Poemas neste tema
Alma
Mário Dionísio
As Solicitações e Emboscadas
Pode-se pintar com óleo
com petróleo
ou aguarrás
Mas pode-se também pintar com lágrimas
silenciosas
No desprezo das horas odiosas
tanto faz
com petróleo
ou aguarrás
Mas pode-se também pintar com lágrimas
silenciosas
No desprezo das horas odiosas
tanto faz
1 897
Maurício Batarce
Uma História de Amor
A brisa gloriosa da noite
Tocava o rosto daquele que,
Olhando para o céu,
Desmitificava as estrelas...
Uma sensação prazerosa o envolvia
E seus braços em forma de cruz
Determinavam seu estado de vida.
Ao seu lado, a mais bela,
A mais linda estrela da noite...
Cantavam as vozes dos vaga-lumes
E uma idéia em versos
Ia se formando na inspiração oculta...
Tudo era milagrosamente harmônico.
Uma face iluminou a noite
No auge de seu romantismo:
Semblante, rugas, experiência...
Humildade, carinho, amizades...
A peça teatral da vida
Se dividia em infinitos atos
E as cortinas se abriam
Para um público tão amplo
Quanto o amor dos personagens...
A atriz encenava carícias
Tão graciosas quanto a bruma noturna.
Com passos de bailarina,
Seu rosto continha uma expressão
De dó e compaixão que consumiam o ator...
No envolvimento do minuando,
Duas pombas pousaram
E captaram os pensamentos
Do ator no infinito...
Ator...Atriz...Silêncio...
As cortinas se fecham...
Tocava o rosto daquele que,
Olhando para o céu,
Desmitificava as estrelas...
Uma sensação prazerosa o envolvia
E seus braços em forma de cruz
Determinavam seu estado de vida.
Ao seu lado, a mais bela,
A mais linda estrela da noite...
Cantavam as vozes dos vaga-lumes
E uma idéia em versos
Ia se formando na inspiração oculta...
Tudo era milagrosamente harmônico.
Uma face iluminou a noite
No auge de seu romantismo:
Semblante, rugas, experiência...
Humildade, carinho, amizades...
A peça teatral da vida
Se dividia em infinitos atos
E as cortinas se abriam
Para um público tão amplo
Quanto o amor dos personagens...
A atriz encenava carícias
Tão graciosas quanto a bruma noturna.
Com passos de bailarina,
Seu rosto continha uma expressão
De dó e compaixão que consumiam o ator...
No envolvimento do minuando,
Duas pombas pousaram
E captaram os pensamentos
Do ator no infinito...
Ator...Atriz...Silêncio...
As cortinas se fecham...
1 017
Maurício Batarce
Lição de Vida
Nasceu sem caminhos.
Seus olhos: escuridão da miséria.
Sempre foi sozinho,
Vivendo pelo destino.
Seus castelos foram desmoronados
Mas estava no caminho certo.
Com passos controlados,
Andou com os honestos.
Aprendeu consigo,
Aprendeu com a vida.
Descobriu a origem de seus desejos
Porque tinha um ponto de partida.
Mesmo a miséria lhe abatendo,
Mesmo a morte lhe chamando,
Sabia o que estava acontecendo,
Sabia onde estava pisando,
Estava vivendo...
Seus olhos: escuridão da miséria.
Sempre foi sozinho,
Vivendo pelo destino.
Seus castelos foram desmoronados
Mas estava no caminho certo.
Com passos controlados,
Andou com os honestos.
Aprendeu consigo,
Aprendeu com a vida.
Descobriu a origem de seus desejos
Porque tinha um ponto de partida.
Mesmo a miséria lhe abatendo,
Mesmo a morte lhe chamando,
Sabia o que estava acontecendo,
Sabia onde estava pisando,
Estava vivendo...
986
Maurício Batarce
A Bela Tristeza
O choro campestre me chama...
Deitado sob uma árvore frondosa,
Sons invadem meus sonhos
E o poente do sol me transmite energia.
O farfalhar das folhas,
O sussurrar do mato,
O zumbizar das abelhas
E a tarde toda vermelha...
O luar começa a falar
E ilumina meu pensar...
O cricrizar dos grilos
E o coaxar dos sapos
Fazem fundo para os sons da noite...
As estrelas me iluminaram
E meus olhos fechados
Pousam meu corpo no solo úmido de orvalho...
O breu se apossa de mim...
Paro de escrever...
Deitado sob uma árvore frondosa,
Sons invadem meus sonhos
E o poente do sol me transmite energia.
O farfalhar das folhas,
O sussurrar do mato,
O zumbizar das abelhas
E a tarde toda vermelha...
O luar começa a falar
E ilumina meu pensar...
O cricrizar dos grilos
E o coaxar dos sapos
Fazem fundo para os sons da noite...
As estrelas me iluminaram
E meus olhos fechados
Pousam meu corpo no solo úmido de orvalho...
O breu se apossa de mim...
Paro de escrever...
965
Maurício Uzêda
Sonho
Sentado na cama
Eu te vejo dormir
No teu sono largado
Sono de criança
Meu sonho
Encolhida sob o lençol
Eu não te vejo.
Escondida, eu penso.
Sonho feito carne
É meu sonho de criança
Feito vida enquanto durmo
Pedaço de mim
Materializou-se
Minha doce expiração
Minha doce concepção
Teu corpo
Teus dois braços
Onde moro
Onde vivo
Onde sonho
Onde sou feliz
Eu te vejo dormir
No teu sono largado
Sono de criança
Meu sonho
Encolhida sob o lençol
Eu não te vejo.
Escondida, eu penso.
Sonho feito carne
É meu sonho de criança
Feito vida enquanto durmo
Pedaço de mim
Materializou-se
Minha doce expiração
Minha doce concepção
Teu corpo
Teus dois braços
Onde moro
Onde vivo
Onde sonho
Onde sou feliz
825
Marta Gonçalves
Itinerário
O anjo de gesso conhece minha alma.
Está marcando o lado esquerdo do peito.
O anjo de gesso assombra as asas e chove no rosto.
O anjo sabe das nuvens.
Folhas amarelas e o vento cobrem o gesso do anjo
no jardim do tempo.
No domingo, o anjo se esfacelou na margem do rio.
Fiquei olhando as andorinhas. Lavei o rosto no chafariz.
Já se fazem luas. Coberta de cera, preparo a terra.
Está marcando o lado esquerdo do peito.
O anjo de gesso assombra as asas e chove no rosto.
O anjo sabe das nuvens.
Folhas amarelas e o vento cobrem o gesso do anjo
no jardim do tempo.
No domingo, o anjo se esfacelou na margem do rio.
Fiquei olhando as andorinhas. Lavei o rosto no chafariz.
Já se fazem luas. Coberta de cera, preparo a terra.
1 088
Maurício Batarce
Um Rumar
Com pés descalços, olhos de luz
E um sorriso estampado no rosto,
O menino caminhava
Por entre estrepes no solo.
Como querendo chegar
Ao fim do arco-íris,
Mesmo sabendo que não conseguiria,
Andava a passos firmes e cautelosos.
Olhar voltado para o infinito,
O menino ouvia o rumor da brisa
Em sua face rósea.
Mandava beijos para o sol
E prosseguia em sua jornada...
Pouco-a-pouco
Seus pés deixaram de tocar o solo
E milhões de cores
Iluminaram seu voar-andando.
Depois pisou na relva macia,
Ganhou um pote-de-ouro,
Encontrou gnomos
E conviveu com várias fadas.
Nadou no espelho de sua vida
E acabou se encontrando...
A luz de seu olhar
Iluminou o mundo
E com passos de sonho,
Acordou no mundo real.
Sua jornada acabou
E ele chegou em seu fim...
E um sorriso estampado no rosto,
O menino caminhava
Por entre estrepes no solo.
Como querendo chegar
Ao fim do arco-íris,
Mesmo sabendo que não conseguiria,
Andava a passos firmes e cautelosos.
Olhar voltado para o infinito,
O menino ouvia o rumor da brisa
Em sua face rósea.
Mandava beijos para o sol
E prosseguia em sua jornada...
Pouco-a-pouco
Seus pés deixaram de tocar o solo
E milhões de cores
Iluminaram seu voar-andando.
Depois pisou na relva macia,
Ganhou um pote-de-ouro,
Encontrou gnomos
E conviveu com várias fadas.
Nadou no espelho de sua vida
E acabou se encontrando...
A luz de seu olhar
Iluminou o mundo
E com passos de sonho,
Acordou no mundo real.
Sua jornada acabou
E ele chegou em seu fim...
755
Marta Gonçalves
Papoula Vermelha
Há muito meu canto corta laços
das mulheres vestidas de negro.
Querem a morte da palavra. Tenho dedos
que sonham e guardam o vento na janela.
Há muito olho a árvore e beijo seu ovário.
O pássaro aninha no galho. Desce o canto na varanda.
Cresce o olho amarelo das mulheres vestidas de negro.
Benzo minha alma e arranco a seiva das montanhas.
No vale cavalos lilases trazem o perfume do verão.
O cheiro do corpo é alfazema umedecendo lábios.
Há muito as mulheres de negro me espiam.
Tenho nas mãos uma papoula vermelha e dentro dela
o sol.
das mulheres vestidas de negro.
Querem a morte da palavra. Tenho dedos
que sonham e guardam o vento na janela.
Há muito olho a árvore e beijo seu ovário.
O pássaro aninha no galho. Desce o canto na varanda.
Cresce o olho amarelo das mulheres vestidas de negro.
Benzo minha alma e arranco a seiva das montanhas.
No vale cavalos lilases trazem o perfume do verão.
O cheiro do corpo é alfazema umedecendo lábios.
Há muito as mulheres de negro me espiam.
Tenho nas mãos uma papoula vermelha e dentro dela
o sol.
1 264
Marta Gonçalves
O Casaco de Murilo Mendes
São dez horas e este relógio eterno,
vindo de meus avós, bate o mofo do tempo.
O cristal enfeita a mesa e quadros vestem
de linho as paredes. São dez horas de continuidade
de vida. Respiro a alfazema das magnólias. É julho.
Nada importa se dormes em porto distante.
Quero revelar a rotação da alma. Esta alma
aguarda o perfume, a visitação azul da poesia.
Será o relógio que desfaz o silêncio na noite?
Um vulto longo, com brancura nas mãos, veste um casaco
europeu. Me olha como um rebanho de carneiros.
As camélias estão amarelas. Foram meus dedos.
A libertação está na palavra. Elas apartam
a forma que fui. Liberto as tâmaras do tempo.
O vulto me olha e põe poesia solferina em meus dedos.
A sala fica iluminada. O vulto de casaco europeu coloca
o Cometa de Halley em cima da cristaleira. Sorri:
- Escuta, no fim da tarde, o piano de Mariinha.
A poesia chega no vento.
Ela é como o Cometa de Halley.
vindo de meus avós, bate o mofo do tempo.
O cristal enfeita a mesa e quadros vestem
de linho as paredes. São dez horas de continuidade
de vida. Respiro a alfazema das magnólias. É julho.
Nada importa se dormes em porto distante.
Quero revelar a rotação da alma. Esta alma
aguarda o perfume, a visitação azul da poesia.
Será o relógio que desfaz o silêncio na noite?
Um vulto longo, com brancura nas mãos, veste um casaco
europeu. Me olha como um rebanho de carneiros.
As camélias estão amarelas. Foram meus dedos.
A libertação está na palavra. Elas apartam
a forma que fui. Liberto as tâmaras do tempo.
O vulto me olha e põe poesia solferina em meus dedos.
A sala fica iluminada. O vulto de casaco europeu coloca
o Cometa de Halley em cima da cristaleira. Sorri:
- Escuta, no fim da tarde, o piano de Mariinha.
A poesia chega no vento.
Ela é como o Cometa de Halley.
1 060
Sérgio Mattos
Caminho da Esperança
No simétrico caminho da esperança
meu barco rodeia o espaço
e quando a luz escassa
atrai um tempo frio,
meu sonho se acende,
alheio à própria vida,
e me impele sem artifícios,
para teu braços.
Minha dor se dilui
e, enquanto teus dedos deslizam
em meus cabelos,
renasce mais uma estrela infinita.
meu barco rodeia o espaço
e quando a luz escassa
atrai um tempo frio,
meu sonho se acende,
alheio à própria vida,
e me impele sem artifícios,
para teu braços.
Minha dor se dilui
e, enquanto teus dedos deslizam
em meus cabelos,
renasce mais uma estrela infinita.
937
Marta Gonçalves
Juízo Final
Segurando em minhas mãos
olhos prisioneiros, mudarei
o mundo, antes de um anjo de palha
anunciar o fim.
olhos prisioneiros, mudarei
o mundo, antes de um anjo de palha
anunciar o fim.
961
Marta Gonçalves
Sutilezas
Brinco com seus lábios
já ausentes de meus olhos.
Imagino o relógio de sol
marcando peles brancas.
Lembranças envolvem sutilezas
que suas mãos ofereciam.
Doçuras carregam água de geleiras
e em cada verso que te oferto vejo
minha morte.
já ausentes de meus olhos.
Imagino o relógio de sol
marcando peles brancas.
Lembranças envolvem sutilezas
que suas mãos ofereciam.
Doçuras carregam água de geleiras
e em cada verso que te oferto vejo
minha morte.
1 015
Sérgio Mattos
Pancada Grande
Refúgio de andorinhas,
a cachoeira da Pancada Grande,
como um véu sagrado,
protegeu o casal enamorado,
selando um compromisso
mágico, colorido e acalorado.
Sob a força da água corrente
ouvi as três pancadas
da cachoeira, marcando o compasso
das batidas dos corações.
Batidas aceleradas,
cheias de vida e ação,
buscando preencher os espaços,
físico e espiritual,
num verdadeiro ritual,
criando elos de aço
que não podem ser rompidos
nem corrompidos.
— O elo une amizade, sentimentos,
alegrias, sofrimentos
e experiências de vidas passadas.
a cachoeira da Pancada Grande,
como um véu sagrado,
protegeu o casal enamorado,
selando um compromisso
mágico, colorido e acalorado.
Sob a força da água corrente
ouvi as três pancadas
da cachoeira, marcando o compasso
das batidas dos corações.
Batidas aceleradas,
cheias de vida e ação,
buscando preencher os espaços,
físico e espiritual,
num verdadeiro ritual,
criando elos de aço
que não podem ser rompidos
nem corrompidos.
— O elo une amizade, sentimentos,
alegrias, sofrimentos
e experiências de vidas passadas.
859
Marta Gonçalves
O vento nas Folhas
Converso com o tamarindo e escuto
o vento nas folhas.
A palavra cobre a terra, cobre
as mãos inquietas. A idade é remota.
Longe ficaram as sementes.
A idade cega os olhos e invade a morte.
Não tenho o sono do limbo. O muro nasce
a erva no pôr-do-sol. A árvore vem do tempo
das águas e traz a maresia dos cardumes.
O silêncio das nascentes guarda a lonjura
da canção. O mesmo silêncio no verde pinheiro.
O verso perdeu o sol. Quero falar da criança
da rosa do último adeus da velha casa.
Sombras habitam o âmago do texto.
Converso com o tamarindo a história da alma.
A alma se esqueceu das estrelas. O medo
das confissões e o desespero da fala abrigam
um século de vida nos dedos nodosos de sonhos.
o vento nas folhas.
A palavra cobre a terra, cobre
as mãos inquietas. A idade é remota.
Longe ficaram as sementes.
A idade cega os olhos e invade a morte.
Não tenho o sono do limbo. O muro nasce
a erva no pôr-do-sol. A árvore vem do tempo
das águas e traz a maresia dos cardumes.
O silêncio das nascentes guarda a lonjura
da canção. O mesmo silêncio no verde pinheiro.
O verso perdeu o sol. Quero falar da criança
da rosa do último adeus da velha casa.
Sombras habitam o âmago do texto.
Converso com o tamarindo a história da alma.
A alma se esqueceu das estrelas. O medo
das confissões e o desespero da fala abrigam
um século de vida nos dedos nodosos de sonhos.
1 084
Marta Gonçalves
Aclive da Encubadeira
À Laene Teixeira Mucci
Ao seu livro Aldelin, feito
no computador (Encubadeira)
A emanação das águas nos arrozais
onde pássaros cansados buscam
a semente. O aclive da linguagem
no oxigênio do tempo guarda tâmaras
de verdes Natais. A colagem dos sóis
traz o mercúrio da virada do século.
São teclas mágicas, duendes da alma.
Vento brando acordando moléculas na tarde.
Será o aclive memória das folhas ou memória
das gaivotas em mares antigos. O poeta aprisiona
anéis na encubadeira e escolhe os dedos. Sopra
o giz das palavras. Aldelin, terra sem dono.
Aldelin, território que Marco Polo não viu.
Ar, água, fogo, no solo bruto da terra.
Ternuras vindas do cerne de outras peles.
Cheiro de figo do pomar do avô.
Arco de cobre em Aldebarã.
Aldelin, aclive na encubadeira.
Ilha do corpo ou mariposa voejando.
Filtro do cosmo em noite de jejum
Onde os insetos banham os olhos.
Aldelin, a palavra morre. Meu canto
é o nada diante de seus símbolos.
Ao seu livro Aldelin, feito
no computador (Encubadeira)
A emanação das águas nos arrozais
onde pássaros cansados buscam
a semente. O aclive da linguagem
no oxigênio do tempo guarda tâmaras
de verdes Natais. A colagem dos sóis
traz o mercúrio da virada do século.
São teclas mágicas, duendes da alma.
Vento brando acordando moléculas na tarde.
Será o aclive memória das folhas ou memória
das gaivotas em mares antigos. O poeta aprisiona
anéis na encubadeira e escolhe os dedos. Sopra
o giz das palavras. Aldelin, terra sem dono.
Aldelin, território que Marco Polo não viu.
Ar, água, fogo, no solo bruto da terra.
Ternuras vindas do cerne de outras peles.
Cheiro de figo do pomar do avô.
Arco de cobre em Aldebarã.
Aldelin, aclive na encubadeira.
Ilha do corpo ou mariposa voejando.
Filtro do cosmo em noite de jejum
Onde os insetos banham os olhos.
Aldelin, a palavra morre. Meu canto
é o nada diante de seus símbolos.
1 072
Sérgio Mattos
Registro
Criamos um momento
de calma e esperança,
quando, sem enganos
nos olhamos e ganhamos tempo.
Senti a ternura e tua mão
e o destino nosso encontro marcou,
abrindo, docemente, uma página da vida
onde nossas mãos se cruzam
e o amor floresce.
de calma e esperança,
quando, sem enganos
nos olhamos e ganhamos tempo.
Senti a ternura e tua mão
e o destino nosso encontro marcou,
abrindo, docemente, uma página da vida
onde nossas mãos se cruzam
e o amor floresce.
970
Maurício Batarce
Homenagem ao Poeta
Nos dias em que o pensamento inexiste
E que a Natureza é triste,
Precisamos do imaginário...
O poeta, através de pequenos grãos de sentimento,
Envolvidos por sons que se dissipam ao vento,
Saúda a vida, brindando-a
Com o vinho das palavras...
Consegue decifrar a mensagem divina dos versos
Através da inspiração
E floresce os campos estéreis da tristeza...
Obrigado poeta por nos apresentar
Sua contribuição valorosa,
Obrigado por nos perfumar com suas rosas.
Obrigado poeta...
E que a Natureza é triste,
Precisamos do imaginário...
O poeta, através de pequenos grãos de sentimento,
Envolvidos por sons que se dissipam ao vento,
Saúda a vida, brindando-a
Com o vinho das palavras...
Consegue decifrar a mensagem divina dos versos
Através da inspiração
E floresce os campos estéreis da tristeza...
Obrigado poeta por nos apresentar
Sua contribuição valorosa,
Obrigado por nos perfumar com suas rosas.
Obrigado poeta...
775
Maurício Batarce
A Sombra de Meu Viver
Penso em você nesse momento...
Seus olhos iluminam minhas noites,
Seus cabelos esvoaçam ao vento
E sua voz me chama a todo momento.
Meu mundo está a seus pés
E navego em lago dourado...
Seus olhos superam o poder das marés
E carregam meus versos minguados.
Você é tão bela quanto a natureza
E tem sonhos tão leves quanto a bruma.
Foi feita com extrema beleza
E tem a maciez da pluma.
Não existem palavras para você
Que é a essência de meu ser;
Não existem formas para me expressar
Porque você é a sombra de meu viver...
Seus olhos iluminam minhas noites,
Seus cabelos esvoaçam ao vento
E sua voz me chama a todo momento.
Meu mundo está a seus pés
E navego em lago dourado...
Seus olhos superam o poder das marés
E carregam meus versos minguados.
Você é tão bela quanto a natureza
E tem sonhos tão leves quanto a bruma.
Foi feita com extrema beleza
E tem a maciez da pluma.
Não existem palavras para você
Que é a essência de meu ser;
Não existem formas para me expressar
Porque você é a sombra de meu viver...
809
Sérgio Mattos
Meu Amor
Meu amor não seque normas
da gramática
Não tem regras nem exceções
Tudo dá certo,
como na matemática.
Eu gosto do teu balançar
e do teu cheiro
Teu aroma me encanta
Sinto tua presença
palpitar em meu peito.
Teu encanto me seduz
O meu amor
não é medido.
É sentido
intensamente,
livremente...
— Quero te amar
em qualquer lugar—
da gramática
Não tem regras nem exceções
Tudo dá certo,
como na matemática.
Eu gosto do teu balançar
e do teu cheiro
Teu aroma me encanta
Sinto tua presença
palpitar em meu peito.
Teu encanto me seduz
O meu amor
não é medido.
É sentido
intensamente,
livremente...
— Quero te amar
em qualquer lugar—
869
Maurício Uzêda
Domínio
Domínio
Exercício de poder
Tirania absoluta
Do teu corpo sobre o meu.
Escravizado
Subjugado
Ao senhorio deste teu amor.
Assim vivi
Cativo
Prisioneiro.
Fui martirizado
Amarrado pelos teus cabelos
Amordaçado pela tua pele
Os olhos vendados sob os teus
Asfixiado por esse teu cheiro
Esmagado sob o peso de tuas formas.
O que restou de mim
Incinerado pelo teu calor.
Tive as cinzas lançadas ao vento
Só então me veio a paz.
Exercício de poder
Tirania absoluta
Do teu corpo sobre o meu.
Escravizado
Subjugado
Ao senhorio deste teu amor.
Assim vivi
Cativo
Prisioneiro.
Fui martirizado
Amarrado pelos teus cabelos
Amordaçado pela tua pele
Os olhos vendados sob os teus
Asfixiado por esse teu cheiro
Esmagado sob o peso de tuas formas.
O que restou de mim
Incinerado pelo teu calor.
Tive as cinzas lançadas ao vento
Só então me veio a paz.
954
Marta Gonçalves
Meninas de Tamancos
Cirandas jogando tempo
em calçadas antigas
Meninas de tamancos
rodando pião
Alecrim crescendo na janela
O estafeta visitando
velhas casas
Maria das Dores fugindo no sol
O barulho da memória acorda a alma.
em calçadas antigas
Meninas de tamancos
rodando pião
Alecrim crescendo na janela
O estafeta visitando
velhas casas
Maria das Dores fugindo no sol
O barulho da memória acorda a alma.
1 161
Marta Gonçalves
Nuvens Brancas
Cavalos vermelhos voam no espaço
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
1 006
Marta Gonçalves
O Vento no Rosto
Descalços, andávamos no campo,
molhávamos os pés na relva verde.
Íamos atrás do vento.
Sentávamos, todas as tardes, no alpendre,
a olhar os passarinhos
apanhando migalhas.
- Esperando encontrar o que nos resta
do corpo.
molhávamos os pés na relva verde.
Íamos atrás do vento.
Sentávamos, todas as tardes, no alpendre,
a olhar os passarinhos
apanhando migalhas.
- Esperando encontrar o que nos resta
do corpo.
1 062
Maurício Batarce
Passos Temporais
A verdadeira vida vivida
Deve ser regada de mundo.
Os sonhos devem buscar
As grandes distâncias
E os olhos devem estar ligados
À verdade.
Na verdadeira vida vivida
Tudo funciona em harmonia.
A procura de nossas origens
Faz parte dela
E o passado serve como ponte
Para o que somos.
A verdadeira vida vivida
Nos transmite a voz da maturidade,
Demonstrando nosso presente a cada instante.
Nessa verdade, quando menos se espera,
O tempo já se foi.
O homem que é preso ao relógio
Leva rasteiras em sua verdadeira vida vivida.
Cada passo do ponteiro
É uma eternidade a menos
E o começo de uma nova eternidade.
Na verdadeira vida vivida
Escutamos o caminhar para o futuro
E aos poucos chegamos ao infinito.
As verdadeiras vidas vividas
Nada mais são do que
Verdadeiros passos temporais...
Deve ser regada de mundo.
Os sonhos devem buscar
As grandes distâncias
E os olhos devem estar ligados
À verdade.
Na verdadeira vida vivida
Tudo funciona em harmonia.
A procura de nossas origens
Faz parte dela
E o passado serve como ponte
Para o que somos.
A verdadeira vida vivida
Nos transmite a voz da maturidade,
Demonstrando nosso presente a cada instante.
Nessa verdade, quando menos se espera,
O tempo já se foi.
O homem que é preso ao relógio
Leva rasteiras em sua verdadeira vida vivida.
Cada passo do ponteiro
É uma eternidade a menos
E o começo de uma nova eternidade.
Na verdadeira vida vivida
Escutamos o caminhar para o futuro
E aos poucos chegamos ao infinito.
As verdadeiras vidas vividas
Nada mais são do que
Verdadeiros passos temporais...
809