Tempo e Passagem
William Shakespeare
Vemos para que lado corre o fluxo do tempo e somos forçados de nosso mais quieto lá pela torrente áspera da ocasião.
William Shakespeare
A beleza do prazer é como a flor que desabrocha: ela existe, mas se desfaz rapidamente, e nos deixa com a memória.
William Shakespeare
A preocupação é o peso invisível que o homem carrega, fazendo com que ele se perca nas sombras do futuro e perca a paz do presente.
William Shakespeare
O amanhã, e o amanhã, e o amanhã se arrasta nesse passo miúdo, dia após dia, até a última sílaba do tempo gravado.
William Shakespeare
Mas tua eternidade não se apaga Com os anos, nem perde o brilho de seu olhar,E em versos imortais vives, que o tempo não apagará.
William Shakespeare
Nós somos feitos da mesma substância que os sonhos, e a nossa vida curta é um sonho.
William Shakespeare
E todo o belo do belo, em algum momento, declina, pela sorte ou pelo curso mutável da natureza.
Karl Kraus
Conheci um cão que era tão grande quanto uma pessoa, tão ingénuo quanto uma criança e tão sábio quanto um ancião. O tempo que parecia ter era tanto que não caberia numa vida humana. Quando tomava sol e observava alguém enquanto isso, era como se quisesse dizer: “Porque têm tanta pressa?”. E certamente o diria; bastaria que se esperasse.
Karl Kraus
“Espaço de tempo”: isso é um quodlibet de eternidade. Tentemos uma vez imaginar, sem ter dores de cabeça, o tempo de espaço.
Karl Kraus
O jornalismo, que conduz os espíritos para dentro do seu curral, conquista a sua pastagem entretanto. Jornalistas querem ser autores. Publicam-se antologias de folhetim nas quais nada causa mais espanto do que o trabalho não se ter desintegrado nas mãos do encadernador. Assa-se pão a partir de migalhas. O que lhes dá a esperança da permanência? O interesse permanente no material que eles “escolhem”. Alguém que tagarela sobre a eternidade não deveria ser ouvido enquanto a eternidade durar? Desta falácia vive o jornalismo. Ele tem sempre os maiores temas, e nas suas mãos a eternidade pode tornar-se atual; mas ela acaba envelhecendo com a mesma facilidade. O artista dá forma ao dia, à hora, ao minuto. Por mais limitado e condicionado temporal e espacialmente que seja o seu motivo, a sua obra cresce mais ilimitada e livremente quanto mais dele se afasta. Que ela envelheça serenamente no instante: ela rejuvenesce com o passar das décadas.
Karl Kraus
Contra isso, a tendência deslocadora de valores do jornalismo nada pode fazer. Ele pode dar certificados de garantia válidos por um século para os relógios aos quais dá corda: eles já estão parados quando o comprador saiu da loja. O relojoeiro diz que a culpa é do tempo, e não do relógio, e gostaria de fazer aquele parar a fim de salvar a reputação do relógio. Ele fala mal da hora ou a condena a um silêncio de morte. Mas o génio da hora segue em frente e faz amanhecer e anoitecer, embora o mostrador queira outra coisa. Quando ele bate dez horas e mostra onze, podemos contar que é meio-dia, e o sol dá risada dos relojoeiros ofendidos.
Karl Kraus
Escreve-se de tal maneira sobre o tempo e o espaço como se fossem coisas para as quais ainda não se tivesse encontrado qualquer aplicação na vida prática.