Poemas neste tema
Outros
Tomás Castro
Concierto a puertas cerradas
Con estas manos hechas para ti
quiero
uno a uno tocar
los instrumentos de tu cuerpo
al palparte
me salen tonos
partituras
música en fin
de todas partes
se precisa un golpe
de batuta
para tocarte sin desafinar
estás llena de violines
en ti los pájaros ensayan
sus últimas canciones
en ti debuta una alta fidelidad
que termina
entre mis dedos
haciéndote fraterna
amo tus instrumentos
cuando me inundas de sonidos
cuando tu cuerpo me nombra
el músico más grande
que nadie se sienta herido
– ni bach ni beethoven
ni los trompetistas del juicio final –
eres un concierto
que sólo yo puedo tocar.
quiero
uno a uno tocar
los instrumentos de tu cuerpo
al palparte
me salen tonos
partituras
música en fin
de todas partes
se precisa un golpe
de batuta
para tocarte sin desafinar
estás llena de violines
en ti los pájaros ensayan
sus últimas canciones
en ti debuta una alta fidelidad
que termina
entre mis dedos
haciéndote fraterna
amo tus instrumentos
cuando me inundas de sonidos
cuando tu cuerpo me nombra
el músico más grande
que nadie se sienta herido
– ni bach ni beethoven
ni los trompetistas del juicio final –
eres un concierto
que sólo yo puedo tocar.
1 401
Nuno Guimarães
Palavras que Rebentam
Palavras
que rebentam. Aflorando
A pedra, a solidão, deslizam, vagas,
Gramaticais, roendo inconformadas
As arestas, o atrito, puras. Quando
Nos líquidos, no éter, na distancia,
Diluem-se e morrem acabadas.
Não nos corpos, nas rugas, nas arcadas:
Combatem, rumorosas, cal e cântico.
É dificil atarem corpo e vida
Aos que vivem e morrem subjacentes
Subjazendo, talhados para mina.
Mas despertadas, bem ou mal medidas,
Rebentam em ogiva, funcionais
Chamas supostamente adormecidas.
que rebentam. Aflorando
A pedra, a solidão, deslizam, vagas,
Gramaticais, roendo inconformadas
As arestas, o atrito, puras. Quando
Nos líquidos, no éter, na distancia,
Diluem-se e morrem acabadas.
Não nos corpos, nas rugas, nas arcadas:
Combatem, rumorosas, cal e cântico.
É dificil atarem corpo e vida
Aos que vivem e morrem subjacentes
Subjazendo, talhados para mina.
Mas despertadas, bem ou mal medidas,
Rebentam em ogiva, funcionais
Chamas supostamente adormecidas.
1 323
Nuno Guimarães
Palavras que Rebentam
Palavras
que rebentam. Aflorando
A pedra, a solidão, deslizam, vagas,
Gramaticais, roendo inconformadas
As arestas, o atrito, puras. Quando
Nos líquidos, no éter, na distancia,
Diluem-se e morrem acabadas.
Não nos corpos, nas rugas, nas arcadas:
Combatem, rumorosas, cal e cântico.
É dificil atarem corpo e vida
Aos que vivem e morrem subjacentes
Subjazendo, talhados para mina.
Mas despertadas, bem ou mal medidas,
Rebentam em ogiva, funcionais
Chamas supostamente adormecidas.
que rebentam. Aflorando
A pedra, a solidão, deslizam, vagas,
Gramaticais, roendo inconformadas
As arestas, o atrito, puras. Quando
Nos líquidos, no éter, na distancia,
Diluem-se e morrem acabadas.
Não nos corpos, nas rugas, nas arcadas:
Combatem, rumorosas, cal e cântico.
É dificil atarem corpo e vida
Aos que vivem e morrem subjacentes
Subjazendo, talhados para mina.
Mas despertadas, bem ou mal medidas,
Rebentam em ogiva, funcionais
Chamas supostamente adormecidas.
1 323
Renier Dias Pereira
Impulso
Impulso
A paixão, semente que nasce
em meu coração clama por
receber uma luz que ebúrnea
do meu sonho
Sentimentos ilhados na
escuridão do infinito
gemem de paixão em
busca da perfeição
Muitissimamente calado
corrói a flor que
brota de uma tristeza
risonha
Finalmente a escuridão
se vai, deixando as
marcas de sua infinita
dor
Resta agora uma caminhada
longa e cruel em busca
de uma nova vida guiada
pelo amor
Chega-se ao final, nada
nos espera, olhamos pela
janela a nossa vida
que passou.
A paixão, semente que nasce
em meu coração clama por
receber uma luz que ebúrnea
do meu sonho
Sentimentos ilhados na
escuridão do infinito
gemem de paixão em
busca da perfeição
Muitissimamente calado
corrói a flor que
brota de uma tristeza
risonha
Finalmente a escuridão
se vai, deixando as
marcas de sua infinita
dor
Resta agora uma caminhada
longa e cruel em busca
de uma nova vida guiada
pelo amor
Chega-se ao final, nada
nos espera, olhamos pela
janela a nossa vida
que passou.
1 035
Ana Cristina Cesar
19 de abril
Era noite e uma luva de angústia me afagava o
pescoço. Composições escolares rodopiavam,
todas as que eu lera e escrevera e ainda uma
multidão herdada de mamãe. Era noite e uma
luva de angústia... Era inverno e a mulher
sozinha... Escureciam as esquinas e o vento
uivando... Saí com júbilo escolar nas pernas,
frases bem compostas de pornografia pura,
meninas de saiote que zumbiam nas escadas
íngremes. Galguei a ladeira com caretas,
antecipando o frio e os sons eróticos povoando
a sala esfumaçada.
pescoço. Composições escolares rodopiavam,
todas as que eu lera e escrevera e ainda uma
multidão herdada de mamãe. Era noite e uma
luva de angústia... Era inverno e a mulher
sozinha... Escureciam as esquinas e o vento
uivando... Saí com júbilo escolar nas pernas,
frases bem compostas de pornografia pura,
meninas de saiote que zumbiam nas escadas
íngremes. Galguei a ladeira com caretas,
antecipando o frio e os sons eróticos povoando
a sala esfumaçada.
1 833
Nuno Guimarães
O Pão
Não
é ainda um seio
Mas quase. Na brancura.
Porém, onda de leite
A branca levedura.
Um mecanismo incerto
De ferro e madrugada.
A fome e o excesso
Futuros. Na seara.
A fome e a carência
De sol(o) para a boca.
Não é ainda um campo
De areia. Ou terra solta.
Um campo descampado
Um canto com bolor.
É arte que se move
Minéria como a água.
Engenho de palato.
Alvéolo de pulmão.
Respira-se o exemplo
De sol. Oxigénio
Não é ainda um círculo
Branco por toda a mesa
Manchado na toalha
De sombra e aspereza.
Não é ainda uma ave
Descendo sobre a pele:
Um mecanismo triste
Movendo a boca breve.
é ainda um seio
Mas quase. Na brancura.
Porém, onda de leite
A branca levedura.
Um mecanismo incerto
De ferro e madrugada.
A fome e o excesso
Futuros. Na seara.
A fome e a carência
De sol(o) para a boca.
Não é ainda um campo
De areia. Ou terra solta.
Um campo descampado
Um canto com bolor.
É arte que se move
Minéria como a água.
Engenho de palato.
Alvéolo de pulmão.
Respira-se o exemplo
De sol. Oxigénio
Não é ainda um círculo
Branco por toda a mesa
Manchado na toalha
De sombra e aspereza.
Não é ainda uma ave
Descendo sobre a pele:
Um mecanismo triste
Movendo a boca breve.
1 368
Nuno Guimarães
O Pão
Não
é ainda um seio
Mas quase. Na brancura.
Porém, onda de leite
A branca levedura.
Um mecanismo incerto
De ferro e madrugada.
A fome e o excesso
Futuros. Na seara.
A fome e a carência
De sol(o) para a boca.
Não é ainda um campo
De areia. Ou terra solta.
Um campo descampado
Um canto com bolor.
É arte que se move
Minéria como a água.
Engenho de palato.
Alvéolo de pulmão.
Respira-se o exemplo
De sol. Oxigénio
Não é ainda um círculo
Branco por toda a mesa
Manchado na toalha
De sombra e aspereza.
Não é ainda uma ave
Descendo sobre a pele:
Um mecanismo triste
Movendo a boca breve.
é ainda um seio
Mas quase. Na brancura.
Porém, onda de leite
A branca levedura.
Um mecanismo incerto
De ferro e madrugada.
A fome e o excesso
Futuros. Na seara.
A fome e a carência
De sol(o) para a boca.
Não é ainda um campo
De areia. Ou terra solta.
Um campo descampado
Um canto com bolor.
É arte que se move
Minéria como a água.
Engenho de palato.
Alvéolo de pulmão.
Respira-se o exemplo
De sol. Oxigénio
Não é ainda um círculo
Branco por toda a mesa
Manchado na toalha
De sombra e aspereza.
Não é ainda uma ave
Descendo sobre a pele:
Um mecanismo triste
Movendo a boca breve.
1 368
Vittoria Colonna
QUANDO I GRAN LUME
Quando o grão lume surge lá no oriente,
que o negro manto desta noite afasta,
e sobre a terra o gelo se desgasta,
já dissolvido no seu raio ardente,
a antiga dor, que o sono gentilmente
me adormentara, acorda mais desgasta:
que quando aos outros o prazer se gasta
é que revive o meu mais docemente.
Assim me força uma inimiga sorte
às trevas procurar, fugir da luz,
odiar a vida e desejar a morte.
Que a um outro olhar scurece, ao meu reluz:
se fecho os olhos, abrem-se-me as portas
à dor profunda que a meu sol conduz.
que o negro manto desta noite afasta,
e sobre a terra o gelo se desgasta,
já dissolvido no seu raio ardente,
a antiga dor, que o sono gentilmente
me adormentara, acorda mais desgasta:
que quando aos outros o prazer se gasta
é que revive o meu mais docemente.
Assim me força uma inimiga sorte
às trevas procurar, fugir da luz,
odiar a vida e desejar a morte.
Que a um outro olhar scurece, ao meu reluz:
se fecho os olhos, abrem-se-me as portas
à dor profunda que a meu sol conduz.
1 597
Marcial
Que sejam os meus versos pouco sérios
I,36
Que sejam os meus versos pouco sérios,
tais que o mestre os não pode ler na escola,
tu lamentas, Cornélio. Porém os meus livrinhos,
tal como às suas consortes os maridos,
não podem sem caralho dar prazer.
Como escrever lascivo canto nupcial
sem usar lascivos termos nupciais?
Quem com traje de jogos florais, às meretrizes
permite que tenham seriedade de matronas?
Estes ligeiros poemas a uma lei obedecem:
apenas dão prazer se forem excitantes.
Por isso dá ao demo a seriedade,
não condenes, te peço, as minhas brincadeiras,
e tira da ideia castrar os meus livrinhos.
Nada há mais torpe que um Priapo capado!
Que sejam os meus versos pouco sérios,
tais que o mestre os não pode ler na escola,
tu lamentas, Cornélio. Porém os meus livrinhos,
tal como às suas consortes os maridos,
não podem sem caralho dar prazer.
Como escrever lascivo canto nupcial
sem usar lascivos termos nupciais?
Quem com traje de jogos florais, às meretrizes
permite que tenham seriedade de matronas?
Estes ligeiros poemas a uma lei obedecem:
apenas dão prazer se forem excitantes.
Por isso dá ao demo a seriedade,
não condenes, te peço, as minhas brincadeiras,
e tira da ideia castrar os meus livrinhos.
Nada há mais torpe que um Priapo capado!
763
Natália Correia
Poema II
De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.
1 423
Natália Correia
Véspera do Prodígio
Além do
sol, além do Sete-Estrelo
Uma última Tule me subentende.
O caminho pra mim não sei. Sabe-lo
Será ciência que a morrer se aprende?
Passo ou sou? Deuses, quem quebra o selo?
Quando entro em mim outrem me surpreende
Que um génio zombador tem por modelo.
Onde o esquivo lar desse duende?
Seja quem for o eu que em mim recluso
Alheio fado cumpre, é vácuo o uso
Que do Dom de pensar em vão fazemos.
Melhor é ir. Atravessar o muro,
Seguir na barca que passa o golfo escuro
E ao Grande Enigma abandonar os remos.
sol, além do Sete-Estrelo
Uma última Tule me subentende.
O caminho pra mim não sei. Sabe-lo
Será ciência que a morrer se aprende?
Passo ou sou? Deuses, quem quebra o selo?
Quando entro em mim outrem me surpreende
Que um génio zombador tem por modelo.
Onde o esquivo lar desse duende?
Seja quem for o eu que em mim recluso
Alheio fado cumpre, é vácuo o uso
Que do Dom de pensar em vão fazemos.
Melhor é ir. Atravessar o muro,
Seguir na barca que passa o golfo escuro
E ao Grande Enigma abandonar os remos.
1 994
Maria João
Um amor proibido
Estou silenciosa, de frente para a ponte
atrevendo-me, sem me atrever a atravessá-la
Tu olhas-me carinhoso, do outro lado,
atrevendo-te, sem te atreveres a atravessá-la
o meu coração mantém-se embrulhado em
seda branca
Incapaz de respirar ou ver
Estou parada neste homem, sem me mover,
à espera
Uma poeira laranja invade devagar
esta paisagem estrangeira
e o meu coração estoira
Então, enquanto o dia entra pela noite
eu abro a gaveta da minha bravura
e firme passo sobre o preconceito das gentes
Um passo
depois outro
amorosamente atravessando a ponte
atrevendo-me, sem me atrever a atravessá-la
Tu olhas-me carinhoso, do outro lado,
atrevendo-te, sem te atreveres a atravessá-la
o meu coração mantém-se embrulhado em
seda branca
Incapaz de respirar ou ver
Estou parada neste homem, sem me mover,
à espera
Uma poeira laranja invade devagar
esta paisagem estrangeira
e o meu coração estoira
Então, enquanto o dia entra pela noite
eu abro a gaveta da minha bravura
e firme passo sobre o preconceito das gentes
Um passo
depois outro
amorosamente atravessando a ponte
1 051
Levi Bucalem Ferrari
Erótica
Viajo pelas galáxias
Num col(chão) voador
Sonho com grutas úmidas
Repletas de tesouros
Orvalho sobre musgo sobre pedra
Calma e cheiro de mato
Obeliscos!
Menino
(Re)nasce
De homem
Dentro
De mulher
Tudo é
(M)eu, abrangido
Pelo teu abrangente
Infinito
Num col(chão) voador
Sonho com grutas úmidas
Repletas de tesouros
Orvalho sobre musgo sobre pedra
Calma e cheiro de mato
Obeliscos!
Menino
(Re)nasce
De homem
Dentro
De mulher
Tudo é
(M)eu, abrangido
Pelo teu abrangente
Infinito
957
César Vallejo
X DE TRILCE
Pristina e última pedra de infundada
ventura, acaba de morrer
com alma e tudo, Outubro, quarto, e grávida.
De três meses de ausente e dez de doce.
Como o destino, mitrado monodáctilo, ri.
Como por trás se despejam juntas
de contrários. Como sempre assoma o algarismo
abaixo da linha de todo o avatar.
Como chanfram as baleias a pombas.
Como por sua vez estas deixam o bico
na terceira asa cubicado.
Como cavalgamos, de cara para monótonas ancas.
Reboca-se dez meses para a dezena,
para outro mais além.
Dois quedam pelo menos nas fraldas todavia.
E os três meses de ausência.
E os nove de gestação.
Não há sequer violência.
O paciente encorpora-se,
e sentado empavoa tranquilas misturas.
ventura, acaba de morrer
com alma e tudo, Outubro, quarto, e grávida.
De três meses de ausente e dez de doce.
Como o destino, mitrado monodáctilo, ri.
Como por trás se despejam juntas
de contrários. Como sempre assoma o algarismo
abaixo da linha de todo o avatar.
Como chanfram as baleias a pombas.
Como por sua vez estas deixam o bico
na terceira asa cubicado.
Como cavalgamos, de cara para monótonas ancas.
Reboca-se dez meses para a dezena,
para outro mais além.
Dois quedam pelo menos nas fraldas todavia.
E os três meses de ausência.
E os nove de gestação.
Não há sequer violência.
O paciente encorpora-se,
e sentado empavoa tranquilas misturas.
861
Renier Dias Pereira
Silêncio Provocador
Silêncio Provocador
Essas são as caras, as faces deslumbrantesde um mistério patrão, dono de tudo e todos.o momento lhe pertence a vida lhe é eterna.
catástrofe, luz, destino, alegria, dor. esperamosde todas as formas um fato que nos leve a uma viagem onde nem se quer herdamos o final.
apenas imagens. a vida se esquece.o mundo te esquece.a loucura perde o valor. o domador ganha espaço.só nos resta esperar a tacada derradeira.
07.03.96
Essas são as caras, as faces deslumbrantesde um mistério patrão, dono de tudo e todos.o momento lhe pertence a vida lhe é eterna.
catástrofe, luz, destino, alegria, dor. esperamosde todas as formas um fato que nos leve a uma viagem onde nem se quer herdamos o final.
apenas imagens. a vida se esquece.o mundo te esquece.a loucura perde o valor. o domador ganha espaço.só nos resta esperar a tacada derradeira.
07.03.96
964
Renier Dias Pereira
Help!
Help!
-8 DE DEZEMBRO DE 1980-
Abra os seus olhos
para você mesmo e
verá que o sonho não acabou
continua resistente a todo tempo
O homem livre como um pássaro
que se esqueceu de lembrar que esquece
a poesia é apunhalada pelas costas
mas continua resistente a toda realidade
Viver com cada olhar oculto
ela é a mulher perfeita
está dentro de mim
e continua resistente as divisões
Parou de fazer poesia para
pertencer a ela. noite de
dias difíceis. ontem haverá
paz nesse mundo desfalque.
-8 DE DEZEMBRO DE 1980-
Abra os seus olhos
para você mesmo e
verá que o sonho não acabou
continua resistente a todo tempo
O homem livre como um pássaro
que se esqueceu de lembrar que esquece
a poesia é apunhalada pelas costas
mas continua resistente a toda realidade
Viver com cada olhar oculto
ela é a mulher perfeita
está dentro de mim
e continua resistente as divisões
Parou de fazer poesia para
pertencer a ela. noite de
dias difíceis. ontem haverá
paz nesse mundo desfalque.
1 108
Renier Dias Pereira
Help!
Help!
-8 DE DEZEMBRO DE 1980-
Abra os seus olhos
para você mesmo e
verá que o sonho não acabou
continua resistente a todo tempo
O homem livre como um pássaro
que se esqueceu de lembrar que esquece
a poesia é apunhalada pelas costas
mas continua resistente a toda realidade
Viver com cada olhar oculto
ela é a mulher perfeita
está dentro de mim
e continua resistente as divisões
Parou de fazer poesia para
pertencer a ela. noite de
dias difíceis. ontem haverá
paz nesse mundo desfalque.
-8 DE DEZEMBRO DE 1980-
Abra os seus olhos
para você mesmo e
verá que o sonho não acabou
continua resistente a todo tempo
O homem livre como um pássaro
que se esqueceu de lembrar que esquece
a poesia é apunhalada pelas costas
mas continua resistente a toda realidade
Viver com cada olhar oculto
ela é a mulher perfeita
está dentro de mim
e continua resistente as divisões
Parou de fazer poesia para
pertencer a ela. noite de
dias difíceis. ontem haverá
paz nesse mundo desfalque.
1 108
Orlando Neves
E o desejo de amar
E o desejo de amar e o desejo de mar
no seu mais belo canto Safo cantava.
Oh, quanto no meu coração tarda
o que o seu canto louvava.
no seu mais belo canto Safo cantava.
Oh, quanto no meu coração tarda
o que o seu canto louvava.
1 351
Orlando Neves
E o desejo de amar
E o desejo de amar e o desejo de mar
no seu mais belo canto Safo cantava.
Oh, quanto no meu coração tarda
o que o seu canto louvava.
no seu mais belo canto Safo cantava.
Oh, quanto no meu coração tarda
o que o seu canto louvava.
1 351
Paulo Leminski
Carta pluma
a uma carta pluma
só se responde
com alguma resposta nenhuma
algo assim como se a onda
não acabasse em espuma
assim algo como se amar
fosse mais do que a bruma
uma coisa assim complexa
como se um dia de chuva
fosse uma sombrinha aberta
como se, ai, como se,
de quantos se
se faz essa história
que se chama eu e você
só se responde
com alguma resposta nenhuma
algo assim como se a onda
não acabasse em espuma
assim algo como se amar
fosse mais do que a bruma
uma coisa assim complexa
como se um dia de chuva
fosse uma sombrinha aberta
como se, ai, como se,
de quantos se
se faz essa história
que se chama eu e você
2 047
Nuno Guimarães
Um Fruto Anunciado
Um fruto anunciado
numa operária que trabalha no amor.
Um que rompe a terra após a chuva
e de novo lhe cai. Amargo arado.
Fruto solar. De sol e cálcio.
alcalino até ao coração.
O tanque resumido. Ou corpo húmido.
Toda a luz que cabe numa boca
De limos de volume. Espaço claro
e habitado em rio na garganta.
Um fruto, um claustro anunciado
num corpo de operário em combustão.
numa operária que trabalha no amor.
Um que rompe a terra após a chuva
e de novo lhe cai. Amargo arado.
Fruto solar. De sol e cálcio.
alcalino até ao coração.
O tanque resumido. Ou corpo húmido.
Toda a luz que cabe numa boca
De limos de volume. Espaço claro
e habitado em rio na garganta.
Um fruto, um claustro anunciado
num corpo de operário em combustão.
1 114
Orlando Neves
Ser a pomba
Ser a pomba ou o cavalo no bosque
de macieiras onde espera e anoitece
o teu terso corpo de deusa rara.
de macieiras onde espera e anoitece
o teu terso corpo de deusa rara.
1 314
Nuno Guimarães
Os Amorados
Na amurada dos navios, na improcedência
Das aves sem lugar, desalojados,
Vão.
E se descobrem um sinal ou um resíduo
Da terra original, é só a móvel,
A geográfica terra do sistema.
Tomados já de amor, in amorados,
Buscam só a morada, sem prefixo.
E, no entanto, há mapas, há sistemas
De orientação indica dores:
É ali, em tal lugar, em tal
Memória.
Um mito embalsamaram
No coração sem metafísica.
Entre sinais de voo e de metáfora
Entre um cantar e a sua escrita.
Palavras que rebentam....
Palavras que rebentam. Aflorando
A pedra, a solidão, deslizam, vagas,
Gramaticais, roendo inconformadas
As arestas, o atrito, puras. Quando
Nos líquidos, no éter, na distancia,
Diluem-se e morrem acabadas.
Não nos corpos, nas rugas, nas arcadas:
Combatem, rumorosas, cal e cântico.
É dificil atarem corpo e vida
Aos que vivem e morrem subjacentes
Subjazendo, talhados para mina.
Mas despertadas, bem ou mal medidas,
Rebentam em ogiva, funcionais
Chamas supostamente adormecidas.
Das aves sem lugar, desalojados,
Vão.
E se descobrem um sinal ou um resíduo
Da terra original, é só a móvel,
A geográfica terra do sistema.
Tomados já de amor, in amorados,
Buscam só a morada, sem prefixo.
E, no entanto, há mapas, há sistemas
De orientação indica dores:
É ali, em tal lugar, em tal
Memória.
Um mito embalsamaram
No coração sem metafísica.
Entre sinais de voo e de metáfora
Entre um cantar e a sua escrita.
Palavras que rebentam....
Palavras que rebentam. Aflorando
A pedra, a solidão, deslizam, vagas,
Gramaticais, roendo inconformadas
As arestas, o atrito, puras. Quando
Nos líquidos, no éter, na distancia,
Diluem-se e morrem acabadas.
Não nos corpos, nas rugas, nas arcadas:
Combatem, rumorosas, cal e cântico.
É dificil atarem corpo e vida
Aos que vivem e morrem subjacentes
Subjazendo, talhados para mina.
Mas despertadas, bem ou mal medidas,
Rebentam em ogiva, funcionais
Chamas supostamente adormecidas.
1 251
Nuno Guimarães
Os Amorados
Na amurada dos navios, na improcedência
Das aves sem lugar, desalojados,
Vão.
E se descobrem um sinal ou um resíduo
Da terra original, é só a móvel,
A geográfica terra do sistema.
Tomados já de amor, in amorados,
Buscam só a morada, sem prefixo.
E, no entanto, há mapas, há sistemas
De orientação indica dores:
É ali, em tal lugar, em tal
Memória.
Um mito embalsamaram
No coração sem metafísica.
Entre sinais de voo e de metáfora
Entre um cantar e a sua escrita.
Palavras que rebentam....
Palavras que rebentam. Aflorando
A pedra, a solidão, deslizam, vagas,
Gramaticais, roendo inconformadas
As arestas, o atrito, puras. Quando
Nos líquidos, no éter, na distancia,
Diluem-se e morrem acabadas.
Não nos corpos, nas rugas, nas arcadas:
Combatem, rumorosas, cal e cântico.
É dificil atarem corpo e vida
Aos que vivem e morrem subjacentes
Subjazendo, talhados para mina.
Mas despertadas, bem ou mal medidas,
Rebentam em ogiva, funcionais
Chamas supostamente adormecidas.
Das aves sem lugar, desalojados,
Vão.
E se descobrem um sinal ou um resíduo
Da terra original, é só a móvel,
A geográfica terra do sistema.
Tomados já de amor, in amorados,
Buscam só a morada, sem prefixo.
E, no entanto, há mapas, há sistemas
De orientação indica dores:
É ali, em tal lugar, em tal
Memória.
Um mito embalsamaram
No coração sem metafísica.
Entre sinais de voo e de metáfora
Entre um cantar e a sua escrita.
Palavras que rebentam....
Palavras que rebentam. Aflorando
A pedra, a solidão, deslizam, vagas,
Gramaticais, roendo inconformadas
As arestas, o atrito, puras. Quando
Nos líquidos, no éter, na distancia,
Diluem-se e morrem acabadas.
Não nos corpos, nas rugas, nas arcadas:
Combatem, rumorosas, cal e cântico.
É dificil atarem corpo e vida
Aos que vivem e morrem subjacentes
Subjazendo, talhados para mina.
Mas despertadas, bem ou mal medidas,
Rebentam em ogiva, funcionais
Chamas supostamente adormecidas.
1 251