Poemas neste tema
Amor Romântico
Renato Russo
Se fiquei esperando meu amor passar
Se fiquei esperando meu amor passar
Já me basta que então eu não sabia
Amar e me via perdido e vivendo em erro
Sem querer me machucar de novo
Por culpa do amor
Mas você e eu podemos namorar
E era simples: ficamos fortes
Quando se aprende a amar
O mundo passa a ser seu
Sei rimar romã com travesseiro
Quero minha nação soberana
Com espaço, nobreza e descanso
Se fiquei esperando meu amor passar
Já me basta que estava então longe de sereno
E fiquei tanto tempo duvidando de mim
Por fazer amor fazer sentido
Começo a ficar livre
- Espero
Acho que sim
De olhos fechados não me vejo
E você sorriu prá mim
"Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo
Tende piedade de nós
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo
Tende piedade de nós
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo
Dai-nos a paz"
Já me basta que então eu não sabia
Amar e me via perdido e vivendo em erro
Sem querer me machucar de novo
Por culpa do amor
Mas você e eu podemos namorar
E era simples: ficamos fortes
Quando se aprende a amar
O mundo passa a ser seu
Sei rimar romã com travesseiro
Quero minha nação soberana
Com espaço, nobreza e descanso
Se fiquei esperando meu amor passar
Já me basta que estava então longe de sereno
E fiquei tanto tempo duvidando de mim
Por fazer amor fazer sentido
Começo a ficar livre
- Espero
Acho que sim
De olhos fechados não me vejo
E você sorriu prá mim
"Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo
Tende piedade de nós
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo
Tende piedade de nós
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo
Dai-nos a paz"
1 296
Renato Russo
Daniel na cova dos leões
Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo:
De amargo e então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve
E forte e cego e tenso fez saber
Que ainda era muito e muito pouco
Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão:
Teu corpo é o meu espelho e te navego
E sei que a tua correnteza não tem direção.
Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz, quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque não vemos.
Ficou na minha boca por mais tempo:
De amargo e então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve
E forte e cego e tenso fez saber
Que ainda era muito e muito pouco
Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão:
Teu corpo é o meu espelho e te navego
E sei que a tua correnteza não tem direção.
Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz, quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque não vemos.
1 380
Renato Russo
Sete Cidades
Já me acostumei com a tua voz
Com teu rosto e teu olhar
Me partiram em dois
E procuro agora o que é minha metade
Quando não estás aqui
Sinto falta de mim mesmo
E sinto falta do meu corpo junto ao teu
Meu coração é tão tosco e tão pobre
Não sabe ainda os caminhos do mundo
Quando não estás aqui
Tenho medo de mim mesmo
E sinto falta do teu corpo junto ao meu
Vem depressa prá mim
Que eu não sei esperar
Já fizemos promessas demais
E já me acostumei com a tua voz:
Quando estou contigo estou em paz
Quando não estás aqui,
Meu espírito se perde, voa longe
Com teu rosto e teu olhar
Me partiram em dois
E procuro agora o que é minha metade
Quando não estás aqui
Sinto falta de mim mesmo
E sinto falta do meu corpo junto ao teu
Meu coração é tão tosco e tão pobre
Não sabe ainda os caminhos do mundo
Quando não estás aqui
Tenho medo de mim mesmo
E sinto falta do teu corpo junto ao meu
Vem depressa prá mim
Que eu não sei esperar
Já fizemos promessas demais
E já me acostumei com a tua voz:
Quando estou contigo estou em paz
Quando não estás aqui,
Meu espírito se perde, voa longe
1 016
Renato Russo
Quase sem querer
Tenho andado distraído
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso
Só que agora é diferente:
Estou tão tranquilo
E tão contente.
Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar prá todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada prá ninguém.
Me fiz em mil pedaços
Prá você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir prá si mesmo
É sempre a pior mentira
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber
Tudo.
Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.
Tão correto e tão bonito:
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos.
Sei que às vezes uso
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras que nunca são ditas ?
Me disseram que você estava chorando
E foi então que percebi
Como lhe quero tanto
Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso
Só que agora é diferente:
Estou tão tranquilo
E tão contente.
Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar prá todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada prá ninguém.
Me fiz em mil pedaços
Prá você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir prá si mesmo
É sempre a pior mentira
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber
Tudo.
Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.
Tão correto e tão bonito:
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos.
Sei que às vezes uso
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras que nunca são ditas ?
Me disseram que você estava chorando
E foi então que percebi
Como lhe quero tanto
Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você
1 873
Renato Russo
Teorema
Não vá embora
Fique um pouco mais
Ninguém sabe fazer
O que você me faz
É exagero
E pode até não ser
O que você consegue
Ninguém sabe fazer
Parece energia mas é só distorção
E não sabemos se isso é problema
Ou se é a solução
Não tenha medo
Não preste atenção
Não dê conselhos
Não peça permissão
É só você quem deve decidir o que fazer
Prá tentar ser feliz
Parece um teorema sem ter demonstração
E parece que sempre termina
Mas não tem fim
Fique um pouco mais
Ninguém sabe fazer
O que você me faz
É exagero
E pode até não ser
O que você consegue
Ninguém sabe fazer
Parece energia mas é só distorção
E não sabemos se isso é problema
Ou se é a solução
Não tenha medo
Não preste atenção
Não dê conselhos
Não peça permissão
É só você quem deve decidir o que fazer
Prá tentar ser feliz
Parece um teorema sem ter demonstração
E parece que sempre termina
Mas não tem fim
1 056
Renata Trocoli
Sem Titulo
A saudade de teus meigos olhos a olhar-me com tanto amor
doe em meu peito com aguda tristeza, meu grande amor.
Tuas macias, delicadas e pequeninas m2os tocavam meu rosto
com tanto carinho e amor que n2o podia deixar-te
um minuto sem meus abraTos e doces palavras de amor.
Quando sent5vamos debaixo das estrelas nas noites mornas
da bela primavera da P0rsia, me abraTavas com tanto medo
e chorava baixinho escondendo teu lindo rostinho delicado em meu
peito, e me fazia jura-te amor eterno.
Este amor que jurei e sinto sempre por ti minha linda princesa.
Sinto saudades de tuas palavras e teu carinho ao ver-me zangado e
preocupado, e como me acalmava com teu belo olhar sobre o meu,
sorrindo com doTura e colocando minha cabeTa em teus delicados
ombros para fazer com que a calma tomasse conta de meu coraT2o.
Por tantos dias fiquei a admirar tua beleza
enquanto dormias um sono tranq ilo e
quantas vezes tocava teus lindos cabelos negros, macios e perfumados
sem ter vontade de fechar os olhos para n2o perder t2o bela vis2o.
Quantas vezes ainda dormi cansado em teus pequeninos braTos
sentindo cada vez mais um amor puro e leal por ti.
Me abraTavas com doce saudade e com l5grimas nos olhos
depois de dias de batalha sem ver-me.
E cuidava de mim com tanto carinho e me amava com tanta saudade
que meus dias pareciam um doce sonho que n2o poderia nunca ter fim.
O mais triste meu amor foi perder-te.
Foi perceber que teu amor n2o mais me envolveria o corpo,
que n2o mais teria tua presenTa a cuidar de mim
nas noites de cansaTo ap s uma batalha.
Com uma linda e dolorosa promessa nos despedimos.
Tu me abraTaste chorosa e amedrontada,
e prometemos um amor eterno
por todos os lugares onde pass5ssemos. Aonde estiv0ssemos.
Hoje a saudade de teus doces olhinhos
a olhar-me com amor cegam meus dias.
Mas pelo menos ainda posso sentir teus perfume
e teus abraTos a me envolver...
doe em meu peito com aguda tristeza, meu grande amor.
Tuas macias, delicadas e pequeninas m2os tocavam meu rosto
com tanto carinho e amor que n2o podia deixar-te
um minuto sem meus abraTos e doces palavras de amor.
Quando sent5vamos debaixo das estrelas nas noites mornas
da bela primavera da P0rsia, me abraTavas com tanto medo
e chorava baixinho escondendo teu lindo rostinho delicado em meu
peito, e me fazia jura-te amor eterno.
Este amor que jurei e sinto sempre por ti minha linda princesa.
Sinto saudades de tuas palavras e teu carinho ao ver-me zangado e
preocupado, e como me acalmava com teu belo olhar sobre o meu,
sorrindo com doTura e colocando minha cabeTa em teus delicados
ombros para fazer com que a calma tomasse conta de meu coraT2o.
Por tantos dias fiquei a admirar tua beleza
enquanto dormias um sono tranq ilo e
quantas vezes tocava teus lindos cabelos negros, macios e perfumados
sem ter vontade de fechar os olhos para n2o perder t2o bela vis2o.
Quantas vezes ainda dormi cansado em teus pequeninos braTos
sentindo cada vez mais um amor puro e leal por ti.
Me abraTavas com doce saudade e com l5grimas nos olhos
depois de dias de batalha sem ver-me.
E cuidava de mim com tanto carinho e me amava com tanta saudade
que meus dias pareciam um doce sonho que n2o poderia nunca ter fim.
O mais triste meu amor foi perder-te.
Foi perceber que teu amor n2o mais me envolveria o corpo,
que n2o mais teria tua presenTa a cuidar de mim
nas noites de cansaTo ap s uma batalha.
Com uma linda e dolorosa promessa nos despedimos.
Tu me abraTaste chorosa e amedrontada,
e prometemos um amor eterno
por todos os lugares onde pass5ssemos. Aonde estiv0ssemos.
Hoje a saudade de teus doces olhinhos
a olhar-me com amor cegam meus dias.
Mas pelo menos ainda posso sentir teus perfume
e teus abraTos a me envolver...
1 098
Roberto Pontes
Sutil Tecido de Sal e Concha
por Lúcia Helena
Acabo de ler o livro de Robeto Pontes, e a associação que de pronto me ocorre remete-me ao conceito que a Psicanálise tem formulado sobre o texto literário: "escrever é evitar o assassinato do desejo". E se o homem é este ser desejante, espécie de Prometeu acorrentado, de Sísifo que continuamente se debate com a perda de si e do outro, esta associação me ocorre em relação ao texto de Roberto porque ele, de modo explícito, se realiza em consonância com a perspectiva estético-histórica, o amor cortês, no qual o lirismo é tematizado como manifestação do desejo nas suas múltiplas formas: seja na do desejo de escrever sobre o desejo, seja no de viver o desejo como escrita que o perpetua e resgata. Aliás, estas duas perspectivas se interrelacionam e alternam ao longo do livro, num marcante traço erótico. E não seria excessivo afirmar que a personagem central deste texto "desejante" é Eros, captado em todos os seus poros e latências.
Cada poema de Memória Corporal, livro em que até no título se tematiza a palavra se fazendo carne, reafirma incessantemente o ato de amor, através de expressivas e reiteradas metáforas, nas quais a poesia e o ato de escrever se confundem com o ato de fazer amor, num gesto múltiplo de que participam: a natureza, o amante e o objeto amado.
Surpreende-nos a riqueza e simbiose de elementos que a natureza captada pelo poeta congrega, principalmente marinhos: "Nessas águas de sal marinho/ há cogumelos, enguias, hipocampos/ nenúfares, ventosas e anêmonas" ("Há Solstício Tropical"). A natureza ora se manifesta participante, à maneira das canções de amigo, em que as personagens e o amor aderem ao cenário, chegando a ganhar suas espécies o nome da paisagem em que decorre tanto a espera quanto o encontro ou a realização do amor. Ora se torna confidente, à maneira dos românticos, em que a ambiência tende ao lunar, ao silêncio, ao melancólico; ora, ainda, se mostra contundente, ao remeter, de modo inesperado, a correlações semânticas que instalam uma carga corrosiva, através das quais marca-se uma ruptura com o clima idílico predominante na obra: "Nos teus colares de coral rochoso/ os sátiros fecundam salamandras/ e entre moluscos de anemia e cloro/ ejaculo gasolina incendiária." ("Há Solstício Tropical").
As personagens – tanto o amante como seu objeto amado – são apresentadas com tal capacidade de metamorfose que, a todo momento, a personagem masculina, como "fauno" de inesgotável sensualidade, se transforma em objetos fálicos, através dos quais se desloca o significante ( a "marca" do desejo ) que percorre e constitui o verbo lírico: flechas, girassóis de amianto, dedos de aço e lua, dedos de sol e ferro – são algumas das "máscaras" poéticas desse Eros irrequieto que celebra o amor e tem sabor de sal. E sua "ninfa" metamorfoseia-se em pétala, terra, água e concha, no que o poeta retoma a imagem da flor-mulher, tão cara aos líricos, e os mitos do elemento fecundável, quer seja a terra a salgar, já que o amante é sal; quer seja a da concha do mar, que ao sal também converge: "Tu me dirás que sou forte/ e tenho sabor de sal/ (...) / Eu te direi que és lisa/ e polida como uma concha" ("Este Nosso Encantamento").
E porque o texto se faz porta-voz de Eros, o desejo a todo instante também se metamorfoseia e desloca, transmudado em pássaro, gaivota, corda que vibra, corcel, raio e punhal – ao se referir à amada, numa sugestão de atividade/passividade, penetração/profundidade, na qual se expressa, de modo icônico, um determinado conceito da sexualidade masculina/feminina. Eis, então, que a mulher é apresentada, no texto, como motivo de desejo, impulsionada pela latência e espera, e o homem como o gesto que emite aquele que se apossa: "Passa por mim a sensação da posse/ que me atormenta e dói como um segredo/ e vem com os passos de animal ferido/ nas vísceras, nos nervos e no peito" ("Poema da Posse"); ou ainda: "e agora, ouve, / cantarei assim: / lábios de maçã suave,/ mãos próprias e cabíveis nas minhas,/ eu sou a fúria que desfecha golpes,/ eu sou aquele que conhece os prazeres" ("Faltando Leite, Faltando Pão").
Desde "Cinco Prelúdios" até "Epitáfio", respectivamente o primeiro e o último poemas do livro, os temas da fecundação e da cópula se anunciam e tomam a forma da imagem de um sonho circular, no qual uma pétala é engravidada pelo pingo morno que lhe afoga o ventre e se faz "liberto, líquido, livre", ao acender-se a chama do amor pelos dedos da amiga, que lampejam na noite fria. Se isto é o que se tematiza no primeiro poema, que dá ensejo à abertura do ciclo da fecundação amorosa, no último texto – discurso da memória que flui – há o desdobramento final do ciclo que evolui ao longo do livro, e "Aqui jaz o amor um dia dito". E, com resta morto o amor, cabe à palavra poética resgatá-lo.
Este ciclo – fecundação/paixão/morte/resgate – do amor justifica o título da obra: Memória Corporal, além de explicitar o sentido que o poeta atribui ao termo memória. Este é apresentado, no texto de Roberto Pontes, como uma tentativa de se apreender, surpreender e suspender o tempo. Memória como instância que torna possível ao homem resgatar, do círculo inexorável e destrutivo de vida/morte, tanto o sentimento quanto as coisas. Como se a poesia, fazendo-se na cumplicidade com a memória, se tornasse uma "verdade indestrutível" e perpetuasse, para além de Cronos, a viagem de Eros.
Uma viagem lírica, em que a beleza do efeito rítmico-sonoro a todo momento nos relembra as melhores realizações da poesia lírica, dos cancioneiros ao hoje. Uma viagem de sensibilidade que nos penetra mansamente, à maneira do amor, e outras vezes avidamente, à maneira da paixão.
Esta obra do poeta cearense Roberto Pontes, que tece o amor no traço do homem e do nome, se apresenta como uma das melhores realizações da poesia lírica contemporânea. E, acredito e desejo, ocupará seu lugar.
LÚCIA HELENA é Mestre em Teoria Literária e Doutora em Letras
pela UFRJ. Professora de Literatura da Universidade Federal
Fluminense e de Teoria da Literatura na UFRJ. Professora
conferencista nas Universidades de Lisboa (Portugal),
Pavia e Bérgamo (Itália). Ensaísta e crítica literária tem
colaborado com publicações especializadas, entre as quais:
revista Colóquio/Letras (Portugal); Revista de Cultura Vozes
Petróplis/RJ) e Revista Tempo Brasileiro (RJ). É autora de
A Cosmo-Agonia de Augusto dos Anjos (Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro),
Uma Literatura Antropofágica (Rio de Janeiro/Brasília: Cátedra/INL, 1982)
e Modernismo Brasileiro e Vanguarda (São Paulo: Ática, 1996).
Acabo de ler o livro de Robeto Pontes, e a associação que de pronto me ocorre remete-me ao conceito que a Psicanálise tem formulado sobre o texto literário: "escrever é evitar o assassinato do desejo". E se o homem é este ser desejante, espécie de Prometeu acorrentado, de Sísifo que continuamente se debate com a perda de si e do outro, esta associação me ocorre em relação ao texto de Roberto porque ele, de modo explícito, se realiza em consonância com a perspectiva estético-histórica, o amor cortês, no qual o lirismo é tematizado como manifestação do desejo nas suas múltiplas formas: seja na do desejo de escrever sobre o desejo, seja no de viver o desejo como escrita que o perpetua e resgata. Aliás, estas duas perspectivas se interrelacionam e alternam ao longo do livro, num marcante traço erótico. E não seria excessivo afirmar que a personagem central deste texto "desejante" é Eros, captado em todos os seus poros e latências.
Cada poema de Memória Corporal, livro em que até no título se tematiza a palavra se fazendo carne, reafirma incessantemente o ato de amor, através de expressivas e reiteradas metáforas, nas quais a poesia e o ato de escrever se confundem com o ato de fazer amor, num gesto múltiplo de que participam: a natureza, o amante e o objeto amado.
Surpreende-nos a riqueza e simbiose de elementos que a natureza captada pelo poeta congrega, principalmente marinhos: "Nessas águas de sal marinho/ há cogumelos, enguias, hipocampos/ nenúfares, ventosas e anêmonas" ("Há Solstício Tropical"). A natureza ora se manifesta participante, à maneira das canções de amigo, em que as personagens e o amor aderem ao cenário, chegando a ganhar suas espécies o nome da paisagem em que decorre tanto a espera quanto o encontro ou a realização do amor. Ora se torna confidente, à maneira dos românticos, em que a ambiência tende ao lunar, ao silêncio, ao melancólico; ora, ainda, se mostra contundente, ao remeter, de modo inesperado, a correlações semânticas que instalam uma carga corrosiva, através das quais marca-se uma ruptura com o clima idílico predominante na obra: "Nos teus colares de coral rochoso/ os sátiros fecundam salamandras/ e entre moluscos de anemia e cloro/ ejaculo gasolina incendiária." ("Há Solstício Tropical").
As personagens – tanto o amante como seu objeto amado – são apresentadas com tal capacidade de metamorfose que, a todo momento, a personagem masculina, como "fauno" de inesgotável sensualidade, se transforma em objetos fálicos, através dos quais se desloca o significante ( a "marca" do desejo ) que percorre e constitui o verbo lírico: flechas, girassóis de amianto, dedos de aço e lua, dedos de sol e ferro – são algumas das "máscaras" poéticas desse Eros irrequieto que celebra o amor e tem sabor de sal. E sua "ninfa" metamorfoseia-se em pétala, terra, água e concha, no que o poeta retoma a imagem da flor-mulher, tão cara aos líricos, e os mitos do elemento fecundável, quer seja a terra a salgar, já que o amante é sal; quer seja a da concha do mar, que ao sal também converge: "Tu me dirás que sou forte/ e tenho sabor de sal/ (...) / Eu te direi que és lisa/ e polida como uma concha" ("Este Nosso Encantamento").
E porque o texto se faz porta-voz de Eros, o desejo a todo instante também se metamorfoseia e desloca, transmudado em pássaro, gaivota, corda que vibra, corcel, raio e punhal – ao se referir à amada, numa sugestão de atividade/passividade, penetração/profundidade, na qual se expressa, de modo icônico, um determinado conceito da sexualidade masculina/feminina. Eis, então, que a mulher é apresentada, no texto, como motivo de desejo, impulsionada pela latência e espera, e o homem como o gesto que emite aquele que se apossa: "Passa por mim a sensação da posse/ que me atormenta e dói como um segredo/ e vem com os passos de animal ferido/ nas vísceras, nos nervos e no peito" ("Poema da Posse"); ou ainda: "e agora, ouve, / cantarei assim: / lábios de maçã suave,/ mãos próprias e cabíveis nas minhas,/ eu sou a fúria que desfecha golpes,/ eu sou aquele que conhece os prazeres" ("Faltando Leite, Faltando Pão").
Desde "Cinco Prelúdios" até "Epitáfio", respectivamente o primeiro e o último poemas do livro, os temas da fecundação e da cópula se anunciam e tomam a forma da imagem de um sonho circular, no qual uma pétala é engravidada pelo pingo morno que lhe afoga o ventre e se faz "liberto, líquido, livre", ao acender-se a chama do amor pelos dedos da amiga, que lampejam na noite fria. Se isto é o que se tematiza no primeiro poema, que dá ensejo à abertura do ciclo da fecundação amorosa, no último texto – discurso da memória que flui – há o desdobramento final do ciclo que evolui ao longo do livro, e "Aqui jaz o amor um dia dito". E, com resta morto o amor, cabe à palavra poética resgatá-lo.
Este ciclo – fecundação/paixão/morte/resgate – do amor justifica o título da obra: Memória Corporal, além de explicitar o sentido que o poeta atribui ao termo memória. Este é apresentado, no texto de Roberto Pontes, como uma tentativa de se apreender, surpreender e suspender o tempo. Memória como instância que torna possível ao homem resgatar, do círculo inexorável e destrutivo de vida/morte, tanto o sentimento quanto as coisas. Como se a poesia, fazendo-se na cumplicidade com a memória, se tornasse uma "verdade indestrutível" e perpetuasse, para além de Cronos, a viagem de Eros.
Uma viagem lírica, em que a beleza do efeito rítmico-sonoro a todo momento nos relembra as melhores realizações da poesia lírica, dos cancioneiros ao hoje. Uma viagem de sensibilidade que nos penetra mansamente, à maneira do amor, e outras vezes avidamente, à maneira da paixão.
Esta obra do poeta cearense Roberto Pontes, que tece o amor no traço do homem e do nome, se apresenta como uma das melhores realizações da poesia lírica contemporânea. E, acredito e desejo, ocupará seu lugar.
LÚCIA HELENA é Mestre em Teoria Literária e Doutora em Letras
pela UFRJ. Professora de Literatura da Universidade Federal
Fluminense e de Teoria da Literatura na UFRJ. Professora
conferencista nas Universidades de Lisboa (Portugal),
Pavia e Bérgamo (Itália). Ensaísta e crítica literária tem
colaborado com publicações especializadas, entre as quais:
revista Colóquio/Letras (Portugal); Revista de Cultura Vozes
Petróplis/RJ) e Revista Tempo Brasileiro (RJ). É autora de
A Cosmo-Agonia de Augusto dos Anjos (Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro),
Uma Literatura Antropofágica (Rio de Janeiro/Brasília: Cátedra/INL, 1982)
e Modernismo Brasileiro e Vanguarda (São Paulo: Ática, 1996).
833
Renato Russo
O mundo anda tão complicado
Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperta o passo, por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez
Vem cá meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você
Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
A mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som
Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com o meu jeito
Agora que temos nossa casa
É a chave que sempre esqueço
Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um pro outro:
- Estou com sono, vamos dormir !
Vem cá meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você
Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança do seu mundo
Por amor
Por amor
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperta o passo, por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez
Vem cá meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você
Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
A mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som
Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com o meu jeito
Agora que temos nossa casa
É a chave que sempre esqueço
Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um pro outro:
- Estou com sono, vamos dormir !
Vem cá meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você
Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança do seu mundo
Por amor
Por amor
1 553
Renato Russo
O teatro dos vampiros
Sempre precisei de um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto
E destes dias tão estranhos
Fica a poeira se escondendo pelos cantos
Este é o nosso mundo:
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez é sempre a última chance
Ninguém vê onde chegamos
Os assassinos estão livres, nós não estamos
Vamos sair - mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas
Vamos lá, tudo bem - eu só quero me divertir
Esquecer, dessa noite ter um lugar legal prá ir
Já entregamos o alvo e a artilharia
Comparamos nossas vidas
E esperamos que um dia
Nossas vidas possam se encontrar
Quando me vi tendo de viver comigo apenas
E com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo, eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir
Comparamos nossas vidas
E mesmo assim, não tenho pena de ninguém
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto
E destes dias tão estranhos
Fica a poeira se escondendo pelos cantos
Este é o nosso mundo:
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez é sempre a última chance
Ninguém vê onde chegamos
Os assassinos estão livres, nós não estamos
Vamos sair - mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas
Vamos lá, tudo bem - eu só quero me divertir
Esquecer, dessa noite ter um lugar legal prá ir
Já entregamos o alvo e a artilharia
Comparamos nossas vidas
E esperamos que um dia
Nossas vidas possam se encontrar
Quando me vi tendo de viver comigo apenas
E com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo, eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir
Comparamos nossas vidas
E mesmo assim, não tenho pena de ninguém
1 656
Renata Trocoli
Sem Titulo IV
Quando sentimos em nosso coração
um palpitar diferente,
uma alegria extasiante,
uma ansiedade insuportável e forte
Deixemos que os sentimentos
tomem conta de nosso corpo.
Escutar uma voz, sentir um carinho,
ter vontade de ver, tocar, estar sempre ao lado,
ser amado... isto sim é prazer real e total...
O amor não é pedir,
é saber dar e estar preparado a receber.
É receber e ter a consciência de devolver,
com a mesma intensidade e atenção.
Então, nós amantes e amados,
possamos aprender a acreditar no amor,
acreditar que ele é luz e calor
que é alimento e força,
que é pureza e ingenuidade...
um palpitar diferente,
uma alegria extasiante,
uma ansiedade insuportável e forte
Deixemos que os sentimentos
tomem conta de nosso corpo.
Escutar uma voz, sentir um carinho,
ter vontade de ver, tocar, estar sempre ao lado,
ser amado... isto sim é prazer real e total...
O amor não é pedir,
é saber dar e estar preparado a receber.
É receber e ter a consciência de devolver,
com a mesma intensidade e atenção.
Então, nós amantes e amados,
possamos aprender a acreditar no amor,
acreditar que ele é luz e calor
que é alimento e força,
que é pureza e ingenuidade...
757
Renata Trocoli
Moreno
L5 vem meu amor chegando.
Ele veio para me envolver em seus braTos,
me pegar no colo, me beijar com carinho,
me enlouquecer os desejos como sS ele sabe fazer.
L5 vem ele chegando pertinho,
me olhando e me tocando devagarinho.
Com sua pele morena, seus olhos t2o negros
e seus l5bios macios.
Sua voz me embala,
e me abraTando me diz com ternura
que me ama e que me quer sS pra ele...
Como se eu quisesse ser de mais outro algu0m!!!
E quando ele sorri!??
N2o h5 nada mais lindo que seu sorriso!
Um sorriso sincero e delicado,
que ilumina seu rosto...
Esse rosto de um doce menino,
que esconde bem dentro de seu olhar
a malCcia de algu0m que
n2o mais um menino 0.
Vem ent2o ele a me amar
como nunca algu0m foi capaz.
E me envolve com esse carinho diferente
que sS ele sabe me dar!
Ele veio para me envolver em seus braTos,
me pegar no colo, me beijar com carinho,
me enlouquecer os desejos como sS ele sabe fazer.
L5 vem ele chegando pertinho,
me olhando e me tocando devagarinho.
Com sua pele morena, seus olhos t2o negros
e seus l5bios macios.
Sua voz me embala,
e me abraTando me diz com ternura
que me ama e que me quer sS pra ele...
Como se eu quisesse ser de mais outro algu0m!!!
E quando ele sorri!??
N2o h5 nada mais lindo que seu sorriso!
Um sorriso sincero e delicado,
que ilumina seu rosto...
Esse rosto de um doce menino,
que esconde bem dentro de seu olhar
a malCcia de algu0m que
n2o mais um menino 0.
Vem ent2o ele a me amar
como nunca algu0m foi capaz.
E me envolve com esse carinho diferente
que sS ele sabe me dar!
1 052
Renata Trocoli
Sem Titulo VIII
Você foi a luz que iluminou meu mundo.
Você foi o doce remédio que curou meu medo do escuro,
da dor, do amor, da noite, da vida.
Você foi o grande amor que nunca tive e sempre sonhei ter.
Meus sentimentos não mudaram por ti meu amor,
mas a vida tirou tuas doces carícias da minha convivência,
tua suave presença do meu caminho.
Por que a vida parece tão sem sentido agora?
Tuas palavras me iluminaram as noites escuras
e me encheram de belos sonhos de amor.
Amor que tive por ti, meu delicado príncipe.
Você foi o doce remédio que curou meu medo do escuro,
da dor, do amor, da noite, da vida.
Você foi o grande amor que nunca tive e sempre sonhei ter.
Meus sentimentos não mudaram por ti meu amor,
mas a vida tirou tuas doces carícias da minha convivência,
tua suave presença do meu caminho.
Por que a vida parece tão sem sentido agora?
Tuas palavras me iluminaram as noites escuras
e me encheram de belos sonhos de amor.
Amor que tive por ti, meu delicado príncipe.
800
Roque da Silva Ferreira
Haicai
Marinha
farol da barra
clareia um barco na areia
que a maré agarra...
Atração
Há uma estrela boa
no olhar que me faz lembrar
uma ave que voa...
farol da barra
clareia um barco na areia
que a maré agarra...
Atração
Há uma estrela boa
no olhar que me faz lembrar
uma ave que voa...
905
Raul Seixas
Apesar dos Pesares
Vou gostar de você
Como gosto do mar
Mergulhar em você
Me perder
Me encontrar
Ai, como é linda essa vida
Apesar da miséria
Apesar dessa fome
Aquele beijo com gosto de coca
O meu coração bate e toca
Vale a pena viver.
Como gosto do mar
Mergulhar em você
Me perder
Me encontrar
Ai, como é linda essa vida
Apesar da miséria
Apesar dessa fome
Aquele beijo com gosto de coca
O meu coração bate e toca
Vale a pena viver.
2 020
Renata Trocoli
Sem Titulo III
Seus olhos sorriem ao encontrar os meus.
Seu sorriso tão lindo e doce
me faz te amar cada vez mais
e desejar que nunca deixe de sorrir para mim.
Sua pele tão clara, faz com que minhas mãos desejem
tocar seu rosto cada vez que te vejo.
Seus lábios tão macios
tocam os meus com delicadeza e carinho
que só quero sentir de você, sempre.
Suas mãos carinhosas tocam meu rosto.
Suas palavras doces
fazem meu coração palpitar de alegria
e meu peito doer de tanto amor que sinto por você
... AH! como te amo!!!
O amor que sinto por você
é puro, inocente e despreparado.
É uma leve brisa que me envolve
fazendo sorrir e suspirar
a cada lembrança, a cada momento vivido.
Meus olhos enchem-se de lágrimas
ao lembrar de nossos sonhos e desejos
Mas nunca com tristeza, sempre com carinho, amor e desejo
de encontrar seus olhos novamente, sentir seu abraço,
tocar seus cabelos macios, ver o sorriso doce
em seu lindo rosto, tocá-lo...
A vida proporciona emoções e sensações divinas!
Desejo que este momento nunca se acabe...
Que dure enquanto te amar deste jeito...
Seu sorriso tão lindo e doce
me faz te amar cada vez mais
e desejar que nunca deixe de sorrir para mim.
Sua pele tão clara, faz com que minhas mãos desejem
tocar seu rosto cada vez que te vejo.
Seus lábios tão macios
tocam os meus com delicadeza e carinho
que só quero sentir de você, sempre.
Suas mãos carinhosas tocam meu rosto.
Suas palavras doces
fazem meu coração palpitar de alegria
e meu peito doer de tanto amor que sinto por você
... AH! como te amo!!!
O amor que sinto por você
é puro, inocente e despreparado.
É uma leve brisa que me envolve
fazendo sorrir e suspirar
a cada lembrança, a cada momento vivido.
Meus olhos enchem-se de lágrimas
ao lembrar de nossos sonhos e desejos
Mas nunca com tristeza, sempre com carinho, amor e desejo
de encontrar seus olhos novamente, sentir seu abraço,
tocar seus cabelos macios, ver o sorriso doce
em seu lindo rosto, tocá-lo...
A vida proporciona emoções e sensações divinas!
Desejo que este momento nunca se acabe...
Que dure enquanto te amar deste jeito...
974
Renata Trocoli
Princesa dos cabelos negros
Princesa dos cabelos negros,
compridos e perfumados.
Venha at0 mim,
me abraTa e
me ama como se fosse teu nico amor,
teu nico anseio.
AbraTa-me com forTa
e me mostra o caminho do amor.
Caminho este de alegria e suavidade ...
Suavidade de tua pele branca,
doce, perfumada de jasmim.
Toca com tuas pequeninas m2os meu rosto,
me faz um carinho e
me beija com teus l5bios macios.
Deseja me amar para sempre
E este sempre durara
enquanto estiver a meu lado
O Linda Princesa
dos cabelos negros.
compridos e perfumados.
Venha at0 mim,
me abraTa e
me ama como se fosse teu nico amor,
teu nico anseio.
AbraTa-me com forTa
e me mostra o caminho do amor.
Caminho este de alegria e suavidade ...
Suavidade de tua pele branca,
doce, perfumada de jasmim.
Toca com tuas pequeninas m2os meu rosto,
me faz um carinho e
me beija com teus l5bios macios.
Deseja me amar para sempre
E este sempre durara
enquanto estiver a meu lado
O Linda Princesa
dos cabelos negros.
1 119
Renata Trocoli
Teu Amor
Como uma luz aquecida e suave
Senti teu amor chegando para me presentear.
Teus olhos transmitem carinho.
Tua boca me fala de mansinho
tudo que eu sempre quis escutar.
Tuas m2os me tocam com ternura,
meu rosto, meus cabelos, minhas m2os.
Teu doce beijo acaricia meus l5bios
com teus olhos fixos aos meus.
Esse amor 0 novo e puro.
Chegou devagar, me conquistou com ternura.
Tu me envolves com teus abraTos
apertados e amorosos.
E me enche de medo de perder-te ainda mais uma vez.
Perder teus carinhos,
teus olhares,
tua boca,
tuas palavras
e teu amor ...
Amor este que me renova a alma,
e me d5 esperanTas de viver alegre
e sonhando sempre com tua doce presenTa.
A vida nem sempre atende nossos pedidos
de amor e felicidade.
Mas peTo com todo coraT2o que ela me abenToe
com tua presenTa a meu lado sempre.
Me dando carinho e um amor t2o puro
e doce que sentimentos juntos dentro de nossos coraTes.
Este amor vem de longe,
vem do alto e 0 benT2o dos c0us.
+ perfeito e verdadeiro,
0 sentimento que n2o se sente por qualquer um,
que n2o brinca com o coraT2o
mas que envolve a alma e o corpo
como brisa suave e morna que sopra do mar.
Senti teu amor chegando para me presentear.
Teus olhos transmitem carinho.
Tua boca me fala de mansinho
tudo que eu sempre quis escutar.
Tuas m2os me tocam com ternura,
meu rosto, meus cabelos, minhas m2os.
Teu doce beijo acaricia meus l5bios
com teus olhos fixos aos meus.
Esse amor 0 novo e puro.
Chegou devagar, me conquistou com ternura.
Tu me envolves com teus abraTos
apertados e amorosos.
E me enche de medo de perder-te ainda mais uma vez.
Perder teus carinhos,
teus olhares,
tua boca,
tuas palavras
e teu amor ...
Amor este que me renova a alma,
e me d5 esperanTas de viver alegre
e sonhando sempre com tua doce presenTa.
A vida nem sempre atende nossos pedidos
de amor e felicidade.
Mas peTo com todo coraT2o que ela me abenToe
com tua presenTa a meu lado sempre.
Me dando carinho e um amor t2o puro
e doce que sentimentos juntos dentro de nossos coraTes.
Este amor vem de longe,
vem do alto e 0 benT2o dos c0us.
+ perfeito e verdadeiro,
0 sentimento que n2o se sente por qualquer um,
que n2o brinca com o coraT2o
mas que envolve a alma e o corpo
como brisa suave e morna que sopra do mar.
996
Renato Russo
O passeio da Boa Vista
O Descobrimento do Brasil
Ela me disse que trabalha no Correio
E que namora um menino eletricista
- Estou pensando em casamento
Mas não quero me casar
Quem modelou teu rosto ?
Quem viu tua alma entrando ?
Quem viu tua alma entrar ?
Quem são teus inimigos ?
Quem é de tua cria ?
A professora Adélia,
A tia Edilamar
E a tia Esperança
Será que você vai saber
O quanto penso em você com o meu coração ?
Quem está agora a teu lado ?
Quem para sempre está ?
Quem para sempre estará ?
Ela me disse que trabalha no Correio
E que namora um menino eletricista
As famílias se conhecem bem
E são amigas nesta vida
- A gente quer é um lugar prá gente
A gente quer é de papel passado
Com festa, bolo e brigadeiro
A gente quer um canto sossegado
A gente quer um canto de sossego
- Estou pensando em casamento
Mainda não posso me casar
Eu sou rapaz direito
E fui escolhido pela menina mais bonita
Ela me disse que trabalha no Correio
E que namora um menino eletricista
- Estou pensando em casamento
Mas não quero me casar
Quem modelou teu rosto ?
Quem viu tua alma entrando ?
Quem viu tua alma entrar ?
Quem são teus inimigos ?
Quem é de tua cria ?
A professora Adélia,
A tia Edilamar
E a tia Esperança
Será que você vai saber
O quanto penso em você com o meu coração ?
Quem está agora a teu lado ?
Quem para sempre está ?
Quem para sempre estará ?
Ela me disse que trabalha no Correio
E que namora um menino eletricista
As famílias se conhecem bem
E são amigas nesta vida
- A gente quer é um lugar prá gente
A gente quer é de papel passado
Com festa, bolo e brigadeiro
A gente quer um canto sossegado
A gente quer um canto de sossego
- Estou pensando em casamento
Mainda não posso me casar
Eu sou rapaz direito
E fui escolhido pela menina mais bonita
1 469
Roberto Pontes
O Deputado Discurso de Memória Corporal
por Luiz F. Papi
Quando o amor faz dos amantes os "animais enternecidos"de que nos fala o poeta cearense Roberto Pontes em Memória Corporal, esse achado elide a conotação antitética que em outro contexto estaria evidente. E isto ocorre simplesmente porque o amor, tal como o poeta o concebe e revitaliza literariamente, confere ao homem, enquanto bicho-amante, a mais completa e diversificada dimensão humanista. A depuradíssima imagem do enternecimento do animal-homem – uma entre muitas mais – como que sintetiza em seu despojamento calidoscópico metafórico de um discurso que dispensa, por desnecessários, os suportes da veemência usual e convencional dos poemas de amor. O reparo não equivale a repúdio aos que sabem exercitar a veemência de seus arroubos, mas não resta dúvida de que a ruptura aqui assinalada se opera em proveito de uma expressividade de elegância substantiva e sóbria. E não se trata de mera contenção verbal, já que o poeta assume o risco de fazer sua Memória Corporal fluir em liberdade, dentro dos condutos líricos que armou para "esta reflexão amadurecida e vivenciada sobre o amor", conforme escreve Carlos d’Alge nas abas da capa deste livro primorosamente ilustrado por Ana e Paulo Brandão.
O valor do texto de Roberto Pontes está realmente na força da palavra, na versátil inventiva e na amplitude dada ao velho tema. Sente-se, por exemplo, o pulsar do poema nesta confissão do poeta: "Quando me afoguei na região das termas/ bebi da mais profunda natureza." Mas o panteísmo não é o limite da amplitude do projeto poético do autor. Ele vai mais longe na escalada lírica e tece ainda segundo Carlos d’Alge – "um canto geral de integração e de ternura, de paz e realização humana". Tanto quanto a música, como queria Shakespeare, Roberto Pontes quer também a poesia como alimento do amor. E esse alimento ele o distribui sem apelar para a linguagem hiperbólica tão cara aos amantes. Curiosamente até, em certos passos de Memória Corporal o amor se nutre de poesia numa atmosfera de forte realismo imagístico, como no poema "Faltando Leite, Faltando Pão". Daí não ser "excessivo afirmar – com Lúcia helena no prefácio-ensaio intitulado "Sutil Tecido de Sal e Concha" – que a personagem central deste texto desejante é Eros, captado em todos os seus poros e latências".
Roberto Pontes iniciou-se na literatura nos anos 60 através do Grupo SIN (de sincretismo) e teve seu primeiro livro de poesia, Contracanto, publicado em Fortaleza pela Edições SIN, em 1968. O Grupo SIN, fundado por ele, Pedro Lyra, Horácio Dídimo, Linhares Filho e Rogério Bessa, desfez-se em 1969, porém marcou sua efêmera presença com a publicação de uma Sinantologia, reunindo aqueles poetas e alguns outros que haviam aderido ao movimento, cuja meta era a renovação das letras cearenses.
Em 1970 Roberto Pontes teve editado pela Imprensa Universitária do Ceará o volume Lições de Espaço – Teletipos, Módulos e Quânticas, um poema longo que naquele ano conquistou o Prêmio Universidade Federal do ceará. Ainda em 1970 o poeta publica o ensaio Vanguarda Brasileira: Introdução e tese, com que obtém o Pêmio Esso-Jornal de Letras, e no ano seguinte ganha em Brasília o Prêmio Fundação Nacional dos Garimpeiros com o poema Garimpo.
LUIZ F. PAPI é jornalista, poeta, tradutor e crítico.
Por muitos anos militou em O Globo e atualmente
trabalha na agência de notícias UPI. É autor de Arado Branco
(1957), livro apreendido pelos órgãos da repressão, em 1964,
no Rio de Janeiro; Poemas do Ofício (1964), Os Artífices (1967)
Este Ofício (1976) , e Desarvorárvore (1982) , todos de poesia.
Cartilha Anticrítica (1979) reúne artigos literários publicados
em vários órgãos da imprensa brasileira. Traduziu Konstantin Fédin,
Mikhail Cholokov, Jorge Icaza e Juan José Arreola. Militante
político do antigo Partido Comunista Brasileiro, seu nome figura
no mesmo inquérito do DOPS em que também está o de Graciliano Ramos.
Quando o amor faz dos amantes os "animais enternecidos"de que nos fala o poeta cearense Roberto Pontes em Memória Corporal, esse achado elide a conotação antitética que em outro contexto estaria evidente. E isto ocorre simplesmente porque o amor, tal como o poeta o concebe e revitaliza literariamente, confere ao homem, enquanto bicho-amante, a mais completa e diversificada dimensão humanista. A depuradíssima imagem do enternecimento do animal-homem – uma entre muitas mais – como que sintetiza em seu despojamento calidoscópico metafórico de um discurso que dispensa, por desnecessários, os suportes da veemência usual e convencional dos poemas de amor. O reparo não equivale a repúdio aos que sabem exercitar a veemência de seus arroubos, mas não resta dúvida de que a ruptura aqui assinalada se opera em proveito de uma expressividade de elegância substantiva e sóbria. E não se trata de mera contenção verbal, já que o poeta assume o risco de fazer sua Memória Corporal fluir em liberdade, dentro dos condutos líricos que armou para "esta reflexão amadurecida e vivenciada sobre o amor", conforme escreve Carlos d’Alge nas abas da capa deste livro primorosamente ilustrado por Ana e Paulo Brandão.
O valor do texto de Roberto Pontes está realmente na força da palavra, na versátil inventiva e na amplitude dada ao velho tema. Sente-se, por exemplo, o pulsar do poema nesta confissão do poeta: "Quando me afoguei na região das termas/ bebi da mais profunda natureza." Mas o panteísmo não é o limite da amplitude do projeto poético do autor. Ele vai mais longe na escalada lírica e tece ainda segundo Carlos d’Alge – "um canto geral de integração e de ternura, de paz e realização humana". Tanto quanto a música, como queria Shakespeare, Roberto Pontes quer também a poesia como alimento do amor. E esse alimento ele o distribui sem apelar para a linguagem hiperbólica tão cara aos amantes. Curiosamente até, em certos passos de Memória Corporal o amor se nutre de poesia numa atmosfera de forte realismo imagístico, como no poema "Faltando Leite, Faltando Pão". Daí não ser "excessivo afirmar – com Lúcia helena no prefácio-ensaio intitulado "Sutil Tecido de Sal e Concha" – que a personagem central deste texto desejante é Eros, captado em todos os seus poros e latências".
Roberto Pontes iniciou-se na literatura nos anos 60 através do Grupo SIN (de sincretismo) e teve seu primeiro livro de poesia, Contracanto, publicado em Fortaleza pela Edições SIN, em 1968. O Grupo SIN, fundado por ele, Pedro Lyra, Horácio Dídimo, Linhares Filho e Rogério Bessa, desfez-se em 1969, porém marcou sua efêmera presença com a publicação de uma Sinantologia, reunindo aqueles poetas e alguns outros que haviam aderido ao movimento, cuja meta era a renovação das letras cearenses.
Em 1970 Roberto Pontes teve editado pela Imprensa Universitária do Ceará o volume Lições de Espaço – Teletipos, Módulos e Quânticas, um poema longo que naquele ano conquistou o Prêmio Universidade Federal do ceará. Ainda em 1970 o poeta publica o ensaio Vanguarda Brasileira: Introdução e tese, com que obtém o Pêmio Esso-Jornal de Letras, e no ano seguinte ganha em Brasília o Prêmio Fundação Nacional dos Garimpeiros com o poema Garimpo.
LUIZ F. PAPI é jornalista, poeta, tradutor e crítico.
Por muitos anos militou em O Globo e atualmente
trabalha na agência de notícias UPI. É autor de Arado Branco
(1957), livro apreendido pelos órgãos da repressão, em 1964,
no Rio de Janeiro; Poemas do Ofício (1964), Os Artífices (1967)
Este Ofício (1976) , e Desarvorárvore (1982) , todos de poesia.
Cartilha Anticrítica (1979) reúne artigos literários publicados
em vários órgãos da imprensa brasileira. Traduziu Konstantin Fédin,
Mikhail Cholokov, Jorge Icaza e Juan José Arreola. Militante
político do antigo Partido Comunista Brasileiro, seu nome figura
no mesmo inquérito do DOPS em que também está o de Graciliano Ramos.
1 207
Renato Russo
Vamos fazer um filme
Achei um 3x4 teu e não quis acreditar
Que tinha sido há tanto tempo atrás
Um exemplo de bondade e respeito
Do que o verdadeiro amor é capaz
A minha escola não tem personagem
A minha escola tem gente de verdade
Alguém falou do fim-do-mundo
O fim-do-mundo já passou
Vamos começar de novo:
Um por todos, todos por um
- O sistema é maus, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme
E hoje em dia, como é que se diz: "- Eu te amo" ?
Sem essa de que: "- Estou sozinho"
Somos muito mais que isso
Somos pinguim, somos golfinho
Homem, sereia e beija-flor
Leão, leoa e leão-marinho
Eu preciso e quero ter carinho, liberdade e respeito
Chega de opressão
Quero viver a minha vida em paz
Quero um milhão de amigos
Quero irmãos e irmãs
Deve ser cisma minha
Mas a única maneira ainda
De imaginar a minha vida
É vê-la como um musical dos anos trinta
E no meio de uma depressão
Te ver e ter beleza e fantasia
E hoje em dia, como é que se diz: "- Eu te amo" ?
Vamos fazer um filme
Eu te amo
Eu te amo
Eu te amo
Que tinha sido há tanto tempo atrás
Um exemplo de bondade e respeito
Do que o verdadeiro amor é capaz
A minha escola não tem personagem
A minha escola tem gente de verdade
Alguém falou do fim-do-mundo
O fim-do-mundo já passou
Vamos começar de novo:
Um por todos, todos por um
- O sistema é maus, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme
E hoje em dia, como é que se diz: "- Eu te amo" ?
Sem essa de que: "- Estou sozinho"
Somos muito mais que isso
Somos pinguim, somos golfinho
Homem, sereia e beija-flor
Leão, leoa e leão-marinho
Eu preciso e quero ter carinho, liberdade e respeito
Chega de opressão
Quero viver a minha vida em paz
Quero um milhão de amigos
Quero irmãos e irmãs
Deve ser cisma minha
Mas a única maneira ainda
De imaginar a minha vida
É vê-la como um musical dos anos trinta
E no meio de uma depressão
Te ver e ter beleza e fantasia
E hoje em dia, como é que se diz: "- Eu te amo" ?
Vamos fazer um filme
Eu te amo
Eu te amo
Eu te amo
1 163
Raul Seixas
Esse Negodiamô
Sem concepção de tempo,
O papel já terminou
Você vê que nada ficou
Sem poder dormir você pensa em fugir
Mas não há pra onde ir
Lá trancado no porão
Que é escuro mas é clara sua visão
Daquilo que você tanto esperou
Não passava de um sonho
Sobre esse negócio de amor
Doeu na hora que você acordou
Ao som agudo de um despertador
Mais barulhento que o apito
Do guarda abrindo o sinal.
Você procura entender,
Sabendo que não há porquê
Tudo é apenas o que é
Vai morrendo firme em pé
Você vê que não sabe de nada
Você louco e ela calada
Ela foi linda e clara esta noite
Inevitável, claro o açoite
E a dor foi mais que demais
Tudo que cê aprendeu desde que você nasceu
Embora sempre cê desconfiou
Que a gente é gente e é isso aí
Mas no entanto cê esperou
Sei lá, um milagre ou coisa assim
De repente o punhal
Mostrando as frestas do que é
Aí se entende o que é morrer
Estando vivo pra saber
Que cê não passa de um guri
Sua mente flashbacka atrás
aos catorze anos ou pouco mais
As meninas coloridas de batom
de rouge de risadinhas freteiras
Eram todas tão iguais
Sempre elas e sempre o rapaz
Transbordando de amor
Preferi ser escritor sem mesmo sequer saber
Que eu também queria amor
Como um susto bem pregado
De repente vi que tinha esse negócio mesmo
De estar apaixonado
Vi o mundo do outro lado
Tudo tão certo e tudo tão errado
O papel já terminou
Você vê que nada ficou
Sem poder dormir você pensa em fugir
Mas não há pra onde ir
Lá trancado no porão
Que é escuro mas é clara sua visão
Daquilo que você tanto esperou
Não passava de um sonho
Sobre esse negócio de amor
Doeu na hora que você acordou
Ao som agudo de um despertador
Mais barulhento que o apito
Do guarda abrindo o sinal.
Você procura entender,
Sabendo que não há porquê
Tudo é apenas o que é
Vai morrendo firme em pé
Você vê que não sabe de nada
Você louco e ela calada
Ela foi linda e clara esta noite
Inevitável, claro o açoite
E a dor foi mais que demais
Tudo que cê aprendeu desde que você nasceu
Embora sempre cê desconfiou
Que a gente é gente e é isso aí
Mas no entanto cê esperou
Sei lá, um milagre ou coisa assim
De repente o punhal
Mostrando as frestas do que é
Aí se entende o que é morrer
Estando vivo pra saber
Que cê não passa de um guri
Sua mente flashbacka atrás
aos catorze anos ou pouco mais
As meninas coloridas de batom
de rouge de risadinhas freteiras
Eram todas tão iguais
Sempre elas e sempre o rapaz
Transbordando de amor
Preferi ser escritor sem mesmo sequer saber
Que eu também queria amor
Como um susto bem pregado
De repente vi que tinha esse negócio mesmo
De estar apaixonado
Vi o mundo do outro lado
Tudo tão certo e tudo tão errado
1 066
Romulo Gouvêa
Eu estou aqui
Eu estou aqui
sentado, pensando
do mesmo jeito que antes
nas mesmas coisas que antes
eu ficava, eu pensava.
Do jeito que você deixou
mas com uma coisa diferente
a certeza de não estar doente
foi só isto que mudou.
Eu estou aqui
te amando, te observando
do mesmo jeito que antes
nas mesmas coisas que antes
eu te amava, eu te observava.
Da forma que você largou
nada nasce de repente
há muita coisa entre a gente
o meu amor aumentou.
Eu estou aqui
sentado, te amando,
pensando, te observando.
Esperando.
sentado, pensando
do mesmo jeito que antes
nas mesmas coisas que antes
eu ficava, eu pensava.
Do jeito que você deixou
mas com uma coisa diferente
a certeza de não estar doente
foi só isto que mudou.
Eu estou aqui
te amando, te observando
do mesmo jeito que antes
nas mesmas coisas que antes
eu te amava, eu te observava.
Da forma que você largou
nada nasce de repente
há muita coisa entre a gente
o meu amor aumentou.
Eu estou aqui
sentado, te amando,
pensando, te observando.
Esperando.
1 066
Roberto Pontes
Pequenina e Frágil
Para Beth.
Porque és tão pequenina e frágil
És bela e me dás o sonho
Da trêmula luz de uma vela.
Te amo entre os lençóis na cama
As palavras do dicionário
O vento que assusta os coqueiros
E a esmeralda líquida do oceano.
E de manhã, quando na palha canta a primavera
É como se teu corpo modulasse para mim
E invadisse meu coração com as águas da felicidade.
Porque és tão pequenina e frágil
És bela e me dás o sonho
Da trêmula luz de uma vela.
Te amo entre os lençóis na cama
As palavras do dicionário
O vento que assusta os coqueiros
E a esmeralda líquida do oceano.
E de manhã, quando na palha canta a primavera
É como se teu corpo modulasse para mim
E invadisse meu coração com as águas da felicidade.
1 024
Roberto Pontes
O Cavaleiro e a Montanha
Mora em teu corpo
o corcel da glória
que só cavalga
às madrugadas frias,
mas rápido e luzente
espuma e transpira
sobre nosso amor.
E somos
o cavaleiro e a montada
que se confundem num abraço.
Mora em teu corpo
o corcel que me liberta
e só distende
nas madrugadas e auroras
músculos e trotes
para nosso baile.
E somos
sobre todas as cantatas
o próprio amor que percorremos juntos.
( In: jornal Correio das Artes. João Pessoa-PB, 05 dez. 1982 )
o corcel da glória
que só cavalga
às madrugadas frias,
mas rápido e luzente
espuma e transpira
sobre nosso amor.
E somos
o cavaleiro e a montada
que se confundem num abraço.
Mora em teu corpo
o corcel que me liberta
e só distende
nas madrugadas e auroras
músculos e trotes
para nosso baile.
E somos
sobre todas as cantatas
o próprio amor que percorremos juntos.
( In: jornal Correio das Artes. João Pessoa-PB, 05 dez. 1982 )
1 106