Citações neste tema
Política e Poder
Padre António Vieira
A boa opinião, de que tanto depende o bom governo, não se forma do que é, senão do que se cuida; e tanto se devem observar as obras próprias, como respeitar os pensamentos e línguas alheias.
44
Padre António Vieira
Bem é que se diga a opinião comum, mas mais razão é que se diga a singular, quando essa, por razões patentes, for mais bem fundada.
48
Padre António Vieira
Não há cousa mais inconstante no mundo que os reinos, nem menos durável que sua glória e felicidade.
48
Padre António Vieira
Não há leis tão justas e leves que não necessitem de quem as faça executar e guardar.
42
Padre António Vieira
Oh!, malditas utilidades! Este é o engano que perde aos príncipes. Dispensam-se as leis por utilidade (que ordinariamente são dos particulares e não suas) e abre-se a porta à ruína universal, que só se pode evitar com a observância inviolável das leis.
45
Padre António Vieira
Dizem que os que governam são espelho da república: não é assim, senão ao contrário. A república é o espelho dos que a governam. Porque assim como o espelho não tem acção própria, e não é mais que uma indiferença de vidro, que está sempre exposta a retratar em si os movimentos de quem tem diante, assim o povo, ou república sujeita, se se move, ou não se move, é pelo movimento ou sossego de quem a governa.
29
Padre António Vieira
Em poucos, há ordem, há união, há conselho; na multidão, nem ordem, porque será perturbação; nem união, porque será discórdia; nem conselho, porque será tumulto. Os ministros hão-de ser como as leis: as leis hão-de ser poucas e bem guardadas; e os ministros poucos e escolhidos.
37
Padre António Vieira
Cuidam os ministros que feitos os conselhos, feitas as consultas, feitos os decretos, está feito tudo; e ainda não se começou a fazer nada. O princípio dos negócios é a execução: enquanto se não dão à execução não se lhes tem dado princípio.
48
Padre António Vieira
Não há votos mais perniciosos na paz e na guerra, nem mais bem aceites comummente aos que governam o leme, que os que por poupar a fazenda impossibilitam as acções, com o que o que havia de ser trabalho é ociosidade, e o que havia de importar muito se resolve em nada.
47
Padre António Vieira
Nos pecados de ministros, se o poder se ajunta com a ambição, com a soberba, com o ódio, com a vingança, com a inveja, com o respeito, com a adulação, não há lei humana nem divina que se não atropele, não há merecimento que se não aniquile, não há incapacidade que se não levante, não há pobreza, nem miséria, nem lágrimas que se não acrescentem, não há injustiça que se não aprove, não há violência, não há crueldade, não há tirania que se não execute.
46
Padre António Vieira
A enfermidade mais geral de que adoecem as cortes, e a dor ou o achaque de que todos comummente se queixam, é de mal despachados. Em alguns se queixa o merecimento, em outros a necessidade, em muitos a própria estimação e em todos o costume. O benemérito chama-lhe sem-razão, o necessitado diz que é crueldade, o presumido toma-o por agravo e o mais modesto dá-lhe o nome de desgraça e pouca ventura.
28
Padre António Vieira
A peste do governo é a irresolução. Está parado o que havia de correr, está suspenso o que havia de voar, porque não atamos nem desatamos.
41
Padre António Vieira
Não pode ser um estado bem governado, cujos ministros são interesseiros. Como procurará a abundância o que tem seu lucro na carestia? Como amará a república quem idolatra os seus tesouros? Onde reina esta cobiça falta a quietação e a paz, caem as monarquias. São os mui atentos em suas fortunas perigosos em os grandes postos.
32
Padre António Vieira
Os governos são para fazer bem com o pão próprio, e não para acrescentar os bens com o pão alheio.
26
Padre António Vieira
Nenhum segue mais leis que as da conveniência própria. Imaginar o contrário é querer emendar o mundo, negar a experiência e esperar impossíveis.
9
Padre António Vieira
Mais facilmente se passa de um extremo ao outro que do meio ao extremo. É o meio nas matérias da perfeição, como nas da política, em que as resoluções meias são as piores, porque não atam nem desatam. Também a neutralidade é meio; e pior é a profissão de neutral que a de inimigo declarado.
68