O jornalismo, que conduz os espíritos para dentro de seu curral, conquista sua p… — Karl Kraus

O jornalismo, que conduz os espíritos para dentro do seu curral, conquista a sua pastagem entretanto. Jornalistas querem ser autores. Publicam-se antologias de folhetim nas quais nada causa mais espanto do que o trabalho não se ter desintegrado nas mãos do encadernador. Assa-se pão a partir de migalhas. O que lhes dá a esperança da permanência? O interesse permanente no material que eles “escolhem”. Alguém que tagarela sobre a eternidade não deveria ser ouvido enquanto a eternidade durar? Desta falácia vive o jornalismo. Ele tem sempre os maiores temas, e nas suas mãos a eternidade pode tornar-se atual; mas ela acaba envelhecendo com a mesma facilidade. O artista dá forma ao dia, à hora, ao minuto. Por mais limitado e condicionado temporal e espacialmente que seja o seu motivo, a sua obra cresce mais ilimitada e livremente quanto mais dele se afasta. Que ela envelheça serenamente no instante: ela rejuvenesce com o passar das décadas.
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