Poemas neste tema
Alma
Marta Gonçalves
Sutilezas
Brinco com seus lábios
já ausentes de meus olhos.
Imagino o relógio de sol
marcando peles brancas.
Lembranças envolvem sutilezas
que suas mãos ofereciam.
Doçuras carregam água de geleiras
e em cada verso que te oferto vejo
minha morte.
já ausentes de meus olhos.
Imagino o relógio de sol
marcando peles brancas.
Lembranças envolvem sutilezas
que suas mãos ofereciam.
Doçuras carregam água de geleiras
e em cada verso que te oferto vejo
minha morte.
1 004
Maurício Batarce
Um Rumar
Com pés descalços, olhos de luz
E um sorriso estampado no rosto,
O menino caminhava
Por entre estrepes no solo.
Como querendo chegar
Ao fim do arco-íris,
Mesmo sabendo que não conseguiria,
Andava a passos firmes e cautelosos.
Olhar voltado para o infinito,
O menino ouvia o rumor da brisa
Em sua face rósea.
Mandava beijos para o sol
E prosseguia em sua jornada...
Pouco-a-pouco
Seus pés deixaram de tocar o solo
E milhões de cores
Iluminaram seu voar-andando.
Depois pisou na relva macia,
Ganhou um pote-de-ouro,
Encontrou gnomos
E conviveu com várias fadas.
Nadou no espelho de sua vida
E acabou se encontrando...
A luz de seu olhar
Iluminou o mundo
E com passos de sonho,
Acordou no mundo real.
Sua jornada acabou
E ele chegou em seu fim...
E um sorriso estampado no rosto,
O menino caminhava
Por entre estrepes no solo.
Como querendo chegar
Ao fim do arco-íris,
Mesmo sabendo que não conseguiria,
Andava a passos firmes e cautelosos.
Olhar voltado para o infinito,
O menino ouvia o rumor da brisa
Em sua face rósea.
Mandava beijos para o sol
E prosseguia em sua jornada...
Pouco-a-pouco
Seus pés deixaram de tocar o solo
E milhões de cores
Iluminaram seu voar-andando.
Depois pisou na relva macia,
Ganhou um pote-de-ouro,
Encontrou gnomos
E conviveu com várias fadas.
Nadou no espelho de sua vida
E acabou se encontrando...
A luz de seu olhar
Iluminou o mundo
E com passos de sonho,
Acordou no mundo real.
Sua jornada acabou
E ele chegou em seu fim...
747
Marta Gonçalves
Somos Poucos no Mar
Estamos apanhando mariscos nas pedras
água verde vai e vem jogando espuma.
Gaivotas voam, bicam peixes.
Somos poucos, quase nada na imensidão
humana.
Nossos corpos vestem roupas diferentes.
Enfeitamos os pêlos e músculos.
O choro sai das unhas
mas temos asas para fugir dos abismos.
água verde vai e vem jogando espuma.
Gaivotas voam, bicam peixes.
Somos poucos, quase nada na imensidão
humana.
Nossos corpos vestem roupas diferentes.
Enfeitamos os pêlos e músculos.
O choro sai das unhas
mas temos asas para fugir dos abismos.
963
Maurício Uzêda
Sonho
Sentado na cama
Eu te vejo dormir
No teu sono largado
Sono de criança
Meu sonho
Encolhida sob o lençol
Eu não te vejo.
Escondida, eu penso.
Sonho feito carne
É meu sonho de criança
Feito vida enquanto durmo
Pedaço de mim
Materializou-se
Minha doce expiração
Minha doce concepção
Teu corpo
Teus dois braços
Onde moro
Onde vivo
Onde sonho
Onde sou feliz
Eu te vejo dormir
No teu sono largado
Sono de criança
Meu sonho
Encolhida sob o lençol
Eu não te vejo.
Escondida, eu penso.
Sonho feito carne
É meu sonho de criança
Feito vida enquanto durmo
Pedaço de mim
Materializou-se
Minha doce expiração
Minha doce concepção
Teu corpo
Teus dois braços
Onde moro
Onde vivo
Onde sonho
Onde sou feliz
812
Sérgio Mattos
Meu Amor
Meu amor não seque normas
da gramática
Não tem regras nem exceções
Tudo dá certo,
como na matemática.
Eu gosto do teu balançar
e do teu cheiro
Teu aroma me encanta
Sinto tua presença
palpitar em meu peito.
Teu encanto me seduz
O meu amor
não é medido.
É sentido
intensamente,
livremente...
— Quero te amar
em qualquer lugar—
da gramática
Não tem regras nem exceções
Tudo dá certo,
como na matemática.
Eu gosto do teu balançar
e do teu cheiro
Teu aroma me encanta
Sinto tua presença
palpitar em meu peito.
Teu encanto me seduz
O meu amor
não é medido.
É sentido
intensamente,
livremente...
— Quero te amar
em qualquer lugar—
863
Sérgio Mattos
Registro
Criamos um momento
de calma e esperança,
quando, sem enganos
nos olhamos e ganhamos tempo.
Senti a ternura e tua mão
e o destino nosso encontro marcou,
abrindo, docemente, uma página da vida
onde nossas mãos se cruzam
e o amor floresce.
de calma e esperança,
quando, sem enganos
nos olhamos e ganhamos tempo.
Senti a ternura e tua mão
e o destino nosso encontro marcou,
abrindo, docemente, uma página da vida
onde nossas mãos se cruzam
e o amor floresce.
960
Marta Gonçalves
O canário da Menina
Menina na calçada olhava os passarinhos
Seu Lolô, de gravata borboleta, descia a rua:
Vou trazer um canário pra menina.
Na avenida, o bonde passava, a enxurrada passava.
Tempo de manga, tempo de goiaba, tempo de papagaios.
Menina na calçada, seu Lolô descendo a rua.
No amor, a menina bateu asas.
Voou nos rostos. Beijou faces.
Sonhou com o mar. Descobriu o infinito vôo
da gaivota.
Tanto passarinho tantos vôos tanta saudade.
Seu Lolô, de gravata borboleta, descia a rua:
Vou trazer um canário pra menina.
Na avenida, o bonde passava, a enxurrada passava.
Tempo de manga, tempo de goiaba, tempo de papagaios.
Menina na calçada, seu Lolô descendo a rua.
No amor, a menina bateu asas.
Voou nos rostos. Beijou faces.
Sonhou com o mar. Descobriu o infinito vôo
da gaivota.
Tanto passarinho tantos vôos tanta saudade.
1 102
Marta Gonçalves
Itinerário
O anjo de gesso conhece minha alma.
Está marcando o lado esquerdo do peito.
O anjo de gesso assombra as asas e chove no rosto.
O anjo sabe das nuvens.
Folhas amarelas e o vento cobrem o gesso do anjo
no jardim do tempo.
No domingo, o anjo se esfacelou na margem do rio.
Fiquei olhando as andorinhas. Lavei o rosto no chafariz.
Já se fazem luas. Coberta de cera, preparo a terra.
Está marcando o lado esquerdo do peito.
O anjo de gesso assombra as asas e chove no rosto.
O anjo sabe das nuvens.
Folhas amarelas e o vento cobrem o gesso do anjo
no jardim do tempo.
No domingo, o anjo se esfacelou na margem do rio.
Fiquei olhando as andorinhas. Lavei o rosto no chafariz.
Já se fazem luas. Coberta de cera, preparo a terra.
1 076
Marta Gonçalves
O vento nas Folhas
Converso com o tamarindo e escuto
o vento nas folhas.
A palavra cobre a terra, cobre
as mãos inquietas. A idade é remota.
Longe ficaram as sementes.
A idade cega os olhos e invade a morte.
Não tenho o sono do limbo. O muro nasce
a erva no pôr-do-sol. A árvore vem do tempo
das águas e traz a maresia dos cardumes.
O silêncio das nascentes guarda a lonjura
da canção. O mesmo silêncio no verde pinheiro.
O verso perdeu o sol. Quero falar da criança
da rosa do último adeus da velha casa.
Sombras habitam o âmago do texto.
Converso com o tamarindo a história da alma.
A alma se esqueceu das estrelas. O medo
das confissões e o desespero da fala abrigam
um século de vida nos dedos nodosos de sonhos.
o vento nas folhas.
A palavra cobre a terra, cobre
as mãos inquietas. A idade é remota.
Longe ficaram as sementes.
A idade cega os olhos e invade a morte.
Não tenho o sono do limbo. O muro nasce
a erva no pôr-do-sol. A árvore vem do tempo
das águas e traz a maresia dos cardumes.
O silêncio das nascentes guarda a lonjura
da canção. O mesmo silêncio no verde pinheiro.
O verso perdeu o sol. Quero falar da criança
da rosa do último adeus da velha casa.
Sombras habitam o âmago do texto.
Converso com o tamarindo a história da alma.
A alma se esqueceu das estrelas. O medo
das confissões e o desespero da fala abrigam
um século de vida nos dedos nodosos de sonhos.
1 074
Maurício Uzêda
Terra Mulher
Vejo a terra em fruto e flor
Qual menina sempre virgem
A se entregar por amor
Deixando-se tocar e marcar
Tudo enchendo de vida e de cor
Se abrindo num abraço fecundo
Vertendo sua dor e sua alegria
Na lágrima corrente dos rios
No suor que encontro no orvalho
Assim ela vive
Mulher
Qual menina sempre virgem
A se entregar por amor
Deixando-se tocar e marcar
Tudo enchendo de vida e de cor
Se abrindo num abraço fecundo
Vertendo sua dor e sua alegria
Na lágrima corrente dos rios
No suor que encontro no orvalho
Assim ela vive
Mulher
939
Marta Gonçalves
O Casaco de Murilo Mendes
São dez horas e este relógio eterno,
vindo de meus avós, bate o mofo do tempo.
O cristal enfeita a mesa e quadros vestem
de linho as paredes. São dez horas de continuidade
de vida. Respiro a alfazema das magnólias. É julho.
Nada importa se dormes em porto distante.
Quero revelar a rotação da alma. Esta alma
aguarda o perfume, a visitação azul da poesia.
Será o relógio que desfaz o silêncio na noite?
Um vulto longo, com brancura nas mãos, veste um casaco
europeu. Me olha como um rebanho de carneiros.
As camélias estão amarelas. Foram meus dedos.
A libertação está na palavra. Elas apartam
a forma que fui. Liberto as tâmaras do tempo.
O vulto me olha e põe poesia solferina em meus dedos.
A sala fica iluminada. O vulto de casaco europeu coloca
o Cometa de Halley em cima da cristaleira. Sorri:
- Escuta, no fim da tarde, o piano de Mariinha.
A poesia chega no vento.
Ela é como o Cometa de Halley.
vindo de meus avós, bate o mofo do tempo.
O cristal enfeita a mesa e quadros vestem
de linho as paredes. São dez horas de continuidade
de vida. Respiro a alfazema das magnólias. É julho.
Nada importa se dormes em porto distante.
Quero revelar a rotação da alma. Esta alma
aguarda o perfume, a visitação azul da poesia.
Será o relógio que desfaz o silêncio na noite?
Um vulto longo, com brancura nas mãos, veste um casaco
europeu. Me olha como um rebanho de carneiros.
As camélias estão amarelas. Foram meus dedos.
A libertação está na palavra. Elas apartam
a forma que fui. Liberto as tâmaras do tempo.
O vulto me olha e põe poesia solferina em meus dedos.
A sala fica iluminada. O vulto de casaco europeu coloca
o Cometa de Halley em cima da cristaleira. Sorri:
- Escuta, no fim da tarde, o piano de Mariinha.
A poesia chega no vento.
Ela é como o Cometa de Halley.
1 052
Maurício Batarce
Passos Temporais
A verdadeira vida vivida
Deve ser regada de mundo.
Os sonhos devem buscar
As grandes distâncias
E os olhos devem estar ligados
À verdade.
Na verdadeira vida vivida
Tudo funciona em harmonia.
A procura de nossas origens
Faz parte dela
E o passado serve como ponte
Para o que somos.
A verdadeira vida vivida
Nos transmite a voz da maturidade,
Demonstrando nosso presente a cada instante.
Nessa verdade, quando menos se espera,
O tempo já se foi.
O homem que é preso ao relógio
Leva rasteiras em sua verdadeira vida vivida.
Cada passo do ponteiro
É uma eternidade a menos
E o começo de uma nova eternidade.
Na verdadeira vida vivida
Escutamos o caminhar para o futuro
E aos poucos chegamos ao infinito.
As verdadeiras vidas vividas
Nada mais são do que
Verdadeiros passos temporais...
Deve ser regada de mundo.
Os sonhos devem buscar
As grandes distâncias
E os olhos devem estar ligados
À verdade.
Na verdadeira vida vivida
Tudo funciona em harmonia.
A procura de nossas origens
Faz parte dela
E o passado serve como ponte
Para o que somos.
A verdadeira vida vivida
Nos transmite a voz da maturidade,
Demonstrando nosso presente a cada instante.
Nessa verdade, quando menos se espera,
O tempo já se foi.
O homem que é preso ao relógio
Leva rasteiras em sua verdadeira vida vivida.
Cada passo do ponteiro
É uma eternidade a menos
E o começo de uma nova eternidade.
Na verdadeira vida vivida
Escutamos o caminhar para o futuro
E aos poucos chegamos ao infinito.
As verdadeiras vidas vividas
Nada mais são do que
Verdadeiros passos temporais...
801
Marta Gonçalves
Retrato do Poeta
Companheiro do vento, rosto de sal.
Ontem existia energia nos olhos.
O pórtico do tempo aberto ao silêncio
da alma.
Nossos fracassos nossos fracassos
desenhados na imaginação.
Ontem existia energia nos olhos.
O pórtico do tempo aberto ao silêncio
da alma.
Nossos fracassos nossos fracassos
desenhados na imaginação.
1 049
Maurício Batarce
A Sonata do Amor
Na noite opaca do luar
Tento imaginar você.
Seus sentimentos me vêm
E sua alma cristalina
Exala de seu corpo
Por onde navego delirante.
Minhas palavras ante - românticas
Não são nada para seus gestos romanescos.
Ao som de um piano
Com flauta ao fundo
Imagino-lhe caminhando nas notas.
O dedo que corre ao piano
Toca-lhe sensivelmente
E o romantismo da flauta
Penetra em seu interior.
Música sai de seus lábios em sussurros...
O resplandecer do sol
E a beleza do crepúsculo
Não são mais belos que a música de seus lábios
Você é o sopro de vida do mundo...
Tento imaginar você.
Seus sentimentos me vêm
E sua alma cristalina
Exala de seu corpo
Por onde navego delirante.
Minhas palavras ante - românticas
Não são nada para seus gestos romanescos.
Ao som de um piano
Com flauta ao fundo
Imagino-lhe caminhando nas notas.
O dedo que corre ao piano
Toca-lhe sensivelmente
E o romantismo da flauta
Penetra em seu interior.
Música sai de seus lábios em sussurros...
O resplandecer do sol
E a beleza do crepúsculo
Não são mais belos que a música de seus lábios
Você é o sopro de vida do mundo...
1 042
Marta Gonçalves
Morreram as Videiras na Quinta
I
Jogávamos vôlei na beira da tarde
o cabelo era louro o dolmã verde.
Amava o verde da veste. Havia cheiro
de maçã. Havia amor pelo moço de dolmã.
II
Os pássaros em muitas tardes se foram.
Vieram anos de silêncio. Celas de solidão
e medo. Março secou o mar a areia cobriu
palavras. A giesta formou sangue no fim da noite.
III
As árvores verdes marcaram o tempo
marcaram o cansaço o temor da morte.
IV
A música chegava quebrada nas montanhas.
A poesia era o uivo do lobo no amanhecer.
V
Chegaste trazendo o sol nos olhos.
Lembrei o moço de dolmã. Lembrei
o verde crucificado. Lembrei os corpos
enterrados em valas profundas.
VI
Viste com o beijo nos lábios. Nas mãos
o afeto. Havia água cobrindo a febre.
Habitava o verde-oliva nas manhãs.
Verde pântano no porto da alma.
VII
Quando vi a patente em seu casaco,
quando vi o sangue dos meus irmãos
nos porões, morreram as videiras na quinta.
Parti
não entendeste minha ida.
Eras bom e o céu escuro
vestia verdevestia verde.
Jogávamos vôlei na beira da tarde
o cabelo era louro o dolmã verde.
Amava o verde da veste. Havia cheiro
de maçã. Havia amor pelo moço de dolmã.
II
Os pássaros em muitas tardes se foram.
Vieram anos de silêncio. Celas de solidão
e medo. Março secou o mar a areia cobriu
palavras. A giesta formou sangue no fim da noite.
III
As árvores verdes marcaram o tempo
marcaram o cansaço o temor da morte.
IV
A música chegava quebrada nas montanhas.
A poesia era o uivo do lobo no amanhecer.
V
Chegaste trazendo o sol nos olhos.
Lembrei o moço de dolmã. Lembrei
o verde crucificado. Lembrei os corpos
enterrados em valas profundas.
VI
Viste com o beijo nos lábios. Nas mãos
o afeto. Havia água cobrindo a febre.
Habitava o verde-oliva nas manhãs.
Verde pântano no porto da alma.
VII
Quando vi a patente em seu casaco,
quando vi o sangue dos meus irmãos
nos porões, morreram as videiras na quinta.
Parti
não entendeste minha ida.
Eras bom e o céu escuro
vestia verdevestia verde.
921
Maurício Batarce
Desventuras
Ao longe meus olhos encerram,
Na língua do martírio,
Um sorriso novo ao longo
Do mundo que giro...
Nas vozes loucas,
Em meio à vida,
Recebo um sonho
De despedidas...
Nunca senti a voz da tortura.
Nem uma turva idéia errante.
Sempre busquei nas amarguras,
As faces de minha vida infante...
Música se ouve
E o amor me vem.
Estou só comigo mesmo,
Mas ainda assim tenho alguém...
Na língua do martírio,
Um sorriso novo ao longo
Do mundo que giro...
Nas vozes loucas,
Em meio à vida,
Recebo um sonho
De despedidas...
Nunca senti a voz da tortura.
Nem uma turva idéia errante.
Sempre busquei nas amarguras,
As faces de minha vida infante...
Música se ouve
E o amor me vem.
Estou só comigo mesmo,
Mas ainda assim tenho alguém...
828
Sérgio Mattos
Sonhei Orizontes
Sonhei horizontes.
Vivi, entre vírgulas, um hiato.
Andei exclamando paixões
e interrogando amores:
(dois pontos)
De repente,
quebrei lanças de solidão
na solidez de teu coração...
Vivi, entre vírgulas, um hiato.
Andei exclamando paixões
e interrogando amores:
(dois pontos)
De repente,
quebrei lanças de solidão
na solidez de teu coração...
937
Maurício Batarce
A Sombra de Meu Viver
Penso em você nesse momento...
Seus olhos iluminam minhas noites,
Seus cabelos esvoaçam ao vento
E sua voz me chama a todo momento.
Meu mundo está a seus pés
E navego em lago dourado...
Seus olhos superam o poder das marés
E carregam meus versos minguados.
Você é tão bela quanto a natureza
E tem sonhos tão leves quanto a bruma.
Foi feita com extrema beleza
E tem a maciez da pluma.
Não existem palavras para você
Que é a essência de meu ser;
Não existem formas para me expressar
Porque você é a sombra de meu viver...
Seus olhos iluminam minhas noites,
Seus cabelos esvoaçam ao vento
E sua voz me chama a todo momento.
Meu mundo está a seus pés
E navego em lago dourado...
Seus olhos superam o poder das marés
E carregam meus versos minguados.
Você é tão bela quanto a natureza
E tem sonhos tão leves quanto a bruma.
Foi feita com extrema beleza
E tem a maciez da pluma.
Não existem palavras para você
Que é a essência de meu ser;
Não existem formas para me expressar
Porque você é a sombra de meu viver...
802
Marta Gonçalves
Nuvens Brancas
Cavalos vermelhos voam no espaço
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
1 000
Maurício Batarce
Uma História de Amor
A brisa gloriosa da noite
Tocava o rosto daquele que,
Olhando para o céu,
Desmitificava as estrelas...
Uma sensação prazerosa o envolvia
E seus braços em forma de cruz
Determinavam seu estado de vida.
Ao seu lado, a mais bela,
A mais linda estrela da noite...
Cantavam as vozes dos vaga-lumes
E uma idéia em versos
Ia se formando na inspiração oculta...
Tudo era milagrosamente harmônico.
Uma face iluminou a noite
No auge de seu romantismo:
Semblante, rugas, experiência...
Humildade, carinho, amizades...
A peça teatral da vida
Se dividia em infinitos atos
E as cortinas se abriam
Para um público tão amplo
Quanto o amor dos personagens...
A atriz encenava carícias
Tão graciosas quanto a bruma noturna.
Com passos de bailarina,
Seu rosto continha uma expressão
De dó e compaixão que consumiam o ator...
No envolvimento do minuando,
Duas pombas pousaram
E captaram os pensamentos
Do ator no infinito...
Ator...Atriz...Silêncio...
As cortinas se fecham...
Tocava o rosto daquele que,
Olhando para o céu,
Desmitificava as estrelas...
Uma sensação prazerosa o envolvia
E seus braços em forma de cruz
Determinavam seu estado de vida.
Ao seu lado, a mais bela,
A mais linda estrela da noite...
Cantavam as vozes dos vaga-lumes
E uma idéia em versos
Ia se formando na inspiração oculta...
Tudo era milagrosamente harmônico.
Uma face iluminou a noite
No auge de seu romantismo:
Semblante, rugas, experiência...
Humildade, carinho, amizades...
A peça teatral da vida
Se dividia em infinitos atos
E as cortinas se abriam
Para um público tão amplo
Quanto o amor dos personagens...
A atriz encenava carícias
Tão graciosas quanto a bruma noturna.
Com passos de bailarina,
Seu rosto continha uma expressão
De dó e compaixão que consumiam o ator...
No envolvimento do minuando,
Duas pombas pousaram
E captaram os pensamentos
Do ator no infinito...
Ator...Atriz...Silêncio...
As cortinas se fecham...
1 006
Maurício Uzêda
Torrente
E quando ao turbulento rio desse meu desejo
Você abriu seus braços
Tornou-se minha paixão remanso
E a corrente que até então revolta
Carregava as minhas margens
E tristemente se fechava em charcos
Vi tornar-se água clara
Transparente e viva
Fecundando os campos
Serenamente
Se dirigindo ao mar.
Você abriu seus braços
Tornou-se minha paixão remanso
E a corrente que até então revolta
Carregava as minhas margens
E tristemente se fechava em charcos
Vi tornar-se água clara
Transparente e viva
Fecundando os campos
Serenamente
Se dirigindo ao mar.
753
Maurício Uzêda
Domínio
Domínio
Exercício de poder
Tirania absoluta
Do teu corpo sobre o meu.
Escravizado
Subjugado
Ao senhorio deste teu amor.
Assim vivi
Cativo
Prisioneiro.
Fui martirizado
Amarrado pelos teus cabelos
Amordaçado pela tua pele
Os olhos vendados sob os teus
Asfixiado por esse teu cheiro
Esmagado sob o peso de tuas formas.
O que restou de mim
Incinerado pelo teu calor.
Tive as cinzas lançadas ao vento
Só então me veio a paz.
Exercício de poder
Tirania absoluta
Do teu corpo sobre o meu.
Escravizado
Subjugado
Ao senhorio deste teu amor.
Assim vivi
Cativo
Prisioneiro.
Fui martirizado
Amarrado pelos teus cabelos
Amordaçado pela tua pele
Os olhos vendados sob os teus
Asfixiado por esse teu cheiro
Esmagado sob o peso de tuas formas.
O que restou de mim
Incinerado pelo teu calor.
Tive as cinzas lançadas ao vento
Só então me veio a paz.
949
Maurício Batarce
Homenagem ao Poeta
Nos dias em que o pensamento inexiste
E que a Natureza é triste,
Precisamos do imaginário...
O poeta, através de pequenos grãos de sentimento,
Envolvidos por sons que se dissipam ao vento,
Saúda a vida, brindando-a
Com o vinho das palavras...
Consegue decifrar a mensagem divina dos versos
Através da inspiração
E floresce os campos estéreis da tristeza...
Obrigado poeta por nos apresentar
Sua contribuição valorosa,
Obrigado por nos perfumar com suas rosas.
Obrigado poeta...
E que a Natureza é triste,
Precisamos do imaginário...
O poeta, através de pequenos grãos de sentimento,
Envolvidos por sons que se dissipam ao vento,
Saúda a vida, brindando-a
Com o vinho das palavras...
Consegue decifrar a mensagem divina dos versos
Através da inspiração
E floresce os campos estéreis da tristeza...
Obrigado poeta por nos apresentar
Sua contribuição valorosa,
Obrigado por nos perfumar com suas rosas.
Obrigado poeta...
770
Marta Gonçalves
Aclive da Encubadeira
À Laene Teixeira Mucci
Ao seu livro Aldelin, feito
no computador (Encubadeira)
A emanação das águas nos arrozais
onde pássaros cansados buscam
a semente. O aclive da linguagem
no oxigênio do tempo guarda tâmaras
de verdes Natais. A colagem dos sóis
traz o mercúrio da virada do século.
São teclas mágicas, duendes da alma.
Vento brando acordando moléculas na tarde.
Será o aclive memória das folhas ou memória
das gaivotas em mares antigos. O poeta aprisiona
anéis na encubadeira e escolhe os dedos. Sopra
o giz das palavras. Aldelin, terra sem dono.
Aldelin, território que Marco Polo não viu.
Ar, água, fogo, no solo bruto da terra.
Ternuras vindas do cerne de outras peles.
Cheiro de figo do pomar do avô.
Arco de cobre em Aldebarã.
Aldelin, aclive na encubadeira.
Ilha do corpo ou mariposa voejando.
Filtro do cosmo em noite de jejum
Onde os insetos banham os olhos.
Aldelin, a palavra morre. Meu canto
é o nada diante de seus símbolos.
Ao seu livro Aldelin, feito
no computador (Encubadeira)
A emanação das águas nos arrozais
onde pássaros cansados buscam
a semente. O aclive da linguagem
no oxigênio do tempo guarda tâmaras
de verdes Natais. A colagem dos sóis
traz o mercúrio da virada do século.
São teclas mágicas, duendes da alma.
Vento brando acordando moléculas na tarde.
Será o aclive memória das folhas ou memória
das gaivotas em mares antigos. O poeta aprisiona
anéis na encubadeira e escolhe os dedos. Sopra
o giz das palavras. Aldelin, terra sem dono.
Aldelin, território que Marco Polo não viu.
Ar, água, fogo, no solo bruto da terra.
Ternuras vindas do cerne de outras peles.
Cheiro de figo do pomar do avô.
Arco de cobre em Aldebarã.
Aldelin, aclive na encubadeira.
Ilha do corpo ou mariposa voejando.
Filtro do cosmo em noite de jejum
Onde os insetos banham os olhos.
Aldelin, a palavra morre. Meu canto
é o nada diante de seus símbolos.
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