Citações neste tema
Literatura e Palavras
Manuel Bandeira
Quem organiza uma antologia escreve sempre um prefácio em que declara o critério adotado. O que sucede de ordinário é que a maioria dos leitores não faz caso do prefácio. Agora sei que os prefácios são inúteis, e entre apanhar e apanhar, antes apanhar sem prefácio.
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Edward Young
Alguns, em nome da fama, com farrapos de erudição se besuntam, e imortais se crêem tornar à medida que citam.
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Novalis
Também o prefácio é um subtil medidor de livros. Por isso os mais espertos costumam agora deixar de lado esse traiçoeiro indicador de conteúdo, e os comodistas fá-lo-ão porque um bom prefácio é mais difícil que o livro. [...] O prefácio é ao mesmo tempo a raiz e o quadrado do livro e, por conseguinte, acrescento eu, nada outro, senão a sua genuína resenha.
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Luis Fernando Verissimo
Quem escreve para publicidade está sempre atrás da frase definitiva. Não importa se for sobre um uísque de luxo ou uma liquidação de varejo, importa é a frase. O melhor texto de publicidade que eu já vi era assim: uma foto colorida de uma garrafa de uísque Chivas Regal e, embaixo, uma única frase: “O Chivas Regal dos uísques”.
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Luis Fernando Verissimo
Crônicas são anotações nas margens da história. Uma analogia que só se sustentará enquanto o livro não for substituído pelo tablet.
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Luis Fernando Verissimo
Deus disse “que haja muitas línguas, e que cada língua tenha muitos dialetos”. E depois, para ter certeza de que os homens nunca mais se entenderiam, completou: “E que haja tradutores”.
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Luis Fernando Verissimo
No fundo, no fundo, os escritores passam o tempo todo redigindo a sua nota de suicida. Os que se suicidam mesmo são os que a terminam mais cedo.
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Luis Fernando Verissimo
Muitas palavras pedem outro significado do que os que têm. “Plúmbeo” devia ser o barulho que um objeto faz ao cair na água. “Alvíssaras” deviam ser flores, “picuinha” um tempero e “lorota”, claro, o nome de uma manicure gorda.
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Luis Fernando Verissimo
Certas palavras nos dão a impressão de que voam, ao saírem da boca. “Sílfide”, por exemplo. É dizer “sílfide” e ficar vendo suas evoluções no ar, como as de uma borboleta.
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Luis Fernando Verissimo
Um escritor só é responsável pelo seu texto até o ponto final. O mundo que o texto vai encontrar depois do ponto final — o mundo dos leitores, dos críticos, do comércio e das repercussões — escapa ao seu controle. (Cf. Ofício )
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Luis Fernando Verissimo
Muitas pessoas têm uma queda para a literatura, nem que seja só de um degrau.
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Luis Fernando Verissimo
O tamanho do texto não determina a sua qualidade. Sempre cito o exemplo do Rubem Braga, que raramente passou do tamanho normal de uma coluna e mesmo assim foi um dos nossos maiores escritores.
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Luis Fernando Verissimo
Interromper a leitura para consultar notas de pé de página é como ter que sair da cama quente para ver que barulho é aquele no porão.
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Luis Fernando Verissimo
Sempre escrevemos para recordar a verdade. Quando inventamos, é para recordá-la mais exatamente. (Cf. Autoria )
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Luis Fernando Verissimo
Recebo xingamentos e elogios por coisas que não escrevi. Uma vez uma senhora me parou para falar que nunca gostou muito dos meus textos, mas que um chamado “Quase” era muito bom. Eu nunca escrevi isso, mas agora ele é quase meu.
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Luis Fernando Verissimo
Gosto muito de uma frase do Zuenir Ventura, que diz que ele não gosta de escrever, gosta de ter escrito. O ato de escrever não me dá muito prazer, não. Bom é ter escrito.
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Luis Fernando Verissimo
Muitos escritores novos dizem que seu maior problema é saber por onde começar. Não é. O maior problema de quem escreve (ou compõe, ou interpreta, ou, principalmente, discursa) é saber onde parar.
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Luis Fernando Verissimo
O Jorge Luis Borges dizia que o escritor publica seus livros para livrar-se deles, para não ficar reescrevendo-os ao infinito. Mas Borges, que nunca fez um texto muito longo, foi um grande exemplo de quem sempre soube onde parar.
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