Citações neste tema
Literatura e Palavras
Mário Quintana
Descobri na Meditação contemplativa do Padre Júlio Maria esta frase, que daria uma bela epígrafe para um livro de poemas: “E a visão não aproveitou nem a Balaão nem à besta.” Aconselharam-me que desistisse, porque Balaão é meio desconfiado.
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Mário Quintana
O que nos atrai no 007 é que ele é o tipo do herói anti-shakespeariano. Nada de casos de consciência. Não é como esse pobre príncipe Hamlet que, para cometer meia dúzia de crimes, passa todo o tempo falando sozinho...
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Mário Quintana
Os versos de Casimiro são tão nossos que gostar deles é um sinal de autenticidade — ... e, mesmo, como beber água da fonte na concha das mãos... E como ele ainda está entre nós — tão vivo — nos melhores e nos piores momentos da poesia popular!
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Mário Quintana
Cada vez que o poeta cria uma borboleta, o leitor exclama: “Olha uma borboleta!” O crítico ajusta os nasóculos e, ante aquele pedaço esvoaçante de vida, murmura: — Ah! sim, um lepidóptero.
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Mário Quintana
Há anos venho procurando esta raridade bibliográfica: uma edição da Divina Comédia sem comentários. Raridade? Creio que nem existe maravilha assim.
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Mário Quintana
A Bem-Amada queria devorar o coração do Poeta. — Não — disse ele —, só terás um pedacinho. Porque noventa por cento pertence aos Editores.
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Mário Quintana
O espaço é cheio de buracos: nós, as coisas, os mundos. A perfeição seria o espaço puro, fica ele a pensar com os seus buracos... Mas isso, Sr. Espaço, é uma coisa tão impossível como a poesia pura.
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Mário Quintana
Há duas espécies de livros: uns que os leitores esgotam, outros que esgotam os leitores.
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Mário Quintana
As palavras de gíria, isso não tem grande importância, meu caro professor: tão logo aparecem, desaparecem. O pior são essas ideias de gíria...
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Mário Quintana
E eis que ressurge agora o novo homem das Cruzadas, isto é, das palavras cruzadas.
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Mário Quintana
Há certas coisas que não haveria mesmo ocasião de as colocarmos sensatamente numa conversa — e que só num poema estão no seu lugar. Deve ser por esse motivo que alguns de nós começaram, um dia, a fazer versos. Um modo muito curioso de falar sozinho, como se vê, mas o único modo de certas coisas caírem no ouvido certo.
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Mário Quintana
O que mais enfurece o vento são esses poetas inveterados que o fazem rimar com lamento.
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Mário Quintana
A linha casimiriana da poesia brasileira começou antes, em Tomás Antônio Gonzaga. É um regato límpido, por vezes interrompido aparentemente, mas que reponta sempre, quando tudo parecia perdido.
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Mário Quintana
Sempre me pareceu que as antigas gramáticas complicavam muito as coisas. Lá diziam elas, por exemplo: “Coloca-se o pronome oblíquo depois do verbo.” Muito bem! O diabo é que se seguia uma lista de 15 ou 16 exceções. Ora, ficaria muito mais fácil se dissessem: “o pronome oblíquo é colocado antes do verbo, exceto quando este inicia uma frase”. E olhe lá!
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