Citações neste tema
Arte
Luis Fernando Verissimo
Fizemos muita bobagem, é verdade — guerras, filhos demais, sacanagem com os outros, carros com rabo de peixe, Brasília —, mas também fizemos coisas admiráveis, como a catedral de Chartres e a Patricia Pillar.
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Luis Fernando Verissimo
Você sabe que um diretor de cinema está se repetindo, e se imitando, quando suas “obsessões” ou seus “toques característicos” começam a ser chamados de chavões.
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Luis Fernando Verissimo
Michelangelo e Bernini são como os motociclistas de Roma: estão por toda a cidade e você nunca deixa de se espantar com o que eles fizeram.
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Luis Fernando Verissimo
Virou musa. Escultores queriam ver o seu busto em praça pública, mas ela dizia “Não, pode vir alguém…”.
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Luis Fernando Verissimo
não existe em português, mas ninguém conseguiria dizer “um kantiano kitsch de kilt num kart” sem ela, a não ser que fosse fanho. Embora seja pouco provável que alguém, algum dia, precise usar essa frase.
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Luis Fernando Verissimo
Dizem que Kurosawa nunca teve no Japão o prestígio que teve no Ocidente. Talvez não tenha sido um dos melhores diretores do Japão, mas foi um dos melhores diretores do mundo. Kurosawa nunca fez o espetáculo só pelo espetáculo e até uma carga de cavalaria num filme seu podia ser uma reflexão humanista. (Cf. Diretores)
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Luis Fernando Verissimo
Na lista das melhores aberturas de filme de todos os tempos tem que estar a do Lolita do Kubrick. Close do pé de uma menina, sustentado no ar pela mão de um homem mais velho sob o tornozelo. Com a outra mão, o homem começa, delicadamente, a pintar as unhas do pé. Aparecem os créditos.
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Luis Fernando Verissimo
Uma vez em Paris, não é uma necessidade ir ao Louvre, mas pode-se fazer o seguinte: entrar pela nova pirâmide, correr até a Mona Lisa, afastando japoneses do caminho a cotoveladas, prestar vinte segundos de homenagem a Leonardo da Vinci e, por seu intermédio, a toda a moçada da Renascença e depois sair correndo do museu, sem esquecer de abanar para a Vênus de Milo, que não poderá responder ao abano.
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Luis Fernando Verissimo
O termo “kafkiano” já perdeu qualquer contato com a literatura que lhe deu origem e é usado por gente que nem sabe quem foi Kafka — o que não deixa de ser meio kafkiano.
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Luis Fernando Verissimo
A influência mais direta sobre as Cobras é a de Pogo, de Walt Kelly, que eu lia muito há alguns anos. Mas a semelhança entre as histórias — se existe — é apenas de espírito. O desenho é completamente diferente. Kelly era um veterano dos estúdios Disney. Seus personagens tinham mãos. Alguns, até dedos!
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Luis Fernando Verissimo
Charlie Parker foi o maior improvisador do jazz até hoje. Um solo seu é ao mesmo tempo uma aventura intelectual e uma experiência emocional.
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Luis Fernando Verissimo
Toda grande obra de arte talvez dependa de uma certa megalomania do seu autor. Só a convicção inabalável de que era Beethoven permitiu a Beethoven compor as suas sinfonias, por exemplo.
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Luis Fernando Verissimo
A gastronomia é a única arte que literalmente consome o seu objeto. O gourmet não tem o que colecionar ou contemplar, a não ser boas lembranças. (Cf. Culinária)
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Luis Fernando Verissimo
O mais importante humorista da época da censura foi o Henfil, um cartunista. Fazia críticas aos governos e aos militares, mas disfarçadas pelo desenho. Por alguma razão, a gente podia dizer coisas com os cartuns que não era possível expressar no texto. Talvez porque o desenho tenha essa conotação de algo lúdico, infantil.
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Luis Fernando Verissimo
Uma imitação perfeita só deixa de ter o mesmo valor do original quando é descoberta. Dizem que várias obras atribuídas a Rembrandt não são dele, são de um falsificador. Mas continuam nos museus, encantando todo o mundo. Por que estragar o prazer de ver ou ter um Rembrandt por um detalhe?
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Luis Fernando Verissimo
O único engajamento político que se deve pedir a um artista é o de retratar a estupidez humana e usar sua criação como um testemunho contra. Se não fosse pelos artistas, a crueldade da história não deixaria vestígios.
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Luis Fernando Verissimo
Sendo o mais narcisista, Fellini é o mais italiano dos diretores italianos. E o mais divertido.
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Luis Fernando Verissimo
AH : Interjeição, usada para indicar espanto, admiração, medo. Curiosamente, também são as iniciais de Alfred Hitchcock. (Cf. Hitchcock)
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Luis Fernando Verissimo
Faz parte da arte de escrever a distribuição sagaz de espaços abertos, como os jardins nas casas. Assim respira o texto e respira o leitor. Toda arquitetura, de pedra ou palavra, deve ter aberturas bem-postas por onde circule o ar e cure-se a opressão. (Cf. Clareza)
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Luis Fernando Verissimo
Como os seus vinhos, os diretores da França e da Itália também envelhecem de forma desigual: Truffaut resistiu mais do que Godard e Resnais, os Fellinis são hoje mais tragáveis do que os Antonionis, embora na época parecessem mais ralos, e nenhum bate um bom Monicelli guardado na temperatura adequada.
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