
as margaridas
e imprensada entre ladrilhos
cresce a grama.
Ouve os pombos, S...
se o tédio te aprisiona
entre estas asas úmidas
que não chegam às estrelas
nem vêem seu brilho.
Ouve, S... o arrulho que eles fazem.
Viver é doce. Cada dia tem seu som
cada som, sua gama.
1 011
Angela Santos
Desprendimento
Voa
o pensamento para lá dos dias
e trazem consigo momentos eternos
vividos a rodos de sofreguidão
receosos do tempo, e sua verdade,
lento a escoar-se na imensidão
E o pensamento voa
e regressa ao lugar onde te vejo
ao chão onde te amo
ao sofá onde deitas o teu corpo e o teu cansaço
ao cigarro que fumamos
ao toque de nossas mãos
a vibração de nossos corpos trémulos
rasgados de desejo
Voa o pensamento
e bebe na memória e nos sinais
no cheiro que trago em mim
na melodia que ecoa na minha alma
e até das margens do meu silêncio
onde nebulosas se erguem as palavras
que eu calo por amor.
o pensamento para lá dos dias
e trazem consigo momentos eternos
vividos a rodos de sofreguidão
receosos do tempo, e sua verdade,
lento a escoar-se na imensidão
E o pensamento voa
e regressa ao lugar onde te vejo
ao chão onde te amo
ao sofá onde deitas o teu corpo e o teu cansaço
ao cigarro que fumamos
ao toque de nossas mãos
a vibração de nossos corpos trémulos
rasgados de desejo
Voa o pensamento
e bebe na memória e nos sinais
no cheiro que trago em mim
na melodia que ecoa na minha alma
e até das margens do meu silêncio
onde nebulosas se erguem as palavras
que eu calo por amor.
1 207
Angela Santos
Utopia
O
sonho mais longínquo
ou a mais utópica meta
se alcançam à força de tanto querer
o longe de mim se acerca
e o sonho irrompe em verdade
se for o querer bastante,
se minha alma crescer
e derrubar os limites
da mais crua realidade
Uma estrela pode então
não ser apenas o ponto
que brilha distante no espaço sideral
mas essa coisa bonita
que colho na luz dos teus olhos
ou o calor de hélio puro
que explode no meu coração.
sonho mais longínquo
ou a mais utópica meta
se alcançam à força de tanto querer
o longe de mim se acerca
e o sonho irrompe em verdade
se for o querer bastante,
se minha alma crescer
e derrubar os limites
da mais crua realidade
Uma estrela pode então
não ser apenas o ponto
que brilha distante no espaço sideral
mas essa coisa bonita
que colho na luz dos teus olhos
ou o calor de hélio puro
que explode no meu coração.
1 038
Lenilde Freitas
A Alfonsina Storni
O bulício do amanhecer
destranca as portas da sabedoria.
É o mesmo e não é o mesmo
o destino dos homens.
Com a chuva vigorosa,
as enredadeiras se desvencilham
dos muros os ventos recuam e
poucas cigarras sobrevivem.
Assim, agora.
A mulher
– passante -
se desveste da cor cambiante do sonho.
destranca as portas da sabedoria.
É o mesmo e não é o mesmo
o destino dos homens.
Com a chuva vigorosa,
as enredadeiras se desvencilham
dos muros os ventos recuam e
poucas cigarras sobrevivem.
Assim, agora.
A mulher
– passante -
se desveste da cor cambiante do sonho.
921
Dolores Duran
A noite do meu bem
Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero a paz de criança dormindo
E o abandono das flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem
Quero a alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! Eu quero o amor mais profundo
Eu quero toda a beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! Como este bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda a ternura que eu quero lhe dar.
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero a paz de criança dormindo
E o abandono das flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem
Quero a alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! Eu quero o amor mais profundo
Eu quero toda a beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! Como este bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda a ternura que eu quero lhe dar.
1 409
Eugénia Tabosa
Esse olhar
Esse olhar parado
sem hoje nem passado
Esse olhar sem espera
como canto preso
em boca entreaberta
Esse olhar cansado
desfeito
sem jeito
não grita
não chora
Esse olhar desarmado
como barco sem leme
Existe
Não posso ignorá-lo!
sem hoje nem passado
Esse olhar sem espera
como canto preso
em boca entreaberta
Esse olhar cansado
desfeito
sem jeito
não grita
não chora
Esse olhar desarmado
como barco sem leme
Existe
Não posso ignorá-lo!
1 033
Hilda Hilst
Fragmentos
Muros castos e tristes
Cativos de si mesmos
Como criaturas que envelhecem
Sem conhecer a boca
De homens e mulheres.
Muros Escuros, tímidos:
Escorpiões de seda
No acanhado da pedra.
Há alturas soberbas
Danosas, se tocadas.
Como a tua própria boca, amor,
Quando me toca...
Cativos de si mesmos
Como criaturas que envelhecem
Sem conhecer a boca
De homens e mulheres.
Muros Escuros, tímidos:
Escorpiões de seda
No acanhado da pedra.
Há alturas soberbas
Danosas, se tocadas.
Como a tua própria boca, amor,
Quando me toca...
1 710
Angela Santos
Pulsão
Falo
sem nome que te designe
sabendo de ti tão só o sinal
És fome de mãos
que as minhas segurem
és fome de um corpo
onde o meu se encontre
és fome de ser,
és fome de vida
e fome de mim…
Pressinto-te
convulsiva pulsão
que me refaz
à medida que se desfaz,
no meu ser estilhaçado,
explosões comedidas…adiadas…
Esta fome é a minha
e não tem nome..
esta fome sou eu
feita ou desfeita em pedaços
ausências, esperas,
gritos e silêncios
adiamentos, cansaços.
sem nome que te designe
sabendo de ti tão só o sinal
És fome de mãos
que as minhas segurem
és fome de um corpo
onde o meu se encontre
és fome de ser,
és fome de vida
e fome de mim…
Pressinto-te
convulsiva pulsão
que me refaz
à medida que se desfaz,
no meu ser estilhaçado,
explosões comedidas…adiadas…
Esta fome é a minha
e não tem nome..
esta fome sou eu
feita ou desfeita em pedaços
ausências, esperas,
gritos e silêncios
adiamentos, cansaços.
1 112
Angela Santos
Pulsão
Falo
sem nome que te designe
sabendo de ti tão só o sinal
És fome de mãos
que as minhas segurem
és fome de um corpo
onde o meu se encontre
és fome de ser,
és fome de vida
e fome de mim…
Pressinto-te
convulsiva pulsão
que me refaz
à medida que se desfaz,
no meu ser estilhaçado,
explosões comedidas…adiadas…
Esta fome é a minha
e não tem nome..
esta fome sou eu
feita ou desfeita em pedaços
ausências, esperas,
gritos e silêncios
adiamentos, cansaços.
sem nome que te designe
sabendo de ti tão só o sinal
És fome de mãos
que as minhas segurem
és fome de um corpo
onde o meu se encontre
és fome de ser,
és fome de vida
e fome de mim…
Pressinto-te
convulsiva pulsão
que me refaz
à medida que se desfaz,
no meu ser estilhaçado,
explosões comedidas…adiadas…
Esta fome é a minha
e não tem nome..
esta fome sou eu
feita ou desfeita em pedaços
ausências, esperas,
gritos e silêncios
adiamentos, cansaços.
1 112
Angela Santos
Chão de
Mim
Há
um rito solar
pendente em minha alma
rito secular
de bacantes abraçadas em adoração
à luz diuturna ou à prenhe lua
nas noites de incêndio
que ao corpo afloram
Há nos meus sentidos
orgias de cores
o vermelho vivo, o sangue e a vida
o azul infinito
onde rasga voo este meu olhar,
o verde ondeante
onde voga a vontade de ser caravela
e em ti mulher,
meu porto de abrigo
ancorar
E há virgens descalças
de todas as cores
de todas as raças
carregando aos ombros
meninos sagrados,
almas de crianças
emergindo firmes
da luxuriante verde
exuberância…
O cheiro da terra e a singeleza
do que vejo e sinto
levam-me ao fundo
da estranha certeza
de que há um lugar
onde eu já respiro
Lá nesse lugar
onde o coração pressente a batida
e a vibração do que eu sinto ser
essa outra forma de sentir a vida,
vida inteira ter.
Há
um rito solar
pendente em minha alma
rito secular
de bacantes abraçadas em adoração
à luz diuturna ou à prenhe lua
nas noites de incêndio
que ao corpo afloram
Há nos meus sentidos
orgias de cores
o vermelho vivo, o sangue e a vida
o azul infinito
onde rasga voo este meu olhar,
o verde ondeante
onde voga a vontade de ser caravela
e em ti mulher,
meu porto de abrigo
ancorar
E há virgens descalças
de todas as cores
de todas as raças
carregando aos ombros
meninos sagrados,
almas de crianças
emergindo firmes
da luxuriante verde
exuberância…
O cheiro da terra e a singeleza
do que vejo e sinto
levam-me ao fundo
da estranha certeza
de que há um lugar
onde eu já respiro
Lá nesse lugar
onde o coração pressente a batida
e a vibração do que eu sinto ser
essa outra forma de sentir a vida,
vida inteira ter.
1 119
Angela Santos
Geografia Humana
Na
geografia de um corpo
de mulher
distinta em cada ponto da viagem
igual na ânsia da busca
desse porto antigo
onde a mim me achei
Abrem-se os corpos
aos gestos que ensaiam
o acontecer…
firo-me na estranheza
deste corpo irmão
essa dor instante
que se torna um bem
Cedo à corrente sem leis
no fugaz esquecimento
das muralhas da cidadela
e no corpo desconhecido
que abraço
regresso ao sentir ausente
de um outro corpo
que amei.
geografia de um corpo
de mulher
distinta em cada ponto da viagem
igual na ânsia da busca
desse porto antigo
onde a mim me achei
Abrem-se os corpos
aos gestos que ensaiam
o acontecer…
firo-me na estranheza
deste corpo irmão
essa dor instante
que se torna um bem
Cedo à corrente sem leis
no fugaz esquecimento
das muralhas da cidadela
e no corpo desconhecido
que abraço
regresso ao sentir ausente
de um outro corpo
que amei.
1 086
Angela Santos
Volúpia
Noite
mansamente me convidas…
e um instante mágico
te transforma num enlace
de mulher…
E por dentro de mim
oiço só o coração…
e agitada abandono-me
à volúpia do amor na noite.
na noite…
mansamente me convidas…
e um instante mágico
te transforma num enlace
de mulher…
E por dentro de mim
oiço só o coração…
e agitada abandono-me
à volúpia do amor na noite.
na noite…
1 168
Lenilde Freitas
A Florbela Espanca
Conheço a casa
onde o acordar é infeliz
Na mesma rua, outras casas cintilam
no matiz em que os sonhos aterrissam
Um pássaro cuja plumagem é um pincel
voando torto despinta o céu
A casa que eu conheço
chove por dentro
enquanto a alma
de que lá mora
trinca no centro.
onde o acordar é infeliz
Na mesma rua, outras casas cintilam
no matiz em que os sonhos aterrissam
Um pássaro cuja plumagem é um pincel
voando torto despinta o céu
A casa que eu conheço
chove por dentro
enquanto a alma
de que lá mora
trinca no centro.
897
Angela Santos
Flores Orvalhadas
De
toques suaves
são feitos os momentos
em que olho o corpo que amo
e desnudo
Vibrações, vozes, sussurros
os dias e as noites se enchem
feitos em clarões que abrasam
inteiros o corpo e a alma…
e são pétalas orvalhadas que embelezam
nossos corpos e perfumam como essências
a alma límpida que emerge em nós
depois do amor
Do querer que em nós é grito
cúmplice é o silêncio e a noite
que nos abriga em seu seio
e nos segreda em murmúrio
que o sonho é esse lugar que não é longe nem perto
e dentro de nós está
como o caminho mais certo.
toques suaves
são feitos os momentos
em que olho o corpo que amo
e desnudo
Vibrações, vozes, sussurros
os dias e as noites se enchem
feitos em clarões que abrasam
inteiros o corpo e a alma…
e são pétalas orvalhadas que embelezam
nossos corpos e perfumam como essências
a alma límpida que emerge em nós
depois do amor
Do querer que em nós é grito
cúmplice é o silêncio e a noite
que nos abriga em seu seio
e nos segreda em murmúrio
que o sonho é esse lugar que não é longe nem perto
e dentro de nós está
como o caminho mais certo.
1 157
Angela Santos
Flores Orvalhadas
De
toques suaves
são feitos os momentos
em que olho o corpo que amo
e desnudo
Vibrações, vozes, sussurros
os dias e as noites se enchem
feitos em clarões que abrasam
inteiros o corpo e a alma…
e são pétalas orvalhadas que embelezam
nossos corpos e perfumam como essências
a alma límpida que emerge em nós
depois do amor
Do querer que em nós é grito
cúmplice é o silêncio e a noite
que nos abriga em seu seio
e nos segreda em murmúrio
que o sonho é esse lugar que não é longe nem perto
e dentro de nós está
como o caminho mais certo.
toques suaves
são feitos os momentos
em que olho o corpo que amo
e desnudo
Vibrações, vozes, sussurros
os dias e as noites se enchem
feitos em clarões que abrasam
inteiros o corpo e a alma…
e são pétalas orvalhadas que embelezam
nossos corpos e perfumam como essências
a alma límpida que emerge em nós
depois do amor
Do querer que em nós é grito
cúmplice é o silêncio e a noite
que nos abriga em seu seio
e nos segreda em murmúrio
que o sonho é esse lugar que não é longe nem perto
e dentro de nós está
como o caminho mais certo.
1 157
Angela Santos
Revelação
E
tudo me revela essa que eu amo…
o chão da minha casa,
a cama em que me deito
e não conheço
o que vai além do corpo
e sobrevive ao tempo
as dúvidas e até a raiva
esse compasso de espera
que nos liga e que nos prende
e mais do que tudo isto
é o sentido profundo
de que este amor é urgente.
tudo me revela essa que eu amo…
o chão da minha casa,
a cama em que me deito
e não conheço
o que vai além do corpo
e sobrevive ao tempo
as dúvidas e até a raiva
esse compasso de espera
que nos liga e que nos prende
e mais do que tudo isto
é o sentido profundo
de que este amor é urgente.
1 045
Angela Santos
Poema Atravessado
Escrevo, atravessando
o sentido inscrito
nas palavras, as tuas.
As minhas vêm invadir
o corpo onde repousa
o sentido que às palavras restituis.
Sou nas palavras
que atravessam as tuas e nelas se fundem,
assim como à noite somos uma só,
abraço que nos ata até que nos aparte a luz
que nos devolve à maré dos dias
onde inscrevemos de novo o sentido.
o sentido inscrito
nas palavras, as tuas.
As minhas vêm invadir
o corpo onde repousa
o sentido que às palavras restituis.
Sou nas palavras
que atravessam as tuas e nelas se fundem,
assim como à noite somos uma só,
abraço que nos ata até que nos aparte a luz
que nos devolve à maré dos dias
onde inscrevemos de novo o sentido.
1 117
Angela Santos
Poema Atravessado
Escrevo, atravessando
o sentido inscrito
nas palavras, as tuas.
As minhas vêm invadir
o corpo onde repousa
o sentido que às palavras restituis.
Sou nas palavras
que atravessam as tuas e nelas se fundem,
assim como à noite somos uma só,
abraço que nos ata até que nos aparte a luz
que nos devolve à maré dos dias
onde inscrevemos de novo o sentido.
o sentido inscrito
nas palavras, as tuas.
As minhas vêm invadir
o corpo onde repousa
o sentido que às palavras restituis.
Sou nas palavras
que atravessam as tuas e nelas se fundem,
assim como à noite somos uma só,
abraço que nos ata até que nos aparte a luz
que nos devolve à maré dos dias
onde inscrevemos de novo o sentido.
1 117
Angela Santos
O acordar dos sentidos
Emudecida,
ante a nudez da alma que o corpo espelha,
sigo os meus olhos
na busca de cada movimento, ou arquejo do peito
sigo o ouvido
atenta ao sussurro e ao suspiro
sigo a minha boca
em busca do sal de cada maré viva que sobe à orla do desejo
sigo as minhas mãos
que em cada esquina do teu corpo reencontram o tempo
que um dia foi de todos os sentidos
que de novo emergem à tona dos meus dias.
ante a nudez da alma que o corpo espelha,
sigo os meus olhos
na busca de cada movimento, ou arquejo do peito
sigo o ouvido
atenta ao sussurro e ao suspiro
sigo a minha boca
em busca do sal de cada maré viva que sobe à orla do desejo
sigo as minhas mãos
que em cada esquina do teu corpo reencontram o tempo
que um dia foi de todos os sentidos
que de novo emergem à tona dos meus dias.
1 139
Angela Santos
Além-Mar
Perco-me
nas avenidas do mundo, busco o longe
que me chama
coração em desalinho e a alma de sol e bruma
espraiam-se lá na lonjura
no outro lado do mar..
Aqui, onde sou raiz
as ruelas se estreitam, nelas minha alma se roça
como rio emparedado que em torrente desagua
no outro lado do mar..
Sabe-me a sol e a sal, esse chamado de longe
não o sei dizer... pressinto-o só
e esse pouco é bastante para me agitar o peito
e de mansinho lembrar essa doce vibração
que assoma à flor da pele
Não sei o longe, que me seduz e me chama,
sei apenas que o busco, sem a razão querer saber
como se buscasse, enfim, a coincidência perfeita
desse pedaço de alma que sinto faltar em mim
Ligam Língua e Oceano, esses dois lugares perdidos
Mar.. Mar.. Mar…. imenso Mar
que nos separa e aproxima
Língua - Mater que desnuda e revela devagar,
como o gesto feminino que sem pressa
vai despindo outro ser
a si igual.
nas avenidas do mundo, busco o longe
que me chama
coração em desalinho e a alma de sol e bruma
espraiam-se lá na lonjura
no outro lado do mar..
Aqui, onde sou raiz
as ruelas se estreitam, nelas minha alma se roça
como rio emparedado que em torrente desagua
no outro lado do mar..
Sabe-me a sol e a sal, esse chamado de longe
não o sei dizer... pressinto-o só
e esse pouco é bastante para me agitar o peito
e de mansinho lembrar essa doce vibração
que assoma à flor da pele
Não sei o longe, que me seduz e me chama,
sei apenas que o busco, sem a razão querer saber
como se buscasse, enfim, a coincidência perfeita
desse pedaço de alma que sinto faltar em mim
Ligam Língua e Oceano, esses dois lugares perdidos
Mar.. Mar.. Mar…. imenso Mar
que nos separa e aproxima
Língua - Mater que desnuda e revela devagar,
como o gesto feminino que sem pressa
vai despindo outro ser
a si igual.
763
Angela Santos
Além-Mar
Perco-me
nas avenidas do mundo, busco o longe
que me chama
coração em desalinho e a alma de sol e bruma
espraiam-se lá na lonjura
no outro lado do mar..
Aqui, onde sou raiz
as ruelas se estreitam, nelas minha alma se roça
como rio emparedado que em torrente desagua
no outro lado do mar..
Sabe-me a sol e a sal, esse chamado de longe
não o sei dizer... pressinto-o só
e esse pouco é bastante para me agitar o peito
e de mansinho lembrar essa doce vibração
que assoma à flor da pele
Não sei o longe, que me seduz e me chama,
sei apenas que o busco, sem a razão querer saber
como se buscasse, enfim, a coincidência perfeita
desse pedaço de alma que sinto faltar em mim
Ligam Língua e Oceano, esses dois lugares perdidos
Mar.. Mar.. Mar…. imenso Mar
que nos separa e aproxima
Língua - Mater que desnuda e revela devagar,
como o gesto feminino que sem pressa
vai despindo outro ser
a si igual.
nas avenidas do mundo, busco o longe
que me chama
coração em desalinho e a alma de sol e bruma
espraiam-se lá na lonjura
no outro lado do mar..
Aqui, onde sou raiz
as ruelas se estreitam, nelas minha alma se roça
como rio emparedado que em torrente desagua
no outro lado do mar..
Sabe-me a sol e a sal, esse chamado de longe
não o sei dizer... pressinto-o só
e esse pouco é bastante para me agitar o peito
e de mansinho lembrar essa doce vibração
que assoma à flor da pele
Não sei o longe, que me seduz e me chama,
sei apenas que o busco, sem a razão querer saber
como se buscasse, enfim, a coincidência perfeita
desse pedaço de alma que sinto faltar em mim
Ligam Língua e Oceano, esses dois lugares perdidos
Mar.. Mar.. Mar…. imenso Mar
que nos separa e aproxima
Língua - Mater que desnuda e revela devagar,
como o gesto feminino que sem pressa
vai despindo outro ser
a si igual.
763
Angela Santos
Retrato
De
mim traço este retrato, pela cabeça guiada
faltam-me as cores de Van Gogh e as manchas de Monet
os riscos, os traços e os tons
que fidelizem o dentro se visto de fora é
Como traços de carvão as palavras, que são míngua,
ousam trazer esse dentro, para o outro lado de si
e buscam, na imperfeição, fazer a vez da impressão
que se tem quando o objecto diante de nós se põe…
a cor do trigo no rosto, que o tempo conserva bem
cabelo de tom marron e olhos a condizer
estatura mediana que em mulher não se crê mal…
de Ruben não tenho as formas, nem de Modigliani a esfinge
fico num ponto intermédio, que me dá o que preciso
para me saber mulher
ter no erotismo um quê,
na fome de pele meu pecado – e se isso pecado for
mil vezes pecadora ser.
E diria ter no simples o meu modo preferido,
amo o Barroco e a Fuga, um certo pendor da alma,
no azul estendo os olhos
a cor que digo ser minha
E na alma trago a luz, essa luz sempre está lá
ainda que às vezes a cubra um véu cinzento de nuvens
E já que a vida é acaso, que lá do fundo me trouxe
do obscuro sou crente, da natureza sou filha
e da liberdade amante,
venero Isis, Baco, Cristo, Buda
e isso faz do que sou
um todo que não se explica
na ínfima porção de mim.
mim traço este retrato, pela cabeça guiada
faltam-me as cores de Van Gogh e as manchas de Monet
os riscos, os traços e os tons
que fidelizem o dentro se visto de fora é
Como traços de carvão as palavras, que são míngua,
ousam trazer esse dentro, para o outro lado de si
e buscam, na imperfeição, fazer a vez da impressão
que se tem quando o objecto diante de nós se põe…
a cor do trigo no rosto, que o tempo conserva bem
cabelo de tom marron e olhos a condizer
estatura mediana que em mulher não se crê mal…
de Ruben não tenho as formas, nem de Modigliani a esfinge
fico num ponto intermédio, que me dá o que preciso
para me saber mulher
ter no erotismo um quê,
na fome de pele meu pecado – e se isso pecado for
mil vezes pecadora ser.
E diria ter no simples o meu modo preferido,
amo o Barroco e a Fuga, um certo pendor da alma,
no azul estendo os olhos
a cor que digo ser minha
E na alma trago a luz, essa luz sempre está lá
ainda que às vezes a cubra um véu cinzento de nuvens
E já que a vida é acaso, que lá do fundo me trouxe
do obscuro sou crente, da natureza sou filha
e da liberdade amante,
venero Isis, Baco, Cristo, Buda
e isso faz do que sou
um todo que não se explica
na ínfima porção de mim.
1 034
Angela Santos
Retrato
De
mim traço este retrato, pela cabeça guiada
faltam-me as cores de Van Gogh e as manchas de Monet
os riscos, os traços e os tons
que fidelizem o dentro se visto de fora é
Como traços de carvão as palavras, que são míngua,
ousam trazer esse dentro, para o outro lado de si
e buscam, na imperfeição, fazer a vez da impressão
que se tem quando o objecto diante de nós se põe…
a cor do trigo no rosto, que o tempo conserva bem
cabelo de tom marron e olhos a condizer
estatura mediana que em mulher não se crê mal…
de Ruben não tenho as formas, nem de Modigliani a esfinge
fico num ponto intermédio, que me dá o que preciso
para me saber mulher
ter no erotismo um quê,
na fome de pele meu pecado – e se isso pecado for
mil vezes pecadora ser.
E diria ter no simples o meu modo preferido,
amo o Barroco e a Fuga, um certo pendor da alma,
no azul estendo os olhos
a cor que digo ser minha
E na alma trago a luz, essa luz sempre está lá
ainda que às vezes a cubra um véu cinzento de nuvens
E já que a vida é acaso, que lá do fundo me trouxe
do obscuro sou crente, da natureza sou filha
e da liberdade amante,
venero Isis, Baco, Cristo, Buda
e isso faz do que sou
um todo que não se explica
na ínfima porção de mim.
mim traço este retrato, pela cabeça guiada
faltam-me as cores de Van Gogh e as manchas de Monet
os riscos, os traços e os tons
que fidelizem o dentro se visto de fora é
Como traços de carvão as palavras, que são míngua,
ousam trazer esse dentro, para o outro lado de si
e buscam, na imperfeição, fazer a vez da impressão
que se tem quando o objecto diante de nós se põe…
a cor do trigo no rosto, que o tempo conserva bem
cabelo de tom marron e olhos a condizer
estatura mediana que em mulher não se crê mal…
de Ruben não tenho as formas, nem de Modigliani a esfinge
fico num ponto intermédio, que me dá o que preciso
para me saber mulher
ter no erotismo um quê,
na fome de pele meu pecado – e se isso pecado for
mil vezes pecadora ser.
E diria ter no simples o meu modo preferido,
amo o Barroco e a Fuga, um certo pendor da alma,
no azul estendo os olhos
a cor que digo ser minha
E na alma trago a luz, essa luz sempre está lá
ainda que às vezes a cubra um véu cinzento de nuvens
E já que a vida é acaso, que lá do fundo me trouxe
do obscuro sou crente, da natureza sou filha
e da liberdade amante,
venero Isis, Baco, Cristo, Buda
e isso faz do que sou
um todo que não se explica
na ínfima porção de mim.
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