Poemas neste tema
Outros
Mário Hélio
34-IV(Vegeptil)
lâmina de carne
carne de aço
expássaro vidrarte
rasga esse deus
tira a tua parte
o mundo é teu
a morte é uma arte
domina a dor
sereia de corpo na mão
centauro de nuvens azuis
braços nas mãos
lábios no fóssil
seios de vidro
musicacústica
baobás barrocos
vegetanimal
almas de metal
armas de ar puro
bizâncio lustral
cavaleiro eleito
nas mãos o cavalo
traga esse deus
arte da arte
a morte é uma parte
o mundo é teu
carne de aço
expássaro vidrarte
rasga esse deus
tira a tua parte
o mundo é teu
a morte é uma arte
domina a dor
sereia de corpo na mão
centauro de nuvens azuis
braços nas mãos
lábios no fóssil
seios de vidro
musicacústica
baobás barrocos
vegetanimal
almas de metal
armas de ar puro
bizâncio lustral
cavaleiro eleito
nas mãos o cavalo
traga esse deus
arte da arte
a morte é uma parte
o mundo é teu
794
Majela Colares
O Pastor e Sua Aldeia
a Altino Caixeta de Castro
Eu creio que a eternidade nasceu na aldeia
Lucian Blaga
O ladrido infinito de um cão morto
nas vozes de outros cães é repetido
muito além, incessante ao nosso ouvido
mais além, muito além da voz de um cão
trago a lua no bolso e o sol na mão
e um rebanho de cabras e de estrelas
no desejo incomum de sempre tê-las
na distante lembrança de uma aldeia
pervagando a memória das areias
onde estrelas e cabras pastam sonhos
trago à sombra de alpendres breve sono
pressentindo o rangido da tramela
despertado ao contorno da janela
no silêncio imortal da noite fria
canta o galo, outra vez, e denuncia
(seu cantar tem a cor da lua cheia)
o prenúncio de um dia em outro dia
da eterna solidão - eterna aldeia.
Eu creio que a eternidade nasceu na aldeia
Lucian Blaga
O ladrido infinito de um cão morto
nas vozes de outros cães é repetido
muito além, incessante ao nosso ouvido
mais além, muito além da voz de um cão
trago a lua no bolso e o sol na mão
e um rebanho de cabras e de estrelas
no desejo incomum de sempre tê-las
na distante lembrança de uma aldeia
pervagando a memória das areias
onde estrelas e cabras pastam sonhos
trago à sombra de alpendres breve sono
pressentindo o rangido da tramela
despertado ao contorno da janela
no silêncio imortal da noite fria
canta o galo, outra vez, e denuncia
(seu cantar tem a cor da lua cheia)
o prenúncio de um dia em outro dia
da eterna solidão - eterna aldeia.
1 047
Mário Hélio
32-II(Persianas)
a cor da dúvida na pele
repele muitos carinhos
e as linhas compostas
em muitos caminhos
diferem apenas do homem sozinho
de estar-se solto e completo
apesar de ver de perto do mundo o outro mundor
que só engana ao homem só e às persianas
às vezes os ziguezagues tortos apelam às diferenças
e às divisões que as mentes fazem
mas o que eles ignoram
é que os cérebros apenas conhecem as diferenças
entre as cousas e as lousas
que eles ignoram
o instinto de bicho do homem só
e das múltiplas multidões aglomeradas em torno dele
e das lânguidas e insensíveis persianas
um homem fica mais só quando reflete
é assim que ficam todos os homens sós
e a solidão
mero deserto entre a palavra e o chão
estranha hora entre o clarão e a aurora
o teu aéreo olhar
que medes a distância
entre o provável e o improvável
e tudo sabes
o que não sabes é o sol que esconde
ou ofusca quem sabe a dor e a sede do homem só
e o linho das linhas das alheias persianas
repele muitos carinhos
e as linhas compostas
em muitos caminhos
diferem apenas do homem sozinho
de estar-se solto e completo
apesar de ver de perto do mundo o outro mundor
que só engana ao homem só e às persianas
às vezes os ziguezagues tortos apelam às diferenças
e às divisões que as mentes fazem
mas o que eles ignoram
é que os cérebros apenas conhecem as diferenças
entre as cousas e as lousas
que eles ignoram
o instinto de bicho do homem só
e das múltiplas multidões aglomeradas em torno dele
e das lânguidas e insensíveis persianas
um homem fica mais só quando reflete
é assim que ficam todos os homens sós
e a solidão
mero deserto entre a palavra e o chão
estranha hora entre o clarão e a aurora
o teu aéreo olhar
que medes a distância
entre o provável e o improvável
e tudo sabes
o que não sabes é o sol que esconde
ou ofusca quem sabe a dor e a sede do homem só
e o linho das linhas das alheias persianas
622
Marcelo Almeida de Oliveira
Natureza morta (still life with death)
É no negro completo das noites
que moram todos os mundos.
Preta é a tinta de todas as cores
já pintadas em telas imundas.
Triste melancolia?
Não...
O que seria a alva castidade
senão limitação?
O que seria o profundo silêncio
Senão todos os sons?
O que seria o abismo da noite
Senão o berço dos sonhos?
O que seria a morte
Senão o tudo inevitável?
que moram todos os mundos.
Preta é a tinta de todas as cores
já pintadas em telas imundas.
Triste melancolia?
Não...
O que seria a alva castidade
senão limitação?
O que seria o profundo silêncio
Senão todos os sons?
O que seria o abismo da noite
Senão o berço dos sonhos?
O que seria a morte
Senão o tudo inevitável?
828
Marcelo Almeida de Oliveira
Natureza morta (still life with death)
É no negro completo das noites
que moram todos os mundos.
Preta é a tinta de todas as cores
já pintadas em telas imundas.
Triste melancolia?
Não...
O que seria a alva castidade
senão limitação?
O que seria o profundo silêncio
Senão todos os sons?
O que seria o abismo da noite
Senão o berço dos sonhos?
O que seria a morte
Senão o tudo inevitável?
que moram todos os mundos.
Preta é a tinta de todas as cores
já pintadas em telas imundas.
Triste melancolia?
Não...
O que seria a alva castidade
senão limitação?
O que seria o profundo silêncio
Senão todos os sons?
O que seria o abismo da noite
Senão o berço dos sonhos?
O que seria a morte
Senão o tudo inevitável?
828
Mário Hélio
46-III-(Feitura)
criança magra e feia
homem brabo e feio
mulher velha e feia
criança inesperança
homem sem ânsia
mulher sem crença
e tudo horrendo e feio
alma feia deus feio
homem brabo e feio
mulher velha e feia
criança inesperança
homem sem ânsia
mulher sem crença
e tudo horrendo e feio
alma feia deus feio
1 075
Marcelo Almeida de Oliveira
Paradoxo racional
Determino universo preciso;
material, natural;
resumo, árido número;
amor químico, hormonal;
sem mágica, mito, ou rito;
nem + , nem - ; só = .
E da razão nasce o instinto:
para que respiro, afinal?
certa, reta, vem a resposta:
para satisfazer o animal.
Logo, amo...
rio...
choro...
sinto...
sentir por sentir,
sem razão...
Ah! Tudo é tão lógico!
material, natural;
resumo, árido número;
amor químico, hormonal;
sem mágica, mito, ou rito;
nem + , nem - ; só = .
E da razão nasce o instinto:
para que respiro, afinal?
certa, reta, vem a resposta:
para satisfazer o animal.
Logo, amo...
rio...
choro...
sinto...
sentir por sentir,
sem razão...
Ah! Tudo é tão lógico!
725
Marcelo Almeida de Oliveira
Anti- homem
Mentira, mentira, mentira,
mentira que nos faz humanos,
panos no corpo, amor na cabeça,
certeza de tudo, menos da morte;
mentira, filha e mãe da razão,
convença-me de que não somos apenas macacos carecas.
mentira que nos faz humanos,
panos no corpo, amor na cabeça,
certeza de tudo, menos da morte;
mentira, filha e mãe da razão,
convença-me de que não somos apenas macacos carecas.
1 039
Maria A. Oliveira
Insônia
Limbo inclinado de coisas perdidas,
algum mistério gozoso em mutação,
crispado e semimorto.
Melhor assim. O sono não me serve
o sono é um céu vazio
despedaçando as asas da memória
e suas aves de sonho fazem medo.
A noite singra o silencio mais alto e mais calado
sem naufrágios
e um lento espanto se estende sob o tempo,
um tempo oculto, inteiro e inconsútil
sobre as migalhas do dia.
A túnica do tempo e uma forma de paz
arrasta sobre nos sua paz de vento
e embala os gatos de tudo que lhes falta,
devolve a solidão a seus espelhos
e cala aos poucos os ecos das imagens.
Das mãos vazias as asas
tocam de leve as águas da aventura.
algum mistério gozoso em mutação,
crispado e semimorto.
Melhor assim. O sono não me serve
o sono é um céu vazio
despedaçando as asas da memória
e suas aves de sonho fazem medo.
A noite singra o silencio mais alto e mais calado
sem naufrágios
e um lento espanto se estende sob o tempo,
um tempo oculto, inteiro e inconsútil
sobre as migalhas do dia.
A túnica do tempo e uma forma de paz
arrasta sobre nos sua paz de vento
e embala os gatos de tudo que lhes falta,
devolve a solidão a seus espelhos
e cala aos poucos os ecos das imagens.
Das mãos vazias as asas
tocam de leve as águas da aventura.
919
Maria A. Oliveira
Insônia
Limbo inclinado de coisas perdidas,
algum mistério gozoso em mutação,
crispado e semimorto.
Melhor assim. O sono não me serve
o sono é um céu vazio
despedaçando as asas da memória
e suas aves de sonho fazem medo.
A noite singra o silencio mais alto e mais calado
sem naufrágios
e um lento espanto se estende sob o tempo,
um tempo oculto, inteiro e inconsútil
sobre as migalhas do dia.
A túnica do tempo e uma forma de paz
arrasta sobre nos sua paz de vento
e embala os gatos de tudo que lhes falta,
devolve a solidão a seus espelhos
e cala aos poucos os ecos das imagens.
Das mãos vazias as asas
tocam de leve as águas da aventura.
algum mistério gozoso em mutação,
crispado e semimorto.
Melhor assim. O sono não me serve
o sono é um céu vazio
despedaçando as asas da memória
e suas aves de sonho fazem medo.
A noite singra o silencio mais alto e mais calado
sem naufrágios
e um lento espanto se estende sob o tempo,
um tempo oculto, inteiro e inconsútil
sobre as migalhas do dia.
A túnica do tempo e uma forma de paz
arrasta sobre nos sua paz de vento
e embala os gatos de tudo que lhes falta,
devolve a solidão a seus espelhos
e cala aos poucos os ecos das imagens.
Das mãos vazias as asas
tocam de leve as águas da aventura.
919
Olympia Mahu
Inspiração
Preciso Estar comigo mesma
Me encontrar comigo para por tudo em pratos limpos novamente
Preciso encontrar o tempo que me falta
Que há muito busco, mas não procurei intensamente
Talvez por isso e aridez, a inércia, a inconstância...
Como fazer para te encontrar e te deixar comigo?
Não preciso de nada... de luz, de tempo, de paixão...
Preciso apenas encontrar-te.
Por favor, fica comigo...
Eu nada tenho a te prometer...
Apenas fica...
É tudo do que eu preciso para ser firme.
Quando estás comigo, Sou criativa, altiva, brava
Só de pensar em ti já estou repleta.
Estou livre novamente, gigante...
Feliz por te encontrar... inspiração!
Me encontrar comigo para por tudo em pratos limpos novamente
Preciso encontrar o tempo que me falta
Que há muito busco, mas não procurei intensamente
Talvez por isso e aridez, a inércia, a inconstância...
Como fazer para te encontrar e te deixar comigo?
Não preciso de nada... de luz, de tempo, de paixão...
Preciso apenas encontrar-te.
Por favor, fica comigo...
Eu nada tenho a te prometer...
Apenas fica...
É tudo do que eu preciso para ser firme.
Quando estás comigo, Sou criativa, altiva, brava
Só de pensar em ti já estou repleta.
Estou livre novamente, gigante...
Feliz por te encontrar... inspiração!
905
Olympia Mahu
Inspiração
Preciso Estar comigo mesma
Me encontrar comigo para por tudo em pratos limpos novamente
Preciso encontrar o tempo que me falta
Que há muito busco, mas não procurei intensamente
Talvez por isso e aridez, a inércia, a inconstância...
Como fazer para te encontrar e te deixar comigo?
Não preciso de nada... de luz, de tempo, de paixão...
Preciso apenas encontrar-te.
Por favor, fica comigo...
Eu nada tenho a te prometer...
Apenas fica...
É tudo do que eu preciso para ser firme.
Quando estás comigo, Sou criativa, altiva, brava
Só de pensar em ti já estou repleta.
Estou livre novamente, gigante...
Feliz por te encontrar... inspiração!
Me encontrar comigo para por tudo em pratos limpos novamente
Preciso encontrar o tempo que me falta
Que há muito busco, mas não procurei intensamente
Talvez por isso e aridez, a inércia, a inconstância...
Como fazer para te encontrar e te deixar comigo?
Não preciso de nada... de luz, de tempo, de paixão...
Preciso apenas encontrar-te.
Por favor, fica comigo...
Eu nada tenho a te prometer...
Apenas fica...
É tudo do que eu preciso para ser firme.
Quando estás comigo, Sou criativa, altiva, brava
Só de pensar em ti já estou repleta.
Estou livre novamente, gigante...
Feliz por te encontrar... inspiração!
905
Mário Hélio
9-IX (Odores)
pobres flores que fiam
filhas finitas
e se des pet alam
olhando o po m ar
e em enormes tristezas se calam
e resv alam as pét alas
suprindo a fome do oceano de ar.
flores selvagens que se desfloram
e se confragem frágeis imperfeitas
vestidas, sorvidas, vertidas,
em pouca vida e muita ilusão,
e não repousam nunca, não descansam
o cansaço de há séculos serem sempre vivas
esquivas, cativas, passivas,
e dançam em delírio, dançam
esquecendo que são flores -- fenescem
melhor do que enterarrarassementes
dispersá-las à tarde
despertálas é tarde
já se transformaram em cardos
na tarde longa e oblonga por trás dos rochedos.
eu não canto a saudade, desconheço o degredo.
o meu sonho é um segredo improfíquo que segrego.
podres odres das flores que nascem pra definhar,
pobres dos homens que vivem para sonhar.
filhas finitas
e se des pet alam
olhando o po m ar
e em enormes tristezas se calam
e resv alam as pét alas
suprindo a fome do oceano de ar.
flores selvagens que se desfloram
e se confragem frágeis imperfeitas
vestidas, sorvidas, vertidas,
em pouca vida e muita ilusão,
e não repousam nunca, não descansam
o cansaço de há séculos serem sempre vivas
esquivas, cativas, passivas,
e dançam em delírio, dançam
esquecendo que são flores -- fenescem
melhor do que enterarrarassementes
dispersá-las à tarde
despertálas é tarde
já se transformaram em cardos
na tarde longa e oblonga por trás dos rochedos.
eu não canto a saudade, desconheço o degredo.
o meu sonho é um segredo improfíquo que segrego.
podres odres das flores que nascem pra definhar,
pobres dos homens que vivem para sonhar.
686
Mário Hélio
27-VII (Incomunicável)
trancou-se no quarto
já sem mundo sem pátria pra ambicionar
já sem bússola sem norte para se abrigar
sem campo que a chuva regue
sem diabo que carregue
o nosso deus
e como não havia estrela pra contar
e como não havia doença pra curar
e como não havia remorso pra curar
e como não havia vida para matar
e como não havia morte para aumejar
ficou imóvel hirto supremo
lembrando as imperfeições das primeiras rimas.
já sem mundo sem pátria pra ambicionar
já sem bússola sem norte para se abrigar
sem campo que a chuva regue
sem diabo que carregue
o nosso deus
e como não havia estrela pra contar
e como não havia doença pra curar
e como não havia remorso pra curar
e como não havia vida para matar
e como não havia morte para aumejar
ficou imóvel hirto supremo
lembrando as imperfeições das primeiras rimas.
796
Mário Hélio
3 - III- (Mensagem)
palavra,
eu te conheci em palavras,
eu te aprendi em palavras
eu te beijei em palavras
eu te amei por fim em palavras
num dia em que as palavras
substituem gestos e palavras.
eu te conheci em palavras,
eu te aprendi em palavras
eu te beijei em palavras
eu te amei por fim em palavras
num dia em que as palavras
substituem gestos e palavras.
782
Mário Hélio
17-VII(Mentes doentes)
essas inquietudes que escapam do meu ser
por tudo o que eu sou sem perceber.
o que eu fui foi alguma vez o hipotétrico,
o que senti sente o que me transformou.
tinhas razão, poeta,
sempre tristíssimas essas cantigas
sempre
gritando coisas que bem
não compreendemos.
tanta coisa!
e o que é real-
mente esse poema? uma parcela... um canto in-
completo...
verdadeiros lampejos... só lampejos...
sempre tristíssimos...
breve ilusão semiacon-
tecida que encanta e arrefece.
um som um sopro e tudo se transporta
pelo trauma que há por trás da porta;
depois a inquietação novamente
o cálice da indecisão...
como uma árvore no regato
esperando que chegue o outono
que as estações se transformem
levando os sonhos dispersos
e no silêncio ensinem
que é necessário matar as lembranças.
por tudo o que eu sou sem perceber.
o que eu fui foi alguma vez o hipotétrico,
o que senti sente o que me transformou.
tinhas razão, poeta,
sempre tristíssimas essas cantigas
sempre
gritando coisas que bem
não compreendemos.
tanta coisa!
e o que é real-
mente esse poema? uma parcela... um canto in-
completo...
verdadeiros lampejos... só lampejos...
sempre tristíssimos...
breve ilusão semiacon-
tecida que encanta e arrefece.
um som um sopro e tudo se transporta
pelo trauma que há por trás da porta;
depois a inquietação novamente
o cálice da indecisão...
como uma árvore no regato
esperando que chegue o outono
que as estações se transformem
levando os sonhos dispersos
e no silêncio ensinem
que é necessário matar as lembranças.
657
Mário Hélio
17-VII(Mentes doentes)
essas inquietudes que escapam do meu ser
por tudo o que eu sou sem perceber.
o que eu fui foi alguma vez o hipotétrico,
o que senti sente o que me transformou.
tinhas razão, poeta,
sempre tristíssimas essas cantigas
sempre
gritando coisas que bem
não compreendemos.
tanta coisa!
e o que é real-
mente esse poema? uma parcela... um canto in-
completo...
verdadeiros lampejos... só lampejos...
sempre tristíssimos...
breve ilusão semiacon-
tecida que encanta e arrefece.
um som um sopro e tudo se transporta
pelo trauma que há por trás da porta;
depois a inquietação novamente
o cálice da indecisão...
como uma árvore no regato
esperando que chegue o outono
que as estações se transformem
levando os sonhos dispersos
e no silêncio ensinem
que é necessário matar as lembranças.
por tudo o que eu sou sem perceber.
o que eu fui foi alguma vez o hipotétrico,
o que senti sente o que me transformou.
tinhas razão, poeta,
sempre tristíssimas essas cantigas
sempre
gritando coisas que bem
não compreendemos.
tanta coisa!
e o que é real-
mente esse poema? uma parcela... um canto in-
completo...
verdadeiros lampejos... só lampejos...
sempre tristíssimos...
breve ilusão semiacon-
tecida que encanta e arrefece.
um som um sopro e tudo se transporta
pelo trauma que há por trás da porta;
depois a inquietação novamente
o cálice da indecisão...
como uma árvore no regato
esperando que chegue o outono
que as estações se transformem
levando os sonhos dispersos
e no silêncio ensinem
que é necessário matar as lembranças.
657
Mário Hélio
22-II(Poema para ayer)
onde havia teus olhos
grandes e dois
uma lâmpada de neon
fonte estranha e incompreendida
ponte achada e para sempre perdida
como um matagal de idéias incontaminadas
por isso incompreendidas
por um grito maior que a própria voz
por isso inaudível
por um amor sem nomes nem partidos
por isso tolo e desinteressante
por um grande mistério claro e simples
por isso profundo e sem sentido
grandes e dois
uma lâmpada de neon
fonte estranha e incompreendida
ponte achada e para sempre perdida
como um matagal de idéias incontaminadas
por isso incompreendidas
por um grito maior que a própria voz
por isso inaudível
por um amor sem nomes nem partidos
por isso tolo e desinteressante
por um grande mistério claro e simples
por isso profundo e sem sentido
588
Mário Hélio
22-II(Poema para ayer)
onde havia teus olhos
grandes e dois
uma lâmpada de neon
fonte estranha e incompreendida
ponte achada e para sempre perdida
como um matagal de idéias incontaminadas
por isso incompreendidas
por um grito maior que a própria voz
por isso inaudível
por um amor sem nomes nem partidos
por isso tolo e desinteressante
por um grande mistério claro e simples
por isso profundo e sem sentido
grandes e dois
uma lâmpada de neon
fonte estranha e incompreendida
ponte achada e para sempre perdida
como um matagal de idéias incontaminadas
por isso incompreendidas
por um grito maior que a própria voz
por isso inaudível
por um amor sem nomes nem partidos
por isso tolo e desinteressante
por um grande mistério claro e simples
por isso profundo e sem sentido
588
Mário Hélio
20-X-(Arrife)
não vinhas tu
com pontes e cais,
logradouros e vilas,
bairros perdidos na metrópole ensimesmada
por estradas e viadutos como multidões em arcos
não vinhas tu
do continente vasto chorando pelos negrinhos
dos morros que morrem de fome
nas caladas calados que anseiam farfalhas
nas grandes vilas favelas abismadas
não vinhas tu severa de amores muda e negra
cidade dos portos e dos cais
oco rr eco rre... os meninos
correndo com os comparsas
com passos magros e velhos
em toda multidão semesplendores
é o teu destino acender velas
aos mistérios e crendices do teu povo inquieto
que plasma no rasto e nas arestas
no atol atlântico de aspecto altivo
é o teu dever projetar as novas luzes
proteger as velhas sombras
pedras ruas e alamedas
petrificando os ambíguos heróis.
com pontes e cais,
logradouros e vilas,
bairros perdidos na metrópole ensimesmada
por estradas e viadutos como multidões em arcos
não vinhas tu
do continente vasto chorando pelos negrinhos
dos morros que morrem de fome
nas caladas calados que anseiam farfalhas
nas grandes vilas favelas abismadas
não vinhas tu severa de amores muda e negra
cidade dos portos e dos cais
oco rr eco rre... os meninos
correndo com os comparsas
com passos magros e velhos
em toda multidão semesplendores
é o teu destino acender velas
aos mistérios e crendices do teu povo inquieto
que plasma no rasto e nas arestas
no atol atlântico de aspecto altivo
é o teu dever projetar as novas luzes
proteger as velhas sombras
pedras ruas e alamedas
petrificando os ambíguos heróis.
833
Mário Hélio
19-IX(Impulso)
o algo hediondo que as mulheres abominavam
era a pureza
oculta e incolor.
tudo cede um certo impulso ao nada,
todas as palavrasestãosoltas
por isso seguindo um autoimpulso peço-te
que não anoiteças mais
-- a última vez não me senti feliz
em ver-te estrelada e enluarada
te negavas o fio da razão.
o chão que pisas talvez um dia sejardim.
tu não choras choves, teus olhos são sóis enfurnados,
tua bocaverna úmida, teu sexo cratera mágica.
sigo a um certo impulso de amar-te,
não te amo por amor sigo a um impulso,
se te amodeio a medo e por mais que fantasies
este ódioamor contínuo continuo dizendo
que trovejas trevas retrocedendo torrentes
constantes espaços que se movem
és uma miniatura do exterior que absorvo,
átomos seguindo determinadas pulsações,
sóis e não olhos, cratera arguta não sexo
e o resto em ti são espasmos convulsos
meros impulsos
era a pureza
oculta e incolor.
tudo cede um certo impulso ao nada,
todas as palavrasestãosoltas
por isso seguindo um autoimpulso peço-te
que não anoiteças mais
-- a última vez não me senti feliz
em ver-te estrelada e enluarada
te negavas o fio da razão.
o chão que pisas talvez um dia sejardim.
tu não choras choves, teus olhos são sóis enfurnados,
tua bocaverna úmida, teu sexo cratera mágica.
sigo a um certo impulso de amar-te,
não te amo por amor sigo a um impulso,
se te amodeio a medo e por mais que fantasies
este ódioamor contínuo continuo dizendo
que trovejas trevas retrocedendo torrentes
constantes espaços que se movem
és uma miniatura do exterior que absorvo,
átomos seguindo determinadas pulsações,
sóis e não olhos, cratera arguta não sexo
e o resto em ti são espasmos convulsos
meros impulsos
723
Mário Hélio
5 - V (Cais sombrio)
eu te reparo nos olhos:
possuem um brilho intensamente mágico
e trágico
eu amo tua pele, cada traço,
cab:elos do mais fino fio
que desfio impulsivamente
tragicomicamente
em toda a extensão do teu ser
porque és maior do que a imaginação.
possuem um brilho intensamente mágico
e trágico
eu amo tua pele, cada traço,
cab:elos do mais fino fio
que desfio impulsivamente
tragicomicamente
em toda a extensão do teu ser
porque és maior do que a imaginação.
896
Mário Hélio
5 - V (Cais sombrio)
eu te reparo nos olhos:
possuem um brilho intensamente mágico
e trágico
eu amo tua pele, cada traço,
cab:elos do mais fino fio
que desfio impulsivamente
tragicomicamente
em toda a extensão do teu ser
porque és maior do que a imaginação.
possuem um brilho intensamente mágico
e trágico
eu amo tua pele, cada traço,
cab:elos do mais fino fio
que desfio impulsivamente
tragicomicamente
em toda a extensão do teu ser
porque és maior do que a imaginação.
896
Machado de Assis
A Flor do Embiroçu
Noite, melhor que o dia, quem não te ama?
Fil. Elis.
Quando a noturna sombra envolve a terra
E à paz convida o lavrador cansado,
À fresca brisa o seio delicado
A branca flor do embiroçu descerra.
E das límpidas lágrimas que chora
A noite amiga, ela recolhe alguma;
A vida bebe na ligeira bruma,
Até que rompe no horizonte a aurora.
Então, à luz nascente, a flor modesta,
Quando tudo o que vive alma recobra,
Languidamente as suas folhas dobra,
E busca o sono quando tudo é festa,
Suave imagem da alma que suspira
E odeia a turba vã! da alma que sente
Agitar-se-lhe a asa impaciente
E a novos mundos transportar-se aspira!
Também ela ama as horas silenciosas,
E quando a vida as lutas interrompe,
Ela da carne os duros elos rompe,
E entrega o seio às ilusões viçosas.
É tudo seu, — tempo, fortuna, espaço,
E o céu azul e os seus milhões de estrelas;
Abrasada de amor, palpita ao vê-las,
E a todas cinge no ideial abraço.
O rosto não encara indiferente,
Nem a traidora mão cândida aperta;
Das mentiras da vida se liberta
E entra no mundo que jamais não mente.
Noite, melhor que o dia, quem não te ama?
Labor ingrato, agitação, fadiga,
Tudo faz esquecer tua asa amiga
Que a alma nos leva onde a ventura a chama.
Ama-te a flor que desabrocha à hora
Em que o último olhar o sol lhe estende,
Vive, embala-se, orvalha-se, rescende,
E as folhas cerra quando rompe a aurora.
Fil. Elis.
Quando a noturna sombra envolve a terra
E à paz convida o lavrador cansado,
À fresca brisa o seio delicado
A branca flor do embiroçu descerra.
E das límpidas lágrimas que chora
A noite amiga, ela recolhe alguma;
A vida bebe na ligeira bruma,
Até que rompe no horizonte a aurora.
Então, à luz nascente, a flor modesta,
Quando tudo o que vive alma recobra,
Languidamente as suas folhas dobra,
E busca o sono quando tudo é festa,
Suave imagem da alma que suspira
E odeia a turba vã! da alma que sente
Agitar-se-lhe a asa impaciente
E a novos mundos transportar-se aspira!
Também ela ama as horas silenciosas,
E quando a vida as lutas interrompe,
Ela da carne os duros elos rompe,
E entrega o seio às ilusões viçosas.
É tudo seu, — tempo, fortuna, espaço,
E o céu azul e os seus milhões de estrelas;
Abrasada de amor, palpita ao vê-las,
E a todas cinge no ideial abraço.
O rosto não encara indiferente,
Nem a traidora mão cândida aperta;
Das mentiras da vida se liberta
E entra no mundo que jamais não mente.
Noite, melhor que o dia, quem não te ama?
Labor ingrato, agitação, fadiga,
Tudo faz esquecer tua asa amiga
Que a alma nos leva onde a ventura a chama.
Ama-te a flor que desabrocha à hora
Em que o último olhar o sol lhe estende,
Vive, embala-se, orvalha-se, rescende,
E as folhas cerra quando rompe a aurora.
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