Poemas neste tema
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Castro Alves
Ao Violinista F Moniz Barreto Filho
(IMPILOVISO NO TEATRO SANTA ISABEL)
MOTE
"No teu arco prendeste à eternidade!"
Tobias Barreto.
ERA NO CÉU, à luz da lua errante,
Moema triste, abandonando os lares,
Cindia as vagas dos cerúleos mares
Te erguendo ao longe, ó peregrino infante!
Lá dos jardins sob o vergel fragrante,
A sombra dos maestros, sobre os ares,
Ouvias das estrelas os cantares
— Aves douro no espaço cintilante.
Mas quando o gênio teu se alteia aflito,
Da alabastrina luz à claridade,
Lançando flores, lá do céu proscrito,
Pasma Bellini; e em meio à imensidade
Diz a lua suspensa no infinito:
"No teu arco prendeste a eternidade!"
MOTE
"No teu arco prendeste à eternidade!"
Tobias Barreto.
ERA NO CÉU, à luz da lua errante,
Moema triste, abandonando os lares,
Cindia as vagas dos cerúleos mares
Te erguendo ao longe, ó peregrino infante!
Lá dos jardins sob o vergel fragrante,
A sombra dos maestros, sobre os ares,
Ouvias das estrelas os cantares
— Aves douro no espaço cintilante.
Mas quando o gênio teu se alteia aflito,
Da alabastrina luz à claridade,
Lançando flores, lá do céu proscrito,
Pasma Bellini; e em meio à imensidade
Diz a lua suspensa no infinito:
"No teu arco prendeste a eternidade!"
1 789
Castro Alves
Ao Violinista F Moniz Barreto Filho
(IMPILOVISO NO TEATRO SANTA ISABEL)
MOTE
"No teu arco prendeste à eternidade!"
Tobias Barreto.
ERA NO CÉU, à luz da lua errante,
Moema triste, abandonando os lares,
Cindia as vagas dos cerúleos mares
Te erguendo ao longe, ó peregrino infante!
Lá dos jardins sob o vergel fragrante,
A sombra dos maestros, sobre os ares,
Ouvias das estrelas os cantares
— Aves douro no espaço cintilante.
Mas quando o gênio teu se alteia aflito,
Da alabastrina luz à claridade,
Lançando flores, lá do céu proscrito,
Pasma Bellini; e em meio à imensidade
Diz a lua suspensa no infinito:
"No teu arco prendeste a eternidade!"
MOTE
"No teu arco prendeste à eternidade!"
Tobias Barreto.
ERA NO CÉU, à luz da lua errante,
Moema triste, abandonando os lares,
Cindia as vagas dos cerúleos mares
Te erguendo ao longe, ó peregrino infante!
Lá dos jardins sob o vergel fragrante,
A sombra dos maestros, sobre os ares,
Ouvias das estrelas os cantares
— Aves douro no espaço cintilante.
Mas quando o gênio teu se alteia aflito,
Da alabastrina luz à claridade,
Lançando flores, lá do céu proscrito,
Pasma Bellini; e em meio à imensidade
Diz a lua suspensa no infinito:
"No teu arco prendeste a eternidade!"
1 789
Castro Alves
Ao Sr Furtado Coelho
Tu és, artista, quem revive as eras
Quem reanima pálidos perfis,
Gênio elevado - idéias tu geras
Gênio! este nono quanto vales, diz!
Franklin Dória
DO GÊNIO a estrada é difícil,
Mas é brilhante também,
Se o gênio marcha entre cardos,
Marcha entre a rosa — a cecém.
Ao vê-lo o mundo então pasma,
No peito a inveja marasma,
E cala-se o ódio ignavo,
E quem tem fogo na fronte,
Quem tem nalma rica fonte
De amores, ergue o seu bravo.
Ergueste a voz em Dalila,
Contigo o artista adorei;
Depois em Lúcia choraste,
Contigo Lúcia chorei.
Falaste após, duro e frio,
No Cinismo — um calafrio
Passou-me gelado naima.
Eia, pois, Proteu da arte,
Que assim sabes transformar-te
Que a Proteu levas a palma.
Eia! o povo já admira
O gênio que em ti transluz,
Nem passa o gênio sem palmas
Na terra da Santa Cruz
Na terra das primaveras,
As glórias não são quimeras,
Nem o talento é um nome.
Aqui se admira o gênio,
Aqui se adora o proscênio,
Aqui se eleva um renome.
É bem risonha esta estrada
Das glórias ao brilho santo,
Ao ouvir vivos aplausos,
De — hosanas — a ouvir um canto;
Em cada dia uma palma,
Em cada momento umalma
Teu gênio sabe alcançar;
Deus ungiu-te a altiva fronte,
E, apontando-te o horizonte
Disse: "Eia! podes voar..."
Quanto és grande, — dizem todos
Que tem à arte, amor e fé;
Quanto és grande — di-lo o povo
Que ardente e sincero é.
Quanto és grande — o alaúde
Que entoa só canto rude,
Dizer-te procura em vão;
Que ao gênio só se admira...
Retratar não pode a lira
Mesmo em toda a inspiração.
Eia, avante! que o talento
Brilha sempre triunfal,
Como o sol ardente a pino
Aclara a montanha e o val.
Eia! Darte ó viajante
Coa fronte de luz brilhante
Vais ornado de lauréis;
Tens croas em vez de espinho
E, pois, no pó do caminho,
Lanço uma flor a teus pés.
Quem reanima pálidos perfis,
Gênio elevado - idéias tu geras
Gênio! este nono quanto vales, diz!
Franklin Dória
DO GÊNIO a estrada é difícil,
Mas é brilhante também,
Se o gênio marcha entre cardos,
Marcha entre a rosa — a cecém.
Ao vê-lo o mundo então pasma,
No peito a inveja marasma,
E cala-se o ódio ignavo,
E quem tem fogo na fronte,
Quem tem nalma rica fonte
De amores, ergue o seu bravo.
Ergueste a voz em Dalila,
Contigo o artista adorei;
Depois em Lúcia choraste,
Contigo Lúcia chorei.
Falaste após, duro e frio,
No Cinismo — um calafrio
Passou-me gelado naima.
Eia, pois, Proteu da arte,
Que assim sabes transformar-te
Que a Proteu levas a palma.
Eia! o povo já admira
O gênio que em ti transluz,
Nem passa o gênio sem palmas
Na terra da Santa Cruz
Na terra das primaveras,
As glórias não são quimeras,
Nem o talento é um nome.
Aqui se admira o gênio,
Aqui se adora o proscênio,
Aqui se eleva um renome.
É bem risonha esta estrada
Das glórias ao brilho santo,
Ao ouvir vivos aplausos,
De — hosanas — a ouvir um canto;
Em cada dia uma palma,
Em cada momento umalma
Teu gênio sabe alcançar;
Deus ungiu-te a altiva fronte,
E, apontando-te o horizonte
Disse: "Eia! podes voar..."
Quanto és grande, — dizem todos
Que tem à arte, amor e fé;
Quanto és grande — di-lo o povo
Que ardente e sincero é.
Quanto és grande — o alaúde
Que entoa só canto rude,
Dizer-te procura em vão;
Que ao gênio só se admira...
Retratar não pode a lira
Mesmo em toda a inspiração.
Eia, avante! que o talento
Brilha sempre triunfal,
Como o sol ardente a pino
Aclara a montanha e o val.
Eia! Darte ó viajante
Coa fronte de luz brilhante
Vais ornado de lauréis;
Tens croas em vez de espinho
E, pois, no pó do caminho,
Lanço uma flor a teus pés.
1 496
Castro Alves
Ao Sr Furtado Coelho
Tu és, artista, quem revive as eras
Quem reanima pálidos perfis,
Gênio elevado - idéias tu geras
Gênio! este nono quanto vales, diz!
Franklin Dória
DO GÊNIO a estrada é difícil,
Mas é brilhante também,
Se o gênio marcha entre cardos,
Marcha entre a rosa — a cecém.
Ao vê-lo o mundo então pasma,
No peito a inveja marasma,
E cala-se o ódio ignavo,
E quem tem fogo na fronte,
Quem tem nalma rica fonte
De amores, ergue o seu bravo.
Ergueste a voz em Dalila,
Contigo o artista adorei;
Depois em Lúcia choraste,
Contigo Lúcia chorei.
Falaste após, duro e frio,
No Cinismo — um calafrio
Passou-me gelado naima.
Eia, pois, Proteu da arte,
Que assim sabes transformar-te
Que a Proteu levas a palma.
Eia! o povo já admira
O gênio que em ti transluz,
Nem passa o gênio sem palmas
Na terra da Santa Cruz
Na terra das primaveras,
As glórias não são quimeras,
Nem o talento é um nome.
Aqui se admira o gênio,
Aqui se adora o proscênio,
Aqui se eleva um renome.
É bem risonha esta estrada
Das glórias ao brilho santo,
Ao ouvir vivos aplausos,
De — hosanas — a ouvir um canto;
Em cada dia uma palma,
Em cada momento umalma
Teu gênio sabe alcançar;
Deus ungiu-te a altiva fronte,
E, apontando-te o horizonte
Disse: "Eia! podes voar..."
Quanto és grande, — dizem todos
Que tem à arte, amor e fé;
Quanto és grande — di-lo o povo
Que ardente e sincero é.
Quanto és grande — o alaúde
Que entoa só canto rude,
Dizer-te procura em vão;
Que ao gênio só se admira...
Retratar não pode a lira
Mesmo em toda a inspiração.
Eia, avante! que o talento
Brilha sempre triunfal,
Como o sol ardente a pino
Aclara a montanha e o val.
Eia! Darte ó viajante
Coa fronte de luz brilhante
Vais ornado de lauréis;
Tens croas em vez de espinho
E, pois, no pó do caminho,
Lanço uma flor a teus pés.
Quem reanima pálidos perfis,
Gênio elevado - idéias tu geras
Gênio! este nono quanto vales, diz!
Franklin Dória
DO GÊNIO a estrada é difícil,
Mas é brilhante também,
Se o gênio marcha entre cardos,
Marcha entre a rosa — a cecém.
Ao vê-lo o mundo então pasma,
No peito a inveja marasma,
E cala-se o ódio ignavo,
E quem tem fogo na fronte,
Quem tem nalma rica fonte
De amores, ergue o seu bravo.
Ergueste a voz em Dalila,
Contigo o artista adorei;
Depois em Lúcia choraste,
Contigo Lúcia chorei.
Falaste após, duro e frio,
No Cinismo — um calafrio
Passou-me gelado naima.
Eia, pois, Proteu da arte,
Que assim sabes transformar-te
Que a Proteu levas a palma.
Eia! o povo já admira
O gênio que em ti transluz,
Nem passa o gênio sem palmas
Na terra da Santa Cruz
Na terra das primaveras,
As glórias não são quimeras,
Nem o talento é um nome.
Aqui se admira o gênio,
Aqui se adora o proscênio,
Aqui se eleva um renome.
É bem risonha esta estrada
Das glórias ao brilho santo,
Ao ouvir vivos aplausos,
De — hosanas — a ouvir um canto;
Em cada dia uma palma,
Em cada momento umalma
Teu gênio sabe alcançar;
Deus ungiu-te a altiva fronte,
E, apontando-te o horizonte
Disse: "Eia! podes voar..."
Quanto és grande, — dizem todos
Que tem à arte, amor e fé;
Quanto és grande — di-lo o povo
Que ardente e sincero é.
Quanto és grande — o alaúde
Que entoa só canto rude,
Dizer-te procura em vão;
Que ao gênio só se admira...
Retratar não pode a lira
Mesmo em toda a inspiração.
Eia, avante! que o talento
Brilha sempre triunfal,
Como o sol ardente a pino
Aclara a montanha e o val.
Eia! Darte ó viajante
Coa fronte de luz brilhante
Vais ornado de lauréis;
Tens croas em vez de espinho
E, pois, no pó do caminho,
Lanço uma flor a teus pés.
1 496
Castro Alves
Ao Sr Furtado Coelho
Tu és, artista, quem revive as eras
Quem reanima pálidos perfis,
Gênio elevado - idéias tu geras
Gênio! este nono quanto vales, diz!
Franklin Dória
DO GÊNIO a estrada é difícil,
Mas é brilhante também,
Se o gênio marcha entre cardos,
Marcha entre a rosa — a cecém.
Ao vê-lo o mundo então pasma,
No peito a inveja marasma,
E cala-se o ódio ignavo,
E quem tem fogo na fronte,
Quem tem nalma rica fonte
De amores, ergue o seu bravo.
Ergueste a voz em Dalila,
Contigo o artista adorei;
Depois em Lúcia choraste,
Contigo Lúcia chorei.
Falaste após, duro e frio,
No Cinismo — um calafrio
Passou-me gelado naima.
Eia, pois, Proteu da arte,
Que assim sabes transformar-te
Que a Proteu levas a palma.
Eia! o povo já admira
O gênio que em ti transluz,
Nem passa o gênio sem palmas
Na terra da Santa Cruz
Na terra das primaveras,
As glórias não são quimeras,
Nem o talento é um nome.
Aqui se admira o gênio,
Aqui se adora o proscênio,
Aqui se eleva um renome.
É bem risonha esta estrada
Das glórias ao brilho santo,
Ao ouvir vivos aplausos,
De — hosanas — a ouvir um canto;
Em cada dia uma palma,
Em cada momento umalma
Teu gênio sabe alcançar;
Deus ungiu-te a altiva fronte,
E, apontando-te o horizonte
Disse: "Eia! podes voar..."
Quanto és grande, — dizem todos
Que tem à arte, amor e fé;
Quanto és grande — di-lo o povo
Que ardente e sincero é.
Quanto és grande — o alaúde
Que entoa só canto rude,
Dizer-te procura em vão;
Que ao gênio só se admira...
Retratar não pode a lira
Mesmo em toda a inspiração.
Eia, avante! que o talento
Brilha sempre triunfal,
Como o sol ardente a pino
Aclara a montanha e o val.
Eia! Darte ó viajante
Coa fronte de luz brilhante
Vais ornado de lauréis;
Tens croas em vez de espinho
E, pois, no pó do caminho,
Lanço uma flor a teus pés.
Quem reanima pálidos perfis,
Gênio elevado - idéias tu geras
Gênio! este nono quanto vales, diz!
Franklin Dória
DO GÊNIO a estrada é difícil,
Mas é brilhante também,
Se o gênio marcha entre cardos,
Marcha entre a rosa — a cecém.
Ao vê-lo o mundo então pasma,
No peito a inveja marasma,
E cala-se o ódio ignavo,
E quem tem fogo na fronte,
Quem tem nalma rica fonte
De amores, ergue o seu bravo.
Ergueste a voz em Dalila,
Contigo o artista adorei;
Depois em Lúcia choraste,
Contigo Lúcia chorei.
Falaste após, duro e frio,
No Cinismo — um calafrio
Passou-me gelado naima.
Eia, pois, Proteu da arte,
Que assim sabes transformar-te
Que a Proteu levas a palma.
Eia! o povo já admira
O gênio que em ti transluz,
Nem passa o gênio sem palmas
Na terra da Santa Cruz
Na terra das primaveras,
As glórias não são quimeras,
Nem o talento é um nome.
Aqui se admira o gênio,
Aqui se adora o proscênio,
Aqui se eleva um renome.
É bem risonha esta estrada
Das glórias ao brilho santo,
Ao ouvir vivos aplausos,
De — hosanas — a ouvir um canto;
Em cada dia uma palma,
Em cada momento umalma
Teu gênio sabe alcançar;
Deus ungiu-te a altiva fronte,
E, apontando-te o horizonte
Disse: "Eia! podes voar..."
Quanto és grande, — dizem todos
Que tem à arte, amor e fé;
Quanto és grande — di-lo o povo
Que ardente e sincero é.
Quanto és grande — o alaúde
Que entoa só canto rude,
Dizer-te procura em vão;
Que ao gênio só se admira...
Retratar não pode a lira
Mesmo em toda a inspiração.
Eia, avante! que o talento
Brilha sempre triunfal,
Como o sol ardente a pino
Aclara a montanha e o val.
Eia! Darte ó viajante
Coa fronte de luz brilhante
Vais ornado de lauréis;
Tens croas em vez de espinho
E, pois, no pó do caminho,
Lanço uma flor a teus pés.
1 496
Angela Carneiro
Deus existe!
Gente! Deus existe e se chama poente!
Eu vi Deus hoje, juro!
Exatamente às sete e meia da noite, o céu deu um espetáculo
imperdível!
Se algum pintor ousasse colocar na tela o que ocorreu no
céu diriam que era fantasia.
Uma nuvem branca em forma de cogumelo, enorme, o sol estava
atrás. Assim, suas bordas brilhavam. Em um canto, parecia
que tinham errado o arco-iris, o borraram, uma mancha de
cores surgia. Uma faixa mais escura traçava o céu, a curva
atravessava tudo, chegando a Niterói. No fundo, nuvens finas
azuis e rosa
A praia cheia parou para olhar, e claro, aplaudimos pedindo
o autor!
Procurem neste calor, após o trabalho, fazer isso que fiz
hoje: caminhar pela praia. Mar calmo e morno. Quando
escurece, o mar fica azul piscina e as ondas cor de rosa
por causa da iluminação. Muito lindo!
Eu vi Deus hoje, juro!
Exatamente às sete e meia da noite, o céu deu um espetáculo
imperdível!
Se algum pintor ousasse colocar na tela o que ocorreu no
céu diriam que era fantasia.
Uma nuvem branca em forma de cogumelo, enorme, o sol estava
atrás. Assim, suas bordas brilhavam. Em um canto, parecia
que tinham errado o arco-iris, o borraram, uma mancha de
cores surgia. Uma faixa mais escura traçava o céu, a curva
atravessava tudo, chegando a Niterói. No fundo, nuvens finas
azuis e rosa
A praia cheia parou para olhar, e claro, aplaudimos pedindo
o autor!
Procurem neste calor, após o trabalho, fazer isso que fiz
hoje: caminhar pela praia. Mar calmo e morno. Quando
escurece, o mar fica azul piscina e as ondas cor de rosa
por causa da iluminação. Muito lindo!
957
Castro Alves
Fragmento
HÁ FLORES tristes, que nascendo à noite
Só têm o açoite
Do cruento sul
E sem que um raio lhes alente a seiva,
Rolam na leiva
De seu vil paul.
Eu sou como elas. A vagar sozinho
Sigo um caminho
De ervaçais e pó
A luz de esprança bruxuleia a custo
Tremo de susto,
De morrer tão só.
Só têm o açoite
Do cruento sul
E sem que um raio lhes alente a seiva,
Rolam na leiva
De seu vil paul.
Eu sou como elas. A vagar sozinho
Sigo um caminho
De ervaçais e pó
A luz de esprança bruxuleia a custo
Tremo de susto,
De morrer tão só.
4 242
Castro Alves
Soneto
Á artista a Sra. D. JESUFNA MONTÁNI
DE GIOVANI na noite do espetáculo
em favor do Monte Pio da Bahia.
MOTE
"Das almas grandes a nobreza é esta."
GLOSA
AQUI, onde o talento verdadeiro
Não nega o povo o merecido preito;
Aqui onde no público respeito
Se conquista o brasão mais lisonjeiro.
Aqui onde o gênio sobranceiro
E, de torpes calúnias, ao efeito,
Jesuína, dos zoilos a despeito,
És tu que ocupas o lugar primeiro!
Repara como o povo te festeja...
Vê como em teu favor se manifesta,
Mau grado a mão, que, oculta, te apedreja!
Fazes bem desprezar quem te molesta;
Ser indif’rente ao regougar da inveja,
"Das almas grandes a nobreza é esta."
DE GIOVANI na noite do espetáculo
em favor do Monte Pio da Bahia.
MOTE
"Das almas grandes a nobreza é esta."
GLOSA
AQUI, onde o talento verdadeiro
Não nega o povo o merecido preito;
Aqui onde no público respeito
Se conquista o brasão mais lisonjeiro.
Aqui onde o gênio sobranceiro
E, de torpes calúnias, ao efeito,
Jesuína, dos zoilos a despeito,
És tu que ocupas o lugar primeiro!
Repara como o povo te festeja...
Vê como em teu favor se manifesta,
Mau grado a mão, que, oculta, te apedreja!
Fazes bem desprezar quem te molesta;
Ser indif’rente ao regougar da inveja,
"Das almas grandes a nobreza é esta."
1 454
Castro Alves
Soneto
Á artista a Sra. D. JESUFNA MONTÁNI
DE GIOVANI na noite do espetáculo
em favor do Monte Pio da Bahia.
MOTE
"Das almas grandes a nobreza é esta."
GLOSA
AQUI, onde o talento verdadeiro
Não nega o povo o merecido preito;
Aqui onde no público respeito
Se conquista o brasão mais lisonjeiro.
Aqui onde o gênio sobranceiro
E, de torpes calúnias, ao efeito,
Jesuína, dos zoilos a despeito,
És tu que ocupas o lugar primeiro!
Repara como o povo te festeja...
Vê como em teu favor se manifesta,
Mau grado a mão, que, oculta, te apedreja!
Fazes bem desprezar quem te molesta;
Ser indif’rente ao regougar da inveja,
"Das almas grandes a nobreza é esta."
DE GIOVANI na noite do espetáculo
em favor do Monte Pio da Bahia.
MOTE
"Das almas grandes a nobreza é esta."
GLOSA
AQUI, onde o talento verdadeiro
Não nega o povo o merecido preito;
Aqui onde no público respeito
Se conquista o brasão mais lisonjeiro.
Aqui onde o gênio sobranceiro
E, de torpes calúnias, ao efeito,
Jesuína, dos zoilos a despeito,
És tu que ocupas o lugar primeiro!
Repara como o povo te festeja...
Vê como em teu favor se manifesta,
Mau grado a mão, que, oculta, te apedreja!
Fazes bem desprezar quem te molesta;
Ser indif’rente ao regougar da inveja,
"Das almas grandes a nobreza é esta."
1 454
Castro Alves
Se Eu Te Dissesse
SE EU te dissesse que cindindo os mares,
Triste, pendido sobre a vítrea vaga,
Eu desfolhava de teu nome as pétalas
Ao salso vento, que as marés afaga...
Se eu te dissesse que por ermos cimos,
Por ínvios trilhos de uni país distante,
Teu casto riso, teu olhar celeste
Ungia o lábio ao viajor errante;
Se eu te dissesse que do alvergue à ermida,
Do monte ao vale, da chapada à selva,
Junta comigo vagueou tua alma;
Junta comigo pernoitou na relva;
Se eu te dissesse que ao relento frio
Dei minha fronte à viração gemente,
E olhando o rumo de teu lar — saudoso,
Molhei as trevas de meu pranto algente;
Se eu te dissesse, bela flor das saias!
Que eu dei teu nome dos sertões às flores!...
E ousei, na trova em que os pastores gemem,
Por ti, senhora, improvisar de amores;
Se eu te dissesse que tu foste a concha
Que o peregrino traz da Terra Santa,
Mago amuleto que no seio mora,
Doce relíquia... talismã que encanta!... ;
Se eu te dissesse que tu foste a rosa
Que ornava a gorra ao menestrel divino;
Cruz que o Templário conchegava ao peito
Quando nas naves reboava o hino;
Se eu te dissse que tu és, criança!
O anjo-da-guarda que me orvalha as preces...;
Se eu te disserte... — Foi talvez mentira! —
Se eu te dissesse... Tu talvez dissesses...
Triste, pendido sobre a vítrea vaga,
Eu desfolhava de teu nome as pétalas
Ao salso vento, que as marés afaga...
Se eu te dissesse que por ermos cimos,
Por ínvios trilhos de uni país distante,
Teu casto riso, teu olhar celeste
Ungia o lábio ao viajor errante;
Se eu te dissesse que do alvergue à ermida,
Do monte ao vale, da chapada à selva,
Junta comigo vagueou tua alma;
Junta comigo pernoitou na relva;
Se eu te dissesse que ao relento frio
Dei minha fronte à viração gemente,
E olhando o rumo de teu lar — saudoso,
Molhei as trevas de meu pranto algente;
Se eu te dissesse, bela flor das saias!
Que eu dei teu nome dos sertões às flores!...
E ousei, na trova em que os pastores gemem,
Por ti, senhora, improvisar de amores;
Se eu te dissesse que tu foste a concha
Que o peregrino traz da Terra Santa,
Mago amuleto que no seio mora,
Doce relíquia... talismã que encanta!... ;
Se eu te dissesse que tu foste a rosa
Que ornava a gorra ao menestrel divino;
Cruz que o Templário conchegava ao peito
Quando nas naves reboava o hino;
Se eu te dissse que tu és, criança!
O anjo-da-guarda que me orvalha as preces...;
Se eu te disserte... — Foi talvez mentira! —
Se eu te dissesse... Tu talvez dissesses...
2 864
Castro Alves
Loucura Divina
—"SABES que voz é esta?"
Ela cismava!...
— "Sabes, Maria?
— "É uma canção de amores.
Que além gemeu!"
— "É o abismo, criança!..."
A moça rindo
Enlaçou-lhe o pescoço:
— "Oh! não! não mintas!
Bem sei que é o céu!"
—"Doida! Doida! É a voragem que nos chama!..."
—"Eu ouço a Liberdade!"
— "É a morte, infante!
— "Erraste. É a salvação!"
—Negro fantasma é quem me embala o esquife!"
—"Loucura! É tua Mãe ... O esquife é um berço,
Que bóia namplidão!..."
— "Não vês os panos dágua como alvejam
Nos penedos? Que gélido sudário
O rio nos talhou!"
— "Veste-me o cetim branco do noivado...
Roupas alvas de prata... albentes dobras...
Veste-me!... Eu aqui estou."
—JÁ na proa espadana, salta a espuma... "
—São as flores gentis da laranjeira
Que o pego vem nos dar...
Oh! névoa! Eu amo teu sendal de gaze!...
Abram-se as ondas como virgens louras,
Para a Esposa passar!...
"As estrelas palpitam! — São as tochas!
Os rochedos murmuram!... São os monges!
Reza um órgão nos céus!
Que incenso! — Os rolos que do abismo voam!
Que turíbulo enorme — Paulo Afonso!
Que sacerdote! — Deus..."
Ela cismava!...
— "Sabes, Maria?
— "É uma canção de amores.
Que além gemeu!"
— "É o abismo, criança!..."
A moça rindo
Enlaçou-lhe o pescoço:
— "Oh! não! não mintas!
Bem sei que é o céu!"
—"Doida! Doida! É a voragem que nos chama!..."
—"Eu ouço a Liberdade!"
— "É a morte, infante!
— "Erraste. É a salvação!"
—Negro fantasma é quem me embala o esquife!"
—"Loucura! É tua Mãe ... O esquife é um berço,
Que bóia namplidão!..."
— "Não vês os panos dágua como alvejam
Nos penedos? Que gélido sudário
O rio nos talhou!"
— "Veste-me o cetim branco do noivado...
Roupas alvas de prata... albentes dobras...
Veste-me!... Eu aqui estou."
—JÁ na proa espadana, salta a espuma... "
—São as flores gentis da laranjeira
Que o pego vem nos dar...
Oh! névoa! Eu amo teu sendal de gaze!...
Abram-se as ondas como virgens louras,
Para a Esposa passar!...
"As estrelas palpitam! — São as tochas!
Os rochedos murmuram!... São os monges!
Reza um órgão nos céus!
Que incenso! — Os rolos que do abismo voam!
Que turíbulo enorme — Paulo Afonso!
Que sacerdote! — Deus..."
1 989
Castro Alves
Desperta para Morrer
— "ACORDA!"
— "Quem me chama?"
— "Escuta!"
— "Escuto... "
— "Nada ouviste?"
— "lnda não... "
— "É porque o vento
Escasseou".
—"Ouço agora... da noite na calada
Uma voz que ressona cava e funda...
E após cansou!"
— "Sabes que voz é esta"?
— "Não! Semelha
Do agonizante o derradeiro engasgo,
Rouco estertor... "
E calados ficaram, mudos, quedos,
Mãos contraídas, bocas sem alento...
Hora de horror!...
— "Quem me chama?"
— "Escuta!"
— "Escuto... "
— "Nada ouviste?"
— "lnda não... "
— "É porque o vento
Escasseou".
—"Ouço agora... da noite na calada
Uma voz que ressona cava e funda...
E após cansou!"
— "Sabes que voz é esta"?
— "Não! Semelha
Do agonizante o derradeiro engasgo,
Rouco estertor... "
E calados ficaram, mudos, quedos,
Mãos contraídas, bocas sem alento...
Hora de horror!...
1 700
Castro Alves
Desperta para Morrer
— "ACORDA!"
— "Quem me chama?"
— "Escuta!"
— "Escuto... "
— "Nada ouviste?"
— "lnda não... "
— "É porque o vento
Escasseou".
—"Ouço agora... da noite na calada
Uma voz que ressona cava e funda...
E após cansou!"
— "Sabes que voz é esta"?
— "Não! Semelha
Do agonizante o derradeiro engasgo,
Rouco estertor... "
E calados ficaram, mudos, quedos,
Mãos contraídas, bocas sem alento...
Hora de horror!...
— "Quem me chama?"
— "Escuta!"
— "Escuto... "
— "Nada ouviste?"
— "lnda não... "
— "É porque o vento
Escasseou".
—"Ouço agora... da noite na calada
Uma voz que ressona cava e funda...
E após cansou!"
— "Sabes que voz é esta"?
— "Não! Semelha
Do agonizante o derradeiro engasgo,
Rouco estertor... "
E calados ficaram, mudos, quedos,
Mãos contraídas, bocas sem alento...
Hora de horror!...
1 700
Castro Alves
O Bandolim da Desgraça
QUANDO de amor a Americana douda
A moda tange na febril viola,
E a mão febrenta sobre a corda fina
Nervosa, ardente, sacudida rola.
A gusla geme, sestorcendo em ânsias,
Rompem gemidos do instrumento em pranto...
Choro indizível... comprimir de peitos...
Queixas, soluços... desvairado canto!
E mais dorida a melodia arqueja!
E mais nervosa corre a mão nas cordas!...
Ai! tem piedade das crianças louras
Que soluçando no instrumento acordas! ...
"Ai! tem piedade dos meus seios trêmulos..."
Diz estalando o bandolim queixoso.
... E a mão palpita-lhe apertando as fibras...
E fere, e fere em dedilhar nervoso!...
Sobre o regaço da mulher trigueira,
Doida, cruel, a execução delira!...
Então — coas unhas cor-de-rosa, a moça.
Quebrando as cordas, o instrumento atira!...
........................................
Assim, Desgraça, quando tu, maldita!
As cordas dalma delirante vibras...
Como os teus dedos espedaçam rijos
Uma por uma do infeliz as fibras!
— Basta —, murmura esse instrumento vivo.
— Basta —, murmura o coração rangendo,
E tu, no entanto, num rasgar de artérias,
Feres lasciva em dedilhar tremendo.
Crença, esperança, mocidade e glória,
Aos teus arpejos, — gemebundas morrem!...
Resta uma corda... — a dos amores puros —...
E mais ardentes os teus dedos correm!...
E quando farta a cortesã cansada
A pobre gusla no tapete atira,
Que resta?... — Uma alma — que não tem mais vida!
Olhos — sem pranto! Desmontada — lira!!!
A moda tange na febril viola,
E a mão febrenta sobre a corda fina
Nervosa, ardente, sacudida rola.
A gusla geme, sestorcendo em ânsias,
Rompem gemidos do instrumento em pranto...
Choro indizível... comprimir de peitos...
Queixas, soluços... desvairado canto!
E mais dorida a melodia arqueja!
E mais nervosa corre a mão nas cordas!...
Ai! tem piedade das crianças louras
Que soluçando no instrumento acordas! ...
"Ai! tem piedade dos meus seios trêmulos..."
Diz estalando o bandolim queixoso.
... E a mão palpita-lhe apertando as fibras...
E fere, e fere em dedilhar nervoso!...
Sobre o regaço da mulher trigueira,
Doida, cruel, a execução delira!...
Então — coas unhas cor-de-rosa, a moça.
Quebrando as cordas, o instrumento atira!...
........................................
Assim, Desgraça, quando tu, maldita!
As cordas dalma delirante vibras...
Como os teus dedos espedaçam rijos
Uma por uma do infeliz as fibras!
— Basta —, murmura esse instrumento vivo.
— Basta —, murmura o coração rangendo,
E tu, no entanto, num rasgar de artérias,
Feres lasciva em dedilhar tremendo.
Crença, esperança, mocidade e glória,
Aos teus arpejos, — gemebundas morrem!...
Resta uma corda... — a dos amores puros —...
E mais ardentes os teus dedos correm!...
E quando farta a cortesã cansada
A pobre gusla no tapete atira,
Que resta?... — Uma alma — que não tem mais vida!
Olhos — sem pranto! Desmontada — lira!!!
1 925
Castro Alves
O Bandolim da Desgraça
QUANDO de amor a Americana douda
A moda tange na febril viola,
E a mão febrenta sobre a corda fina
Nervosa, ardente, sacudida rola.
A gusla geme, sestorcendo em ânsias,
Rompem gemidos do instrumento em pranto...
Choro indizível... comprimir de peitos...
Queixas, soluços... desvairado canto!
E mais dorida a melodia arqueja!
E mais nervosa corre a mão nas cordas!...
Ai! tem piedade das crianças louras
Que soluçando no instrumento acordas! ...
"Ai! tem piedade dos meus seios trêmulos..."
Diz estalando o bandolim queixoso.
... E a mão palpita-lhe apertando as fibras...
E fere, e fere em dedilhar nervoso!...
Sobre o regaço da mulher trigueira,
Doida, cruel, a execução delira!...
Então — coas unhas cor-de-rosa, a moça.
Quebrando as cordas, o instrumento atira!...
........................................
Assim, Desgraça, quando tu, maldita!
As cordas dalma delirante vibras...
Como os teus dedos espedaçam rijos
Uma por uma do infeliz as fibras!
— Basta —, murmura esse instrumento vivo.
— Basta —, murmura o coração rangendo,
E tu, no entanto, num rasgar de artérias,
Feres lasciva em dedilhar tremendo.
Crença, esperança, mocidade e glória,
Aos teus arpejos, — gemebundas morrem!...
Resta uma corda... — a dos amores puros —...
E mais ardentes os teus dedos correm!...
E quando farta a cortesã cansada
A pobre gusla no tapete atira,
Que resta?... — Uma alma — que não tem mais vida!
Olhos — sem pranto! Desmontada — lira!!!
A moda tange na febril viola,
E a mão febrenta sobre a corda fina
Nervosa, ardente, sacudida rola.
A gusla geme, sestorcendo em ânsias,
Rompem gemidos do instrumento em pranto...
Choro indizível... comprimir de peitos...
Queixas, soluços... desvairado canto!
E mais dorida a melodia arqueja!
E mais nervosa corre a mão nas cordas!...
Ai! tem piedade das crianças louras
Que soluçando no instrumento acordas! ...
"Ai! tem piedade dos meus seios trêmulos..."
Diz estalando o bandolim queixoso.
... E a mão palpita-lhe apertando as fibras...
E fere, e fere em dedilhar nervoso!...
Sobre o regaço da mulher trigueira,
Doida, cruel, a execução delira!...
Então — coas unhas cor-de-rosa, a moça.
Quebrando as cordas, o instrumento atira!...
........................................
Assim, Desgraça, quando tu, maldita!
As cordas dalma delirante vibras...
Como os teus dedos espedaçam rijos
Uma por uma do infeliz as fibras!
— Basta —, murmura esse instrumento vivo.
— Basta —, murmura o coração rangendo,
E tu, no entanto, num rasgar de artérias,
Feres lasciva em dedilhar tremendo.
Crença, esperança, mocidade e glória,
Aos teus arpejos, — gemebundas morrem!...
Resta uma corda... — a dos amores puros —...
E mais ardentes os teus dedos correm!...
E quando farta a cortesã cansada
A pobre gusla no tapete atira,
Que resta?... — Uma alma — que não tem mais vida!
Olhos — sem pranto! Desmontada — lira!!!
1 925
Carlos Nóbrega
O Passado
Tudo vive a cair
lentamente
Lentamente
indo ao chão
como um som
vem caindo
em busca de repouso
- lentamente
à sua cova de silêncio
lentamente
Lentamente
indo ao chão
como um som
vem caindo
em busca de repouso
- lentamente
à sua cova de silêncio
1 057
Carlos Nóbrega
O Passado
Tudo vive a cair
lentamente
Lentamente
indo ao chão
como um som
vem caindo
em busca de repouso
- lentamente
à sua cova de silêncio
lentamente
Lentamente
indo ao chão
como um som
vem caindo
em busca de repouso
- lentamente
à sua cova de silêncio
1 057
Carlos Nóbrega
Os relógios
1 galo que é feito de sol
canta sua canção de sangue
canta com sua voz de sonho,
com seu olho de cor e sal
para as sombras que estão por vir
canta sua canção de sangue
canta com sua voz de sonho,
com seu olho de cor e sal
para as sombras que estão por vir
958
Castro Alves
Queres Flores? Queres Cantos?
QUERES FLORES? Queres cantos?
Como hei de dar-tos se prantos
Só tenho no peito meu?
Queres luzes e harmonias?...
Debalde... só agonias
Meu alaúde gemeu...
Donzela! Fora loucura
Pedir ao tufão doçura,
Ao morto alegre canção,
Buscar a flor dos quiosques
Entre os ciprestes, os bosques
Que ensombram funéreo chão.
Porém escuta um conselho...
Pede a Veneza um espelho...
Mira o teu rosto... e verás
Um desses quadros tão belos
Que — homens não sabem fazê-los,
Que — dous assim Deus não faz.
Na tua boca formosa
Verás uma linda rosa
Meio fechada a sorrir,
E, como gotas nitentes,
As pérolas de teus dentes
No seio da flor luzir.
O perfume do Oriente
— Quando rezas inocente —
Se embala nos lábios teus.
E no teu seio, se treme,
Tens a Poesia, se geme,
Tens a harmonia dos Céus.
Queres ver o Paraíso?
Descerra os lábios... Um riso
Vem-nos o Éden mostrar...
Canta!... E aos hinos sagrados
Verás no Céu debruçados
Os astros pra te escutar.
Tens a noite nas madeixas
Onde a brisa em temas queixas
Geme... morre de languor.
São mais que os astros — brilhantes
Os teus olhos fascinantes,
— Lindas estrofes de amor...
E ainda pedes-me um canto?!...
Quebra a lira o Bardo santo
Ao ver um sorriso teu...
Rasga a tela Rafael...
Fídias estala o cinzel...
Deus treme de amor no Céu.
Como hei de dar-tos se prantos
Só tenho no peito meu?
Queres luzes e harmonias?...
Debalde... só agonias
Meu alaúde gemeu...
Donzela! Fora loucura
Pedir ao tufão doçura,
Ao morto alegre canção,
Buscar a flor dos quiosques
Entre os ciprestes, os bosques
Que ensombram funéreo chão.
Porém escuta um conselho...
Pede a Veneza um espelho...
Mira o teu rosto... e verás
Um desses quadros tão belos
Que — homens não sabem fazê-los,
Que — dous assim Deus não faz.
Na tua boca formosa
Verás uma linda rosa
Meio fechada a sorrir,
E, como gotas nitentes,
As pérolas de teus dentes
No seio da flor luzir.
O perfume do Oriente
— Quando rezas inocente —
Se embala nos lábios teus.
E no teu seio, se treme,
Tens a Poesia, se geme,
Tens a harmonia dos Céus.
Queres ver o Paraíso?
Descerra os lábios... Um riso
Vem-nos o Éden mostrar...
Canta!... E aos hinos sagrados
Verás no Céu debruçados
Os astros pra te escutar.
Tens a noite nas madeixas
Onde a brisa em temas queixas
Geme... morre de languor.
São mais que os astros — brilhantes
Os teus olhos fascinantes,
— Lindas estrofes de amor...
E ainda pedes-me um canto?!...
Quebra a lira o Bardo santo
Ao ver um sorriso teu...
Rasga a tela Rafael...
Fídias estala o cinzel...
Deus treme de amor no Céu.
2 107
Castro Alves
Queres Flores? Queres Cantos?
QUERES FLORES? Queres cantos?
Como hei de dar-tos se prantos
Só tenho no peito meu?
Queres luzes e harmonias?...
Debalde... só agonias
Meu alaúde gemeu...
Donzela! Fora loucura
Pedir ao tufão doçura,
Ao morto alegre canção,
Buscar a flor dos quiosques
Entre os ciprestes, os bosques
Que ensombram funéreo chão.
Porém escuta um conselho...
Pede a Veneza um espelho...
Mira o teu rosto... e verás
Um desses quadros tão belos
Que — homens não sabem fazê-los,
Que — dous assim Deus não faz.
Na tua boca formosa
Verás uma linda rosa
Meio fechada a sorrir,
E, como gotas nitentes,
As pérolas de teus dentes
No seio da flor luzir.
O perfume do Oriente
— Quando rezas inocente —
Se embala nos lábios teus.
E no teu seio, se treme,
Tens a Poesia, se geme,
Tens a harmonia dos Céus.
Queres ver o Paraíso?
Descerra os lábios... Um riso
Vem-nos o Éden mostrar...
Canta!... E aos hinos sagrados
Verás no Céu debruçados
Os astros pra te escutar.
Tens a noite nas madeixas
Onde a brisa em temas queixas
Geme... morre de languor.
São mais que os astros — brilhantes
Os teus olhos fascinantes,
— Lindas estrofes de amor...
E ainda pedes-me um canto?!...
Quebra a lira o Bardo santo
Ao ver um sorriso teu...
Rasga a tela Rafael...
Fídias estala o cinzel...
Deus treme de amor no Céu.
Como hei de dar-tos se prantos
Só tenho no peito meu?
Queres luzes e harmonias?...
Debalde... só agonias
Meu alaúde gemeu...
Donzela! Fora loucura
Pedir ao tufão doçura,
Ao morto alegre canção,
Buscar a flor dos quiosques
Entre os ciprestes, os bosques
Que ensombram funéreo chão.
Porém escuta um conselho...
Pede a Veneza um espelho...
Mira o teu rosto... e verás
Um desses quadros tão belos
Que — homens não sabem fazê-los,
Que — dous assim Deus não faz.
Na tua boca formosa
Verás uma linda rosa
Meio fechada a sorrir,
E, como gotas nitentes,
As pérolas de teus dentes
No seio da flor luzir.
O perfume do Oriente
— Quando rezas inocente —
Se embala nos lábios teus.
E no teu seio, se treme,
Tens a Poesia, se geme,
Tens a harmonia dos Céus.
Queres ver o Paraíso?
Descerra os lábios... Um riso
Vem-nos o Éden mostrar...
Canta!... E aos hinos sagrados
Verás no Céu debruçados
Os astros pra te escutar.
Tens a noite nas madeixas
Onde a brisa em temas queixas
Geme... morre de languor.
São mais que os astros — brilhantes
Os teus olhos fascinantes,
— Lindas estrofes de amor...
E ainda pedes-me um canto?!...
Quebra a lira o Bardo santo
Ao ver um sorriso teu...
Rasga a tela Rafael...
Fídias estala o cinzel...
Deus treme de amor no Céu.
2 107
Castro Alves
Queres Flores? Queres Cantos?
QUERES FLORES? Queres cantos?
Como hei de dar-tos se prantos
Só tenho no peito meu?
Queres luzes e harmonias?...
Debalde... só agonias
Meu alaúde gemeu...
Donzela! Fora loucura
Pedir ao tufão doçura,
Ao morto alegre canção,
Buscar a flor dos quiosques
Entre os ciprestes, os bosques
Que ensombram funéreo chão.
Porém escuta um conselho...
Pede a Veneza um espelho...
Mira o teu rosto... e verás
Um desses quadros tão belos
Que — homens não sabem fazê-los,
Que — dous assim Deus não faz.
Na tua boca formosa
Verás uma linda rosa
Meio fechada a sorrir,
E, como gotas nitentes,
As pérolas de teus dentes
No seio da flor luzir.
O perfume do Oriente
— Quando rezas inocente —
Se embala nos lábios teus.
E no teu seio, se treme,
Tens a Poesia, se geme,
Tens a harmonia dos Céus.
Queres ver o Paraíso?
Descerra os lábios... Um riso
Vem-nos o Éden mostrar...
Canta!... E aos hinos sagrados
Verás no Céu debruçados
Os astros pra te escutar.
Tens a noite nas madeixas
Onde a brisa em temas queixas
Geme... morre de languor.
São mais que os astros — brilhantes
Os teus olhos fascinantes,
— Lindas estrofes de amor...
E ainda pedes-me um canto?!...
Quebra a lira o Bardo santo
Ao ver um sorriso teu...
Rasga a tela Rafael...
Fídias estala o cinzel...
Deus treme de amor no Céu.
Como hei de dar-tos se prantos
Só tenho no peito meu?
Queres luzes e harmonias?...
Debalde... só agonias
Meu alaúde gemeu...
Donzela! Fora loucura
Pedir ao tufão doçura,
Ao morto alegre canção,
Buscar a flor dos quiosques
Entre os ciprestes, os bosques
Que ensombram funéreo chão.
Porém escuta um conselho...
Pede a Veneza um espelho...
Mira o teu rosto... e verás
Um desses quadros tão belos
Que — homens não sabem fazê-los,
Que — dous assim Deus não faz.
Na tua boca formosa
Verás uma linda rosa
Meio fechada a sorrir,
E, como gotas nitentes,
As pérolas de teus dentes
No seio da flor luzir.
O perfume do Oriente
— Quando rezas inocente —
Se embala nos lábios teus.
E no teu seio, se treme,
Tens a Poesia, se geme,
Tens a harmonia dos Céus.
Queres ver o Paraíso?
Descerra os lábios... Um riso
Vem-nos o Éden mostrar...
Canta!... E aos hinos sagrados
Verás no Céu debruçados
Os astros pra te escutar.
Tens a noite nas madeixas
Onde a brisa em temas queixas
Geme... morre de languor.
São mais que os astros — brilhantes
Os teus olhos fascinantes,
— Lindas estrofes de amor...
E ainda pedes-me um canto?!...
Quebra a lira o Bardo santo
Ao ver um sorriso teu...
Rasga a tela Rafael...
Fídias estala o cinzel...
Deus treme de amor no Céu.
2 107
Castro Alves
Queres Flores? Queres Cantos?
QUERES FLORES? Queres cantos?
Como hei de dar-tos se prantos
Só tenho no peito meu?
Queres luzes e harmonias?...
Debalde... só agonias
Meu alaúde gemeu...
Donzela! Fora loucura
Pedir ao tufão doçura,
Ao morto alegre canção,
Buscar a flor dos quiosques
Entre os ciprestes, os bosques
Que ensombram funéreo chão.
Porém escuta um conselho...
Pede a Veneza um espelho...
Mira o teu rosto... e verás
Um desses quadros tão belos
Que — homens não sabem fazê-los,
Que — dous assim Deus não faz.
Na tua boca formosa
Verás uma linda rosa
Meio fechada a sorrir,
E, como gotas nitentes,
As pérolas de teus dentes
No seio da flor luzir.
O perfume do Oriente
— Quando rezas inocente —
Se embala nos lábios teus.
E no teu seio, se treme,
Tens a Poesia, se geme,
Tens a harmonia dos Céus.
Queres ver o Paraíso?
Descerra os lábios... Um riso
Vem-nos o Éden mostrar...
Canta!... E aos hinos sagrados
Verás no Céu debruçados
Os astros pra te escutar.
Tens a noite nas madeixas
Onde a brisa em temas queixas
Geme... morre de languor.
São mais que os astros — brilhantes
Os teus olhos fascinantes,
— Lindas estrofes de amor...
E ainda pedes-me um canto?!...
Quebra a lira o Bardo santo
Ao ver um sorriso teu...
Rasga a tela Rafael...
Fídias estala o cinzel...
Deus treme de amor no Céu.
Como hei de dar-tos se prantos
Só tenho no peito meu?
Queres luzes e harmonias?...
Debalde... só agonias
Meu alaúde gemeu...
Donzela! Fora loucura
Pedir ao tufão doçura,
Ao morto alegre canção,
Buscar a flor dos quiosques
Entre os ciprestes, os bosques
Que ensombram funéreo chão.
Porém escuta um conselho...
Pede a Veneza um espelho...
Mira o teu rosto... e verás
Um desses quadros tão belos
Que — homens não sabem fazê-los,
Que — dous assim Deus não faz.
Na tua boca formosa
Verás uma linda rosa
Meio fechada a sorrir,
E, como gotas nitentes,
As pérolas de teus dentes
No seio da flor luzir.
O perfume do Oriente
— Quando rezas inocente —
Se embala nos lábios teus.
E no teu seio, se treme,
Tens a Poesia, se geme,
Tens a harmonia dos Céus.
Queres ver o Paraíso?
Descerra os lábios... Um riso
Vem-nos o Éden mostrar...
Canta!... E aos hinos sagrados
Verás no Céu debruçados
Os astros pra te escutar.
Tens a noite nas madeixas
Onde a brisa em temas queixas
Geme... morre de languor.
São mais que os astros — brilhantes
Os teus olhos fascinantes,
— Lindas estrofes de amor...
E ainda pedes-me um canto?!...
Quebra a lira o Bardo santo
Ao ver um sorriso teu...
Rasga a tela Rafael...
Fídias estala o cinzel...
Deus treme de amor no Céu.
2 107
Castro Alves
Diálogo dos Ecos
E chegou-se pra a vivenda
Risonho, calmo, feliz...
Escutou... mas só ao longe
Cantavam as juritis...
Murmurou: "Vou surpr’endê-la!"
E a porta ao toque cedeu...
"Talvez agora sonhando
Diz meu nome o lábio seu,
Que a dormir nada prevê..."
E o eco responde: — Vê! ...
"Como a casa está tão triste!
Que aperto no coração! ...
Maria!... Ninguém responde!
Maria, não ouves, não?...
Aqui vejo uma saudade
Nos braços de sua cruz...
Que querem dizer tais prantos,
Que rolam tantos, tantos,
Sobre as faces da saudade
Sobre os braços de Jesus?...
Oh! quem me empresta uma luz?...
Quem me arranca a ansiedade,
Que no meu peito nasceu?
Quem deste negro mistério
Me rasga o sombrio véu?...
E o eco responde: — Eu! ...
E chegou-se para o leito
Da casta flor do sertão...
Apertou coa mão convulsa
O punhal e o coração! ...
Stava inda tépido o ninho
Cheio de aromas suaves...
E — como a pena, que as aves
Deixam no musgo ao voar, —
Um anel de seus cabelos
Jazia cortado a esmo
Como relíquia no altar! ...
Talvez prendendo nos elos
Mil suspiros, mil anelos,
Mil soluços, mil desvelos,
Que ela deu-lhes pra guardar!...
E o pranto em baga a rolar ...
"Onde a pomba foi perder-se?
Que céu minha estrela encerra?
Maria, pobre criança,
Que fazes tu sobre a terra?"
E o eco responde: — Erra!
"Partiste! Nem te lembraste
Deste martírio sem fim!...
Não! perdoa... tu choraste
E os prantos, que derramaste
Foram vertidos por mim...
Houve pois um braço estranho
Robusto, feroz, tamanho,
Que pôde esmagar-te assim?...
E o eco responde: — Sim!
E rugiu: "Vingança! guerra!
Pela flor, que me deixaste,
Pela cruz em que rezaste,
E que teus prantos encerra!
Eu juro guerra de morte
A quem feriu desta sorte
O anjo puro da terra...
Vê como este braço é forte!
Vê como é rijo este ferro !
Meu golpe é certo... não erro.
Onde há sangue, sangue escorre!...
Vilão! Deste ferro e braço,
Nem a terra, nem o espaço,
Nem mesmo Deus te socorre !!..."
E o eco responde: — Corre !
Como o cão ele em tomo o ar aspira,
Depois se orientou.
Fareja as ervas... descobriu a pista
E rápido marchou.
....................................
No entanto sobre as águas, que cintilam,
Como o dorso de enorme crocodilo,
Já manso e manso escoa-se a canoa;
Parecia assim vista — ao sol poente —
Esses ninhos, que o vento lança às águas,
E que na enchente vão boiando à toa! ...
Risonho, calmo, feliz...
Escutou... mas só ao longe
Cantavam as juritis...
Murmurou: "Vou surpr’endê-la!"
E a porta ao toque cedeu...
"Talvez agora sonhando
Diz meu nome o lábio seu,
Que a dormir nada prevê..."
E o eco responde: — Vê! ...
"Como a casa está tão triste!
Que aperto no coração! ...
Maria!... Ninguém responde!
Maria, não ouves, não?...
Aqui vejo uma saudade
Nos braços de sua cruz...
Que querem dizer tais prantos,
Que rolam tantos, tantos,
Sobre as faces da saudade
Sobre os braços de Jesus?...
Oh! quem me empresta uma luz?...
Quem me arranca a ansiedade,
Que no meu peito nasceu?
Quem deste negro mistério
Me rasga o sombrio véu?...
E o eco responde: — Eu! ...
E chegou-se para o leito
Da casta flor do sertão...
Apertou coa mão convulsa
O punhal e o coração! ...
Stava inda tépido o ninho
Cheio de aromas suaves...
E — como a pena, que as aves
Deixam no musgo ao voar, —
Um anel de seus cabelos
Jazia cortado a esmo
Como relíquia no altar! ...
Talvez prendendo nos elos
Mil suspiros, mil anelos,
Mil soluços, mil desvelos,
Que ela deu-lhes pra guardar!...
E o pranto em baga a rolar ...
"Onde a pomba foi perder-se?
Que céu minha estrela encerra?
Maria, pobre criança,
Que fazes tu sobre a terra?"
E o eco responde: — Erra!
"Partiste! Nem te lembraste
Deste martírio sem fim!...
Não! perdoa... tu choraste
E os prantos, que derramaste
Foram vertidos por mim...
Houve pois um braço estranho
Robusto, feroz, tamanho,
Que pôde esmagar-te assim?...
E o eco responde: — Sim!
E rugiu: "Vingança! guerra!
Pela flor, que me deixaste,
Pela cruz em que rezaste,
E que teus prantos encerra!
Eu juro guerra de morte
A quem feriu desta sorte
O anjo puro da terra...
Vê como este braço é forte!
Vê como é rijo este ferro !
Meu golpe é certo... não erro.
Onde há sangue, sangue escorre!...
Vilão! Deste ferro e braço,
Nem a terra, nem o espaço,
Nem mesmo Deus te socorre !!..."
E o eco responde: — Corre !
Como o cão ele em tomo o ar aspira,
Depois se orientou.
Fareja as ervas... descobriu a pista
E rápido marchou.
....................................
No entanto sobre as águas, que cintilam,
Como o dorso de enorme crocodilo,
Já manso e manso escoa-se a canoa;
Parecia assim vista — ao sol poente —
Esses ninhos, que o vento lança às águas,
E que na enchente vão boiando à toa! ...
2 297
Castro Alves
Não Sabes
QUANTA ALTA noite namplidão flutua
Pálida a lua com fatal palor,
Não sabes, virgem, que eu por ti suspiro
E que deliro a suspirar de amor.
Quando no leito entre sutis cortinas
Tu te reclinas indolente aí,
Ai! Tu não sabes que sozinho e triste
Um ser existe que só pensa em ti.
Lírio destalma, sensitiva bela,
És minha estrela, meu viver, meu Deus.
Se olhas — me rio, se sorris — me inspiro,
Choras — deliro por martírios teus.
E tu não sabes deste meu segredo
Ah! tenho medo do teu rir cruel!...
Pois se o desprezo fosse a minha sorte
Bebera a morte neste amargo fel.
Mas dá-me a esprança num olhar quebrado,
Num ai magoado, num sorrir dó céu,
Ver-me-ás dizer-te na febril vertigem
"Não sabes, virgem? Meu futuro é teu"!
Pálida a lua com fatal palor,
Não sabes, virgem, que eu por ti suspiro
E que deliro a suspirar de amor.
Quando no leito entre sutis cortinas
Tu te reclinas indolente aí,
Ai! Tu não sabes que sozinho e triste
Um ser existe que só pensa em ti.
Lírio destalma, sensitiva bela,
És minha estrela, meu viver, meu Deus.
Se olhas — me rio, se sorris — me inspiro,
Choras — deliro por martírios teus.
E tu não sabes deste meu segredo
Ah! tenho medo do teu rir cruel!...
Pois se o desprezo fosse a minha sorte
Bebera a morte neste amargo fel.
Mas dá-me a esprança num olhar quebrado,
Num ai magoado, num sorrir dó céu,
Ver-me-ás dizer-te na febril vertigem
"Não sabes, virgem? Meu futuro é teu"!
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