Poemas neste tema
Amor Romântico
Renato Russo
O passeio da Boa Vista
O Descobrimento do Brasil
Ela me disse que trabalha no Correio
E que namora um menino eletricista
- Estou pensando em casamento
Mas não quero me casar
Quem modelou teu rosto ?
Quem viu tua alma entrando ?
Quem viu tua alma entrar ?
Quem são teus inimigos ?
Quem é de tua cria ?
A professora Adélia,
A tia Edilamar
E a tia Esperança
Será que você vai saber
O quanto penso em você com o meu coração ?
Quem está agora a teu lado ?
Quem para sempre está ?
Quem para sempre estará ?
Ela me disse que trabalha no Correio
E que namora um menino eletricista
As famílias se conhecem bem
E são amigas nesta vida
- A gente quer é um lugar prá gente
A gente quer é de papel passado
Com festa, bolo e brigadeiro
A gente quer um canto sossegado
A gente quer um canto de sossego
- Estou pensando em casamento
Mainda não posso me casar
Eu sou rapaz direito
E fui escolhido pela menina mais bonita
Ela me disse que trabalha no Correio
E que namora um menino eletricista
- Estou pensando em casamento
Mas não quero me casar
Quem modelou teu rosto ?
Quem viu tua alma entrando ?
Quem viu tua alma entrar ?
Quem são teus inimigos ?
Quem é de tua cria ?
A professora Adélia,
A tia Edilamar
E a tia Esperança
Será que você vai saber
O quanto penso em você com o meu coração ?
Quem está agora a teu lado ?
Quem para sempre está ?
Quem para sempre estará ?
Ela me disse que trabalha no Correio
E que namora um menino eletricista
As famílias se conhecem bem
E são amigas nesta vida
- A gente quer é um lugar prá gente
A gente quer é de papel passado
Com festa, bolo e brigadeiro
A gente quer um canto sossegado
A gente quer um canto de sossego
- Estou pensando em casamento
Mainda não posso me casar
Eu sou rapaz direito
E fui escolhido pela menina mais bonita
1 479
Raul Seixas
Esse Negodiamô
Sem concepção de tempo,
O papel já terminou
Você vê que nada ficou
Sem poder dormir você pensa em fugir
Mas não há pra onde ir
Lá trancado no porão
Que é escuro mas é clara sua visão
Daquilo que você tanto esperou
Não passava de um sonho
Sobre esse negócio de amor
Doeu na hora que você acordou
Ao som agudo de um despertador
Mais barulhento que o apito
Do guarda abrindo o sinal.
Você procura entender,
Sabendo que não há porquê
Tudo é apenas o que é
Vai morrendo firme em pé
Você vê que não sabe de nada
Você louco e ela calada
Ela foi linda e clara esta noite
Inevitável, claro o açoite
E a dor foi mais que demais
Tudo que cê aprendeu desde que você nasceu
Embora sempre cê desconfiou
Que a gente é gente e é isso aí
Mas no entanto cê esperou
Sei lá, um milagre ou coisa assim
De repente o punhal
Mostrando as frestas do que é
Aí se entende o que é morrer
Estando vivo pra saber
Que cê não passa de um guri
Sua mente flashbacka atrás
aos catorze anos ou pouco mais
As meninas coloridas de batom
de rouge de risadinhas freteiras
Eram todas tão iguais
Sempre elas e sempre o rapaz
Transbordando de amor
Preferi ser escritor sem mesmo sequer saber
Que eu também queria amor
Como um susto bem pregado
De repente vi que tinha esse negócio mesmo
De estar apaixonado
Vi o mundo do outro lado
Tudo tão certo e tudo tão errado
O papel já terminou
Você vê que nada ficou
Sem poder dormir você pensa em fugir
Mas não há pra onde ir
Lá trancado no porão
Que é escuro mas é clara sua visão
Daquilo que você tanto esperou
Não passava de um sonho
Sobre esse negócio de amor
Doeu na hora que você acordou
Ao som agudo de um despertador
Mais barulhento que o apito
Do guarda abrindo o sinal.
Você procura entender,
Sabendo que não há porquê
Tudo é apenas o que é
Vai morrendo firme em pé
Você vê que não sabe de nada
Você louco e ela calada
Ela foi linda e clara esta noite
Inevitável, claro o açoite
E a dor foi mais que demais
Tudo que cê aprendeu desde que você nasceu
Embora sempre cê desconfiou
Que a gente é gente e é isso aí
Mas no entanto cê esperou
Sei lá, um milagre ou coisa assim
De repente o punhal
Mostrando as frestas do que é
Aí se entende o que é morrer
Estando vivo pra saber
Que cê não passa de um guri
Sua mente flashbacka atrás
aos catorze anos ou pouco mais
As meninas coloridas de batom
de rouge de risadinhas freteiras
Eram todas tão iguais
Sempre elas e sempre o rapaz
Transbordando de amor
Preferi ser escritor sem mesmo sequer saber
Que eu também queria amor
Como um susto bem pregado
De repente vi que tinha esse negócio mesmo
De estar apaixonado
Vi o mundo do outro lado
Tudo tão certo e tudo tão errado
1 077
Roberto Pontes
O Deputado Discurso de Memória Corporal
por Luiz F. Papi
Quando o amor faz dos amantes os "animais enternecidos"de que nos fala o poeta cearense Roberto Pontes em Memória Corporal, esse achado elide a conotação antitética que em outro contexto estaria evidente. E isto ocorre simplesmente porque o amor, tal como o poeta o concebe e revitaliza literariamente, confere ao homem, enquanto bicho-amante, a mais completa e diversificada dimensão humanista. A depuradíssima imagem do enternecimento do animal-homem – uma entre muitas mais – como que sintetiza em seu despojamento calidoscópico metafórico de um discurso que dispensa, por desnecessários, os suportes da veemência usual e convencional dos poemas de amor. O reparo não equivale a repúdio aos que sabem exercitar a veemência de seus arroubos, mas não resta dúvida de que a ruptura aqui assinalada se opera em proveito de uma expressividade de elegância substantiva e sóbria. E não se trata de mera contenção verbal, já que o poeta assume o risco de fazer sua Memória Corporal fluir em liberdade, dentro dos condutos líricos que armou para "esta reflexão amadurecida e vivenciada sobre o amor", conforme escreve Carlos d’Alge nas abas da capa deste livro primorosamente ilustrado por Ana e Paulo Brandão.
O valor do texto de Roberto Pontes está realmente na força da palavra, na versátil inventiva e na amplitude dada ao velho tema. Sente-se, por exemplo, o pulsar do poema nesta confissão do poeta: "Quando me afoguei na região das termas/ bebi da mais profunda natureza." Mas o panteísmo não é o limite da amplitude do projeto poético do autor. Ele vai mais longe na escalada lírica e tece ainda segundo Carlos d’Alge – "um canto geral de integração e de ternura, de paz e realização humana". Tanto quanto a música, como queria Shakespeare, Roberto Pontes quer também a poesia como alimento do amor. E esse alimento ele o distribui sem apelar para a linguagem hiperbólica tão cara aos amantes. Curiosamente até, em certos passos de Memória Corporal o amor se nutre de poesia numa atmosfera de forte realismo imagístico, como no poema "Faltando Leite, Faltando Pão". Daí não ser "excessivo afirmar – com Lúcia helena no prefácio-ensaio intitulado "Sutil Tecido de Sal e Concha" – que a personagem central deste texto desejante é Eros, captado em todos os seus poros e latências".
Roberto Pontes iniciou-se na literatura nos anos 60 através do Grupo SIN (de sincretismo) e teve seu primeiro livro de poesia, Contracanto, publicado em Fortaleza pela Edições SIN, em 1968. O Grupo SIN, fundado por ele, Pedro Lyra, Horácio Dídimo, Linhares Filho e Rogério Bessa, desfez-se em 1969, porém marcou sua efêmera presença com a publicação de uma Sinantologia, reunindo aqueles poetas e alguns outros que haviam aderido ao movimento, cuja meta era a renovação das letras cearenses.
Em 1970 Roberto Pontes teve editado pela Imprensa Universitária do Ceará o volume Lições de Espaço – Teletipos, Módulos e Quânticas, um poema longo que naquele ano conquistou o Prêmio Universidade Federal do ceará. Ainda em 1970 o poeta publica o ensaio Vanguarda Brasileira: Introdução e tese, com que obtém o Pêmio Esso-Jornal de Letras, e no ano seguinte ganha em Brasília o Prêmio Fundação Nacional dos Garimpeiros com o poema Garimpo.
LUIZ F. PAPI é jornalista, poeta, tradutor e crítico.
Por muitos anos militou em O Globo e atualmente
trabalha na agência de notícias UPI. É autor de Arado Branco
(1957), livro apreendido pelos órgãos da repressão, em 1964,
no Rio de Janeiro; Poemas do Ofício (1964), Os Artífices (1967)
Este Ofício (1976) , e Desarvorárvore (1982) , todos de poesia.
Cartilha Anticrítica (1979) reúne artigos literários publicados
em vários órgãos da imprensa brasileira. Traduziu Konstantin Fédin,
Mikhail Cholokov, Jorge Icaza e Juan José Arreola. Militante
político do antigo Partido Comunista Brasileiro, seu nome figura
no mesmo inquérito do DOPS em que também está o de Graciliano Ramos.
Quando o amor faz dos amantes os "animais enternecidos"de que nos fala o poeta cearense Roberto Pontes em Memória Corporal, esse achado elide a conotação antitética que em outro contexto estaria evidente. E isto ocorre simplesmente porque o amor, tal como o poeta o concebe e revitaliza literariamente, confere ao homem, enquanto bicho-amante, a mais completa e diversificada dimensão humanista. A depuradíssima imagem do enternecimento do animal-homem – uma entre muitas mais – como que sintetiza em seu despojamento calidoscópico metafórico de um discurso que dispensa, por desnecessários, os suportes da veemência usual e convencional dos poemas de amor. O reparo não equivale a repúdio aos que sabem exercitar a veemência de seus arroubos, mas não resta dúvida de que a ruptura aqui assinalada se opera em proveito de uma expressividade de elegância substantiva e sóbria. E não se trata de mera contenção verbal, já que o poeta assume o risco de fazer sua Memória Corporal fluir em liberdade, dentro dos condutos líricos que armou para "esta reflexão amadurecida e vivenciada sobre o amor", conforme escreve Carlos d’Alge nas abas da capa deste livro primorosamente ilustrado por Ana e Paulo Brandão.
O valor do texto de Roberto Pontes está realmente na força da palavra, na versátil inventiva e na amplitude dada ao velho tema. Sente-se, por exemplo, o pulsar do poema nesta confissão do poeta: "Quando me afoguei na região das termas/ bebi da mais profunda natureza." Mas o panteísmo não é o limite da amplitude do projeto poético do autor. Ele vai mais longe na escalada lírica e tece ainda segundo Carlos d’Alge – "um canto geral de integração e de ternura, de paz e realização humana". Tanto quanto a música, como queria Shakespeare, Roberto Pontes quer também a poesia como alimento do amor. E esse alimento ele o distribui sem apelar para a linguagem hiperbólica tão cara aos amantes. Curiosamente até, em certos passos de Memória Corporal o amor se nutre de poesia numa atmosfera de forte realismo imagístico, como no poema "Faltando Leite, Faltando Pão". Daí não ser "excessivo afirmar – com Lúcia helena no prefácio-ensaio intitulado "Sutil Tecido de Sal e Concha" – que a personagem central deste texto desejante é Eros, captado em todos os seus poros e latências".
Roberto Pontes iniciou-se na literatura nos anos 60 através do Grupo SIN (de sincretismo) e teve seu primeiro livro de poesia, Contracanto, publicado em Fortaleza pela Edições SIN, em 1968. O Grupo SIN, fundado por ele, Pedro Lyra, Horácio Dídimo, Linhares Filho e Rogério Bessa, desfez-se em 1969, porém marcou sua efêmera presença com a publicação de uma Sinantologia, reunindo aqueles poetas e alguns outros que haviam aderido ao movimento, cuja meta era a renovação das letras cearenses.
Em 1970 Roberto Pontes teve editado pela Imprensa Universitária do Ceará o volume Lições de Espaço – Teletipos, Módulos e Quânticas, um poema longo que naquele ano conquistou o Prêmio Universidade Federal do ceará. Ainda em 1970 o poeta publica o ensaio Vanguarda Brasileira: Introdução e tese, com que obtém o Pêmio Esso-Jornal de Letras, e no ano seguinte ganha em Brasília o Prêmio Fundação Nacional dos Garimpeiros com o poema Garimpo.
LUIZ F. PAPI é jornalista, poeta, tradutor e crítico.
Por muitos anos militou em O Globo e atualmente
trabalha na agência de notícias UPI. É autor de Arado Branco
(1957), livro apreendido pelos órgãos da repressão, em 1964,
no Rio de Janeiro; Poemas do Ofício (1964), Os Artífices (1967)
Este Ofício (1976) , e Desarvorárvore (1982) , todos de poesia.
Cartilha Anticrítica (1979) reúne artigos literários publicados
em vários órgãos da imprensa brasileira. Traduziu Konstantin Fédin,
Mikhail Cholokov, Jorge Icaza e Juan José Arreola. Militante
político do antigo Partido Comunista Brasileiro, seu nome figura
no mesmo inquérito do DOPS em que também está o de Graciliano Ramos.
1 223
Renata Trocoli
Teu Amor
Como uma luz aquecida e suave
Senti teu amor chegando para me presentear.
Teus olhos transmitem carinho.
Tua boca me fala de mansinho
tudo que eu sempre quis escutar.
Tuas m2os me tocam com ternura,
meu rosto, meus cabelos, minhas m2os.
Teu doce beijo acaricia meus l5bios
com teus olhos fixos aos meus.
Esse amor 0 novo e puro.
Chegou devagar, me conquistou com ternura.
Tu me envolves com teus abraTos
apertados e amorosos.
E me enche de medo de perder-te ainda mais uma vez.
Perder teus carinhos,
teus olhares,
tua boca,
tuas palavras
e teu amor ...
Amor este que me renova a alma,
e me d5 esperanTas de viver alegre
e sonhando sempre com tua doce presenTa.
A vida nem sempre atende nossos pedidos
de amor e felicidade.
Mas peTo com todo coraT2o que ela me abenToe
com tua presenTa a meu lado sempre.
Me dando carinho e um amor t2o puro
e doce que sentimentos juntos dentro de nossos coraTes.
Este amor vem de longe,
vem do alto e 0 benT2o dos c0us.
+ perfeito e verdadeiro,
0 sentimento que n2o se sente por qualquer um,
que n2o brinca com o coraT2o
mas que envolve a alma e o corpo
como brisa suave e morna que sopra do mar.
Senti teu amor chegando para me presentear.
Teus olhos transmitem carinho.
Tua boca me fala de mansinho
tudo que eu sempre quis escutar.
Tuas m2os me tocam com ternura,
meu rosto, meus cabelos, minhas m2os.
Teu doce beijo acaricia meus l5bios
com teus olhos fixos aos meus.
Esse amor 0 novo e puro.
Chegou devagar, me conquistou com ternura.
Tu me envolves com teus abraTos
apertados e amorosos.
E me enche de medo de perder-te ainda mais uma vez.
Perder teus carinhos,
teus olhares,
tua boca,
tuas palavras
e teu amor ...
Amor este que me renova a alma,
e me d5 esperanTas de viver alegre
e sonhando sempre com tua doce presenTa.
A vida nem sempre atende nossos pedidos
de amor e felicidade.
Mas peTo com todo coraT2o que ela me abenToe
com tua presenTa a meu lado sempre.
Me dando carinho e um amor t2o puro
e doce que sentimentos juntos dentro de nossos coraTes.
Este amor vem de longe,
vem do alto e 0 benT2o dos c0us.
+ perfeito e verdadeiro,
0 sentimento que n2o se sente por qualquer um,
que n2o brinca com o coraT2o
mas que envolve a alma e o corpo
como brisa suave e morna que sopra do mar.
1 006
Renata Trocoli
Sem Titulo VIII
Você foi a luz que iluminou meu mundo.
Você foi o doce remédio que curou meu medo do escuro,
da dor, do amor, da noite, da vida.
Você foi o grande amor que nunca tive e sempre sonhei ter.
Meus sentimentos não mudaram por ti meu amor,
mas a vida tirou tuas doces carícias da minha convivência,
tua suave presença do meu caminho.
Por que a vida parece tão sem sentido agora?
Tuas palavras me iluminaram as noites escuras
e me encheram de belos sonhos de amor.
Amor que tive por ti, meu delicado príncipe.
Você foi o doce remédio que curou meu medo do escuro,
da dor, do amor, da noite, da vida.
Você foi o grande amor que nunca tive e sempre sonhei ter.
Meus sentimentos não mudaram por ti meu amor,
mas a vida tirou tuas doces carícias da minha convivência,
tua suave presença do meu caminho.
Por que a vida parece tão sem sentido agora?
Tuas palavras me iluminaram as noites escuras
e me encheram de belos sonhos de amor.
Amor que tive por ti, meu delicado príncipe.
811
Romulo Gouvêa
Uma cena
Uma cena.
Não sei se tinha cenário
não me lembro de cenário.
Não sei se tinha música ao fundo
não me lembro de música alguma.
Não era um ato, era uma cena
sem tempo.
Uma cena que se imprimiu
na minha memória para sempre.
Como um retrato, uma pintura
um instante que parou no espaço.
Eu a olhava, ela me olhava.
A nossa imagem dentro do nosso olhar.
E os dois ângulos desta cena,
em retinas diferentes,
eu pude ter de repente
juntos num só lugar,
numa cena que se imprimiu
na minha memória para sempre,
a cena do nosso olhar.
Não sei se tinha cenário
não me lembro de cenário.
Não sei se tinha música ao fundo
não me lembro de música alguma.
Não era um ato, era uma cena
sem tempo.
Uma cena que se imprimiu
na minha memória para sempre.
Como um retrato, uma pintura
um instante que parou no espaço.
Eu a olhava, ela me olhava.
A nossa imagem dentro do nosso olhar.
E os dois ângulos desta cena,
em retinas diferentes,
eu pude ter de repente
juntos num só lugar,
numa cena que se imprimiu
na minha memória para sempre,
a cena do nosso olhar.
916
Rogério F. P.
Como consegues, em tua mais pura inocência
Como consegues, em tua mais pura inocência
arrancares do meu peito toda a arrogância
e incoerência? Tu que transmutas e reflete
tudo, naquilo que é mais belo.
Todas as tristes vivências em minhalma
contidas lhe dão espaço, amada amiga.
Todo sofrimento e desventuras,
as mortes e amarguras
de nada significam
quando comparadas a ti...
Por seres bela, e mesmo
assim sincera,
por teres a beleza inspiradora
da mais bonita deusa,
a ti minha amada
me entrego agora...
E não me envergonho então
no mais ébrio céu de outono
a fazer-te declarações de amor
e lhe dizer que a amo!
arrancares do meu peito toda a arrogância
e incoerência? Tu que transmutas e reflete
tudo, naquilo que é mais belo.
Todas as tristes vivências em minhalma
contidas lhe dão espaço, amada amiga.
Todo sofrimento e desventuras,
as mortes e amarguras
de nada significam
quando comparadas a ti...
Por seres bela, e mesmo
assim sincera,
por teres a beleza inspiradora
da mais bonita deusa,
a ti minha amada
me entrego agora...
E não me envergonho então
no mais ébrio céu de outono
a fazer-te declarações de amor
e lhe dizer que a amo!
999
Romulo Gouvêa
Abstração
Há determinados momentos
em que penso em você.
Passo o tempo, divago,
montando os teus pedaços.
Recorto lembranças,
brinco com peças
de fácil encaixe
que se misturam e se separam.
Logo que te resgato
perco o foco da visão.
Busco o teu cheiro
no canto das minhas unhas.
Uso teus beijos, apelos, mensagens
teus ditos, segredos, olhares.
Uso tua boca, teus olhos
num sorriso.
Em determinados momentos
há um pensamento em você.
O tempo passa, monto teu retrato
com este material abstrato.
em que penso em você.
Passo o tempo, divago,
montando os teus pedaços.
Recorto lembranças,
brinco com peças
de fácil encaixe
que se misturam e se separam.
Logo que te resgato
perco o foco da visão.
Busco o teu cheiro
no canto das minhas unhas.
Uso teus beijos, apelos, mensagens
teus ditos, segredos, olhares.
Uso tua boca, teus olhos
num sorriso.
Em determinados momentos
há um pensamento em você.
O tempo passa, monto teu retrato
com este material abstrato.
916
Rogério F. P.
A Tanatus
Que gosto tem, no final da tarde, cálida criatura,
tornar-se a figura que assusta minhalma
dando fim a toda a minha calma,
e se afastar levando consigo a última parede do meu abrigo?
Seus olhos são archotes fumegantes de pavor.
Sua boca traz blasfêmias do inferno
mas, mesmo assim, pobre enfermo,
acendo pra você uma vela
em sinal de reverência.
Leve-me embora, já é tempo,
finda-se a hora.
O tempo escoa sobre os andrajos desse corpo imundo,
já pende a carne carcomida e ofereço-a a você, minha querida!
Tem a sua frente um adorador.
Leve-me, meu amor,
envolva-me em seus braços
e faça, finalmente, dessa existência demente
uma estátua posta no inferno!
tornar-se a figura que assusta minhalma
dando fim a toda a minha calma,
e se afastar levando consigo a última parede do meu abrigo?
Seus olhos são archotes fumegantes de pavor.
Sua boca traz blasfêmias do inferno
mas, mesmo assim, pobre enfermo,
acendo pra você uma vela
em sinal de reverência.
Leve-me embora, já é tempo,
finda-se a hora.
O tempo escoa sobre os andrajos desse corpo imundo,
já pende a carne carcomida e ofereço-a a você, minha querida!
Tem a sua frente um adorador.
Leve-me, meu amor,
envolva-me em seus braços
e faça, finalmente, dessa existência demente
uma estátua posta no inferno!
969
Roberto Pontes
O Cavaleiro e a Montanha
Mora em teu corpo
o corcel da glória
que só cavalga
às madrugadas frias,
mas rápido e luzente
espuma e transpira
sobre nosso amor.
E somos
o cavaleiro e a montada
que se confundem num abraço.
Mora em teu corpo
o corcel que me liberta
e só distende
nas madrugadas e auroras
músculos e trotes
para nosso baile.
E somos
sobre todas as cantatas
o próprio amor que percorremos juntos.
( In: jornal Correio das Artes. João Pessoa-PB, 05 dez. 1982 )
o corcel da glória
que só cavalga
às madrugadas frias,
mas rápido e luzente
espuma e transpira
sobre nosso amor.
E somos
o cavaleiro e a montada
que se confundem num abraço.
Mora em teu corpo
o corcel que me liberta
e só distende
nas madrugadas e auroras
músculos e trotes
para nosso baile.
E somos
sobre todas as cantatas
o próprio amor que percorremos juntos.
( In: jornal Correio das Artes. João Pessoa-PB, 05 dez. 1982 )
1 115
Roberto Pontes
Quando Tua Pele
Quando tua pele de pêssego e veludo
entre tantos e lânguidos abraços
faz vibrar seus acordes de campina,
os pássaros estacam em seus vôos,
as folhas do limão se reverdecem,
as gotas se evaporam no espaço.
Suponho que no mapa dos amores
sempre que os nossos encontros acontecem
um novo marco acresce o número de beijos.
Sempre que o amor nos une no mistério
as horas são extrínsecas ao tempo,
não há manhã, nem tarde ou noite,
porque ignoramos ampulhetas e relógios.
Quando amamos feito dois duendes
o nosso amanhã é tão indiferente,
o que passou parece tão distante,
e o nosso agora tão definitivo
que faz lembrar nossa primeira lua.
( In: jornal Folha da Manhã. Teresina-PI, 1983 )
entre tantos e lânguidos abraços
faz vibrar seus acordes de campina,
os pássaros estacam em seus vôos,
as folhas do limão se reverdecem,
as gotas se evaporam no espaço.
Suponho que no mapa dos amores
sempre que os nossos encontros acontecem
um novo marco acresce o número de beijos.
Sempre que o amor nos une no mistério
as horas são extrínsecas ao tempo,
não há manhã, nem tarde ou noite,
porque ignoramos ampulhetas e relógios.
Quando amamos feito dois duendes
o nosso amanhã é tão indiferente,
o que passou parece tão distante,
e o nosso agora tão definitivo
que faz lembrar nossa primeira lua.
( In: jornal Folha da Manhã. Teresina-PI, 1983 )
835
Romulo Gouvêa
Eu estou aqui
Eu estou aqui
sentado, pensando
do mesmo jeito que antes
nas mesmas coisas que antes
eu ficava, eu pensava.
Do jeito que você deixou
mas com uma coisa diferente
a certeza de não estar doente
foi só isto que mudou.
Eu estou aqui
te amando, te observando
do mesmo jeito que antes
nas mesmas coisas que antes
eu te amava, eu te observava.
Da forma que você largou
nada nasce de repente
há muita coisa entre a gente
o meu amor aumentou.
Eu estou aqui
sentado, te amando,
pensando, te observando.
Esperando.
sentado, pensando
do mesmo jeito que antes
nas mesmas coisas que antes
eu ficava, eu pensava.
Do jeito que você deixou
mas com uma coisa diferente
a certeza de não estar doente
foi só isto que mudou.
Eu estou aqui
te amando, te observando
do mesmo jeito que antes
nas mesmas coisas que antes
eu te amava, eu te observava.
Da forma que você largou
nada nasce de repente
há muita coisa entre a gente
o meu amor aumentou.
Eu estou aqui
sentado, te amando,
pensando, te observando.
Esperando.
1 075
Romulo Gouvêa
Nossas bocas
Nossas bocas são portas
onde há fluxo e refluxo
por onde passa tudo.
Passa paixão
passa amor
passam sentimentos e carinhos.
Por elas passa o mar
passam os rios
passam todos os caminhos.
Por elas só não passa o tempo.
Elas têm a mesma temperatura,
mesmo calor, mesma ternura.
São de mesma estrutura.
Nossas bocas, neste beijo, são portas
portas abertas
por onde passam nossas descobertas.
onde há fluxo e refluxo
por onde passa tudo.
Passa paixão
passa amor
passam sentimentos e carinhos.
Por elas passa o mar
passam os rios
passam todos os caminhos.
Por elas só não passa o tempo.
Elas têm a mesma temperatura,
mesmo calor, mesma ternura.
São de mesma estrutura.
Nossas bocas, neste beijo, são portas
portas abertas
por onde passam nossas descobertas.
975
Romulo Gouvêa
Amar
que impõe
à alma o desarmar
e ao coração, para vida
o despertar,
que dispõe
o amante a se despojar
e na direção do amado
caminhar,
que expõe
todos os nervos sem pensar
e uma força para o máximo
arriscar,
é o infinitivo
do infinitamente dar.
à alma o desarmar
e ao coração, para vida
o despertar,
que dispõe
o amante a se despojar
e na direção do amado
caminhar,
que expõe
todos os nervos sem pensar
e uma força para o máximo
arriscar,
é o infinitivo
do infinitamente dar.
850
Renata Pallottini
O Cântaro
"Então, Jacó beijou Raquel e,
levantando a voz,
chorou."
Gênesis, 20: l l
O cântaro poreja a água amena
que do poço brotou, e adoça a areia
e que corre nos ombros, e que enleia
pelas espáduas seu frescor moreno.
O lácteo manto que uma brisa ondeia
desenha formas, cujo talho apenas
a tamareira imita, a flor receia,
o vento afaga e a solidão serena.
Vê-la é um momento, desejá-la um sopro,
ouvir-lhe a voz uma doçura eleita,
roçar-lhe a fronte uma revelação.
O amante, incertas mãos, trêmulo corpo,
beija-lhe os olhos, cuja flor desfeita
catorze anos de vida pagarão.
levantando a voz,
chorou."
Gênesis, 20: l l
O cântaro poreja a água amena
que do poço brotou, e adoça a areia
e que corre nos ombros, e que enleia
pelas espáduas seu frescor moreno.
O lácteo manto que uma brisa ondeia
desenha formas, cujo talho apenas
a tamareira imita, a flor receia,
o vento afaga e a solidão serena.
Vê-la é um momento, desejá-la um sopro,
ouvir-lhe a voz uma doçura eleita,
roçar-lhe a fronte uma revelação.
O amante, incertas mãos, trêmulo corpo,
beija-lhe os olhos, cuja flor desfeita
catorze anos de vida pagarão.
1 412
Roberto Pontes
O Tempo dos Amantes
Aos amantes tudo é permitido
pois dos seus atos nascem nobres rosas
e dos seus olhos brotam melodias
enquanto estrelas lá no céu passeiam.
O tempo dos amantes não se conta
pelos relógios exatos, impassíveis.
O seu registro é o ritmo de abraços
que o leve sopro do tremor embala.
Felizes são aqueles que, amantes,
dão-se de todo aos ritos do seu jogo
e amparam suas mágoas e desejos
na reciprocidade sacra dos seus ventres.
( In: revista Almenara. Londrina-PR, 1986 )
pois dos seus atos nascem nobres rosas
e dos seus olhos brotam melodias
enquanto estrelas lá no céu passeiam.
O tempo dos amantes não se conta
pelos relógios exatos, impassíveis.
O seu registro é o ritmo de abraços
que o leve sopro do tremor embala.
Felizes são aqueles que, amantes,
dão-se de todo aos ritos do seu jogo
e amparam suas mágoas e desejos
na reciprocidade sacra dos seus ventres.
( In: revista Almenara. Londrina-PR, 1986 )
1 964
Rozania Moraes
Amor de Mar
Noite de luzes.
os lábios do poeta
bebem lágrimas
do mar, salgadas.
A beira do mar se enfeita
de gente que vem e vai
como movimentos do mar
suaves afagos
mãos presas ao olhar
ondas dançam, eróticas
a tocar os lábios das pedras
beijo roubado, beijo furtivo
beijos molhados, salgados.
Noite azul
Flutuando no escuro
o astro branco
derrama raios leitosos
na espuma da água.
A praia se esvazia
para o mar que a ama
no silêncio, na areia, nas pedras
madrugada adentro.
Noite sensual
corpos à espera do dia
embalados pela canção
de outro poeta, tocada ao longe
nos bares do cais,
canção de outro amor
que se lançou ao mar
e dele nunca mais voltou.
os lábios do poeta
bebem lágrimas
do mar, salgadas.
A beira do mar se enfeita
de gente que vem e vai
como movimentos do mar
suaves afagos
mãos presas ao olhar
ondas dançam, eróticas
a tocar os lábios das pedras
beijo roubado, beijo furtivo
beijos molhados, salgados.
Noite azul
Flutuando no escuro
o astro branco
derrama raios leitosos
na espuma da água.
A praia se esvazia
para o mar que a ama
no silêncio, na areia, nas pedras
madrugada adentro.
Noite sensual
corpos à espera do dia
embalados pela canção
de outro poeta, tocada ao longe
nos bares do cais,
canção de outro amor
que se lançou ao mar
e dele nunca mais voltou.
432
Renata Trocoli
Sem Título
Sem Título
A saudade de teus meigos olhos a olhar-me com tanto amor
doe em meu peito com aguda tristeza, meu grande amor.
Tuas macias, delicadas e pequeninas mãos tocavam meu rosto
com tanto carinho e amor que não podia deixar-te
um minuto sem meus abraços e doces palavras de amor.
Quando sentávamos debaixo das estrelas nas noites mornas
da bela primavera da Pérsia, me abraçavas com tanto medo
e chorava baixinho escondendo teu lindo rostinho delicado em meu
peito, e me fazia jura-te amor eterno.
Este amor que jurei e sinto sempre por ti minha linda princesa.
Sinto saudades de tuas palavras e teu carinho ao ver-me zangado e
preocupado, e como me acalmava com teu belo olhar sobre o meu,
sorrindo com doçura e colocando minha cabeça em teus delicados
ombros para fazer com que a calma tomasse conta de meu coração.
Por tantos dias fiquei a admirar tua beleza
enquanto dormias um sono tranqüilo e
quantas vezes tocava teus lindos cabelos negros, macios e perfumados
sem ter vontade de fechar os olhos para não perder tão bela visão.
Quantas vezes ainda dormi cansado em teus pequeninos braços
sentindo cada vez mais um amor puro e leal por ti.
Me abraçavas com doce saudade e com lágrimas nos olhos
depois de dias de batalha sem ver-me.
E cuidava de mim com tanto carinho e me amava com tanta saudade
que meus dias pareciam um doce sonho que não poderia nunca ter fim.
O mais triste meu amor foi perder-te.
Foi perceber que teu amor não mais me envolveria o corpo,
que não mais teria tua presença a cuidar de mim
nas noites de cansaço após uma batalha.
Com uma linda e dolorosa promessa nos despedimos.
Tu me abraçaste chorosa e amedrontada,
e prometemos um amor eterno
por todos os lugares onde passássemos, aonde estivéssemos.
Hoje a saudade de teus doces olhinhos
a olhar-me com amor cegam meus dias.
Mas pelo menos ainda posso sentir teus perfume
e teus abraços a me envolver...
A saudade de teus meigos olhos a olhar-me com tanto amor
doe em meu peito com aguda tristeza, meu grande amor.
Tuas macias, delicadas e pequeninas mãos tocavam meu rosto
com tanto carinho e amor que não podia deixar-te
um minuto sem meus abraços e doces palavras de amor.
Quando sentávamos debaixo das estrelas nas noites mornas
da bela primavera da Pérsia, me abraçavas com tanto medo
e chorava baixinho escondendo teu lindo rostinho delicado em meu
peito, e me fazia jura-te amor eterno.
Este amor que jurei e sinto sempre por ti minha linda princesa.
Sinto saudades de tuas palavras e teu carinho ao ver-me zangado e
preocupado, e como me acalmava com teu belo olhar sobre o meu,
sorrindo com doçura e colocando minha cabeça em teus delicados
ombros para fazer com que a calma tomasse conta de meu coração.
Por tantos dias fiquei a admirar tua beleza
enquanto dormias um sono tranqüilo e
quantas vezes tocava teus lindos cabelos negros, macios e perfumados
sem ter vontade de fechar os olhos para não perder tão bela visão.
Quantas vezes ainda dormi cansado em teus pequeninos braços
sentindo cada vez mais um amor puro e leal por ti.
Me abraçavas com doce saudade e com lágrimas nos olhos
depois de dias de batalha sem ver-me.
E cuidava de mim com tanto carinho e me amava com tanta saudade
que meus dias pareciam um doce sonho que não poderia nunca ter fim.
O mais triste meu amor foi perder-te.
Foi perceber que teu amor não mais me envolveria o corpo,
que não mais teria tua presença a cuidar de mim
nas noites de cansaço após uma batalha.
Com uma linda e dolorosa promessa nos despedimos.
Tu me abraçaste chorosa e amedrontada,
e prometemos um amor eterno
por todos os lugares onde passássemos, aonde estivéssemos.
Hoje a saudade de teus doces olhinhos
a olhar-me com amor cegam meus dias.
Mas pelo menos ainda posso sentir teus perfume
e teus abraços a me envolver...
1 008
Paulo Augusto Rodrigues
Bicho
Hoje vive preso, trancado,
Atrás das cidades, inofensivo.
Existe apenas para lembrar-nos
Que um dia aquilo fomos nós.
A memória é como um zoológico
Isolando do mundo todo tipo de sentimentos animais
Que ainda não extinguimos.
Porém, o ritmo monótono e rápido da vida
Metralha, por aí, tudo que encontra
Matando espécies inteiras.
Resta o mêdo.
Que nunca durma o zelador.
Pois se assim for
Não existirá nenhuma lembrança real,
Viva.
Restará somente,
Fotos coloridas em livros desbotados
Mostrando a alma deste sentimento.
Desenhos a mão, esboços,
Num esforço de quem não sabe desenhar,
Num papel como este.
É essa a esperança,
Só depois de tudo acabado
Poderemos reconstruir.
Quando sofrer,
Rebusque a memória,
Numa jaula pequena, com a placa apagada,
Existe um bicho,
O mais indefeso.
Lá estava escrito...
Amor.
Atrás das cidades, inofensivo.
Existe apenas para lembrar-nos
Que um dia aquilo fomos nós.
A memória é como um zoológico
Isolando do mundo todo tipo de sentimentos animais
Que ainda não extinguimos.
Porém, o ritmo monótono e rápido da vida
Metralha, por aí, tudo que encontra
Matando espécies inteiras.
Resta o mêdo.
Que nunca durma o zelador.
Pois se assim for
Não existirá nenhuma lembrança real,
Viva.
Restará somente,
Fotos coloridas em livros desbotados
Mostrando a alma deste sentimento.
Desenhos a mão, esboços,
Num esforço de quem não sabe desenhar,
Num papel como este.
É essa a esperança,
Só depois de tudo acabado
Poderemos reconstruir.
Quando sofrer,
Rebusque a memória,
Numa jaula pequena, com a placa apagada,
Existe um bicho,
O mais indefeso.
Lá estava escrito...
Amor.
882
Renata Trocoli
Moreno
Moreno
Lá vem meu amor chegando.
Ele veio para me envolver em seus braços,
me pegar no colo, me beijar com carinho,
me enlouquecer os desejos como só ele sabe fazer.
Lá vem ele chegando pertinho,
me olhando e me tocando devagarinho.
Com sua pele morena, seus olhos tão negros
e seus lábios macios.
Sua voz me embala,
e me abraçando me diz com ternura
que me ama e que me quer só pra ele...
Como se eu quisesse ser de mais outro alguém!!!
E quando ele sorri!??
Não há nada mais lindo que seu sorriso!
Um sorriso sincero e delicado,
que ilumina seu rosto...
Esse rosto de um doce menino,
que esconde bem dentro de seu olhar
a malícia de alguém que
não mais um menino é.
Vem então ele a me amar
como nunca alguém foi capaz.
E me envolve com esse carinho diferente
que só ele sabe me dar!
Lá vem meu amor chegando.
Ele veio para me envolver em seus braços,
me pegar no colo, me beijar com carinho,
me enlouquecer os desejos como só ele sabe fazer.
Lá vem ele chegando pertinho,
me olhando e me tocando devagarinho.
Com sua pele morena, seus olhos tão negros
e seus lábios macios.
Sua voz me embala,
e me abraçando me diz com ternura
que me ama e que me quer só pra ele...
Como se eu quisesse ser de mais outro alguém!!!
E quando ele sorri!??
Não há nada mais lindo que seu sorriso!
Um sorriso sincero e delicado,
que ilumina seu rosto...
Esse rosto de um doce menino,
que esconde bem dentro de seu olhar
a malícia de alguém que
não mais um menino é.
Vem então ele a me amar
como nunca alguém foi capaz.
E me envolve com esse carinho diferente
que só ele sabe me dar!
890
Ricardo Madeira
Para Mais Tarde Recordar
Falas com luz
Que acende, reluz,
E que o Sol inveja;
Olhas com pérolas
Que o Mar deseja...
Sou como sou,
Nada posso fazer,
Nada a não ser
Se calhar talvez
Dizer outra vez
Como amo e te amo.
Tal como eu,
Eu sou eu
(Assim como eu),
Somos iguais,
Todos diferentes
E todos iguais.
Perguntei,
Disseste que sim,
Eu concordei,
Num sonho sem fim
Até terminar...
Inferno ao céu!
Fogo ao mar!
Raios de prata,
Rasguem o ar!
Grito com o vento,
Agarro o momento,
Guardo-o cá dentro,
Para mais tarde recordar...
"Night Music,
It keeps spinning inside my head,
Night Music,
Its all the things you never said..."
— Dio
Que acende, reluz,
E que o Sol inveja;
Olhas com pérolas
Que o Mar deseja...
Sou como sou,
Nada posso fazer,
Nada a não ser
Se calhar talvez
Dizer outra vez
Como amo e te amo.
Tal como eu,
Eu sou eu
(Assim como eu),
Somos iguais,
Todos diferentes
E todos iguais.
Perguntei,
Disseste que sim,
Eu concordei,
Num sonho sem fim
Até terminar...
Inferno ao céu!
Fogo ao mar!
Raios de prata,
Rasguem o ar!
Grito com o vento,
Agarro o momento,
Guardo-o cá dentro,
Para mais tarde recordar...
"Night Music,
It keeps spinning inside my head,
Night Music,
Its all the things you never said..."
— Dio
969
Ribeiro Couto
Serenata em Coimbra
Por vós e de um só nome eu te chamaria,
Não fosse a inclinação ao natural — infanta! —
E o pudor que também mais alto se alevanta
No meu vocabulário e na minha poesia.
Passaste com um cântaro à cabeça.
E eu — Mondego, Choupal, Camões, Rainha Santa —
Outro nome não sei que te valha e mereça.
Infanta? Pobre rapariga,
Havia sugestões clássicas pelo espaço
E eras infanta, sim, na paisagem antiga:
Parecias pisar o mármore de um paço.
(Era estranho que eu não ouvisse o burburinho
De fidalgos em ala a oferecer-te o braço.)
Entre escuros portais vejo-me a errar sozinho.
Vai alta a noite. Em que casa moras?
Na colina, uma luz entre tantas
(Não de castelos de rainhas e de infantas)
Será tua janela ainda acesa a estas horas.
Amanhã voltarás ao rio, lavadeira.
Dorme... Dentro da noite um refrão de modinha
Sobe da terra ao céu numa voz estrangeira:
Se coimbra, se Coimbra fosse minha...
Não fosse a inclinação ao natural — infanta! —
E o pudor que também mais alto se alevanta
No meu vocabulário e na minha poesia.
Passaste com um cântaro à cabeça.
E eu — Mondego, Choupal, Camões, Rainha Santa —
Outro nome não sei que te valha e mereça.
Infanta? Pobre rapariga,
Havia sugestões clássicas pelo espaço
E eras infanta, sim, na paisagem antiga:
Parecias pisar o mármore de um paço.
(Era estranho que eu não ouvisse o burburinho
De fidalgos em ala a oferecer-te o braço.)
Entre escuros portais vejo-me a errar sozinho.
Vai alta a noite. Em que casa moras?
Na colina, uma luz entre tantas
(Não de castelos de rainhas e de infantas)
Será tua janela ainda acesa a estas horas.
Amanhã voltarás ao rio, lavadeira.
Dorme... Dentro da noite um refrão de modinha
Sobe da terra ao céu numa voz estrangeira:
Se coimbra, se Coimbra fosse minha...
1 147
Renata Trocoli
Teu Amor
Teu Amor
Como uma luz aquecida e suave
Senti teu amor chegando para me presentear.
Teus olhos transmitem carinho.
Tua boca me fala de mansinho
tudo que eu sempre quis escutar.
Tuas mãos me tocam com ternura,
meu rosto, meus cabelos, minhas mãos.
Teu doce beijo acaricia meus lábios
com teus olhos fixos aos meus.
Esse amor é novo e puro.
Chegou devagar, me conquistou com ternura.
Tu me envolves com teus abraços
apertados e amorosos.
E me enche de medo de perder-te ainda mais uma vez.
Perder teus carinhos,
teus olhares,
tua boca,
tuas palavras
e teu amor ...
Amor este que me renova a alma,
e me dá esperanças de viver alegre
e sonhando sempre com tua doce presença.
A vida nem sempre atende nossos pedidos
de amor e felicidade.
Mas peço com todo coração que ela me abençoe
com tua presença a meu lado sempre.
Me dando carinho e um amor tão puro
e doce que sentimentos juntos dentro de nossos corações.
Este amor vem de longe,
vem do alto e é benção dos céus.
É perfeito e verdadeiro,
é sentimento que não se sente por qualquer um,
que não brinca com o coração
mas que envolve a alma e o corpo
como brisa suave e morna que sopra do mar.
Como uma luz aquecida e suave
Senti teu amor chegando para me presentear.
Teus olhos transmitem carinho.
Tua boca me fala de mansinho
tudo que eu sempre quis escutar.
Tuas mãos me tocam com ternura,
meu rosto, meus cabelos, minhas mãos.
Teu doce beijo acaricia meus lábios
com teus olhos fixos aos meus.
Esse amor é novo e puro.
Chegou devagar, me conquistou com ternura.
Tu me envolves com teus abraços
apertados e amorosos.
E me enche de medo de perder-te ainda mais uma vez.
Perder teus carinhos,
teus olhares,
tua boca,
tuas palavras
e teu amor ...
Amor este que me renova a alma,
e me dá esperanças de viver alegre
e sonhando sempre com tua doce presença.
A vida nem sempre atende nossos pedidos
de amor e felicidade.
Mas peço com todo coração que ela me abençoe
com tua presença a meu lado sempre.
Me dando carinho e um amor tão puro
e doce que sentimentos juntos dentro de nossos corações.
Este amor vem de longe,
vem do alto e é benção dos céus.
É perfeito e verdadeiro,
é sentimento que não se sente por qualquer um,
que não brinca com o coração
mas que envolve a alma e o corpo
como brisa suave e morna que sopra do mar.
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Raphael Luiz Junqueira
Soneto XVI
Não conheço que força ingente e estranha
Impeliu-me tristonho a tal afeto...
Nem sei que bem... que palpitar secreto
Põe-me ditoso e Amor meu Peito ganha!
Dos suspiros o som sereno e manso
Tomou-me ultimamente o peito aflito.
Ah! sonhos de paixão em que me agito!
Ah! vigílias em febre sem descanso!
Não sei que força esplêndida e plangente,
No coração o amor me vai soprando
Em me levando a esse suspiro infindo...
Não me importa saber — sentir somente:
Vivendo em ti eu morrerei cantando,
Morrendo em mim tu viverás sorrindo!
Impeliu-me tristonho a tal afeto...
Nem sei que bem... que palpitar secreto
Põe-me ditoso e Amor meu Peito ganha!
Dos suspiros o som sereno e manso
Tomou-me ultimamente o peito aflito.
Ah! sonhos de paixão em que me agito!
Ah! vigílias em febre sem descanso!
Não sei que força esplêndida e plangente,
No coração o amor me vai soprando
Em me levando a esse suspiro infindo...
Não me importa saber — sentir somente:
Vivendo em ti eu morrerei cantando,
Morrendo em mim tu viverás sorrindo!
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