Poemas neste tema
Alma
Sandra Falcone
Sherezhade
Pudesse
eu,
de alguma forma,
modificar a minha íntima estrutura de mulher...
Ah, esta ambigüidade me alucina!
Não saber nada,
absolutamente nada,
apavora, amedronta.
Maldito cotidiano psíquico!
Deixar-me assim,
tomada por todos os mins.
Minha vontade. Minha imaginação.
Pedaços de mulher. Espelho de sonhos.
Ah!, quantas e quantas vezes,
ainda,
Sherezhade de mim mesma?
eu,
de alguma forma,
modificar a minha íntima estrutura de mulher...
Ah, esta ambigüidade me alucina!
Não saber nada,
absolutamente nada,
apavora, amedronta.
Maldito cotidiano psíquico!
Deixar-me assim,
tomada por todos os mins.
Minha vontade. Minha imaginação.
Pedaços de mulher. Espelho de sonhos.
Ah!, quantas e quantas vezes,
ainda,
Sherezhade de mim mesma?
950
Fernando Fabião
Dá-me Sempre Esse Dom
Dá-me sempre
esse Dom
Obscuro e precário esse fulgor da cinza
Essa pureza na alegria da terra
Dá-me uma cisterna de luz
Um cântaro de água aprisionada
Dá-me a tua aurora e o teu presságio
Para eu dançar no centro da noite
E na orla do coração
Escutar os pássaros.
esse Dom
Obscuro e precário esse fulgor da cinza
Essa pureza na alegria da terra
Dá-me uma cisterna de luz
Um cântaro de água aprisionada
Dá-me a tua aurora e o teu presságio
Para eu dançar no centro da noite
E na orla do coração
Escutar os pássaros.
769
Fernando Tavares Rodrigues
Verbo
Amar a
mulher
É também sentir
Antes de a beijar, antes de a despir,
Esse sabor doce
Como se ela fosse uma rosa a arder
Esse verbo tão difícil e tão fácil de dizer...
mulher
É também sentir
Antes de a beijar, antes de a despir,
Esse sabor doce
Como se ela fosse uma rosa a arder
Esse verbo tão difícil e tão fácil de dizer...
1 213
Fernando Fabião
Guardo na Pele
Guardo
na pele a luz da tinta
É aí que as palavras ardem
À passagem do sangue
Na pele, tudo é profundo
Ouve-se a água no início do sono
Flor estilhaçada na sombra dos dedos
E um talento vagaroso
Percorre as veias
Uma promessa de paz ilumina os roseirais
Dirás que o corpo é uma casa de sol
Um relâmpago breve na paisagem.
na pele a luz da tinta
É aí que as palavras ardem
À passagem do sangue
Na pele, tudo é profundo
Ouve-se a água no início do sono
Flor estilhaçada na sombra dos dedos
E um talento vagaroso
Percorre as veias
Uma promessa de paz ilumina os roseirais
Dirás que o corpo é uma casa de sol
Um relâmpago breve na paisagem.
1 048
Fernando Tavares Rodrigues
Corpo
Que não
seja estátua!
Seja às vezes carne
Entre rosa e sangue
Entre forma e fundo.
Saiba ser o fruto
Sem ser só o gomo
Seja vinho novo
Seja apenas sumo.
Seja nevoeiro.
Venha nu, mas venha
Envolto na bruma....
Possa ser mistério...
Seja cais à espera
Seja barco à vela;
Possa ser mar alto
Possa ainda ser espuma.
(Traga o encanto de ser
impossívekl e longinquo
como um postal colorido
de uma cidade qualquer)
Que para além da imagem
Haja madrugada.
Seja uma viagem
Entre tudo e nada.
Como o álcool puro
Quando se evapora
E risca o futuro
Do lado de fora...
seja estátua!
Seja às vezes carne
Entre rosa e sangue
Entre forma e fundo.
Saiba ser o fruto
Sem ser só o gomo
Seja vinho novo
Seja apenas sumo.
Seja nevoeiro.
Venha nu, mas venha
Envolto na bruma....
Possa ser mistério...
Seja cais à espera
Seja barco à vela;
Possa ser mar alto
Possa ainda ser espuma.
(Traga o encanto de ser
impossívekl e longinquo
como um postal colorido
de uma cidade qualquer)
Que para além da imagem
Haja madrugada.
Seja uma viagem
Entre tudo e nada.
Como o álcool puro
Quando se evapora
E risca o futuro
Do lado de fora...
1 098
Angela Santos
A Caminho de Ser
Como
é difícil entender
os caminhos
que dentro de mim
não param de o ser
Vou, porque devo ir
e não me é dado
no tempo suspensa ficar.
Quero ir
tocar
olhar dentro das coisas
que os meus olhos buscam
poder alcançar.
é difícil entender
os caminhos
que dentro de mim
não param de o ser
Vou, porque devo ir
e não me é dado
no tempo suspensa ficar.
Quero ir
tocar
olhar dentro das coisas
que os meus olhos buscam
poder alcançar.
916
Angela Santos
No dia da morte
decretada de um Poeta
(18/10/85)
Hoje
é o dia decretado
para a morte
do poeta que não morre
corda, a mordaça da voz
sem sombra de silêncio.
Da terra que te abraça
sobe o grito renovado
terra irmã do teu corpo
na força e na cor
Cânticos de liberdade soam
na morte do poeta
que não morre…
E de negro se veste o espiritual
negras vozes o entoam
mas a vida fica perto
de quem morrendo não morre
por cantar liberdade.
(18/10/85)
Hoje
é o dia decretado
para a morte
do poeta que não morre
corda, a mordaça da voz
sem sombra de silêncio.
Da terra que te abraça
sobe o grito renovado
terra irmã do teu corpo
na força e na cor
Cânticos de liberdade soam
na morte do poeta
que não morre…
E de negro se veste o espiritual
negras vozes o entoam
mas a vida fica perto
de quem morrendo não morre
por cantar liberdade.
655
Angela Santos
Inércia
Como
onda que se tivesse desfeito
sem mais regressar à maré
olho-me…
estendida na praia em que me desfiz
Nem um desejo macula a limpidez
do vazio
sinto-me movimento mecânico
que algo anima,
mas será que vibra ?
Não sei porque se desfaz a gente
e se cansa em nós a vida
quando o sol está a pino
e é pleno Verão ainda.
onda que se tivesse desfeito
sem mais regressar à maré
olho-me…
estendida na praia em que me desfiz
Nem um desejo macula a limpidez
do vazio
sinto-me movimento mecânico
que algo anima,
mas será que vibra ?
Não sei porque se desfaz a gente
e se cansa em nós a vida
quando o sol está a pino
e é pleno Verão ainda.
1 419
Angela Santos
Canto Diáfano
Chegam
diáfanas vozes
buscando de si o eco perdido,
ou quem sabe
em descaminho
e falam de um sonho antigo
que lá longe eu vi desfazer-se
contra as falésias
que ergui sem saber
Suspensa uma estrela
Brilha e aponta o caminho de volta
aos sonhos que eu inventar
E erguem-se da noite sussurros e suspiros
e pressinto que chegam para me encantar,
entoo a compasso o canto diáfano
e deixo-me ir nas asas
do sonho maior que eu quis sonhar.
diáfanas vozes
buscando de si o eco perdido,
ou quem sabe
em descaminho
e falam de um sonho antigo
que lá longe eu vi desfazer-se
contra as falésias
que ergui sem saber
Suspensa uma estrela
Brilha e aponta o caminho de volta
aos sonhos que eu inventar
E erguem-se da noite sussurros e suspiros
e pressinto que chegam para me encantar,
entoo a compasso o canto diáfano
e deixo-me ir nas asas
do sonho maior que eu quis sonhar.
1 072
Angela Santos
Signos
Emergem
em sobressalto do fundo,
onde quedos e adormecidos permanecem
subterrâneos seres
desnudos revelam-se à plena luz da poesia,
signos interpelando mudos
a chave nas palavras contida
olhos que em segredo incitam
ao gesto de abrir comportas à torrente do sentido
que se adivinha no rosto
sereno e impassível
das palavras que nos fitam.
em sobressalto do fundo,
onde quedos e adormecidos permanecem
subterrâneos seres
desnudos revelam-se à plena luz da poesia,
signos interpelando mudos
a chave nas palavras contida
olhos que em segredo incitam
ao gesto de abrir comportas à torrente do sentido
que se adivinha no rosto
sereno e impassível
das palavras que nos fitam.
1 104
Angela Santos
Paradoxo
Na
inteireza das coisas simples,
no desvario urgente que nos leva adiante,
na coragem que exige, cada dia que começa,
no absurdo que grita pela boca da fome,
na festa que reina na nossa vontade cumprida
nesse estar além da pobreza de um quotidiano que fere,
no seio de cada minúsculo acto movido pelo coração
nas avenidas largas e solitárias percorridas,
na verdade e na força do amor
no paradoxo do belo e do bruto que nossa alma abriga
no gesto que em nós acorda a humana face do outro,
na mão que semeia, modela, acaricia, estrangula, esventra,
na viagem que faz o caminho sob o nosso andar
na alegria gerada em cada dia que nasce e nos devolve à vida
e até no silencio ante o meu questionar
eu pressinto um indecifrável sentido.
Por isso sigo, sem muito querer saber
Por isso me agito se oiço o chamado
por isso me entrego à vida e a bendigo
por isso espero se de espera é o momento
por isso me inquieto se o coração diz "Vai!" e eu me
detenho
vivo, sinto, espelho a dualidade viva de tudo o que é……
E além do mal e do bem me quedo,
olho o infinito e sinto-me poeira de estrelas com alma
e no chão que piso, oiço o pulsar do meu ser,
no riacho correndo entre sulcos, é o meu sangue que vibra
e no prumo de uma velha árvore
o sentido da dignidade eu vivo
Se tudo está em mim
parte de quê, enfim, sou ?
inteireza das coisas simples,
no desvario urgente que nos leva adiante,
na coragem que exige, cada dia que começa,
no absurdo que grita pela boca da fome,
na festa que reina na nossa vontade cumprida
nesse estar além da pobreza de um quotidiano que fere,
no seio de cada minúsculo acto movido pelo coração
nas avenidas largas e solitárias percorridas,
na verdade e na força do amor
no paradoxo do belo e do bruto que nossa alma abriga
no gesto que em nós acorda a humana face do outro,
na mão que semeia, modela, acaricia, estrangula, esventra,
na viagem que faz o caminho sob o nosso andar
na alegria gerada em cada dia que nasce e nos devolve à vida
e até no silencio ante o meu questionar
eu pressinto um indecifrável sentido.
Por isso sigo, sem muito querer saber
Por isso me agito se oiço o chamado
por isso me entrego à vida e a bendigo
por isso espero se de espera é o momento
por isso me inquieto se o coração diz "Vai!" e eu me
detenho
vivo, sinto, espelho a dualidade viva de tudo o que é……
E além do mal e do bem me quedo,
olho o infinito e sinto-me poeira de estrelas com alma
e no chão que piso, oiço o pulsar do meu ser,
no riacho correndo entre sulcos, é o meu sangue que vibra
e no prumo de uma velha árvore
o sentido da dignidade eu vivo
Se tudo está em mim
parte de quê, enfim, sou ?
1 033
Angela Santos
Aparição
Se
existes em mim
e és voz que desvende
o que olhos e razão
não alcançam,
vem, despida de bruma
sem traições…
Se és caminho, quiçá o único,
no fim do qual eu possa rever
a coincidência de mim
no ser,
porque não vens mais vezes,
ainda que em esparsos signos,
iluminar o sentido?
existes em mim
e és voz que desvende
o que olhos e razão
não alcançam,
vem, despida de bruma
sem traições…
Se és caminho, quiçá o único,
no fim do qual eu possa rever
a coincidência de mim
no ser,
porque não vens mais vezes,
ainda que em esparsos signos,
iluminar o sentido?
1 067
Angela Santos
Humanum
Nada
mais,
além deste humano sentir…
à força de quê
calar a mágoa que nos afoga ?
Humano querer,
simples traço da humanidade,
indelével marca impressa
na verdade de humano
ser.
mais,
além deste humano sentir…
à força de quê
calar a mágoa que nos afoga ?
Humano querer,
simples traço da humanidade,
indelével marca impressa
na verdade de humano
ser.
691
Angela Santos
Fragilidade
Como
uma borboleta
frágil
apanhada de imprevisto
na perpendicular do tempo
assim me sinto
Borboleta
instante de ser alado
meu breve instante de infinito
lembras-me o tempo
fraccionado, ou indiviso?
Danço e rodopio
na luz, minha armadilha,
e só me detenho se chega a exaustão
sabendo que ali é o fim do voo
anseio ainda minhas leves asas
para me lançar na imensidão.
uma borboleta
frágil
apanhada de imprevisto
na perpendicular do tempo
assim me sinto
Borboleta
instante de ser alado
meu breve instante de infinito
lembras-me o tempo
fraccionado, ou indiviso?
Danço e rodopio
na luz, minha armadilha,
e só me detenho se chega a exaustão
sabendo que ali é o fim do voo
anseio ainda minhas leves asas
para me lançar na imensidão.
1 271
Angela Santos
Ao Sul
Nas
terras do sul
há uma lonjura que entra pelos olhos
Instala-se na alma e deixa-se ficar
Nas terras do sul
há homens cansados, colados às paredes
brancas de cal lisa
A planície entende-se e lembra o mar
outras vezes lembra
um deserto vasto a perder de vista
E os homens do sul
cansados de olhar o que foi planície
e parece mar
quando o sol abrasa perdem-se na miragem
que os desertos guardam
Nas terras do sul
há um destino vago e dias de incerteza
e é junto às árvores
que se erguem a prumo e a sombra espelham
que param cansados e choram a terra
com seu olhar vago, seu olhar sem rumo
E na corda a prumo que à arvore se enlaça
em silencio acenam um ultimo adeus
ao sol, à planície, ao vazio ao mundo.
terras do sul
há uma lonjura que entra pelos olhos
Instala-se na alma e deixa-se ficar
Nas terras do sul
há homens cansados, colados às paredes
brancas de cal lisa
A planície entende-se e lembra o mar
outras vezes lembra
um deserto vasto a perder de vista
E os homens do sul
cansados de olhar o que foi planície
e parece mar
quando o sol abrasa perdem-se na miragem
que os desertos guardam
Nas terras do sul
há um destino vago e dias de incerteza
e é junto às árvores
que se erguem a prumo e a sombra espelham
que param cansados e choram a terra
com seu olhar vago, seu olhar sem rumo
E na corda a prumo que à arvore se enlaça
em silencio acenam um ultimo adeus
ao sol, à planície, ao vazio ao mundo.
997
Angela Santos
Invés
Diante
do espelho
não damos conta de nada:
os sulcos, a ausência do sorriso
a face petrificada…
o espelho devolve o rosto
sem denunciar a máscara
Diante dos outros
erguemos muralhas
e a hipocrisia faz
bem ou mal o seu papel
simulados jogos
onde o vazio é senhor.
do espelho
não damos conta de nada:
os sulcos, a ausência do sorriso
a face petrificada…
o espelho devolve o rosto
sem denunciar a máscara
Diante dos outros
erguemos muralhas
e a hipocrisia faz
bem ou mal o seu papel
simulados jogos
onde o vazio é senhor.
1 053
Angela Santos
Dúvida
Já
não sei se vivo
se minha alma se agita
e leva o que de mim resta
a passear por aí…
Não sei se a alma vive
e vivendo anima o corpo,
ou quem sabe…
se o corpo em seu simples movimento
é que chama a alma
à Vida.
não sei se vivo
se minha alma se agita
e leva o que de mim resta
a passear por aí…
Não sei se a alma vive
e vivendo anima o corpo,
ou quem sabe…
se o corpo em seu simples movimento
é que chama a alma
à Vida.
580
Angela Santos
Mundo
Tudo
me lembra o imundo
e de beleza é a sede
dos meus olhos
de cada fibra do meu corpo
de cada nervo que me percorre
Tudo me lembra o imundo
e cada gesto, cada rosto
cada palavra
renova a lembrança da náusea
Sacode o meu corpo um leve estertor
e numa sonata de luz
lavo os resquícios
da sujidade humana que trago em mim.
me lembra o imundo
e de beleza é a sede
dos meus olhos
de cada fibra do meu corpo
de cada nervo que me percorre
Tudo me lembra o imundo
e cada gesto, cada rosto
cada palavra
renova a lembrança da náusea
Sacode o meu corpo um leve estertor
e numa sonata de luz
lavo os resquícios
da sujidade humana que trago em mim.
1 090
Angela Santos
O Grito
O
que me assusta
é esta imensidão
dentro de mim a espraiar-se
este saber-me só
sem outra alma ao alcance
do grito
que me assusta
é esta imensidão
dentro de mim a espraiar-se
este saber-me só
sem outra alma ao alcance
do grito
1 116
Angela Santos
Aliança
Perscruto
os labirintos e os desertos
as palavras que rasgam
o fundo do silencio
em busca de uma centelha
apenas
vislumbre de noites
de estrelas veladas
onde emerge o sonho
teimando a opacidade
de horas desfiadas
e isso que agrilhoa
o gesto, a palavra, o querer
assoma à tona
de um mar de sargaços,
restos perdidos
vogam na memória
como exaustos náufragos.
Sim, ò Vida
quisera eu dizer-te
o sim da aliança,
coração, corpo, razão
todos os tempos
e lugares
onde me faço e fiz,
uma palavra só
eu nela inteira
e ela toda em mim.
os labirintos e os desertos
as palavras que rasgam
o fundo do silencio
em busca de uma centelha
apenas
vislumbre de noites
de estrelas veladas
onde emerge o sonho
teimando a opacidade
de horas desfiadas
e isso que agrilhoa
o gesto, a palavra, o querer
assoma à tona
de um mar de sargaços,
restos perdidos
vogam na memória
como exaustos náufragos.
Sim, ò Vida
quisera eu dizer-te
o sim da aliança,
coração, corpo, razão
todos os tempos
e lugares
onde me faço e fiz,
uma palavra só
eu nela inteira
e ela toda em mim.
1 000
Angela Santos
Recomeço
Recomeçar
como a força silenciosa
dos invernos
Recomeçar
leve a alma
vigilantes os sentidos
Recomeçar
e rasgar num voo
o espaço imenso
onde ainda possa
desenhar sem medos
o meu golpe de asa.
como a força silenciosa
dos invernos
Recomeçar
leve a alma
vigilantes os sentidos
Recomeçar
e rasgar num voo
o espaço imenso
onde ainda possa
desenhar sem medos
o meu golpe de asa.
994
Angela Santos
Presença
Danam-se
os ventos da alma
e tudo se agita e confunde
no seio do turbilhão
Ainda que eu não saiba
Vou
levada na tempestade
o que me leva não se diz
ou sabe
vou porque sim, sem perguntas
levada vou.
Grandes as presenças
da vida e da morte
abraçamos uma
rechaçamos a outra
sem nada saber…
Que outro olhar
ou dimensão do ver
pode acercar a infinita presença,
vida e morte
morte e vida
tão extremas tão unidas...
Pudesse a vida
ser só celebração, cores, aromas
terra, húmus , simples sentir
e a morte
essa dimensão maior
que aceitássemos não saber.
os ventos da alma
e tudo se agita e confunde
no seio do turbilhão
Ainda que eu não saiba
Vou
levada na tempestade
o que me leva não se diz
ou sabe
vou porque sim, sem perguntas
levada vou.
Grandes as presenças
da vida e da morte
abraçamos uma
rechaçamos a outra
sem nada saber…
Que outro olhar
ou dimensão do ver
pode acercar a infinita presença,
vida e morte
morte e vida
tão extremas tão unidas...
Pudesse a vida
ser só celebração, cores, aromas
terra, húmus , simples sentir
e a morte
essa dimensão maior
que aceitássemos não saber.
993
Angela Santos
Em má companhia
Olho
o meu passado
vejo os sonhos apagando-se
ainda inteiros
e não sei como trazia tais sonhos
em mim
Onde me perdi,
o que perdi no caminho
por onde seguiram meus passos
que os vejo lá marcados no chão
e eu presa aqui?
Ah! Esta solidão que farta…
Nem Deus, nem o Diabo
comigo vão
sobrei eu no meio desta
imensidão
apenas eu comigo,
e da companhia me cansei.
o meu passado
vejo os sonhos apagando-se
ainda inteiros
e não sei como trazia tais sonhos
em mim
Onde me perdi,
o que perdi no caminho
por onde seguiram meus passos
que os vejo lá marcados no chão
e eu presa aqui?
Ah! Esta solidão que farta…
Nem Deus, nem o Diabo
comigo vão
sobrei eu no meio desta
imensidão
apenas eu comigo,
e da companhia me cansei.
1 134
Angela Santos
Desta Vez
Cansei
-me de olhar o horizonte
com olhos perdidos
vazios de amanhã
Cansei-me de sentir a vida
como coisa esquecida
tão longe do alcance da mão
Cansei-me de ficar no lugar
onde não estou
perdida dentro do que sou
Cansei de me negar
nas vestes do simulacro
do que em mim é
do que em mim quer
Cansei, cansei…
Vou sair daqui.
-me de olhar o horizonte
com olhos perdidos
vazios de amanhã
Cansei-me de sentir a vida
como coisa esquecida
tão longe do alcance da mão
Cansei-me de ficar no lugar
onde não estou
perdida dentro do que sou
Cansei de me negar
nas vestes do simulacro
do que em mim é
do que em mim quer
Cansei, cansei…
Vou sair daqui.
1 058