Poemas neste tema
Amor não correspondido
Fernando Pessoa
Moreninha, moreninha,
Moreninha, moreninha,
Com olhos pretos a rir.
Sei que nunca serás minha,
Mas quero ver-te sorrir.
Com olhos pretos a rir.
Sei que nunca serás minha,
Mas quero ver-te sorrir.
1 123
Fernando Pessoa
Ris-te de mim? Não me importo.
Ris-te de mim? Não me importo.
Rir não faz mal a ninguém.
Teu rir é tão engraçado
Que, quando faz mal, faz bem.
Rir não faz mal a ninguém.
Teu rir é tão engraçado
Que, quando faz mal, faz bem.
1 474
Fernando Pessoa
A esmola que te vi dar
A esmola que te vi dar
Não me deu crença nem fé,
Pois a que estou a esperar
Não é esmola que se dê.
Não me deu crença nem fé,
Pois a que estou a esperar
Não é esmola que se dê.
1 479
Fernando Pessoa
Vai alta sobre a montanha
Vai alta sobre a montanha
Uma nuvem sem razão.
Meu coração acompanha
O não teres coração.
Uma nuvem sem razão.
Meu coração acompanha
O não teres coração.
1 512
Fernando Pessoa
Quando passas pela rua
Quando passas pela rua
Sem reparar em quem passa,
A alegria é toda tua
E minha toda a desgraça.
Sem reparar em quem passa,
A alegria é toda tua
E minha toda a desgraça.
2 241
Fernando Pessoa
Dona Rosa, Dona Rosa,/Quando eras inda botão
Dona Rosa, Dona Rosa,
Quando eras inda botão
Disseram-te alguma cousa
De a flor não ter coração?
Quando eras inda botão
Disseram-te alguma cousa
De a flor não ter coração?
1 663
Fernando Pessoa
Trazes a bilha à cabeça
Trazes a bilha à cabeça
Como se ela não houvesse.
Andas sem pressa depressa
Como se eu lá não estivesse.
Como se ela não houvesse.
Andas sem pressa depressa
Como se eu lá não estivesse.
1 458
Fernando Pessoa
Quando tiraste da cesta
Quando tiraste da cesta
Os figos que prometeste
Foi em mim dia de festa,
Mas foi a todos que os deste.
Os figos que prometeste
Foi em mim dia de festa,
Mas foi a todos que os deste.
1 362
Fernando Pessoa
Levas uma rosa ao peito
Levas uma rosa ao peito
E tens um andar que é teu...
Antes tivesses o jeito
De amar alguém, que sou eu.
E tens um andar que é teu...
Antes tivesses o jeito
De amar alguém, que sou eu.
2 189
Fernando Pessoa
Talvez quem vê bem não sirva para sentir
Talvez quem vê bem não sirva para sentir
E não agrada por estar muito antes das maneiras.
É preciso ter modos para todas as coisas,
E cada coisa tem o seu modo, e o amor também.
Quem tem o modo de ver os campos pelas ervas
Não deve ter a cegueira que faz fazer sentir.
Amei, e não fui amado, o que só vi no fim,
Porque não se é amado como se nasce mas como acontece.
Ela continua tão bonita de cabelo e boca como dantes,
E eu continuo como era dantes, sozinho no campo.
Como se tivesse estado de cabeça baixa,
Penso isto, e fico de cabeça alta
E o dourado sol seca a vontade de lágrimas que não posso deixar de ter.
Como o campo é vasto e o amor interior...!
Olho, e esqueço, como seca onde foi água e nas árvores desfolha.
Eu não sei falar porque estou a sentir.
Estou a escutar a minha voz como se fosse de outra pessoa,
E a minha voz fala dela como se ela é que falasse.
Tem o cabelo de um louro amarelo de trigo ao sol claro,
E a boca quando fala diz coisas que não só as palavras.
Sorri, e os dentes são limpos como pedras do rio.
E não agrada por estar muito antes das maneiras.
É preciso ter modos para todas as coisas,
E cada coisa tem o seu modo, e o amor também.
Quem tem o modo de ver os campos pelas ervas
Não deve ter a cegueira que faz fazer sentir.
Amei, e não fui amado, o que só vi no fim,
Porque não se é amado como se nasce mas como acontece.
Ela continua tão bonita de cabelo e boca como dantes,
E eu continuo como era dantes, sozinho no campo.
Como se tivesse estado de cabeça baixa,
Penso isto, e fico de cabeça alta
E o dourado sol seca a vontade de lágrimas que não posso deixar de ter.
Como o campo é vasto e o amor interior...!
Olho, e esqueço, como seca onde foi água e nas árvores desfolha.
Eu não sei falar porque estou a sentir.
Estou a escutar a minha voz como se fosse de outra pessoa,
E a minha voz fala dela como se ela é que falasse.
Tem o cabelo de um louro amarelo de trigo ao sol claro,
E a boca quando fala diz coisas que não só as palavras.
Sorri, e os dentes são limpos como pedras do rio.
1 643
Fernando Pessoa
Tens uma rosa na mão.
Tens uma rosa na mão.
Não sei se é para me dar.
As rosas que tens na cara,
Essas sabes tu guardar.
Não sei se é para me dar.
As rosas que tens na cara,
Essas sabes tu guardar.
1 447
Fernando Pessoa
Quem me dera, quando fores
Quem me dera, quando fores
Pela rua sem me ver,
Supor que há coisas melhores
E que eu as pudera ter.
Pela rua sem me ver,
Supor que há coisas melhores
E que eu as pudera ter.
1 562
Fernando Pessoa
Dás nós na linha que cose
Dás nós na linha que cose
Para que pare no fim.
Por muito que eu pense e ouse,
Nunca dás nó para mim.
Para que pare no fim.
Por muito que eu pense e ouse,
Nunca dás nó para mim.
1 278
Fernando Pessoa
O cravo que tu me deste
O cravo que tu me deste
Era de papel rosado.
Mas mais bonito era inda
O amor que me foi negado.
Era de papel rosado.
Mas mais bonito era inda
O amor que me foi negado.
1 397
Fernando Pessoa
Tua boca me diz sim,
Tua boca me diz sim,
Teus olhos me dizem não.
Ai, se gostasses de mim
E sem saber a razão.
Teus olhos me dizem não.
Ai, se gostasses de mim
E sem saber a razão.
1 114
Fernando Pessoa
Linda noite a desta lua,
Linda noite a desta lua,
Lindo luar o que está
A fazer sombra na rua,
Por onde ela não virá.
Lindo luar o que está
A fazer sombra na rua,
Por onde ela não virá.
1 657
Fernando Pessoa
Baila em teu pulso delgado
Baila em teu pulso delgado
Uma pulseira que herdaste...
Se amar alguém é pecado,
És santa, nunca pecaste.
Uma pulseira que herdaste...
Se amar alguém é pecado,
És santa, nunca pecaste.
1 344
Fernando Pessoa
Manjerico, manjerico,
Manjerico, manjerico,
Manjerico que te dei,
A tristeza com que fico
Inda amanhã a terei.
Manjerico que te dei,
A tristeza com que fico
Inda amanhã a terei.
1 565
Fernando Pessoa
Eu voltei-me para trás
Eu voltei-me para trás
Para ver se te voltavas.
Há quem dê favas aos burros,
Mas eles comem as favas.
Para ver se te voltavas.
Há quem dê favas aos burros,
Mas eles comem as favas.
1 231
Fernando Pessoa
Ó loura dos olhos tristes
Ó loura dos olhos tristes
Que me não quis escutar...
Quero só saber se existes
Para ver se te hei-de amar.
Que me não quis escutar...
Quero só saber se existes
Para ver se te hei-de amar.
1 314
Fernando Pessoa
Deste-me um adeus antigo
Deste-me um adeus antigo
À maneira de eu não ser
Mais que o amigo do amigo
Que havias de poder ter.
À maneira de eu não ser
Mais que o amigo do amigo
Que havias de poder ter.
906
Fernando Pessoa
No dia em que te casares
No dia em que te casares
Hei-de te ir ver à Igreja
Para haver o sacramento
De amar-te alguém que ali esteja.
Hei-de te ir ver à Igreja
Para haver o sacramento
De amar-te alguém que ali esteja.
1 341
Fernando Pessoa
Mother, my cheeks are wet.
Mother, my cheeks are wet.
Let down my hair and kiss
My brow. I seem to forget
Even if I think of this.
Lullaby to me, mother,
Lullaby to me.
I loved and was not loved, mother.
Kiss me and let me be.
Let me sleep as of old, thy hand
On my brow, so calm and so deep,
That I feel't on my soul, my soul fanned
By thy breath on the face of my sleep.
I am but a little ship, mother,
Lost out in the sea.
Lullaby to me, mother,
Lullaby to me.
Let down my hair and kiss
My brow. I seem to forget
Even if I think of this.
Lullaby to me, mother,
Lullaby to me.
I loved and was not loved, mother.
Kiss me and let me be.
Let me sleep as of old, thy hand
On my brow, so calm and so deep,
That I feel't on my soul, my soul fanned
By thy breath on the face of my sleep.
I am but a little ship, mother,
Lost out in the sea.
Lullaby to me, mother,
Lullaby to me.
1 375