Poemas neste tema
Paixão
Calex Fagundes
Noturno vermelho
esta noite beberei
o vinho de tua taça
e deixar-me-ei levar
pelo que insinuas
mergulhar-te-ei
em mentiras tuas
mais absurdas
cruas, de todo
entregar-me-ei
ao idílio, filho
etílico do vício
teu desde o início
quererei perder-me
em teus meandros
e lençóis bordados
instinto dos portais
tintos tais, profanos,
dos vinhos mais carnais
derramados tais
sobre os panos
teu espírito em reflexo
à taça jazente semi-plena
entre nós, circunflexo
laço, boca, cena
e a vaga-luz difusa
as mentes deixadas
ao acaso dos desejos
ensejos do porvir
e a luz desnecessária
entrega-se à noite
e o absinto de Netuno
afoga-nos em humores
quem eu? quem tu?
na comunhão de sentidos
na integração de fluídos
quem somos?
o vinho de tua taça
e deixar-me-ei levar
pelo que insinuas
mergulhar-te-ei
em mentiras tuas
mais absurdas
cruas, de todo
entregar-me-ei
ao idílio, filho
etílico do vício
teu desde o início
quererei perder-me
em teus meandros
e lençóis bordados
instinto dos portais
tintos tais, profanos,
dos vinhos mais carnais
derramados tais
sobre os panos
teu espírito em reflexo
à taça jazente semi-plena
entre nós, circunflexo
laço, boca, cena
e a vaga-luz difusa
as mentes deixadas
ao acaso dos desejos
ensejos do porvir
e a luz desnecessária
entrega-se à noite
e o absinto de Netuno
afoga-nos em humores
quem eu? quem tu?
na comunhão de sentidos
na integração de fluídos
quem somos?
1 519
C. Almeida Stella
Descoberta
Um CD
uma música
nós dois
um clima
o amor
Noite de estrelas
perfume de madrugada...
sensualidade
A camisa de botões entreabertos
me dá uma pequena amostra
da tua masculinidade...
eu não resisto
e abrindo botão por botão
deixo cair no chão
este primeiro obstáculo
eu te desnudo...
e te toco
te invado
percorro os teus caminhos,
invento trilhas,
descubro o teu ponto G
eu te sinto...
sem atropelos
eu brinco nos teus pêlos,
ora tímida,
ora ousada...
minhas mãos no teu corpo
fazem a sua "Cavalgada".
Te exploro
te provoco
te causo alvoroço,
brinco no teu cabelo
na tua boca
no teu rosto
te acaricio o peito
tuas costas
teu pescoço.
Passeio na tua cintura...
e pouco a pouco
eu te deixo louco
te acarinho aqui,
ali primeiro,
te toco no corpo inteiro
te encho de desejo
te levo ao delirio
incendeio esse corpo teu.
Então eu te descubro...
Eu te possuo
já não és mais o menino.
És um homem
tão...e somente meu!
uma música
nós dois
um clima
o amor
Noite de estrelas
perfume de madrugada...
sensualidade
A camisa de botões entreabertos
me dá uma pequena amostra
da tua masculinidade...
eu não resisto
e abrindo botão por botão
deixo cair no chão
este primeiro obstáculo
eu te desnudo...
e te toco
te invado
percorro os teus caminhos,
invento trilhas,
descubro o teu ponto G
eu te sinto...
sem atropelos
eu brinco nos teus pêlos,
ora tímida,
ora ousada...
minhas mãos no teu corpo
fazem a sua "Cavalgada".
Te exploro
te provoco
te causo alvoroço,
brinco no teu cabelo
na tua boca
no teu rosto
te acaricio o peito
tuas costas
teu pescoço.
Passeio na tua cintura...
e pouco a pouco
eu te deixo louco
te acarinho aqui,
ali primeiro,
te toco no corpo inteiro
te encho de desejo
te levo ao delirio
incendeio esse corpo teu.
Então eu te descubro...
Eu te possuo
já não és mais o menino.
És um homem
tão...e somente meu!
1 024
C. Almeida Stella
Passeio
Blusa em organza branca
em transparência delicada
insinuando
mostrando tudo... mostrando nada
Botõezinhos perolados... semi-abertos
delicados...
guardam uma fronteira
entre a imaginação e a realidade
de caminhos inexplorados
Tua mão se perde na transparência
dessa diáfana blusinha.
Atravessa timidamente os limites
que os botõezinhos entreabertos deixam ver
e que o teu desejo... adivinha
Tua mão é macia
ela vai brincando,
acarinhando
invadindo a minha geografia
explorando vales, montes, planicies,
detendo-se um pouco aqui
um pouco ali,
desvendando caminhos nunca trilhados
criando atalhos...
Minha pele sente o teu toque,
a tua sedução
e no calor da tua mão
ela vibra
pede mais.
Em seu passeio sensual
tua mão desperta em mim
milhares de sensações
e aquela coisa tão louca
aquele grande desejo
de ter...
não somente a tua mão...
assim...
a me percorrer...
mas também... a tua boca!
em transparência delicada
insinuando
mostrando tudo... mostrando nada
Botõezinhos perolados... semi-abertos
delicados...
guardam uma fronteira
entre a imaginação e a realidade
de caminhos inexplorados
Tua mão se perde na transparência
dessa diáfana blusinha.
Atravessa timidamente os limites
que os botõezinhos entreabertos deixam ver
e que o teu desejo... adivinha
Tua mão é macia
ela vai brincando,
acarinhando
invadindo a minha geografia
explorando vales, montes, planicies,
detendo-se um pouco aqui
um pouco ali,
desvendando caminhos nunca trilhados
criando atalhos...
Minha pele sente o teu toque,
a tua sedução
e no calor da tua mão
ela vibra
pede mais.
Em seu passeio sensual
tua mão desperta em mim
milhares de sensações
e aquela coisa tão louca
aquele grande desejo
de ter...
não somente a tua mão...
assim...
a me percorrer...
mas também... a tua boca!
898
Goulart Gomes
Soneto do amor impuro
Já te comi com os olhos e com as mãos
antropofagia étnica, incesto de irmãos
sei que não raspas teus púbicos pêlos
corta-os baixinhos, aparas os cabelos
Conheço cada ondulação da tua bunda
onde teu ventre se alarga e onde se afunda
qual dos teus seios tem maior volume
e como a tua ira de gozo se assume
Ao banho, onde primeiro tocas o sabonete
a quantas fricções respiras em falsete
deixando a água ser um outro, teu
E se em tua corte fui só mais um bobo
trago comigo um real consolo:
quem mais te possuiu fui eu
antropofagia étnica, incesto de irmãos
sei que não raspas teus púbicos pêlos
corta-os baixinhos, aparas os cabelos
Conheço cada ondulação da tua bunda
onde teu ventre se alarga e onde se afunda
qual dos teus seios tem maior volume
e como a tua ira de gozo se assume
Ao banho, onde primeiro tocas o sabonete
a quantas fricções respiras em falsete
deixando a água ser um outro, teu
E se em tua corte fui só mais um bobo
trago comigo um real consolo:
quem mais te possuiu fui eu
973
Líria Bordinhão Dahlke
Mãos, toques, desejos
Aquelas mãos em toques eternos
em alguns minutos apenas horas se tornaram
Eternos movimentos das pontas dos dedos
Procuravam retorno desejado presente na pele...
Cúmplices, entrelaçados
Numa imagem sem nome, sem entendimento
Sem cobranças
Somente sentimento e desejo
Adoradora química
Dos lábios fortes em toques essenciais
Que nem o melhor de todos que já tive
Poderia imaginar...
em alguns minutos apenas horas se tornaram
Eternos movimentos das pontas dos dedos
Procuravam retorno desejado presente na pele...
Cúmplices, entrelaçados
Numa imagem sem nome, sem entendimento
Sem cobranças
Somente sentimento e desejo
Adoradora química
Dos lábios fortes em toques essenciais
Que nem o melhor de todos que já tive
Poderia imaginar...
1 002
Liz Christine
Romantismo
não desejo sua dor...
assistir o seu prazer
me faz descobrir...
você é meu amor
preciso te fazer...
e quero te ver
bem, alegre, satisfeito...
seu prazer me diz respeito
porque minha satisfação...
depende
da sua realização...
entende?
Meu romantismo
é o mais puro egoísmo...
Quero te ver realizado
Meu amor apaixonado
Não por você, mas por mim
Porque isso me dá prazer, só por isso... prazer,
prazer é o meu sentido! O que me guia, inspiração,
poesia, tesão, sexo... você é minha doce paixão!
assistir o seu prazer
me faz descobrir...
você é meu amor
preciso te fazer...
e quero te ver
bem, alegre, satisfeito...
seu prazer me diz respeito
porque minha satisfação...
depende
da sua realização...
entende?
Meu romantismo
é o mais puro egoísmo...
Quero te ver realizado
Meu amor apaixonado
Não por você, mas por mim
Porque isso me dá prazer, só por isso... prazer,
prazer é o meu sentido! O que me guia, inspiração,
poesia, tesão, sexo... você é minha doce paixão!
1 077
Ivaldo Gomes
Velas ao mar
Viver não será mais preciso,
Quando o navegar me jogar no porto.
De que me adianta essas caravelas,
Se não sei pra onde vou!
Nenhum vento me ajudará...
Se não sei aonde ir...
Tanto faz...
Tanto fez...
Guardarei minhas velas...
Baixarei meus mastros.
Minhas galeras enfurnarão
Na anseada do meu desejo.
Mas por que não lutar?
Revoltar-me contra
O destino?
Desembainhar a espada,
Soltar a voz.
Içar a bandeira,
Atacar o teu porto.
Matar-te as saudades,
Afogar seus desejos.
Cobrar em dobro os beijos,
Escravizar-te de tesão.
Tornar-me senhor
Dos seus setes mares.
E reescrever o destino.
Transformar tudo em
Meu domínio.
Estabelecer a nossa paz.
E navegar será preciso.
Viver nem preciso seja.
Mas que seja mesmo assim.
Quando o navegar me jogar no porto.
De que me adianta essas caravelas,
Se não sei pra onde vou!
Nenhum vento me ajudará...
Se não sei aonde ir...
Tanto faz...
Tanto fez...
Guardarei minhas velas...
Baixarei meus mastros.
Minhas galeras enfurnarão
Na anseada do meu desejo.
Mas por que não lutar?
Revoltar-me contra
O destino?
Desembainhar a espada,
Soltar a voz.
Içar a bandeira,
Atacar o teu porto.
Matar-te as saudades,
Afogar seus desejos.
Cobrar em dobro os beijos,
Escravizar-te de tesão.
Tornar-me senhor
Dos seus setes mares.
E reescrever o destino.
Transformar tudo em
Meu domínio.
Estabelecer a nossa paz.
E navegar será preciso.
Viver nem preciso seja.
Mas que seja mesmo assim.
1 563
Liz Christine
Orgia
Gemidos
Sussurro
Lábios, pele, beijo
Em seus ouvidos
Ainda procuro
Como descrever o que vejo?
O que sinto ao te ver
Em meio a essa orgia
Nunca quis te pertencer
Tão livre, e você nem sabia
Tudo que poderia
Encontrar
Experimentar
Em si mesma, você
Minha nudez
Meu prazer
Você vê
Um engano? Talvez
Eu queira ser
Sua, talvez, eu nem sei
O que eu senti?
Ao te ver me olhando
Você beijando alguém
Uma pessoa gemendo
E eu gozando
Quero o seu beijo, vem
Estou dizendo
Sussurrando
Meus lábios te procurando
E outro corpo me domina
Outra língua me fascina
Vários corpos, sua mão
E eu tento dizer
Eu te amo
Amo sua mão
Mas você nem vai saber
Que era pra você que eu falei
E foi então
Nesse exato momento
Que escutei
Algum pensamento
Alguém pensando em voz alta
"aquela ali, a ruivinha
a ruivinha é a mais tarada"
Eu, tarada?
Nem vou responder
Te amo calada
E nem vou me arrepender
De estar te pervertendo
Você não era assim
Se liberte em mim
Amor, orgia
Talvez algum dia
Você saiba que eu sentia
Sussurro
Lábios, pele, beijo
Em seus ouvidos
Ainda procuro
Como descrever o que vejo?
O que sinto ao te ver
Em meio a essa orgia
Nunca quis te pertencer
Tão livre, e você nem sabia
Tudo que poderia
Encontrar
Experimentar
Em si mesma, você
Minha nudez
Meu prazer
Você vê
Um engano? Talvez
Eu queira ser
Sua, talvez, eu nem sei
O que eu senti?
Ao te ver me olhando
Você beijando alguém
Uma pessoa gemendo
E eu gozando
Quero o seu beijo, vem
Estou dizendo
Sussurrando
Meus lábios te procurando
E outro corpo me domina
Outra língua me fascina
Vários corpos, sua mão
E eu tento dizer
Eu te amo
Amo sua mão
Mas você nem vai saber
Que era pra você que eu falei
E foi então
Nesse exato momento
Que escutei
Algum pensamento
Alguém pensando em voz alta
"aquela ali, a ruivinha
a ruivinha é a mais tarada"
Eu, tarada?
Nem vou responder
Te amo calada
E nem vou me arrepender
De estar te pervertendo
Você não era assim
Se liberte em mim
Amor, orgia
Talvez algum dia
Você saiba que eu sentia
994
Goulart Gomes
Blas fêmea
à minha miragem
Há uma vastidão de desejos
entre os teus seios...
...que ira maior poderia haver
que o varrer dos meus dentes
no teu ventre?
E me deixar
sumir em teus abismos
Nem os braços abertos de um cristo
tanto fariam.
Iludiriam mesmo a alma
do mais crente dos homens
(não são para mim, demasiado humano)
mortal demais,
insano
indigno dos teus lençóis.
Há uma vastidão de desejos
entre os teus seios...
...que ira maior poderia haver
que o varrer dos meus dentes
no teu ventre?
E me deixar
sumir em teus abismos
Nem os braços abertos de um cristo
tanto fariam.
Iludiriam mesmo a alma
do mais crente dos homens
(não são para mim, demasiado humano)
mortal demais,
insano
indigno dos teus lençóis.
916
Goulart Gomes
Corponauta
Como se tuas mãos não fossem duas
E o meu corpo apenas o universo
Nos teus olhos flutuam outras luas
E a tua pele permeia os meus versos
Fosse a tua bunda o meu descanso
E o meu falo te servisse de guarida
O guerreiro, de voraz, iria manso
Se renderia, entregaria a própria vida
Que se espera, então, de fêmea e macho
Senão o orgasmo profundo e infiel
De amar mais o outro que a si?
Se entre tuas coxas eu me encaixo
É o teu gozo, purgatório, inferno e céu
Imortalidade que podemos possuir
E o meu corpo apenas o universo
Nos teus olhos flutuam outras luas
E a tua pele permeia os meus versos
Fosse a tua bunda o meu descanso
E o meu falo te servisse de guarida
O guerreiro, de voraz, iria manso
Se renderia, entregaria a própria vida
Que se espera, então, de fêmea e macho
Senão o orgasmo profundo e infiel
De amar mais o outro que a si?
Se entre tuas coxas eu me encaixo
É o teu gozo, purgatório, inferno e céu
Imortalidade que podemos possuir
1 145
Ivaldo Gomes
Desejos
De tanto desejos
Desejei...
Que foge a mim
O discernimento...
Neste momento, só sinto,
Só sou.
Que se dane as
Convenções...
As boas e más
Intenções.
Que brote em
Mim os desejos.
E os beijos
Que sejam dados,
Roubados,
De ti.
E o fogo tome
Conta de nós.
E os nós sejam
Atados, apertados,
Nos desejos,
Nos beijos,
De nós dois.
E seja,
Enfim.
Os desejos
Saciados.
Pois o que
Tenho de melhor
Hoje são os desejos,
Que sinto, que me
Permito ter.
Desejei...
Que foge a mim
O discernimento...
Neste momento, só sinto,
Só sou.
Que se dane as
Convenções...
As boas e más
Intenções.
Que brote em
Mim os desejos.
E os beijos
Que sejam dados,
Roubados,
De ti.
E o fogo tome
Conta de nós.
E os nós sejam
Atados, apertados,
Nos desejos,
Nos beijos,
De nós dois.
E seja,
Enfim.
Os desejos
Saciados.
Pois o que
Tenho de melhor
Hoje são os desejos,
Que sinto, que me
Permito ter.
1 146
Ronilson Rocha
Instintos
Tê-la como minha fêmea favorita
é o que manda meus instinto de macho
a razão acha esta idéia esquisita
mas o que importa é o que eu acho...
acasalar contigo no verão e na primavera
me aquecer contigo no frio inverno
meu desejo por ti espera
amar-te até no inferno
possuir-te por trás ou pela frente
em pé na parede ou deitados na cama
que loucuras passam em minha mente
quando penso em acender sua chama...
é o que manda meus instinto de macho
a razão acha esta idéia esquisita
mas o que importa é o que eu acho...
acasalar contigo no verão e na primavera
me aquecer contigo no frio inverno
meu desejo por ti espera
amar-te até no inferno
possuir-te por trás ou pela frente
em pé na parede ou deitados na cama
que loucuras passam em minha mente
quando penso em acender sua chama...
1 223
Maria do Carmo Lobato
Fusão
É este sentimento que a mim me une a ti, Ana,
E que brame no imenso mar infinito do meu ser,
Que a mim me sacode o peito e a mim me acende e inflama
E com ele a mim me deleito pelo teu querer.
É este sentimento enorme que em mim se derrama
E punge no meu peito e arde e por ti chama
E em chama ardente queima e eu mim fogoso chama
Teu vigoroso nome, Ana, na conclama do meu ser que o pronuncia,
E a mim transcende o corpo e a mim me invade o espírito
E me unifico em ritos e grito com tua voz,
Que cala no meu peito urdido em grã silêncio,
Quem grã fala eloqüêntica me grita nossos nós,
Fundidos em fusão catártica e autêntica,
Silêntica unifico no seio nossos sós.
E que brame no imenso mar infinito do meu ser,
Que a mim me sacode o peito e a mim me acende e inflama
E com ele a mim me deleito pelo teu querer.
É este sentimento enorme que em mim se derrama
E punge no meu peito e arde e por ti chama
E em chama ardente queima e eu mim fogoso chama
Teu vigoroso nome, Ana, na conclama do meu ser que o pronuncia,
E a mim transcende o corpo e a mim me invade o espírito
E me unifico em ritos e grito com tua voz,
Que cala no meu peito urdido em grã silêncio,
Quem grã fala eloqüêntica me grita nossos nós,
Fundidos em fusão catártica e autêntica,
Silêntica unifico no seio nossos sós.
1 121
Calex Fagundes
Um soneto
Preciso de você todos os dias;
todas as horas, todos os tempos.
Preciso de todos teus momentos
para chegar. de fato, às vias.
Preciso de teu fogo, de teu cio,
Preciso desfraldar os ventos.
Transcender ímpetos, rebentos,
Fazer-me macho, cobrir-te a fio.
Macho abusado, líquida fragrância
escorre de ti, minha fêmea louca.
Sonhos de carne, punhal de ânsia.
Pêndulo vibrante dentro da tua boca
transborda o visgo, última instância,
me tens e levas, oh pérola barroca.
todas as horas, todos os tempos.
Preciso de todos teus momentos
para chegar. de fato, às vias.
Preciso de teu fogo, de teu cio,
Preciso desfraldar os ventos.
Transcender ímpetos, rebentos,
Fazer-me macho, cobrir-te a fio.
Macho abusado, líquida fragrância
escorre de ti, minha fêmea louca.
Sonhos de carne, punhal de ânsia.
Pêndulo vibrante dentro da tua boca
transborda o visgo, última instância,
me tens e levas, oh pérola barroca.
1 652
Paulo Montalverne
Canto de nudez
Dá-me tua nudez,
Tua nudez úmida
Outorgada em pêlos e dobras,
Nas dobras desfeitas
De dez e mil lençóis
Dá-me tua nudez,
Tua nudez traçada,
Declarada em gotas e curvas,
Nas vidas desfeitas
Por uma ou tantas canções.
Dá-me tua nudez,
Tua nudez rasgada,
Marcada em veias e carnes,
Nos pactos esquecidos
De todas e outras juras.
Dá-me tua nudez,
Tua nudez faminta,
Destrancada de almas e corpos,
Nos sonhos destruídos
De meus e teus desejos.
Tua nudez úmida
Outorgada em pêlos e dobras,
Nas dobras desfeitas
De dez e mil lençóis
Dá-me tua nudez,
Tua nudez traçada,
Declarada em gotas e curvas,
Nas vidas desfeitas
Por uma ou tantas canções.
Dá-me tua nudez,
Tua nudez rasgada,
Marcada em veias e carnes,
Nos pactos esquecidos
De todas e outras juras.
Dá-me tua nudez,
Tua nudez faminta,
Destrancada de almas e corpos,
Nos sonhos destruídos
De meus e teus desejos.
1 192
Liz Christine
Dor
Sozinha e vulnerável
A dor é intragável
E é patética essa poesia
Não, na falta de companhia
Nem existe poesia
Arte é relação
E quanto mais pessoas à minha volta
Mais eu me sinto entregue
À solidão
E nem há ódio nem revolta
Que a inércia me carregue
Nada faço em depressão
Quero o prazer de viver de volta
Porque arte é paixão
Que sustenta e alimenta
O desejo
De viver e criar
E quando me vejo
Chorando
Amar
Anulando
A angústia e o vazio
Porque amor é o sentido
E sem ele nada crio
E ele é você
Meu amor pervertido
Agora você lê
O que prefiro esconder
Os fetiches? A depravação?
Eu preciso dizer
Que onde há paixão
Não existe nunca depravação
Baixaria
Não é fuder amando
Nem escrever poesia
Estando
Nua
Baixaria
É chorar
O sofrimento sempre me parece
Vulgar
E só amor me abastece
Para criar
Odeio a dor
E adoro me expor
Para me enxergar
E me conhecer
Florescer
Tão
Perfumada
Mergulhada
Em paixão
Venha à tona
Poesia
Aroma
Que me guia
Se não estou apaixonada
Eu me sinto desnorteada
A dor é intragável
E é patética essa poesia
Não, na falta de companhia
Nem existe poesia
Arte é relação
E quanto mais pessoas à minha volta
Mais eu me sinto entregue
À solidão
E nem há ódio nem revolta
Que a inércia me carregue
Nada faço em depressão
Quero o prazer de viver de volta
Porque arte é paixão
Que sustenta e alimenta
O desejo
De viver e criar
E quando me vejo
Chorando
Amar
Anulando
A angústia e o vazio
Porque amor é o sentido
E sem ele nada crio
E ele é você
Meu amor pervertido
Agora você lê
O que prefiro esconder
Os fetiches? A depravação?
Eu preciso dizer
Que onde há paixão
Não existe nunca depravação
Baixaria
Não é fuder amando
Nem escrever poesia
Estando
Nua
Baixaria
É chorar
O sofrimento sempre me parece
Vulgar
E só amor me abastece
Para criar
Odeio a dor
E adoro me expor
Para me enxergar
E me conhecer
Florescer
Tão
Perfumada
Mergulhada
Em paixão
Venha à tona
Poesia
Aroma
Que me guia
Se não estou apaixonada
Eu me sinto desnorteada
1 015
Carlos Queirós
Erótica
A noite descia
como um cortinado
sobre a erva fria
do campo orvalhado.
e eu (fauno em vertigem)
a rondar em torno
do teu corpo virgem,
sonolento e morno,
pensava no lasso
tombar do desejo;
em breve, o cansaço
do último beijo...
E no modo como
sentir menos fácil
o maduro pomo
do teu corpo grácil:
ou sem lhe tocar
– de tanto o querer! –
ficar a olhar,
até o esquecer,
ou como por entre
reflexos do lago,
roçar-lhe no ventre
luarento afago;
perpassando os meus
nos teus lábios húmidos,
meu peito nos teus
brancos
seios
túmidos...
como um cortinado
sobre a erva fria
do campo orvalhado.
e eu (fauno em vertigem)
a rondar em torno
do teu corpo virgem,
sonolento e morno,
pensava no lasso
tombar do desejo;
em breve, o cansaço
do último beijo...
E no modo como
sentir menos fácil
o maduro pomo
do teu corpo grácil:
ou sem lhe tocar
– de tanto o querer! –
ficar a olhar,
até o esquecer,
ou como por entre
reflexos do lago,
roçar-lhe no ventre
luarento afago;
perpassando os meus
nos teus lábios húmidos,
meu peito nos teus
brancos
seios
túmidos...
1 890
Calex Fagundes
Tudo
Quando eu bebo,
bebo tudo.
O licor desejado e aquele
que ainda couber...
Talvez ainda sobre espaço para beber
para anestesiar a ressaca de ontem.
Penetrar no recinto dos fantasmas
e participar dele.
Saber-se na vertigem
das perdições inconcebíveis.
Saber-se à boca da sarjeta
os restos de lua e luz
confusa, difusa
das percepções da noite.
Sim, a visita de Netuno
com seus mares
com suas águas
onde tudo pode ser e nada é.
A ingestão do âmbar
o cheiro dos perfumes...
A náusea de saber-se
uma pequena tristeza
na multidão dos seres
na noite de todos os desesperos.
Quando eu como,
como tudo.
Como se buscasse saciar
a fome do mundo.
Como não fosse o amanhã
o construtor do prato feito.
Como se fosse necessário
criar a reserva para
as sete vacas do porvir.
Quando eu amo,
amo tudo.
Eu te quero,
e quero toda.
Quero beber e comer de ti
pois é essa a verdadeira sede
e fome a ser saciada.
Pois é esse o verdadeiro desejo
e não é só de prazer.
É a real necessidade de ter tudo
da mulher que amo.
E saber-se inteiramente contido
em cada gota de esperma,
saliva, sangue ou suor
por ti e por mim derramada
imolada, ofertada...
no perfeito ato de entrega.
Sem meias porções,
sem meias sensações
sem mascarar as ilusões
e sim esculpir na carne,
construir nas porosidades
de todos interstícios
a mistura de humores
o miscigenar de espíritos.
Assim, cada vez que eu te amar,
te amarei por inteiro
e você inteira.
E na explosão
meu gozo será com o teu
para dar todo impulso
e te encontrar.
flor escancarada,
pronta para germinar
e criar dentro de ti.
Quererei ser teu
dentro de ti. Vivo.
Vivo, carne, alma.
Ser.
Todo.
Teu.
bebo tudo.
O licor desejado e aquele
que ainda couber...
Talvez ainda sobre espaço para beber
para anestesiar a ressaca de ontem.
Penetrar no recinto dos fantasmas
e participar dele.
Saber-se na vertigem
das perdições inconcebíveis.
Saber-se à boca da sarjeta
os restos de lua e luz
confusa, difusa
das percepções da noite.
Sim, a visita de Netuno
com seus mares
com suas águas
onde tudo pode ser e nada é.
A ingestão do âmbar
o cheiro dos perfumes...
A náusea de saber-se
uma pequena tristeza
na multidão dos seres
na noite de todos os desesperos.
Quando eu como,
como tudo.
Como se buscasse saciar
a fome do mundo.
Como não fosse o amanhã
o construtor do prato feito.
Como se fosse necessário
criar a reserva para
as sete vacas do porvir.
Quando eu amo,
amo tudo.
Eu te quero,
e quero toda.
Quero beber e comer de ti
pois é essa a verdadeira sede
e fome a ser saciada.
Pois é esse o verdadeiro desejo
e não é só de prazer.
É a real necessidade de ter tudo
da mulher que amo.
E saber-se inteiramente contido
em cada gota de esperma,
saliva, sangue ou suor
por ti e por mim derramada
imolada, ofertada...
no perfeito ato de entrega.
Sem meias porções,
sem meias sensações
sem mascarar as ilusões
e sim esculpir na carne,
construir nas porosidades
de todos interstícios
a mistura de humores
o miscigenar de espíritos.
Assim, cada vez que eu te amar,
te amarei por inteiro
e você inteira.
E na explosão
meu gozo será com o teu
para dar todo impulso
e te encontrar.
flor escancarada,
pronta para germinar
e criar dentro de ti.
Quererei ser teu
dentro de ti. Vivo.
Vivo, carne, alma.
Ser.
Todo.
Teu.
1 323
Simone Barbariz
Hemisférios
No Sul, arde o calor,
Que vai subindo por todo meu corpo,
Que vai me consumindo,
Deixando-me insana...
No Norte, há frio, há neve,
Que gela minha alma,
Que me faz tremer,
Mas não me faz chorar...
O Sul é meu sexo
Úmido e quente
Como uma floresta tropical...
O Norte é meu coração
O qual fiz uma fortaleza
Transponível, somente, por você...
Que vai subindo por todo meu corpo,
Que vai me consumindo,
Deixando-me insana...
No Norte, há frio, há neve,
Que gela minha alma,
Que me faz tremer,
Mas não me faz chorar...
O Sul é meu sexo
Úmido e quente
Como uma floresta tropical...
O Norte é meu coração
O qual fiz uma fortaleza
Transponível, somente, por você...
878
Liz Christine
Meu brinquedo
Você quer me algemar?
Me desnudar
Me cobrir
Com beijos
Em seu olhar
Faíscam desejos
Quero te amar
Sem medo
Quero ser
Seu brinquedo
Quero te ver
Me desvendando
Me fudendo
Com amor
Estou nua
Te dizendo
Sem pudor
Me possua
Me ame sem medo
E seja meu brinquedo
Me desnudar
Me cobrir
Com beijos
Em seu olhar
Faíscam desejos
Quero te amar
Sem medo
Quero ser
Seu brinquedo
Quero te ver
Me desvendando
Me fudendo
Com amor
Estou nua
Te dizendo
Sem pudor
Me possua
Me ame sem medo
E seja meu brinquedo
1 134
Ronilson Rocha
A metade
Sinto tantos desejos estranhos
quando te vejo tão sensual
olhar no fundo de teus olhos castanhos
e te fazer feliz de modo sem igual....
acariciar-te por inteira
dizer-te bobagens ao ouvido
deitar-te numa esteira
e me sentir totalmente envolvido...
Pois teu cheiro me desperta o olfato...
tua voz me comanda de forma aberta...
quando sinto a tua pele macia, de fato...
é como ter achado a metade que me completa...
quando te vejo tão sensual
olhar no fundo de teus olhos castanhos
e te fazer feliz de modo sem igual....
acariciar-te por inteira
dizer-te bobagens ao ouvido
deitar-te numa esteira
e me sentir totalmente envolvido...
Pois teu cheiro me desperta o olfato...
tua voz me comanda de forma aberta...
quando sinto a tua pele macia, de fato...
é como ter achado a metade que me completa...
887
Simone Barbariz
Temporal de amor
Um temporal caía lá fora
E o vento soprava forte
Relâmpagos cortavam o céu
E violentos trovões podiam ser ouvidos ao longe
A Natureza estava em fúria,
Mas nada comparado
Às cobertas desalinhadas
E dois corpos suados...
Amávamos com ardente paixão
Com um desejo de fundirmo-nos
Em um só corpo, uma só alma...
Estávamos criando nosso próprio temporal,
Nossa própria tormenta
Afogando-nos em amor...
E o vento soprava forte
Relâmpagos cortavam o céu
E violentos trovões podiam ser ouvidos ao longe
A Natureza estava em fúria,
Mas nada comparado
Às cobertas desalinhadas
E dois corpos suados...
Amávamos com ardente paixão
Com um desejo de fundirmo-nos
Em um só corpo, uma só alma...
Estávamos criando nosso próprio temporal,
Nossa própria tormenta
Afogando-nos em amor...
902
Edmilson
Um dia é pouco
Um dia vida minha, vou tirar você desta coisinha
e te envolver na guerra de novos abraços.
Sacar do calhamaço um último pedido e me esquecer de
ter te oferecido apenas o silêncio,
me esquecer de ter adormecido frente ao contra-senso
de esconder palavras...
Um dia bucetinha, vou colar você na ladainha
do desejo e cobrir de beijo teu mistério.
E aquele critério de mulher com classe irá por água abaixo
quando eu retirar do cacho tua vulva esperta
e detonar prazeres pelas labaredas deste corpo em chamas...
Um dia vagabunda vou ejacular na sua tumba
e desdizer que a flor da morte é mais fecunda que a dor da vida.
Vou chorar na despedida,
mas meu coração gelado
vai zombar do teu projeto mal pensado
de suicidar-se,
e desprezar os novos ares que te acolheram
e te arrastaram deste mundo louco...
Um dia, meu amor é pouco, um dia é muito pouco...
e te envolver na guerra de novos abraços.
Sacar do calhamaço um último pedido e me esquecer de
ter te oferecido apenas o silêncio,
me esquecer de ter adormecido frente ao contra-senso
de esconder palavras...
Um dia bucetinha, vou colar você na ladainha
do desejo e cobrir de beijo teu mistério.
E aquele critério de mulher com classe irá por água abaixo
quando eu retirar do cacho tua vulva esperta
e detonar prazeres pelas labaredas deste corpo em chamas...
Um dia vagabunda vou ejacular na sua tumba
e desdizer que a flor da morte é mais fecunda que a dor da vida.
Vou chorar na despedida,
mas meu coração gelado
vai zombar do teu projeto mal pensado
de suicidar-se,
e desprezar os novos ares que te acolheram
e te arrastaram deste mundo louco...
Um dia, meu amor é pouco, um dia é muito pouco...
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