Citações neste tema
Sociedade e Mundo
Karl Kraus
O pensamento regula o mundo como o bíter faz com o estômago arruinado: ele não tem nada contra o órgão.
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Karl Kraus
Um dos caracteres sexuais voltou a ser inteiramente suficiente. Podemos distinguir uma sufragista de um bailarino.
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Karl Kraus
Teatro de variedades. O humor da comédia-pastelão é hoje em dia o único humor com visão de mundo. Por ter um fundamento mais profundo, ele parece não ter fundamento, tal como a ação que oferece. Sem fundamento é o riso que ele provoca em nossa região. Quando uma pessoa acaba subitamente de quatro, trata-se de um efeito de contraste primitivo do qual corações simples não conseguem se esquivar. Uma compreensão mais refinada já pressupõe a representação de um mestre de cerimónias que se esborracha no parquê. Seria a demonstração do absurdo da dignidade, da pompa, da vida decorativa. A cultura da Europa Central oferece todos os pressupostos para a compreensão desse humor. O humor dos clowns não tem raízes aqui. Quando um deles salta sobre a barriga do outro, o que pode cativar é apenas a comicidade da mudança de posição, do acidente nunca visto. Mas o humor norte-americano é a demonstração do absurdo de uma vida em que o homem se tornou uma máquina. O trânsito flui sem obstáculos; por isso, é plausível que alguém entre voando pela janela e seja lançado pela porta, que leva com ele. A vida foi imensamente simplificada. Visto que o conforto é o princípio supremo, é algo óbvio que se pode obter cerveja fazendo um furo numa pessoa e segurando uma caneca debaixo da abertura. As pessoas dão golpes de picareta no crânio das outras e perguntam atenciosas: “O senhor notou isso?”. É uma interminável carnificina de máquinas, na qual não corre nenhum sangue. A vida tem um humor que caminha sobre cadáveres, sem machucar. Por que essa violência? Ela é apenas uma prova de força imposta à comodidade. Aperta-se um botão e um criado morre. O que for incómodo é tirado do caminho. Vigas dobram-se à vontade, tudo anda com desembaraço, ninguém está à toa. Mas, de repente, um pedaço de papel não quer parar no lugar. Ele não fica onde foi jogado por uma questão de comodidade, mas sempre volta a subir. Isso é incómodo, e a pessoa se vê obrigada a convencê-lo com o martelo. Ele ainda estremece. A pessoa quer abatê-lo a tiros. Ele é explodido com dinamite. Uma aparelhagem nunca vista é empregada para aquietá-lo. A vida tornou-se terrivelmente complicada. No fim, tudo vira uma grande confusão porque um objeto qualquer da natureza não quis se encaixar no sistema... Talvez um farrapo de sentimentalismo que um defraudador trouxe lá da Europa.
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Karl Kraus
As épocas morrem da gordura ou da magreza. A atual quer zombar da morte por meio de uma pobreza superalimentada.
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Karl Kraus
O austríaco por certo tem a sensação de que nada lhe pode acontecer porque a consciência de ter nascido num lugar condenado o protege de surpresas.
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Karl Kraus
A política engana-nos com valores germano-austríacos de simpatia. Mas, exceto por brindes e libretos, nada há que prove uma comunidade de espírito entre esses dois povos. Diplomatas e agentes teatrais empenham-se na aproximação. Os de fora ficam a saber então que há um reino misterioso em que Itzig e Janosch dão o tom, e estimam-nos pela subvenção de sangue hussardo e amor cigano que o dia de trabalho berlinense recebe. Um teatro chamado judaísmo, que flutua entre a Ringstrasse e a Unter den Linden, atesta e representa a nossa vida intelectual perante a Alemanha. Que diz a política sobre o facto de não haver livro que provenha da Áustria que não seja posto em música? A proveniência vienense é tão odiosa que só lhe são perdoados os produtos da imbecilidade e da patifaria. Por estes, pelo menos, reconhece-se a origem e admite-se a autenticidade. Mas que esforço sobre-humano custa impingir a literatura austríaca como presente a um vendedor ambulante! Que diz a política sobre o facto de Die Fackel, que há tempos luta por não ser mais notória na Áustria, depois de apenas dez anos começar a tornar-se o que é: um facto alemão?
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Karl Kraus
A política engana-nos com valores germano-austríacos de simpatia. Mas, exceto por brindes e libretos, nada há que prove uma comunidade de espírito entre esses dois povos. Diplomatas e agentes teatrais empenham-se na aproximação. Os de fora ficam a saber então que há um reino misterioso em que Itzig e Janosch dão o tom, e estimam-nos pela subvenção de sangue hussardo e amor cigano que o dia de trabalho berlinense recebe. Um teatro chamado judaísmo, que flutua entre a Ringstrasse e a Unter den Linden, atesta e representa a nossa vida intelectual perante a Alemanha. Que diz a política sobre o facto de não haver livro que provenha da Áustria que não seja posto em música? A proveniência vienense é tão odiosa que só lhe são perdoados os produtos da imbecilidade e da patifaria. Por estes, pelo menos, reconhece-se a origem e admite-se a autenticidade. Mas que esforço sobre-humano custa impingir a literatura austríaca como presente a um vendedor ambulante! Que diz a política sobre o facto de Die Fackel, que há tempos luta por não ser mais notória na Áustria, depois de apenas dez anos começar a tornar-se o que é: um facto alemão?
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Karl Kraus
O progresso não se deixa deter por proibições. Na Engadina não é permitida a circulação de automóveis. A consequência? Os cocheiros dão sinais de buzina.
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Karl Kraus
O progresso não se deixa deter por proibições. Na Engadina não é permitida a circulação de automóveis. A consequência? Os cocheiros dão sinais de buzina.
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Karl Kraus
O sujeito gostava muito de citar um dito de Jean Paul: “Todo especialista é um asno na sua especialidade”. É que ele se sentia em casa em todas as especialidades.
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Karl Kraus
Nada disso, não sou um resmungão; o meu ódio contra esta cidade não é um amor que perdeu o seu rumo, mas encontrei uma maneira inteiramente nova de a achar insuportável.
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