A política nos engana com valores germano-austríacos de simpatia. Mas, exceto po… — Karl Kraus

A política engana-nos com valores germano-austríacos de simpatia. Mas, exceto por brindes e libretos, nada há que prove uma comunidade de espírito entre esses dois povos. Diplomatas e agentes teatrais empenham-se na aproximação. Os de fora ficam a saber então que há um reino misterioso em que Itzig e Janosch dão o tom, e estimam-nos pela subvenção de sangue hussardo e amor cigano que o dia de trabalho berlinense recebe. Um teatro chamado judaísmo, que flutua entre a Ringstrasse e a Unter den Linden, atesta e representa a nossa vida intelectual perante a Alemanha. Que diz a política sobre o facto de não haver livro que provenha da Áustria que não seja posto em música? A proveniência vienense é tão odiosa que só lhe são perdoados os produtos da imbecilidade e da patifaria. Por estes, pelo menos, reconhece-se a origem e admite-se a autenticidade. Mas que esforço sobre-humano custa impingir a literatura austríaca como presente a um vendedor ambulante! Que diz a política sobre o facto de Die Fackel, que há tempos luta por não ser mais notória na Áustria, depois de apenas dez anos começar a tornar-se o que é: um facto alemão?
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